Você leu direitinho. Eu não posso parar de assistir à globo, porque já faz anos que não assisto. Até ano passado ainda assistia a jornais e, esporadicamente, quando na casa de alguém, via também o que “estava passando”. Normalmente eram programas de música, tipo BBB de música, em que a pessoa que ganha, só faz sucesso ali, depois costuma sumir. Mas quando colocaram a ideologia de gênero e a pornografia (diluída) em tudo...
Bem, por que eu parei de ver o dito canal de tv (e outros todos, diga-se de passagem)?
Porque não precisamos mais (se é que alguma vez foi necessário) para ter entretenimento. Pode-se buscar no YouTube ou outras formas, vídeos mais engraçados ou mais “edificantes”, que não visem um único objetivo, que é, “a desconstrução” da ideia de certo e errado. E é isso que a maior parte da TV brasileira e a mídia de uma forma em geral, está tentando. Querem que a gente “entenda” que TODOS somos imbecis que não sabem criar os seus próprios filhos, por isso, quem precisa dizer como cria-los, é uma militância barulhenta... Que não tem argumentos maiores do que o “eu acho”! E eu grito!
Lamentável, ainda é que numa onda contra essa miséria intelectual que assola o país, surge uma “contra-onda” com outros extremos, que prometem nos “salvar”.
Particularmente, duvido de todo mundo que quer resolver no grito, na canetada e na briga. Já vi isso desde 1988 várias vezes.
Talvez por ser luterano e prezar tanto pela educação, queira um caminho que passe pela boa escola. Com professores valorizados e ganhando bem. Que falem de suas matérias e não de sua escolha política, qualquer que seja. Sou contra ensino religioso na escola. Isso se aprende na Igreja e em casa.
Podia-se usar tudo que é gasto bancando a regalia de nossos gordos “Vossas Excelências”, em todos os poderes, para dar salários mais justos e dignos a heróis do quadro negro (quando há quadro).
Porque as “autoridades” precisam de auxílios até pra roupa? Se todo brasileiro precisa, com seu salário, bancar suas próprias despesas, por que criamos uma “casta superior” que pode viver como se fosse a monarquia, à base do dinheiro do povo e sempre querendo mais por meio da corrupção?
Veja: nossos problemas vão muito além da globo...
Mas passam por ela. Claro que você é adulto e sabe (ou deveria saber) discernir o certo do errado. Mas nunca deixe seus filhos escolherem sozinhos, pois eles podem não ter as mesmas “ferramentas” que você para saber o que é certo e o que é errado.
Paulo disse para “provar tudo e ficar com o que é bom, ou com o que presta”. Mas eu não preciso chutar uma pedra descalço, para saber que dói. Então, se quer, veja a tv. Mas cuide do que sua família está aprendendo por meio de todas as mídias. Não só da tv.
Pastor Jarbas Hoffimann
@pastorjarbas
Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil. Neste Blog você encontra material cristão, sejam artigos, pregações, estudos, música e tudo mais que couber... Há também, no youtube, muita coisa: www.youtube.com/pastorjarbas
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segunda-feira, 30 de outubro de 2017
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
Contra ou a favor?
Parece que hoje todos precisam ter uma opinião sobre tudo…
E isso não seria problema. O problema é emitir opinião sem conhecer o assunto. E hoje parece que não se pode dizer que ainda não pensou sobre o assunto… Precisa posicionar-se. Contradizendo a célebre frase de um dos sujeitos mais sábios que já habitou o planeta: “Só sei que nada sei” (Sócrates, filósofo).
Tem alguém que parece concordar com Sócrates: Salomão (aliás, como Salomão viveu 500 anos antes de Sócrates, acho que era o filósofo quem concordaria).
Mas Salomão foi recebeu sabedoria, de presente, do próprio Deus (1º Reis 3.5-9), Foi o ser humano mais sábio (e lembre-se sempre que há diferença entre sabedoria e inteligência) que habitou o planeta. Embora Salomão também tenha sido inteligente, por óbvio. Então, Salomão, tendo recebido sabedoria, disse: “Até um tolo pode passar por sábio e inteligente se ficar calado.” (Provérbios 17.28) Mas tem muita gente perdendo a oportunidade de ficar calada. Talvez eu seja um (desculpem se for o caso).
Não faz muito tempo, escrevi outro artigo (https://pastorjarbas.blogspot.com.br/2016/06/vai-um-cafezinho-ai-bom-de-verdade.html), no qual citava a angústia de Umberto Eco ao reconhecer que as redes sociais deram voz a uma “legião de imbecis” e, disse ele: “Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel”.
No meio desse monte de gente que hoje parece ter a necessidade de se pronunciar sobre tudo e todos, todos se pronunciam sobre todos. Mas quem prefere esperar um pouco mais, conhecer um pouco mais, para assim, refletidamente, dar opiniões… Estes são chamados de “isentões” e são achincalhados, porque hoje você é “obrigado” a ter uma opinião contra ou a favor de tudo. Se não é contra, já é colocado no lado dos “a favor” e vice-versa…
Qual sua opinião sobre o aborto? Sobre o “casamento” de pessoas do mesmo sexo? Sobre a corrupção? Sobre a educação de filhos? Sobre a Bíblia ser usada em escolas? Sobre machismo ou feminismo (e as “feminaze”)? Sobre… Sobre… Sobre…
Pois é… Lembre-se: Você não é obrigado a ter opinião… E mesmo que a tenha, não é obrigado a externá-la.
Disse Benedito Valadares: “Não sou contra, nem a favor, muito pelo contrário.” Conhecendo o autor desta frase, até a compreendo melhor. Ele foi uma liderança política, mas também era jornalista. Acho que precisamos de gente que não seja nem contra, nem a favor, sem conhecimento adequado das coisas. Que espere para emitir opiniões, pelo menos, ouvindo mais que um lado da história. Que não pegue uma foto ou uma informação descontextualizada e crie uma tese sobre isso. Que fique “em cima do muro” até o momento adequado para posicionar-se refletidamente.
