Mostrando postagens com marcador lei. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lei. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de março de 2020

Deus tenta alguém?

Uma tradução (muito rápida) de um texto breve:

A Doutrina Escriturística das Tentações


      Há a) uma tentação para o mal, e b) uma tentação para o bem.
A tentação para o mal vem do diabo, de outros homens e de nossa própria natureza depravada. Seu objetivo é a sedução para o pecado (tentatio seductionis). A tentação para o bem vem de Deus, e seu objetivo é testar e fortalecer a fé (tentatio probationis). Exemplos de tentatio seductionis são a tentação de Cristo pelo diabo (Mt 4.1ss) e pelas tentações dos cristãos por sua carne má (Tg 1.14: “Mas as pessoas são tentadas quando são atraídas e enganadas pelos seus próprios maus desejos.” Exemplos da tentatio probationis são a tentação de Deus a Abraão, com a ordem de sacrificar Isaque (Gn 22.1-18) e Deus permitir que o falsos profetas apareçam com sinais e maravilhas para levar as pessoas à prova, e ver se elas continuarão na Palavra de Deus (Dt 13.3: “Mas não deem atenção a esse profeta ou a essa pessoa que explica sonhos. Pois é assim que o Senhor, nosso Deus, vai pôr vocês à prova, para ver se, de fato, o amam com todo o coração e com toda a alma.”). Também no Novo Testamento Deus permite o surgimento de heresias (aivre,seij), não para provocar a apostasia dos cristãos, mas “para que fique claro quem são os que estão certos.” (1Cor. 11.19), e Paulo testa (dokima,zwn) o amor dos cristãos para mostrar se é sincero (2Co. 8.8s).
     Quando os homens criticam a tentatio probationis, dizendo que isto tornaria Deus a causa pecatti, eles cometem crimen laesae maiestatis divinae. Para afastar tais pensamentos, Deus nos diz claramente nas Escrituras que ele “não deixará que vocês sofram tentações que vocês não têm forças para suportar”. (1Co 10.13). O axioma escriturístico é: Quem sucumbe à tentação, sucumbe por sua própria culpa, ou seja, por sua própria autossuficiência, isto é, deserção da graça, como foi o caso de Pedro (Mt 26.33-36). Todos os cristãos são advertidos: “Portanto, aquele que pensa que está de pé é melhor ter cuidado para não cair.” (1Co 10.12). Mas quem vence a tentação deve a vitória não ao seu próprio mérito e poder, mas unicamente à graça de Deus.

Tradução: Rev. Jarbas Hoffimann
Pieper, Francis, Christian Dogmatics, CPH, Saint Louis, MO, p. 563-4 (Doctrine of man)

sábado, 14 de maio de 2016

Lei é lei e precisa ser cumprida

A Igreja Luterana é uma igreja evangélica. Ou seja, uma igreja que fala do Evangelho. Que proclama o Evangelho.
Em termos bem simples, Lei e Evangelho são:
Lei, aquilo que Deus exige de nós.
Evangelho, aquilo que Deus fez e faz por e para nós.

