quinta-feira, 26 de abril de 2018

A estátua do pequeno Matthew


Estes dias, acompanhando as redes sociais, uma foto me chamou a atenção. A foto foi tirada em um cemitério americano, naqueles belos gramados verdes e cheios de lápides. Só que, no meio daquelas inúmeras lápides cinzas e padronizadas, uma era bem diferente. Acima da lápide havia uma estátua. Era a imagem de um menino. Ele vestia camiseta, bermuda, meias e tênis, como qualquer outro garoto. Aquele menino da estátua estava sorridente, levantando-se de uma cadeira de rodas, também retratada na estátua. Sim, ele estava feliz, com suas pernas cheias de forças, com sorriso no rosto, olhando para o alto. A sua mão estava estendida aos céus, como se alguém estivesse o levando dali.

Ao pesquisar a respeito da imagem, logo achei a história por detrás daquela lápide. O nome do menino é Matthew Stanford Robison. Ele teve problemas ao nascer e, por isto, teve sequelas, ficando com uma grave paralisia. Matthew viveu até os 10 anos. E, como forma de homenagem, seu pai fez aquela estátua maravilhosa do seu filho amado. Não mais com sequelas e limitado a uma cadeira de rodas, mas sorridente, cheio de movimento e força, levantando-se em direção aos céus.
Não sei qual é a fé professada pela família de Matthew, mas aquela estátua representa perfeitamente a nossa esperança cristã. A lápide fria não é o fim de nossas histórias. A promessa bondosa de nosso Deus é enxugar a cada lágrima, consolar-nos de todas as dores, terminar para sempre com enfermidades e sofrimentos. Esta foi e continua sendo a promessa para Matthew, seus pais e a cada um de nós: “Ele enxugará dos olhos deles todas as lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. As coisas velhas já passaram” (Apocalipse 21.4). A garantia de que tudo isto acontecerá é o glorioso domingo de Páscoa. O túmulo do Salvador Jesus ficou vazio. Ele ressuscitou. Ele vive. Ele ressuscitará a mim e a você e a todos os nossos queridos que descansam desta vida de sofrimentos.
Então fica a dica: quão confortador é saber que, assim como Jesus vive, nós também viveremos. Sem paralisia, sem câncer, sem depressão, sem enfermidade qualquer. Criancinhas, jovens, adultos e vovôs. Todos os que descansam nas mãos do Senhor viverão para sempre e, ao invés de olhos lacrimejados e semblantes sofridos, teremos um sorriso no rosto e um corpo perfeito. Como a estátua do pequeno Matthew.

