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sexta-feira, 21 de junho de 2019

Curso sobre o Santo Ministério

      Veja o curso (ainda está sendo publicado) completo sobre o Santo Ministério, dos pastores da Região Sudeste, da Igreja Evangélica Luterana do Brasil.
      No mesmo blog há todo o curso em texto e diversos outros recursos para estudos sobre o tema.

Clique aqui

terça-feira, 7 de agosto de 2018

A posição da IELB sobre o aborto

Porto Alegre, RS, 07 de agosto de 2018

A POSIÇÃO DA IELB SOBRE O ABORTO

    Visto que o aborto foi levado ao Supremo Tribunal Federal e ali foi discutido em audiência pública, líderes de igrejas também se manifestaram. Alguns colocaram sua posição contrária ao aborto, outros, porém, colocaram-se a favor. Diante disso, também a Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) foi questionada a respeito. Em resposta, evidentemente, não é possível dar um longo parecer. No entanto, trazemos, de forma resumida, a posição da IELB.
     Em primeiro lugar, a IELB chama atenção para o fato de que julgamentos feitos por cortes judiciais, inclusive pelo Supremo Tribunal Federal, sobre a legalidade ou ilegalidade de ações das pessoas, não resolvem assuntos morais e não são determinativos para a consciência cristã.
     Em segundo lugar, quanto ao aborto, evidentemente, ocorrem abortos espontâneos e inevitáveis, que se equiparam à morte de uma pessoa. Agora, quanto a abortos provocados, a posição da IELB é esta: Visto que o aborto provocado implica em tirar uma vida humana, ele não é uma opção moral viável, a não ser que se trate de um infeliz e inevitável procedimento médico necessário para evitar a morte de outro ser humano, a saber, da mãe. Se não houver esta infeliz e inevitável necessidade de escolha entre duas vidas, o aborto provocado se equivale ao assassinato, pois claramente é uma desobediência aberta ao quinto mandamento, dado por Deus, que diz: “Não mate” (Êxodo 20.13). Isto, porque, do ponto de vista bíblico, o embrião humano já é um ser humano, conforme Davi, inspirado pelo Espírito Santo, claramente
confessa no Salmo 139.13-16 (NAA):
Pois tu formaste o meu interior,
tu me teceste no ventre de minha mãe.
Graças te dou, visto que de modo assombrosamente maravilhoso
me formaste;
as tuas obras são admiráveis,
e a minha alma o sabe muito bem.
Os meus ossos não te foram encobertos,
quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas
da terra.
Os teus olhos viram a minha substância ainda informe,
e no teu livro foram escritos todos os meus dias,
cada um deles escrito e determinado,
quando nem um deles ainda existia.
     Além de o aborto provocado ser uma séria ofensa contra o quinto mandamento, ele também é ofensa contra o primeiro mandamento, em que Deus diz: “Não tenha outros deuses diante de mim” (Êxodo 20.3). Pois a ação de abortar claramente é manifestar rejeição de honrar a Deus como o Criador e de buscá-lo acima de tudo em tempos de necessidade. Assim, isso se encaixa naquilo que diz o apóstolo Paulo, em Romanos 1.32: “Embora conheçam a sentença de Deus, de que os que praticam tais coisas são passíveis de morte, eles não somente as fazem, mas também aprovam os que as praticam”.
     Portanto, em consonância com o ensinamento bíblico, a IELB é contrária à prática do aborto provocado de forma indiscriminada.
     Atenciosamente,

Rev. Dr. Rudi Zimmer
Presidente da IELB

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Erguei as vozes jubiantes

Erguei as vozes, jubilantes: Pastor Jarbas

Para ver os vídeos de ensaio de cada voz, acesse o canal do youtube:
www.youtube.com/pastorjarbas

Inscreva-se e ative as notificações (o sininho) para ser informado sobre as postagens de vídeos do canal.

Também é possível ver os vídeos em www.musicaluterna.blogspot.com.
Quando houver mid e pdf, estarão nesta página do site PastorJarbas: Palavra Candada

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Oração de Habacuque

Não tenho como manter a partitura online, pois uso a versão free do musescore, que só permite 10 partituras online.
Assim, se precisar, entre em contato.

