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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

A economia do Natal

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      O comércio e o turismo já estão fazendo a sua parte para a chegada do Natal com alvos bem definidos, a economia. A igreja tem no Advento a mesma finalidade econômica. Mas, claro, com objetivos distintos na origem da palavra grega “oikonomos”. Na tradução, oikos é casa e nomos é lei, ou seja, “cuidar da casa”. Por isto, quando a Bíblia fala em economia, no final das contas, ela chega no resultado desta festa cristã que celebra o nascimento de Jesus. Por exemplo:
Sejam bons administradores (oikonomoi) dos diferentes dons que receberam de Deus. Que cada um use o seu próprio dom para o bem dos outros. (1Pedro 4.10).
      Lucro, receita, rendimento no sentido bíblico sempre entra na conta dos outros — “para o bem dos outros”. E aí surge o real sentido do Natal, a lembrança do nascimento de um rei que
abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. (Filipenses 2.7). 
      Nada de errado o comércio, os lucros, as festas no Natal. Sem esta economia aquecida, já naquele tempo Jesus ficaria sem os presentes dos reis magos. Precisamos comer, viver, ter alegria. Mas, foi Jesus quem disse ao Diabo que
o ser humano não vive só de pão, mas de tudo o que Deus diz (Mateus 5.5).
      Este é o problema no Natal e em tudo nesta vida, nós esquecemos do que Deus diz. O resultado disto é a administração das coisas nesta vida para o mal dos outros. Uma gerência que só pensa em si mesmo, uma economia que tira dos outros, que destrói, rouba, mata.
      Natal, por isto, é fazer as contas com mais atenção. É perceber que o resultado sempre será negativo quando fechamos os ouvidos para a voz do deserto:
Arrependam-se dos seus pecados porque o Reino do Céu está perto. (Mateus 2.2).
      Por isso a propaganda do Advento que prepara e convida para o bom consumo do Natal que gera lucros e a aquece a economia no coração das pessoas.

Pastor Marcos Schmidt
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Novo Hamburgo, RS

Não se distraia!



      Nossa geração sofre com a distração. Precisamos confessar que diversas vezes em que precisamos estar focados para um importante trabalho, a tentação é grande em dar aquela olhadinha na notificação da rede social ou no último e-mail que chegou. O smartphone alerta as notificações e lá vamos nós responder aos recados, dar mais uma olhadinha na rede social e, quando nos damos conta, já estamos distraídos olhando aquele vídeo engraçadinho que "viralizou" no grupo de amigos. E o importante trabalho está lá, clamando por nosso foco e atenção.
      A distração com a parafernália digital que está em nosso bolso oferece riscos às nossas vidas. No trabalho a produção e a qualidade podem perder força. Nos relacionamentos esta distração pode nos tirar do foco do convívio com a família, os filhos, os amigos. E no trânsito, basta lembrar das campanhas alertando a respeito do perigo do uso do celular ao dirigir e até mesmo quando se está atravessando uma rua a pé.
      Há um outro tipo de distração muito perigosa e pode nos custar a vida, para sempre. Veja o que a Palavra de Deus registra em Lucas 21.34-36:
E Jesus terminou dizendo: —Fiquem alertas! Não deixem que as festas, ou as bebedeiras, ou os problemas desta vida façam vocês ficarem tão ocupados, que aquele dia pegue vocês de surpresa, como se fosse uma armadilha. Pois ele cairá sobre todos no mundo inteiro. Portanto, fiquem vigiando e orem sempre, a fim de poderem escapar de tudo o que vai acontecer e poderem estar de pé na presença do Filho do Homem quando ele vier.
      Não se distraia, não perca o foco, não perca Cristo do seu olhar. Não se deixe distrair pela sociedade onde tudo é relativo e nada é errado e que, nome de qualquer amor, tudo se pode. Não se deixe distrair pelas ideologias que arruínam a fé cristã. Jesus voltará. O Senhor da salvação está cada vez mais próximo. Mantenha-se focado na graça de Deus, no perdão dos pecados, na sede de ouvir a Palavra e alimentar-se na Santa Ceia. Viva a sua vida cristã sem perder o foco.
      Então #ficaadica: eis que o tempo de Advento está batendo à nossa porta, carregando consigo a importante mensagem da preparação. Preparem-se, o Natal está chegando. Preparem-se, Jesus voltará. Não se distraia. Mantenha o olhar fixo no Salvador Jesus. Afinal, o olhar gracioso de Deus está sobre nossas vidas. Ele não se distrai.
Pastor Bruno A. K. Serves
Congregação Cristo
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Candelária-RS

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

O preço do perdão

      Ressentimentos. Repetição de um sentimento ruim. De mágoa, raiva, ódio. Motivos não faltam, afinal, a maldade anda mais solta que os bandidos. Mas, ressentimento é tomar veneno e esperar que a pessoa detestada morra. O jeito, portanto, é perdoar.
      Perdonare, diz o latim.  Per – total. Donare – doar. Ato que vem da razão, não da emoção. Não é esquecer. É não mais cobrar. Coisa que o coração não faz. Coisa que o Pedro perguntou:
“Senhor, quantas vezes devo perdoar o meu irmão que peca contra mim? Sete vezes?”. “Você não deve perdoar sete vezes, mas setenta e sete vezes”.
      Coisa de maluco. Mas, e a loucura da cruz? Interessante que o termo “perdão” tem vários irmãos gêmeos nas páginas da Bíblia. Nasa, kaphar, salach na língua hebraica, aphesis, aphíemi, charizomai, apolúo, paresis, dikaio, katalasso na língua grega. É um monte de palavras complicadas na pronúncia assim como o próprio perdão na prática, mas que carregam o mesmo significado fácil e simples de entender: apagar, deixar de lado, expiar, doar, presentear.
      O perdão não é facultativo. É regra primordial de convivência onde todos se ofendem. Além do mais, é a primeira obra do amor cristão. Tanto que, se o perdão não vier lá de cima, nunca haverá chance aqui em baixo. Mas, Jesus lembrou:
“Se não perdoarem (...), o Pai de vocês também não perdoará as ofensas de vocês” (Mateus 6.15).
      É causa e efeito. É fé e ação. Deus me perdoa e eu perdoo. Eu não perdoo e o perdão divino congestiona. Foi o problema do credor incompassivo (Mateus 18). Na parábola, o empregado livre de milhões não anistiou seu colega que lhe devia cem, e o incalculável indulto do patrão retornou ao vermelho. “Perdoa as nossas dívidas”, ensinou Jesus, “assim como nós também perdoamos aos nossos devedores”.
      “Quem ama não guarda mágoas” (1Coríntios 13.5), sublinha o hino do amor. Não é fácil. Para Deus custou a vida do seu único Filho. E para mim?