Pastor Bruno A. K. Serves
CEL Cristo, Candelária-RS

terça-feira, 24 de abril de 2018

Whatsapp na Igreja

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Há muitas coisas com as quais a Igreja não precisava lidar “antigamente” que precisa lidar hoje. De tempos em tempos isso acontece. Já no primeiro século, teve que lidar com a necessidade ou não da circuncisão. Mais adiante confessou, no Credo Apostólico, que cria em um Deus que é Triúno… Logo depois precisou dizer que Jesus Cristo era Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, no Credo Niceno e depois ainda reafirmar que apesar de ser Deus Pai, Filho e Espírito Santo, é apenas um Deus Triúno. Isso foi feito no Credo Atanasiano.
Na nossa “geração passada”, muitos tiveram que lidar com a TV, por exemplo. E muitos erraram com a TV. A “demonizaram”. Tornaram o aparelho no mal que, na verdade, está e sempre esteve no coração humano (Mateus 15.19: “Porque é do coração que vêm os maus pensamentos, os crimes de morte, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, as mentiras e as calúnias.”).
Depois, estas mesmas “igrejas” que demonizaram a TV, fizeram e fazem uso dela. E, muitas vezes, de forma a explorar a fé alheia e enriquecer seus “profetas do caos” ou “da prosperidade”.
Pois bem… Hoje, a Igreja precisa aprender a lidar com os grupos de afinidade surgidos em diversas plataformas digitais. Certamente a mais famosa é o Whatsapp. Já usado em larga escala por todos (uma estatística publicada no jornal “Estadão”, de maio de 2017, já contabilizava 120 milhões de brasileiros usando a ferramenta). E na igreja, muitos também usam.
Como era óbvio, várias pessoas, muito bem intencionadas, começaram a criar os grupos dentro da igreja (grupo do coro, das mulheres, dos homens, da juventude, da célula… grupo da congregação, grupo de pastores, etc… O limite é a imaginação.).
Mas como agir num grupo de Whatsapp da Igreja? Pode ter regras? E na igreja luterana, conhecida por ser Evangélica, será que pode haver regras para uso de Whatsapp?
Não só pode. DEVE. Mas como isso funciona na prática?
Bem, vamos nos socorrer da Palavra de Deus e de conhecimento prático, para tentar fazer sempre o melhor uso. LEMBRANDO que também no Whatsapp “eu deveria ter um comportamento cristão”. Não é um local de escape para o pecado. E se um cristão precisa de “um escape para pegar”, reveja seu cristianismo...
Como qualquer grupo social, o Whatsapp também precisa de regras. A Igreja é um grupo social e tem regras (como associação, inclusive, tem seu Estatuto registrado em cartório). Condomínios têm regras, se não ninguém consegue ali viver. Já imaginou se cada final de semana, num condomínio, os vizinhos começassem a disputar quem tem o som mais alto na festa… E assim por diante.
Então, algumas RECOMENDAÇÕES:
  1. Qual é o foco de seu grupo? Se é da juventude, assuntos da juventude. Se é do distrito (aqui especificamente aos luteranos), assuntos do distrito. Ah! Mas tem aniversário da minha congregação, posso publicar no grupo do Distrito? Se é do interesse do distrito. Se vocês esperam a presença do distrito, claro. E uma dica sempre boa é que são grupos de “interesse de crescimento espiritual”, então, não é permitido compartilhar algo que não contribua para isso. Quer contar piada? Guarde para o seu grupo de piadas, não para o da igreja. (1Tessalonicenses 5.11: “Portanto, animem e ajudem uns aos outros, como vocês têm feito até agora.”)
  2. O que você vai publicar é teologicamente diferente daquilo que sua Igreja ensina? Não publique. Por exemplo, nossa Igreja ensina o batismo infantil. Não publique algo que fale contra isto. A menos que você esteja num grupo de estudos e esteja discutindo o assunto, mesmo assim, fale antes com o líder espiritual de sua denominação.
  3. Não publique vídeos, gifs, tirinhas, áudios com palavrões ou de teor vulgar (Efésios 4.29: “Não digam palavras que fazem mal aos outros, mas usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que ouvem.”), ou mesmo pornográfico. São coisas que não deveriam nem ser mencionadas entre nós. (Efésios 5.10-12: “Procurem descobrir quais são as coisas que agradam o Senhor. Não participem das coisas sem valor que os outros fazem, coisas que pertencem à escuridão. Pelo contrário, tragam todas essas coisas para a luz. Pois é vergonhoso até falar sobre o que essas pessoas fazem em segredo.”).