Muitos anos atrás, no extinto Casseta e Planeta, havia uma reportagem sobre a questão da soja transgênica e saíram pesquisando a opinião das pessoas nas ruas. Quando então, o repórter-casseta, vira-se para a câmera e diz: “O brasileiro é um povo fantástico… Ninguém sabe nada sobre o assunto, mas metade já é contra e a outra metade à favor.”. Ótima descrição da situação presente. Quando parece que só existe direita/esquerda, coxinha/mortadela, machista/feminista…
Eu já tenho opiniões formadas sobre muitas coisas. Mesmo assim, elas também podem mudar, se eu perceber que estava enganado. O que não vai mudar é a Palavra de Deus. Esta está correta (sempre). As interpretações mirabolantes que alguns dão pra ela é que costumam ser o problema. Mas a Bíblia não muda. O que pode acontecer é eu, estudando honestamente, aprender algo que entendia errado. Lutero, quando confrontado com seus escritos, disse diante da “Dieda de Worms” (reunião que durou de 28 de janeiro a 25 de maio de 1521), que até mudaria de opinião e abandonaria seus escritos, se fosse provado “Pela Escritura” que estava errado.
Literalmente:
Johann: Lutero, repeles teus livros e os erros que eles contêm?
Lutero: Que se me convençam mediante testemunho das Escrituras e claros argumentos da razão, porque não acredito nem no Papa nem nos concílios já que está provado amiúde que estão errados, contradizendo-se a si mesmos. Pelos textos da Sagrada Escritura que citei, estou submetido a minha consciência e unido à palavra de Deus. Por isto não posso nem quero retratar-me de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável.
Este foi o diálogo central da reunião. Mas é preciso lembrar que Lutero pediu 24 horas para pensar antes de dar sua resposta. Depois de responder assim, foi condenado e perseguido. E se não tivesse sido protegido por seus amigos (contra sua vontade) teria sido morto.
Você tem opiniões. Todos temos. Enquanto elas são suas (ou seja, enquanto você não as expressa), você pode mais facilmente mudar de ideia sem criar crises. Mas se você expressar suas convicções (com coerência e tranquilidade), se souber ouvir o outro e suas opiniões também, certamente vai crescer e faremos do mundo um local melhor para viver.
Então, como diz a placa de cruzamento de trem: “pare, olhe, escute”... Daí, caso necessário, cruze a pista.
Você certamente pode expressar sua opinião e pode ser contrária à tudo que eu escrevi, mas façamos com respeito. Com educação e, acima de tudo, discutindo idéias e não denegrindo pessoas.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
E a "Globeleza" não está mais pelada
Pois é...
Depois de anos apenas com pintura corporal...
Agora ela está usando uma “roupa”. Pra lembrar, dançando, que daqui uns
dias tem carnaval. E francamente, nem sei se faz alguma diferença, mesmo porque
a roupa parece mesmo aquela antiga pintura.
Um parêntese:
O carnaval está perdendo apoio de governos, por causa da crise financeira. Confesso que nunca entendi como governos liberam dinheiro de impostos para certas coisas. E o carnaval é uma delas... No meu ponto de vista isso tudo deveria ser bancado pelos seus próprios interessados e não por toda a sociedade.
Não penso que isto deveria ser assim apenas para o carnaval... Não estou querendo “puxar a sardinha pro meu assado”. Não é isso. Não deveria haver aporte financeiro público para o carnaval, nem para a “parada gay”, ou para sindicados (aliás, se a contribuição sindical é obrigatória, qual é o direito do trabalhador que não quer ser sindicalizado? Este não tem direito numa sociedade livre? De escolher não ser sindicalizado?)...Vou além, não deveria ter aporte público financeiro (não sei se tem... Não sei mesmo.) para as “marchas por jesus” (e é “jesus” minúsculo mesmo, pois essas marchas só servem para promover distanciamento entre cristãos de diversas denominações... Para extremismos e inflar egos de supostos pregadores e supostos evangelistas e, ora vejam, levitas (esse povo nem sabe o que faziam os levitas – acham que eram só cantores, e não eram).Então, acho que você já percebeu que me parece incorreto impostos serem usados para apoiar qualquer dessas “marchas”, festas, etc... Tudo deveria ser bancado pelo retorno que desse, ou pelo interesse de seu realizador. É a mesma coisa com os espetáculos. Se for o que o povo quer assistir, dará retorno financeiro e não precisará de apoio. Se não der retorno, quer dizer que ninguém quer ver, e o cidadão que não quer ver, não precisa pagar, com seus impostos, certas ideologias que são bancadas com o mito de “cultura”. Incluindo religiões que, quando classificadas como “cultura” não apenas deixam de pagar impostos (como acontece com igrejas), mas ainda recebem aporte financeiro público. Se você é a favor, é direito seu. Eu sou contra e posso ser. Se não entendeu nada do que eu disse acima, leia com calma, novamente e se quiser perguntar diretamente para mim, meus endereços estão abaixo.Entendo que deveria haver aporte financeiro à cultura nas escolas, com fim educacional. Que se aprendesse teatro, música, e outras artes, bancado sim com dinheiro público. Mas para “grandes” artistas, estes, se são grandes, não precisam de dinheiro público para suas ideias mirabolantes. Nossas crianças e jovens estudantes precisam, se querem seguir nessa carreira.
Mas vamos à “Globeleza”...
Estranhamente, ninguém parece ter problema com uma moça (sempre negra,
para explorar o machismo e racismo embutidos na coisa), quase nua, dançando a
qualquer hora do dia na televisão... Enquanto que alguns programas que (no meu
entendimento) crianças poderiam assistir, são classificados para 12 anos ou
mais.
Estranhamente, nunca foi uma loira, ou ruiva, ou outra etnia qualquer,
das tantas que, também representam a população brasileira. E ninguém acha que
isso é racismo (deve ser porque loira não samba...). Mas se fosse uma loira, certamente
alguém gritaria que é racismo.
Na paranoia pelo politicamente correto, até “Rei Momo” (que é a figura
mítica conhecida por ser glutão, se não nem faz sentido), teve que ficar magro
em algumas edições. Bem, se o Momo gordo incentiva a comilança e a falta de
cuidado com a saúde, o que sugere uma moça seminua, dançando na TV? O que os de
fora de nosso país pensam sobre nossas lindas moças negras, vendo aquela
propaganda? E assistindo ao carnaval?
E pior, o que pensam nossas crianças quando assistem a isto? Quando
assistem às brigas do BBB (um programa para criar acéfalos)? Quando assistem ao
programa da Fátima (eu preferia o Bob Esponja) tratando de temas que deveriam
ser também classificados para maiores de 16 ou 18 anos? E nos outros canais têm
programas equivalentes, mas eu aprendi como não assistir e posso ensinar:
desligue a TV ou mude para um canal menos pernicioso.
