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domingo, 16 de dezembro de 2018

Abra-se o mar


      Há uma música assim: “então eu direi: abra-se o mar. Então passarei pulando e dançando em sua presença”. Muito bonita a música. Muito animada. Enfim.

Muito há desse pensamento hoje em dia. De que as grandes coisas registradas na Bíblia vão se repetir na vida diária das pessoas. Mas uma olhada geral no Livro Sagrado já indica o contrário. O mar não foi aberto muitas vezes, foi só uma. A Abraão se pediu o sacrifício de seu filho uma única vez e a mais nenhum cristão foi aplicado um teste de fé tão difícil. Jesus não ressuscitou todas as pessoas da sua época, nem curou todos os doentes. Então, não é porque aquela vez, com propósito específico, Deus abriu o mar, fez mortos ressuscitarem, mandou pão do céu, fez o sol parar... Que ele vai fazer isso de novo quando eu quiser.
Deus age sempre com propósitos. E o principal propósito de Deus é salvar as pessoas. Por isso Jesus algumas vezes pedia: não falem ainda... Outra vez, quando já era hora e ele estava descendo pra ser julgado e crucificado, ele disse: “Então tiraram a pedra. Jesus olhou para o céu e disse: Pai, eu te agradeço porque me ouviste. Eu sei que sempre me ouves; mas eu estou dizendo isso por causa de toda esta gente que está aqui, para que eles creiam que tu me enviaste. Depois de dizer isso, gritou: Lázaro, venha para fora!”. (João 11.41-43) O propósito não era simplesmente a ressurreição de Lázaro. Mas era mostrar que ele era mesmo o Messias e que viera para fazer a vontade do Pai e salvar a humanidade de seus pecados.
Não. Deus não vai abrir o mar só porque você quer. Mas ele vai te socorrer em todas as vezes que o mar ameaçar te afogar. Seja o mar a falta de emprego, de dinheiro, de paz, de esperança... Deus prometeu estar com você (Mateus 28.19-20) e ele estará. Mas talvez você tenha que passar por problemas, porque o mundo traz problemas. Todos os temos. Ter problemas não significa que Deus te abandonou. Cada um dos discípulos teve problemas. Alguns foram martirizados, mas hoje vivemos um tempo em que dizem pra você que cristão não vai ter problemas. É mentira. Deus nunca prometeu isso. Porém Jesus prometeu: “Eu digo isso para que, por estarem unidos comigo, vocês tenham paz. No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem. Eu venci o mundo.” (João 16.33). E aqui a chave para entender a grande diferença: Jesus nunca prometeu que nós venceríamos NO mundo, mas ele prometeu que venceríamos O mundo. Ou seja. Passar por problemas não é igual a ser derrotado. Sucumbir ao desânimo e falta de fé, isso é ser derrotado. Fomos chamados para vencer O mundo e quando alcançamos o fim de nossa vida, com a fé em Jesus Cristo, daí sim: vencemos O mundo. Talvez, aos olhos do mundo, sejamos derrotados. Como o próprio Jesus pareceu derrotado no alto da cruz. Mas sabemos que aquela foi a maior vitória de todos os tempos. Vitória que não nos abriu o mar. Mas abriu as portas do céu para todo o que crer.
Jarbas Hoffimanné formado em Teologia
e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil,
em Nova Venécia.
www.facebook.com/pastorjarbas

segunda-feira, 23 de abril de 2018

O Paradoxo Pentecostal (parte 1)

