segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Homenagem ao Pastor Roberto

No culto de ontem tivemos muitos momentos importantes e emocionantes. Um deles foi o vídeo enviado carinhosamente pelo Presidente da IELB, Rev. Egon Kopereck.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Um convite especial

Olá.

Neste fim de semana acontece um culto muito especial em nossa amada Castelo Forte. É um culto de ação de graças pelos muitos anos de ministério do Pastor Roberto Kunzendorff, que também receberá o título de pastor emérito da IELB, um título de honra, reconhecendo seus grandes feitos como fiel pastor da igreja.

Neste mesmo dia, também será a instalação do novo pastor, Jarbas Hoffimann, que, na verdade, já está atuando desde janeiro do ano passado, mas agora, assumirá o ministério na Castelo Forte, de tempo integral.

Todos vocês são bem vindos para este momento tão maravilhoso de nossa Congregação Castelo Forte.

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Igreja pronta

Para todos é uma grande alegria poder dizer que a igreja construída com o apoio do Distrito Espírito Santo Norte (DIESNORTE) está concluída.

Em poucos dias haverá a cerimônia de inauguração com a colocação da pedra fundamental.

Veja alguns fotos do templo pronto, aguardando apenas o profissional que virá colocar as portas e janelas de vidro.

Foram 36 dias de trabalho para deixar um bonito templo de 12,5 x 7,0m, no assentamento Boa Vista.

Como ressalta o Pastor Adevilson Kreitlow, esta é uma prova de que fazemos parte de um distrito forte, que pode fazer sempre mais e melhor pela causa do evangelho, basta que arregacemos as mangas.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sermão 19/02/2012

Transfiguração do Senhor / Último Domingo após Epifania - A
19 de Fevereiro de 2012

Em Cristo, o céu está aberto para nós

Texto Base: Mt 17.1-9

Salmo do Dia:        Salmo 2.6-12
Antigo Testamento:    Êxodo 24.8-18
Epístola        2º Pedro 1.16-21
Evangelho do Dia    Mateus 17.1-9
1. Introdução:
Testemunhas são importantes em muitos casos. Quando homem e mulher se casam, precisa de testemunhas. No Batismo, as testemunhas também são requeridas. Quando acontece um acidente no trânsito ou um crime, as testemunhas podem ser peças-chave para se chegar à conclusão dos casos.
2. Desenvolvimento:
2.1. Ver Jesus e sua glória
a) No texto do evangelho de hoje, Jesus chamou três dos seus discípulos para serem testemunhas de algo importante. A crucificação de Jesus estava se aproximando e os três discípulos seriam preparados para este acontecimento, pois seriam testemunhas de Jesus.
O que aconteceu naquele monte não foi uma visão sobrenatural, mas de fato eles viram Jesus mudar de aparência, ser transfigurado. Suas vestes ficaram brancas, mais do que qualquer alvejante poderia deixar e o rosto de Jesus ficou brilhante como o sol. Jesus não estava recebendo luz e brilho, mas isso tudo era dEle próprio, sinais da sua santidade.
Assim como no texto do Antigo Testamento, a nuvem aparece aqui como sinal da presença de Deus. A voz que veio da nuvem, afirmou: “Este é meu filho querido, que me dá muita alegria. Ouçam o que Ele diz.” (v.5)
b) As testemunhas foram importantes nessa ocasião, não somente os três discípulos, mas a presença de Moisés e Elias que serviu para testemunhar que o Antigo Testamento apontava para esse Jesus que estava ali: Ele é o Salvador prometido.
Moisés era o representante da Lei, pois foi com ele que Deus conversou no meio da nuvem, no monte Sinai, para dar as duas tábuas contendo os Dez Mandamentos. Elias é representante dos profetas, cujas mensagens apontavam para a promessa da salvação.
Isso quer dizer que Cristo é o centro de toda a pregação desde os tempos antigos. Deus quis mostrar que a Lei e os Profetas estavam apontando para o mesmo Jesus, o salvador da humanidade. Por isso, Deus afirmou: “Este é meu Filho querido, que me dá muita alegria. Escutem o que Ele diz.” (Mt 17)
Pedro, Tiago e João não sabiam direito o porquê dessa visão, mas depois da ressurreição de Jesus, tudo seria compreendido.
c) A visão e o sentimento antecipado de se estar no céu, na presença de Jesus, Moisés e Elias eram tão bons que Pedro disse: Como é bom estarmos aqui, Senhor! Se o senhor quiser, eu armarei três barracas neste lugar: uma para o senhor, outra para Moisés e outra para Elias. (Mt 17.4) Os discípulos foram testemunhas e o desejo era de morar ali mesmo.
2.2. Ouvir Jesus na Palavra
a) Amados, Deus faz uso dos nossos sentidos para mostrar o seu plano salvador. Os discípulos viram, conversaram com Jesus e ouviram a voz de Deus: “Escutem o que Ele diz.” (v.4b) Vale ressaltar a importância de colocarmos nossos sentidos em submissão a Deus.
Nossos olhos precisam ver Deus. Nossos ouvidos precisam escutar o que Ele diz. Nossa boca precisa falar a respeito. Mas, onde podemos ver a Deus senão nos Sacramentos? Nossos olhos precisam focar além dos olhos físicos, precisam aprofundar para os olhos espirituais, os olhos da fé para que de fato, possamos ver e compreender como Deus age no Batismo e na Santa Ceia.
Onde escutar Jesus senão na Palavra? Temos Palavra nos cultos, nos estudos em grupos, cursos e nas devoções em casa.
Meus irmãos e irmãs, em Cristo o céu é aberto para nós. Não podemos deixar de ver, de escutar e de falar do que temos visto e ouvido, pois somos testemunhas disso.
b) Nessa ocasião em que Jesus foi transfigurado, vemos que Deus foca Cristo como o centro da fé e da salvação, a imagem da santidade divina. Este é meu Filho querido!
O ser humano busca meios próprios de estar em paz com Deus. Fazemos coisas para tentar agradar a Deus, como Pedro: Como é bom estarmos aqui, Senhor! Se o senhor quiser, eu armarei três barracas neste lugar: uma para o senhor, outra para Moisés e outra para Elias. (Mt 17.4) Tentamos buscar a aprovação de Deus pela nossa aparente bondade e obediência aos mandamentos.
A presença de Moisés naquele momento em que Jesus foi transfigurado, prova que a Lei de Deus aponta para a solução em Cristo, não na bondade humana ou no cumprimento da Lei. Tanto que Deus interrompeu a fala de Pedro para dizer: “Este é meu Filho querido, que me dá muita alegria. Escutem o que Ele diz.” (Mt 17)
Existe o perigo de acreditarmos em profecias e ensinamentos que não estão de acordo com a vontade de Deus. Orientam ações aparentemente alegres e descentes, mas que conduzem direto ao inferno. Deus quer manter nossos olhos e ouvidos espirituais atentos.
Vejam que, após terem ouvido Deus dizer: “Este é meu Filho querido, que me dá muita alegria. Escutem o que Ele diz.” Os discípulos ficaram com tanto medo, que se ajoelharam e encostaram o rosto no chão. Jesus veio, tocou neles e disse: — Levantem-se e não tenham medo! Então eles olharam em volta e não viram ninguém, a não ser Jesus. (v.6-8)
Diante da nossa cegueira espiritual e fraqueza, só Jesus permanece porque Ele é o centro, o foco, o próprio Salvador. Jesus permanece porque Ele vem ao encontro do pecador caído e com medo, para tocar com seu perdão e dizer: Levante-se e não tenha medo!
c) Em Cristo, o céu permanece aberto para nós e temos acesso ao seu perdão. O céu fechado é a maior desgraça, pois a pessoa fica sozinha, à mercê de satanás que como um leão que ruge, procura alguém para devorar. (1Pe 5.8) Mas o Bom Pastor Jesus mantém o céu aberto para que Deus olhe para nós e diga: Tu és o meu filho querido! Tu és a minha filha querida!
3. Conclusão:
Servir Jesus no Reino
É importante lembrar que acima de toda e qualquer testemunha está a Palavra de Deus. Ela é, por assim dizer, a testemunha das testemunhas, pois nela está escrito a vontade de Deus, cujo centro é Cristo. “Este é meu Filho querido, que me dá muita alegria. Escutem o que Ele diz.” (v.5) O mesmo apóstolo Pedro disse na epístola de hoje: Vocês fazem bem em prestar atenção nessa mensagem. (2Pe 1.19)
Como é bom estarmos aqui, Senhor! – podemos acompanhar essas palavras de Pedro. No Batismo, na Palavra e na Santa Ceia, estamos próximos a Jesus e do seu perdão. Na Igreja, nos cultos, temos a oportunidade de estar, antecipadamente no céu, na presença do nosso Salvador Jesus.
Não precisamos subir um monte para estar mais perto de Deus. Jesus subiu o monte chamado Calvário para lá ser crucificado e morto em nosso lugar, a fim de que fôssemos feitos filhos de Deus, mediante a fé nEle. Importa que inclinemos nossos olhos um pouquinho para observar que na cruz, Jesus abriu o céu para nós. Por isso, Deus afirmou: “Este é meu filho querido, que me dá muita alegria.” (v.5) A alegria de Deus é porque Jesus garantiu a nossa salvação.
Mas é importante que desçamos o monte com Jesus para testemunhar nossa fé. É bom estarmos na presença de Jesus, melhor é agir em nome de Jesus, para que o céu aberto seja visto pelas pessoas. Para que reconheçam Cristo como Salvador e ouçam o que Ele diz na Palavra. E assim, outros poderão juntar-se conosco no exército de testemunhas que proclamam o céu aberto por meio de Jesus.
Assim, permaneceremos em Cristo e ouviremos constantemente a afirmação de Deus: “Este é meu filho querido, que me dá muita alegria.” Alegria pelo perdão e a salvação testemunhados por nós. Amém.

