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quarta-feira, 6 de março de 2019

E a Bíblia serve pra quê?

“Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver.” (2Timóteo 3.16)
      Na sua casa onde fica a Bíblia? Será que tem uma Bíblia lá? Se não tem, corra, coloque uma Bíblia em sua casa. Mas não a coloque como um amuleto. Use-a para aquilo que Deus nos deixou sua Santa Palavra. 
      Paulo, ao falar a Timóteo lembra que a “Escritura Sagrada é inspirada por Deus”... Mesmo que tenha sido escrita por homens, estes homens agiram movidos pelo Espírito Santo e relataram aquilo que de Deus ouviram. É, em todas as suas letras, Palavra de Deus.
      É útil. Muito útil. Não para embelezar o centro de uma mesa ou para ganhar um espacinho ao lado da estante da TV de 100 polegadas... Cada um na casa deveria ter a sua Bíblia. Desde a Bíblia do bebê, passando por aquelas que são mais fáceis de usar no culto e também Bíblias de estudo. Pois o cristão estuda a Bíblia. Se não estuda... Acaba cedendo aos ataques de Satanás e afastando-se de Deus.
      A Bíblia ensina a Palavra de Deus. Ensina o que Deus espera de nós (por exemplo nos mandamentos, em Êxodo 20)... Mas acima disto, mostra tudo que Deus, em Jesus Cristo, fez por nós. Como desde a queda em pecado: Gênesis 3, passando pela condenação por este pecado (Gn 3.15) e a promessa do Salvador no mesmo versículo. Segue pela história do povo de Deus até chegar no dia da salvação, quando Jesus grita “Eli, Eli, lemá sabactani?” (Mateus 27.46). E não termina aí. Jesus ressuscita e no início do livro de Atos a Igreja começa a testemunhar de seu Salvador que um dia voltará.
      Enquanto não volta, a Bíblia nos ensina a verdade, condena o erro, corrige nossas faltas e ainda ensina a maneira certa de se viver... Então, onde está a Bíblia na sua casa? Espero que em todos os lugares. E até nos celulares.
      E Deus abençoe a leitura deste livro da Vida Eterna.

      Ore: Senhor misericordioso, ensina-me a valorizar o estudo de tua Palavra e a viver o que ela ensina, para crescer na fé, no meu Salvador Jesus. Amém.

[Para acompanhar nosso programa de leitura bíblica, veja aqui.]


Rev. Jarbas Hoffimann

Congregação Castelo Forte
Nova Venécia, ES
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Firmes. Até quando?

      No primeiro Domingo no Advento, a Igreja Cristã, que segue a tradição litúrgica, iniciou o Ano Novo da Igreja. Eles começam sempre no domingo mais próximo ao dia 30 de novembro.
      Para ver todos os recursos já preparados pela IELB (Igreja Evangélica Luterana do Brasil) par o período, como cartazes e outros materiais de uso da igreja e dos pastores, veja aqui.

      Pensando neste tema que norteará o trabalho, a pregação do culto no Primeiro Domingo no Advento aconteceu com os textos sugeridos, que são:
      Sl 25.1-10 | Jr 33.14-16 | 1Ts 3.9-13 | Lc 21;25-36

Firmes? Até quando?

