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Brasil da Ansiedade e do Rivotril

      Você já deve ter se deparado diversas vezes com a expressão de que o povo brasileiro é um povo alegre, cheio de felicidade e alegria n...

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Religião e Política (e a Igreja Luterana)

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Este texto é referente à Igreja Evangélica Luterana do Brasil, mas pode servir de orientação para as igrejas cristãs de uma forma geral.

A Igreja em relação à Política e Eleições

I. Introdução

      Nestas últimas semanas, recebemos várias manifestações em que membros de nossa igreja reclamam ou se queixam a respeito de certas manifestações de membros e pastores de nossa igreja em relação às disputas eleitorais em andamento em nosso país. Assim, a Diretoria Nacional da IELB decidiu enviar uma orientação aos pastores e congregações, a fim de que nossa participação nestas disputas se oriente pelas nossas convicções, baseadas nas Escrituras Sagradas e Confissões Luteranas.

II. Os cristãos e as eleições

      O que um cristão é chamado a fazer, especialmente num ano de eleições em nosso país? Muitos dos assuntos políticos que enfrentamos no Brasil têm forte implicação moral. Diante disso, precisamos firmar-nos nas Escrituras Sagradas e em nossas Confissões, posicionando-nos claramente neste período de eleições.
      A base do posicionamento de nossa igreja está no ensinamento bíblico da doutrina dos dois reinos, ou seja, o reino espiritual de Cristo e o governo terreno. Passagens bíblicas chaves para este ensinamento são as seguintes: 1Pedro 2.9-10, 13-17; Hebreus 11.13-16; 13.14; Mateus 16.18; Lucas 12.14; 2Coríntios 10.4-5; Romanos 1.16; e 13.1-7.
      Reconhecendo os dois reinos, vemos claramente, em Romanos 13.1-7 e 1Pedro 2.13-17, que o Criador instituiu o governo político como meio pelo qual Ele procura preservar e guiar a vida na comunidade entre os seres humanos caídos. Esta é uma estrutura passageira, ou provisória, designada
para dirigir e regular o relacionamento político entre as pessoas durante o intervalo entre a queda em pecado e o retorno do Senhor Jesus Cristo.
      Portanto, é importante a participação dos cristãos nesta estrutura política. Pois, sem a participação ativa dos cristãos, esta estrutura só pode ser destrutiva não só para os cristãos, mas para todos os cidadãos. Por isso, a Confissão de Augsburgo resume bem os ensinamentos bíblicos de como os cristãos podem participar ativamente, quando diz:
Das coisas civis (os nossos) ensinam que ordenações civis legítimas são boas obras de Deus e que é lícito aos cristãos exercer ofícios civis, ser juízes, julgar segundo as leis imperiais e outras leis vigentes, impor pena segundo o direito, fazer, segundo o direito, guerra, prestar serviço militar, ...” (Art. XVI,1-2).
      Embora não se mencione os cargos políticos de hoje, pois estes não existiam na época em que a Confissão de Augsburgo foi escrita, mesmo assim eles estão incluídos na expressão “ofícios civis”. Portanto, temos aqui clara orientação para nós nestes tempos difíceis em que passamos em nosso país. E podemos resumir esta orientação nos seguintes pontos:

  1. Os cristãos devem resistir à tentação de tornar o governo terreno em um meio para promover o reino espiritual de Cristo.
  2. Os cristãos também precisam reconhecer que não haverá governo terreno perfeito, pois todo governo terreno, sendo parte da criação caída em pecado, está sujeito a errar. Desta forma, o cristão deveria se abster de fanatismo, pois sempre estará defendendo uma estrutura humana de governo e, por isso, imperfeita.
  3. O governo terreno apenas funciona para restringir o mal e encorajar o bem, mas isso é feito de modo limitado. Todavia, assim mesmo este governo permanece sob o controle de Deus.
  4. Portanto, os cristãos precisam engajar-se em orar pelo governo e todos os que ocupam ofícios no governo (cf. 1Timóteo 2.1-2), para que possam realizar o que Deus espera deles.
  5. Além disso, os cristãos também devem buscar “ofícios civis”, seja nos Municípios, seja nos Estados, ou no Governo Federal, para serem vereadores, prefeitos, deputados estatuais ou federais, senadores, e mesmo presidente da República. Pois, quanto mais cristãos verdadeiros participam ativamente do governo terreno, tanto mais justo ele será em seu desempenho.
  6. Assim, os pastores, que atuam no Reino Espiritual de Cristo, precisam, sim, passar aos cristãos as qualificações necessárias de candidatos a qualquer uma das posições governamentais. No entanto, eles devem evitar totalmente posicionar-se publicamente em favor de qualquer um dos candidatos, seja no relacionamento pessoal com membros da igreja, seja em reunião de membros, seja em cultos, ou através de meios de comunicação, inclusive os meios digitais, pois tais posicionamentos trarão divisão para dentro da igreja.
  7. Isso, porque cada cristão, analisando as qualificações dos candidatos, é livre para se posicionar e votar no candidato que, na sua visão, poderá melhor servir na posição que vier a ocupar. Como resultado, em cada congregação não haverá unanimidade em favor de candidatos. Portanto, o pastor, caso se posicione em favor de um ou de outro, causará divisão e prejudicará o trabalho na congregação e o avanço da missão.

III. Conclusão

     Sem dúvida, o momento que o Brasil está passando é complicado. Isto está ocorrendo não só por ser um período de eleições, mas pela corrupção que se tem estabelecida e espalhada. Diante disso, temos observado que há diferentes igrejas que estão se posicionando politicamente em favor de um ou outro candidato.
      Assim, julgamos importante encaminhar-lhes a orientação acima, para que a Igreja Evangélica Luterana do Brasil se mantenha equilibrada, de acordo com o que ensinam as Escrituras Sagradas. Que Deus conceda a todos a sabedoria e a confiança de que Deus jamais deixará de estar no controle do que ocorre neste mundo, inclusive em nosso Brasil.
      Saudações em Cristo,

21 de setembro de 2018

Rev. Dr. Rudi Zimmer
Presidente da IELB

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Quem será o piloto?




      O próximo Presidente terá nas mãos o comando de um enorme avião sucateado. Por isto o receio, tanto dos passageiros nas poltronas do lado esquerdo, do meio e do lado direito. Afinal, todos querem chegar sãos e salvos. A pergunta deve ser bem ponderada: Quem é a pessoa mais qualificada para pilotar este Boeing cheio de botões, com graves problemas técnicos, passageiros temerosos, e com terroristas à bordo? Tem os copilotos – os parlamentares (que também vamos escolher) e os juízes. Mas, o Presidente é o comandante deste avião que funciona pelos mecanismos da Constituição Brasileira, e, dependendo da cabeça e do coração dele, chegaremos tranquilos ao destino final. Se a comparação é válida, cabe lembrar que o tumulto numa aeronave piora a situação. É essencial seguir as ordens dos comissários, caso contrário, a confusão pode derrubar o avião.
      Mas, em qualquer situação, “nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus” (Romanos 13.1). Nesta regra divina num mundo com tendência do avião cair, devemos pagar impostos e respeitar as autoridades (v.7). Um respeito de duas vias, pois a Bíblia também lembra que "quando o governo é justo, o País tem segurança; mas, quando o governo cobra impostos demais, a nação acaba na desgraça" (Provérbios 29.4). E sobre as relações entre o céu e terra, as palavra de Jesus são referência: “A Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”. Por isto o Código de Ética da igreja em que eu atuo: “Mesmo que deva estar atento aos problemas da sociedade, não quero, enquanto pastor, exercer política partidária”. Uma atitude sabia quando a função da igreja é acalmar o ânimo dos passageiros.
      Por isto a Bíblia orienta: "Orem por aqueles que têm autoridade para que possamos viver uma vida calma e pacífica, com dedicação a Deus e respeito aos outros" (1Timóteo 2.2). Neste momento, a intercessão tem outro destino: “Orem pelos eleitores”. E boa viagem!