Não sou adepto aos atos extremos (acho que por ser luterano, sempre
aprendemos que há um caminho mediano)... Os extremos costumam sempre levar a
caminhos muito ruins. Por isso não sou adepto a boicotes. Mas tenho a liberdade
de simplesmente desligar a TV (cuidando de mim e da minha família). Não vou
levantar uma bandeira e transformar isso num ato político... Todos têm um
cérebro (normalmente em excelente estado pelo pouco uso), têm seus preceitos, têm
sua cultura, que se use conforme aprendeu, ou até mude. Você pode mudar-se.
Não estou sugerindo que você boicote o carnaval ou a Globo. O que
aparece ali são sintomas de um sociedade doente. Assim como as corrupções nos
mais altos níveis de nosso país. Não são a doença, são o sintoma. A doença é a
corrupção entranhada em nós, povo brasileiro, que se orgulha do “jeitinho”...
Você já parou pra pensar que dar um jeitinho é simplesmente agir
desonestamente? É como fazer uma “gambiarra”... É como oferecer uma
“cervejinha” para ganhar alguma coisa ou se livrar de uma multa.
Mas a “Globeleza” vestida revela também que não há mais o que fazer para
chamar a atenção...
Em época de internet, onde os “nudes” de whatzapp fazem sucesso, não faz
diferente mais uma moça negra dançando sem roupa... Há milhares de moças e
rapazes, de todas as etnias, dispostos a tirar a roupa para conseguir uns
“likes”. É uma sociedade triste, onde as pessoas carecem da atenção virtual,
porque parecem não ter atenção no lar e da sociedade física em volta.
Assim, se quiser fazer como eu, desligue a TV, olhe seus filhos nos
olhos, brinque com eles na terra... Suje-se. Diz que omo limpa tudo. É possível
limpar a sujeira, mas não é possível recuperar o tempo perdido. Se você
frequenta locais que seus filhos ou esposa (marido) não podem ir, repense e não
vá. Se você recebe pornografia pelo telefone, saia daquele grupo. Cuidado com o
que você acessa... Pode estar destruindo você e sua família.
E... Seja feliz, cante, dance... Seja saudável espiritual e
psicologicamente também.
Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica
Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)
Estes e outros artigos são publicados no Jornal Correio 9, de Nova Venécia (curta para ser avisado das edições diárias, leitura completa online): https://www.facebook.com/correio9
quarta-feira, 18 de janeiro de 2017
Se souber olhar, só verá a beleza da criação
De férias, na praia (depois de muito tempo)...
Fiz o que gosto de fazer na praia: nada. Aliás, é o que eu gosto de
fazer nas férias (preferencialmente com a família). Na verdade, gosto de “fazer
nada”, estudar e escrever...
E enquanto fazia nada, na praia, sentado à sobra (porque só na sombra)
de um guarda-sol, observava. Não estava espiando ou espionando, ou “stalqueando”,
apenas contemplando.
O que se vê na praia?
O mais obvio: o mar. Coisa mais linda da criação de nosso Deus. Daí tem
areia e vento (que em alguns dias chega a incomodar, mas refresca)...
Além disso, vê-se pessoas. Muitos vendedores... Animais na areia, não
vi.
Há crianças, que correm pra água, seguidas por seus pais (ou outros
responsáveis) meio desesperados... Há adolescentes, poucos, porque parece que a
maioria prefere dormir até meio-dia e eu fui pela manhã. Jovens também têm
certa preferência por dormir pela manhã, então são poucos. Há adultos (aqueles
que estavam correndo atrás das crianças, lembra?) e outros ouvindo música (pois
é... inventaram essas caixinhas de bateria recarregável e o sossego acabou até
na praia), há idosos...
Entre estas pessoas todas, há negros (ou pretos, ou afrodescendentes —
já não sei como chamar pra não ofender, então escolha o de sua preferência e se
tiver outra palavra ainda, me avise para que agregar ao meu vocabulário
politicamente correto)... Alguns destes, bem negros (mesma observação do
parêntese anterior) e há brancos (acho que branco dá pra chamar só de branco
ainda, se não, me ajude) e alguns bem brancos. No restante, a grande maioria das
pessoas tem tons de pele que passeiam entre estes dois tons mencionados (se
pensamos em cor e não em etnias). E há famílias onde um é negro o outro branco
e os filhos lindamente misturam isso. Nesse dia foi o que vi.
Há também musculosos (poucos... Devem estar dormindo pra sair de noite,
ou devem estar na academia), há “saradas” (também poucas, acho que pelo mesmo
motivo dos musculosos)...
Há pessoas muito magras outras que estão acima do peso (sem preconceito
pra um ou outro, só observando).
Enfim, há pessoas diversas de corpos em formatos diversos e de idades
diversas.
Toda esta diversidade me fez pensar na criação de Deus. Perfeita.
Se não tivermos preconceito, achando que nós somos melhores que alguém,
veremos a beleza da criação. Beleza de negros e brancos convivendo, juntos,
numa mesma praia. Beleza de idosos e crianças convivendo... Beleza de homens e
mulheres, também esquecendo um pouco o “machismo” e o “feminismo” e convivendo
pacificamente perante a beleza do mar que encantava Tom Jobim e Caymmi... Este
último cantava ser “doce morrer no mar”, embora eu discorde (e posso
discordar). Doce é saber que quem criou o mar, continua a cuidar de nós: Deus
Pai, Filho e Espírito Santo. Nenhum outro. E, quando eu morrer, pela fé em
Jesus, o Pai me receberá. A mim e a todos quantos creem em Jesus.
Deus criou tudo e a cada momento da criação ele disse: “eis que tudo é
perfeito”. Eu não sou melhor (nem pior) porque tenho olhos claros e nem mesmo
porque estes meus olhos, já um pouco gastos pela idade, ainda enxergam... Não
sou melhor que aquele que não enxerga. Talvez eu tenha algumas facilidade de
fazer algumas coisas vendo, quando meu irmão que não enxerga precisaria lidar
com essa dificuldade de forma diferente. Mas acredito que ele teria facilidades
que eu não tenho, simplesmente por ter outros sentidos treinados para viver sem
a visão. Mas esse é o ponto de vista de quem enxerga... Posso estar enganado. E
essa é a beleza também: não somos os donos da razão e, estando abertos ao
diálogo, podemos aprender muito.