Marcos Schmidt
pastor luterano
Novo Hamburgo, RS

domingo, 11 de novembro de 2018

A "alma volta ao universo"

     Recentemente li algo sobre o tema de que "cientista renomado" descobriu que a morte não existe de verdade, que a alma volta ao ao universo de um modo "quântico". Essa história de "quântico", para mim seja bem legal nas histórias em quadrinhos... Com camadas sobre camadas do mesmo "multiverso" e das "infinitas terras", como no seriado "The Flash". Ou em "O Homem Formiga e a Vesta".
      Fora isso, não entendo nada desta "ciência" (que coloco entre aspas por nem entender se é ciência de fato ou especulação). Já ouvi falar de computador quântico também (mas com preços que giravam em torno de 10 milhões de dólares, nem sei se estão sendo fabricados)... E pelo que li na página do techtudo, a coisa ainda demora:
"Se fosse fácil produzir um computador quântico, eles já estariam em todos os cantos. Há uma série de desafios tecnológicos em torno dessas máquinas e um dos mais impressionantes tem a ver com a temperatura. Para funcionar, o D-Wave 2000Q precisa ser mantido a -273º Celsius, temperatura que é poucas frações acima do zero absoluto e 180 vezes mais fria do que o espaço interestelar."
      Deixa esse troço pra lá, então... Nossa geração dificilmente terá um desses sobre a mesa. Até porque os atuais projetos estão do tamanho de uma vã.
      Vamos falar de alma.
      Há muita especulação sobre o que acontece com a alma na hora da morte. Aliás, tem gente que discute até entre dicotomia (corpo e alma) e tricotomia (corpo, alma e espírito). Nem nisso há consenso. Imagina no resto.
      Vou falar do que eu creio e, pela fé, entendo. Talvez você discorde, tudo bem, mas leia:
      Na hora da morte, há separação entre corpo e alma. A alma vai para junto de Deus, se a pessoa tinha (tem) fé em Jesus Cristo, ou para a condenação do Inferno, se a pessoa não cria em Jesus. Não há outro caminho possível segundo a Bíblia Sagrada. Purgatório é uma "novidade" bem depois do templo bíblico. E mesmo que existisse, as regras pra sair de lá são tão difíceis, que já seria um inferno.
      Um Deus bondoso e misericordioso, a meu ver, não daria um castigo antes da Salvação. Ele já dá a Salvação logo, quando partimos deste mundo... Por outro lado, sendo justo, também condena ao infiel. Não tem segunda chance.
      Na hora da volta de Jesus, quando acontecerá a ressurreição (muuuuuuito diferente de reencarnação, observe isso)... Então! Nessa hora, Deus "recria" o mesmo corpo e une com a alma. Tanto o corpo dos salvos, que será perfeito como o de Cristo, incorruptível, quanto o corpo dos condenados, que irá ser parte do sofrimento do inferno.
      A alma não fica num "universo paralelo" ou sobreposto quântico)... Ela vai, desde o momento da morte, para o céu ou para o inferno.
      E só tem um jeito de se livrar do inferno: Jesus Cristo. Pela fé nele, todos podem ter salvação. Por obras que fazemos, nada merecemos, se não condenação. Mesmo nossas obras, a bíblia chama de "trapos de imundície". Porque sem Cristo, tudo que fazemos é lixo. Com Cristo, tudo terá sua recompensa.
      Pense. Reflita. Leia a Bíblia.
      Deus o abençoe.
Rev. Jarbas Hoffimann

Congregação Castelo Forte
Nova Venécia, ES
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

terça-feira, 6 de novembro de 2018

O Enem do céu

      — O que devo fazer para conseguir a vida eterna? (Marcos 10.17).
      A pergunta do jovem rico e religioso deveria ser levada à sério por aqueles que se preocupam com o “depois” da morte. Os que acham que a vida termina aqui, tem só esta pergunta:
      — O que devo fazer para me dar bem, ser feliz, próspero?
      A resposta é estudar, se esforçar, trabalhar, ser honesto... Claro, outros preferem um caminho diferente: não estudar, não trabalhar, viver às custas dos outros. Em todo o caso, quem deseja também a vida eterna tem esta perguntinha:
      — O que fazer?
      Jesus respondeu ao jovem: “Você conhece os mandamentos”, e lembra de todos eles. O rapaz, de peito estufado, lascou:
      – Ah, isto eu tenho obedecido desde criança.
      Este é um engano comum no assunto religião: tentar entrar no céu sendo bonzinho aqui na terra. A Bíblia tranca a porta do céu e diz:
“Ninguém é aceito por Deus por fazer o que a lei manda, porque a lei faz com que as pessoas saibam que são pecadoras” (Romanos 3.20).
      Ou seja, Deus tem uma nota para a sua prova do Enem: perfeição.
“Porque quem quebra um só mandamento da lei é culpado de quebrar todos” (Tiago 2.10).
      Quer dizer, então, que não adianta nada estas “coisas de igreja”? Jesus responde:
“Não pensem que eu vim para acabar com a lei de Moisés e com os ensinamentos dos Profetas. Não vim para acabar com eles, mas para dar o seu sentido completo” (Marcos 5.17).
      Permanece a pergunta:
      — Como entrar na vida eterna?
      Só tem um jeito:
“Deus aceita as pessoas por meio da fé que elas têm em Jesus Cristo” (Rm 3.22).
      Ou seja, Jesus tira nota mil, sem erros, no meu lugar. A outra notícia é que esta religião (religação com Deus) também ajuda a pessoa no cumprimento da lei do amor a Deus e ao próximo. No final, a pergunta “o que devo fazer” não é para entrar no céu, mas como viver o amor na terra.

Marcos Schmidt
pastor luterano
Novo Hamburgo, RS

Qual a lente que você usa?

