quarta-feira, 27 de março de 2019

Triunfalismo na igreja Cristã

     Este estudo foi apresentado na Reunião de Estudo dos Pastores do Distrito Espírito Santo Norte, neste último dia 26/mar/2019.
     É um apanhado de citações e frases organizadas pelo pastor Cristian Lucas Dolvitsch, com suas fontes citadas ao final deste texto.

Introdução

“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mateus 6.19-21).
      As multidões de hoje afluem aos templos evangélicos, não para confessar e se arrepender dos seus pecados, pedir perdão e adorar ao Senhor, mas para conseguir uma boa dose de emoção. Vão em busca de curas e milagres e, principalmente, de sucesso em suas vidas. O Espírito Santo se transformou num office-boy, com a obrigação de satisfazer aos desejos dessas multidões, que não se alimentam da Palavra de Deus, mas das novidades da mídia. Elas estão acorrentadas ao seu “reality show” particular, almejando ser a parte vencedora e ganhadora de um prêmio milionário. (Fonte: www.maryschultze.com)

Conceito de Triunfalismo

Triunfalismo: Atitude de confiança absoluta ou excessiva no sucesso.

Conceito Teológico de Triunfalismo

      O Triunfalismo é um dos principais ramos dos ensinos da Teologia da Prosperidade. O fundamento teológico de tal ensino, portanto, encontra-se nas mesmas fontes do Movimento da Fé. Há duas realidades concernentes ao triunfalismo que precisam ser destacadas. A primeira, de caráter sociológico, diz respeito ao atual contexto sócio-financeiro do povo brasileiro e ao espírito consumista alimentado pela mídia. Os líderes triunfalistas abusam dessa realidade social a ponto de não prometerem apenas o necessário, mais o luxo, o sobressalente, o espetacular. A segunda está relacionada à teologia e a falsa concepção de espiritualidade. Ensinam os homens a se aproximarem de Deus pelo que Ele concede e não pelo que Ele é. A bênção, para eles, é muito mais importante do que o Abençoador.