  • E quando os inimigos nos assaltam? (doença, violência, desemprego...)
    • Sl 25.1: Ó Senhor Deus, a ti dirijo a minha oração.
  • Firmes no caminho do Senhor?
    • Sl 25.4: Ó Senhor, ensina-me os teus caminhos! Faze com que eu os conheça bem.
  • Há misericórdia e verdade se permanecermos firmes.
    • Sl 25.10: Ele é fiel e com amor guia todos os que são fiéis à sua aliança e que obedecem aos seus mandamentos.
  • Firmes até a vinda de Jesus.
    • Jr 33.15: Nesse dia e nesse tempo, farei surgir um verdadeiro descendente de Davi, e ele fará nesta terra o que é direito e justo.
  • Firmes nas angústias?
    • Lc 21.25-26: E Jesus continuou: Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. E, na terra, todas as nações ficarão desesperadas, com medo do terrível barulho do mar e das ondas. Em todo o mundo muitas pessoas desmaiarão de terror ao pensarem no que vai acontecer, pois os poderes do espaço serão abalados.
  • Firmes lutando contra o pecado?
    • Lc 21.34: E Jesus terminou, dizendo: Fiquem alertas! Não deixem que as festas, ou as bebedeiras, ou os problemas desta vida façam vocês ficarem tão ocupados, que aquele dia pegue vocês de surpresa.
  • Como ficar firmes?
    • Lc 21.36: Portanto, fiquem vigiando e orem sempre, a fim de poderem escapar de tudo o que vai acontecer e poderem estar de pé na presença do Filho do Homem, quando ele vier.
  • Como os Tessalonicenses.
    • 1Ts 3.9: E assim podemos dar graças a Deus por vocês. Agradecemos a alegria que temos diante do nosso Deus por causa de vocês.
    • 1Ts 3.12-13: Que o Senhor faça com que cresça cada vez mais o amor que vocês têm uns pelos outros e por todas as pessoas, e que esse amor se torne igual ao nosso amor por vocês! Desse modo Deus dará força ao coração de vocês, e vocês serão completamente dedicados a ele e estarão sem culpa na presença do nosso Deus e Pai, quando o nosso Senhor Jesus vier com todos os que são dele. Amém!
  • Felizes quando chegar a hora.
    • Lc 21.28: Quando essas coisas começarem a acontecer, fiquem firmes e de cabeça erguida, pois logo vocês serão salvos.
  • A salvação já está garantida.
    • Sl 25.3,8-10: Os que confiam em ti não sofrerão a vergonha da derrota, mas serão derrotados os que sem motivo se revoltam contra ti. ... O Senhor é justo e bom e por isso mostra aos pecadores o caminho que devem seguir. Deus guia os humildes no caminho certo e lhes ensina a sua vontade. Ele é fiel e com amor guia todos os que são fiéis à sua aliança e que obedecem aos seus mandamentos.
  • Fiquemos firmes.
    • At 2.42: E todos continuavam firmes, seguindo os ensinamentos dos apóstolos, vivendo em amor cristão, partindo o pão juntos e fazendo orações.
Rev. Jarbas Hoffimann

Congregação Castelo Forte
Nova Venécia, ES
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Pornografia - estudo com os Jovens

No último domingo, 24, estudamos o tema da pornografia.
Veja abaixo dois vídeos que usamos e os textos bíblicos. Não precisa de muito mais para que você mesmo tire suas conclusões.
Abaixo dos vídeos estão os textos bíblicos para que você leia.
Especialmente você pai e mãe, aprenda como configurar celular, e computador para filtrar isto. Não deixe que este tipo de coisa entre em sua casa e destrua a mente de seus filhos e sua família.



Este depoimento também é impressionante:

Confira os textos bíblicos:

Efésios 5.3-4
3Vocês fazem parte do povo de Deus; portanto, qualquer tipo de imoralidade sexual, indecência ou cobiça não pode ser nem mesmo assunto de conversa entre vocês. 4Não usem palavras indecentes, nem digam coisas tolas ou sujas, pois isso não convém a vocês. Pelo contrário, digam palavras de gratidão a Deus.

Colossenses 3.5
5Portanto, matem os desejos deste mundo que agem em vocês, isto é, a imoralidade sexual, a indecência, as paixões más, os maus desejos e a cobiça, porque a cobiça é um tipo de idolatria.

Colossenses 3.8
8Mas agora livrem-se de tudo isto: da raiva, da paixão e dos sentimentos de ódio. E que não saia da boca de vocês nenhum insulto e nenhuma conversa indecente.

Amós 5.14-15
14Procurem fazer o que é certo e não o que é errado, para que vocês vivam. Assim será verdade o que vocês dizem, isto é, que o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, está com vocês.

1º Coríntios 6.9-11
9Vocês sabem que os maus não terão parte no Reino de Deus. Não se enganem, pois os imorais, os que adoram ídolos, os adúlteros, os homossexuais, 10os ladrões, os avarentos, os bêbados, os caluniadores e os assaltantes não terão parte no Reino de Deus. 11Alguns de vocês eram assim. Mas foram lavados do pecado, separados para pertencer a Deus e aceitos por ele por meio do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus.

Mateus 5.28
28Mas eu lhes digo: quem olhar para uma mulher e desejar possuí-la já cometeu adultério no seu coração.

Gálatas 5.19-21
19As coisas que a natureza humana produz são bem conhecidas. Elas são: a imoralidade sexual, a impureza, as ações indecentes, 20a adoração de ídolos, as feitiçarias, as inimizades, as brigas, as ciumeiras, os acessos de raiva, a ambição egoísta, a desunião, as divisões, 21as invejas, as bebedeiras, as farras e outras coisas parecidas com essas. Repito o que já disse: os que fazem essas coisas não receberão o Reino de Deus.

