terça-feira, 18 de outubro de 2016

Confusões futebolísticas

Bem… Você deve ter ouvido falar sobre o último Fla x Flu… O meu “face” não fala de outra coisa. Se é que o “face” fale.
Mas pra você que talvez não viu, cabe uma explicação: no final daquele jogo houve um gol e segundo os “especialistas” havia 3 ou 4 jogadores do Fluminense impedidos. Assim, o árbitro (que não é juiz, é árbitro, ou seja, não julga, executa a lei)... Então o Sandro Meira Ricci, já conhecido por suas atuações desastrosas, acertou… É. Ele acertou o lance, que foi indicado pelo auxiliar (o famoso bandeirinha). Ambos indicaram que foi impedimento, invalidando, então, corretamente o gol que daria o empate ao Fluminense e deixaria o líder Palmeiras, ainda 3 pontos na frente deste campeonato mais embolado dos últimos anos.
Qual não foi a surpresa, quando, pressionado por jogadores do Fluminense (e sem ouvir ninguém de fora) o árbitro resolveu mudar de ideia e validou o gol. Ou seja, não aguentou a pressão… Mas parece que ouvir “alguém de dentro não tem problema”... E parece não ter problema também, ele ter validado o irregular por pressão. Mas aí a confusão se armou e foi a hora do Flamengo pressionar (já que o árbitro não aguenta a pressão…). Treze minutos se passaram e, supostamente informado de que a TV mostrava o impedimento claro, o árbitro resolveu voltar atrás novamente, para desespero dos tricolores que ainda sonhavam com o título que, ali, ficava mais distante…
Este episódio me fez pensar: “É melhor fazer de maneira errada a coisa certa, ou de maneira certa a coisa errada?”
Afinal, invalidar o gol, foi certo (e estava certo da primeira vez). Mas por pressão o árbitro mudou de ideia (o que é errado e ainda validou o erro)... Contudo, se por assistência da TV, ele finalmente foi convencido de que sua primeira decisão estava certa, isto seria errado? Pois ainda é ilegal usar a TV como recurso (estupidez, é verdade… Todos os esportes já usam a TV para serem mais justos)...
Quando o gol foi validado, foi de maneira errada, pois foi por pressão de jogadores, que não deveriam também influenciar o posicionamento do árbitro. Quando foi invalidado, teria sido pela TV, embora seja a decisão correta...
E aí?
No futebol, o simples fato de eu ter me posicionado de um lado ou de outro, aí acima, já vai fazer com que muitos discordem, afinal, envolve paixões… E no futebol, muitas vezes, não interessa quem está certo… Interessa que o outro perca. E daí vêm frases infelizes como “roubado é mais gostoso”. Ou apelidos discriminatórios aos adversários que, na maioria das vezes, são vistos como inimigos… Culpa um pouco de alguns locutores que incentivam a ira, como: “ganhar é bom, mas ganhar da Argentina é melhor ainda”...
Pra tentar elucidar, eu poderia usar o texto bíblico de Mateus 21.28-32:
“Jesus continuou:— E o que é que vocês acham disto? Certo homem tinha dois filhos. Ele foi falar com o mais velho e disse: “Filho, hoje você vai trabalhar na minha plantação de uvas.”— Ele respondeu: “Eu não quero ir.” Mas depois mudou de ideia e foi.— O pai foi e deu ao outro filho a mesma ordem. E este disse: “Sim, senhor.” Mas depois não foi.— Qual deles fez o que o pai queria? — perguntou Jesus.E eles responderam:— O filho mais velho.Então Jesus disse a eles:— Eu afirmo a vocês que isto é verdade: os cobradores de impostos e as prostitutas estão entrando no Reino de Deus antes de vocês. Pois João Batista veio para mostrar a vocês o caminho certo, e vocês não creram nele; mas os cobradores de impostos e as prostitutas creram. Porém, mesmo tendo visto isso, vocês não se arrependeram e não creram nele.”
Neste texto bíblico temos um paradoxo: aquele que disse que não iria fazer, fez… E o outro, que prometeu fazer, não não fez.
Apesar de lembrar o árbitro do Fla x Flu, não é disso que esse texto está falando. Ele fala daqueles que primeiro foram chamados para fazerem parte do povo de Deus. Aliás, que foram chamados para ser o povo de Deus, os judeus… Eles fizeram uma aliança com Deus, prometeram servi-lo como único Deus e, contrariando sua promessa, adoraram outros deuses e se afastaram da pura e clara lei de Deus, entregando-se a uma infinidade de regras que não são bíblicas, preocupando-se com lavar mãos, pés, camas, etc… Enquanto seu coração estava sujo pelo pecado. E rejeitaram o Messias.
E aqueles que primeiro rejeitaram as ordenanças do Pai são os cristãos (no texto bíblico, os não-judeus). Estes primeiro estavam longe, com suas atitudes disseram que não fariam a vontade do Pai, mas, arrependidos, mudaram de vida e receberam o Messias. Assim, apesar de num primeiro momento terem sido pirracentos, fizeram o certo… Já os outros, apesar de aparentemente obedientes, eram falsos.
Mudar de ideia não tem problema. Aliás, se você está errado, deve mudar de ideia. Ouça, pesquise, leia… Medite, compreenda e mude. Não tem problema mudar. Sábios mudam de ideia para aceitar. Idiotas não mudam de ideia nunca, mesmo que provada errada.
O árbitro acabou acertando, depois de uma confusão que ele mesmo criou… Certamente haverá problemas pra ele. E fica a mancha da dúvida. Mas isso não tem nada a ver com a vida eterna.
Agora se você errar diatne da vontade do Pai… Isto pode custar sua vida eterna. E daí não vai adiantar dizer: “eu não sabia”... Deus não cai nessa.

Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)

Estes e outros artigos são publicados no Jornal Correio 9, de Nova Venécia (curta para ser avisado das edições diárias, leitura completa online): https://www.facebook.com/correio9

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O cristão (de verdade) e a política

Você sabe quando foi que os “cristãos” começaram a ser chamados de “cristãos” e por quê?
O livro de Atos dos Apóstolos, no capítulo 11.26 diz: “Foi em Antioquia que, pela primeira vez, os seguidores de Jesus foram chamados de cristãos.” Antes tinham sido os “do caminho”... Agora estava definido o nome que perduraria pelos séculos. Que tremularia em bandeiras e empossaria e destituiria reis… Que levaria pessoas a (impensáveis) guerras “em nome de Deus” (mas que Deus nunca pediu)... Mas também, um nome que, acima de tudo, traz a paz. O cristão, essencialmente é alguém que busca paz… Quando vai à guerra por iniciativa, não está agindo como cristão.
E por que foram eles chamados de cristãos? Porque eles eram um grupo que se distinguia dos demais. Precisavam de um nome que os identificasse, assim como fazemos ainda hoje com pessoas que se comportam de uma mesma forma… São os “hippies” (esses já nem existem mais, ou estão por aí vendendo seus artesanatos…), são os emos, os “haters” (esse é bem atual: são pessoas que apenas destilam ódio e crítica, coisa bem comum na rede). Estes grupos que cito, são distinguidos por seu comportamento de vestimenta, atitude, modo de falar. Os cristãos também receberam seu nome por causa de seu modo de agir, falar, andar, pensar, adorar, tratar o próximo… Aliás, tem muito religioso por aí, que fala de Jesus, mas não são mais conhecidos como cristãos. Outros nomes suplantam o Cristo… E sem Cristo, sem cristianismo...
“Todos os que creram pensavam e sentiam do mesmo modo. Ninguém dizia que as coisas que possuía eram somente suas, mas todos repartiam uns com os outros o que tinham.” (Atos 4.32) NOTE BEM: isto não é a instituição do socialismo. Jesus não era nem comunista, nem socialista, nem outro regime que você queira impor a ele. Não era de esquerda, quando distribuiu o pão, nem de direita, quando às chicotadas limpou o templo… O reino dele nem era desse mundo. E ele mesmo pediu para se respeitar as autoridades, dando a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
O texto de Atos 4 trata do amor demonstrado aos irmãos. É um texto que fala da vida sabendo que ela passará e o que temos precisa servir para o bem comum. Para alimentar o faminto, etc… Tudo marcado pelo amor, não pela obrigação… Pela fé, não pela imposição.
Assim, vivendo dessa forma, os cristãos se destacavam no meio dos outros.
Mas e como aplicar isto à política? Repito: Jesus não foi político de carreira, embora fizesse seus discursos. Não queria tomar o poder e nem precisava, sendo Deus Todo-Poderoso.
Mas como aplicar o cristianismo à política? Pode um cristão (e um líder cristão) ser e se envolver com política?
Vamos tentar:
Primeiro: o cristão, além de cidadão do céu (Filipenses 3.20), é também cidadão no lugar onde vive. E nesse lugar ele precisa fazer, por amor, todo o bem que lhe for possível fazer.
Segundo: como cristão e querendo o bem de todos, um caminho (não o único) pode ser a política.
Terceiro: como cristão e político, ele nunca buscará o bem próprio ou de sua denominação religiosa. Cristão que entra na política para ganhar favores para a sua igreja é uma raça desprezível e que deveria ser banida do meio político. Porque é mais um que só pensa em benefícios próprios. O cristão, seja ele de qualquer denominação, entende que precisa buscar, na política, o bem para todos. Aliás, o bom político é assim.
Seja esse “todos”, cristão, espírita, budista, ateu, ou qualquer outra coisa que se defina. Essas bancadas “evangélica”, “católica”, etc… São uma aberração simplesmente por existirem. Eu nunca votei e nunca votaria em alguém que, mesmo da minha igreja, se propusesse a defender apenas os direitos da minha religião. Assim como não votaria em candidatos de sindicatos que só querem “puxar a brasa pro seu assado”, assim como não votaria em ninguém que não se preocupasse com o bem coletivo.
Quarto: fuja de candidatos que usam da religião para parecerem melhores que os outros. Não votaria em “padre”, “pastor”, “missionário”, “evangelista”, “pai-de-santo”, ou quer outra denominação. Líderes religiosos que usam sua função para se eleger estão usurpando de um cargo e de uma função que lhes foi conferida não para serem eleitos, mas para servirem à sua igreja.
Se quiser ser candidato, que seja, mas não use a fé dos outros para angariar votos. Assim como, por lei, jornalistas, apresentadores de TV, radialistas e outros têm que se afastar da sua função para poder concorrer. Os religiosos deveriam ser os primeiros a livremente abdicar de suas funções (nem usando o nome do cargo) como exemplo.
Não quis falar isso durante o período eleitoral, para não prejudicar ou ajudar involuntariamente alguém. Mas agora é hora de, junto com os que foram eleitos, buscar o melhor para toda a cidade.
Você quer participar da política? Participe. Mas se é cristão, lembre que acima de tudo, você representa e precisa levar o amor de Cristo a TODOS.

Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)

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