Rev. Jacson Junior Ollmann — Florianópolis-SC, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Bom é estarmos aqui

Mc 9.2-9 Último Domingo após Epifania
Transfiguração de Nosso Senhor

 

Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

Queridos irmãos em Jesus Cristo.

Você gostaria de ter que sair de um lugar maravilhoso? Você gostaria de sair de um lugar onde tudo é bom?

Não gostaríamos... Ninguém gosta de dificuldades.

Nós gostamos do que é bom. Gostamos de não ter problemas ou dificuldades. Gostamos da calmaria, da mesma forma que os discípulos acordaram Jesus para que ele parasse a tempestade. Assim como os marinheiros atiraram Jonas ao mar, para acalmar sua fúria.

Agora vejamos o evangelho de Marcos, capítulo 9: Jesus chama Pedro e os irmãos Tiago e João. Diante destes apóstolos Jesus é transfigurado. Diz a bíblia: “Ali, eles viram a aparência de Jesus mudar. A sua roupa ficou muito branca e brilhante” (2-3). E como completa o evangelista Mateus (17.2): “o seu rosto ficou brilhante como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz.”

Além disso, aparecem Moisés e Elias. Os dois grandes profetas de Israel. Qualquer judeu ficaria extasiado.

E os dois conversam com Jesus, enquanto os apóstolos, de certa distância, veem tudo.

Então Pedro não aguenta calado e diz: “Mestre, como é bom estarmos aqui! Vamos armar três barracas: uma para o senhor, outra para Moisés e outra para Elias.” (5)

O texto afirma que Pedro nem sabia direito o que dizer (v. 6), então sugeriu construir as barracas. Talvez querendo ser gentil. Talvez percebendo a maravilha do momento, porque como judeu, ele conhecia o texto de Êx 34, que relata a transfiguração de Moisés. E algo semelhante estava acontecendo novamente. Ali, na sua frente.

Ao ver a transfiguração, Pedro sabia que algo grandioso estava acontecendo. Ao ver a nuvem e ouvir a voz dos céus, ele sabia que o próprio Deus estava ali presente. E eles eram testemunhas de tudo aquilo.

Ali, naquele momento, estavam Jesus, transfigurado, e dois dos maiores profetas de Israel: Moisés e Elias. E Pedro quer ficar ali. Assim como cada um de nós quer ficar num lugar seguro. Num lugar que nos faz bem.

Queridos irmãos...

Não existe lugar mais seguro que a presença de Deus. Na presença de Deus, os problemas vão aparecer também, mas seremos mais fortes que eles.

Na presença do Senhor seremos atacados por tentações, mas com a Palavra e os Sacramentos, Deus nos levará à vitória sobre o tentador.

Na presença de Deus também cantamos hinos e levamos nossas ofertas de gratidão. Confiantes de que Deus continua a nos amparar, mesmo que tudo mais nos falte.

Na presença de Deus trazemos nossos pedidos e nossa gratidão. E percebemos que Deus ouve e responde nossas orações, como ele mesmo prometeu. Sempre para o nosso bem.

Por isso podemos dizer que bom é estarmos aqui.

Pois quanta gente gostaria de estar aqui e não pode... Quantas pessoas são impedidas de vir à casa de Deus, por causa de dificuldades físicas... Quantas pessoas estão tão afastadas de Deus que sentem vergonha de vir...

É verdade que a Palavra de Deus as acompanha também em casa, mas bom mesmo é estar aqui. É poder ouvir a Palavra e cantar alegremente. É poder participar da Santa Ceia. É poder ter orientação neste mundo perdido.

Quantas vezes já ouvi, nestes poucos anos de ministério:

—Eu gostaria de poder ir à igreja...

—Era tão bom cantar junto com os irmãos...

—Me fazia tão bem receber a Santa Ceia em frente ao altar. E receber o perdão na Casa do Senhor...

Estas pessoas estavam impedidas de estar na igreja, por causa de sua saúde ou da idade avançada. E elas tinham seu momento de culto em casa, mas não tinham mais o prazer de vir até à Casa do Senhor e estar em comunhão com todos. Eles gostavam de receber a Ceia e a visita do pastor, Mas bom mesmo é estar aqui.

Voltando a Pedro, mais tarde, em sua segunda carta ele afirma: “Nós não estávamos contando coisas inventadas quando anunciamos a vocês a vinda poderosa do nosso Senhor Jesus Cristo, pois com os nossos próprios olhos nós vimos a sua grandeza. Nós estávamos lá quando Deus, o Pai, lhe deu honra e glória. Ele ouviu a voz da Suprema Glória dizer: ‘Este é o meu Filho querido, que me dá muita alegria!’” (2Pe 1.16-17)

Esta é a nossa tarefa também: anunciar o Salvador a todos que ainda não creem, para que creiam e sejam salvos. Anunciar as maravilhas do Senhor. Dizer e mostrar para todos que bom é estar aqui.

Jesus disse para não falarem nada sobre a transfiguração até a sua ressurreição. Este tempo já passou.

Agora é tempo de falar... De testemunhar a grandeza e a misericórdia de Deus, que enviou Jesus para salvar a todos.

É hora de apontar pra Jesus e mostrar o caminho da Salvação.

Aonde falar? Em toda parte: em casa para os mais próximos; no escritório; na fábrica; no trânsito; na escola e onde mais o Senhor nos der oportunidade.

Estas oportunidades aparecerão das formas mais inesperadas, como nos relatou a D. Íris, semana passada e como quero contar para vocês agora.

Em 2009, quando a Sara esteve internada no hospital Souza Aguiar, depois de uma visita, eu estava saindo do hospital, acompanhado de alguns membros da igreja.

Fomos para o elevador, tudo muito normal, quando de repente, aparece na porta do elevador um policial, todo agitado, olhando pra dentro, segurando sua arma. Ele segura a porta do elevador e faz um sinal com a cabeça. Aí aparece um maqueiro trazendo uma pessoa ferida. Tinha aqueles pinos de aço na perna. Era bastante magro. Muito jovem. E estava algemado à maca.

Percebeu-se que todos no elevador ficaram com medo. Ou no mínimo angustiados com a situação. E houve silêncio.

Mas um senhor, que ficou bem perto da cabeça do marginal, rompeu o silêncio e disse:

—Desta vez Jesus te livrou, pode não ter uma próxima. Pega firme com Jesus. Na cadeia tem um serviço religioso, procure ele. E quando sair, procure uma igreja evangélica.

Aquele homem falou e o criminoso respondeu:

—Vou procurar sim. Eu escapei por pouco da morte.

Não sei como esta história terminou, mas oro para que Deus nos dê sempre coragem de falar como aquele homem do elevador. Que falemos quer seja oportuno quer não.