  4. Evite mandar a mesma coisa para diversos grupos que envolvam as mesmas pessoas, ou mandar em particular e de novo, no grupo. É chato.
  5. Evite áudios. Ninguém pode ouvir os áudios, a menos que esteja em local privado. Já as mensagens de texto podem ser respondidas quase que imediatamente.
  6. Está em dúvida se algo é desagradável ao Senhor? Traga para a Luz. (Efésios 5.13: “E, quando qualquer coisa é trazida para a luz, então a sua verdadeira natureza é revelada.”). Bem… É pornografia? Não precisa nem perguntar se você está errado. Você está errado já de consumir pornografia, ainda mais de levar outros a consumirem. Você se torna reponsável pelo seu pecado e pelo do outro também. Não fique achando desculpas. Reconheça seu pecado, peça perdão e receba, do Senhor, o perdão que é para todos.
  7. Não publiquem vídeos que falem mal ou ridicularizem outras igrejas… Isso é apenas fofoca. Se tem algo para tratar, fale com o líder de sua igreja (normalmente o pastor) para que haja, na igreja, instrução sobre o tema.
  8. Não use os grupos (ou o Facebook) para mandar indiretas para os outros. Se você não tem a coragem de tratar os problemas claramente, indiretas também não resolvem. E indiretas acabam mostrando que você é uma pessoa traiçoeira e não disposta a resolver os problemas como nos ensina Mateus 18.15 em diante. Além do mais, tem gente que acha que a “indireta” nunca é pra si e outros que acham que “todas as indiretas” são pra si. É inútil. (Tiago 4.11: “Meus irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala mal do seu irmão em Cristo ou o julga está falando mal da lei e julgando-a. Pois, se você julga a lei, então já não é uma pessoa que obedece à lei, mas é alguém que a julga.”)
  9. Não use os grupos para adquirir contatos das pessoas, sem a permissão delas. Se você é vendedor, ou faz propaganda de algo, não use os grupos da igreja com esta finalidade. Peça permissão da própria pessoa para enviar algo, antes de enviar. E JAMAIS publique no grupo da Igreja, coisas que não são permitidas. Se o fizer, sem querer, peça desculpas e siga livre.
  10. Meio óbvio isso, mas vamos lá: não use o grupo para “caçar” uma namorada ou um namorado. Há outros locais pra isso. A dica do “adquirir” o contado, do ponto 9, vale aqui também.
  11. Caso gostaria de discutir algum assunto mais polêmico ou tem dúvida em relação a algum texto da Bíblia, envie primeiro ao líder de sua Igreja (normalmente o pastor é encarregado destas dúvidas). Muitas vezes, dúvidas podem levantar polêmicas desnecessárias, que nem são a sua intenção ao querer tirar a dúvida.
  12. O mesmo da “propaganda” vale para convidar as pessoas para algo que não é de interesse da Igreja. Quer convidar para um show? ótimo… Só não faça no grupo da Igreja sem autorização. Mesmo que seja um show gospel.
  13. E o “síndico”? Bem. Alguém precisa organizar o grupo. Deve ser alguém capaz de lidar com as situações que vão aparecer (nem sempre deveria ser o pastor, ele já tem trabalho demasiado para fazer). Primeiro, em particular. Depois, caso necessário, apresentar a solução em público. Não é uma função fácil, mas alguém precisa fazer.
  14. Agora, se depois disso, alguém insistir que quer publicar, por exemplo, pornografia… Simples: deve ser excluído do grupo. Não se pode “tolerar o pecado” como se nada fosse. É pecado. E não deveria ser publicado em grupo algum, muito menos no da igreja.
  15. Recomendo que, na função pastoral, em vez de grupos, se use as listas de transmissão. Elas têm um caráter mais informativo. Num grupo todo mundo manda e todo mundo recebe. Numa lista de transmissão, apenas quem criou a lista é que recebe respostas, caso alguém responda. Ou seja, manda para todos, mas recebe em particular.
  16. Uma conversa se tornou particular. Vá para o privado.

