quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

E a "Globeleza" não está mais pelada

Pois é...
Depois de anos apenas com pintura corporal...
Agora ela está usando uma “roupa”. Pra lembrar, dançando, que daqui uns dias tem carnaval. E francamente, nem sei se faz alguma diferença, mesmo porque a roupa parece mesmo aquela antiga pintura.
Um parêntese: 
O carnaval está perdendo apoio de governos, por causa da crise financeira. Confesso que nunca entendi como governos liberam dinheiro de impostos para certas coisas. E o carnaval é uma delas... No meu ponto de vista isso tudo deveria ser bancado pelos seus próprios interessados e não por toda a sociedade.
Não penso que isto deveria ser assim apenas para o carnaval... Não estou querendo “puxar a sardinha pro meu assado”. Não é isso. Não deveria haver aporte financeiro público para o carnaval, nem para a “parada gay”, ou para sindicados (aliás, se a contribuição sindical é obrigatória, qual é o direito do trabalhador que não quer ser sindicalizado? Este não tem direito numa sociedade livre? De escolher não ser sindicalizado?)...Vou além, não deveria ter aporte público financeiro (não sei se tem... Não sei mesmo.) para as “marchas por jesus” (e é “jesus” minúsculo mesmo, pois essas marchas só servem para promover distanciamento entre cristãos de diversas denominações... Para extremismos e inflar egos de supostos pregadores e supostos evangelistas e, ora vejam, levitas (esse povo nem sabe o que faziam os levitas – acham que eram só cantores, e não eram).Então, acho que você já percebeu que me parece incorreto impostos serem usados para apoiar qualquer dessas “marchas”, festas, etc... Tudo deveria ser bancado pelo retorno que desse, ou pelo interesse de seu realizador. É a mesma coisa com os espetáculos. Se for o que o povo quer assistir, dará retorno financeiro e não precisará de apoio. Se não der retorno, quer dizer que ninguém quer ver, e o cidadão que não quer ver, não precisa pagar, com seus impostos, certas ideologias que são bancadas com o mito de “cultura”. Incluindo religiões que, quando classificadas como “cultura” não apenas deixam de pagar impostos (como acontece com igrejas), mas ainda recebem aporte financeiro público. Se você é a favor, é direito seu. Eu sou contra e posso ser. Se não entendeu nada do que eu disse acima, leia com calma, novamente e se quiser perguntar diretamente para mim, meus endereços estão abaixo.Entendo que deveria haver aporte financeiro à cultura nas escolas, com fim educacional. Que se aprendesse teatro, música, e outras artes, bancado sim com dinheiro público. Mas para “grandes” artistas, estes, se são grandes, não precisam de dinheiro público para suas ideias mirabolantes. Nossas crianças e jovens estudantes precisam, se querem seguir nessa carreira.
Mas vamos à “Globeleza”...
Estranhamente, ninguém parece ter problema com uma moça (sempre negra, para explorar o machismo e racismo embutidos na coisa), quase nua, dançando a qualquer hora do dia na televisão... Enquanto que alguns programas que (no meu entendimento) crianças poderiam assistir, são classificados para 12 anos ou mais.
Estranhamente, nunca foi uma loira, ou ruiva, ou outra etnia qualquer, das tantas que, também representam a população brasileira. E ninguém acha que isso é racismo (deve ser porque loira não samba...). Mas se fosse uma loira, certamente alguém gritaria que é racismo.
Na paranoia pelo politicamente correto, até “Rei Momo” (que é a figura mítica conhecida por ser glutão, se não nem faz sentido), teve que ficar magro em algumas edições. Bem, se o Momo gordo incentiva a comilança e a falta de cuidado com a saúde, o que sugere uma moça seminua, dançando na TV? O que os de fora de nosso país pensam sobre nossas lindas moças negras, vendo aquela propaganda? E assistindo ao carnaval?
E pior, o que pensam nossas crianças quando assistem a isto? Quando assistem às brigas do BBB (um programa para criar acéfalos)? Quando assistem ao programa da Fátima (eu preferia o Bob Esponja) tratando de temas que deveriam ser também classificados para maiores de 16 ou 18 anos? E nos outros canais têm programas equivalentes, mas eu aprendi como não assistir e posso ensinar: desligue a TV ou mude para um canal menos pernicioso.
Não sou adepto aos atos extremos (acho que por ser luterano, sempre aprendemos que há um caminho mediano)... Os extremos costumam sempre levar a caminhos muito ruins. Por isso não sou adepto a boicotes. Mas tenho a liberdade de simplesmente desligar a TV (cuidando de mim e da minha família). Não vou levantar uma bandeira e transformar isso num ato político... Todos têm um cérebro (normalmente em excelente estado pelo pouco uso), têm seus preceitos, têm sua cultura, que se use conforme aprendeu, ou até mude. Você pode mudar-se.
Não estou sugerindo que você boicote o carnaval ou a Globo. O que aparece ali são sintomas de um sociedade doente. Assim como as corrupções nos mais altos níveis de nosso país. Não são a doença, são o sintoma. A doença é a corrupção entranhada em nós, povo brasileiro, que se orgulha do “jeitinho”... Você já parou pra pensar que dar um jeitinho é simplesmente agir desonestamente? É como fazer uma “gambiarra”... É como oferecer uma “cervejinha” para ganhar alguma coisa ou se livrar de uma multa.
Mas a “Globeleza” vestida revela também que não há mais o que fazer para chamar a atenção...
Em época de internet, onde os “nudes” de whatzapp fazem sucesso, não faz diferente mais uma moça negra dançando sem roupa... Há milhares de moças e rapazes, de todas as etnias, dispostos a tirar a roupa para conseguir uns “likes”. É uma sociedade triste, onde as pessoas carecem da atenção virtual, porque parecem não ter atenção no lar e da sociedade física em volta.
Assim, se quiser fazer como eu, desligue a TV, olhe seus filhos nos olhos, brinque com eles na terra... Suje-se. Diz que omo limpa tudo. É possível limpar a sujeira, mas não é possível recuperar o tempo perdido. Se você frequenta locais que seus filhos ou esposa (marido) não podem ir, repense e não vá. Se você recebe pornografia pelo telefone, saia daquele grupo. Cuidado com o que você acessa... Pode estar destruindo você e sua família.
E... Seja feliz, cante, dance... Seja saudável espiritual e psicologicamente também.

Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)


Estes e outros artigos são publicados no Jornal Correio 9, de Nova Venécia (curta para ser avisado das edições diárias, leitura completa online): https://www.facebook.com/correio9

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Se souber olhar, só verá a beleza da criação

De férias, na praia (depois de muito tempo)...
Fiz o que gosto de fazer na praia: nada. Aliás, é o que eu gosto de fazer nas férias (preferencialmente com a família). Na verdade, gosto de “fazer nada”, estudar e escrever...
E enquanto fazia nada, na praia, sentado à sobra (porque só na sombra) de um guarda-sol, observava. Não estava espiando ou espionando, ou “stalqueando”, apenas contemplando.
O que se vê na praia?
O mais obvio: o mar. Coisa mais linda da criação de nosso Deus. Daí tem areia e vento (que em alguns dias chega a incomodar, mas refresca)...
Além disso, vê-se pessoas. Muitos vendedores... Animais na areia, não vi.
Há crianças, que correm pra água, seguidas por seus pais (ou outros responsáveis) meio desesperados... Há adolescentes, poucos, porque parece que a maioria prefere dormir até meio-dia e eu fui pela manhã. Jovens também têm certa preferência por dormir pela manhã, então são poucos. Há adultos (aqueles que estavam correndo atrás das crianças, lembra?) e outros ouvindo música (pois é... inventaram essas caixinhas de bateria recarregável e o sossego acabou até na praia), há idosos...
Entre estas pessoas todas, há negros (ou pretos, ou afrodescendentes — já não sei como chamar pra não ofender, então escolha o de sua preferência e se tiver outra palavra ainda, me avise para que agregar ao meu vocabulário politicamente correto)... Alguns destes, bem negros (mesma observação do parêntese anterior) e há brancos (acho que branco dá pra chamar só de branco ainda, se não, me ajude) e alguns bem brancos. No restante, a grande maioria das pessoas tem tons de pele que passeiam entre estes dois tons mencionados (se pensamos em cor e não em etnias). E há famílias onde um é negro o outro branco e os filhos lindamente misturam isso. Nesse dia foi o que vi.
Há também musculosos (poucos... Devem estar dormindo pra sair de noite, ou devem estar na academia), há “saradas” (também poucas, acho que pelo mesmo motivo dos musculosos)...
Há pessoas muito magras outras que estão acima do peso (sem preconceito pra um ou outro, só observando).
Enfim, há pessoas diversas de corpos em formatos diversos e de idades diversas.
Toda esta diversidade me fez pensar na criação de Deus. Perfeita.
Se não tivermos preconceito, achando que nós somos melhores que alguém, veremos a beleza da criação. Beleza de negros e brancos convivendo, juntos, numa mesma praia. Beleza de idosos e crianças convivendo... Beleza de homens e mulheres, também esquecendo um pouco o “machismo” e o “feminismo” e convivendo pacificamente perante a beleza do mar que encantava Tom Jobim e Caymmi... Este último cantava ser “doce morrer no mar”, embora eu discorde (e posso discordar). Doce é saber que quem criou o mar, continua a cuidar de nós: Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Nenhum outro. E, quando eu morrer, pela fé em Jesus, o Pai me receberá. A mim e a todos quantos creem em Jesus.
Deus criou tudo e a cada momento da criação ele disse: “eis que tudo é perfeito”. Eu não sou melhor (nem pior) porque tenho olhos claros e nem mesmo porque estes meus olhos, já um pouco gastos pela idade, ainda enxergam... Não sou melhor que aquele que não enxerga. Talvez eu tenha algumas facilidade de fazer algumas coisas vendo, quando meu irmão que não enxerga precisaria lidar com essa dificuldade de forma diferente. Mas acredito que ele teria facilidades que eu não tenho, simplesmente por ter outros sentidos treinados para viver sem a visão. Mas esse é o ponto de vista de quem enxerga... Posso estar enganado. E essa é a beleza também: não somos os donos da razão e, estando abertos ao diálogo, podemos aprender muito.
Você viu negros (veja a observação acima) e achou feios (ou bonitos)? E brancos? Lembre que nossos padrões são normalmente definidos pela nossa cultura histórica, geográfica, familiar, etc... E que nem tudo que é bonito pra mim, será pra você e vice-versa... Gostos não se forçam, embora sejam minimamente ensinados. Então, não tenha preconceito, apesar de que você terá gostos e padrões diferentes... Ter gostos é gostar de jiló, quando outros o detestam... Mesmo assim, amamos a pessoa que gosta de jiló e não vamos exterminar o jiló do planeta por “jilófobia”.
Não ensine a seus filhos piadas que denigrem as outras pessoas, sejam elas brancas, negras, portugueses, japoneses, ou brasileiros (aliás, o termo brasileiro surgiu pejorativo, você sabia?)...
Ria de si mesmo e consigo mesmo. Faça amigos aonde for. Experimente a comida que te oferecerem. Você será muito mais feliz se rodeado de tudo e de todos que Deus criou. E que, na criação, era perfeito.

Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)


Estes e outros artigos são publicados no Jornal Correio 9, de Nova Venécia (curta para ser avisado das edições diárias, leitura completa online): https://www.facebook.com/correio9

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

E se o Valdomiro tivesse morrido?

Você ficaria feliz se o Valdomiro tivesse morrido no ataque? (que alguns já dizem ter sido simulado... Esperemos investigações). Mas acho que muitos ficariam felizes...
Eu não ficaria. E explico o óbvio: cristão nenhum fica feliz com a morte de qualquer outra pessoa. Mesmo que seja um falso profeta, como se supõe o líder da pomposa Igreja Mundial do Poder de Deus... Uma dissidência da Igreja Universal do Reino de Deus... De outro líder “exótico”. Mesmo que fossem bandidos, dentro de um presídio, brigando por comando.
O Senhor Jesus não ficaria feliz — nunca — quando um pecador morre sem arrependimento e se você acha que estes que citei são falsos profetas, se você acha que eles estão em pecado, o pior para eles seria morrerem sem o perdão e o verdadeiro Jesus em suas vidas. Assim como é o pior que pode acontecer comigo ou com você.
Jesus não fica feliz com nenhum pecador que se perde. Você, cristão, esqueceu disso? É muito fácil esquecer disso com tantas pessoas ensinando, “em nome de Jesus”, o que Jesus nunca ensinou. Vive-se uma teologia do “toma-lá-dá-cá”, na qual você faz sua “oferta” e “d’us” (vou escrever assim, porque não é assim que Deus é)... Então, esse d’us é obrigado a te “restituir”, “dar a vitória” e tantos outros jargões que se coleciona por aí. Mas essa teologia do “toma-lá-dá-cá” ensina que você dá uma coisa e merece outra... Assim, por assimilação, se você é criminoso, merece morrer... Se você é falso profeta, merece castigo...
Ainda bem que com Deus não é assim. Deus, quando nós não queremos saber dele, continua nos buscando. Continua procurando nos tratar com amor e oferecer o perdão. E ele faz isso não porque você oferta ou é dizimista. Ele faz isso porque é o Deus de amor que quer a salvação de todos os pecadores. Dos falsos profetas e dos criminosos também.
Não fique feliz quando alguém de quem você não gosta se dá mal. Ore por essa pessoa. Lembra?: “Orem pelos que perseguem vocês” (Jesus que disse)... Lembrem que Jesus, no alto da cruz, pediu: “Pai, perdoe... Eles não sabem o que fazem.”
Fique feliz com cada pecador que se arrepende. Ajude a pregar o perdão e o amor. De ódio e odiosos o mundo já está cheio o suficiente.
Jesus te ama... E ama ao Valdomiro também.

Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)

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