Teologia

      É normal nos enganarmos na vida (Jr 17.9) e na teologia (Jó 42.3; Rm 11.33). As igrejas cometeram enganos (At 6.1) e ainda os cometem. Olhando o quadro geral dos equívocos dos evangélicos, pergunto-me o que os causa. Talvez seja o triunfalismo, que precisa ser denunciado e contraposto a uma alternativa: uma teologia da precariedade.
      Defino o triunfalismo como a crença equivocada de que, por sermos crentes em Cristo, devemos ser vitoriosos em tudo, jamais experimentando fracassos ou reconhecendo fraquezas físicas, morais, intelectuais e espirituais. Falta ao triunfalista o sentimento trágico da vida, um reconhecimento de suas limitações.
      A arrogância evangélica triunfalista vai das certezas inamovíveis dos teólogos até as irreverentes demandas para com Deus. A teologia da precariedade foca nossa condição espiritual precária, intelectualidade precária, moral precária, na compreensão de que não somos chamados para ser anjos, mas humanos que andam humildes diante de Deus (Mq 6.8), sabedores dos nossos limites e bondosos para com os outros em “seus” limites.
      O contraste começa na oração. O cerne da piedade precária é uma vida de oração fragilizada, modelada pelos Salmos, em que se busca comunhão e intimidade com Deus por meio da gratidão, da autoexpressão (inclusive frustrações, Sl 13.1), do autoconhecimento (Sl 90.8), da confissão (Sl 51.9), da sujeição (Sl 25.4) e da comissão (Sl 143.10), em oposição às infindáveis petições típicas da oração triunfalista, que pede mal (Tg 4.3), almeja vitórias terrenas e vê na oração uma solução mágica. A petição precária pede sabedoria e espiritualidade (Lc 11.13) para lidar com problemas e sofrimentos, encarados como algo normal, e prefere rogar com Cristo: “faça-se a tua vontade” (Mt 6.10).
      Ser cristão não garante vitória em qualquer faceta da vida, da saúde às finanças, das ideias teológicas ao ministério. Dizem que não demandá-las de Deus é falta de fé (não sabem que “’tudo’ é vaidade”? Ec 1.2).
      Demonstram falta de contentamento (1Tm 6.6). Em Cristo temos vitórias espirituais: a justificação dos pecados, a santificação pessoal, a salvação eterna. Triunfamos sobre a morte espiritual sem nunca deixarmos de ser pecadores (1Jo 1.10). A jornada espiritual até a varonilidade de Cristo é fruto da ação paciente de Deus (Cl 2.8), livrando-nos do orgulho e da rebeldia que nos tentam a vida toda (Rm 8.19).
      Seguir a Cristo é abnegação, é “tomar a cruz” (Mt 16.24). Não simplesmente sofrer, que é parte da condição humana (Tg 5.10), mas completar em nós os sofrimentos de Cristo (Cl 1.24) por meio do cumprimento de nosso ministério, assim como Cristo cumpriu o seu. Cristo não promete a seus discípulos uma vida fácil, com vitórias na vida financeira, na saúde e nos relacionamentos (Mt 10.5-23). Cristo e os apóstolos eram pobres, passavam por dificuldades (Hb 2.10), inclusive de saúde (Gl 6.11; 1Tm 5.23), e tinham toda sorte de complicações relacionais entre si (At 15.39; Gl 2.11). Estiveram presos, e viram isso como um privilégio e uma oportunidade (2Tm 1.8).
      O triunfalismo torna os crentes presunçosos (Sl 19.13). Em vez de estarmos dispostos a compartilhar todas as mazelas da existência humana, e dessa forma nos tornarmos capazes de empatia, queremos estar acima delas, e de todos os que as enfrentam. Isso leva a uma vida de mentiras que contamos aos outros e a nós mesmos. Na verdade, temos em comum uma vida de sofrimentos, enfermidades, relacionamentos imperfeitos e fracassos. Nossa fé e nossa comunhão com Deus em Cristo não impedem que enfrentemos crises e problemas, que vivenciemos fracassos, doenças e tristezas, pois são parte comum e inevitável da vida de qualquer pessoa neste mundo caído no pecado.
      A fé nos traz a esperança de um mundo melhor (Ap 21.14), a certeza de que tudo colabora para o bem (Rm 8.28), e de que nada acontece sem que Deus permita (Mt 10.29). Nossa comunhão com Cristo nos garante forças para suportar as aflições com paciência (Tg 5.11), e impede de sermos tentados pelo desânimo quando enfrentamos dificuldades na vida.
      Quando somos transformados pela ação do Espírito Santo, nos desapegamos dos bens materiais, e até do desejo neurótico pela saúde plena do corpo e da mente. Desprendemo-nos até da vida biológica como valor em si, pois já morremos com Cristo para esta vida terrena (Cl 2.11-12), e vivemos agora em Cristo e para Cristo somente, sem medo da morte biológica (Fp 1.21). Ricardo Quadros Gouvêa (RQG)

