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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O cristão (de verdade) e a política

Você sabe quando foi que os “cristãos” começaram a ser chamados de “cristãos” e por quê?
O livro de Atos dos Apóstolos, no capítulo 11.26 diz: “Foi em Antioquia que, pela primeira vez, os seguidores de Jesus foram chamados de cristãos.” Antes tinham sido os “do caminho”... Agora estava definido o nome que perduraria pelos séculos. Que tremularia em bandeiras e empossaria e destituiria reis… Que levaria pessoas a (impensáveis) guerras “em nome de Deus” (mas que Deus nunca pediu)... Mas também, um nome que, acima de tudo, traz a paz. O cristão, essencialmente é alguém que busca paz… Quando vai à guerra por iniciativa, não está agindo como cristão.
E por que foram eles chamados de cristãos? Porque eles eram um grupo que se distinguia dos demais. Precisavam de um nome que os identificasse, assim como fazemos ainda hoje com pessoas que se comportam de uma mesma forma… São os “hippies” (esses já nem existem mais, ou estão por aí vendendo seus artesanatos…), são os emos, os “haters” (esse é bem atual: são pessoas que apenas destilam ódio e crítica, coisa bem comum na rede). Estes grupos que cito, são distinguidos por seu comportamento de vestimenta, atitude, modo de falar. Os cristãos também receberam seu nome por causa de seu modo de agir, falar, andar, pensar, adorar, tratar o próximo… Aliás, tem muito religioso por aí, que fala de Jesus, mas não são mais conhecidos como cristãos. Outros nomes suplantam o Cristo… E sem Cristo, sem cristianismo...
“Todos os que creram pensavam e sentiam do mesmo modo. Ninguém dizia que as coisas que possuía eram somente suas, mas todos repartiam uns com os outros o que tinham.” (Atos 4.32) NOTE BEM: isto não é a instituição do socialismo. Jesus não era nem comunista, nem socialista, nem outro regime que você queira impor a ele. Não era de esquerda, quando distribuiu o pão, nem de direita, quando às chicotadas limpou o templo… O reino dele nem era desse mundo. E ele mesmo pediu para se respeitar as autoridades, dando a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
O texto de Atos 4 trata do amor demonstrado aos irmãos. É um texto que fala da vida sabendo que ela passará e o que temos precisa servir para o bem comum. Para alimentar o faminto, etc… Tudo marcado pelo amor, não pela obrigação… Pela fé, não pela imposição.
Assim, vivendo dessa forma, os cristãos se destacavam no meio dos outros.
Mas e como aplicar isto à política? Repito: Jesus não foi político de carreira, embora fizesse seus discursos. Não queria tomar o poder e nem precisava, sendo Deus Todo-Poderoso.
Mas como aplicar o cristianismo à política? Pode um cristão (e um líder cristão) ser e se envolver com política?
Vamos tentar:
Primeiro: o cristão, além de cidadão do céu (Filipenses 3.20), é também cidadão no lugar onde vive. E nesse lugar ele precisa fazer, por amor, todo o bem que lhe for possível fazer.
Segundo: como cristão e querendo o bem de todos, um caminho (não o único) pode ser a política.
Terceiro: como cristão e político, ele nunca buscará o bem próprio ou de sua denominação religiosa. Cristão que entra na política para ganhar favores para a sua igreja é uma raça desprezível e que deveria ser banida do meio político. Porque é mais um que só pensa em benefícios próprios. O cristão, seja ele de qualquer denominação, entende que precisa buscar, na política, o bem para todos. Aliás, o bom político é assim.
Seja esse “todos”, cristão, espírita, budista, ateu, ou qualquer outra coisa que se defina. Essas bancadas “evangélica”, “católica”, etc… São uma aberração simplesmente por existirem. Eu nunca votei e nunca votaria em alguém que, mesmo da minha igreja, se propusesse a defender apenas os direitos da minha religião. Assim como não votaria em candidatos de sindicatos que só querem “puxar a brasa pro seu assado”, assim como não votaria em ninguém que não se preocupasse com o bem coletivo.
Quarto: fuja de candidatos que usam da religião para parecerem melhores que os outros. Não votaria em “padre”, “pastor”, “missionário”, “evangelista”, “pai-de-santo”, ou quer outra denominação. Líderes religiosos que usam sua função para se eleger estão usurpando de um cargo e de uma função que lhes foi conferida não para serem eleitos, mas para servirem à sua igreja.
Se quiser ser candidato, que seja, mas não use a fé dos outros para angariar votos. Assim como, por lei, jornalistas, apresentadores de TV, radialistas e outros têm que se afastar da sua função para poder concorrer. Os religiosos deveriam ser os primeiros a livremente abdicar de suas funções (nem usando o nome do cargo) como exemplo.
Não quis falar isso durante o período eleitoral, para não prejudicar ou ajudar involuntariamente alguém. Mas agora é hora de, junto com os que foram eleitos, buscar o melhor para toda a cidade.
Você quer participar da política? Participe. Mas se é cristão, lembre que acima de tudo, você representa e precisa levar o amor de Cristo a TODOS.

Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)

Estes e outros artigos são publicados no Jornal Correio 9, de Nova Venécia (curta para ser avisado das edições diárias, leitura completa online): https://www.facebook.com/correio9

terça-feira, 21 de junho de 2016

Vai um cafezinho aí? Bom de verdade.