      Hoje, bem cedinho, andando de "bike" e observando a natureza, estava usando um óculos de proteção, como é recomendado. Pra quem acha que é "estilo" ou "frescura"... Já que os modelos são coloridos e normalmente cobrem mais que óculos comuns, chegando à lateral dos olhos, saiba um pouco mais.
      Alguns anos atrás, quando comecei a pedalar para saúde, não tinha os óculos... Vivia com os olhos irritados e não sabia por que. É que à beira do asfalto (e várias rotas são assim), os caminhões e outros veículos, mas especialmente os caminhões, levantam a poeira e esta areia vem parar nos olhos se você não tiver algum tipo de proteção. Depois dos óculos a irritação parou. Outra serventia é que eles costumam vir com várias lentes. Tem toda colorida, cinza, transparente, marrom, amarela... Tem pra todo gosto. Com o tempo percebi para que servem. Se o dia está claro, mas não tem muito sol é melhor usar a azul ou a cinza. Se é para pedalar à noite, a melhor é a transparente ou a amarela, mas esta amarela potencializa os faróis dos carros, então é melhor se for para trilhas "off-road". Dependendo da lente, você pode ser cegado pelas luzes, ou pode enxergar melhor o seu caminho. Se for usar a de sol durante a noite, não verá nada. Nem com iluminação.
      Algo semelhante acontece com alguém que já entrou na época da presbiopia (acontece por volta dos 45 anos, talvez antes) e que precisa de óculos para conseguir ver coisas que estão próximas. Especialmente para a leitura...
      Algo muito semelhante vai acontecer em nossa vida.
      Dependendo da "lente" que estivermos usando, veremos as coisas diferentemente. Se nossa lente for pessimista, nada NUNCA estará bom. É tipo aquele cara que tivesse ganho 150 milhões na Mega da Virada... Que quando vêm lhe falar do prêmio ele retruca: "já imaginou agora a quantidade de imposto... Terei problemas de segurança... Muitos chegarão perto de mim só por interesse...". Dá quase pena de alguém assim... Vontade de dizer: dá o prêmio pra mim, então!
      Se a lente for otimista de mais, sem levar a realidade em conta, pode nos dar a sensação de que façamos o que façamos, tudo sempre dará certo e, quando vierem os problemas e eles virão, podemos ser destruídos pelo excesso de confiança que nos impediu de preparar para o futuro. (Não tocará no ungido de Deus... Isso não existe, basta ver os ungidos de verdade. Todos sofreram, a começar por Davi.)
     Tanto para pedalar, quanto para ler, é preciso ter a lente certa para cada ocasião. Para a vida também. E que seja "multifocal" e "transition" ainda. Para diversas situações da vida. Porque teremos dias tensos, tenebrosos em que precisaremos ter uma lente mais otimista. Existirão dias mais efusivos e festivos, que precisaremos de uma lente mais "realista", que não nos deixe tirar os pés do chão e fazer uma bobagem no momento alegre.
      Existem momentos difíceis, não os valorize de mais, pois eles passarão.
      Existem momentos alegres, não os valorize de mais, pois eles passarão.
      O momento difícil pode nos dar problemas já quando estamos passando por eles, por isso, sempre confie em Deus.
      O momento alegre pode nos dar problemas quando passar, por isso, sempre confie em Deus também.
      E lembre-se também que existe uma lente pela qual Deus nos olha. Esta "lente" é Jesus Cristo. Deus nos olha através da fé que temos em Cristo e assim não vê nosso pecado. Quem está sem Jesus, continua no pecado. Quem tem fé em Jesus, tem a salvação.

Rev. Jarbas Hoffimann

Congregação Castelo Forte
Nova Venécia, ES
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

É hoje o dia...

      Duvido que você não tenha lido cantando o título desta postagem. Se não o fez, certamente é porque não conhece a música do Samba Enredo da União da Ilha do Governador, do Rio de Janeiro, de 1982. Fez tanto sucesso que foi lançada novamente em 1997. Foi gravada também por diversos sambistas de renome.
      Este samba nos lembra que "é hoje"...
      Existem dois dias nos quais você (e nem eu) não pode fazer nada. Um desses dias "é ontem" (deveria ser: "foi ontem"... Pretérito perfeito. Já passou. Não volta mais... Nem se o Flash viajar no tempo ou o Superman do Christopher Reeve (veja aqui a clássica cena, do filme de 1978) quiser salvar a namorada.
      O outro dia em que você (e nem eu) não pode fazer nada "é amanhã" (deveria ser: "será amanhã"). Pois o amanhã, quado chega, vira hoje... E é exatamente isto que nos interessa, não somente hoje, mas agora.
      Quanta coisa você prometeu fazer "a partir de amanhã"? Quase sempre fica para depois de amanhã. Aliás, até na forma de prometer a gente erra, pois costuma dizer: "amanhã eu vou começar uma dieta"... "amanhã eu vou começar a ler a Bíblia"... "amanhã vou dar mais atenção à minha família"... Se é amanhã, seria "eu irei". Se é "eu vou", é agora, ou pelo menos hoje.
      Daí, quando esse "amanhã" vira hoje as possibilidades de desistir são inúmeras. E conto uma experiência pessoal:
Ontem eu decidi: "amanhã vou andar de bicicleta e retomar meus exercícios". Além de me dar condicionamento físico, disposição para o trabalho, ainda me possibilita até trabalhar pedalando. Pois boa parte do meu trabalho é estudar e refletir sobre o estudado. Meditar sobre temas bíblicos e por aí vai. Isso não precisa ser feito dentro de um escritório. Bem, pelo menos a parte de meditar e refletir pode ser feita em caminhadas, observando o mundo ao nosso redor (até para contextualizar os estudos)...
E não é que hoje de manhã estava chovendo!!! Exatamente neste primeiro dia útil de horário de verão, quando seu corpo já quer naturalmente ficar na cama. Muitos "crentes" (eu também sou crente, uma vez que creio em Jesus Cristo, meu Salvador), costumam dizer: "eu tinha decidido 'ontem' que 'hoje' iria (o tempo verbal já mudou pra futuro do pretérito... E quando muda para este tempo verbal, normalmente vem uma desculpa) começar a pedalar, MAS o "inimigo" não deixa... Como assim? O diabo tá fazendo chover agora? Não. Não está. Sabendo disso, concluí: é hoje, ou minha preguiça vai vencer de novo. E fui. Voltei e decidi que também deveria escrever o artigo que pensei enquanto pedalava. Este que você está lendo.
      Quantas vezes você passou por experiências parecidas com esta? Quantas vezes, no final do ano, você prometeu de tudo...
      Mas não dá pra começar uma dieta entre o Natal e Ano Novo. Muito menos nas férias que se seguem e ainda menos nas festividades por causa do Carnaval, onde a "festa da carne" faz com que comamos e bebamos em excesso. Aliás, Carnaval é a festa dos excessos que muitos buscam amenizar jogando cinzas na cabeça na quarta-feira... Mas já pagando a próxima viagem de Carnaval...
      Permita-me incluir a Oração da Serenidade e o "Só por hoje", clássico auxílio para os que lidam com dependência de álcool e de drogas em geral:
SÓ POR HOJE - procurarei viver apenas o dia que passa, sem tentar resolver ao mesmo tempo todos os problemas da minha vida. Durante 24 horas apenas, poderei fazer alguma coisa que me encheria de pavor se eu pensasse que tinha de a fazer pelo resto da minha vida. 
SÓ POR HOJE - sentir-me-ei feliz. Farei verdadeira aquela frase de Abraham Lincoln: - "A maior parte das pessoas é tão feliz quanto resolve ser". 
SÓ POR HOJE - procurarei fortalecer a minha inteligência. Aprenderei alguma coisa de útil. Vou ler alguma coisa que exija esforço, pensamento e concentração. 
SÓ POR HOJE - procurarei adaptar-me aos fatos, em vez de procurar adaptar tudo o que existe aos meus próprios desejos. 
SÓ POR HOJE - exercitarei a minha alma de três maneiras: 1.Procurarei fazer um benefício a alguém, sem o contar a quem quer que seja. 2. Farei, pelo menos, duas coisas que hoje não me apetece fazer, só por exercício. 3. E se alguma coisa me magoar, não o revelarei a ninguém.
SÓ POR HOJE - procurarei mostrar melhor aparência: vestir-me-ei bem, falarei baixo, agirei delicadamente, não farei críticas e não tentarei corrigir, nem dar ordens a ninguém a não ser a mim mesmo. 
SÓ POR HOJE - estabelecerei um programa de ação. É possível que não o siga à risca, mas tentarei. Vou evitar duas pragas: a pressa e a indecisão. 
SÓ POR HOJE - dedicarei uma meia hora a mim mesmo para meditação e repouso. Durante essa meia hora vou procurar ter uma melhor perspectiva da minha vida. 
SÓ POR HOJE - não terei medo. Especialmente, não hei-de ter medo de apreciar a beleza e de acreditar que aquilo que eu der ao mundo, o mundo me devolverá.