Salmo 101.3
3e não deixarei que entre nela
nenhum mal.
Eu detesto as ações
daqueles que se afastam de Deus
e não tomarei parte nos seus pecados.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Não abandonem a fé... Pode ser impossível voltar

Recebi a seguinte pergunta:
“Lendo Hebreus fiquei em dúvida e curiosa. Na citação que li: Hebreus 6.4,6. Que fala da fé de quem se desviou dela, não pode mais retornar.
Devo não ter entendido.
Podes me Ajudar? E carecendo isso.

Vamos tentar ajudar, então:

Uma pequena introdução:
A Carta aos Hebreus foi escrita a cristãos que estavam correndo o risco de abandonar a sua fé em Cristo (6.4). Estavam desanimados (12.12-13), e alguns deles já tinham deixado de assistir aos cultos da igreja (10.25). Essas pessoas, ao que parece, eram judeus que tinham se convertido a fé crista, mas que, possivelmente por causa de perseguição, estavam pensando em voltar a religião judaica. Se fizerem isso, adverte o autor, eles se tornarão inimigos de Cristo e, por assim dizer, estarão crucificando outra vez o Filho de Deus (6.6). O autor sabe que os seus leitores ainda não tinham negado Cristo (6.9-12), mas enxerga, melhor do que eles, o grande perigo que correm. “Vamos em frente!”, diz ele (6.3), dando aos cristãos daquele tempo uma lição que vale para os cristãos de todos os tempos.

O texto completo é do versículo 1 até o 12 (Versão Almeida Revista e Ataualizada):
Hebreus 6:
1 Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito, não lançando, de novo, a base do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus,
2 o ensino de batismos e da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno.
3 Isso faremos, se Deus permitir.
4 É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo,
5 e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro,
6 e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia.
7 Porque a terra que absorve a chuva que freqüentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus;
8 mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada.
9 Quanto a vós outros, todavia, ó amados, estamos persuadidos das coisas que são melhores e pertencentes à salvação, ainda que falamos desta maneira.
10 Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos.
11 Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança;
12 para que não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas.

Sempre se deve olhar o texto da seguinte maneira:
1.      Versículo
2.      Capítulo
3.      Livro
4.      Tipo de livro (no caso Epístolas)
5.      Testamento
6.      Bíblia

Ou seja, tentar ver o contexto mais amplo, quanto possível.
É muito arriscado tomar um texto isoladamente.

O autor está muito preocupado com as pessoas que estão abandonando a Cristo, por isso ele é tão enfático.
Não há salvação para quem voltar atrás, depois de haver posto a sua fé em Cristo (6.4-8). O autor não mede palavras para mostrar a esses cristãos o grande perigo que estão correndo (2.2-3; 8.12; 10.26-31; 12.16-17). Ele cita o exemplo dos israelitas que não conseguiram entrar na Terra Prometida porque não tinham fé (3.7-4.11). Assim, também, é possível que esses cristãos não entrem na Terra Prometida da eternidade.

Quanto à pergunta em questão, é o seguinte:
Como... pessoas que abandonaram a fé podem se arrepender de novo? Esta severa advertência vem acompanhada de lembretes a respeito de tudo de bom (vs. 4b-5) que Deus tem preparado para aqueles que creem e têm paciência (v. 12). O dom do céu Isto é, a salvação dada por Deus.
É impossível levar essas pessoas a se arrependerem de novo. Não se trata de pessoas que cometeram pecados de fraqueza, comuns na vida do cristão, mas de pessoas que abandonaram a fé.
Ou seja, não é aquele pecado que cometemos, muitas vezes sem conseguir evitar, mesmo que tentemos. É o abandono intencional da fé. Não se trata, por exemplo, daqueles que, em tempo de perseguição, para salvar sua vida ou salvar a família, acabaram negando sua fé... Mesmo que ainda tivessem a fé. Estes, depois de passada a perseguição, foram perdoados e recebidos novamente pela igreja.

