quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Se souber olhar, só verá a beleza da criação

De férias, na praia (depois de muito tempo)...
Fiz o que gosto de fazer na praia: nada. Aliás, é o que eu gosto de fazer nas férias (preferencialmente com a família). Na verdade, gosto de “fazer nada”, estudar e escrever...
E enquanto fazia nada, na praia, sentado à sobra (porque só na sombra) de um guarda-sol, observava. Não estava espiando ou espionando, ou “stalqueando”, apenas contemplando.
O que se vê na praia?
O mais obvio: o mar. Coisa mais linda da criação de nosso Deus. Daí tem areia e vento (que em alguns dias chega a incomodar, mas refresca)...
Além disso, vê-se pessoas. Muitos vendedores... Animais na areia, não vi.
Há crianças, que correm pra água, seguidas por seus pais (ou outros responsáveis) meio desesperados... Há adolescentes, poucos, porque parece que a maioria prefere dormir até meio-dia e eu fui pela manhã. Jovens também têm certa preferência por dormir pela manhã, então são poucos. Há adultos (aqueles que estavam correndo atrás das crianças, lembra?) e outros ouvindo música (pois é... inventaram essas caixinhas de bateria recarregável e o sossego acabou até na praia), há idosos...
Entre estas pessoas todas, há negros (ou pretos, ou afrodescendentes — já não sei como chamar pra não ofender, então escolha o de sua preferência e se tiver outra palavra ainda, me avise para que agregar ao meu vocabulário politicamente correto)... Alguns destes, bem negros (mesma observação do parêntese anterior) e há brancos (acho que branco dá pra chamar só de branco ainda, se não, me ajude) e alguns bem brancos. No restante, a grande maioria das pessoas tem tons de pele que passeiam entre estes dois tons mencionados (se pensamos em cor e não em etnias). E há famílias onde um é negro o outro branco e os filhos lindamente misturam isso. Nesse dia foi o que vi.
Há também musculosos (poucos... Devem estar dormindo pra sair de noite, ou devem estar na academia), há “saradas” (também poucas, acho que pelo mesmo motivo dos musculosos)...
Há pessoas muito magras outras que estão acima do peso (sem preconceito pra um ou outro, só observando).
Enfim, há pessoas diversas de corpos em formatos diversos e de idades diversas.
Toda esta diversidade me fez pensar na criação de Deus. Perfeita.
Se não tivermos preconceito, achando que nós somos melhores que alguém, veremos a beleza da criação. Beleza de negros e brancos convivendo, juntos, numa mesma praia. Beleza de idosos e crianças convivendo... Beleza de homens e mulheres, também esquecendo um pouco o “machismo” e o “feminismo” e convivendo pacificamente perante a beleza do mar que encantava Tom Jobim e Caymmi... Este último cantava ser “doce morrer no mar”, embora eu discorde (e posso discordar). Doce é saber que quem criou o mar, continua a cuidar de nós: Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Nenhum outro. E, quando eu morrer, pela fé em Jesus, o Pai me receberá. A mim e a todos quantos creem em Jesus.
Deus criou tudo e a cada momento da criação ele disse: “eis que tudo é perfeito”. Eu não sou melhor (nem pior) porque tenho olhos claros e nem mesmo porque estes meus olhos, já um pouco gastos pela idade, ainda enxergam... Não sou melhor que aquele que não enxerga. Talvez eu tenha algumas facilidade de fazer algumas coisas vendo, quando meu irmão que não enxerga precisaria lidar com essa dificuldade de forma diferente. Mas acredito que ele teria facilidades que eu não tenho, simplesmente por ter outros sentidos treinados para viver sem a visão. Mas esse é o ponto de vista de quem enxerga... Posso estar enganado. E essa é a beleza também: não somos os donos da razão e, estando abertos ao diálogo, podemos aprender muito.
Você viu negros (veja a observação acima) e achou feios (ou bonitos)? E brancos? Lembre que nossos padrões são normalmente definidos pela nossa cultura histórica, geográfica, familiar, etc... E que nem tudo que é bonito pra mim, será pra você e vice-versa... Gostos não se forçam, embora sejam minimamente ensinados. Então, não tenha preconceito, apesar de que você terá gostos e padrões diferentes... Ter gostos é gostar de jiló, quando outros o detestam... Mesmo assim, amamos a pessoa que gosta de jiló e não vamos exterminar o jiló do planeta por “jilófobia”.
Não ensine a seus filhos piadas que denigrem as outras pessoas, sejam elas brancas, negras, portugueses, japoneses, ou brasileiros (aliás, o termo brasileiro surgiu pejorativo, você sabia?)...
Ria de si mesmo e consigo mesmo. Faça amigos aonde for. Experimente a comida que te oferecerem. Você será muito mais feliz se rodeado de tudo e de todos que Deus criou. E que, na criação, era perfeito.

Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)


Estes e outros artigos são publicados no Jornal Correio 9, de Nova Venécia (curta para ser avisado das edições diárias, leitura completa online): https://www.facebook.com/correio9