      Além deste texto fantástico, há ainda a Oração da Serenidade. Veja:
Concedei-nos Senhor a SERENIDADE necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar. CORAGEM para modificar aquelas que podemos. SABEDORIA para distinguir umas das outras.
      Então, começando com Serenidade, faça HOJE o que você pretendia começar amanhã. Comece especialmente a ter uma relação mais íntima e continuada com Deus. Para isso, leia a Bíblia, ore, vá à Igreja.
      Se já tá tarde para o "projeto verão 2019", comece agora o "projeto verão 2020", que já vai te dar alegrias em 2019. Pode ter certeza. E nunca é tarde para a "intimidade" com Deus. Pra chamar de Pai. Aliás, tem um dia que é muito tarde para isso: ontem. E em algum momento sua vida já terá passado e se Jesus tiver ficado para ontem, ou esperado para amanhã, bem... Não deu tempo.
      Então leia a Bíblia: veja aqui planos de leitura. Estes aqui são bem legais também: link. Escolha o seu. Há vários. Até aqueles para ler toda a Bíblia em um ano. Mas não tenha pressa de terminar. Ela, a Palavra de Deus, quer ter estado em seu ontem, orientando seu hoje, para te levar ao amanhã da Vida Eterna. E quando este amanhã se tornar hoje, Jesus te receberá de braços abertos.

Rev. Jarbas Hoffimann

Congregação Castelo Forte
Nova Venécia, ES
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O Núcleo da Reforma Luterana


      Esta é a verdade que liberta. É Jesus, o salvador que proclama a salvação pela fé e pela graça de Deus. Aí está o núcleo da Reforma Luterana. A Palavra de Deus. Ela é a verdade. Ela é a autoridade sobre nossas vidas. Ela é a fonte de ensinamento cristão. É nela que conhecemos um Deus que salva por graça e fé em Cristo.

      O que é ser um cristão luterano? Esta reflexão é apropriada nestes 501 anos da Reforma Luterana. Martinho Lutero, em 31 de outubro de 1517, fixa 95 teses que propõem um debate sobre práticas e éticas que estariam longe da verdade. Não de uma verdade subjetiva, definida de acordo com os propósitos e objetivos de cada um, mas da verdade que molda e define nossas vidas.
“E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” (João 8.32).
      Então, o que é ser um cristão luterano? O núcleo desta resposta é o mesmo núcleo da Reforma Luterana: o reconhecimento de que a Palavra de Deus é a verdade. E, por consequência, crer no que ela fala ao coração. Crer que o universo é criação de Deus. Crer que Jesus morreu e ressuscitou para perdão e salvação. Crer que o Espírito Santo é Deus que transforma vidas. Ser cristão luterano é erguer a bandeira da Bíblia como verdade viva de Deus, principalmente em uma sociedade repleta de verdades subjetivas.
      Então #ficaadica: ser cristão luterano é crer na Palavra e colocá-la como autoridade máxima sobre nossas vidas! É nela que conhecemos um Deus que ama o pecador, o perdoa e o transforma. É tempo de celebrar o aniversário da Reforma Luterana e exaltar a Palavra de nosso Deus. Como o próprio Martinho Lutero disse:
“Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”.
      Este Deus de amor quer falar ao seu coração. Leia a sua Bíblia, vá à sua igreja cristã!

Pastor Bruno A. K. Serves
Congregação Evangélica Luterana Cristo
Candelária-RS

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Todos no mesmo barco

      Após as eleições, surgem entusiasmos, sobraram frustrações. Mas, a realidade permanece para “vencedores” e “perdedores”. Num barco cravado de furos, todos vão ao fundo se não houver união. Situação que só piora com motins. É preciso seguir as regras da embarcação – pela tripulação e passageiros – para que o cruzeiro siga em frente. Afinal, terríveis tempestades se armam no horizonte.
      Além dos buracos no casco, o Brasil está repleto de tralhas. É necessário jogar fora os supérfluos. Se o Ratinho estiver certo, podemos ser o próximo Titanic. O apresentador comparou a crise financeira de um jeito bem simples. Com um salário de 100 reais, o País gasta 40 para as dívidas, 40 para o funcionalismo público, 18 para a Previdência, sobram apenas 2 reais para educação, segurança, saúde, estradas... A conta também não fecha na Previdência, um saco de privilégios para uma minoria que não deseja mudanças. São exemplos de um provável naufrágio caso as “reformas” não forem realizadas.
      Ao comparar a igreja de Cristo com um corpo, a Bíblia diz algo parecido:
“Pois o corpo não é feito de uma só parte, mas de muitas. Se o pé disser: ‘Já que não sou mão, não sou do corpo’, nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: ‘Já que não sou olho, não sou do corpo’, nem por isso deixa de ser do corpo” (1Coríntios 12.14-16).
      A igreja de Corinto estava dividida em discórdias, orgulho, interesses. Uma congregação repleta de dons, mas sem o essencial: o amor de Cristo. Logo não seria mais uma igreja, mas um corpo desmembrado e morto. 
      O Brasil é uma nação com diferentes religiões, crenças, culturas e opiniões. Cristãos e não-cristãos, diferenciados em doutrinas, ideologias e pensamentos. Todos no mesmo barco. Com suas imperfeições, a democracia é o jeito menos turbulento para se chegar ao porto seguro. Que o Senhor de todas as nações conceda inteligência aos governantes e ao povo.

Rev. Marcos Schmidt
pastor luterano

sábado, 27 de outubro de 2018

Fake News em Bereia?