Culto e Música

      “Acredite, é hora de vencer. Essa força vem de dentro de você”. Essas palavras bem que poderiam ser extratos das frases de efeito típicas de uma palestra motivacional, ou o conteúdo de um livro qualquer de um desses gurus da auto-ajuda. Mas infelizmente não são. São parte da letra da canção “Conquistando o impossível”, composta por Beno César e Solange De César, interpretada pela “cantora” gospel Jamily, e entoada como mantra por muitos crentes por aí a fora. É um cântico que exalta a capacidade humana para vencer e conquistar o que quiser se simplesmente acreditar. Segundo a canção, “nossos sonhos a gente é que constrói”. Deus participa desse negócio simplesmente dando “asas”. O resto é por nossa conta: “Deus dá asas, faz seu voo”.  Assim, conforme a música, se o homem tiver fé de que pode voar, voará. Afinal, campeão, a “fé que te faz imbatível mostra o teu valor”.
      A fé ensinada na canção não mostra o valor do Deus que dá asas, mas o valor de quem acreditou e voou por sua própria capacidade. Toda a letra da música é uma exaltação da fé humana como recurso único para as conquistas, um tipo de glorificação do homem como ser capaz de fazer o que quiser pela sua própria capacidade de crer. A música é altamente antropocêntrica, ou seja, tudo nela gira em torno do homem e sua capacidade: “Tantos recordes VOCÊ pode quebrar. As barreiras VOCÊ pode ultrapassar”.
      Essa música até poderia ser cantada numa convenção para vendedores, na abertura dos jogos olímpicos ou na preleção de um time de várzea, mas nunca num culto, pois ela não glorifica a Deus, e sim, o homem. É uma música contaminada pelo fermento do antropocentrismo. Comparemos essa música com os cânticos bíblicos e não sobrará nada. Os cânticos bíblicos exaltam a Deus e sua glória, e submetem o homem à força de Deus; não ensinam a confiança na capacidade humana, nem atribuem à força do homem a suficiência em nenhum projeto. Essa teologia “Lua de Cristal” de que “tudo pode ser, basta acreditar” não encontra base na teologia bíblica.
      O fermento do antropocentrismo contamina a música evangélica produzindo uma igreja incapaz de prestar a Deus um culto aceitável. Uma igreja cuja expressão de adoração está contaminada pelo fermento do antropocentrismo presta um falso culto onde Deus não está no centro, e onde as pessoas não são levadas a considerar e refletir a respeito da sua incapacidade e urgente necessidade de Cristo não como incentivador de conquistas, mas como Salvador e Senhor.
      Outro fermento perigoso presente nessa canção é o fermento da auto-ajuda. Muitas canções que ouvimos hoje em dia nas igrejas são meros discursos para elevar a auto-estima do homem. São cânticos motivacionais, não verdadeiro louvor a Deus. “Acredite. Nossos sonhos a gente é que constrói”; “Você tem valor”! As pessoas ouvem essas canções para sentir-se bem consigo mesmas, elevadas, estimuladas. Essas mensagens não causam impacto na consciência quanto ao pecado, mas despertam as emoções e produzem uma falsa sensação de bem-estar. É isto que faz as pessoas frequentarem por anos a fio as igrejas e nunca se converterem; afinal, elas nunca ouvem que são pecadoras e precisam de arrependimento. Ao contrário, ouvem sempre que precisam sonhar e correr atrás dos sonhos, que tudo vai dar certo, que têm valor, e que podem até tocar o céu pela força do pensamento positivo, falsamente chamado de “fé”.
      A canção “Conquistando o impossível” é apenas um triste exemplo do que tem se tornado comum no repertório gospel. O fermento que contamina a música cantada por boa parte de nossas igrejas tem prejudicado de maneira significativa a qualidade do testemunho cristão em nossos dias. São canções que não glorificam a Deus, mas exaltam o homem; muitas não falam de pecado e arrependimento, mas prometem a possibilidade de “até tocar o céu” sem passar pela cruz. São mensagens superficiais, produzidas para agradar o gosto do mercado, e não para promover a glória de Deus e o conhecimento dele que leve o homem à Salvação por meio de Cristo Jesus. Ao sabor das conveniências, tais canções estimulam um falso cristianismo e enganam os perdidos, oferecendo-lhes uma falsa esperança de que tudo está bem. É preciso resistir a esse perigoso fermento, antes que ele levede totalmente a maneira de crer da Igreja do nosso tempo. (Postado por Agnaldo SILVA MARIANO)