Você viu negros (veja a observação acima) e achou feios (ou bonitos)? E
brancos? Lembre que nossos padrões são normalmente definidos pela nossa cultura
histórica, geográfica, familiar, etc... E que nem tudo que é bonito pra mim,
será pra você e vice-versa... Gostos não se forçam, embora sejam minimamente
ensinados. Então, não tenha preconceito, apesar de que você terá gostos e
padrões diferentes... Ter gostos é gostar de jiló, quando outros o detestam...
Mesmo assim, amamos a pessoa que gosta de jiló e não vamos exterminar o jiló do
planeta por “jilófobia”.
Não ensine a seus filhos piadas que denigrem as outras pessoas, sejam
elas brancas, negras, portugueses, japoneses, ou brasileiros (aliás, o termo
brasileiro surgiu pejorativo, você sabia?)...
Ria de si mesmo e consigo mesmo. Faça amigos aonde for. Experimente a
comida que te oferecerem. Você será muito mais feliz se rodeado de tudo e de
todos que Deus criou. E que, na criação, era perfeito.
Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica
Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com;
facebook.com/pastorjarbas)
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terça-feira, 17 de janeiro de 2017
E se o Valdomiro tivesse morrido?
Você ficaria feliz se o Valdomiro tivesse morrido no ataque? (que alguns
já dizem ter sido simulado... Esperemos investigações). Mas acho que muitos
ficariam felizes...
Eu não ficaria. E explico o óbvio: cristão nenhum fica feliz com a morte
de qualquer outra pessoa. Mesmo que seja um falso profeta, como se supõe o
líder da pomposa Igreja Mundial do Poder de Deus... Uma dissidência da Igreja
Universal do Reino de Deus... De outro líder “exótico”. Mesmo que fossem
bandidos, dentro de um presídio, brigando por comando.
O Senhor Jesus não ficaria feliz — nunca — quando um pecador morre sem
arrependimento e se você acha que estes que citei são falsos profetas, se você
acha que eles estão em pecado, o pior para eles seria morrerem sem o perdão e o
verdadeiro Jesus em suas vidas. Assim como é o pior que pode acontecer comigo
ou com você.
Jesus não fica feliz com nenhum pecador que se perde. Você, cristão,
esqueceu disso? É muito fácil esquecer disso com tantas pessoas ensinando, “em
nome de Jesus”, o que Jesus nunca ensinou. Vive-se uma teologia do
“toma-lá-dá-cá”, na qual você faz sua “oferta” e “d’us” (vou escrever assim,
porque não é assim que Deus é)... Então, esse d’us é obrigado a te “restituir”,
“dar a vitória” e tantos outros jargões que se coleciona por aí. Mas essa
teologia do “toma-lá-dá-cá” ensina que você dá uma coisa e merece outra...
Assim, por assimilação, se você é criminoso, merece morrer... Se você é falso
profeta, merece castigo...
Ainda bem que com Deus não é assim. Deus, quando nós não queremos saber
dele, continua nos buscando. Continua procurando nos tratar com amor e oferecer
o perdão. E ele faz isso não porque você oferta ou é dizimista. Ele faz isso
porque é o Deus de amor que quer a salvação de todos os pecadores. Dos falsos
profetas e dos criminosos também.
Não fique feliz quando alguém de quem você não gosta se dá mal. Ore por
essa pessoa. Lembra?: “Orem pelos que perseguem vocês” (Jesus que disse)...
Lembrem que Jesus, no alto da cruz, pediu: “Pai, perdoe... Eles não sabem o que
fazem.”
Fique feliz com cada pecador que se arrepende. Ajude a pregar o perdão e
o amor. De ódio e odiosos o mundo já está cheio o suficiente.
Jesus te ama... E ama ao Valdomiro também.
Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica
Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com;
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sábado, 26 de novembro de 2016
Fidel morreu, não fique feliz
Neste título apenas citei um fato. Ponto. Fidel Castro morreu. Você também vai morrer. E, pasmem, eu também. Mas hoje em dia as pessoas só leem e escutam o que querem.
Lembrem-se quando Jesus foi chamado para dar opinião sobre algumas pessoas que morreram num incidente. Está registrado em Lucas 13.1-5: “Naquela mesma ocasião algumas pessoas chegaram e começaram a comentar com Jesus como Pilatos havia mandado matar vários galileus, no momento em que eles ofereciam sacrifícios a Deus. Então Jesus disse: — Vocês pensam que, se aqueles galileus foram mortos desse jeito, isso quer dizer que eles pecaram mais do que os outros galileus? De modo nenhum! Eu afirmo a vocês que, se não se arrependerem dos seus pecados, todos vocês vão morrer como eles morreram. E lembrem daqueles dezoito, do bairro de Siloé, que foram mortos quando a torre caiu em cima deles. Vocês pensam que eles eram piores do que os outros que moravam em Jerusalém? De modo nenhum! Eu afirmo a vocês que, se não se arrependerem dos seus pecados, todos vocês vão morrer como eles morreram.”
Quero me ater a este versículo: “Vocês pensam que, se aqueles galileus foram mortos desse jeito, isso quer dizer que eles pecaram mais do que os outros galileus?”
Notem que Jesus não está se referindo à forma da morte, mas sim ao fato de que todos vão morrer. E todos vamos. Veja: “todos vocês vão morrer como eles morreram”. O “como eles morreram” não é a forma da morte, mas que a morte virá para todos. Até para os que criticavam os mortos daquele momento.
As pessoas que estavam falando com Jesus estavam se achando superiores em sua fé, àqueles que morreram. Estavam querendo dizer que aquelas mortes tão notórias eram mostra de que eles, os mortos, seriam mais pecadores do que eles, que interpelam Jesus.
Me parece que na morte de pessoas proeminentes, das quais discordamos, há muita gente que se acha superior aos que morrem. Hoje foi o Fidel… Amanhã será quem? E se o Trump morrer, quantos festejariam? Infelizmente muitos destes que comemoram a morte de alguém tido como ímpio são ou somos nós cristãos… Ou acham que são cristãos… Pois cristão nenhum, consciente de sua missão, comemoraria a morte de quem quer que seja… Aliás, o cristão comemora sim a morte… Comemoramos a morte de outros cristãos fiéis. Comemoramos porque eles venceram. É normalmente um momento triste, de despedida, mas estamos dando graças por aquele que venceu o mundo e agora está com Cristo, esperando pela ressurreição.