Que testemunhemos do Senhor Jesus como Pedro fez.

Que assim, muitos ainda possam reconhecer que bom é estar aqui, na presença do Senhor. Porque aqui estamos seguros. Aqui, pela fé em Jesus, temos salvação. E o próprio Senhor nos acompanha no testemunho. Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Venécia-ES

Soli Deo Gloria

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Notícias da Castelo Forte

No Mensageiro Luterano de Março, mais uma vez a Congregação Castelo Forte aparece em destaque e com uma notícia muito especial. Confira abaixo e, caso deseje, assine o Mensageiro Luterano na Editora Concórida.

foto

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Sermão 12/02/2012

6º Domingo após Epifania – B
12 de Fevereiro de 2012

Todos ficaram sabendo da notícia

Texto Base: Mc 1.40-45
Salmo do Dia:        Salmo 30
Antigo Testamento:    2º Reis 5.1-14
Epístola        1º Coríntios 10.19-11.1
Evangelho do Dia    Marcos 1.40-45
1. Há um motivo — situação de cura
2. Há uma consequência — testemunho
Estamos acostumados a ver os jornais, as noticias, sejam elas televisivas, online (internet) ou escrita (jornais e revistas). Algumas nos chamam a atenção; outras apenas olhamos por alto. Umas nos atraem; outras não são interessantes. Desta forma nos informamos e ficamos por dentro do que está acontecendo. Antigamente elas vinham especialmente pelas ondas do rádio; hoje as percebemos simultaneamente. É a comunicação que faz a sua história a fim de que todos sejam informados dos acontecimentos. Mas, quais são aos efeitos em nós quando tomamos conhecimento das coisas? Há aqueles que permanecem apáticos como se nada tivesse acontecendo. Outros, porém, ficam antenados, divulgando para os amigos ou parentes, ou seja, partilham da informação. E você? Quais são suas atitudes após receber as notícias? Especialmente a maior notícia de todas: sua salvação eterna. Queremos refletir um pouco sobre este tema.
Toda noticia tem um motivo. As reportagens são escritas ou motivadas a partir do motivo que levou a elas. Ex.: um acidente gera noticia; um show gera noticia; um problema de falta d água ou chuva são motivos para noticiais. No evangelho de hoje a cura do leproso foi o motivo da noticia. Imediatamente toda àquela região sabia do ocorrido. Aquele que fora curado se encarregou doe repassar a quem encontrava a respeito do que lhe aconteceu. Era um leproso. Agora está curado por causa da ação de Jesus. Diante daquela maravilha ele não conseguiu ficar calado, guardar em segredo, umas ele abriu a boca e todos ficaram sabendo da noticia. A ação de Jesus em sua vida foi o motivo da noticia.
E era para ser uma grande noticia mesmo. Se fosse nos dias atuais imaginamos as manchetes nos jornais. Reportagens, correspondentes do mundo inteiro averiguando sobre o assunto. A lepra era considerada doença contagiosa. O indivíduo era retirado do seu convívio social. As famílias sofriam muito. Ainda, a própria religião considerava o leproso um imundo, impuro, ou seja, eram pessoas renegadas da sociedade. Com aquele leproso não era diferente.
É exatamente neste contexto que Jesus entra em cena: É sensível àquela necessidade. Teve compaixão daquele individuo renegado pela sociedade e o cura, restabelecendo por completo sua saúde. Ele o reintegra à sociedade, à família. Foi tremendamente importante para aquele rapaz. A presença de Jesus no lugar certo e na hora certa faz toda a diferença.
Assim ele continua lidando conosco. Diariamente temos o conhecimento do seu amor por nós. Cremos que sua ação em nós e por nós é contínua. Como seres humanos somos miseráveis pecadores e estamos envolvidos numa série de coisas erradas. Construímos, inclusive, nossa desintegração na sociedade. Somos muitas vezes, egoístas, materialistas e carregamos em nós outro tipo de lepra, também muito contagiosas, a nossa natureza pecaminosa.  Precisamos da cura espiritual, de sermos reintegrados novamente à fé crista, à igreja crista. E isto só é possível quando acreditamos na obra de Jesus por nós, na cruz. Ele já nos salvou de todos os pecados. Deu-nos uma nova chance e este é um motivo para uma grande noticia.
Ah! Pastor, isso já sei. Não é novidade. Entretanto podemos conhecer pessoas que não sabem disso e que ninguém que já lhe tenha dito. Grandes coisas o Senhor faz diariamente conosco. Ex.: Seu vizinho sabe que você foi promovido (abençoado); ou que tem um novo carro (benção material), que você estava doente (ou algum amigo seu) e que agora está bem? Então, estas são bênçãos, grandes notícias para todos. A nossa tarefa, portanto é tornar conhecido de todos estas grandes noticias, e em especial a maior de todas, a nossa salvação em Cristo Jesus.
Partimos de um motivo. Este nós temos. A consequência é o testemunho. Falar da nossa fé, do quanto temos sido abençoados. Isso faz a diferença para os outros. Desta forma a igreja primitiva foi crescendo. Muita gente queria ouvir a respeito de Jesus. Talvez estejamos tão habituados (de braços cruzados) que não nos inspiramos a testemunhar de nossa fé cristã, inclusive começando entre nós mesmos. Semana após semana nos alimentamos da Palavra e Deus. Fortalecemos a nossa fé. Temos boas notícias dão reino para partilhar. Vamos testemunhar! Cotamos com a ajuda de Deus. Amém.

Rev. Waldyr Hoffmann — Joinville-SC, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, co-editor desta Revista.

Sermão 12/02/2012–opçao 2

 

Jesus nos mostra a sua compaixão

Texto Base: Mc 1.40-45

 

Salmo do Dia:        Salmo 30
Antigo Testamento:    2º Reis 5.1-14
Epístola        1º Coríntios 10.19-11.1
Evangelho do Dia    Marcos 1.40-45