Ministério

      Nos dias de hoje muitos crentes acreditam numa espécie de triunfalismo pseudocristão. Pensam que um fiel não passa por dificuldades, que não pode ter problemas financeiros ou ficar doente. Em geral, esses problemas são atribuídos ao Diabo, e pensa-se que, passar por tais dificuldades, evidencia falta de fé. Pastores ensinam os crentes a se considerarem vitoriosos sobre todos os problemas, pois são filhos de Deus, e não é justo que sofram. Devem exigir na prática o status que desfrutam como “príncipes”. Diante das dificuldades basta orar e decretar que o problema não mais existe e ele sumirá.
      Basta profetizar vitórias e todos os problemas desaparecerão. Essa “teologia” se parece muito com a filosofia de vida chamada de “pensamento positivo”. O que esta forma de pensar ignora é que o mundo está debaixo da maldição do próprio Deus, e que o fato de alguém ser crente não impede que nasçam ervas daninhas em seu quintal, nem que sua esposa tenha dores de parto (Gênesis 3.16-18). Esses são exemplos da maldição do mundo citados pelo próprio Deus.
      Outra coisa que essa forma de pensar ignora é que o próprio Deus pode enviar provações para amadurecer os crentes. Paulo experimentou em sua própria vida todo tipo de provações e dificuldades. Foi várias vezes açoitado, fustigado com varas, apedrejado, enfrentou naufrágios, perigos de todo tipo, trabalhos além das forças, fome, sede, frio e nudez (2Coríntios 11.25-27). Paulo não seria um modelo de fé para muitas igrejas da atualidade. Ele próprio fez questão de relatar um sofrimento terrível em sua vida, o qual chamou de “espinho na carne”, que o atormentava, e para o qual insistiu ao Senhor que o livrasse, mas recebeu como resposta: “a minha graça te basta” (2 Coríntios 12.7-9). Deus não retirou o sofrimento, e não adiantaria nada Paulo dizer “eu sou um filho de Deus, e decreto que esse sofrimento desapareça”, porque aquele sofrimento era para o bem de Paulo. (Ricardo Quadros Gouvêa - Professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e do Seminário Teológico Servo de Cristo).
      Pregadores do triunfalismo estão “mercadejando a Palavra de Deus”. Mercadejar refere-se a vendedores ambulantes, que percorriam ruas e cidades oferecendo suas mercadorias. Eles não tinham escrúpulos em adulterar seus produtos para lucrar mais, por isso o termo tanto significa comercializar como falsificar. Apropriadamente, a ARC os chama de "falsificadores da palavra de Deus”. O que a Bíblia está dizendo é que tais pregadores não apenas falsificam a Escritura, mas o fazem de forma deliberada com o sórdido objetivo de obter lucro para si. São comerciantes da Palavra de Deus, e comerciantes desonestos.
      É o caso quando usam a declaração "graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo" (2Co 2.14) para afirmar que Deus faz o crente triunfar "sempre" (em todo o tempo, constantemente) e "em todo lugar". Pois não é isso que Paulo está ensinando. Pelo contrário, ele refere-se ao desfile em triunfo que um general romano fazia ao retornar vitorioso de uma batalha, trazendo despojos e cativos. Ele desfilava pela cidade, seguido pelos prisioneiros, enquanto o povo o aclamava e queimava incenso. Para os prisioneiros que seriam poupados e serviriam como escravos, o perfume era agradável, pois significava a vida, mas para os que estavam destinados à execução, era um cheiro de morte. Paulo se incluía entre os primeiros, colocando-se como um escravo voluntário do Conquistador Jesus.
      Assim, mesmo aparentando estar frustrado com os resultados da sua pregação em Trôade, ele diz "graças sejam dadas a Deus", pois sendo um escravo conquistado e poupado da morte por Jesus, reconhecia o Seu direito de o levar num desfile triunfal por onde quisesse. Mas o triunfo, reitere-se, é de Jesus e não do escravo, que se contenta em ser "para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem", pois o Senhor, "por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento". E isso se dá pela pregação fiel.
      O pregador fiel não tem dúvidas quanto aos resultados de seu ministério. Sabe que a Palavra não volta vazia, antes cumpre o que Deus determinou. Nos eleitos, produzirá fé salvadora, como “aroma de vida para vida”. Mas para os réprobos, a mesma pregação produz mais endurecimento, como um “cheiro de morte para morte”. De uma forma ou de outra, Deus é glorificado e o pregador regozija-se nisso. (Clovis Gonçalves Fonte: [Cinco Solas])