Espero ajudar. Me aventurei a escrever o que está acima (com pesquisas na internet e de experiência própria) a pedido de um amigo. Se tem algo que não concorda, me fale. Se algo deve ser acrescentado, fale também. Lembre-se que nosso objetivo SEMPRE é testemunhar Jesus. E isso tem de ser feito até nos grupos de Zap.

Pastor Jarbas
Congregação Castelo Forte
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Nova Venécia, ES

segunda-feira, 23 de abril de 2018

O Paradoxo Pentecostal (parte 1)

Acredito que este texto traz uma reflexão muito importante.
Veja:
Há cerca de um século, o mundo protestante se viu invadido por um movimento avivalista que recebeu o nome de movimento pentecostal. Este recebeu tal título por supostamente basear-se nos fatos acontecidos no célebre dia de pentecostes que ocorreu após a ascensão de Cristo aos céus, e que é detalhadamente explicado no capítulo 2 do livro de Atos dos Apóstolos. Segundo seus propagadores todo crente deveria buscar a mesma experiência vivida pelos apóstolos nesse dia, ou seja, segundo eles todos devem falar em línguas (alguns também chamam línguas estranhas). E ainda, segundo suas idéias, isso se dá o nome de batismo com Espírito Santo. Todo crente deve, segundo a doutrina pentecostal buscar essa experiência. Como já dissemos, praticamente um século se passou e muitos, extremamente mal instruídos e preparados não se aperceberam de que o referido texto não fala em batismo. Que essa experiência só se repetiu mais duas vezes, em cumprimento a uma profecia de Jesus. E que falar em línguas é um dom do Espírito Santo, como o são outros oito descritos em I Coríntios 12. Outros líderes, entretanto, mesmo sabendo do engano, seguiram com a doutrina equivocada, mesmo porque já era tarde para reparar o equívoco. Afinal, como explicar para os milhares de membros das denominações pentecostais que eles foram ensinados errado até agora? Seria como se um padre viesse a público e dissesse: não adorem Maria, foi tudo um engano! Imagine o caos que seria!
Teólogos renomados, no afã de defender suas fileiras chegaram ao cúmulo de afirmar que só quem fosse batizado com o Espírito Santo, ou seja, falasse em línguas estranhas, poderia estar à frente do trabalho do Senhor. Coitados. Esqueceram Lutero, Calvino, Spurgeon e Martin Luther King, só para citar os óbvios, que nunca falaram nenhuma língua estranha e tocaram a obra cheios da unção de Deus.
Com o advento do pentecostalismo passou a se ver nas igrejas algumas coisas nunca vistas antes. O que antes era um culto racional tornou-se um centro de emocionalismo exacerbado, onde na grande maioria dos casos as pessoas quase nunca conseguem ouvir a pregação da Palavra de Deus. A coisa chegou ao ponto de pastores recriminarem irmãos que não choram na hora do culto. O barulho alcançou decibéis muitas vezes insuportáveis, e é de se imaginar nesses momentos como Jesus ou Paulo pregavam. Alguém poderia imaginar o Rei dos Reis pulando e correndo enquanto pregava o evangelho da salvação? Ou mesmo Paulo de Tarso pulando em um pé só ou atirando-se ao solo urrando ou gemendo? Essa modificação homilética chegou com o pentecostalismo, que confundiu pregações avivadas, como as de Wesley, com barulho emotivo e vazio. Passagens com Eclesiastes 5.1-2; Habacuque 2.20; Romanos 12.1 e 1Coríntios 14.40, perderam completamente o sentido, sendo sumariamente ignoradas.
Com o tempo a coisa foi piorando. Além da exigência infundada de que as pessoas deveriam buscar a todo custo algo que elas já teriam (o batismo com o Espírito Santo), os cultos passaram a ser classificados. Culto frio: onde se prega a Palavra de Deus de forma clara e fiel, sem invenções ou arroubos. Culto quente: onde as pessoas gritam, pulam e se descabelam. Sobem nas cadeiras, saem correndo pela igreja, sacodem uns aos outros e coisa pior. A lista é grande. Lembrando sempre: estas coisas se dão dentro da Casa de Oração do Senhor dos Exércitos. A Palavra de Deus foi perdendo terreno aos poucos. As visões, profecias, arrebatamentos e outros sinais, além das línguas passaram a ser componentes indispensáveis para que um culto fosse considerado com unção.
Além disso, surgiu uma teologia estranha à Bíblia acerca de vestes, que logo se tornou uma imposição farisaica, e que persiste até hoje.
Interessantíssimo é ver que igrejas da mesma denominação, associação ou convenção, que são regidas pelo mesmo estatuto ou regimento interno, não pregam a mesma coisa. Em uma igreja mulher é obrigada a usar saia. Em outra pode usar calça. Em algumas, brincos são permitidos, em outras são vistos como coisas de satanás. Mas final, não são os líderes mensageiros de Deus? Terá Deus duas palavras? Acredito que não. Algo está errado. Depois de anos e anos de perseguição, as denominações pentecostais estão sendo desmascaradas nesse ponto. E como ficam os crentes de décadas passadas, que foram sumariamente perseguidos por seus líderes nessa questão, e que hoje veem as coisas mudadas? Será que há trinta anos Deus proibiu uma coisa e hoje esse mesmo Deus liberou-a? Ou será que na verdade não era a voz de Deus que estava falando, e sim a voz do homem?
Observe uma igreja tradicional (por exemplo, uma Presbiteriana ou uma Batista) e veja quantas vezes ela mudou sua declaração doutrinária. Agora veja que na maioria das igrejas pentecostais, estão muito diferentes de quando foram fundadas. Que doutrina é essa?
Por Neto Curvina