Os versículos anteriores aos do nosso texto mostram que Jesus havia saído secretamente de Cafarnaum. Lá ele tinha expulsado o demônio de um homem e curado a sogra de Pedro. A notícia se espalhou rapidamente e na mesma noite uma multidão se colocou na frente da casa de Pedro esperando curas e milagres.  No dia seguinte, bem cedo, uma nova multidão se formou diante da casa de Pedro. Mas Jesus tinha levantado de madrugada e ido para um lugar solitário no deserto. Ele estava evitando aqueles que o procuravam apenas para verem resolvidos seus dilemas pessoais. Jesus tinha vindo para um propósito bem maior do que ser apenas um mero solucionador de problemas humanos. Diz o texto que ele foi por toda Galiléia. Galiléia era uma região maior, da qual Cafarnaum fazia parte. A sua fama já havia se espalhado por toda região. Por onde passava, já havia gente esperando por ele. No caminho um homem leproso aproximou-se de Jesus e disse: “Senhor, eu sei que o senhor pode me curar se quiser” V.40.
Nos tempos do ministério terreno de Jesus a lepra, além de altamente contagiosa, era difícil de curar. E o pior, era progressiva.  Os leprosos tinham que ficar fora da cidade, em lugares isolados e longe das pessoas. Seu destino era morrer na solidão. O tipo mais comum na época era aquela que causava feridas na pele. Hoje a lepra é conhecida também por outros sintomas. Também é conhecida por “hanseníase” em homenagem ao médico norueguês Gerhard Hansen, que descobriu o bacilo da lepra e descreveu a doença.
O leproso do nosso texto sentia na pele o drama da lepra. Ele apenas via diante de si um destino cruel.  Para sua esperança e felicidade o Senhor Jesus estava agora passando pelo seu território solitário. E num gesto de humildade se ajoelha diante de Jesus (V. 40).  Ele já tinha compreendido que o verdadeiro propósito de Jesus não era o de ser médico do corpo.  Mas também já sabia do coração amoroso do Senhor e de que o Senhor podia curá-lo. E Jesus, deixou seu coração falar e estendeu-lhe a mão, o tocou e lhe disse: “Sim! Eu quero. Você está curado” V. 41.
Agora ele estava curado. Era um homem feliz, renovado, livre da doença que, de outra forma, dificilmente teria cura. Qual seria sua atitude de vida a partir de agora? O que ele deveria fazer depois de curado?
Jesus recomendou que ele não falasse nada para ninguém sobre a sua cura.  Mas por que não falar de uma coisa boa? É que Jesus não queria ser visto como um curandeiro ou um milagreiro.  Ele veio para ser o Salvador e queria ser conhecido como tal.  Mas diz o V. 45 que este homem deu com a língua nos dentes. Por causa deste falatório, Jesus teve de ficar fora das cidades, porque as pessoas vieram procurá-lo por objetivos que não eram para os quais ele realmente tinha vindo. Podemos até compreender a situação do curado, da sua alegria de estar curado. O problema é que nos falatórios foi enfatizado o milagre, e não o autor do milagre.  A função de Jesus foi desvirtuada. As pessoas vinham em multidões para resolverem seus problemas de doença. Não viam nele o prometido Salvador do mundo.
Notícias mal divulgadas podem ser mal interpretadas. Falar aquilo que não pode ser falado, gera confusões. Se hoje muitas pessoas procuram o Jesus curandeiro, o milagreiro e não o Jesus Salvador certamente porque foi lhes dada a mensagem errada sobre a missão de Jesus.
É certo que todos podem trazer para Jesus seus problemas, suas doenças, seus dilemas.  E podem ter certeza de sempre encontrar em Jesus um coração acolhedor. Mas, lembremos que, lá em Cafarnaum, nem todos foram curados. Da mesma forma, a igreja não tem solução para todos os nossos problemas. A função da igreja não é exatamente resolver problemas. A igreja tem a função de falar da causa, da origem de todos os problemas, que é o pecado e que o pecado é a doença que nos afasta de Deus. E a igreja também tem a função de falar de que, em Jesus Cristo, está a cura para a doença do pecado. Assim, a resposta e a solução que todos mais precisam, estas a igreja sempre tem.
Por isso, o propósito para o qual Jesus realmente veio, não pode ser desvirtuado. Seu ministério e sua obra não podem ser enfatizados de modo errado. Quando as igrejas de hoje lotam por pessoas que simplesmente vem buscar a solução dos problemas físicos, sem buscar o Jesus Salvador a função de Jesus está sendo desvirtuada. O Jesus Salvador do pecado é colocado de lado e no lugar é procurado o suposto Cristo da prosperidade, da cura.
Jesus quer que a ênfase esteja no lugar certo.  Ele quer que falemos daquilo que ele fez em nosso coração. Que pelo perdão gratuito ele nos deu nova vida. Ele não quer que divulguemos qualquer coisa que ajunte multidões, mas não levam nada de edificação na graça. E a mensagem mais importante a ser divulgada é que ele é o Cristo para todos. É o Senhor que se compadece do pecador arrependido e confiante, oferecendo-lhe cura para a pior de todas as doenças, o pecado. Jesus continua manifestando verdadeiro amor e compaixão para com todos.  Amém.

Rev. David Karnopp — Vacaria-RS, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, co-editor desta Revista.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Proclamação Luterana - 020

Observações táticas no manejo do evangelho no sermão

56. Duas observações práticas requerem nossa atenção no contexto desse artigo. Primeiro, com respeito à famosa questão da capacidade de atenção dos ouvintes. Fomos ensinados de que uma pessoa tem uma capacidade de prestar atenção somente durante doze minutos, por isso nenhum sermão deveria ser maior do que isso. Mas, isso é ridículo em vários sentidos. Primeiro, ninguém é igual. A atenção varia de dia a dia, momento a momento. Alguém pode distrair-se a qualquer momento, mas, visto que a palavra falada do evangelho requer contemplação, e visto o pregador procura pregar assim para ganhar atenção, para requerer a contemplação, a atenção pode ser prolongada pela proclamação. Eu considero que é uma boa indicação quando um membro diz: “Pastor, muito obrigado, seu sermão interrompeu meu pensamento pelo menos cinco vezes!” Por isso, trabalhe claramente lei e evangelho, e não se preocupe com a atenção do povo hoje.

Por último, eu gosto de seguir a metodologia textual na proclamação luterana. A típica presunção sobre o relacionamento entre o texto e os ouvintes é tal que o pregador precisa tomar o texto e traduzi-lo para o novo contexto do século XXI. Mas não use para tanto uma alegoria. A alegoria traduz o texto para outro contexto.

57. Mas, se não é isso, se não é alegoria, o que faremos? Precisamos transladar a mentalidade do século XXI para o primeiro século, ou ao texto do Antigo Testamento. O pregador luterano deve pregar de tal forma que os ouvintes possam identificar-se a si mesmos com o texto, andar com Abraão e Isaque, ouvir a Jesus como Maria, participar da coleta para os cristãos de Jerusalém, etc. Neste sentido, a identificação é a chave pela qual a Escritura é trazida à vida pela proclamação do pregador luterano.

58.Concluo este trabalho da maneira como o abri, com um citação de Lutero, especialmente do seu último sermão (15/02/1546, três dias antes de sua morte). Nele vemos Lutero, como pregador, trabalhando na proclamação, levando seus ouvintes sob o evangelho conectando-os com toda a igreja, defendendo-os dos erros. É isto que advogamos neste escrito. Nele, ouvimos o claro chamado a dar confiante atenção aos objetivos dos meios da graça, diante das tentações do mundo de buscar o significado religioso e entusiasmo em outros lugares, até mesmo apregoado por seguidores de Lutero. Admitindo que tal fidelidade é muitas vezes cansativa e aparentemente sem recompensa. Lutero dirige nossa atenção para a voz convidativa de nosso Salvador:[1]

Isto nos cristãos devemos aprender e conhecer, mesmo que o mundo não queira fazê-lo, nós queremos ser gratos a Deus que nos abençoou tão ricamente e nos concede ouvi-lo, bem como o próprio Cristo o ouviu e agradeceu alegremente por ouvir o pai. Em tempos passados, corremos de uma ponta à outra do mundo ao ouvir que ali poderíamos ouvir a Deus. Agora, o ouvimos cada dia em sermões, na verdade, agora todos os livros estão cheios dele, e não queremos ouvi-lo com alegria. Tu o ouves em tua casa, pai e mãe e crianças canta e falam dele. O pregador fala na paróquia. Tu deverias levantar tuas mãos e jubilar de alegria, pela honra que nos é dado de poder ouvir e falar com Deus por meio de sua palavra.

Oh! diz o povo, que é isso? Sobre tudo, eles pregam cada dia, muitas vezes varias vezes ao dia, assim que cedo nos cansamos disto. O que faremos disto? Tudo bem, vai e ouça teu irmão, se não queres que Deus te fale cada dia em sua casa em tua igreja. Seja sábio e procure outra coisa qualquer. Em Tier está o casa de Deus, em Aachen as calças de José. Vai ali. Gasta teu dinheiro, compre indulgências e beije a mão do papa. Estas são coisas valiosas!

Mas, não sejamos estúpidos e loucos; sim, cegos e possuídos pelo diabo? Ali, em Roma, está colocada a isca para o pato, com sua bolsa de truques, atraindo todo o mundo a si, com seu dinheiro e seus bens. Ali há todo o tempo alguém para batizar, dar o sacramento e tirar do purgatório. Como somos altamente honrados e ricamente abençoados em sabermos que Deus fala a nós e nos enche com sua Palavra, dá-nos o batismo, as chaves, etc. Mas este povo bárbaro diz: O que, batismo, sacramento, palavra de Deus? Às calças de José, isto faz a coisa. Mas, a nós cabe ouvir a Deus em sua palavra. Ele é nosso mestre. Não temos nada a ver com as calças de José.

Cristo diz: Venham a mim, todos os que estais sobre carregados (Mt 11.28) Tome minha palavra e deixe todas as outras coisas. Se estás sobre-carregado, tenha paciência. Eu o tornarei tão leve que o possas carregar. Se há coisas ruins, eu vos darei coragem. Se precisas cruzar tormentas e diabos, não fique preocupado, eu te darei o Espírito. Quando sofres por minha causa, o meu jugo é leve. Eu te ajudo a carregá-la. Permanece firme na fé apegado à minha palavra e vencerás.

Isto significa que os sábios deste mundo serão rejeitados, e nos queremos aprender a não nos julgarmos sábios, antes afastar nossos olhos dos grandes personagens e olhar somente para Cristo e sua Palavra. Ele nos convida amorosamente a dizer: Tu és o meu único e amado Senhor e mestre e eu o teu discípulo.