Mas hoje parece que cristãos têm prazer na morte de pessoas que são consideradas “inimigas” de princípios cristãos. Parece que se alegram quando coisas ruins acontecem a pessoas que são julgadas como más. Aliás, muitos pedem a “justiça de Deus” contra os outros. Mas nessas palavras, não querem justiça, querem vingança.
Veja o que diz Ezequiel 18.23: “Vocês pensam que eu gosto de ver um homem mau morrer? — pergunta o Senhor Deus. — Não! Eu gostaria mais de vê-lo arrepender-se e viver."
Não há muito o que dizer… Além do versículo 21 e 22 do mesmo texto: “Se um homem mau parar de pecar, se guardar as minhas leis e se fizer o que é certo e bom, não morrerá; é certo que viverá. Todos os seus pecados serão perdoados serão perdoados, e ele viverá porque fez o que é certo.” E o “não morrerá” remete à condenação eterna. Ou seja, mesmo que morra temporalmente, se foi convertido e voltou-se para Deus, não será condenado.
Deixe Deus ser Deus. Deixe ele perdoar, pois ele quer perdoar. Deixe ele condenar, se for necessário condenar.
O Senhor dá o tempo de uma vida para a pessoa se arrepender: “O Senhor não demora a fazer o que prometeu, como alguns pensam. Pelo contrário, ele tem paciència com vocês porque não quer que ninguém seja destruído, mas deseja que todos se arrependam dos seus pecados.” (2º Pedro 3.9) E, ao contrário de Deus, nós não somos muito “pacientes”. Queremos nos vingar com as próprias mãos. Ficamos felizes com a morte de pessoas tidas como más. E esquecemos que diante da Lei de Deus todos somos maus e todos somos condenados. Se não fosse a misericórdia de Jesus, o que seria de nós.
Ao contrário de se alegrar com a perda de alguém como se supõe Fidel Castro ter sido perdido, deveríamos orar para que o Senhor dê mais e mais tempo para os ímpios serem alcançados por nosso testemunho.
O tempo urge. Se você é cristão, se concentre em falar do amor de Jesus. Pois ele perdoou até o bandido na cruz. E perdoa você também.
Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
O cristão (de verdade) e a política
Você sabe quando foi que os “cristãos” começaram a ser chamados de “cristãos” e por quê?
O livro de Atos dos Apóstolos, no capítulo 11.26 diz: “Foi em Antioquia que, pela primeira vez, os seguidores de Jesus foram chamados de cristãos.” Antes tinham sido os “do caminho”... Agora estava definido o nome que perduraria pelos séculos. Que tremularia em bandeiras e empossaria e destituiria reis… Que levaria pessoas a (impensáveis) guerras “em nome de Deus” (mas que Deus nunca pediu)... Mas também, um nome que, acima de tudo, traz a paz. O cristão, essencialmente é alguém que busca paz… Quando vai à guerra por iniciativa, não está agindo como cristão.
E por que foram eles chamados de cristãos? Porque eles eram um grupo que se distinguia dos demais. Precisavam de um nome que os identificasse, assim como fazemos ainda hoje com pessoas que se comportam de uma mesma forma… São os “hippies” (esses já nem existem mais, ou estão por aí vendendo seus artesanatos…), são os emos, os “haters” (esse é bem atual: são pessoas que apenas destilam ódio e crítica, coisa bem comum na rede). Estes grupos que cito, são distinguidos por seu comportamento de vestimenta, atitude, modo de falar. Os cristãos também receberam seu nome por causa de seu modo de agir, falar, andar, pensar, adorar, tratar o próximo… Aliás, tem muito religioso por aí, que fala de Jesus, mas não são mais conhecidos como cristãos. Outros nomes suplantam o Cristo… E sem Cristo, sem cristianismo...
“Todos os que creram pensavam e sentiam do mesmo modo. Ninguém dizia que as coisas que possuía eram somente suas, mas todos repartiam uns com os outros o que tinham.” (Atos 4.32) NOTE BEM: isto não é a instituição do socialismo. Jesus não era nem comunista, nem socialista, nem outro regime que você queira impor a ele. Não era de esquerda, quando distribuiu o pão, nem de direita, quando às chicotadas limpou o templo… O reino dele nem era desse mundo. E ele mesmo pediu para se respeitar as autoridades, dando a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
O texto de Atos 4 trata do amor demonstrado aos irmãos. É um texto que fala da vida sabendo que ela passará e o que temos precisa servir para o bem comum. Para alimentar o faminto, etc… Tudo marcado pelo amor, não pela obrigação… Pela fé, não pela imposição.
Assim, vivendo dessa forma, os cristãos se destacavam no meio dos outros.
Mas e como aplicar isto à política? Repito: Jesus não foi político de carreira, embora fizesse seus discursos. Não queria tomar o poder e nem precisava, sendo Deus Todo-Poderoso.
Mas como aplicar o cristianismo à política? Pode um cristão (e um líder cristão) ser e se envolver com política?
Vamos tentar:
Primeiro: o cristão, além de cidadão do céu (Filipenses 3.20), é também cidadão no lugar onde vive. E nesse lugar ele precisa fazer, por amor, todo o bem que lhe for possível fazer.
Segundo: como cristão e querendo o bem de todos, um caminho (não o único) pode ser a política.
Terceiro: como cristão e político, ele nunca buscará o bem próprio ou de sua denominação religiosa. Cristão que entra na política para ganhar favores para a sua igreja é uma raça desprezível e que deveria ser banida do meio político. Porque é mais um que só pensa em benefícios próprios. O cristão, seja ele de qualquer denominação, entende que precisa buscar, na política, o bem para todos. Aliás, o bom político é assim.
Seja esse “todos”, cristão, espírita, budista, ateu, ou qualquer outra coisa que se defina. Essas bancadas “evangélica”, “católica”, etc… São uma aberração simplesmente por existirem. Eu nunca votei e nunca votaria em alguém que, mesmo da minha igreja, se propusesse a defender apenas os direitos da minha religião. Assim como não votaria em candidatos de sindicatos que só querem “puxar a brasa pro seu assado”, assim como não votaria em ninguém que não se preocupasse com o bem coletivo.
