sábado, 21 de agosto de 2010

O pai que ama, corrige

Hb 12.4-24
13º Domingo após Pentecostes


Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

Sl 50.1-15; Is 66.18-23; Hb 12.4-24; Lc 13.22-30


A Paz do Senhor esteja com todos vocês. Amém.

Queridos irmãos em Cristo.

Está em tramitação, em nosso congresso, uma lei que vai novamente afetar as relações familiares. Estamos caminhando para uma estatização dos filhos. Parece que os pais não devem mais ter responsabilidade sobre os filhos. O governo está tomando, à força de leis, o direito sobre as crianças.

Ainda esta semana li um comentário sobre a lei das palmadas, que afirma:


 “A lei contra as palmadas introduz dentro de casa um ‘olhar soturno do governo’ que ficará perpetuamente entre os pais e as crianças como um protetor dela (da criança) contra eles (os pais). Criará a impressão de que, no fundo, os pais são maus e o Estado é bom. Salta aos olhos que o verdadeiro dono dos filhos será o Estado. Pasmo ao imaginar que o Estado, que é favorável ao aborto, vira protetor dos filhos contra os pais! Aliás, já existem leis preconizando a permanência dos filhos doze horas na escola logo a partir dos 3 ou 4 anos de idade. É a formação estatal, comunitária, igualitária, que torna a família desnecessária e a transforma em mera ‘chocadeira’ para novos cidadãos.”

Não quero defender espancamentos. Isso é crime. Todo pai e mãe verdadeiro sabe. Mas é muito simplista afirmar que toda palmada é agressão. Que a pessoa ficará marcada para o resto da vida e que isso gerará um comportamento violento.

PMDCG031O comportamento violento que estamos vivendo vem exatamente da ineficácia de nossos governos em sanar problemas como educação e segurança. Ou na impressão que as autoridades passam de que ninguém será condenado, faça o que fizer.
Mas o tema da disciplina responsável de pais para com os filhos me saltou aos olhos quando li novamente Hebreus 12.(5-6):
“Preste atenção, meu filho, quando o Senhor o castiga, e não se desanime quando ele o repreende. Pois o Senhor corrige quem ele ama e castiga quem ele aceita como filho.”
O pai corrige porque ama. Porque corrigir é difícil e dá trabalho. É muito mais fácil deixar a pessoa fazer o que quiser e arcar com as consequências. Mas corrigir é necessário.
O pai, mostra o caminho certo. Esta é a função de nós pais e mães. Não é função estatal. Não é função da Igreja. Nós Pais é que precisamos cuidar e cuidar bem dos nossos filhos. E fazendo o melhor, pode ser que ainda não fique como esperávamos. O que não significa que foi falha do pai ou da mãe. O ser humano tem a infeliz capacidade de buscar o erro sozinho, mesmo que seja orientado para o bem.
De maneira semelhante, o Senhor nos exorta, pois fomos chamados, em Cristo, para ser seus filhos. O Pai nos repreende e aponta o caminho certo a seguir. E quando preferimos seguir longe dele, a culpa não é do Pai. Ele faz todo o necessário para nos ter perto de si:
Ele no deu a vida e sustenta. Enviou Jesus Cristo, que morreu para nos dar perdão dos pecados. Enviou o Espírito Santo, que nos dá a fé e conserva na fé. Nos orienta por meio de sua Santa Palavra e nos alimenta e preserva diariamente.
Queridos irmãos em Cristo.
Ninguém gosta de ser corrigido, mas a correção é necessária. Outro dia li a seguinte frase: “o pai que leva seu filho à Igreja, não terá que busca-lo na cadeia.” Embora não se possa concordar com a totalidade desta afirmação, ela traz algo de verdade: se educando no caminho de Deus, as pessoas ainda podem escolher o lado mau, imaginem se elas nunca tiverem a orientação certa!
Diz a palavra do Senhor (Hb 12.8): “Se vocês não são corrigidos como acontece com todos os filhos de Deus, então não são filhos de verdade, mas filhos ilegítimos.”