Veja os vídeos de ensaio.
Soprano | Contralto | Barítono | Baixo | 4 vozes
Quando houver mid e pdf, estarão nesta página do site PastorJarbas: Palavra Cantada

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

História de Lutero - 1 - Do nascimento à Universidade

Nesta semana que se comemora os 500 anos da Reforma Luterana, veja algumas informações históricas sobre o Reformador que reconduziu a Igreja à verdade bíblica de que a "salvação é somente pela fé em Cristo Jesus".

Nascimento

Martinho Lutero nasceu na cidade de Eisleben, na Alemanha, no dia 10 de novembro de 1483. E foi batizado no dia seguinte, que era o Dia de São Martinho, por isso recebeu seu nome em homenagem ao santo do dia. Seu pai era camponês e, mais tarde tornou-se mineiro. Trabalhava da manhã à noite nas sombrias minas de carvão. Chamava-se João Lutero. Sua mãe chamava-se Margarida Lutero. Os pais de Martinho oravam com todo fervor aos santos, ensinando a seus filhos a fazer o mesmo. Amavam muito a seus filhos, mas eram também muito severos quando estes lhes desobedeciam.

Lutero na Escola

Com a idade de 5 anos, Martinho começou a frequentar a escola na cidade de Mansfeld, para onde seus pais se haviam mudado. Nessa escola Lutero aprendeu os Dez Mandamentos, o Credo, o Pai Nosso, música sacra e também um pouco de Latim e Aritmética. Entretanto muito pouco aprendeu do amor de Deus. Ensinavam-lhe que Jesus era um Juiz severo e não um Amigo dos pecadores. E, assim, em vez de ele amar a Jesus, tinha-lhe medo. Martinho aprendeu depressa, pois era um bom aluno, muito aplicado e inteligente. Aos 14 anos matriculou-se na Escola Superior de Latim, em Magdeburgo, distante uns 90 quilômetros de onde morava. Foi aí que Lutero encontrou pela primeira vez uma Bíblia. No ano seguinte seu pai o transferiu para uma escola em Eisenach. Para se sustentar, Lutero e seus colegas tinham de cantar pelas ruas, angariando dessa forma o suficiente para viver. Numa dessas ocasiões, cantando em frente à casa de uma senhora de nome Úrsula Cotta, esta se interessou por ele e o recebeu em sua casa, dando-lhe desde então casa e comida de graça. Lutero aceitou com alegria e gratidão a oferta. Agora tinha mais tempo para se dedicar aos estudos. A família Cotta era muito culta e apreciava as artes, principalmente a música. Foi assim que Lutero passou a se dedicar à música. Mais tarde fez uso desse dom, compondo muitos hinos, que hoje são cantados na Igreja Luterana em todo o mundo. O principal desses hinos é Castelo Forte.

Lutero na Universidade

Afinal Lutero ingressou na Universidade. Nessa época seu pai já prosperara o suficiente para poder custear seus estudos universitários. Reconhecendo os dons de seu filho, desejava que se formasse advogado. Foi por isso que o mandou para a Universidade, em Erfurt. Lutero continuou a estudar com afinco, e principalmente era diligente nas orações a Deus. Aos 21 anos recebeu o título de Bacharel em Artes, estando habilitado a lecionar. Para agradar a seu pai, Lutero continuou a estudar Direito, mas logo perdeu o interesse pela matéria. Cada vez mais se dedicava ao estudo de religião, sentindo o peso dos seus pecados. Mas, por mais que quisesse agradar a Deus com a sua vida, não pôde achar a desejada paz de espírito.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Culto Luterano - Absolvição

