sábado, 31 de dezembro de 2011

Os maias, o fim e o medo

fim do mundo 2Só  falta esta agora, o mundo acabar em 2012. Mas, e a Copa em 2014? As Olimpíadas em 2016? A gente brinca, mas o assunto é sério. Esta agitação sobre o calendário dos maias lembra um episódio parecido há dez anos. Naquela época uma profecia de Nostradamus fez muita gente acreditar que o mundo terminaria no dia 11 de agosto de 1999 – no último eclipse do século e do milênio. Lembro-me que a mídia criou um grande sensacionalismo, aproveitando o mito antigo “a mil chegará, de dois mil não passará”. Já se foi uma década, e é só espiar no retrovisor da história para desvendar uma infinidade de profecias que não deram em nada.
Mas o que dizer da promessa bíblica sobre a volta de Cristo e o juízo final? É outro mito de gente fanática que escreveu a Bíblia? Na verdade,  o “novo céu e a nova terra” (Apocalipse 21.1) é uma das doutrinas básicas da fé cristã, professada no “creio em Jesus Cristo que virá para julgar os vivos e os mortos; creio na ressurreição da carne e na vida eterna”. E por mais que seja um assunto que faz muita gente torcer o nariz, hoje a própria ciência anuncia um “apagão” completo e definitivo de nosso planeta e do sistema solar. Conforme a série Poeira das Estrelas apresentada no Fantástico em 2006, o Universo tem um tempo de validade. Isto sem contar os alertas contra a destruição ambiental da Terra.
Em todo o caso, para os cristãos que aguardam a volta de Jesus, servem as palavras do próprio Cristo: “Ninguém sabe nem o dia nem a hora em que tudo isto vai acontecer” (Mateus 24.36). E se Pedro lembra que nos últimos dias vão aparecer pessoas dominadas pelas suas próprias paixões que vão zombar, dizendo: “Ele prometeu vir, não foi? Onde está ele?” (2 Pedro 3.3,4), por outro, o Salvador faz o alerta contra a aparição de muitos falsos messias e profetas anunciando o fim do mundo. De um lado, a total descrença – apoiada pela ciência puramente racional; de outro, a crença em qualquer coisa que aparece – alimentada pelo misticismo moderno.
Acho que estas profecias são semelhantes aos barulhentos sistemas de alarmes contra ladrões que a toda hora disparam por engano. Além de incomodar, ninguém mais acredita. No tempo em que as trombetas anunciavam o perigo, já se alertava: “Não acreditem em todos os que dizem que tem o Espírito de Deus. Ponham à prova essas pessoas para saber se o espírito que elas têm vem mesmo de Deus; pois muitos falsos profetas já se espalharam por toda a parte” (1 João 4.1). Mas, e se o alarme for verdadeiro? Creio que, mesmo quando a Bíblia anuncia que o “Dia do Senhor chegará como um ladrão”, o melhor jeito é estar preparado e receber um Jesus amigo – não alguém que nos faz sentir medo.
Marcos Schmidt
pastor luterano   
marsch@terra.com.br
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
19  de novembro de 2009

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Arrumação no armário

guarda_roupa Achei oportuna a dica de uma consultora de organização: “Seu armário anda abarrotado e, apesar disso, você tem sempre a impressão de que não há nada adequado à ocasião para vestir? Com a chegada do Natal e do fim de ano, é uma boa hora de dar uma reciclada em tudo. Doe todas as peças que não usou nenhuma vez em 2009. Junte as roupas que não servem mais, os acessórios que não vale a pena consertar, o que caiu de moda e, principalmente, os itens que comprou por impulso e que não combinam com você”.
O armário de roupas, na verdade, diz muita coisa sobre nós. Ele é nossa cara. Ou melhor, é o nosso coração. E se antigamente eram pequenos, com poucos cabides, e hoje são grandes e com múltiplos compartimentos, isto já diz tudo. Nos entulhamos com coisas e ficamos sem espaço para guardar o que interessa. Por isto, se existe vontade para organizar o roupeiro, desfazer-se daquilo que é supérfluo, e doar para alguém que precisa, interessante a dica de outro consultor: “Livrem-se de tudo isto: da raiva, da paixão e dos sentimentos de ódio (...) Vistam-se de misericórdia, de bondade, de humildade, de delicadeza e de paciência” (Colossenses 3.8,12).
Estupidamente, não é só de tralhas materiais que a gente se enche durante o ano. Existem coisas que sobrecarregam o coração, que deixa o interior mofento, lugar onde as traças corroem e estragam o perfume da vida. Por isto outro recado: “Não fiquem irritados uns com os outros e perdoem uns aos outros” (Colossenses 3.13). Este é o pior badulaque do armário, o ressentimento. Ele atrapalha o dia a dia, tira o espaço da alegria. E pior, não serve para nada.
Mas isto não é fácil. Aliás, impossível quando se busca dentro do próprio roupeiro o poder da decisão e a coragem para a arrumação. O milagre vem de fora. Ou como explica o texto sagrado: “Pensem nas coisas lá do alto e não nas que são aqui da terra. Porque vocês já morreram, e a vida de vocês está escondida com Cristo, que está unido com Deus. Cristo é a verdadeira vida de vocês” (Colossenses 3.2-4). “Pensar nas coisas lá do alto” é experimentar o conselho do verso 16: “Que a mensagem de Cristo, com toda a sua riqueza, viva no coração de vocês”.
A consultora tem razão, no armário tem muitos itens comprados por impulso e que não combinam com a nossa imagem. Isto porque já deixamos de lado a natureza velha com os seus costumes e nos vestimos com uma nova natureza – a nova pessoa que Deus está sempre renovando para que fique parecida com Ele (Colossenses 3.9,10).
Dois mil e dez não é outro ano. É o mesmo armário, apenas com 365 compartimentos limpos, higienizados. O que vamos tirar e colocar em cada um deles depende mesmo do que estamos vestindo. Uma feliz nova arrumação...
Marcos Schmidt
pastor luterano
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo
Novo Hamburgo-RS
31 de dezembro de 2009