Julgamento de salomão - dividir a criança ao meioLembram das duas mulheres que brigavam pela mesma criança, diante de Salomão? Quando Salomão mandou cortar a criança no meio a ladra disse: “Podem cortá-lo em dois pedaços! Assim ele não será nem meu nem seu.” (1Rs 3.26).
O verdadeiro pai jamais fica tranquilo com a ruína de seus filhos. Por isso Salomão entregou a criança para a verdadeira mãe. E precisamos lembrar que ser pai e mãe é algo maior do que os laços consanguíneos.
Com amor maior do que qualquer laço de sangue, o nosso Pai do céu olha para nós e lembra: “Se me chamarem no dia da aflição, eu os livrarei, e vocês me louvarão.” (Sl 50.15).
O filho, com a bênção do Senhor, vai crescer. O filho de Deus também precisa crescer. O filho vai estudar, casar, sair de casa e viver sua própria vida, constituindo nova família. O filho de Deus, alimentado pela Palavra e pelos sacramentos, também vai crescer na fé. Mas pode ser que enfrente problemas. Pode ser que venham as provações. Pode ser que venham as angústias...

Nesse momento, quando parece que Deus nos abandonou, precisamos ter diante de nossos olhos as palavras do Senhor (Hb 12.10-11: “Os nossos pais humanos nos corrigiam durante pouco tempo, pois achavam que isso era certo; mas Deus nos corrige para o nosso próprio bem, para que participemos da sua santidade. Quando somos corrigidos, isso no momento nos parece motivo de tristeza e não de alegria. Porém, mais tarde, os que foram corrigidos recebem como recompensa uma vida correta e de paz.”

E logo a em seguida a Palavra dá conselhos práticos que também são para nós:

(14) “Procurem ter paz com todos”. (14) “Se esforcem para viver uma vida dedicada ao Senhor”. (15) “Cuidado para não abandonar a graça de Deus”. (16) “Cuidado para não perderem o respeito pelas coisas sagradas”.

É o Pai chamando os filhos para o bom caminho. São orientações que servem muito bem para nós. Pois o Senhor, como um pai, está nos chamando de volta. Para entrar enquanto é tempo.

Depois que for fechada a porta, não adianta ficar batendo do lado de fora (Lc 13.25-26): “Senhor, nos deixe entrar!” ... Pois “Nós comemos e bebemos com o senhor. O senhor ensinou na nossa cidade.”

Na hora que a porta for fechada, o tempo da salvação terá passado. Mas enquanto estamos neste mundo, ainda há tempo para ouvir o Senhor que nos orienta; nos chama; nos exorta e repreende para não ficarmos no erro.

Mesmo que por vezes a orientação pareça dura. É a orientação daquele que nos ama, como um pai que corrige seus filhos. É a orientação que nos trará de volta, como o Filho Pródigo que, arrependido, voltou e foi recebido por um pai amoroso.

Com um amor ainda maior, o nosso Pai do céu nos quer receber hoje e sempre. Para que nós estejamos seguros nessa família da fé. E a Santa Palavra nos diz: creia em Jesus e você será salvo. Creia no filho e seja tornado filho também. Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus.” (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Iguaçu-RJ

Soli Deo Gloria

domingo, 15 de agosto de 2010

Fé em quem?

Hb 11.17-31, 12.1-3
12º Domingo após Pentecostes

 

Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

Sl 119.81-88; Jr 23.16-29; Hb 11.17-31, 12.1-3; Lc 12.49-56

 

A Paz do Senhor esteja com todos vocês. Amém.

Queridos irmãos em Cristo, semana passada, eu comecei a mensagem com uma frase dita pelo jornalista Joelmir Beting, que afirmava:

“Para quem não tem fé, prova nenhuma é suficiente e para quem tem fé, prova nenhuma é necessária.”

Semana passada, também tratamos do tema fé, da perspectiva atual. Em que muitas vezes se tem uma fé sem objetivo. A pessoa diz que tem fé, mas não sabe em quê. Falamos de uma fé desorientada ou mal orientada por pessoas inescrupulosas. E lembramos que muitos têm fé em pessoas e seus poderes e não em Deus.

Mas a pergunta que sempre de novo aparece é: afinal, o que é fé? E a resposta está no início do texto de Hb 11:

“A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.” (Hb 11.1).

Semana passada perguntamos “Fé em que?” E concluímos que a fé só pode ser em Deus e não nos seus discípulos.

E os exemplos disso, são claros, como o acontecido a Paulo e Barnabé, em sua viagem a Listra e Derbe. Eles tinham realizado muitas coisas boas para as pessoas daquelas cidades, então, as pessoas daquele lugar, que adoravam a outros deuses, acharam que seus deuses tinham descido até eles e começaram a festejar Paulo e Barnabé, como deuses.