Conclusão

      A igreja moderna e emergente se divorciou do Esposo Divino para se juntar a um marido adúltero chamado Humanismo. Ela se deleita em realizar os desejos carnais dos seus membros, em vez de agradar ao Senhor da Igreja. O coração desta igreja está lacrado no gazofilácio e tudo o mais é apenas detalhe para ela.
      Encher as igrejas é o objetivo de todos eles. No domingo passado, [um certo] pastor pregou no culto vespertino sobre “a necessidade dos cristãos realizarem o sonho de Deus, que é triplicar  o número de membros daquela congregação, de mil para três mil”. Fiquei pensando: “Este não é o Deus e Pai do Senhor Jesus Cristo, pois Ele não dorme nem sonha. Ele não precisa de uma igreja com milhares de pessoas cantando e rebolando. O que Lhe agrada é uma igreja [indiferente quanto ao número] freqüentada por pessoas conscientes dos seus deveres cristãos, testemunhando o valor da cruz para uma sociedade secular. Pessoas que paguem seus impostos em dia e não façam dívidas no comércio (Romanos 13:7-8); que sejam bons pais e mães de família; e bons filhos e filhas, conforme o apóstolo Paulo nos ensina em suas epístolas”. Nestas cartas abençoadas, o cristão pode conseguir tudo de que precisa para uma vida reta, diante de Deus e da comunidade, conforme a 2 Timóteo 3:16-17. (RQG)
      Expressões como: “pare de sofrer, saia da miséria, viva uma vida próspera”, ouvimos com frequência em certos lugares.
      A teologia da prosperidade tem sido ensinada e buscada por multidões. A maioria das pessoas procura um evangelho de barganha, isto é, querem comprar as bênçãos de Deus. Chegam a falar, se o Senhor fizer algo na minha vida, eu serei fiel.
      Nos tempos de Jesus não era diferente, as pessoas iam atrás dele por interesse. Queriam comer do pão material, queriam receber algo material.
      Os defensores da teologia da prosperidade não conhecem a palavra sofrimento, aliás, ensinam ao povo que o cristão não sofre.
      Fico pensando o que esses pastores tem feito do texto de 2Timóteo 3.12 que diz: “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.”
      O que falam do Salmo 34.19 “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas.”
      Como interpretam as palavras de Jesus de João 16.33?  “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (Cleverson Pereira do Valle)
      O triunfalismo também está por trás do amor ao sucesso de lideranças evangélicas que priorizam o crescimento e nivelam o ministério eclesial com o empreendimento comercial secular. Têm por modelo os empresários bem-sucedidos, ostensivamente ricos, ou as celebridades, e não os pobres caminhantes da Galileia.
      Não percebem que ministério sem o sacrifício do prestígio é o sacrifício do ministério no altar do sucesso.
      A piedade precária se contenta com ministérios desprestigiados e igrejas pequenas que encontram a sua força na fraqueza (2Co 12.10). Igrejas não precisam crescer, e não deveriam nem sequer almejar o crescimento, mas antes a fidelidade a Cristo e à vocação e testemunho cristãos. Igrejas não são fins em si mesmas, mas agências proclamadoras do reino de Deus. Por isso, elas podem ser provisórias, institucionalmente frágeis e, do ponto-de-vista secular do empreendedorismo, totais fracassos.
      O triunfalismo efetua ainda uma atitude moral equivocada em que os crentes passam a se ver como mais puros e santos que os pecadores incrédulos. O cristão é santo porque foi “separado” para a missão de seguir a Cristo. O que nos diferencia dos ímpios é sermos pecadores conscientes do pecado e da necessidade da graça e do perdão de Deus, consciência esta que os ímpios não têm.
      A moralidade triunfalista parte da criação de Deus, mas ignora a queda, e prega uma proposta de conduta idealizada, mais adequada a anjos que a homens. No paradigma da piedade precária, adota-se a redução de danos, pois vivemos em mundo caído. Então deixamos de negar que as famílias evangélicas são disfuncionais e encaramos os dramas morais dos evangélicos como o padrão, e não mais como exceções.
      O triunfalismo também nos torna soberbos intelectualmente (1Co 1.20), ignorando os efeitos do pecado sobre sua razão. A piedade precária nos convida a uma teologia fraca em que se reconhece que as opiniões teológicas e morais são apenas aproximações. Somos como cegos apalpando nosso caminho; nossas formulações doutrinárias e interpretações bíblicas são fruto da reflexão humana historicamente condicionada.
      O triunfalismo leva os evangélicos a achar que é errado ter incertezas e dúvidas, que é feio admitir a ignorância, que o questionamento é sinal de falta de fé. O cristão precário está sempre disposto a ouvir vozes discordantes, a aprender com quem pensa diferentemente, inclusive com os incrédulos. Podem-se aprender lições preciosas das pessoas mais incultas, bem como dos maiores pecadores e hereges, pois todos têm alguma lição a dar, e ninguém, além de Deus, é dono da verdade (1Co 8.1-3).
      Convido todos os evangélicos a abandonar o triunfalismo, adotando uma teologia da precariedade: caminho da fraqueza, humildade, ignorância, resignação e desprendimento. Pensemos a comunhão com Cristo como uma jornada de santificação pessoal que implica os tremendos sofrimentos advindos do abandono dos desejos e concepções do velho homem (Ef 4.22), e não nas benesses de um favorecimento da parte de Deus que nos permita obter exatamente as coisas de que deveríamos antes nos desapegar. Abandonemos os desejos carnais pelo dinheiro, pela saúde, por longevidade, cujo preço é a decrepitude.
      Sacrifiquemos nossa vida no altar divino (Rm 12.1). Abandonemos o desejo carnal por sistemas de pensamento que nos deem falsa certeza e tranquilidade (2Co 10.4-5). Que nossas opiniões sejam manifestadas com singeleza e reconhecimento da nossa imperfeição intelectual (Cl 4.6). Ambicionemos apenas que Cristo seja conhecido pelo nosso viver (Gl 2.20), ainda que saibamos desde já que também nisso fracassaremos, pois muitas vezes nossa carnalidade nos impedirá de exalar o bom perfume de Cristo (2Cr 2.14-17). (RQG)