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Ano Novo que já ficou velho

angra1-g-juanguatimi-20100101 O que mais virá neste ano que já ficou velho? “Não há nada de novo neste mundo”, já disse o sábio três mil anos atrás. Por isto a conclusão: “Todas as coisas levam a gente ao cansaço” (Eclesiastes 1.8). Sim, já estamos sem fôlego no começo, cansados em ver e ouvir tanta coisa ruim. E mesmo assim não querendo acreditar que “tudo é ilusão” (1.2). Ilusão do paraíso que virou inferno. Olhei as fotos da pousada Sankay em Angra dos Reis antes e depois da tragédia. A vida humana é assim. Se as avalanches não soterram sonhos e projetos em segundos, desfazem-lhes lenta e progressivamente em poucos anos. Qual a diferença quando tudo tem o mesmo destino? É só comparar as nossas fotos atuais com as amareladas, aquelas do tempo quando éramos jovens. Parece que foi ontem, resmungamos. Mas o Senhor Calendário não discute nem manda recados. Terrível mesmo quando surge a Senhora Tragédia. Inesperadamente, sem aviso prévio, no meio da noite sob o assombroso estrondo de um morro que despenca, ou de cima de uma ponte que cai, ou num acidente de carro, num afogamento... A dita cuja nem está aí com nossos votos para “que tudo se realize no ano que vai nascer”. Ela simplesmente aparece proclamando o que teimamos apagar da lembrança: “Estamos em perigo de morte o dia inteiro” (Romanos 8.36).
pousadaangra1 Mas então, como seguir adiante? Fazendo de conta que tudo é um eterno rèveillon? Isto só piora as coisas. Precisamos de base, de solidez. Ouvi de um especialista que avalanches deste tipo em Angra acontecem em grande parte porque a base do morro é comprometida. Ora, isto é em tudo. A sociedade está se desmanchando porque a família ruiu. A família está rolando morro abaixo porque o casamento se foi. As relações humanas estão deteriorando porque o respeito não existe mais. E se o assunto é fé, Jesus é pontual: “Quem ouve os meus ensinamentos e vive de acordo com eles é como um homem sábio que construiu a sua casa na rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, e o vento soprou com força contra aquela casa. Porém ela não caiu porque havia sido construída na rocha” (Mateus 7.24,25).
Precisamos de ajuda, pois estamos nas encostas dos montes e não temos para onde fugir. Mas, “olho para os montes e pergunto: De onde virá o meu socorro?” A resposta é oportuna: “O meu socorro vem do Senhor Deus, que fez o céu e a terra” (Salmo 121.1-2). Por isto “não teremos medo, ainda que a terra seja abalada e as montanhas caiam nas profundezas do oceano” (Salmo 46.2). “Pois eu tenho a certeza que nada pode nos separar do amor de Deus: nem a morte, nem a vida (...) nem o presente, nem o futuro” (Romanos 8.38). É o único jeito de encarar o ano novo que já ficou velho...
Marcos Schmidt
pastor luterano
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo
Novo Hamburgo-RS
7 de janeiro de 2010