Isto e muita outra coisa poderia ser dito a respeito do evangelho, mas eu estou muito fraco e deixemos isto para outra o ocasião.”

São Leopoldo, 11/12/2011

Tradutor: Rev. Horst R. Kuchenbecker


[1] Luther´s Works, Am. Ed., vol 51, p.390-392.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Proclamação Luterana - 019

Nota do tradutor. Não posso deixar de acrescentar aqui a preciosa página da Teologia Pastoral de C.F.W.Walhter sobre como pregar a santificação:

Uma terceira carência é quando um pregador fala sempre de novo e de novo sobre arrependimento e fé, mas não prega sobre a necessidade das boas obras e da santificação, ou sobre boas obras, virtudes cristãs e santificação, não dando uma instrução profunda sobre isso. Uma descrição explícita, clara e calma sobre uma verdadeira vida cristã e comportamento, alcança mais do que a constante ameaça e o repisar a necessidade da mesma.

A respeito disso, Lutero escreve o seguinte: “Meus antinomistas pregam muito bem e (como não posso pensar de outra maneira) com verdadeira sinceridade a respeito da graça de Cristo, o perdão dos pecados, e o que mais é dito sobre a redenção. Mas, da conclusão eles fogem como o diabo da luz. Eles temem falar da terceira parte, da santificação, isto é, da nova vida em Cristo. Eles pensam que a gente não deve assustar ou entristecer as pessoas. Pregam, no entanto, sempre de forma consoladora da graça e do perdão dos pecados em Cristo e ao mesmo tempo evitam palavras similares como: Estas ouvindo? Tu queres ser cristão e ao mesmo tempo és um adúltero e vives no meretrício, como um porco, arrogante, ganancioso, avarento, invejoso, irascível, e queres permanecer perverso, etc.? Ao contrário eles dizem: Estás ouvindo: Se és um adúltero, prostituto, avarento, ou outro tipo de pecador – mas se tu crês somente, tu estás salvo e não precisas mais temer a lei. Cristo a cumpriu em teu lugar”.

“Amigo, diga-me, isto não é admitir a premissa e negar a conclusão que segue? (Antecedens concedirt e Consequens negirt) Na verdade, isto significa tirar Cristo de alguém, no momento em que Cristo é pregado da forma mais sublime, e reduzi-lo ao nada. Isto é o sim e o não na mesma coisa. Tal Cristo é ninguém e nada, que morreu por tais pecadores que, após o perdão dos pecados, não abandonam o pecado para viverem em novidade de vida. Assim eles pregam bem no fio dialético nestoriano e eutichiano, que Cristo é e não é. Eles são puros pregadores da Páscoa, mas nefastos pregadores de Pentecostes. Pois eles nada pregam sobre a santificação e vivificação do Espírito Santo (sanctificatione et vivificatione Spiritus Sancti), mas somente a salvação de Cristo. Em suas pregações, eles exaltam Cristo com convém, que Cristo nos salvou do pecado e da morte, para que o Espírito Santo faça de nós novas criaturas. Mas, então param e não falam do afogar o velho Adão, para que mortos aos pecados, vivamos para a justiça (Rm 6.2), como o apóstolo Paulo ensina aos romanos, que iniciemos aqui a nova vida em Cristo e cresçamos e sejamos perfeitos nos céus”.

“Cristo não nos conquistou somente a graça (gratiam), mas também o dom (donum) do Espírito Santo, assim que não temos somente o perdão dos pecados, mas também o cessar de pecar (Jo 1.16-17). Quem, no entanto, conitnua a pecar, permanece no seu ser pecaminoso anterior, esse deve ter outro Cristo, o dos antinomistas. O verdadeiro Cristo não está ali, e mesmo se todos os anjos gritassem nada mais do que Cristo, Cristo! – nós teríamos que condená-los com o seu novo Cristo” (Sobre o Concílio das Igrejas, 1539; Walch XVI, 2741 s.).

Se alguém quer aprender como descrever verdadeiramente a vida cristã conforme sua base interna e sua manifestação externa, essa pessoa tem então, ao lado da Escritura Sagrada, o glorioso modelo na Kirchenpostille de Lutero sobre as epístolas...

O pregador que economiza o consolo do evangelho e o oferece pouco, deixando a lei predominar, pretendendo promover dessa forma fé viva e verdadeira vida cristã, está enganado. Ele na verdade está impedindo o desenvolvimento da verdadeira fé e vida cristã.

Um verdadeiro pregador cristão deve poder repetir as palavras de Lutero: “No meu coração reina este único artigo, a saber, a fé em Cristo, pela qual e na qual todas as minhas reflexões teológicas fluem e refluem dia e noite” (Erlangen, Latin, vol I, p. 3; Prefácio da carta aos Gálatas. WA VIII, 1524).

Em Cristo a vitória é certa

1º Coríntios 9.16-27

5º Domingo após a Epifania.

 

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Queridos irmãos e irmãs em Cristo...

A vida cristã, várias vezes é comparada aos esportes. No texto de 1º Coríntios, quem faz a comparação é o apóstolo Paulo. Segundo ele, a sua vida cristã é como uma corrida ou uma luta de boxe.

O objetivo de Paulo, ao escrever sua carta aos Coríntios, é animar as pessoas a permanecerem firmes na sua fé até o fim da corrida. Até o fim da vida. Ele não quer que as pessoas desistam de sua fé quando encontram problemas e obstáculos a transpor. Antes disso, Paulo deseja que as pessoas fixem o seu olhar no prêmio que Jesus alcançou e que guarda para todos os cristãos na vida eterna.

Para aquelas pessoas que praticam algum tipo de esporte certamente fica mais clara a comparação que Paulo faz.

Correr, por exemplo, não é fácil. Logo que você começa a correr seu corpo começa a ficar todo dolorido. Mesmo que você já corra há bastante tempo. Depois de uns dez minutos correndo, parece que você está revigorado, mas logo começam as dores novamente. Existem pessoas que treinam para corridas profissionais. São treinamentos exaustivos e cansativos. São lutas contra as dores, as distensões musculares, contra a balança... Por vezes os atletas não podem comer aquilo que gostariam, pois amanhã têm um treinamento ou uma corrida. É uma vida de dedicação e privações para, talvez conseguir o prêmio na linha de chegada.

Outro esporte comparado com a vida cristã é o Boxe. Um esporte violento e cheio de perigos. Um esporte que também precisa de muita dedicação e treinamento. E um esporte que pode levar seu atleta à derrota em menos de um segundo. Basta que ele esteja com a guarda baixa e leve um soco violento no rosto. Quantos atletas caíram nocauteados!

Mas o que tem isso tudo a ver com a nossa vida?

Tudo — diz o apóstolo Paulo.

A vida cristã é uma mistura de corrida com boxe. É como se estivéssemos correndo em direção a um prêmio, ao mesmo tempo em que temos de nos defender dos socos das tentações, das pedras no caminho, do cansaço durante a corrida ou a luta... A vida cristã é uma corrida ao céu e uma luta contra Satanás.

Os atletas sabem quanta preparação é necessária para não serem derrubados em seus esportes. Assim os cristãos também precisam estar preparados na sua vida diária, para não serem vencidos no caminho e perder o prêmio na chegada.

Exatamente por não poder comer qualquer coisa, os atletas precisam se alimentar bem, para que não faltem forças no meio da corrida ou da luta. Alguém que passe dois dias comendo apenas alface, dificilmente conseguirá correr um ou dois quilômetros ou defender-se dos ataques do inimigo.

Assim como os atletas se alimentam bem para poder vencer todos os obstáculos, nós precisamos nos alimentar da Palavra de Deus para vencer os obstáculos da vida cristã. Precisamos ler e estudar a Bíblia. Vir à igreja e participar da Santa Ceia. Precisamos pedir perdão de nossos pecados e crer no perdão gratuito pela fé em Jesus Cristo.

Lembre-se que para receber o perdão não adianta apenas pedi-lo, é necessário pedir perdão com a intenção de não pecar mais. Vejam o que diz o Salmo 32: 3Enquanto não confessei o meu pecado, eu me cansava, chorando o dia inteiro. ... 5Então confessei o meu pecado e não escondi a minha maldade. Resolvi confessar tudo a ti, e tu perdoaste todos os meus pecados. 6Por isso, nos momentos de angústia, todos os que são fiéis a ti devem orar. Assim, quando as grandes ondas de sofrimento vierem, não chegarão até eles. E o salmo ainda orienta: 9Não seja uma pessoa sem juízo como o cavalo ou a mula, que precisam ser guiados com cabresto e rédeas para que obedeçam.