      Todos concordamos que a tecnologia transformou a forma de sermos sociedade. E, neste ano, estamos experimentando esta transformação também na esfera política. Foi-se o tempo em que campanha política se fazia quase que exclusivamente em comícios, TV, rádio e panfletagem. Agora, na era das redes sociais, a forma de se pensar, fazer e discutir política é outra. E isto vai desde as postagens oficiais dos candidatos no Twitter, passando pelos comentários dos eleitores no Facebook e invadindo até mesmo os tão celebrados e  (já)  tradicionais grupos de família no WhatsApp – aqueles cheios de imagens de bom dia, repleto de flores e xícaras de café.
      Como nem tudo são flores, esta nova forma de se discutir política abriu a porta para algo que não é novidade: a fake news. Sim, mentiras e notícias falsas sempre existiram. Porém, com a tecnologia da informação, fake news têm ganhado espaço e, infelizmente, credibilidade. São estas enxurradas de notícias falsas e, muitas vezes, bombásticas, que têm marcado estas eleições. De acordo com o professor americano de Psicologia Gordon Pennycook, responsável por uma ampla pesquisa a respeito do assunto, as fake news ganham credibilidade graças à preguiça de pensar, pesquisar e de ir atrás da fonte.
      Em uma sociedade totalmente desprovida das atuais tecnologias, um grupo de pessoas deu um belo exemplo de como se combater uma fake news. Em uma cidade chamada Bereia, lá nos tempos bíblicos, um grupo de pessoas ouvia atentamente mensagens trazidas por dois homens estranhos a eles. E, para combater possíveis fake news, aquele grupo de pessoas foi direto à fonte da informação. Acompanhe o relato sobre isto:
“As pessoas dali eram mais bem educadas do que as de Tessalônica e ouviram a mensagem com muito interesse. Todos os dias estudavam as Escrituras Sagradas para saber se o que Paulo dizia era mesmo verdade” (Atos 17.11).
      Diante da mensagem do apóstolo Paulo e de Silas, aquele grupo de Bereia pesquisou na Palavra de Deus e confirmou que não se tratava de uma fake news, mas sim de uma mensagem de salvação, bíblica e fiel. Resultado: muitas pessoas daquela cidade creram no Senhor Jesus.
      Se fake news ganham espaço graças à preguiça de pensar e pesquisar, aprendemos com os cristãos de Bereia. Precisamos ir direto à fonte. Precisamos beber diretamente da Palavra de Deus, a Bíblia! Convivemos em uma sociedade repleta de fake news espirituais, cheia de ensinamentos confusos sobre Jesus, de promessas vazias e de mentiras a respeito de uma vida que agrada a Deus. Cuidado com fake news espirituais que, mesmo que pareçam ser atraentes, podem minar a sua fé cristã.
      Então #ficaadica: em tempos onde a verdade é ainda mais preciosa, o Salvador Jesus nos lembra quem ele é:
“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim” (João 14.6).
      A verdade é que Jesus foi morto e ressuscitado para a nossa redenção. Esta é a verdade que traz salvação, exatamente como aconteceu em Bereia.

Pastor Bruno A. K. Serves
Candelária-RS

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Esperança em pessoas

      A maioria já decidiu quem é o seu Presidente, ou seja, 75% dos eleitores. Agora, seguindo a lógica dos votos já garantidos no primeiro turno, o futuro chefe do Brasil precisa correr atrás da outra fatia do bolo, pedaço que pode mudar para melhor ou para pior um País confrontado em direita e esquerda. Mas, o que é isto,“direita e esquerda”? Estamos aprendendo. Afinal, as coisas se ajeitam na prática. Entendemos a política na hora do desemprego, empresa falida, assalto, violência, buraco nas estradas, fila no hospital, escola sem professor, corrupção, lava-jato, enfim, naquilo que hoje se experimenta num Brasil sem terremotos, tsunamis e vulcões, mas em estado de calamidade. Isto é certo, o povo ergue bandeiras no ajuntamento dos fatos, não na multidão das promessas.
      E política sempre vai ser isto que estamos assistindo, um cenário cheio de surpresas. Algumas boas, a maioria ruins. Porque é feita por gente com defeitos. “Não ponham a sua confiança em pessoas importantes nem confiem em seres humanos”, alertou Davi, “pois eles são mortais e não podem ajudar ninguém” (Salmo 146). Disse isto porque ele mesmo, governante, precisou confessar graves erros nos seus projetos políticos e na vida pessoal. Ao lembrar que as pessoas voltam ao pó da terra, e que neste dia todos os planos deles se acabam, o salmista expõe o cruel resultado da urna funerária. Se não fosse o voto fiel de Deus na cruz, o famoso rei jamais teria ousadia em dizer: “Feliz aquele que põe a sua esperança no Senhor, seu Deus (...) O Senhor sempre cumpre as suas promessas”.
      Hoje o Brasil tenta expurgar erros, fracassos, mentiras, imoralidades, fraudes... Afinal, o voto é a esperança em pessoas empenhadas com a boa política. E, se números ajudam, é bom lembrar que 86% dos brasileiros se dizem “cristãos”. Então, outro voto para sermos uma nação comprometida com a Verdade, o Caminho e a Vida.

Marcos Schmidt
pastor luterano

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Cristãos, Eleições e Oração!

Resultado de imagem para eleições      Sabe, às vezes me questiono qual é o nosso papel como cristãos diante de mais uma eleição. Aliás, eleição esta que tem despertado os mais diversos sentimentos Brasil à fora e potencializados nas redes sociais. Qual é o papel do cristão neste cenário repleto de extremos de ideias, propostas e ideologias? Ou será que devemos nos silenciar, fazendo de conta que uma eleição em nada influenciará nossas vidas e, quem sabe, até mesmo nossa liberdade de fé?
      A Igreja Evangélica Luterana do Brasil posiciona-se oficialmente e corretamente a respeito do assunto dizendo que não é papel da Igreja fazer partidarismo político ou erguer a bandeia de um determinado candidato. Entretanto ela recomenda a orientação a respeito das qualificações de quem almeja assumir tamanha responsabilidade de cuidar de uma nação e de um estado. E, por conta disto, como pastor luterano, quero exercer esta função de orientação e reflexão, sem manifestar-me a respeito de partido ou candidato.
      Quero partir de um convite bíblico para orarmos pelos que têm autoridade:
“Orem pelos reis e por todos os outros que têm autoridade, para que possamos viver uma vida calma e pacífica, com dedicação a Deus e respeito aos outros” (1Timóteo 2.2).
      O objetivo da oração é pedir a Deus que, por meio de nossas autoridades, tenhamos uma vida tranquila. Ora, esta vida pacífica passa por assuntos como educação, saúde e economia. E, como notamos, o objetivo também é de que tenhamos condições plenas de se viver a fé cristã, dedicando-nos a Deus e ao próximo. Você já analisou as propostas dos seus candidatos sobre isto?
      A Palavra de Deus fala que a autoridade também tem a função de combater os diversos males na sociedade e promover o bem:
“Porque as autoridades estão a serviço de Deus para o bem de você. Mas, se você faz o mal, então tenha medo, pois as autoridades, de fato, têm poder para castigar. Elas estão a serviço de Deus e trazem o castigo dele sobre os que fazem o mal” (Romanos 13.4).
      Quais são as ideias dos seus candidatos a respeito deste assunto?