Mais um “achado” científico muda o que antes a ciência dava como certo. Mas desta vez; que bom! Pode-se tomar o café sem se preocupar se ele causa ou não câncer. Por 25 anos se indicava que causaria a temível e terrível doença. Agora “sabe-se” (sabe-se lá até quando se saberá) que é (ou deve ser) a temperatura muito elevada o “gatilho” do câncer… Daí quem ainda se manteve na mira foi o amado “chimarrão galdério”, que é servido na temperatura de fervura (este é o ponto da temperatura da água).
Certamente, você que é um pouco mais velho, lembra de quantas vezes as pesquisas científicas já mudaram de ideia. Mas isso é justamente fazer ciência: é não dar nada como terminado e continuar pesquisando (utilizando o método científico), pois amanhã podem surgir ferramentas que não se tem hoje e aprimoramentos científicos nunca antes sonhados. Daí se revisa a pesquisa. Por isso também, nada “cientificamente” provado pode ser considerado como verdade definitiva.
Ovo já foi “veneno”, depois não era bem assim e passou a ser recomendado. Sobre gorduras, cada dia tem uma nova: um dia é a banha de porco que não presta, no outro dia é a manteiga, depois é a margarina, mas daí alguém diz que é só a “light”... Depois nada mais faz mal.
Em muitos momentos a ciência se parece mais com os “achismos” de rede social. As “redes sociais deram voz a uma legião de imbecis”, segundo Umberto Eco (falecido em 19 de fevereiro deste ano). Ele tem razão. As pessoas veem um “post” e “retuítam” sem nem saber do que se trata, de fato. Sem profundidade, sem pesquisa. Já vi corrente de oração pelos personagens de “Diários de Vampiro”, “The Walking Dead”, “Breaking Bad”, entre outros. Um monte de gente digitando “amém” pra ajudar os personagens. Quase comentei: “kkkkkk”, mas fiquei com pena da inocência e avisei.
No campo político, vejo “posts” mentirosos sobre todas as figuras públicas, de todos os partidos. A infâmia e imbecilidade parece não escolher alvo, atira para todo o lado. Isso é próprio daquele que acha que sabe tudo, mas, de fato, nada sabe… (Que saudade do Sócrates, não o Dr. Corinthians, que também deixa saudades nesse pífio futebol de hoje, mas mais saudades do original: filósofo, que disse, depois de muito estudar: “só sei que nada sei”). Hoje ninguém estuda e sabe tudo.
É aquele que grita para não “perder uma discussão”, pois o grito é a solução daquele que está sem argumento fático. Gritar é impor-se pela força… Porque os argumentos inexistem.
Segundo Eco, então, a TV já tinha colocado o “idiota da aldeia” num patamar onde ele se achava superior. “O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade.” E num mundo individualista, parece não interessar mais “a verdade”... Interessa aquilo que é verdade para você. Nesse panorama de verdades de todos os lados, parece que distamos cada vez mais do que é real. Quando cada um “decide” o que é verdade, ela já não é.
No campo da religião, o que ontem era, hoje não é mais e amanhã, quem sabe… Vai depender da cabeça do “paxxxtor” (ou como queiram chamar). Ontem se demoniza a Igreja Católica, amanhã são os orixás, depois o “negócio” é ficar rico, daí um concorrente começa a fazer milagres e a vertente muda… Quando pensa-se que nada mais é possível, aparece um pseudo-rabino-evangélico-sei-lá-o-quê… E parece que seguem a máxima atribuída a Paulo Maluf: “falem mal, mas falem de mim”. E daí deputados brigam pra todo lado, para permanecer na “mídia”... O que ontem era inimigo, amanhã será compadre. Parece não importar “a verdade”... Importa aparecer.
E o café? O café é gostoso (Pra quem gosta. É bem verdade.).
O café causa câncer, “opa, pera”... Não causa mais (pelo menos não por enquanto, tomara que nunca mais, porque eu não vou parar de beber).
No mundo há muitas verdades. E, respeitando a opinião de cada um que lê este artigo, digo que a verdade revelada é Jesus Cristo, único Salvador.
Na religião cristã existe um axioma: “Deus é e se revela”. Isso é verdade. Ele era, é e será para sempre o mesmo. Sua verdade não muda: ele quer salvar a todo aquele que está longe dele (os de perto também). Se você tem outras “verdades”, com todo o respeito peço, apenas pense no assunto. Hoje ainda é hora de ler, aprofundar conhecimentos, opiniões e conhecer o que é verdade. Essa não é uma “verdade” para mim. É A VERDADE. E nem depende de que outros acreditem, para que seja verdade. É e pronto. Que tal um café, agora? Já que mesmo que causasse câncer, a vida aqui é um pedaço daquela que espera todo aquele que crê em Jesus.


2 P.S. (E não é “Play Station 2”):
1. Os abrasileiramentos de palavras estrangeiras aprendi com José Ângelo Campos, na época em que trabalhamos juntos em um dos jornais da cidade. Ele repórter e redator… Eu digitava. Grato por isso.
2. “idiota”, é bom saber, é uma das formas para a palavra “político” em seu original. A outra é “politicós”.O “politicós” é aquele que se interessa e quer ajudar o outro. O “idiota” só se interessa no que o ajuda, sendo honesto ou não.


Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas, @pastorjarbas)

Leitura Bíblica para a Quaresma 2026

Você sabe o que é a Quaresma? Muita gente acha que é o tempo de sofrimento e privação (jejum etc...) que começa depois do carnaval. Infelizm...