Marcos Schmidt
pastor luterano

sábado, 15 de setembro de 2018

Como nós temos usado a língua?

Resultado de imagem para usar a língua para o bemÁudio da pregação

Tiago 3.1-12

      No livro de Tiago, capítulo 3, v. 9 está escrito:
“Usamos a língua tanto para agradecer ao Senhor e Pai como para amaldiçoar as pessoas, que foram criadas parecidas com Deus.”
      Da mesma boca saem bênção e maldição...
      Como pode isso?
      Está certo isso?
      Esta é a vontade do Senhor para seus filhos?

      Também o Salmo 116 fala assim:
1. Eu amo a Deus, o Senhor, porque ele me ouve; ele escuta as minhas orações.
2. Ele me ouve sempre que eu clamo pedindo socorro.
4. Então clamei ao Senhor, pedindo: “Ó Senhor Deus, eu te peço: Salva-me da morte!” 
      Notem que nesses versículos aparece a interação entre “falar” e “ouvir”, entre “clamar” e “ser ouvido”.

      E depois, como gratidão, o salmista termina dizendo:
17-19. Eu te darei uma oferta de gratidão e a ti farei as minhas orações. Na reunião de todo o teu povo, nos pátios do teu Templo, em Jerusalém, eu te darei o que prometi. Aleluia!
      Temos aqui a dinâmica do falar e do ouvir. Podemos falar coisas boas a Deus, podemos pedir coisas boas... Mas muitas vezes o povo de Israel amaldiçoou a Deus com suas palavras... Usou a língua para adorar falsos deuses.
      Igualmente nossas palavras podem ser bênção ou maldição a Deus e contra as pessoas ao nosso redor. O que queremos ser: “bênção ou maldição”?

      O Profeta Isaías nos dá outra luz nesse relacionamento entre o ouvir e o falar.
Is 50.4:
“O Senhor Deus me ensina o que devo dizer a fim de animar os que estão cansados. Todas as manhãs, ele faz com que eu tenha vontade de ouvir com atenção o que ele vai dizer.”
      Isaías nos lembra que mais importante do que ter algo a dizer é ouvir antes de falar. Sabe aqueles programas de pergunta e resposta, que, no meio da pergunta alguém aperta o botão? Daí, quando a pergunta termina, o sujeito não sabe responder, porque não ouviu a pergunta inteira...
      Antes de falar e emitir opiniões precisamos ouvir (ou ler, já que muitas coisas hoje nos chegam por escrito)... E muitas vezes quando falamos, também falamos por escrito.

      Você ouve bem? Quando você ouve, está, de fato, ouvindo?
      Não é sem motivo que Jesus muitas vezes repete: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mt 11.15; 13.9,43; Mc 4.9; Lc 8.8; 14.35; Ap 2.7,11,17,29; 3.6,13,22)...
      É uma frase importante. Que nos chama atenção ao “ouvir”.
      Não é só ouvir...
É internar as palavras ouvidas. Meditar nelas, como a Bíblia diz que Maria fazia e guardava tudo em seu coração. (Lc 2.19 – depois da visita dos pastores; 2.51 – Jesus entre os doutores). Nos dois momentos Maria “ouve e medita nestas coisas em seu coração.”
      Estes dois momentos de Maria, distantes 11 anos, nos fazem entender quanto tempo ela guardava e meditava em seu coração as palavras que, sobre Jesus, ouvia. 11 anos...

      Precisamos aprender a ouvir. Refreando a língua.
      Tiago 3.2 diz: “Quem não comete nenhum erro no que diz é uma pessoa madura, capaz de controlar todo o seu corpo.”