Quarto: fuja de candidatos que usam da religião para parecerem melhores que os outros. Não votaria em “padre”, “pastor”, “missionário”, “evangelista”, “pai-de-santo”, ou quer outra denominação. Líderes religiosos que usam sua função para se eleger estão usurpando de um cargo e de uma função que lhes foi conferida não para serem eleitos, mas para servirem à sua igreja.
Se quiser ser candidato, que seja, mas não use a fé dos outros para angariar votos. Assim como, por lei, jornalistas, apresentadores de TV, radialistas e outros têm que se afastar da sua função para poder concorrer. Os religiosos deveriam ser os primeiros a livremente abdicar de suas funções (nem usando o nome do cargo) como exemplo.
Não quis falar isso durante o período eleitoral, para não prejudicar ou ajudar involuntariamente alguém. Mas agora é hora de, junto com os que foram eleitos, buscar o melhor para toda a cidade.
Você quer participar da política? Participe. Mas se é cristão, lembre que acima de tudo, você representa e precisa levar o amor de Cristo a TODOS.
Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)
Estes e outros artigos são publicados no Jornal Correio 9, de Nova Venécia (curta para ser avisado das edições diárias, leitura completa online): https://www.facebook.com/correio9
terça-feira, 9 de agosto de 2016
"Hartmon" - não seja você um idiota
O Pokemon continua “top” nas discussões de mídias sociais… E o que mais me impressiona é a hipocrisia de tanta gente chamando os outros de idiota por causa de um joguinho. Hipocrisia sim. Pois a mesma atitude que condenam, fazem. Qual seja: em vez de sair à rua procurando monstrinhos e pokebolas, saem às ruas postando fofocas, maldades, futricas, vídeos pornográficos, fotos de acidentes e mortes… E com uma grande desvantagem aos caçadores de Pokemons: os caçadores fazem longas caminhadas, e no intervalo entre um monstro e outro, conversam, tiram fotos, aproveitam a cidade… Se você olhar em volta verá que nossa cidade está com mais jovens nas ruas do que de costume… Antes ficavam talvez nas mesmas redes sociais dos “odiadores de Pokemon GO”, enchendo sua cabeça apenas com as futricas que falei acima… Agora, caçam… E não tem problema nenhum nisso, desde que respeitem a propriedade e a individualidade dos outros… Desde que haja limites, como separar horários para fazer outras coisas, além de caçar… E acho que é uma “modinha” que vai passar também… Até porque, se não aparecerem mais “pokestops” vai ficar difícil…
O único pokestop é em frente ao lado do Salão dos Gêmeos, naquela loja de artigos religiosos… Já já alguém encosta um carrinho de cachorro-quente ali e começa a lucrar com os jovens caçadores famintos… Porque as caminhadas são longas e vão sempre voltar ali.
Enquanto os jovens estão caçando monstrinhos virtuais… O que existe desde o Tamagotchi… (Voltei ao fim dos anos 90 com o Tamagotchi).
Bem, enquanto caçam, conversam, tiram fotos, fazem exercício físico e criam uma rede social que tinha sido esquecida: aquela da conversa pessoal… Talvez você que me lê agora no facebook, no Whatzapp, ou em qualquer outra, devesse instalar Pokemon GO em seu celular também e parar de futricar a vida dos outros… Mas não sei se é o seu caso… Se não for, ignore este parágrafo.
Se você usa bem as redes sociais (sim, existe muita gente que usa para o bem), procure entender antes de opinar. Não existe maior expressão de ignorância do que achar-se sábio… E todo mundo emite opinião sobre tudo hoje em dia. Inclusive sobre o joguinho. Você sabe o que ele, de fato, é? Pasme: é um jogo que tem por objetivo trazer riqueza a seus criadores… Ele é gratuito, mas você pode comprar um monte de coisas dentro dele… Fora isso, o simples lançamento fez a empresa dobrar de tamanho em valor. E é um jogo melhor que aquele que você joga. Porque aquele joguinho que você joga só exercita um dedo… Pra fazer os docinhos caírem… Ou para estourar quadrinhos, ou qualquer outro desses de fazer pares… Esse aí você joga sentado, ou deitado… Além de tudo, ficando cada vez mais sedentário e, quem sabe, doente, por falta de exercício físico.
Fora este primeiro tipo de ignorância ainda há outro tipo: aquele pessoal que vê o diabo em tudo, menos onde ele, de fato, está. Se você acha que o Pokemon Go pode tirar Deus do seu coração, é porque Deus já não estava lá. É o mesmo pessoal que alguns anos atrás achava que era pecado o esporte… São tão certinhos por fora, que esquecem que o problema é por dentro. Preocupam-se com a roupa, o cabelo e muitas outras coisas externas, como o faziam os fariseus no tempo de Jesus, mas o coração… Ah o coração… É um rio de maldades...
Certa vez Jesus disse: “O que entra pela boca vai para o estômago e depois sai do corpo. Mas o que sai da boca vem do coração. É isso que faz com que a pessoa fique impura. Porque é do coração que vêm os maus pensamentos, os crimes de morte, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, as mentiras e as calúnias. São essas coisas que fazem com que alguém fique impuro. Mas comer sem lavar as mãos não torna ninguém impuro.” (Mateus 15.17-20).
É claro que este texto está falando da comida sem lavar as mãos. Isto é obvio, mas nos ensina uma grande verdade sobre onde estão os verdadeiros monstros que podem fazer mal… Dentro do coração. São os “Heartmon”... São eles que fazem você usar as redes sociais para propagar o mal… São eles que te fazem julgar os outros, só porque você tem inveja que eles estão se divertindo e você não… São eles que fazem você se achar superior.