Os discípulos poderiam ter aproveitado a festa, mas em vez disso disseram: “Amigos, por que vocês estão fazendo isso? Nós somos apenas seres humanos, como vocês. Estamos aqui anunciando o evangelho a vocês para que abandonem essas coisas que não servem para nada. Convertam-se ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que existe neles.” (At 14.15).

Os verdadeiros discípulos do Senhor, sempre vão apontar apenas para Deus e jamais vão ficar se vangloriando de ter feito milagres. Assim como aconteceu com Paulo e Barnabé.

A fé verdadeira é apenas no Deus verdadeiro, que se revelou na Bíblia.

Foi pela fé em Deus que Abraão saiu de sua terra e confiou que seria pai de muitas pessoas, mesmo não tendo filhos perto dos 100 anos.

Ele foi pai de Isaque e foi provado por Deus em sua fé. Pois logo depois do nascimento de Isaque, com o menino já bonito e crescendo, o Senhor pede que Abraão lhe ofereça o próprio filho em sacrifício. E ele vai!

Mas o Senhor lhe diz que não queria o filho, queria provar a sua fé. E Abraão hoje é reconhecido como um dos pais da fé, por confiar que Deus sempre lhe faria o melhor. Como nos diz Rm 8.28: “todas as coisas trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus.”

É fácil ter fé nestas palavras quando tudo vai bem, mas quando o senhor prova nossa fé, quantas vezes vacilamos!

Fé é algo que também se aprende, com os exemplos que outros nos dão. Assim como Isaque seguiu os passos de seu pai e continuou confiando em Deus.

Fé se aprende ao ler a Bíblia, ou ao vir ao culto. Fé se aprende ao ouvir os cristãos mais velhos e às vezes às crianças, com sua fé sem questionamentos.

fe-e-compromisso2Ainda esta semana, uma serva que completava aniversário, fez uma oração na qual dizia: “Deus não prometeu dias sem dor; risos sem sofrimentos; sol sem chuva. Ele prometeu força para o dia; conforto nas lágrimas e luz para o caminho.” E estas palavras tão bonitas, de um autor desconhecido, ganham um sentido profundo nas palavras de um crente experiente. Porque este pode afirmar com toda a confiança, que o Senhor fez mesmo o que prometeu e nunca deixou faltar a força nos dias de fraqueza, o conforto no sofrer e a luz do caminho. Isto é fé.

Isto é fé em Deus que é a única fé que realmente importa.

Vocês já notaram como as pessoas gostam de falar em fé!?

Há muitas músicas populares sobre fé:

“Andar com fé eu vou, a fé não costuma faiá.” Canta Gilberto Gil. E afirma que “Mesmo a quem não tem fé a fé costuma acompanhar. Pelo sim... Pelo não.”

A lógica desta música é a mesma lógica que muita têm. Muitas pessoas se agarram a tudo, pensando poder crer em Buda, Maomé e Jesus Cristo. Buscar ajuda na cartomante, no horóscopo e jogar uns presentinhos pra Iemanjá. Carregam a cruz, ou crucifixo e uma figa para dar sorte.

Quer dizer, se seguram em tudo que aparece, pois ainda não estão seguras na Rocha firme que é Jesus Cristo. Então, “pelo sim, pelo não” colocam sua fé em tudo.

Outra música popular dos anos 90 “Alagados” do Paralamas do Sucesso, também dizia que as pessoas sabem “A arte de viver da fé, só não se sabe fé em quê”.

Ou melhor: fé em quem?

Em quem você crê? Esta é uma pergunta que você precisa se fazer. A fé do seu pai ou da sua mãe não vai salvar você. A fé dos seus filhos também não te salvará. Cada um é responsável pela fé que o Senhor lhe deu.

Abraão creu nas promessas de Deus e foi salvo. Isaque também. Assim como Jacó, pai das 12 tribos de Israel.

E os outros exemplos do livro de Hebreus lembram que Moisés não quis permanecer como príncipe do Egito, mas pela fé, aceitou a tarefa que Deus tinha dado a ele. Pela fé, todo o povo de Israel atravessou o Mar Vermelho. E depois de caminhar pelo deserto, chegou à terra prometida.