      Ainda lhe convido a apreciar o capítulo 29 de Provérbios, especialmente alguns trechos adequados ao momento de eleições:
“Quando os honestos governam, o povo se alegra; mas, quando os maus dominam, o povo reclama. Quando o governo é justo, o país tem segurança; mas, quando o governo cobra impostos de mais, a nação acaba na desgraça. Um país sem a orientação de Deus é um país sem ordem. Quem guarda a lei de Deus é feliz”.
      Então #ficaadica: reflita sobre a importância do seu voto. Vote de acordo com a sua consciência, orientada pelos diversos conselhos bíblicos a respeito do assunto. Viva o amor do Salvador Jesus com aqueles que pensam diferente de você. E, depois da eleição, ore. Ore pelo presidente, pelo governador, pelos senadores e deputados eleitos. Deus abençoe o seu voto!

Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Congregação Cristo
Candelária-RS

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Voto consciente

Imagem relacionada      O voto consciente é uma tarefa difícil. Encontrar os melhores candidatos exige grande esforço. Porque não basta escolher os honestos, verdadeiros, ficha limpa. Nem é suficiente optar pelos capacitados, inteligentes, preparados. É preciso, acima de tudo, eleger os que têm ideias adequadas para a vida dos brasileiros. E daí as opiniões divergem e as dificuldades aumentam. Afinal, certas propostas são bem diferentes. Não só em questões que mexem com o nosso bolso, saúde, segurança, educação, com coisas materiais. Também em assuntos morais e religiosos. Por exemplo, o presidente escolhe os ministros para o Supremo Tribunal Federal. São estes juízes que decidem sobre aborto, questão de gênero e outros assuntos polêmicos. Tem a Lava Jato que está julgando e condenando muita gente. Alguns concordam e outros discordam destas ações comandadas pelo juiz Sérgio Moro. Com meu voto, estarei optando para lá ou para cá, para frente ou para traz. Assim, o que é melhor, justo, coerente? É preciso refletir, calcular e ter convicção. A decisão é minha, ninguém pode me obrigar, coagir, forçar.
      Este jeito consciente e livre da democracia é parecido com a maneira do Deus bíblico se relacionar com as pessoas. Ele nos dá liberdade para seguir a vida. Claro, depois vem as consequências. A diferença é que na política quem entra em ação é o cérebro. Na religião quem trabalha é o espírito humano, a alma – coisa que a ciência não explica. Mesmo separados, política e religião estão juntos assim como corpo e alma. No pensamento de Lutero, política é o esforço constante e paciente para estabelecer e manter uma ordem social compatível com os valores do cristianismo. Neste propósito, a Bíblia lembra: “Vivam de acordo com o evangelho de Cristo” (Filipenses 1.27). “Vivam” é “politeuste” no original grego, termo que aponta para uma cidadania cristã responsável e consciente.

Marcos Schmidt
pastor luterano

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Morangos, agulhas e culpas

Resultado de imagem para morangos agulhas      Quando pensamos que é só no Brasil que certas coisas acontecem, nos deparamos com uma notícia lá da Austrália. A polícia está investigando a sabotagem de uma determinada marca de morangos, dentro dos quais foram encontradas algumas agulhas, prontas para machucar quem fosse deliciar-se com aqueles morangos avermelhados e apetitosos. O que era para ser um momento de prazer e saciedade tornou-se susto, dor e até mesmo de internação hospitalar, como foi o caso de dois australianos que precisaram de cuidados médicos depois das agulhadas na boca.
      Quem sabe nem nos damos conta, mas estamos cercados de situações parecidas com a dos morangos australianos, onde algo aparentemente apetitoso e belo termina em dor. Lembro do Rei Davi, encantado com a bela esposa de Urias, chamada de Bate-Seba. Davi foi dominado pelo desejo do adultério e, como conhecemos a história, tudo terminou com uma agulhada dolorosa de culpa e dor. E como não falar de Pedro, naquela triste noite em que Jesus foi preso, quando pareceu-lhe mais confortável negar a Cristo quando interrogado se o conhecia, porém a agulhada no seu coração o fez chorar amargamente pela culpa.
      Ainda hoje cristãos têm diante de si diversos morangos repletos de agulhas, ou seja, diversas situações que aos olhos até são tentadoras e apetitosas, mas que terminam em terríveis agulhadas de dor e culpa. Diante destas tentações que afrontam a vontade de Deus, o conselho é do próprio Senhor: “As tentações que vocês têm de enfrentar são as mesmas que os outros enfrentam; mas Deus cumpre a sua promessa e não deixará que vocês sofram tentações que vocês não têm forças para suportar. Quando uma tentação vier, Deus dará forças a vocês para suportá-la, e assim vocês poderão sair dela” (1Coríntios 10.13).
      Então fica a dica: cuidado com o que parece belo e apetitoso e que, na verdade, termina em sofrimento. Há um grande conforto aos que sofrem pelas agulhadas das tantas culpas juntadas ao longo da vida: Jesus. Sim, Deus feriu ele com nossas agulhas de culpa e sofrimento. Deus o ressuscitou dos mortos para nosso perdão e salvação. E é este perdão que cura e restaura das agulhadas de nossas próprias culpas.

Pastor Bruno A. K. Serves
Candelária-RS

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Quem será o piloto?




      O próximo Presidente terá nas mãos o comando de um enorme avião sucateado. Por isto o receio, tanto dos passageiros nas poltronas do lado esquerdo, do meio e do lado direito. Afinal, todos querem chegar sãos e salvos. A pergunta deve ser bem ponderada: Quem é a pessoa mais qualificada para pilotar este Boeing cheio de botões, com graves problemas técnicos, passageiros temerosos, e com terroristas à bordo? Tem os copilotos – os parlamentares (que também vamos escolher) e os juízes. Mas, o Presidente é o comandante deste avião que funciona pelos mecanismos da Constituição Brasileira, e, dependendo da cabeça e do coração dele, chegaremos tranquilos ao destino final. Se a comparação é válida, cabe lembrar que o tumulto numa aeronave piora a situação. É essencial seguir as ordens dos comissários, caso contrário, a confusão pode derrubar o avião.
      Mas, em qualquer situação, “nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus” (Romanos 13.1). Nesta regra divina num mundo com tendência do avião cair, devemos pagar impostos e respeitar as autoridades (v.7). Um respeito de duas vias, pois a Bíblia também lembra que "quando o governo é justo, o País tem segurança; mas, quando o governo cobra impostos demais, a nação acaba na desgraça" (Provérbios 29.4). E sobre as relações entre o céu e terra, as palavra de Jesus são referência: “A Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”. Por isto o Código de Ética da igreja em que eu atuo: “Mesmo que deva estar atento aos problemas da sociedade, não quero, enquanto pastor, exercer política partidária”. Uma atitude sabia quando a função da igreja é acalmar o ânimo dos passageiros.
      Por isto a Bíblia orienta: "Orem por aqueles que têm autoridade para que possamos viver uma vida calma e pacífica, com dedicação a Deus e respeito aos outros" (1Timóteo 2.2). Neste momento, a intercessão tem outro destino: “Orem pelos eleitores”. E boa viagem!