Você quer ganhar esta corrida?

Se quer, o caminho é treinar e treinar mais e mais. Lendo a Bíblia, praticando boas obras por amor a Deus e ao próximo, ofertando para a missão, testemunhando. E isto é permanecer fiel à Palavra de Deus.

Satanás atacará você de todos os lados. Virão socos financeiros. Virão socos familiares. Virão socos na saúde e onde mais ele puder te tentar. Assim como um lutador de boxe sempre precisamos estar com a defesa pronta. Pois os ataques acertarão sempre onde nos dói mais.

Nossa defesa é a Palavra de Deus e uma vida consagrada, pois quanto mais nos aproximamos de Deus, mais nos afastamos da influência de Satanás. Quanto mais nos alimentamos da Palavra de Deus, mais fortes ficamos para a corrida e a luta diária.

Das famílias que estão sendo destruídas, a grande maioria afastou Deus de sua casa. São famílias que não tinham momentos de oração, que não iam à igreja, que achavam que ofertar era o suficiente e esqueciam que Deus oferece mais, oferece sua Palavra confortadora e orientadora, oferece também perdão dos pecados e a Santa Ceia para fortalecer a fé. Tais pessoas puseram Deus para fora de suas casas, de seu trabalho, de sua vida... E sem Deus a vida desmorona.

A sua família como vai? Será que Deus ocupa o lugar central na sua sala, ou seu Deus é outro? Quem sabe a TV? As fofocas?

Coloque Deus no centro de sua vida, do casamento, da amizade, do trabalho, de tudo... Pois ele traz a paz para esta vida e a vida eterna.

Os atletas profissionais esperam uma medalha e dinheiro no fim de cada competição. Para o cristão o prêmio é a vida eterna. Não apenas uma coroa de folhas de louro, ou uma medalha de ouro e um cheque polpudo, mas a coroa da vida eterna!

Este é o prêmio que Jesus ganhou e que Deus dará a todos que permanecerem fiéis, correndo apegados à Jesus Cristo, que é o primeiro vencedor e nos espera com o prêmio eterno.

E por fim, se nos acharmos fracos para a corrida diária, o profeta Isaías (40.28-31) nos lembra: “Será que vocês não sabem? Será que nunca ouviram falar disso? O Senhor é o Deus Eterno, ele criou o mundo inteiro. Ele não se cansa, não fica fatigado; ninguém pode medir a sua sabedoria. Aos cansados ele dá novas forças e enche de energia os fracos. Até os jovens se cansam, e os moços tropeçam e caem; mas os que confiam no Senhor recebem sempre novas forças. Voam nas alturas como águias, correm e não perdem as forças, andam e não se cansam.”

Vamos firmes e adiante, pois em Cristo a vitória é certa. Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Venécia-ES

Glórias Somente a Deus

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Sermão 05/02/2012

5º Domingo após Epifania - A
5 de Fevereiro de 2012

Somos salvos pela sabedoria de Deus

Texto Base: 1Co 2.1-12

Salmo do Dia:        Salmo 112.1-9
Antigo Testamento:    Isaías 58.3-9a
Epístola        1º Coríntios 2.1-12(13-16)
Evangelho do Dia    Mateus 5.13-20

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador.
Aproximadamente 2% da população mundial é considerada superdotada, tendo assim um QI acima da média, sendo considerado uma pessoa de grande inteligência. Temos exemplos de superdotados que tem um conhecimento ainda maior. Crianças que com 2 anos de idade já falavam como adultos. Outro exemplo de uma criança de 2 anos que ouviu uma música num restaurante, quando chegou em casa, sentou no piano e tocou a música sem errar uma só vez.
São pessoas de grande inteligência. Porém, mesmo com tanta inteligência, com tanta capacidade de raciocínio, ainda existe uma sabedoria muito maior, que é a sabedoria de Deus, revelada a nós na Escritura Sagrada. Essa sabedoria vai além do entendimento, além da capacidade de compreensão humana. A palavra de Deus diz: “Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens”. 1Co 1.25. 
Deus é mais do que superdotado, tem o maior QI de todos, na verdade Deus é a sabedoria como um todo. “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou no coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. 1Co 2.9. Nenhum ser humano é capaz de conhecer a Deus completamente, pois vai além do nosso entendimento. Somente conhecemos Deus pela sua revelação a nós.
Na verdade existem dois tipos de sabedoria. A sabedoria humana e a sabedoria divina. Ambas são importantes, porém tem funções diferentes em nossa vida e são distintas.
A sabedoria humana tem um valor muito grande. É importante que essa sabedoria seja ressaltada e ela está ligada também a Deus que dota a cada um com habilidades diferentes. Como é importante o desenvolvimento da medicina, médicos que são considerados verdadeiros gênios. Técnicas que ajudam as pessoas, que salvam vidas.
A tecnologia como facilita a vida das pessoas, como ajuda em muito na medicina, na educação, no desenvolvimento humano. A sabedoria do ser humano deve ser usada para o benefício do ser humano.
Porém, sabemos que grandes descobertas cientificas, de pessoas com grande sabedoria foram e são usadas para prejudicar as pessoas. Por isso precisamos ver quem é verdadeiramente sábio.
Quem é sábio hoje? Aquele que é esperto, que consegue as coisas, que se dá bem na vida, que consegue o prêmio nobel da paz. Sábio é aquele que faz muito dinheiro! Descobre a cura de uma doença! A palavra diz: “...se alguém dentre vós se tem por sábio neste século, faça-se estulto para se tornar sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura para Deus”. 1Co 3.18.
O problema hoje é que a sabedoria está se tornando um fim em si mesmo. Ela é considerada suficiente para a vida do ser humano. Dentro da sua sabedoria o ser humano está encostando Deus de lado.  Deus diz, para aquele que pensa ser muito sábio, que precisa deixar a sabedoria do mundo para ser sábio em relação a Deus.
Assim nós vemos que muitos pensam que a fé é resultado da sabedoria e do conhecimento. Na verdade, o conhecimento a respeito de Deus, a fé, são resultados da sabedoria de Deus em nossa vida. A fé não se apóia em sabedoria – a fé não é fruto da nossa sabedoria – a fé é dom de Deus – “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus”. Ef 2.8.
A sabedoria humana não leva ao conhecimento de Deus. Nenhum ser humano, por mais superdotado que seja vai conhecer a Deus por sua própria inteligência. A sabedoria humana não revela Deus. A sabedoria humana até tem a capacidade de saber que existe um Deus, mas essa sabedoria vai revelar um Deus que julga, condena, e não o Deus do amor que é anunciado e revelado a nós pela Sabedoria de Deus em sua palavra.
Você é sábio? Para responder essa pergunta usamos o exemplo Bíblico de Salomão. Salomão diante de um grande desafio que era reinar todo o Reino de Israel, pediu a Deus sabedoria e Deus o fez. Concedeu sabedoria a Salomão.
“Deu também Deus a Salomão sabedoria, grandíssimo entendimento e larga inteligência como a areia que está na praia do mar”. 1Rs 4.29. Salomão tinha uma sabedoria além de todos. Sabedoria para escrever, sabedoria para construir. Edificou o Templo. Toda a sua sabedoria o fez adquirir muitos bens, mulheres e acabou caindo na idolatria.
Salomão não soube usar a Sabedoria que Deus lhe havia revelado e dado. A sabedoria do mundo foi colocada acima da sabedoria revelada para a Salvação. Salomão abandonou a Deus, construiu santuários a falsos deuses e a ira de Deus veio sobre Salomão.
Qual a sabedoria que está dominando a sua vida? A sabedoria divina ou a sabedoria humana falha e pecadora.
Deus revela a sua sabedoria a nós. Diz a palavra: “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito”. Ou seja, “Mas foi a nós que Deus, por meio do Espírito, revelou o seu segredo”. 1Co 2.10. Deus na sua sabedoria revela a nós o segredo da Salvação e do seu amor por meio do Espírito Santo.
Deus na sua sabedoria chama cada um de nós para a Salvação. Deus na sua sabedoria envia o seu filho Jesus para morrer por nós. Aquilo que é loucura para o mundo, é sabedoria para nós. É salvação. Não se deixe iludir pela sabedoria do mundo achando que não precisa da sabedoria de Deus.
Essa é a sabedoria “que nenhum dos poderosos deste século conheceu”. 1Co 2.8. A mensagem da cruz é loucura para a sabedoria humana, pois qual, por mais sábio que seja, iria entregar o seu filho para morrer por outras pessoas?
Deus na sua sabedoria entrega Jesus, o Seu Filho, para morrer por nós e garantir assim a vida que não termina. Essa sabedoria Deus concede a nós por meio do seu Espírito Santo. “Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente”. 1Co 2.12.
Deus envia o seu Filho Jesus para pagar o preço da nossa salvação. Deus nos escolheu. Deus revelou a sua sabedoria a nós. Tudo o que sabemos, acreditamos e o que vamos herdar nós devemos a sabedoria de Deus.
Pessoas sábias falam da sabedoria de Deus. A mãe e avó de Timóteo falaram das sagradas letras desde a infância. Paulo não falou do seu conhecimento da Palavra do seu testemunho de vida, mas falou de Cristo para as pessoas. Para a maioria de nós, se não todos nós, podemos ser gratos a Deus que revelou a sua sabedoria a nós por meio de fieis avós, pais, irmãos, tios que fizeram com que a sabedoria de Deus fosse revelada a nós pelo Espírito Santo, por meio da palavra. Pessoas fieis que falaram de Jesus para nós. Essa é a nossa responsabilidade, mostrar a sabedoria de Deus ao mundo.
Nos mundo existem os superdotados. Nós talvez não sejamos superdotados no conhecimento humano, nas ciências, na música, na matemática, mas podemos ser superdotados do conhecimento, da sabedoria de Deus, pois Deus não se cansa de nos revelar a sua sabedoria por meio da palavra.
A sabedoria de Deus transforma a nossa vida, pois essa sabedoria nos mostra o que os olhos não viram, nos fala o que os ouvidos não ouviram, faz penetrar em nosso coração aquilo que não havia sido revelado, e mostra para nós aquilo que Deus tem preparado porque ele nos ama.
Essa é a sabedoria de Deus que nos salva. Amém.