É verdade que aquele povo vacilou em sua fé, mas o Senhor sempre o acolheu, quando estava arrependido.

Assim também o Senhor faz conosco, mesmo que tenhamos andado longe dele. Ele nos procura e nos chama de volta. E assim podemos voltar.

Voltar àquele que é o Caminho, a verdade e a vida e permanecer nele. E hoje é o dia da nossa salvação, pois o amanhã pode não existir...

Hebreus simplesmente lembra os nomes de muitos heróis da fé. Mas nós poderíamos colocar muitos outros. Certamente muitos de nossos conhecidos demonstraram ou demonstram uma fé verdadeira em Deus.

E Hebreus termina dizendo: 1Assim nós temos essa grande multidão de testemunhas ao nosso redor. Portanto, deixemos de lado tudo o que nos atrapalha e o pecado que se agarra firmemente em nós e continuemos a correr, sem desanimar, a corrida marcada para nós. 2Conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele quem a aperfeiçoa. Ele não deixou que a cruz fizesse com que ele desistisse. Pelo contrário, por causa da alegria que lhe foi prometida, ele não se importou com a humilhação de morrer na cruz e agora está sentado do lado direito do trono de Deus. 3Pensem no sofrimento dele e como suportou com paciência o ódio dos pecadores. Assim, vocês, não desanimem, nem desistam.”

Nós temos ainda uma multidão muito maior. Mas o nosso grande exemplo e nosso  Salvador é Jesus Cristo. É nele que precisamos crer, para nossa Salvação. É por causa dele que todos os heróis da fé foram salvos.

Eu não posso crer por ninguém e ninguém pode crer por mim. A fé é pessoal e intransferível. Mas ela é compartilhável. Compartilhamos a fé, quando testemunhamos o Salvador Jesus às pessoas ao nosso redor. Assim, a fé que é intransferível, cresce no outro, por meio da ação do Espírito Santo, enquanto crescemos na Palavra do Senhor.

Que o Bondoso Deus, por meio da Palavra, nos aumente dia após dia a fé. E que as dificuldades da vida sejam todas superadas, porque o Senhor anda com os seus. É nele que nossa fé começa e é ele quem nos mantém na fé. É nele que cremos e todo aquele que crê, mesmo que morra, viverá para sempre com Deus. Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus.” (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Iguaçu-RJ

Soli Deo Gloria

domingo, 8 de agosto de 2010

Fé em quê?

Hb 11.1-16
11º Domingo após Pentecostes

Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

Sl 33.12-22; Gn 15.1-6; Hb 11.1-16; Lc 12.22-34

A Paz do Senhor esteja com todos vocês. Amém.

Queridos irmãos em Cristo, hoje quero começar com uma frase dita pelo jornalista Joelmir Beting, no programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes de Televisão.

O Programa passa no fim de domingo e não costuma ser muito assistido, porque as pessoas normalmente não querem discutir assuntos no domingo à noite, preferem o Fantástico, o Gugu e o Sílvio Santos, ou mesmo dormir para acordar cedo na segunda.

Pois bem, num destes programas, no qual se falava sobre fé, o jornalista, lembrando as paixões que o tema fé desperta, antes de chamar o intervalo, disse:

“Para quem não tem fé, prova nenhuma é suficiente e para quem tem fé, prova nenhuma é necessária.”

Muito bem. Falemos então de fé.

“A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.” (Hb 11.1).

Mas a fé tem sido alvo também de muitos ensinos errados:

Coloque sua fé para trabalhar. Exercite sua fé. Faça sua fé crescer. Tenha uma fé poderosa.

Estas são algumas das exortações que ouvimos atualmente.

Notem como a fé vem sendo distorcida. Porque tudo passa para a capacidade humana, como se a fé fosse algo em nós, que nos tornaria capazes de fazer algo, por nós mesmos.

Coloque sua fé para trabalhar. Exercite sua fé. Faça sua fé crescer. E a última: “Tenha uma fé poderosa” é ainda mais estranha.

E quase tudo que se ouve falar de fé, está falando errado.

Fora isso, as pessoas parecem ter hoje uma fé sem objetivo.

Alguns dizem: “tenho fé que vou vencer!” – mas fé em que ou em quem?

Outros apenas dizem ter fé. Mas em que, ou em quem?

