quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Para onde estamos indo?

Sabe quando você ouve uma conversa sem querer, mas não tem como sair do lugar?... Pois bem, outro dia isso me aconteceu. Estava esperando por um serviço e, do meu lado, um rapaz começou a contar de sua noite (acredito que tenha sido a noite imediatamente anterior)... A conversa foi mais ou menos assim (vou omitir detalhes, nomes, etc… Não entenda como indireta, sou sempre direto):
— Cara ontem deu até tiro. Tiveram que parar de cantar várias vezes, por causa das brigas. Tinha briga no salão e na área vip. O “artista” apelava para pararem as brigas, mas não adiantou nada. Ele (o tal artista, que era um dos da noite), só tocou 4 músicas e parou, por causa das brigas. E o “artista 2” foi o melhor… Entrou só na nóia (drogado) e com um copo de uísque na mão… Esse show foi “loco”... Tinha um monte de “nóia” brigando com os seguranças… Eles chamavam os seguranças pra porrada. Só começaram a respeitar quando a polícia entrou, mas nem assim.
Esse “show” não foi em um dos “morros cariocas”. Foi aqui, ou em Nova Venécia ou arredores. Realmente não sei onde foi.
E era de ficar admirado como o rapaz que contava a história, parecia extasiado com tudo que tinha acontecido. Falava: “morreu um cara de tiro e uma menina de garrafa quebrada” (talvez seja exagero, mas vai saber…). O fato é que ele estava visivelmente extasiado pelo que presenciou. Não sei se o rapaz mesmo usou qualquer droga, mas parecia gostar do que viu. Talvez pra contar vantagem pessoal de ter estado em uma “zona de guerra” e ter saído sem arranhões. Talvez tudo isso que ele contou seja apenas “conversa”...
Mas muitas dessas festas acontecem mesmo por aí. Onde há drogas, sexo fácil, e a maior das drogas: álcool generalizado. Será que seus filhos não estão nessas festas também? Você sabe por onde eles andam?
Não adianta confiar no rastreador de GPS do seu celular… Há aplicativos que simulam a localização. Ou seja, seus filhos (ou quem quer que seja) podem usar o app e mandar a localização de qualquer lugar do mundo, mesmo estando em outro.
Não existe receita fácil quando se trata de criar os filhos.
Para ensiná-los a dormir sozinhos, muitas vezes você terá que ficar ali, do lado da cama, até que durmam. Para ensiná-los a comer com qualidade, você deverá mudar a sua dieta. Para ensiná-los a estudar, você tem que estudar com eles. Para que escovem os dentes, eles precisam ver você escovando os seus. E a lista é quase infinita. Depende de você, se eles vão aprender ou não.
É exatamente por isso que tem tanta criança mal educada… Porque os pais não as educam com a dedicação necessária. Acham que simplesmente dando uma ordem, magicamente, uma criança se tornará exemplo. Não rola. Não adianta dizer para não falarem palavrões, se os pais falam… Para não desrespeitarem o próximo, se os pais falam mal dos vizinhos.
Claro que há casos raros de crianças mal educadas, mesmo com pais dedicados à sua educação… Mas são raros. Diz o ditado que “a fruta não cai muito longe do pé”.
Respondendo à pergunta título: não sei para onde iremos. Eu só posso responder por aquilo que eu mesmo tento fazer com minhas filhas. É todo meu alcance. Mas quando vemos gente “normal” saqueando lojas só porque não tem Polícia, é porque alguma coisa está muito errada. E precisa ser corrigida com urgência. Eu faço a minha parte, na minha casa… Você precisará fazer a sua.
Eu levo minhas filhas à igreja. Igreja de verdade, não esse mercados de milagres e profecias fajutas… Levo para aprendam de Deus a respeitar aos pais, às autoridades, ao próximo. Leve os seus também. Mas os ensine também em casa.
Dá trabalho.
Mas não há recompensa maior do que ver os filhos seguindo bons passos.
Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)

Estes e outros artigos são publicados no Jornal Correio 9, de Nova Venécia (curta para ser avisado das edições diárias, leitura completa online): https://www.facebook.com/correio9

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Contra ou a favor?