3. A Absolvição
Novamente encontramos uma variedade de nomes para a Absolvição. Ela é chamada de Confissão, Santa Absolvição, Poder das Chaves, as Chaves, Sacramento da Penitência.[1] Ao usar qualquer dessas designações, as Confissões Luteranas ou Livros Simbólicos, referem-se à confissão e absolvição privada, e não a um grupo de pessoas muitas vezes não identificáveis como no culto público.[2]
Nessa situação privativa, a efetiva confissão dos pecados perde a sua força legalista e a importância que ela tinha no período da pré-Reforma. A confissão pode ser breve, sem necessidade de distinguir pecados veniais e mortais. O penitente deveria confessar aqueles pecados que de forma especial oprimiam a sua consciência. Teologicamente, as Confissões Luteranas, ao enaltecerem os benefícios e a importância da confissão privada, focalizam especialmente a absolvição pronunciada pelo ministro: “eu perdôo os teus pecados...”.[3]
Assim como no Batismo e na Santa Ceia, este é o perdão dos pecados aplicado ao indivíduo, o qual é apropriado pela fé deste indivíduo no perdão dos pecados em Jesus Cristo. Esta é a forma de absolvição que dá especial conforto e consolação às consciências atribuladas pelo pecado. A certeza e o poder desta absolvição direta está baseada no poder das chaves (Mt 16.19; 18.18 e Jo 20.22-23), o poder que Deus exerce por meio de seus ministros da Palavra chamados, ou seja, pelo ministério público.
Várias influências, práticas e teológicas, gradativamente levaram a Confissão e Absolvição privada ao declínio. Derivada de práticas da pré-Reforma (o Confiteor do rito romano e as formas cúlticas de orações confessionais públicas [Offene Schuld] na Alemanha), confissões grupais no culto público tornaram-se comuns. Nestas situações, as formas de “absolvição” eram expressas por meio de orações de perdão, afirmações declaratórias (“eu vos declaro o perdão de todos os vossos pecados, etc.”), e por meio de declarações simples da graça, utilizando passagens genéricas da Escritura que falam do amor salvador de Deus em Cristo pela humanidade em pecado.
As formas de Confissão e Absolvição que se encontram nas Ordens I e II do Hinário Luterano, são adaptações de formas que apareceram em várias ordens do século XVI. Enquanto uma tem suas raízes na Confissão Privada e em situações confessionais envolvendo grupos menores e, portanto, mais direta e individualizada, a outra forma tem a intenção de ser mais geral ou uma Confissão de grupo preparatória para o culto público. Neste caso, seguida por uma declaração simples da graça na qual o pastor se inclui. Não é uma situação de pastor versus penitente, como em situações de confissão privada ou de pequenos grupos. Fica a critério do pastor a decisão pela conveniência de usar uma ou outra.[4]



[1] Livro de Concórdia, Ap XII, p.197.39, 41; XIII p.223.4.
[2] Id. Ibid., Ap XII, p.208.99-103; Ap XXIV, p.266.1.
[3] Id. Ibid., AE III-VIII, p.335.1 e 2.
[4] Nelson KIRST alerta para o fato de que “Lutero não incluiu um ato penitencial nas duas grandes liturgias que elaborou (1523 e 1526). Algumas tradições protestantes “democratizaram” a antiga oração preparatória dos oficiantes. Essa oração preparatória “democratizada” passou a ser entendida como confissão de pecados e, como tal, entrou no culto regular de muitas tradições depois da Reforma.” Op. cit., p.125.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Culto Luterano - Santa Ceia