Rev. Valdecir Jair Much — Catanduvas-SC, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil.

Proclamação Luterana - 018

53. Mas deixe a lei fazer o seu trabalho, e deixe o evangelho seguir; então nos defrontaremos com outra questão estratégica – o que seguirá? A resposta popular, oferecida por muitos nomes importantes na história da LCMS, é de volta à lei. A santificação, como alguns a chamam. “A admoestação evangélica”, dizem outros. Outros preferem falar em “imperativos evangélicos”, ou o “terceiro uso da lei.” E todos os mencionados acima estão prontos a rotular de “antinomistas”, aqueles que dirão um “não” a esta resposta. Tenha, no entanto, certeza de que eu creio no terceiro uso da lei, especialmente no sentido em que é discutido na FC VI, a saber, que o terceiro uso é um dos caminhos nos quais Deus usa a lei.

Depois o Espírito Santo emprega a lei, a fim de por ela instruir os renascidos e lhes mostrar e indicar, nos Dez Mandamentos, qual seja “a boa e agradável vontade de Deus” Rm 12.2 em que boas obras, nas quais “Deus de antemão preparou, devem andar.” Ef 2.10 Ele os exorta a isso, e quando, em razão da carne, são remissos, negligentes e rebeldes, repreende-os por isso pela lei. Assim exerce ambos os ofícios simultaneamente: “tira a vida, e a dá; faz descer ao inferno, e faz subir. (1 Sm 2.6: faz descer à sepultura (inferno) Sei ofício não é apenas confortar, senão também repreender, como está escrito. (Jo 16.8) Quando o Espírito santo vier, “convencerá o mundo (que também inclui o velho homem) do pecado, da justiça e do juízo.” Ora, pecado é tudo quanto é contrário à lei de Deus. E São Paulo diz: Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, etc (2 Tm 3.16) E repreender é o ofício próprio da lei. Por isso, quantas vezes os crentes claudicam, tantas são repreendidos pelo Espírito de Deus da lei, e pelo mesmo Espírito são reerguidos e consolados com a pregação do santo evangelho.[1]

Duas coisas precisam ser notadas, quando pensamos no que deverá vir após o evangelho. Primeiro, o que muitos querem, e o que muitos pastores dizem, não é o terceiro uso da lei, que é puramente informativo em sua natureza e não imperativo. Antes, muitos pessoas desejam e muitos pastores afirmam é o primeiro uso da lei. O que eles desejam é que a lei modifique o comportamento, pelo controlar tudo o que não cabe na vida cristã. Isto é o primeiro uso, não o terceiro.[2]

54. E mais, o que quer que a lei faça, ela sempre acusa. Lex semper accusat! Por causa disto a Fórmula diz, ao discutir o terceiro uso da lei, “reprovar é a verdadeira função da lei”. Agora, se proclamação é o que a pregação luterana é, e se identificação do meu novo ser como filho de Deus é o que o Evangelho me dá, e se “boas obras fluem da fé, como nossa confissão afirma, porque queremos colocar nossos ouvintes de volta sob a acusação da lei e os terrores de consciência no fim do sermão?

55. Em vez disso, deixem me propor o que pregadores luteranos consideram como “aplicação do evangelho”. Aplicação do evangelho está onde é quando alguém vai além das afirmações dos fatos do evangelho, tal como “Jesus que morreu por ti” ou “no santo batismo, o povo renasce para dento do reino de Deus”. Aplicação do evangelho ocorre quando, à base dos fatos do evangelho, o pregador, “realmente perdoa os pecados, quando ele declara: “Teus pecados estão perdoados”. “Tu és filhos de Deus”. “Ninguém te tirará de minhas mãos.” Tal aplicação do evangelho é simplesmente um aliviar o raciocínio reflexivo, um papel necessário na proclamação.[3] Nós não deveríamos deixar o ouvinte imaginar a aplicação imediata baseada num princípio conhecido, mas aplicar do Evangelho a ele, diretamente no sermão[4].


[1] FC VI,12-14.

[2] Mais evidências de que estamos lidando aqui com o primeiro uso da lei, mais do que com o terceiro uso, vemos no pseudo-evangelho da gratidão, que é tão popular na Igreja. Tudo Jesus fez por ti, que farás tu por ele? Tal caminho contém a assim chamada admoestação evangélica, e não é diferente do que uma mãe gentílica que diz a seu filho que vem para casa com um belo sanduíche dado pelo vizinho, quando a mãe pergunta: Você disse obrigado. Mas, este é o primeiro uso da lei.

[3] Lembre, apelar à razão, estabelece o dualismo que muda a proclamação em comunicação, na verdade em um caminho de ida e volta. (interprice).

[4] Um conforto para aqueles que querem ser pregadores confessionais luteranos é que esta nossa herança é constante e continuamente a carga de uma mensagem incompleta, de não pregarmos o bastante sobre boas obras. Amostra dessa carga reunida numa extensa pesquisa encontramos no teólogo reformado Harold ºJ. Brown: The Image of Christ in the Mirror of Heresy and Orthodoxy fromthe Apostels to he Presente (Grand Rapids: Baker, 1984), especialy p. 298-394.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Proclamação Luterana - 017

51. Primeiro, eles gostam de ouvir o que os outros devem fazer, especialmente se a aplicação da lei pelo pregador for tal que não afrontou as pessoas com a lei na primeira pessoa. Isto é um testemunho de que nossa congregação chegou a amar a lei, não na forma como o salmista o diz, mas de certa forma pervertido! Alguém pode crescer em amar a culpa. Há certo conforto nisso! Isto é um amor perverso que infecta os adolescentes e sádicos, outros, que dizem a si mesmos como todo o mundo os odeiam e como eles se odeiam a si mesmos! O que eles pensam não é o “eu me odeio”, mas eu odeio o que acontece ao meu amor próprio em mim! Há um conforto nisso, o que tu odeias não é digno desse ódio. Da mesma forma, nosso povo pode achar um conforto variado em ouvir a lei que os condena, enquanto não se sentem condenados, enquanto não sentem “terrores de consciência”.