Marcos Schmidt
pastor luterano

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Triste e Dolorosa Guerra Brasileira

Resultado de imagem para senhor andante     Estamos evolvidos em uma guerra sangrenta, bem diante de nossos olhos. Centenas de vidas brasileiras são colhidas todos os dias, não em campos de batalhas, mas em nosso trânsito. Dados estatísticos trazem a cruel média de que, ao terminar mais um dia, 107 famílias estarão chorando a morte de um ente querido e que, pasmem, outros 641 brasileiros estarão inválidos para o resto da vida. Eis aí números de uma guerra sangrenta no Brasil, que é o 5º país nos recordes de acidentes de trânsito no mundo.
      Lembro-me de um desenho da Disney que contava a história de um senhor chamado Walker. Ele era um cidadão pacato, de bem com a vida, apreciador da natureza e cheio de amor. Porém, ao entrar em seu carro transformava-se em um monstro, passando por cima de tudo e de todos, dirigindo acima de qualquer lei. Lembrei desta história ao observar os dados da Polícia Rodoviária Federal, com base no ano de 2016, a respeito das principais causas de acidentes com morte no trânsito brasileiro que são, na sequência: falta de atenção, excesso de velocidade, dirigir alcoolizado, desobedecer à sinalização, ultrapassagens proibidas e dirigir com sono. Infelizmente todas as causas centradas no ser humano, na falha humana e na imprudência humana.
      Diante deste cenário de guerra, qual é o nosso papel, como cristãos? O conselho bíblico é: “recomende aos irmãos que respeitem as ordens dos que governam e das autoridades, que sejam obedientes e estejam prontos a fazer tudo o que é bom” (Tito 3.5). Como qualquer outro cidadão brasileiro, nós cristãos estamos sujeitos às leis de trânsito e devemos obedecer a elas. E, acima de tudo, temos no trânsito a oportunidade de testemunhar a fé no Salvador Jesus. Em vez de nos transformarmos em monstros acima da lei, como naquele desenho da Disney, podemos semear o amor, a gentileza e a paciência sobre quatro rodas, em nossa cidade ou em rodovias. Precisamos ter a consciência de que muitas vidas, inclusive a nossa e de nossa família, dependem do nosso comportamento no trânsito.
      Então fica a dica: sabendo que estamos expostos a diversos riscos no trânsito brasileiro, pedimos a Deus que ele nos abençoe com as palavras finais do Salmo 121: “Ele o guardará quando você for e quando voltar, agora e sempre”. E não há como não falar que, como cristãos, precisamos cuidar dos feridos, sequelados e enlutados desta triste e dolorosa guerra brasileira.

Pastor Bruno A. K. Serves
Congregação Evangélica Luterana
Candelária, RS

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Os Três Pedros

Resultado de imagem para independência     Aproveitando a Semana da Pátria, onde somos convidados a apreciar o civismo e cultivar o amor pelo Brasil, quero lhes convidar a apreciar três personalidades bem distintas, separadas pelo tempo. São três Pedros que deixaram seus nomes gravados nas páginas de nossa história.
     Comecemos pelo grande proclamador da República, Dom Pedro I, o qual fico a imaginar a certidão quilométrica de Batismo com seu nome completo: Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Mais fácil chamá-lo de Dom Pedro I, não é mesmo? Conta-nos a história de que no dia 7 de setembro de 1822, o nosso Dom Pedro I anunciou independência ou morte. E cá estamos nós, vivendo no Brasil livre de Portugal e ao mesmo tempo refém de si mesmo, ou melhor, refém de um sistema corrupto que arrecada fortunas e repassa para a população migalhas.
     E como não falar de outro Pedro, bem mais velho que o Dom Pedro I, mas que vinha do mesmo continente europeu. Estou falando de Pedro Álvares Cabral, grande navegador. Assim nos é ensinado oficialmente de que Pedro Álvares Cabral e toda a sua comitiva gostaria de ir para a Índia, mas que no dia 22 de Abril de 1500 acabaram chegando em um local diferente, o qual foi chamado por eles de Ilha de Vera Cruz – que hoje é a nossa pátria amada. E imagino que Pedro Álvares Cabral também tenha participado da primeira celebração cristã em solo brasileiro, em 26 de Abril de 1500, em pleno domingo de Páscoa, ali mesmo, na terra recém descoberta.
     E agora, dando um salto bem maior em direção ao passado, lhes convido a apreciar o terceiro Pedro. À exemplo do Pedro descobridor do Brasil, este Pedro também conhecia muito bem o barco e a água. Estou falando do apóstolo Pedro, o pescador que foi chamado por Jesus para ser pescador de gente. É da boca deste Pedro que surge uma das mais belas e convictas confissões a respeito de Jesus: “O senhor é o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16.16). Esta confissão de fé é tão verdadeira que Jesus mesmo mostra que esta confissão foi revelada a Pedro pelo próprio Deus e que, sobre esta confissão (e não sobre Pedro), Jesus construiria a sua igreja cristã pelos quatro cantos do mundo.
     Juntando os três Pedros, juntando a fé cristã em solo brasileiro, é importante lembrar das palavras do Pedro que foi discípulo do Salvador Jesus: “Por causa do Senhor, sejam obedientes a toda autoridade humana: ao Imperador, que é a mais alta autoridade; e aos governantes, que são escolhidos por ele para castigar os criminosos e elogiar os que fazem o bem. Pois Deus quer que vocês façam o bem para que os ignorantes e tolos não tenham nada que dizer contra vocês. Vivam como pessoas livres. Não usem a liberdade para encobrir o mal, mas vivam como escravos de Deus. Respeitem todas as pessoas, amem os seus irmãos na fé, temam a Deus e respeitem o Imperador (1Pedro 2.13-17).
     Então fica a dica: ore pelo Brasil. Viva no Brasil a sua fé cristã. Ore e viva para que mais brasileiros confessem, como Pedro, de que Jesus é o Salvador, o Filho do Deus vivo!