      Quando ouvimos (ou lemos) algo sobre alguém, precisamos ler uma segunda vez. Precisamos tempo... Paciência... Informações corretas.
      Quando apuramos a notícia real, se ainda desejamos emitir opinião, ao falar, precisamos ver no outro um irmão em Cristo ou, se ainda não é nosso irmão em Cristo, precisamos ver alguém que Deus também ama e quer salvar. Se nossas palavras não forem boas, podemos afastar a pessoa de Jesus...
      Queremos trazer as pessoas para Jesus ou afastar dele?

      Todos querem dar opinião em tudo hoje. Todos querem falar, até do que não sabem. Todos são especialistas... Todos parece que precisam dar opinião em tudo. Nunca foi tão difícil ouvir um “não sei”. E dizer “não sei” quando você não sabe, não é fraqueza. É humildade. É autoconhecimento.
      É reconhecer que você não sabe ou ainda não sabe, pois pode aprender... Mas quando você acha que sabe, pode acabar estragando tudo.

      Algum tempo atrás eu vi um vídeo de um sujeito criticando as versões bíblicas e afirmando que a bíblia que ele prefere é a Almeida Corrigida Fiel...
      Bem, gosto ele pode ter... To dos têm sua versão bíblica de preferência, mas daí para dizer qual é melhor, qual é pior, precisa de um conhecimento mais específico.
      Esse senhor afirmava no vídeo que a Versão Nova Almeida (de 2017) não é uma versão boa da Bíblia. Como conheço a equipe de tradutores e sei da responsabilidade da Sociedade Bíblica, dei atenção ao vídeo e fui conferir...
      Que surpresa! O “especialista” é, na verdade, palestrante, autor, estrategista, storyteller (parece que tem vergonha de falar em português: “contador de estórias”) e ele é um bom contador de histórias. Faz os outros acreditarem em suas “opiniões”, como se fossem verdade. Mas o que ele sabe de Bíblia. Nad a além de seu gosto pessoal.
      Ele não estudou grego e hebraico, não estudou hermenêutica, nem exegese... Não leu livros de arqueologia e nunca fez teologia. Simplesmente decidiu que sabe mais de bíblia do que os especialistas, formados e capacitados da Sociedade Bíblica.
      Aquele sujeito poderia ter dito: “eu li as diversas versões bíblicas e gosto mais desta ou daquela...” Em vez disso ele passou a difamar não só a versão da bíblia, como a própria sociedade bíblica e as pessoas honestas e dedicadas que trabalham ali.
      O mundo tá cheio de gente assim. Gente que acha que sabe de tudo e sai falando. E essa é uma doença que contamina especialmente os mais jovens. Como disse Umberto Eco: “As redes sociais deram voz a legião de imbecis.”

      Aí fica difícil de refrear a língua e acabamos emitindo opiniões, como se fossem verdades e acabando com amizades e pessoas.
      Você não precisa e nem pode ter opinião sobre tudo. Você não conhece tudo. Você não conhece todas as pessoas. Você não entende tudo de Bíblia. É cansativo até tentar entender e saber tudo de tudo... Dizer não sei é bem melhor do que falar uma bobagem...

      Lembrem-se de Lutero na Dieta de Worms (reunião que durou de 28 de janeiro a 26 de maio de 1521).
      Lutero foi convocado a esta reunião, onde supostamente poderia se defender e falar do que estava errado na igreja, mas não era bem isso que os dirigentes da reunião queriam.
      Logo na sua chegada à reunião, apresentaram 25 de seus livros para que ele os renegasse como heresia. Lutero disse não poder responder e pediu mais tempo para pensar.
      No dia seguinte (18 de abril de 1521), refizeram as perguntas a Lutero:
      1. Estes Livros são de sua autoria?
      2. Você renega como heresia?