A fé que salva... Aquela que Deus nos dá... Aquela fé que salva e poderia mover montanha, caso fosse do tamanho de um grão de mostarda (Mt 17.20)... Esta fé é objetiva. Não é algo que fica pairando no ar, como uma nuvem.

A fé que salva é gerada pelo Espírito Santo, por meio da Palavra e do Batismo. A fé que salva, é sustentada pelo viver na Palavra, no Batismo e pelo participar da Santa Ceia. A fé que salva aponta para Jesus Cristo é diz: “creia em Jesus e você será Salvo” (At 16.31 e mais 23 passagens do Novo Testamento que afirmam a mesma coisa).

É a fé no Senhor Jesus que nos torna justos diante de Deus (v. 2). É pela fé, sem maiores explicações, que compreendemos que tudo que existe (v. 3), existe porque Deus disse: “haja” (Gn 1.3).

Hoje fala-se também de colocar a fé para trabalhar. E isso nada mais é do que os exemplos que nos são dados em Hebreus:

Abel ofereceu um sacrifício melhor (v. 4), pois pela fé, procurou oferecer com sinceridade o melhor que tinha.

Um descendente da sexta geração de Adão, Enoque (v. 5) serviu fielmente a Deus e foi poupado da morte, levado aos céus pelo Senhor, por volta do ano 1000 depois da saída do Jardim.

Foi também por fé que Noé, acreditou que ia chover muito e, mesmo sendo ridicularizado pelos seus contemporâneos, construiu um barco enorme no deserto. E por fé, ele e sua família foram poupados na maior catástrofe natural da história da humanidade.

O que é colocar a fé para trabalhar?

Resposta de Hebreus: “cheguemos perto de Deus com um coração sincero e uma fé firme, com a consciência limpa das nossas culpas e com o corpo lavado com água pura. Guardemos firmemente a esperança da fé que professamos, pois podemos confiar que Deus cumprirá as suas promessas. Pensemos uns nos outros a fim de ajudarmos todos a terem mais amor e a fazerem o bem. Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir às nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros...” (Hb 10.22-25).

Isso é colocar a fé para trabalhar. Isto é exercitar a fé.

Descoberta Espiritual É viver em Cristo e com Cristo diariamente. Crescendo na comunhão e no estudo da Palavra. Como Tiago também sempre é lembrado: “... alguém pode dizer: ‘Você tem fé, e eu tenho ações.’ E eu respondo: ‘Então me mostre como é possível ter fé sem que ela seja acompanhada de ações. Eu vou lhe mostrar a minha fé por meio das minhas ações.” (Tg 2.17-18).
Há uma parábola que fala de fé e que conta:
Um alpinista sempre buscava superar seus desafios.
Depois de muito preparo, resolveu escalar o Aconcágua. E como queria a fama apenas para si, resolveu fazer a escalada sozinho.
Então ele foi subindo. Porém o dia foi passando sem ele perceber e foi ficando escuro. E ele não achou que fosse demorar tanto, por isso nem se preocupou em local pra acampar. E nos apetrechos.
Por isso segui subindo.
Escureceu e não era possível enxergar um palmo à frente do nariz.

Não via absolutamente nada, não havia lua, tempo nublado, sem estrelas. Toda civilização e suas luzes muito distantes para iluminar.

Então, de repente, ele escorregou e caiu vertiginosamente. A sua corda de segurança ia se soltando grampo após grampo e parecia que não ia mais parar.

Nesses momentos angustiantes, passaram por sua mente todos os momentos felizes e tristes que ele havia vivido em sua vida. De repente, ele sentiu um puxão forte que quase o partiu pela metade. Finalmente a corda de segurança, tinha ficado fixa.

Naquele silêncio, suspenso pelos ares e na escuridão completa, não sobrou nada a fazer, se não gritar. E clamou por Deus:

— Ó meu DEUS, ajude-me!!!

De repente uma voz grave e profunda vindo do céu respondeu:

— O que você quer de mim, meu filho?

– Me salve meu DEUS, por favor!!

E DEUS respondeu:

— Você realmente acredita que possa te salvar?

E o alpinista respondeu:

— Eu tenho certeza meu DEUS!