Igreja Triunfalista
Igreja Triunfante
A igreja triunfalista marcha pelo caminho largo.
A igreja triunfante anda pelo caminho estreito (Mt 7.13-14).
A triunfalista gosta de shows.
A triunfante adora a Deus em espírito e verdade (Jo 4.23-24).
A triunfalista anima auditórios.
A triunfante prega a Palavra (2Tm 4.1-2).
A triunfalista prega o que mundo quer ouvir.
A triunfante prega o que o mundo precisa ouvir.
A triunfalista é tolerante e "inclusiva".
A triunfante apresenta a verdade com amor.
A triunfalista mostra a sua força.
A triunfante humilha-se debaixo da potente mão de Deus (1Pe 5.6).
A triunfalista quer ser reconhecida.
A triunfante dá toda glória a Jesus.
A triunfalista decreta e determina.
A triunfante clama, roga e pede (Jr 33.3; 29.13; Mt 7.7-8).
A triunfalista prospera financeiramente.
A triunfante prospera em tudo (Sl 1.1-3).
O crente da igreja triunfalista diz: "Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta". 
O da igreja triunfante ouve do Senhor Jesus: "Eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar".
A igreja triunfalista prioriza as riquezas.
A triunfante busca as coisas que são de cima (Cl 3.1-2).
A triunfalista está em torno de pastores e pregadores midiáticos.
A triunfante ouve a voz do Bom Pastor (Jo 10.27-28).
A triunfalista é antropocêntrica.
A triunfante é cristocêntrica (1 Co 1.22-23).
A triunfalista quer dominar o mundo.
A triunfante quer morar no Céu (Fp 3.20-21).
O crente da igreja triunfalista afirma: "Eu nasci pra vencer".
O da triunfante é mais que vencedor por aquele que o amou (Rm 8.37-39).

(Tabela elaborada por Ciro Sanches Zibordi)

quinta-feira, 14 de março de 2019

Árvore de Páscoa: Osterbaum


Toni Jochem (Historiador)

      Na tentativa de evidenciar as tradições trazidas pelos imigrantes alemães para o Brasil a partir do século 19, reproduzimos abaixo três pequenos textos sobre a Árvore da Páscoa (Osterbaum).
      A tradição da Árvore da Páscoa pode ser resumida da seguinte forma:
      Na Sexta-feira Santa coloque em um vaso um galho totalmente seco, sem nenhuma folha, deixando-o exposto em local visível na casa e finalmente no Domingo de Páscoa, ao levantar, ornamente-o pendurando ovos coloridos. Também é comum, em vez do galho, ornamentar uma árvore inteira localizada no jardim da casa  ou mesmo em ambientes públicos. A árvore da Páscoa pode ser retirada a partir do segundo Domingo após a Páscoa.
      De acordo com Márcio S. da Costa, no texto III, abaixo citado:
      A árvore da Páscoa é montada com um galho seco, que simboliza a frieza e morte do sepulcro de Jesus Cristo. No galho são colocadas cascas de ovos coloridas, que simbolizam a alegria da vida que significa a Ressurreição do Senhor. Colocamos ovos porque o ovo significa ou simboliza que há vida dentro dele e dali ela brota, apesar de estar escondida até o momento em que a ruptura acontece. Dentro do ovo está a vida nova que surge para a luz do sol.
      No Brasil a tradição da Osterbaum chegou com os imigrantes e até hoje é cultivada em algumas cidades principalmente em Pomerode, em Santa Catarina.