“São todos meus, mas, no caso da segunda pergunta, não são todos do mesmo tipo”... 
      E respondeu com a consciência  tranquilo e bem preparado. Depois de pensar e meditar.

      Tiago fala ainda:
“A língua é um fogo. Ela é um mundo de maldade, ocupa o seu lugar no nosso corpo e espalha o mal em todo o nosso ser. Com o fogo que vem do próprio inferno, ela põe toda a nossa vida em chamas.” (6) E: “Usamos a língua tanto para agradecer ao Senhor e Pai como para amaldiçoar as pessoas, que foram criadas parecidas com Deus.” (9)
      Pra quê você tem usado sua língua? Para abençoar ou maldizer?
      Quando você se despede, que tal um “vá com Deus” ou “fique com Deus”, ou ainda “Deus te abençoe e acompanhe”?
      Quando vai fazer suas refeições, que tal um “obrigado Senhor”?
      Quando vai trazer suas ofertas ao altar, em vez de pe nsar no dinheiro, porque não pensar: “obrigado Senhor, pois se tenho para ofertar, da tua mão o recebi”?

      Se todos tivermos esta atitude de usar a língua para o bem, o mundo se tornará um lugar melhor.
      Jesus usou para o bem. Inclusive, no seu último momento, bradou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. E orou por nós, para nossa Salvação.
      Vamos usar nossa língua para falar bem do próximo, para testemunhar da Salvação em Jesus, para abençoar nossas crianças. Jesus nos torna bênçãos ao mundo, nos enviando para proclamar a Salvação a todos.
      Deus os abençoe.
      Amém.

Rev. Jarbas Hoffimann
pastor luterano
www.ielb.org.br

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Culto Doméstico 08/2008 - Da IELB

Culto Doméstico – nº 08/2018 – Setembro/2018

1. Saudação e acolhimento (Pelo dirigente)

2. Invocação

Iniciamos este Culto Doméstico em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo, um só Deus em três Pessoas. Amém.

3. Oração 

Amado Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
Deste a todos nós a vida e as condições necessários para vivermos. Agradecemos muito por estas maravilhosas dádivas. Lembramos também, de modo especial, a graciosa salvação em Jesus Cristo. Sem Jesus nós estaríamos perdidos e condenados eternamente. Mas, Ele sacrificou a sua vida por nós, garantindo o perdão, vida e salvação aos que creem nele. É a graça não merecida por nós. Reconciliados contigo por Jesus, estamos felizes e muito agradecidos. Te louvamos por esta obra de misericórdia e amor!
Pedimos que nos fortaleças sempre com os meios da graça, Palavra e Sacramentos. Queremos continuar firmes e batalhadores no teu Reino. Dá-nos sempre a assistência do teu Espírito Santo.
Abençoa o Culto Doméstico de hoje, por Jesus Cristo. Amém.

4. Hino: 513 (HL) – Estrofes 1-3

1. Divino Salvador, / contempla com favor / nosso país. /Dá-nos justiça e paz, /governo bom, capaz, / pátria em que nos apraz / viver feliz.

2. Olhamos para ti; / oh! Vem reinar / aqui, tu, Rei dos reis. / Dirige o pátrio lar, ensina a governar, / conforme o teu mandar, por justas leis.

3. A quem governa, ó Deus, / inspira desde os céus / o teu temor. / Ao povo vem unir, / disposto a te servir, e em nome teu agir / com fé e amor.

Reflexão:

Ler Salmo 133

(Nota: Estamos próximos às eleições públicas, estaduais e nacionais. Na mídia circulam muitas manifestações relacionadas às eleições. Algumas são muito agressivas, desrespeitosas e falsas. Os cristãos correm o risco de também se manifestarem de modo inconveniente e de desrespeito à opinião de irmãos de fé. Devido a isso, reedito uma reflexão que publiquei em 2016. Vamos refletir sobre este assunto. Esta reflexão é para a vida dos cristãos. Não apenas referente às eleições, mas para todo o relacionamento com os irmãos).