2. A Santa Ceia
As Confissões chamam o Sacramento do Altar por uma variedade de nomes. Ela é conhecida como a Ceia, Ceia do Senhor, Santa Ceia, o Sacramento, o mui venerável Sacramento, o Santo Sacramento, o Sacramento do Altar, a Missa. Com menor frequência é também chamada de Comunhão, o Corpo do Senhor, Eucaristia,[1] Liturgia, Synaxis e Agape.[2] Surpreendentemente, a construção “Santa Comunhão”, o termo mais corrente e preferido nos EUA, nunca ocorre nesta forma nas Confissões. Quer parecer que tenha sido importado para dentro da Igreja da Confissão Augsburgo a partir da Igreja da Inglaterra. É com boa razão que o Lutheran Worship preferiu o nome Culto Divino (Gottestdienst) para o culto principal da igreja.
Os elementos terrenos no Sacramento do Altar são pão e vinho.[3] As Confissões não especificam o tipo de pão ou vinho. Historicamente, todavia, os Luteranos desejaram depreciar a simbólica associação do pão e o vinho, a qual poderia dar a impressão que o corpo e sangue de Cristo estavam sendo meramente simbolizados com pão e vinho. Por esta razão se manteve a hóstia e se deu preferência ao vinho branco ou âmbar, ao invés do vinho sacramental vermelho na Igreja Luterana.
Espera-se que os comungantes recebam ambos, pão e vinho. Esses elementos visíveis do pão e vinho não devem ser adorados no Santo Sacramento.[4]
À base de nossa doutrina, com respeito ao Sacramento do Altar, são as Palavras da Instituição. Essas palavras são a Palavra de Deus no Santo Sacramento. É quando esta Palavra de Deus vem aos elementos que ele se torna um sacramento. Nossas confissões citam com aprovação essa máxima teológica de Santo Agostinho.[5] As Palavras da Instituição devem ser entendidas em seu sentido pleno e não de forma simbólica ou sentido metafórico.[6]
Para ser uma celebração válida do Sacramento do Altar, as Palavras da Instituição devem ser usadas para consagrar os elementos. Essas palavras de Cristo são eficazes mesmo em face de uma descrença ou imoralidade tanto por parte do celebrante como do comungante. O corpo e o sangue estão verdadeiramente presentes no Sacramento do Altar, e os comungantes recebem o corpo e o sangue do Senhor oralmente, não meramente de forma espiritual. Alguns recebem o Sacramento para salvação, fielmente crendo na palavra e promessa de Cristo. Outros, recebem o corpo e o sangue para seu próprio juízo, não discernindo ou reconhecendo o corpo e o sangue do Senhor, já que não têm fé.[7]
Se Cristo está presente no Sacramento, qual tipo de presença é essa? Esse problema foi uma preocupação para os teólogos na Idade Média. As Confissões definem, de forma mais ampla, o modo da presença do Senhor em termos negativos. As Confissões negam a teoria da transubstanciação. Elas negam a mudança de essência, tanto dos elementos terrenos ou celestes. Elas condenam um confinamento local para o corpo e o sangue de Cristo nos elementos terrenos. Elas condenam qualquer tipo de interpretação que sugira uma “ausência real” do corpo e o sangue de Cristo.[8]
Afirmamos a Presença Real. A pergunta, então, passa a ser como essa presença é possível? Aqui mantemos o nosso intelecto cativo em obediência a Cristo, assim como o fazemos em outros artigos de fé, aceitando esse mistério unicamente pela fé, assim como está revelado na Palavra.
Quando essa Presença Real ou união sacramental acontece? Os Livros Simbólicos não discutem o momento quando essa união sacramental inicia ou termina, com exceção da afirmação que se encontra na Fórmula de Concórdia, artigo VII, de que ela não acontece à parte do uso do Sacramento, conforme divinamente instituído. Ou seja, a consagração, a distribuição e a recepção oral. O fato simples é que, no Sacramento do Altar, o pão e o vinho são o corpo e o sangue de Cristo.
O propósito do Sacramento é conferir o perdão dos pecados no sentido mais pleno do termo. Mas o efeito do Sacramento é descrito de muitas outras maneiras: nossa fé é fortalecida em nós; lembramos os benefícios de Cristo e os recebemos por fé, de modo que somos renovados por meio deles; recebemos a garantia de que somos incorporados em Cristo, unidos a Ele e lavados pelo Seu sangue. O Sacramento do Altar é um remédio contra o pecado, a carne, o diabo, o mundo, a morte, o perigo e o inferno, e uma aplicação da graça, da vida, do paraíso, do céu, de Cristo, de Deus, e de todo o bem; um salva-guarda contra a morte e todos os males, um alimento para a alma, um nutrimento e um fortalecimento do novo homem, um pasto e um sustento diário, uma renovação da nossa fé nas lutas da vida, e um precioso antídoto contra o veneno da fraqueza.[9]
Uma das controvérsias cruciais da Reforma girou em torno do sacrifício. As Confissões afirmam que a Ceia do Senhor não é um sacrifício expiatório a ser aplicado em favor dos vivos e dos mortos. Entretanto, as Confissões também afirmam de que a Ceia do Senhor é um sacrifício de louvor e gratidão. No artigo XXIV da Apologia, Melanchthon claramente propõe o termo “sacrifício”. A cerimônia sacramental, como se afirma, é um sacrifício de louvor e ação de graças a Deus por todos os seus benefícios: “assim como entre os sacrifícios de louvor, isto é, entre os louvores de Deus, incluímos a pregação da palavra, assim pode ser louvor ou ação de graças o próprio recebimento da Ceia do Senhor.”[10]
O Sacramento é para ser celebrado na Igreja com grande reverência e obediência, até o fim do mundo. Os Confessores estavam convencidos de que eles celebravam a missa com maior dignidade e devoção, do que fizeram seus oponentes.
As Confissões enfatizam os aspectos corporativos da celebração sacramental. Sacerdotes, por exemplo, foram advertidos contra a celebração exclusiva de missas privadas, com a finalidade de celebrarem a sua própria Comunhão. O ideal, de acordo com os Livros Simbólicos, é a missa comum ou pública, na presença de toda a congregação no culto principal, pelo menos todos os Domingos e Dias Santos.[11] Com a restauração do Sacramento do Altar ao seu lugar histórico na vida da igreja, celebrações diárias privativas da Santa Ceia, realizadas à parte do culto corporativo, sem a presença do povo, ficam difíceis de ser sustentadas. Considerando que a celebração dominical tornou-se a norma, as Confissões indicam que o mesmo deve ser celebrado tão frequentemente quanto os comungantes o desejarem. A partir desta concepção, as Confissões contemplam a possibilidade de celebrá-lo diariamente.[12]
Entretanto, nenhuma regra pode ser estabelecida quanto à frequência da participação. Não há exceção quanto a esse princípio. As Confissões levemente tocam na questão da pessoa que permanece longe do Sacramento por um ano ou mais. Para assegurar que isto não aconteça, os ministros devem exortar os leigos à Comunhão frequente.[13] E, contrariamente à prática contemporânea, o celebrante pode receber o Sacramento de suas próprias mãos durante o culto.[14]