Hb 10.26-29: destacando especialmente o 26 e o 29:
26Pois, se continuarmos a pecar de propósito, depois de conhecer a verdade, já não há mais sacrifício que possa tirar os nossos pecados. 27Pelo contrário, resta apenas o medo do que acontecerá: medo do Julgamento e do fogo violento que destruirá os que são contra Deus. 28Quem desobedece à lei de Moisés é condenado sem dó à morte, se for julgado culpado depois de ouvido o testemunho de duas pessoas, pelo menos. 29Então, o que será que vai acontecer com os que desprezam o Filho de Deus e consideram como coisa sem valor o sangue da aliança de Deus, que os purificou? E o que acontecerá com quem insulta o Espírito do Deus, que o ama? Imaginem como será pior ainda o castigo que essa pessoa vai merecer!

A Carta aos Hebreus se dirige a pessoas que correm o perigo de abandonar a fé. Esse perigo é real, e essas pessoas podem acabar se perdendo (6.6). Por isso, o autor faz uma severa advertência (6.4-6), talvez uma das mais severas em todo o NT (Hb 10.26-31). Ao mesmo tempo, ele está certo de que os cristãos hebreus têm as melhores bênçãos que vêm da salvação (6.9) e que vão continuar com entusiasmo até o fim, para receber o que esperam (6.11). A vida cristã é uma caminhada que não para: “Vamos em frente!”, exorta o autor (6.1,3).

Sem o arrependimento, não podem receber o perdão de pecados (Mt 12.32; Mc 3.29; 1Jo 5.16). O autor diz isso não porque deseja levar seus leitores ao desespero, mas porque quer evitar que se tornem preguiçosos na fé (v. 12).


Pesquisas na Bíblia NTLH de Estudo e na Almeida Revista e Atualizada.

Se tiver uma pergunta, mande pra mim: www.facebook.com/pastorjarbas

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

PEM 2012 - Atualizado estudo 7

Olá.

A você que não sabe o que é o PEM, é o Programa de Evangelismo e Mordomia da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB). Basicamente são estudos bíblicos em pequenos grupos.
Os materiais são publicados pela Editora Concórdia e eu tenho feito apresentações para os mesmos, que tenho usado na congregação Castelo Forte, onde sirvo.
Os estudos prontos até o momento, bem como as instruções de como usar para que os links funcionem, estão ao lado, na pasta do 4shared. Lado direito (barra lateral), em Palestras.

Este é apenas material de apoio multimídia. Os estudos bíblicos são vendidos pela Editora Concórdia, em livretos bem baratos.

Para facilitar, os lilnks diretos para os novos arquivos de texto bíblico seguem abaixo:

http://www.4shared.com/file/4smFyQNm/Sl_096005-006.html
http://www.4shared.com/file/NS_OmhQz/Sl_050001.html
http://www.4shared.com/file/uG_IhNyy/Sl_027001.html
http://www.4shared.com/file/nPJKaaPM/Sl_031015.html
http://www.4shared.com/file/zQVJ2Yiu/Ef_001017-023.html
http://www.4shared.com/file/Mb99kwpj/Ef_006010-020.html
http://www.4shared.com/file/IuOK8aP1/Sl_034.html
http://www.4shared.com/file/cVGD9s3v/Sl_105004-008.html
http://www.4shared.com/file/dINkLGYV/Dt_008017.html
http://www.4shared.com/file/E6xdMSaW/Lc_024049.html
http://www.4shared.com/file/Og5hY0bZ/At_001008.html
http://www.4shared.com/file/DGQ8cbp3/2Co_003005.html
http://www.4shared.com/file/dAiozyZS/2Co_009008.html
http://www.4shared.com/file/eIQg4GH0/Sl_037023-025.html
http://www.4shared.com/file/u-MF7ZxL/Is_040029-031.html
http://www.4shared.com/file/ziPqCaKT/1Pe_001005-006.html
http://www.4shared.com/file/YML2FJDE/1Pe_001003.html
http://www.4shared.com/file/5VUQTH6b/Jo_001012.html
http://www.4shared.com/file/lMftvR0B/1Co_012003.html
http://www.4shared.com/file/Djv5apUw/Rm_010017.html
http://www.4shared.com/file/MGJ1BoDn/Jo_003016.html
http://www.4shared.com/file/pfdFrM3k/Ef_002008.html
http://www.4shared.com/file/6iu2GATo/1Pe_001007.html
http://www.4shared.com/file/zwxVhRBy/Sl_033009.html

Os mesmos estão na pasta bíblia, dentro de PEM 2012, na pasta Palestras.
Que Deus abençoe o uso destes materiais.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Proclamação Luterana - 020