Parece que hoje todos precisam ter uma opinião sobre tudo…
E isso não seria problema. O problema é emitir opinião sem conhecer o assunto. E hoje parece que não se pode dizer que ainda não pensou sobre o assunto… Precisa posicionar-se. Contradizendo a célebre frase de um dos sujeitos mais sábios que já habitou o planeta: “Só sei que nada sei” (Sócrates, filósofo).
Tem alguém que parece concordar com Sócrates: Salomão (aliás, como Salomão viveu 500 anos antes de Sócrates, acho que era o filósofo quem concordaria).
Mas Salomão foi recebeu sabedoria, de presente, do próprio Deus (1º Reis 3.5-9), Foi o ser humano mais sábio (e lembre-se sempre que há diferença entre sabedoria e inteligência) que habitou o planeta. Embora Salomão também tenha sido inteligente, por óbvio. Então, Salomão, tendo recebido sabedoria, disse: “Até um tolo pode passar por sábio e inteligente se ficar calado.” (Provérbios 17.28) Mas tem muita gente perdendo a oportunidade de ficar calada. Talvez eu seja um (desculpem se for o caso).
Não faz muito tempo, escrevi outro artigo (https://pastorjarbas.blogspot.com.br/2016/06/vai-um-cafezinho-ai-bom-de-verdade.html), no qual citava a angústia de Umberto Eco ao reconhecer que as redes sociais deram voz a uma “legião de imbecis” e, disse ele: “Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel”.
No meio desse monte de gente que hoje parece ter a necessidade de se pronunciar sobre tudo e todos, todos se pronunciam sobre todos. Mas quem prefere esperar um pouco mais, conhecer um pouco mais, para assim, refletidamente, dar opiniões… Estes são chamados de “isentões” e são achincalhados, porque hoje você é “obrigado” a ter uma opinião contra ou a favor de tudo. Se não é contra, já é colocado no lado dos “a favor” e vice-versa…
Qual sua opinião sobre o aborto? Sobre o “casamento” de pessoas do mesmo sexo? Sobre a corrupção? Sobre a educação de filhos? Sobre a Bíblia ser usada em escolas? Sobre machismo ou feminismo (e as “feminaze”)? Sobre… Sobre… Sobre…
Pois é… Lembre-se: Você não é obrigado a ter opinião… E mesmo que a tenha, não é obrigado a externá-la.
Disse Benedito Valadares: “Não sou contra, nem a favor, muito pelo contrário.” Conhecendo o autor desta frase, até a compreendo melhor. Ele foi uma liderança política, mas também era jornalista. Acho que precisamos de gente que não seja nem contra, nem a favor, sem conhecimento adequado das coisas. Que espere para emitir opiniões, pelo menos, ouvindo mais que um lado da história. Que não pegue uma foto ou uma informação descontextualizada e crie uma tese sobre isso. Que fique “em cima do muro” até o momento adequado para posicionar-se refletidamente.
Muitos anos atrás, no extinto Casseta e Planeta, havia uma reportagem sobre a questão da soja transgênica e saíram pesquisando a opinião das pessoas nas ruas. Quando então, o repórter-casseta, vira-se para a câmera e diz: “O brasileiro é um povo fantástico… Ninguém sabe nada sobre o assunto, mas metade já é contra e a outra metade à favor.”. Ótima descrição da situação presente. Quando parece que só existe direita/esquerda, coxinha/mortadela, machista/feminista…
Eu já tenho opiniões formadas sobre muitas coisas. Mesmo assim, elas também podem mudar, se eu perceber que estava enganado. O que não vai mudar é a Palavra de Deus. Esta está correta (sempre). As interpretações mirabolantes que alguns dão pra ela é que costumam ser o problema. Mas a Bíblia não muda. O que pode acontecer é eu, estudando honestamente, aprender algo que entendia errado. Lutero, quando confrontado com seus escritos, disse diante da “Dieda de Worms” (reunião que durou de 28 de janeiro a 25 de maio de 1521), que até mudaria de opinião e abandonaria seus escritos, se fosse provado “Pela Escritura” que estava errado.
Literalmente:
Johann: Lutero, repeles teus livros e os erros que eles contêm?
Lutero: Que se me convençam mediante testemunho das Escrituras e claros argumentos da razão, porque não acredito nem no Papa nem nos concílios já que está provado amiúde que estão errados, contradizendo-se a si mesmos. Pelos textos da Sagrada Escritura que citei, estou submetido a minha consciência e unido à palavra de Deus. Por isto não posso nem quero retratar-me de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável.
Este foi o diálogo central da reunião. Mas é preciso lembrar que Lutero pediu 24 horas para pensar antes de dar sua resposta. Depois de responder assim, foi condenado e perseguido. E se não tivesse sido protegido por seus amigos (contra sua vontade) teria sido morto.
Você tem opiniões. Todos temos. Enquanto elas são suas (ou seja, enquanto você não as expressa), você pode mais facilmente mudar de ideia sem criar crises. Mas se você expressar suas convicções (com coerência e tranquilidade), se souber ouvir o outro e suas opiniões também, certamente vai crescer e faremos do mundo um local melhor para viver.
Então, como diz a placa de cruzamento de trem: “pare, olhe, escute”... Daí, caso necessário, cruze a pista.
Você certamente pode expressar sua opinião e pode ser contrária à tudo que eu escrevi, mas façamos com respeito. Com educação e, acima de tudo, discutindo idéias e não denegrindo pessoas.
Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)