E DEUS respondeu:

Vida — Então corte a corda que te mantém pendurado...
Houve um momento de silêncio e reflexão. O homem se agarrou mais ainda à corda e refletiu que se fizesse isso morreria...
O pessoal de resgate conta que no outro dia encontrou o alpinista congelado, morto, agarrado com força, com as duas mãos a uma corda... tão somente, a dois metros do chão...

Queridos irmãos.
Alguns dizem que esse seria o “salto da fé”. Alguns de nós concordaríamos que isso sim é fé. É largar a corda e saltar no escuro.

Mas notem que se fosse assim, a atitude estaria novamente na ação da pessoa.

Apesar dessa estorinha refletir alguma verdade sobre a fé. Ela mostra um Deus que não reflete nosso Deus de amor. Ela não mostra o Deus no qual cremos.

Nosso Deus não teria mandado cortar a corda. Ele teria pego pela mão e colocado no chão. Não ficaria testando na hora de maior desespero, mas teria dito: “Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso.” (Mt 11.28)

A fé verdadeira, é aquela que se apega a Jesus Cristo. Ela é gerada em nós pelo poder do Espírito Santo. Ela é mantida e aumentada, pela ação do Espírito Santo, enquanto estudamos a Palavra do Senhor, seja nos cultos, nos estudos bíblicos, ou particularmente.

Lembrem-se: “Pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus.” (Ef 2.8).

Sem fé é impossível agradar a Deus. (v. 6) Porém todo aquele que, com fé chegar diante de Deus, será recebido pelo Pai. Pois o Senhor Jesus afirma: “Todos aqueles que o Pai me dá virão a mim; e de modo nenhum jogarei fora aqueles que vierem a mim.”. Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus.” (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Iguaçu-RJ

Soli Deo Gloria

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

“Pai, meu Pai”

O Espírito torna vocês filhos de Deus; e pelo poder do Espírito dizemos com fervor a Deus: “Pai, meu Pai!” (Rm 8.15)

Agosto nos recorda de olharmos um pouquinho para nossos pais. Nossos pais estão precisando de nossos olhos. Nossos pais estão envelhecendo. Estão ficando cansados. Nossos pais, ainda têm muito a aprender, mas muito a nos ensinar também. E felizes aqueles que ainda têm os seus pais bem juntinhos.

pai_e_filho Romanos 8.15 diz assim: Porque o Espírito que vocês receberam de Deus não torna vocês escravos e não faz com que tenham medo. Pelo contrário, o Espírito torna vocês filhos de Deus; e pelo poder do Espírito dizemos com fervor a Deus: “Pai, meu Pai!”

Nós, por causa de Jesus Cristo, fomos tornados filhos de Deus (Jo 1.12). Fomos perdoados dos pecados (1Jo 1.7) e somos contados entre os que herdarão a vida eterna (Tg 2.5). Esse mesmo Jesus nos alertou para amarmos uns aos outros (1Pe 1.22), como amamos a nós mesmos (Mt 22.39) e porque ele nos amou primeiro (1Jo 4.19).

Mas como poderemos amar a Deus, a quem não vemos (1Jo 4.20), se não conseguirmos amar nosso “velho” pai, que está do nosso lado cotidianamente?

Jesus nos ensinou o amor. E como filhos de Deus, acolhemos nosso pai terrestre que também precisa do Pai do céu. Muitas vezes precisaremos dar um “colinho” pro nosso pai. Mesmo que ele pareça não querer.

Imagine o que passa na cabeça de um pai que busca sustentar dignamente sua família, mas não está conseguindo trabalho. Quer levar seus filhos para Jesus, mas seus filhos o ignoram e se zangam com ele porque estavam na farra até de madrugada e agora querem dormir. ...

Como pai, posso dizer que não existe tarefa mais árdua e mais prazerosa na vida. Não há como explicar.

pai e filho de mãos dadas Como filho, preciso dizer que muitas vezes achei que meu pai soubesse e não lhe disse: “Pai, eu amo o senhor”... É claro que ele sabe. Mas certamente gostará de ouvir de novo. Assim como nós gostamos de ouvir sempre de novo: Deus amou vocês e quer levar vocês à vida eterna. Busquem o Senhor, como filhos buscando seu pai, “Pai, meu Pai”, amém.

Ore: Pai do céu. Ensina-nos a amar nossos pais, assim como o Senhor nos amou. Amém.

Rev. Jarbas Hoffimann – Nova Iguaçu-RJ