Então, querido leitor, pare de ser chato… Largue de ser ignorante… Leve uma vida mais leve. Divirta-se. Eu também não gostei do joguinho, mas gostei do que ele me proporcionou… Já conduzi (para cuidar delas) minhas filhas em suas caçadas… Já conversei com crianças e jovens, que antes não conseguiria puxar uma conversa, porque eles parecem ter seu próprio mundo… Já fizemos exercícios juntos e temos agora mais um assunto em comum… Mas conosco (minhas filhas, esposa e eu) nunca perdemos o assunto… Sempre dividimos tudo, este é só mais um assunto a dividir… E tratamos os assuntos delas também como importantes, pois são importantes para elas…
Talvez na sua casa seja diferente, por isso, aproveite que estamos na semana dos pais e vá fazer coisa junto com seus filhos… Jamais se esqueça, porém, que como tudo mais neste mundo, o Pokemon GO vai passar também, o que restará são os bons exemplos que você deixará para os que te observam. Exemplo de compromisso, de respeito, honestidade, exemplo de ouvir e aprender antes de emitir opiniões… Exemplo de fé, ou da falta dela… Eu usei a caçada, para dar uma volta completa na nova praça Adélio Lubiana. Foram fotos e mais fotos entre um monstrinho e outro. Minhas meninas ficaram empolgadas, felizes… E não foi só pela caçada. Foi porque o pai delas tirou uma hora (pois é, tenho até vergonha de reconhecer que foi só uma hora) do seu dia para simplesmente estar com elas… Não sou o melhor pai. Sei dos monstros que estão também no meu coração… Mas sei que estes monstros são mortos por Cristo, meu Salvador. E “o sangue de Jesus nos limpa de todo pecado.” (1º João 1.7). Os monstros sempre quiseram nos cavalgar… E estão andando de galope por aí cada vez que apontamos o dedo para acusar os outros. Por outro lado, cada vez que estendemos a mão do perdão, estes monstros perdem lugar. E Cristo ocupa o lugar que lhe é devido.
Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)
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quinta-feira, 4 de agosto de 2016
De cabeça baixa
Certa vez ouvi uma estorinha (sim, ainda há diferença entre história e estória) que ficou gravada em minha mente. Foi na igreja, mas não lembro mais o pastor que a contou… Faz “muuuuuuito” tempo. Mas lembro:
“Certa vez, um andarilho, achou dinheiro no chão. Ficou muito feliz com isso, pois precisava daquele dinheiro. Dali em diante ele passou a andar sempre olhando atentamente para o chão… Por causa disso, muitas vezes quase foi atropelado. Outras vezes caiu por bater em postes. Ou deu esbarrões em pessoas que passavam. E no fim o que conseguiu foi um problema de coluna, alguns hematomas, vários botões e muito mais lixo encontrado nas sarjetas.”
E agora? Com o Pokemon Go…
Já há casos de acidentes, de assaltos, de tiros achando que os “caçadores de Pokemon” seriam bandidos e por aí vai.
Antes já olhávamos cada vez menos ao redor e cada vez mais para a telinha… Ou as telinhas, pois quando não é a do celular, é a do computador ou da TV (esta, que já atrapalha as conversas familiares faz anos… Muitos anos.) E a TV era pior… Se o celular permite que você se comunique com outras pessoas, a TV só te passa (des)informações e impede as conversações, pois sempre tem um “cala a boca que eu quero ouvir a TV”.
Agora multidões correm atrás dos monstrinhos do Pokemon Go… E já vi como funciona. Minhas filhas ficaram fascinadas em caçar. Eu achei chato. Mas talvez o chato seja eu que não tenho mais paciência para algumas coisas… Entretanto não se espante com jovens e adolescentes andando apontando o celular para tudo que é lado. Pois você precisa “pegar” com a câmera e precisa apontar ela para todos os lados… Quando achar o monstro, tem que jogar a “pokebola” para o prender… Se for um Pokemon mais forte, precisará atirar várias vezes a armadilha… E às vezes vai parecer que estão te filmando ou te fotografando, sem a sua permissão, mas não estarão nem te vendo… Na sua frente, em realidade aumentada, estará um Pokemon… Estarão “lutando” para ouvir um “Gotcha”... E estarão de cabeça baixa. Eu realmente acho que é um entusiasmo inicial e que vai passar… Mas…
O que vemos agora é muita gente de cabeça baixa. E o que vão encontrar? Agora, Pokemons… Mas deixarão de ver à volta. Não verão os riscos e nem as oportunidades. Pois de cabeça baixa só vemos o chão… Agora nem mais o chão, apenas a telinha do celular. Claro que tem coisa boa também, porque na “caça” e competição, que sempre existiram, mesmo em álbuns de figurinha, os “caçadores” vão interagir com outros. Fazer novas amizades, desfazer outras… Enfim, quase tudo tem lados positivos e negativos… Como da estorinha inicial: foi legal achar dinheiro, foi ruim perder a vida procurando mais, olhando para a direção errada.
Como cristãos aprendemos a olhar para cima e para os lados: “Depois de ter dito isso, Jesus foi levado para o céu diante deles. Então uma nuvem o cobriu, e eles não puderam vê-lo mais. Eles ainda estavam olhando firme para o céu enquanto Jesus subia, quando dois homens vestidos de branco apareceram perto deles e disseram: — Homens da Galileia, por que vocês estão aí olhando para o céu? Esse Jesus que estava com vocês e que foi levado para o céu voltará do mesmo modo que vocês o viram subir.” (Atos 1.9-11).
Se olharmos só pra tela do celular não veremos a necessidade das pessoas à nossa volta. Não veremos as necessidades de nossa cidade. Não poderemos acompanhar a sociedade e suas alegrias, nem suas tristezas. Não veremos que a Casa do Vovô, a Apae, pais de filhos com necessidades especiais, e tantos outros precisam de ajuda… Imagine a luta para integrar um filho autista em escolas públicas que deveriam ter cuidadores especiais, mas não têm orçamento para isso… Imagina a luta de um asilo para cuidar bem dos idosos, quando falta comida, bebida, fraudas… E pessoas para ajudar… Talvez, em vez de Pokemons, pudéssemos ter órfãos e idosos aparecendo na telinha do celular… Mas...
É preciso olhar em volta. E ver quantos sofrem por fome, tristeza, desamor…
É preciso olhar pra cima e reconhecer nossa completa dependência da misericórdia de Jesus, para poder fazer alguma coisa por aqueles que estão à nossa volta.
No tempo de folga, brinque à vontade… Assista suas séries preferidas na Netflix… Cace Pokemons… Balance na rede… Veja futebol… Mas não deixe de olhar em volta e para cima. É muito mais importante e você fará muito mais diferença.
Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)
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sexta-feira, 29 de julho de 2016
Ódio
As notícias sobre o ódio se multiplicam. A França parece ter se tornado num território preferido para os atentados de todos os tipos. Esforçam-se em dizer que não é culpa de nenhuma religião… Mas não consigo pensar assim. Especialmente porque o cristianismo extremo também já causou muitas mortes. Então, líderes raivosos manipulam os ensinamentos da religião, para conseguirem — pela espada — impor sua vontade particular. Não é uma missão amorosa… É uma guerra religiosa.