quarta-feira, 13 de março de 2019

A Páscoa e seus Símbolos

     O nome Páscoa surgiu a partir da palavra hebraica "pessach" ("passagem"), que para os hebreus significava o fim da escravidão e o início da libertação do povo judeu (marcado pela travessia do Mar Vermelho, que se tinha aberto para "abrir passagem" aos filhos de Israel que Moisés ia conduzir para a Terra Prometida).
      Ainda hoje a família judaica se reúne para o "Seder", um jantar especial que é feito em família e dura oito dias. Além do jantar há leituras nas sinagogas.
      Para os cristãos, a Páscoa é a passagem de Jesus Cristo da morte para a vida: a Ressurreição. A passagem de Deus entre nós e a nossa passagem para Deus. É considerada a festa das festas, a solenidade das solenidades, e não se celebra dignamente senão na alegria.
      Em tempos antigos, no hemisfério norte, a celebração da Páscoa era marcada com o fim do inverno e o início da primavera. Tempo em que animais e plantas aparecem novamente. Os pastores e camponeses presenteavam-se uns aos outros com ovos.

Ovos de Páscoa

      De todos os símbolos, o ovo de Páscoa é o mais esperado pelas crianças.
      Nas culturas pagãs, o ovo trazia a ideia de começo de vida. Os povos costumavam presentear os amigos com ovos, desejando-lhes boa sorte. Os chineses já costumavam distribuir ovos coloridos entre amigos, na primavera, como referência à renovação da vida. Existem muitas lendas sobre os ovos. A mais conhecida é a dos persas: eles acreditavam que a terra havia caído de um ovo gigante e, por este motivo, os ovos tornaram-se sagrados.
      Os cristãos primitivos do oriente foram os primeiros a dar ovos coloridos na Páscoa simbolizando a ressurreição, o nascimento para uma nova vida. Nos países da Europa costumava-se escrever mensagens e datas nos ovos e doá-los aos amigos. Em outros, como na Alemanha, o costume era presentear as crianças. Na Armênia decoravam ovos ocos com figuras de Jesus, imagens de santos e outras figuras religiosas.
      Pintar ovos com cores da primavera, para celebrar a Páscoa, foi adotado pelos cristãos, nos século 18. A igreja católica doava aos fiéis os ovos “bentos”.
      A substituição dos ovos cozidos e pintados por ovos de chocolate, pode ser justificada pela proibição do consumo de carne animal, por alguns cristãos, no período da quaresma.
      A versão mais aceita é a de que o surgimento da indústria do chocolate, em 1830, na Inglaterra, fez o consumo de ovos de chocolate aumentar.

Coelho


      O coelho é um mamífero roedor que passa boa parte do tempo comendo. Ele tem pelo bem fofinho e se alimenta de cenouras e vegetais. O coelho precisa mastigar bem os alimentos, para evitar que seus dentes cresçam sem parar.
      Por sua grande fecundidade, o coelho tornou-se o símbolo mais popular da Páscoa. É que ele simboliza a Igreja que, pelo poder de cristo, é fecunda em sua missão de propagar a palavra de Deus a todos os povos.

Cordeiro


      O cordeiro é o símbolo mais antigo da Páscoa, é o símbolo da aliança feita entre Deus e o povo judeu na Páscoa da antiga lei. No Antigo Testamento, a Páscoa era celebrada com os pães ázimos (sem fermento) e com o sacrifício de um cordeiro como recordação do grande feito de Deus em prol de seu povo: a libertação da escravidão do Egito. Assim o povo de Israel celebrava a libertação e a aliança de Deus com seu povo.
      Moisés, escolhido por Deus para libertar o povo judeu da escravidão dos faraós, comemorou a passagem para a liberdade, imolando um cordeiro.
      Para os cristãos, o cordeiro Pascal é o símbolo do próprio Jesus, Cordeiro de Deus, que foi sacrificado na cruz pelos nossos pecados, e cujo sangue nos redimiu: "morrendo, destruiu nossa morte, e ressuscitando, restituiu-nos a vida". É a nova Aliança de Deus realizada por Seu Filho, agora não só com um povo, mas com todos os povos.

Girassol


      O girassol é uma flor de cor amarela, formada por muitas pétalas, de tamanho geralmente grande. Tem esse nome porque está sempre voltado para o sol.
      O girassol, como símbolo da Páscoa, representa a busca da luz que é Cristo Jesus e, assim como ele segue o astro rei, os cristãos buscam em Cristo o caminho, a verdade e a vida.