sábado, 24 de dezembro de 2011

Agulhas de Natal

presépio O que a história do Natal e a do menino das agulhas têm em comum? O padrasto! Por isto Deus escolheu a dedo o pai emprestado de Jesus. Imaginem se José fosse um cara ciumento? Ele até pensou em desfazer o noivado, tudo de maneira sigilosa, sem difamação. Mas o anjo logo desfez o mal entendido: Ela não te traiu, “ela está grávida pelo Espírito Santo” (Mateus 1.20). Por pouco a salvação da humanidade teria sido um “fracasso de Copenhague”. E se não fosse outra vez o aviso do anjo, o bolo de Natal teria desandado logo após a visita dos reis magos, desta vez com as agulhas de Herodes. Por isto a importância de um bom padrasto, que “se levantou no meio da noite, pegou a criança e a sua mãe e fugiu para o Egito”. No final da história – final para alguns – nem José nem o Pai verdadeiro “conseguiram” livrar Jesus das agulhadas da cruz. Era o único caminho. Mas este é outro capítulo, ou o mesmo, pois a manjedoura de Belém e a cruz do Calvário são da mesma madeira. Como disse a profecia, “... será como um ramo que brota de um toco, como um broto que surge das raízes” (Isaías 11.1).
Mas, e as agulhas? De onde vem o broto delas? De um só lugar! Das raízes da natureza humana. E se a gente fica perplexo por um Herodes enraivecido, que elimina em Belém os meninos abaixo de dois anos, ou fica abismado por um padrasto ciumento que crava agulhas no corpo do enteado – então é hora de acordar para a realidade. Afinal, este é o nosso mundo bem humano (não desumano). É só conferir a história, ler os jornais, espiar pela janela... Nada mudou! Crianças e fracos pisoteados, injustiçados, dominados, trucidados... E tudo por tronos e reinos.
Mas é preciso antes olhar no espelho. Pois tronos e reinos todos desejam. Aquele emprego, aquela casa, aquele carro, aquela mulher... Conquistas que colocam sobre a minha cabeça a coroa do “tu é o cara”. Mas quantos eu preciso aniquilar? Quantas agulhas encravar? Pode parecer dramático, mas não foi Jesus quem disse “aquele que não tem pecados que dê a primeira agulhada”?
O fanático Saulo, padrasto da religião, mais tarde reconheceu: “A minha natureza humana me torna prisioneiro da lei do pecado que age no meu corpo. – Como sou infeliz! Quem me livrará deste corpo que me leva para a morte?” A reposta vem logo depois: “Nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 7.25). Esta é a redenção para todos – nós que temos a alma crivada com agulhas da inveja, ciúme, egoísmo, ódio... (Gálatas 5.19). A solução é o Cirurgião dos cirurgiões que liberta de tudo isto e “produz amor, alegria, paz, paciência, delicadeza, bondade, fidelidade, humildade e domínio próprio” (Gálatas 5.22,23).
Esta é a realidade do Natal ainda hoje – bons e maus padrastos. Foi Jesus mesmo quem disse: Tudo o que você fizer a um pequenino, está fazendo para mim.
Marcos Schmidt
pastor luterano
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo
Novo Hamburgo-RS
24 de dezembro de 2009

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

o aniversário sem aniversariante


Jesus veio para o que era seu, e os seus não o receberam (João 1.11).

HAVIA uma propaganda na TV em que apareciam enfeites e árvore de Natal, um monte de papais-noel e até neve, mas o rapaz só percebeu que o Natal chegou quando viu uma loja de certa marca de perfumes. "Nada lembra mais o Natal do que o perfume tal...", dizia a propaganda.

É incrível como hoje até perfume virou símbolo do Natal. E muita gente só vê que o Natal está próximo por causa das "musiquinhas" de "blim-blom" ou "deixei meu sapatinho..." nas lojas, para atrair os clientes.

AGORA, imaginem uma festa de aniversário. Tudo está pronto: a comida, os docinhos, o bolo, a bebida, os enfeites e a música. Os convidados chegam e, na hora de cantar os parabéns e entregar os presentes, descobrem que o aniversariante não está ali! É um aniversário sem aniversariante – situação muito estranha, pois o principal motivo da festa, o ponto central, não está presente.

POIS é exatamente assim que muita gente comemora o Natal. Preparam comida, bebida, enfeites, música e presentes, mas o aniversariante não está presente na festa – no máximo é lembrado vagamente – mas geralmente é substituído por outro, que é só de mentirinha e esperado por todas a crianças...