[1] Segundo WHITE, o termo eucaristia tem sido usado desde o final do século 1., op. cit., p.175.
[2] Livro de Concórdia, Ap XXIV, p.282.78 - p.284.88; CM IV, p.490.39.
[3] Id. Ibid., Ap X, p.188.1; Cm VI, p.378.1 e 2; FC DS VII, p.611.9.
[4] Id. Ibid., FC Epítome, p.523.40; FC DS VII, p.633.126.
[5] Conferir acima a nota de no 37.
[6] Livro de Concórdia., FC Epítome VII, p.519.7; FC DS VII, p.617.38 e 39.
[7] Id. Ibid., CM IV, p.493.61 e 69; FC Epítome VII, p.521.18; FC DS VII, p.621.60 e p. 623.68.
[8] Id. Ibid., AE III - VI, p.334.5; FC DS VII, p. 612.14, p.616.35.
[9] Id. Ibid., Ap XXIV, p.285.90; CM IV, p.488.23 e 24, p.493.68; FC DS VIII, p.650.76.
[10] Id. Ibid., Ap XXIV, p.273.33.
[11] Id. Ibid., Ap XXIV, p.266.6; AE II.II, p.314.8.
[12] James F. WHITE observa que: “a tentativa da maioria dos reformadores de restaurar a comunhão freqüente para os leigos teria sido um ganho formidável para os leigos, não fosse essa uma mudança demasiadamente radical em relação à prática medieval tardia de recepção pouco freqüente do sacramento...Porém alcançaram ganhos claros no culto sacramental por meio de ritos vernaculares simplificados, maior participação da congregação, canto comunitário, leigos bem catequizados e uma nova ênfase na pregação da palavra.” Op. cit., p.144.
[13] Id. Ibid., Cm Prefácio,p.365.21 e 22.
[14] Segundo Luther D. REED, Lutero não só aprovava a auto-comunhão, como repetidamente a defendeu (deinde communicet tum sese, tum populum) [Formula Missae]. E, por quase duas gerações este ato litúrgico era comum nos cultos luteranos. Mais tarde, com o declínio da percepção e do conhecimento litúrgico, o biblicismo dogmático e o subjetivismo pietista provocaram seu abandono. Contudo, os dogmáticos, permitem seu uso quando não há um outro ministro presente na celebração. E os Artigos de Esmalcalde [parte II, artigo 2] proíbem a auto-comunhão apenas quando envolve a recepção à parte da congregação. Ainda, segundo Reed, Chemnitz afirma que assim como o ministro se inclui na Confissão e Absolvição, ele também pode se incluir na Comunhão. O ministro não deveria ser exigido a participar de todas as celebrações, nem deveria ser impedido de comungar sempre que desejasse. (The Lutheran Liturgy, p.372).