Pão e Vinho


     O pão e o vinho, sobretudo na antiguidade, foram a comida e bebida mais comum para muitos povos. Cristo ao instituir a Santa Ceia se serviu dos alimentos mais comuns para simbolizar sua presença constante entre e nas pessoas de boa vontade. Assim, o pão e o vinho simbolizam essa aliança eterna do Criador com a sua criatura e sua presença no meio de nós.
      Jesus já sabia que seria perseguido, preso e pregado numa cruz. Então, combinou com dois de seus amigos (discípulos), para prepararem a festa da Páscoa num lugar seguro.
      Quando tudo estava pronto, Jesus e os outros discípulos chegaram para juntos celebrarem a ceia da Páscoa. Esta foi a Última Ceia de Jesus, antes de sua morte e ressurreição.
      A instituição da Santa Ceia foi feita por Jesus na Última Ceia, quando ofereceu o pão e o vinho aos seus discípulos dizendo: "Tomai e comei, este é o meu corpo... Este é o meu sangue...
      A Páscoa judaica lembra a passagem dos judeus pelo mar vermelho, em busca da liberdade. Hoje, comemoramos a Páscoa lembrando a jornada de Jesus: vida, morte e ressurreição.

Sino


      Muitas igrejas possuem sinos que ficam suspensos em torres e tocam para anunciar as celebrações.
      O sino é um símbolo da Páscoa. No domingo de Páscoa, tocando festivo, os sinos anunciam com alegria a celebração da ressurreição de cristo.

Bíblia

      Confira a verdadeira Páscoa cristã celebra a Cristo Ressuscitado! Confira em sua Bíblia:
Mateus 28.1-10
Marcos 16.1-8
Lucas 24.1-12
João 20.1-10

Infelizmente o autor desta pesquisa não se identificou. A única referência que tenho é de que foi feita para a Páscoa de 2012. Se você conhece ou é o autor, identifique-se para dar os devidos créditos.


Rev. Jarbas Hoffimann

Congregação Castelo Forte
Nova Venécia, ES
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

quarta-feira, 6 de março de 2019

E a Bíblia serve pra quê?

“Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver.” (2Timóteo 3.16)
      Na sua casa onde fica a Bíblia? Será que tem uma Bíblia lá? Se não tem, corra, coloque uma Bíblia em sua casa. Mas não a coloque como um amuleto. Use-a para aquilo que Deus nos deixou sua Santa Palavra. 
      Paulo, ao falar a Timóteo lembra que a “Escritura Sagrada é inspirada por Deus”... Mesmo que tenha sido escrita por homens, estes homens agiram movidos pelo Espírito Santo e relataram aquilo que de Deus ouviram. É, em todas as suas letras, Palavra de Deus.
      É útil. Muito útil. Não para embelezar o centro de uma mesa ou para ganhar um espacinho ao lado da estante da TV de 100 polegadas... Cada um na casa deveria ter a sua Bíblia. Desde a Bíblia do bebê, passando por aquelas que são mais fáceis de usar no culto e também Bíblias de estudo. Pois o cristão estuda a Bíblia. Se não estuda... Acaba cedendo aos ataques de Satanás e afastando-se de Deus.
      A Bíblia ensina a Palavra de Deus. Ensina o que Deus espera de nós (por exemplo nos mandamentos, em Êxodo 20)... Mas acima disto, mostra tudo que Deus, em Jesus Cristo, fez por nós. Como desde a queda em pecado: Gênesis 3, passando pela condenação por este pecado (Gn 3.15) e a promessa do Salvador no mesmo versículo. Segue pela história do povo de Deus até chegar no dia da salvação, quando Jesus grita “Eli, Eli, lemá sabactani?” (Mateus 27.46). E não termina aí. Jesus ressuscita e no início do livro de Atos a Igreja começa a testemunhar de seu Salvador que um dia voltará.
      Enquanto não volta, a Bíblia nos ensina a verdade, condena o erro, corrige nossas faltas e ainda ensina a maneira certa de se viver... Então, onde está a Bíblia na sua casa? Espero que em todos os lugares. E até nos celulares.
      E Deus abençoe a leitura deste livro da Vida Eterna.

      Ore: Senhor misericordioso, ensina-me a valorizar o estudo de tua Palavra e a viver o que ela ensina, para crescer na fé, no meu Salvador Jesus. Amém.

[Para acompanhar nosso programa de leitura bíblica, veja aqui.]


Rev. Jarbas Hoffimann

Congregação Castelo Forte
Nova Venécia, ES
Igreja Evangélica Luterana do Brasil