Recentemente o Papa Francisco lembrou que “o mundo está em guerra”. Ressaltando não ser uma guerra religiosa, mas sim uma guerra entre pessoas que se julgam religiosos. Guerras assim já aconteceram muito a fora.
Desde o século 12, na região da Irlanda do Norte, católicos e protestantes estiveram em guerra e apenas parte do motivo era religioso. Havia motivos políticos, econômicos… O Exército Republicano Irlandês (o IRA, católico, era pró-independência — ou seja, um movimento que queria separar-se da Inglaterra) enquanto os protestantes integravam o movimento pró-Inglaterra… A guerrilha e o terrorismo foi terrível e foi muito forte até os anos 80 ainda… Certamente muita gente ainda se lembra de ter visto pela TV os atos de terrorismo de católicos contra protestantes e vice-versa… Foi terrível.
Nas cruzadas, os cristãos, contra os muçulmanos, com a desculpa de recuperar Jerusalém, mataram muitas pessoas, inclusive, criando um “exército de crianças”, que se supunha, não seriam derrotados… Foram. Morreram ou foram escravizadas aquelas crianças. Em homenagem àqueles inocentes, a Igreja comemora ainda hoje o “Dia das Crianças Inocentes, Mártires”. A Igreja, quando se afastou da Palavra de Deus, ou a usou de forma errada, sempre fez bobagem.
O Professor Leandro Karnal, em seu perfil no facebook, publicou:
“Um padre, Jacques Hamel, numa solitária igreja na Normandia, reza sua missa matial. Dois jovens perturbados encontram no discurso fundamentalista uma enseada generosa para acolher a frustração e o fracasso de ambos. O padre Hamel completaria 86 anos em novembro. Foi degolado em plena igreja. Daqui de São Paulo sofro e presto minha solidariedade aos franceses e aos católicos. Tem dias nos quais acho que o ódio vai vencer Tanta gente trocando insultos com pessoas que nunca encontrou, tanta raiva com desconhecidos fluindo por esta internet que, às vezes, acho que Hobbes tinha razão: o estado do homem é a guerra de todos contra todos. Depois, vejo o olhar atento de um aluno descobrindo um texto e fazendo uma pergunta inteligente e… volto a ter esperança. Hoje estou de luto. Meu luto não é pelo padre Hamel, mas por todos nós que ainda vivemos.”
Eu, por outro lado, estou de luto pelo Padre e por todos os cristãos que dedicam sua vida salvando vidas… Falando de sua fé com amor, com dedicação e ainda são assassinados covardemente por causa de sua fé. E não se espantem, em nosso país há sempre movimentos revoltosos contra cristãos… Ainda anda no âmbito do projeto de lei, mas há muita coisa querendo cercear a liberdade religiosa cristã, enquanto outras religiões não são incomodadas… Como cristãos, vamos dar a outra face.
Voltando ao que o professor Karnal atribuiu a Hobes, a Palavra de Deus já versava bem antes:
“De fato, teho sido mau desde que nasci; tenho sido pecador desde o dia em que fui concebido.” (Salmo 51.5)
Ou seja, nascemos sim, todos contra todos… Uns buscando o mau dos outros. Pois “Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus.” (Romanos 3.23).
E a carta de Paulo aos Romanos, que falava para judeus, que achavam, que por seguir certas leis e certas cerimônias, estavam agradando a Deus, nos alerta:
“Não há uma só pessoa que faça o que é certo; não há ninguém que tenha juízo; não há ninguém que adore a Deus. Todos se desviaram do caminho certo, todos se perderam. Não há mais ninguém que faça o bem, não há ninguém mesmo. Todos mentem e enganam sem parar.
Da língua deles saem mentiras perversas, e dos seus lábios saem palavras de morte, como se fossem veneno de cobra. A boca deles está cheia de terríveis maldições. Eles se apressam para matar. Por onde passam, deixam a destruição e a desgraça. Não conhecem o caminho da paz e não aprenderam a temer a Deus.” (Romanos 3.10-18).
Enquanto os extremistas islâmicos (e quaisquer outros) buscam apenas apagar o contraditório e extirpar da terra os diferentes... O Salvador Jesus nos ensina a tolerância.
Não é pela força que se “converte”, mas por ação do Espírito Santo. Não é pela espada, mas sim pela pena da Palavra.
Lucas 6.27-36 (Não se esqueçam o que diz Jesus):
— Mas eu digo a vocês que estão me ouvindo: amem os seus inimigos e façam o bem para os que odeiam vocês. Desejem o bem para aqueles que os amaldiçoam e orem em favor daqueles que maltratam vocês. Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também. Se alguém tomar a sua capa, deixe que leve a túnica também. Dê sempre a qualquer um que lhe pedir alguma coisa; e, quando alguém tirar o que é seu, não peça de volta. Façam aos outros a mesma coisa que querem que eles façam a vocês.
— Se vocês amam somente aqueles que os amam, o que é que estão fazendo de mais? Até as pessoas de má fama amam as pessoas que as amam. E, se vocês fazem o bem somente para aqueles que lhes fazem o bem, o que é que estão fazendo de mais? Até as pessoas de má fama fazem isso. E, se vocês emprestam somente para aqueles que vocês acham que vão lhes pagar, o que é que estão fazendo de mais? Até as pessoas de má fama emprestam aos que têm má fama, para receber de volta o que emprestaram. Façam o contrário: amem os seus inimigos e façam o bem para eles. Emprestem e não esperem receber de volta o que emprestaram e assim vocês terão uma grande recompensa e serão filhos do Deus Altíssimo. Façam isso porque ele é bom também para os ingratos e maus. Tenham misericórdia dos outros, assim como o Pai de vocês tem misericórdia de vocês.
Oremos (ou rezemos) pelos católicos e tantos outros cristãos que são mortos diariamente confessando sua fé. Orem por seus Padres e seus Pastores, pois nesse tempo de tantos falsos profetas, a tentação de criar um “mine exército a meu favor” é muito grande e muitos, em nome de Jesus, estão promovendo o ódio.
Orem. Testemunhem da Paz e Orem pela Paz.
Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)
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