Pastor Bruno A. Krüger Serves
Candelária-RS

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Passado em chamas

Resultado de imagem para incendio museu      O incêndio que destruiu o Museu Nacional no Rio de Janeiro é um triste exemplo da irresponsabilidade no cuidado com as coisas do passado. Aprendemos nas aulas de história: quem não conhece o ontem não está preparado para o amanhã. Tudo hoje no Brasil está em perigo por falta de preservação. No caso do museu criado por D. João VI, ele precisava de cuidados, algo normal para um prédio de 200 anos. Podemos imaginar o que vai acontecer daqui há 200 anos com edifícios, estradas, pontes, se não houver constante manutenção. Mas, isto já acontece hoje quando tanta coisa “pega fogo”. Não em prédios, mas no que é primordial para a preservação da vida. Coisas que agora prometem na campanha quando falam de segurança, educação, saúde etc. Aliás, dizem que somos um povo sem memória quando o assunto é política.
      A nossa vida depende das memórias. É por isto que cada um de nós tem o seu pequeno museu. Fotos, relíquias, objetos pessoais que nos remetem à boas e más lembranças. Coisas importantes aos filhos e netos para valorizar as origens e aprender nos acertos e erros. Filhos que colocam “fogo nos museus” dos pais, jogam fora valiosa experiência de vida, e terão quase nada para ensinar aos seus descendentes. É o que acontece com a atual geração, sobretudo no assunto “objetos da fé cristã”. Dizem que estas coisas da igreja estão ultrapassadas, não têm sentido, que os tempos são outros. Mas, as consequências estão aí, numa sociedade que mais parece um prédio em ruínas.
      Preservar os antigos, mas atuais ensinamentos da Bíblia, é uma tarefa cada vez mais complicada nestes tempos de grandes incêndios nas tradições que recebemos dos antepassados. A própria Bíblia, no entanto, se defende: “Toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver” (2 Timóteo 3.16).

Marcos Schmidt
pastor luterano

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Uma Porta Perdoadora?

Basilica di Santa Maria di Collemaggio: Porta Santa      Você já imaginou quantas portas você utiliza ao longo do seu dia? Seja dentro de sua própria casa, como a porta do quarto ou do banheiro, seja no trabalho, na escola, no mercado, no banco ou na igreja. E qual a finalidade destas portas? Possibilitar o acesso a um local, bem como proteger, proporcionar privacidade, fechar.
      Porém, na cidade italiana de Áquila, mais especificamente na Basílica de Santa Maria de Collemaggio, existe uma porta, digamos assim, diferenciada. Em 1924 o então Papa Celestino 5º declarou que quem atravessasse a porta principal daquela Basílica receberia o perdão dos seus pecados. Esta absolvição estava cancelada desde o ano de 2009, quando um grave terremoto causou destruição e morte na região, atingindo inclusive a porta perdoadora. Porém, neste ano a porta foi reinaugurada, oferecendo perdão a todo aquele que passar por ela.
      Por falar nisto, é inevitável lembrar da porta de uma outra igreja. Vamos sair de Áquila, na Itália, e vamos para Wittenberg, na Alemanha. E desta vez a porta não tem poder de oferecer perdão, mas sim, de testemunhar a verdade. Em 31 de Outubro de 1517 o jovem e promissor padre e professor universitário Martinho Lutero pregou na porta da igreja do Castelo de Wittenberg as 95 teses contra o abuso do clero com o povo. E, dentre as quais, estava a comercialização do perdão dos pecados. Bem, aí a gente conhece o resto da história. Aquela porta de Wittenberg testemunhou o início da Reforma Luterana que, neste ano, vai comemorar o seu 501º aniversário.
      Os ecos da Reforma Luterana continuam a ressoar e a confrontar os mesmos erros. Não há como concordar que uma porta ofereça perdão dos pecados. Acima de qualquer decreto ou lei humana está a Palavra de Deus, que sublinha insistentemente que
“Deus perdoou todos os nossos pecados e anulou a conta da nossa dívida, com os seus regulamentos que nós éramos obrigados a obedecer. Ele acabou com essa conta, pregando-a na cruz.” (Colossenses 2.13-14)
      Somos perdoados somente por causa da graça de Deus, somente pela fé em Cristo, e isto aprendemos somente pela Palavra de Deus!
      Então fica a dica: atravessar uma porta nos garante perdão? Que nada! Nos juntamos ao apóstolo Pedro para dizer que “todos os profetas falaram a respeito de Jesus, dizendo que os que creem nele recebem, por meio dele, o perdão dos pecados” (Atos 10.43).

Pastor Bruno A Krüger Serves
CEL Cristo, Candelária-RS

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Tudo só na conversa

Resultado de imagem para ponte avenida dos municípios      O problema do Brasil é parecido com a ponte na Avenida dos Municípios (no Rio Grande do Sul) que não sai do papel. Desconfia-se que interesses atrapalham a obra, como, por exemplo, os lucros de um pedágio. Outro exemplo deste País que não funciona é a falta de ajuda adequada de Brasília aos refugiados venezuelanos. Dizem que é para “não encher a bola” da governadora de Roraima, adversária do Planalto. A politicagem movida pela ganância dificulta a nossa vida em tudo. E o mais grave nisto é a ausência de vontade popular em conhecer a raiz dos problemas. Como agora, na campanha política, o pouco interesse nos debates dos candidatos. Ou seja, o eleitor quer seguir por pontes que já caíram. Quer soluções rápidas e egoístas, parecidas com as religiosas que pregam: “Venham, aqui resolvemos na hora todos os seus problemas”. As soluções para um País melhor têm custos, mas, enquanto as pessoas estiverem movidas pela ambição, egoísmo e corrupção, tudo vai continuar só na conversa.
      Se na política é preciso colocar em prática coisas fundamentais, óbvias, básicas, na religião Jesus não deixa dúvidas:
“Quem ouve meus ensinamentos e não vive de acordo com eles, é como um homem sem juízo que construiu a sua casa na areia” (Mt 7.26).
      Diz isto para àqueles que transformam a fé numa ponte fictícia, sem a prática básica da religião que é o amor ao próximo. E, se o Salvador é o fundamento deste amor, infelizmente, ele também é a pedra que os construtores rejeitaram (Mateus 21.42). Por isto, quando insiste que ele é o caminho e ninguém chega a Deus a não ser por ele (João 14.6), então lembra do abismo entre nós e Deus, e da única ponte – sem qualquer atalho.
      Sem dúvida, a questão é o blá blá blá. E por isto, quem sabe, aquilo que Paulo profetizou:
“Vai chegar o tempo em que as pessoas não vão dar atenção ao verdadeiro ensinamento, mas seguirão os seus próprios desejos” (2Timóteo 4.3). 
Marcos Schmidt
pastor luterano

Leitura Bíblica para a Quaresma 2026

Você sabe o que é a Quaresma? Muita gente acha que é o tempo de sofrimento e privação (jejum etc...) que começa depois do carnaval. Infelizm...