Observações táticas no manejo do evangelho no sermão

56. Duas observações práticas requerem nossa atenção no contexto desse artigo. Primeiro, com respeito à famosa questão da capacidade de atenção dos ouvintes. Fomos ensinados de que uma pessoa tem uma capacidade de prestar atenção somente durante doze minutos, por isso nenhum sermão deveria ser maior do que isso. Mas, isso é ridículo em vários sentidos. Primeiro, ninguém é igual. A atenção varia de dia a dia, momento a momento. Alguém pode distrair-se a qualquer momento, mas, visto que a palavra falada do evangelho requer contemplação, e visto o pregador procura pregar assim para ganhar atenção, para requerer a contemplação, a atenção pode ser prolongada pela proclamação. Eu considero que é uma boa indicação quando um membro diz: “Pastor, muito obrigado, seu sermão interrompeu meu pensamento pelo menos cinco vezes!” Por isso, trabalhe claramente lei e evangelho, e não se preocupe com a atenção do povo hoje.

Por último, eu gosto de seguir a metodologia textual na proclamação luterana. A típica presunção sobre o relacionamento entre o texto e os ouvintes é tal que o pregador precisa tomar o texto e traduzi-lo para o novo contexto do século XXI. Mas não use para tanto uma alegoria. A alegoria traduz o texto para outro contexto.

57. Mas, se não é isso, se não é alegoria, o que faremos? Precisamos transladar a mentalidade do século XXI para o primeiro século, ou ao texto do Antigo Testamento. O pregador luterano deve pregar de tal forma que os ouvintes possam identificar-se a si mesmos com o texto, andar com Abraão e Isaque, ouvir a Jesus como Maria, participar da coleta para os cristãos de Jerusalém, etc. Neste sentido, a identificação é a chave pela qual a Escritura é trazida à vida pela proclamação do pregador luterano.

58.Concluo este trabalho da maneira como o abri, com um citação de Lutero, especialmente do seu último sermão (15/02/1546, três dias antes de sua morte). Nele vemos Lutero, como pregador, trabalhando na proclamação, levando seus ouvintes sob o evangelho conectando-os com toda a igreja, defendendo-os dos erros. É isto que advogamos neste escrito. Nele, ouvimos o claro chamado a dar confiante atenção aos objetivos dos meios da graça, diante das tentações do mundo de buscar o significado religioso e entusiasmo em outros lugares, até mesmo apregoado por seguidores de Lutero. Admitindo que tal fidelidade é muitas vezes cansativa e aparentemente sem recompensa. Lutero dirige nossa atenção para a voz convidativa de nosso Salvador:[1]

Isto nos cristãos devemos aprender e conhecer, mesmo que o mundo não queira fazê-lo, nós queremos ser gratos a Deus que nos abençoou tão ricamente e nos concede ouvi-lo, bem como o próprio Cristo o ouviu e agradeceu alegremente por ouvir o pai. Em tempos passados, corremos de uma ponta à outra do mundo ao ouvir que ali poderíamos ouvir a Deus. Agora, o ouvimos cada dia em sermões, na verdade, agora todos os livros estão cheios dele, e não queremos ouvi-lo com alegria. Tu o ouves em tua casa, pai e mãe e crianças canta e falam dele. O pregador fala na paróquia. Tu deverias levantar tuas mãos e jubilar de alegria, pela honra que nos é dado de poder ouvir e falar com Deus por meio de sua palavra.

Oh! diz o povo, que é isso? Sobre tudo, eles pregam cada dia, muitas vezes varias vezes ao dia, assim que cedo nos cansamos disto. O que faremos disto? Tudo bem, vai e ouça teu irmão, se não queres que Deus te fale cada dia em sua casa em tua igreja. Seja sábio e procure outra coisa qualquer. Em Tier está o casa de Deus, em Aachen as calças de José. Vai ali. Gasta teu dinheiro, compre indulgências e beije a mão do papa. Estas são coisas valiosas!

Mas, não sejamos estúpidos e loucos; sim, cegos e possuídos pelo diabo? Ali, em Roma, está colocada a isca para o pato, com sua bolsa de truques, atraindo todo o mundo a si, com seu dinheiro e seus bens. Ali há todo o tempo alguém para batizar, dar o sacramento e tirar do purgatório. Como somos altamente honrados e ricamente abençoados em sabermos que Deus fala a nós e nos enche com sua Palavra, dá-nos o batismo, as chaves, etc. Mas este povo bárbaro diz: O que, batismo, sacramento, palavra de Deus? Às calças de José, isto faz a coisa. Mas, a nós cabe ouvir a Deus em sua palavra. Ele é nosso mestre. Não temos nada a ver com as calças de José.