A Palavra de Deus fornece orientações aos seus filhos, visando a salvação e o bem-estar deles. Entre estas orientações encontramos o texto de hoje. Ele é uma exclamação afirmativa da importância da união e convívio fraterno e harmonioso dos filhos de Deus.

Surge uma pergunta preocupante: Como conviver com pessoas que têm opiniões e gostos muito diferentes da gente? Encrencar com eles, criar conflitos e afastar-se deles? Desprezá-los? Não e não! “Ah, mas eu não suporto as ideias, as posições, e as ... do fulano”, poderia alguém alegar.

O que dizer a uma pessoa que assim se manifesta?

1º - É claro que nunca devemos concordar com os pecados e os erros dos outros. Devemos condenar o pecado, mas amar o pecador. Devemos saber perdoar. É assim que Jesus Cristo age conosco. Ainda: Qual deve ser a nossa atitude se nos acharmos mais fortes e mais cristãos do que os outros? A resposta encontramos em Rm 15.1: “Nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos, e não agradar-nos a nós mesmos”. Que versículo! Pensemos sobre isto. É bom, reconhecer os próprios defeitos e pecados e não se achar melhor do que os outros. Lembremos a história do fariseu e do publicano, registrada em Lc 18.9-14 (Ler).

Vamos ler também o que está em 1 Co 9.22 (NTLH): “Quando estou entre os fracos na fé, eu me torno fraco também a fim de ganha-los para Cristo. Assim, eu me torno tudo para todos a fim de poder, de qualquer maneira possível, salvar alguns”.

A frase “me torno fraco” significa que não vou me exibir ou vangloriar diante dos fracos, mas vou deixar claro que eu também sou fraco e que dependo do amor, da misericórdia e do poder de Deus. Indo assim ao encontro dos outros, serei melhor aceito e com mais facilidade posso ajudá-los.

Há também um prejuízo pessoal em guardar rancor e desprezo pelos outros e não perdoá-los. Em Mt 18 encontramos a parábola do credor incompassivo (que não teve compaixão). Este homem havia sido perdoado numa enorme dívida, mas não perdoou o seu companheiro que tinha uma pequeníssima dívida com ele. Então o senhor, que o havia perdoado, o chama de volta, retira o perdão e o condena. A parábola é concluída com este versículo (NTLH): “É isto que meu Pai, que está no céu, vai fazer com vocês se cada um não perdoar sinceramente o seu irmão”. 

Busquemos de Deus a capacidade para cumprir o que está escrito nos seguintes versículos:

Ef 4.32 (NTLH): “Sejam bons e atenciosos uns para os outros, e perdoem uns aos outros, assim como Deus, por meio de Cristo, perdoou vocês”.  Estamos felizes com o perdão gratuito que Cristo nos dá? Sim! Então, assim como Cristo nos perdoa, perdoemos nós também.
Cl 3.12-13 (NTLH): “Vocês são o povo de Deus. Ele os amou e os escolheu para serem dele. Portanto, vistam-se de misericórdia, de bondade, de humildade, de delicadeza e de paciência. Não fiquem irritados uns com os outros e perdoem uns aos outros, caso alguém tenha alguma queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem uns aos outros”. 

2º - Quando se lida com ideias, gostos, estratégias diferentes (que nada tem a ver com assuntos doutrinários, vitais e éticos), devemos saber tolerar e conviver. Até, às vezes, abdicar de nosso gosto e opiniões para que haja paz, boa vontade e harmonia. Pois, os cristãos que amam de fato são aqueles que sabem ceder em favor dos outros irmãos. É isto que o apóstolo Paulo ensina em 1 Co 9.22.