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Culto Luterano - O culto litúrgico 1

II - O Culto Litúrgico - História e Teologia

A. Definindo Termos
Não é fácil falar e definir um assunto que é tão amplo como a história do próprio homem. Mas, precisamos fazê-lo de alguma forma, pois é importante entender o que estamos fazendo quando nos reunimos. James F. White nos serve de auxílio nessa grandiosa empreitada, mostrando como diferentes pensadores protestantes, católicos e luteranos usam o termo.
Escrevendo a partir da tradição metodista, o professor Paul W. Hoon define a vida cristã como sendo uma vida litúrgica. O culto para ele está vinculado diretamente aos eventos da história da salvação. Para ele, o núcleo do culto é “Deus agindo para dar a sua vida ao ser humano e para levar o ser humano a participar dessa vida”. As palavras-chave na compreensão de Hoon sobre culto parecem ser “revelação” e “resposta”. Trata-se, portanto, de uma relação recíproca em que Deus toma a iniciativa em relação ao homem por meio de Jesus Cristo e nós, por meio de Jesus Cristo, respondemos usando uma variedade de emoções, palavras e ações.
Jean-Jaques von Allmen, escrevendo dentro da tradição reformada, defende vigorosamente o culto cristão como sendo a recapitulação daquilo que Deus já fez. Para ele o culto “resume e confirma sempre de novo a história da salvação, cujo ponto culminante se encontra na intervenção encarnada do Cristo”. Von Allmen ainda descreve o culto como sendo a “epifania da igreja”, visto que, ao resumir a história da salvação, capacita a igreja a tornar-se ela mesma, tomar consciência de si mesma e se confessar entidade específica. Finalmente, ele acrescenta que culto é ao mesmo tempo ameaça de juízo e promessa de esperança para o próprio mundo. O culto, portanto, para von Allmen tem três dimensões-chave: recapitulação, epifania e juízo.
Na Igreja Católica Romana é comum descrever o culto como “a glorificação de Deus e a santificação da humanidade”. A origem dessa definição é do papa Pio X, que em ao falar sobre música na igreja em 1903, disse que o culto deve ser para “a glória de Deus e a santificação e edificação dos fiéis”. A mesma definição se repete com Pio XII e aparece com frequência na Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Vaticano II em 1963, porém, invertendo essa ordem, ou seja, fala primeiro da santificação do ser humano e então da glorificação de Deus. Felizmente mais tarde, se chegou à conclusão que glorificação e santificação formam uma unidade. Tanto a glorificação de Deus quanto a santificação das pessoas caracterizam o culto cristão.
Peter Brunner, representando o pensamento luterano, se vale do termo cunhado por Lutero — Gottesdienst, que tem tanto a conotação de serviço de Deus aos seres humanos quanto a de serviço dos seres humanos a Deus. Com respeito ao culto, Brunner cita palavras do próprio Lutero, “que nele [culto] nenhuma outra coisa aconteça exceto que nosso amado Senhor ele próprio fale a nós por meio de sua santa palavra e que nós, por outro lado, falemos com ele por meio de oração e canto de louvor”[1].
Para os luteranos, o culto é mais do que uma via de mão dupla; ele pressupõe a ação anterior de Deus e, a partir disso, provoca a resposta do homem. Por isso, entre os luteranos, se afirma que o culto é teocêntrico (centralizado em Deus), é cristocêntrico (centralizado naquilo que Deus fez por nós em Cristo) e espiritocêntrico (centralizado na ação do Espírito Santo pelos meios da graça).[2]
O termo liturgia, apesar de clássico e consagrado, é recente. O termo é pouco encontrado em documentos oficiais da igreja, ante do século XX, ganhando popularidade somente no século XXI. Muitas definições, mesmo que tendo sido elaboradas por grandes nomes, mereceram reparos.
Do início do movimento litúrgico (1909) até o Concílio Vaticano II (1962-1965), a maioria dos autores tentou chegar a uma definição de liturgia que englobasse tanto sua natureza quanto suas características essenciais. A dificuldade de fazê-lo residia no fato de a liturgia ser “uma realidade ao mesmo tempo viva e rica. Só participando dela é que pode ser compreendida. Ela não permite ver-se encerrada em conceitos”.[3]
De acordo com Arthur A. Just, uma das melhores definições é a que entende o termo leitourgia como sendo um serviço, um dever de estar na presença do Deus vivo, devido ao que Jesus é — o Ungido de Deus que veio para realizar a salvação do mundo, e devido ao que nós somos — os ungidos de Deus que carregam em seus corpos a plenitude da salvação. E nesse sentido, cristãos se reúnem para fazer liturgia, não para divertir-se — pois talvez até nem gostem da mesma, não para fazer algo que seja bom para eles, ainda que fato seja, mas eles se reúnem para fazer algo que é bom para o mundo.
Portanto, nosso foco litúrgico não é para dentro, e sim, para fora. Primeiro ele se dirige a Deus em Cristo por meio do Espírito Santo, depois se dirige para o mundo ao qual Cristo foi enviado pelo Pai no Espírito para redimir e restaurar o mundo ao seu Criador.[4]