MAS, imaginem se neste Natal misteriosamente sumissem as compras, os presentes, as comidas e bebidas, o pinheirinho, os enfeites e, junto com tudo isso o próprio papai Noel! O que seria do Natal assim? Teria alguma graça? Quem sabe poderíamos fazer um teste: neste ano esquecer estas coisas e ficar com o que realmente interessa – o aniversariante, JESUS!

SEM dúvida, se o Natal é apenas o que se vê nas vitrines, repletas de novidades para pagar em várias vezes no crediário, ou o que se come em mesas fartas (e outras, miseráveis), então é a coisa mais chata que existe, pois é um aniversário sem o aniversariante. É uma fantasia que passa, como o próprio papai Noel.

CERTA vez um repórter estava nas ruas de Tókio, Japão, na época do Natal. Lá também o comércio vende muito com a propaganda de Natal. Na calçada, o repórter perguntou a uma moça qual o significado do Natal. Rindo, a moça disse: "Eu não sei. Não é o dia em que Jesus morreu?"

ELA não estava totalmente errada em sua resposta, pois para muitos Jesus não existe no Natal, mas sim papai Noel, duendes e perfumes. Jesus é mero detalhe, e o Natal é um aniversário sem aniversariante.

E o seu Natal, como será? Graças a Deus que o Natal continua tendo seu valor verdadeiro, apesar das distorções humanas. O Natal é a sublime e única história de que nasceu o Salvador do mundo, Cristo, o Senhor!

POR isso, desejamos a você e sua família um FELIZ NATAL VERDADEIRO: NATAL COM CRISTO NO CORAÇÃO E NA FAMÍLIA!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Bugigangas de Natal

presentes debaixo da árvore Tem uma explicação bem simples para este sentimento contraditório de frustração nesta época do ano! Somos bombardeados por votos de paz, felicidade, esperança – mas não é isto que vivemos. Natal e final de ano, apesar das festas, confraternizações, presentes, comida e bebida, carrega um sentimento de vazio, solidão, perda, fome e sede... Aliás, é zona de alto risco para o suicídio. “Eu quero paz”, suplica Leila Lopes, expondo um desejo de todos. “Estou cansada, cansada da cabeça! Não aguento mais pensar, pagar contas, resolver problemas”, reclama a estrela decadente. E pior que a gente se enche cada vez mais de compras e contas, na esperança de ser feliz com as últimas novidades. Mas logo depois descobre que tudo é velho. Por isto, não adianta salvar o clima do planeta se a gente entulha o mundo e o coração com lixo, e fica vazio daquilo que nunca estraga.
Mas Natal só tem sentido onde o clima está pesado. Afinal, o Deus que nasce humano vem resgatar os flagelados. É o socorro bem aventurado, a felicidade para os pobres de espírito – os que choram, os humildes, os que têm fome e sede (Mateus 5.3-6). É a resposta para os que emitem sinal SOS:
“Ó Senhor, ouve a minha oração e escuta o meu grito pedindo socorro” (Salmo 102.1).
Mas escreveu o teólogo: “O Senhor Jesus veio a uma humanidade acostumada com uma profunda miséria e desgraça, e feliz numa situação em que ninguém pode ser feliz – a menos que não esteja certo da cabeça”.
Este é o problema. Não é o aquecimento da Terra pela fumaça que vai para cima. É o esfriamento do coração que impede o amor para baixo.
“Aquele que é a Palavra veio para o seu próprio país, mas o seu povo não o recebeu” (João 1.11).
tristeza - depressao Como se vê, o primeiro Natal não foi diferente. Não tinha bugiganga debaixo do pinheirinho, mas já havia arrogância mesmo na desgraça. Por isto a tosca estrebaria, pois não havia lugar nos lares. Por isto os campos de Belém, pois as cidades estavam apinhadas de gente atarefada. Por isto os pastores de ovelhas, pois os sacerdotes eram lobos. Por isto os reis magos bem de longe, pois as pessoas de perto viviam distantes. Natal continua isto, é presente usado, é presente descartado.
“É um menino que foi escolhido por Deus tanto para a destruição como para a salvação de muita gente” (Lucas 2.34).
Mas se Natal ainda existe, é porque a estrela não apagou. É porque ainda se canta “Oh! Jesus, Deus da luz, quão afável é teu coração que quiseste nascer nosso irmão para todos salvar”. É a promessa de que
“Deus mandou o seu Filho para salvar o mundo e não para julgá-lo” (João 3.17).
E se é um tempo de gente deprimida, então é a chance. Pois
“no meio delas vocês devem brilhar como as estrelas nos céus, entregando a elas a mensagem da vida” (Filipenses 2.15,16).
Marcos Schmidt
pastor luterano
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo-RS
17 de dezembro de 2009