3º - Também precisamos entender que muitas vezes nós somos os intransigentes e provocadores de desunião, e não sempre os outros. (Será que os “fracos” são sempre os outros?). Cada um precisa olhar para si mesmo e verificar a sua situação, os seus pecados, suas teimosias, suas intransigências e, então, em verdadeiro arrependimento buscar junto ao trono gracioso de Deus o perdão em Jesus Cristo e a força do Espírito Santo para aperfeiçoar a sua vida, tonando-se mais humilde, amoroso, compreensivo e fraterno. 

O arrependimento e a fé são condição necessária para que Deus nos perdoe. Ele acolhe a cada um de nós porque nos ama muito. Lembremo-nos sempre do texto áureo: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

Queira Deus guardar-nos em sua graça e não permitir em nós um espírito farisaico e faccioso que só vê defeitos nos outros e os condena e se auto exalta como “o bom e perfeito”. 

Somos muito felizes com o perdão que Deus já nos deu gratuitamente. Vivamos, então, sempre em arrependimento e fé, e amemos os nossos irmãos, sejam eles considerados por nós fracos ou fortes.

Vivendo assim estaremos alcançando e promovendo o que o Salmo 133 propõem: a VIDA BONITA em UNIÃO COM OS IRMÃOS DE FÉ.

Os cristãos têm direito de ter opiniões diferentes sobre os assuntos políticos. Que estas diferenças de opiniões e posicionamentos políticos não perturbem a paz entre os irmãos e prejudiquem o trabalho harmonioso e produtivo no Reino de Deus.

                                                                                                    Martinho Sonntag

6. Hino: “Eu só confio no Senhor” (189 – LS)

1. Eu só confio no Senhor que não vai falhar. Eu só confio no Senhor, sigo a cantar. Se o sol chegar a escurecer e o céu toldar, eu só confio no Senhor que não vai falhar. Posso confiar, posso confiar que um lar no céu Cristo vai me dar, Se o sol chegar a escurecer e o céu toldar, eu só confio no senhor que não vai falhar.

2. Confiando no meu Senhor, eu não temo o mal. Confiando no meu Senhor, tenho paz real. Se o mal me vier tanto faz, nele confiarei. Pois a Jesus me entreguei, ele é meu Rei.  Agora sou feliz, agora sou feliz. Como sou feliz, como sou feliz. Se o mal me vier tanto faz, nele confiarei. Pois a Jesus me entreguei, ele é meu Rei.

7. Oração livre 

8. Pai Nosso – em conjunto.

9. Hino: 513 (HL) – Estrofes 4 e 5

4. À amada pátria vem / sustento e todo o bem / de ti, Senhor. / Aos pobres dá comer, / e a todos faz saber / de como é bom viver / em mútuo amor.

5. Sublime bênçãos dás, / amor, perdão e paz / e a salvação. / Que a Nova de tua cruz / rebrilhe em clara luz, e guiando a ti, Jesus, / toda a nação.

10. Bênção – conjunto.

O Senhor nos abençoe e nos guarde.
O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre nós e tenha misericórdia de nós.
O Senhor, sobre nós, levante o seu rosto e nos dê a paz.
Amém.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Triste e Dolorosa Guerra Brasileira