[1] James F. WHITE, Introdução ao Culto Cristão. São Leopoldo, IEPG e Sinodal, 1997., pp.14-18.
[2] William J. SCHMELDER, Por esta Causa me Ponho de Joelhos - Manual do Líder. Porto Alegre, Concórdia, pp.14 e 15.
[3] Aimé G. MARTIMORT, A Igreja em Oração - Introdução à Liturgia. Vol. I. Petrópolis, Vozes, 1988, pp.31-33.
[4] Arthur A. JUST, Liturgy as Pastoral Care. (ensaio não publicado), 1985, pp.3 e 4.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

O culto luterano - Palavras indrodutórias

Estou revisando material "publicado" na Convenção Nacional 56.
Então, à medida que for concluindo, será postado aqui.
Trata-se de orientações elaboradas pela Comissão de Culto da IELB.

O Culto Luterano

I - Palavras Introdutórias

A IELB vem trabalhando esse tema — culto, ou aspectos ligados ao culto há muito tempo. Exemplos:
·      Por treze anos uma comissão trabalhou na reforma do Hinário Luterano, o qual foi editado em 1986.
·      A produção de material complementar: hinos para Missões (1a Edição em 1968 com 54 hinos), produções independentes (Love Songs - Louvor, composto e impresso por Arnaldo Koller em 1977, com 130 cânticos; Musi Jovem, coletânea de cânticos e hinos para jovens, compilada por Gijsbertus van Hattem, DIPA, 1a edição 1980, com 100 hinos); hinários para jovens (Todos os Povos o Louvem, JELB, 1a edição 1982, com 104 hinos) e crianças (Cânticos de Louvor - Vol 1, 2a edição 1986, com 113 hinos e Cânticos de Louvor - Vol 2, 1a edição 1990, com 65 hinos), estudos em Convenções: “Uma Proposta Litúrgica para a IELB” (apresentado na 50a Convenção Nacional da IELB de 21 a 26 de janeiro de 1986, em São Leopoldo, RS).
·      Aprovação de vestes litúrgicas na Convenção Nacional da IELB (1988 em São Leopoldo - RS)
·      Produção de livros na década de 80: Manual da Comissão de Altar (1987); O Culto Cristão (1988); Por Esta Causa me Ponho de Joelhos (1989).
·      A adoção da Série Trienal em 1980.
·      A produção de vários Preciso Falar com auxílios para a pregação e o culto (Vol. 1, 1975; Vol 2, 1976; Vol. 3, 1978; Vol 4, 1984; Vol 5 A e B, 1985; Vol 6, 1986; Vol 7, 1986; Dois Vol., 1998).