52. Isto, eu acredito, é precisamente o problema com nossas pregações do evangelho! O problema, muitas vezes não é com o evangelho como tal, mas com a lei.[1] A coexistência pacífica com a lei como ela fala a mim, leva ao desinteresse no evangelho. Quando na próxima vez ouvires alguém dizer: “Sim, pastor, eu creio no evangelho, mas quando você nos dará algo diferente?” Então é melhor começares a te questionar a ti mesmo sobre a aplicação não do evangelho, mas da lei! Dr. Walther nos lembra corretamente, que a lei precisa ser proclamada de tal forma, que ela causa em nós certa identificação, que ele chama de: “Terror de consciência”.[2] Isto é o que a pregação da lei deve executar! Mas quantos estão prontos a fazê-lo? Para muitos, tal lei é imprópria, e assim nós nos contentamos com frases de “tu e eu”, combinado com o que eu denomino de “aplicação espingarda,” na qual o pregador elabora a pregação e dispara contra alguns pecados e cita alguns exemplos, julgando que acertará um ou outro. Na verdade, o verdadeiro culpado que necessita ser identificado contigo e seus ouvintes, a saber, a natureza pecaminosa, escapa sem ser atingida; somente para dizer que tu mesmo estas enjoado do Evangelho. Mas, note isso: a não ser que tu te identificas como pecador abominável que és, do contrário és um cristão somente de fachada. A não ser que sintas os terrores de consciência e descubras teu interior totalmente corrupto, não amarás o evangelho, nem estarás disposto a morrer por Cristo. Deixe o pregador aplicar isso a seus ouvintes e ouça sua resposta do evangelho. Este é o trabalho duro da proclamação luterana.


[1] Este é o ponto de J.A.O. Preus quando ele atesta: A reforma não só descobriu o Evangelho, mas também a lei de Deus, em Chemnitz on Law and Gospel, Concórdia Journal, 15 de outubro de 1989, p. 413.

[2] E Walther tomou sua sugestão diretamente das Confissões; cf. AC XII, 3,6; Ap IV, 20, 38, 142, 270-271; XII 32,64; XXIV, 73.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Proclamação Luterana - 016

III - A Prática da Proclamação

48. Muitas vezes, (experimentei) ao ouvir outros desenvolverem uma base teológica para alguns aspectos da vida na igreja, quando terminaram de colocar a base, eu fiquei me perguntando o que será de tudo isso na vida eterna? Com esta frustração na mente, me pergunto: O que posso fazer com isto na vida real. Com esta frustração em mente, eu gostaria de fazer algumas observações relativas à prática da proclamação luterana. Estas observações são de dois tipos. Primeiro, as observações sobre as estratégicas, na medida em que lidam com os métodos. Segundo, de cunho mais particular, especificamente usados na pregação, que chamo de observações táticas.

Observações sobre estratégias com respeito ao manejo do Evangelho no sermão

1)Primeiro, quero abordar a questão de lei e evangelho no próprio sermão. Nos todos conhecemos a expressão: Lei e Evangelho, tão bem que isto veio a ser o mantra luterano, o nosso pequeno “som luterano”. Às vezes parece que transmitimos lei e evangelho, ou a lei ou o Evangelho, simplesmente porque lidamos em nosso sermão com estas palavras, mas não as entendemos bem. Penso que seremos todos beneficiados com uma pequena prática que uso. – Faço isso no meu trabalho a todo o tempo. Procuro tirar do meu sermão toda a palavra luterana, colocando em seu lugar uma palavra parecida. Penso em palavras como: lei, evangelho, fé, crer, etc. Não estou falando dos conceitos teológicos, algumas vezes elas podem ser traduzidas, outras vezes precisamos usá-las e defini-las cuidadosamente. Estou falando a respeito das palavras que não podemos trazer à realidade na qual são pronunciadas. Risque em seu manuscrito todas essas palavras luteranas e veja o que vai acontecer se não poderes usar as palavras como: lei, evangelho, crer, etc. Em vez de usar a palavra “lei”, pregue assim que ela aja. Em vez de dizer a palavra “fé”, retrabalhe o sermão de tal forma que a que estejas pregando fé em seus ouvintes. Pregue e faça a obra sem usar tais palavras.

50. Isto nos levará a outro problema estratégico com respeito de lei e evangelho. Como pregar a lei e o evangelho? Uma das reclamações que recebi de um leigo abençoado por Deus para me manter humilde, foi: Pastor! acho que deverias pregam demais o evangelho! O que esta comunidade precisa é mais lei! O que está acontecendo aqui?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Proclamação Luterana - 015

45. Veja como Lutero trata estes aspectos como pregador. Ele identifica os erros e sua gravidade. Ele lida com erros e errantes. Ele faz isto por amor ao evangelho. Seu propósito não é difamar ou culpar por associação. Em vez disso, ele diz a seus ouvintes: Tu também estás errado! Tu não te opuseste a esses erros. Tu acreditaste nessas coisas. Tu desonraste a Cristo. A partir desta perspectiva Lutero volta os corações de seus ouvintes novamente ao Evangelho.

46. Nossos dias são dias difíceis e muito perigosos para a igreja. Aqui também a proclamação da palavra de Deus através da aplicação de lei e evangelho é tarefa da pregação luterana. É uma tarefa muitas vezes negligenciada, ou quando não deixada de lado, muitas vezes distorcida sob meras palavras de juízo sobre outros e outros povos. Esta não é a pregação de Lutero no confrontar erros. Antes tal pregação simplesmente reverte ao antigo modelo de informação, mais interessante pela maneira em que nós pregadores podemos transgride o oitavo mandamento.

47. Por isso, a tarefa da pregação luterana é como Lutero a descreve, colocar as pessoas sob a palavra de Deus; levar as pessoas para dentro da igreja histórica; e confrontar as pessoas com os erros que os machucam, especialmente, no meio da igreja. Estas atribuições podem ser alcançadas quando nós levamos mais uma vez a sério a pregação luterana, sabendo que ela não é uma questão de informação, muitos menos o estar atualizado com as implicações da comunicação, mas sim, que ela é a proclamação do evangelho de Jesus Cristo, pelo qual Deus cria em nossos ouvintes uma identificação um sentido de ser, a saber, vida em Cristo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Proclamação Luterana - 014

42.Parece claro que a realidade da fé cristã e a comunidade desta fé é transmitido pelo mesmo dinamismos. O nível da linguagem comum é a liturgia, a vida litúrgica corporativa da igreja. Aqui, os novos na fé são introduzidos não tanto pela instrução da igreja, mas mais pela introdução na linguagem sacramental e ações na vida da igreja. Assim como as crianças pequenas apreendem os caminhos da família por tal associação, assim o neófito, de qualquer idade, aprende esta cultura evangélica, católica pela associação da linguagem comum e a vida da igreja. O segundo campo é este kerygma (proclamação), a proclamação da palavra de Deus na constante afirmação da verdade de nossa vida em Cristo, que não é outra do que o evangelho em todos os seus artigos. Isto é pregação. O terceiro campo é a didachê (didática), o ensino normativo e instrução com respeito aos fatos bíblicos que estão por base e reforçam a proclamação do evangelho. Isto é a catequese! Em tal esquema, o papel do pregador inclui a ação de continuamente atuar da perspectiva histórica na proclamação do evangelho. Lutero considerou isto essencial para o púlpito. Isto é correto.

43. A terceira consideração de Lutero na pregação é combater o erro, especialmente o erro que é a cilada fácil para enganar o povo, a saber, o erro dentro das paredes da igreja. Hoje, somos levados a pensar que os grandes erros que afrontam nosso povo os erros comportamentais: da ética e da escolha moral na comunidade na qual vivemos. Na verdade, estes perigos estão ali. Mas os verdadeiros e grandes erros são aqueles que se escondem na igreja de Cristo, erros que enganam e distorcem seu ser, sua vida, seu ministério, sua tarefa. Estes erros – nos os chamamos de heresias – outros grandes erros que pisam nosso povo é o jogo legalizado, os cinemas pornográficos. A grande necessidade que temos em face de tais erros dentro da igreja é que deve ser compreendida pela visão da realidade da uma, santa, católica igreja na história. Daqui entendemos que a igreja sempre lutou com tais erros. Se julgarmos que eles não existem hoje, tal julgamento testifica de nossa cegueira, não das condições dentro das igrejas.