Resultado de imagem para senhor andante     Estamos evolvidos em uma guerra sangrenta, bem diante de nossos olhos. Centenas de vidas brasileiras são colhidas todos os dias, não em campos de batalhas, mas em nosso trânsito. Dados estatísticos trazem a cruel média de que, ao terminar mais um dia, 107 famílias estarão chorando a morte de um ente querido e que, pasmem, outros 641 brasileiros estarão inválidos para o resto da vida. Eis aí números de uma guerra sangrenta no Brasil, que é o 5º país nos recordes de acidentes de trânsito no mundo.
      Lembro-me de um desenho da Disney que contava a história de um senhor chamado Walker. Ele era um cidadão pacato, de bem com a vida, apreciador da natureza e cheio de amor. Porém, ao entrar em seu carro transformava-se em um monstro, passando por cima de tudo e de todos, dirigindo acima de qualquer lei. Lembrei desta história ao observar os dados da Polícia Rodoviária Federal, com base no ano de 2016, a respeito das principais causas de acidentes com morte no trânsito brasileiro que são, na sequência: falta de atenção, excesso de velocidade, dirigir alcoolizado, desobedecer à sinalização, ultrapassagens proibidas e dirigir com sono. Infelizmente todas as causas centradas no ser humano, na falha humana e na imprudência humana.
      Diante deste cenário de guerra, qual é o nosso papel, como cristãos? O conselho bíblico é: “recomende aos irmãos que respeitem as ordens dos que governam e das autoridades, que sejam obedientes e estejam prontos a fazer tudo o que é bom” (Tito 3.5). Como qualquer outro cidadão brasileiro, nós cristãos estamos sujeitos às leis de trânsito e devemos obedecer a elas. E, acima de tudo, temos no trânsito a oportunidade de testemunhar a fé no Salvador Jesus. Em vez de nos transformarmos em monstros acima da lei, como naquele desenho da Disney, podemos semear o amor, a gentileza e a paciência sobre quatro rodas, em nossa cidade ou em rodovias. Precisamos ter a consciência de que muitas vidas, inclusive a nossa e de nossa família, dependem do nosso comportamento no trânsito.
      Então fica a dica: sabendo que estamos expostos a diversos riscos no trânsito brasileiro, pedimos a Deus que ele nos abençoe com as palavras finais do Salmo 121: “Ele o guardará quando você for e quando voltar, agora e sempre”. E não há como não falar que, como cristãos, precisamos cuidar dos feridos, sequelados e enlutados desta triste e dolorosa guerra brasileira.

Pastor Bruno A. K. Serves
Congregação Evangélica Luterana
Candelária, RS

terça-feira, 11 de setembro de 2018

É preciso calcular

      Cada candidato à Presidência tem 25 policiais para sua proteção. É questão de “segurança nacional” num País tão violento. É o sonho de consumo de cada brasileiro que só tem polícia quando liga para o 190. Se queremos segurança pessoal, precisamos pagar além do que já é descontado direto do nosso bolso. E daí, então, a explicação do radicalismo por mudanças. É oito ou oitenta, é agora ou nunca, é tudo ou nada. É o grito “Independência ou Morte” quando a opressão portuguesa mudou de endereço nos palácios das regalias, da corrupção, da incompetência.
     Como conseguir as mudanças? Porque, no final das contas, todos da direita e da esquerda querem a mesma coisa. Aí surgem as diferenças nas propostas para que os “25 policiais” estejam presentes na nossa rua, mesa, escola, hospital, empresa, na vida de todos. Por exemplo, é melhor todo mundo ter arma ou deixar só na mão da polícia? O caminho é privatizar ou estatizar? Fazer a reforma da previdência ou deixar como está? E por aí vai, um monte de coisas complicadas, assuntos dos “politizados” que a grande maioria só vai entender na hora quando estiver na fila do hospital, for assaltado, desempregado, desiludido.
      Ao tratar dos custos por mudanças na vida cristã, Jesus lembra que ninguém constrói uma torre sem primeiro calcular o preço. Será uma grande vergonha não concluir a obra (Lucas 14.29). Este é o nosso problema na religião e na política. Queremos uma vida melhor, felicidade, prosperidade — o céu. Mas não olhamos o projeto nem calculamos os custos. E daí surgem os espertalhões que aproveitam o sofrimento e a ignorância com falsas promessas. Se na vida cristã é preciso estar atento, calcular e deixar de lado interesses pessoais e desleixo, na vida política não tem outro jeito. Tragicamente, quando “cruz” virou sinal de “quanto vou ganhar?”, torres nunca chegarão até o final e outras vão cair.

Marcos Schmidt
pastor luterano