Citamos esses pontos, além de trabalhos publicados nas revistas teológicas dos Seminários (Igreja Luterana e Vox Concordiana) e artigos no Mensageiro Luterano, para enfatizar a preocupação da IELB, com a questão litúrgica e do culto corporativo, principalmente nas últimas três décadas. E agora, em 1998, com a ênfase Adorando como Filhos de Deus, a IELB se vê desafiada a mais uma vez refletir sobre a sua vida de culto.
Na medida em que nós nos aproximamos do limiar de um novo milênio, é mais do que natural que reflitamos como igreja sobre onde estamos e para onde queremos ir. Que mudanças o mundo sofrerá? E como isso afetará o nosso país, as nossas comunidades, as nossas profissões, as nossas famílias, etc.?
Convém perguntar o mesmo da igreja! Em particular o povo da IELB. Na medida em que ela olha para frente, para um novo milênio, e observa as muitas mudanças culturais e demográficas em desenvolvimento, precisamos nos perguntar o que o futuro nos reserva em termos de nosso culto corporativo.
Qualquer previsão tem seus riscos. Muitos são os fatores que podem influenciar qualquer item. Quem poderia, por exemplo, prever, no início do século, que a língua alemã utilizada indiscriminadamente em nossos cultos, sofreria uma mudança radical na década de 40. E quem poderia prever que a reforma litúrgica de Vaticano II pudesse afetar as demais igrejas cristãs no que concerne a uma revisão litúrgica. Quem poderia prever as mudanças quase radicais que ocorreram a partir da década de 60, com o advento dos Beatles, no que se refere à linguagem e ao estilo musical, ambos centrais ao culto corporativo.
O Sínodo de Missouri preocupado com novas tendências, em 1987 instalou uma Comissão de Culto, com a tarefa específica de reunir dados que ajudassem a igreja a vislumbrar o futuro e melhor corresponder aos anseios do nosso tempo. Os dados levantados revelaram as seguintes tendências:
1.  Mensagem: Os sermões continuarão a receber um destaque muito especial no culto luterano. Mas deverão ser mais curtos do que os atuais e usarão uma variedade maior de estilos de comunicação. Possivelmente, o esboço do sermão aparecerá impresso nos programas de culto. Os sermões também deverão abordar com maior frequência os temas sociais.
2.  Música: Variedade e simplicidade serão os destaques quanto à música e canto nos próximos anos. Se tornará comum o uso de outros instrumentos musicais para acompanhar os hinos. Haverá uma preferência por ritmos e textos mais alegres e leves.
3.  Recepção: As congregações, de forma geral, prestarão mais atenção às dinâmicas sociais nos cultos. As oportunidades para interação entre os membros durante o culto serão expandidas (ampliadas). Os projetos das igrejas ideais incluirão espaços específicos para que membros possam confraternizar antes e depois do culto.
4.  Ordens Litúrgicas: Esta é a área que deverá receber a maior atenção e adaptação nos próximos anos. Os membros e frequentadores dos cultos estão na expectativa de maior variedade litúrgica. Também ampliarão o seu envolvimento no culto. Os cultos dominicais serão elaborados cuidadosamente com vistas à integração do velho e do novo, no que se refere a formas litúrgicas.
5.  Crianças: A presença e a participação de crianças no culto e vida congregacional se tornará um item prioritário em muitas congregações locais. Sermonetes passarão a ser um item regular nos cultos corporativos. As crianças também deverão acompanhar os pais por ocasião da distribuição da Santa Ceia para, num gesto especial, receberem uma bênção do pastor.
6.  Outras tendências: As congregações se tornarão mais atentas quanto às necessidades espirituais e sociais dos membros e da comunidade em geral. Mais tempo e esforço será empregado no sentido de tornar a experiência cúltica mais agradável, significativa e positiva.[1]

No Brasil, infelizmente, não temos pesquisa similar, todavia, observa-se, ainda que desordenadamente, tendências semelhantes. Observa-se que várias congregações da IELB criaram suas comissões de culto e altar, outras, elaboraram suas próprias ordens de cultos alternativas, a Concórdia recentemente lançou novos auxílios litúrgicos (Vinde, Adoremos, 96/97) e o Seminário Concórdia dedicou em 97 um Laboratório de Litúrgica e Homilética, visando equipar e capacitar estudantes de teologia, pastores e congregações para acompanharem adequadamente as tendências, exigências e necessidades do nosso tempo.
Considerando que a Igreja Luterana é uma igreja historicamente litúrgica. Considerando que desde a sua origem nossos pais, ao longo da história, sempre procuraram orientar suas ações por princípios teológicos sadios, neste momento em que a IELB se propõe a examinar mais uma vez a questão litúrgica, sob a ênfase Adorando como Filhos de Deus, não poderíamos deixar de fazê-lo sem considerar esses princípios teológicos.




[1] “Worship Toward 2000” Challenges and Opportunities. A Task Force Report from the Commission on Worship, The Lutheran Church-Missouri Synod, Janeiro, 1991.

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