Nós somos parte de uma igreja que não se envergonha, mas dá graças a Deus pelo evangelho, como diz Rm 1.16-17: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.”
O justo é aquele que crê em Jesus Cristo. Não existe uma justiça própria, mas nossa justiça diante de Deus vem da fé em Jesus Cristo.
Nós não nos envergonhamos do evangelho.
Proclamamos. Vivemos o evangelho. E o evangelho fala que Deus quer salvar a todos. A mim e a todos que ainda estão longe de Deus.
De tanto ressaltar o Evangelho parece que esquecemos que Deus também nos deixou sua lei. Especialmente expressa nos 10 mandamentos.
Ouvimos tanto que Jesus Salva gratuitamente, que podemos confundir, achando que podemos viver de qualquer jeito e Deus ainda nos perdoará. Isto é confundir Lei e Evangelho.
O teólogo C. F. W. Walther, em seu livro Lei e Evangelho, diz:
“Distinguir devidamente entre lei e evangelho é a arte cristã e teológica mais difícil e elevada, a qual só o Espírito Santo ensina na escola da experiência.”
Se por um lado a Lei não salva ninguém, ninguém será salvo sem cumprir a Lei de Deus.
Vejamos:
Se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. (Êx 19.5-6)
Se ouvirmos a voz... Ou seja, se dermos atenção ao que o Senhor espera de nós. Deus nos salvou. Nos tirou do caminho da condenação e nos guia por esse caminho. Mas nós, se nos afastamos de Deus, estamos nos lançando novamente na condenação. E o meio de não ir para a condenação é viver sob a guarda dos mandamentos de nosso Deus. Os mandamentos são nossos protetores. Somos livres para seguir os mandamentos.
João diz ainda:
Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. (Jo 8.21)
De nada adianta dizer que ama a Deus e não estar na sua presença.
De nada adianta dizer que ama a Deus e viver em pecado.
Isso é engano e a pessoa que viver assim, esta está condenada e nem sabe. Está se enganando, achando que no final, independente de como eu viva, o Senhor me dará a salvação...
Jesus morreu não para nós nos lançarmos novamente no pecado. Ele morreu para nos libertar do pecado e vivermos uma nova vida.
O Espírito Santo nos conduz por esse caminho de vida, que um dia terminará na vida eterna.
João ainda nos lembra:
Não vos deixarei órfãos (Jo 14.18)
Deus não nos abandonará jamais.
Mesmo que nós sejamos teimosos e nos afastemos do Pai, ele mandará seus mensageiros para nos buscarem. E tomara que consigam trazer-nos de volta. Pois se pecamos e não voltamos, arrependidos, para Deus, seremos condenados.
Mas se voltarmos para Deus, ele nos recebe de braços abertos e nos fortalece novamente.
O Espírito Santo é quem nos guia. Como Diz Romanos: Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. (Rm 8.14)
Se nós nos deixamos guiar pelo Espírito Santo, aí sim somos filhos de Deus. E como o Espírito Santo nos guia?
Palavra, Batismo e Santa Ceia.
O Espírito Santo, por estes meios, nos mantém na fé em Jesus Cristo.
A Santa Ceia perdoa pecados.
A Palavra orienta para a vida e para a vida eterna.
O Batismo nos coloca na família da fé.
E a Palavra orienta, também pelos mandamentos, como diz Jesus em João: Se me amais, guardareis os meus mandamentos (Jo 14.15)
Vocês amam a Deus?
Se sim, vão procurar guardar os mandamentos.
Assim como o povo de Israel disse: Tudo que o Senhor falou faremos (Êx 19.8).
Esse povo, como sabemos, falhou...
Mas sempre que se arrependeu, o Senhor perdoou.
Nós também vamos falhar.
E temos a mesma promessa de Deus de que ele nos perdoará e nos conduzirá por bom caminho.
Por isso, não esqueçam da Lei de Deus. Ela nos mostra o que Deus espera de nós e do mundo todo. Busquem cumprir a lei de Deus em sua perfeição. Não aceitem menos que “perfeito”...
Mas lembrem-se sempre: nós vamos falhar, porque somos pecadores. E, quando falharmos, se arrependidos buscarmos o perdão, seremos perdoados por causa de Jesus Cristo, que deu sua vida para nosso perdão, vida e salvação.
Onde nós falhamos em cumprir a Lei, Jesus cumpre perfeitamente e nos dá a vitória sobre o pecado, o mundo e nossa própria carne. Somos salvos não por fazer o que a lei manda, mas por crer em Cristo, que nos salvou, cumprindo toda a lei em nosso lugar.

Amém.

Leitura Bíblica para a Quaresma 2026

Você sabe o que é a Quaresma? Muita gente acha que é o tempo de sofrimento e privação (jejum etc...) que começa depois do carnaval. Infelizm...