Acredito que este texto traz uma reflexão muito importante.
Veja:
Há cerca de um século, o mundo protestante se viu invadido por um movimento avivalista que recebeu o nome de movimento pentecostal. Este recebeu tal título por supostamente basear-se nos fatos acontecidos no célebre dia de pentecostes que ocorreu após a ascensão de Cristo aos céus, e que é detalhadamente explicado no capítulo 2 do livro de Atos dos Apóstolos. Segundo seus propagadores todo crente deveria buscar a mesma experiência vivida pelos apóstolos nesse dia, ou seja, segundo eles todos devem falar em línguas (alguns também chamam línguas estranhas). E ainda, segundo suas idéias, isso se dá o nome de batismo com Espírito Santo. Todo crente deve, segundo a doutrina pentecostal buscar essa experiência. Como já dissemos, praticamente um século se passou e muitos, extremamente mal instruídos e preparados não se aperceberam de que o referido texto não fala em batismo. Que essa experiência só se repetiu mais duas vezes, em cumprimento a uma profecia de Jesus. E que falar em línguas é um dom do Espírito Santo, como o são outros oito descritos em I Coríntios 12. Outros líderes, entretanto, mesmo sabendo do engano, seguiram com a doutrina equivocada, mesmo porque já era tarde para reparar o equívoco. Afinal, como explicar para os milhares de membros das denominações pentecostais que eles foram ensinados errado até agora? Seria como se um padre viesse a público e dissesse: não adorem Maria, foi tudo um engano! Imagine o caos que seria!
Teólogos renomados, no afã de defender suas fileiras chegaram ao cúmulo de afirmar que só quem fosse batizado com o Espírito Santo, ou seja, falasse em línguas estranhas, poderia estar à frente do trabalho do Senhor. Coitados. Esqueceram Lutero, Calvino, Spurgeon e Martin Luther King, só para citar os óbvios, que nunca falaram nenhuma língua estranha e tocaram a obra cheios da unção de Deus.
Com o advento do pentecostalismo passou a se ver nas igrejas algumas coisas nunca vistas antes. O que antes era um culto racional tornou-se um centro de emocionalismo exacerbado, onde na grande maioria dos casos as pessoas quase nunca conseguem ouvir a pregação da Palavra de Deus. A coisa chegou ao ponto de pastores recriminarem irmãos que não choram na hora do culto. O barulho alcançou decibéis muitas vezes insuportáveis, e é de se imaginar nesses momentos como Jesus ou Paulo pregavam. Alguém poderia imaginar o Rei dos Reis pulando e correndo enquanto pregava o evangelho da salvação? Ou mesmo Paulo de Tarso pulando em um pé só ou atirando-se ao solo urrando ou gemendo? Essa modificação homilética chegou com o pentecostalismo, que confundiu pregações avivadas, como as de Wesley, com barulho emotivo e vazio. Passagens com Eclesiastes 5.1-2; Habacuque 2.20; Romanos 12.1 e 1Coríntios 14.40, perderam completamente o sentido, sendo sumariamente ignoradas.
Com o tempo a coisa foi piorando. Além da exigência infundada de que as pessoas deveriam buscar a todo custo algo que elas já teriam (o batismo com o Espírito Santo), os cultos passaram a ser classificados. Culto frio: onde se prega a Palavra de Deus de forma clara e fiel, sem invenções ou arroubos. Culto quente: onde as pessoas gritam, pulam e se descabelam. Sobem nas cadeiras, saem correndo pela igreja, sacodem uns aos outros e coisa pior. A lista é grande. Lembrando sempre: estas coisas se dão dentro da Casa de Oração do Senhor dos Exércitos. A Palavra de Deus foi perdendo terreno aos poucos. As visões, profecias, arrebatamentos e outros sinais, além das línguas passaram a ser componentes indispensáveis para que um culto fosse considerado com unção.
Além disso, surgiu uma teologia estranha à Bíblia acerca de vestes, que logo se tornou uma imposição farisaica, e que persiste até hoje.
Interessantíssimo é ver que igrejas da mesma denominação, associação ou convenção, que são regidas pelo mesmo estatuto ou regimento interno, não pregam a mesma coisa. Em uma igreja mulher é obrigada a usar saia. Em outra pode usar calça. Em algumas, brincos são permitidos, em outras são vistos como coisas de satanás. Mas final, não são os líderes mensageiros de Deus? Terá Deus duas palavras? Acredito que não. Algo está errado. Depois de anos e anos de perseguição, as denominações pentecostais estão sendo desmascaradas nesse ponto. E como ficam os crentes de décadas passadas, que foram sumariamente perseguidos por seus líderes nessa questão, e que hoje veem as coisas mudadas? Será que há trinta anos Deus proibiu uma coisa e hoje esse mesmo Deus liberou-a? Ou será que na verdade não era a voz de Deus que estava falando, e sim a voz do homem?
Observe uma igreja tradicional (por exemplo, uma Presbiteriana ou uma Batista) e veja quantas vezes ela mudou sua declaração doutrinária. Agora veja que na maioria das igrejas pentecostais, estão muito diferentes de quando foram fundadas. Que doutrina é essa?
Por Neto Curvina

Leitura Bíblica para a Quaresma 2026

Você sabe o que é a Quaresma? Muita gente acha que é o tempo de sofrimento e privação (jejum etc...) que começa depois do carnaval. Infelizm...