Cristo diz: Venham a mim, todos os que estais sobre carregados (Mt 11.28) Tome minha palavra e deixe todas as outras coisas. Se estás sobre-carregado, tenha paciência. Eu o tornarei tão leve que o possas carregar. Se há coisas ruins, eu vos darei coragem. Se precisas cruzar tormentas e diabos, não fique preocupado, eu te darei o Espírito. Quando sofres por minha causa, o meu jugo é leve. Eu te ajudo a carregá-la. Permanece firme na fé apegado à minha palavra e vencerás.

Isto significa que os sábios deste mundo serão rejeitados, e nos queremos aprender a não nos julgarmos sábios, antes afastar nossos olhos dos grandes personagens e olhar somente para Cristo e sua Palavra. Ele nos convida amorosamente a dizer: Tu és o meu único e amado Senhor e mestre e eu o teu discípulo.

Isto e muita outra coisa poderia ser dito a respeito do evangelho, mas eu estou muito fraco e deixemos isto para outra o ocasião.”

São Leopoldo, 11/12/2011

Tradutor: Rev. Horst R. Kuchenbecker


[1] Luther´s Works, Am. Ed., vol 51, p.390-392.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Proclamação Luterana - 019

Nota do tradutor. Não posso deixar de acrescentar aqui a preciosa página da Teologia Pastoral de C.F.W.Walhter sobre como pregar a santificação:

Uma terceira carência é quando um pregador fala sempre de novo e de novo sobre arrependimento e fé, mas não prega sobre a necessidade das boas obras e da santificação, ou sobre boas obras, virtudes cristãs e santificação, não dando uma instrução profunda sobre isso. Uma descrição explícita, clara e calma sobre uma verdadeira vida cristã e comportamento, alcança mais do que a constante ameaça e o repisar a necessidade da mesma.

A respeito disso, Lutero escreve o seguinte: “Meus antinomistas pregam muito bem e (como não posso pensar de outra maneira) com verdadeira sinceridade a respeito da graça de Cristo, o perdão dos pecados, e o que mais é dito sobre a redenção. Mas, da conclusão eles fogem como o diabo da luz. Eles temem falar da terceira parte, da santificação, isto é, da nova vida em Cristo. Eles pensam que a gente não deve assustar ou entristecer as pessoas. Pregam, no entanto, sempre de forma consoladora da graça e do perdão dos pecados em Cristo e ao mesmo tempo evitam palavras similares como: Estas ouvindo? Tu queres ser cristão e ao mesmo tempo és um adúltero e vives no meretrício, como um porco, arrogante, ganancioso, avarento, invejoso, irascível, e queres permanecer perverso, etc.? Ao contrário eles dizem: Estás ouvindo: Se és um adúltero, prostituto, avarento, ou outro tipo de pecador – mas se tu crês somente, tu estás salvo e não precisas mais temer a lei. Cristo a cumpriu em teu lugar”.

“Amigo, diga-me, isto não é admitir a premissa e negar a conclusão que segue? (Antecedens concedirt e Consequens negirt) Na verdade, isto significa tirar Cristo de alguém, no momento em que Cristo é pregado da forma mais sublime, e reduzi-lo ao nada. Isto é o sim e o não na mesma coisa. Tal Cristo é ninguém e nada, que morreu por tais pecadores que, após o perdão dos pecados, não abandonam o pecado para viverem em novidade de vida. Assim eles pregam bem no fio dialético nestoriano e eutichiano, que Cristo é e não é. Eles são puros pregadores da Páscoa, mas nefastos pregadores de Pentecostes. Pois eles nada pregam sobre a santificação e vivificação do Espírito Santo (sanctificatione et vivificatione Spiritus Sancti), mas somente a salvação de Cristo. Em suas pregações, eles exaltam Cristo com convém, que Cristo nos salvou do pecado e da morte, para que o Espírito Santo faça de nós novas criaturas. Mas, então param e não falam do afogar o velho Adão, para que mortos aos pecados, vivamos para a justiça (Rm 6.2), como o apóstolo Paulo ensina aos romanos, que iniciemos aqui a nova vida em Cristo e cresçamos e sejamos perfeitos nos céus”.

“Cristo não nos conquistou somente a graça (gratiam), mas também o dom (donum) do Espírito Santo, assim que não temos somente o perdão dos pecados, mas também o cessar de pecar (Jo 1.16-17). Quem, no entanto, conitnua a pecar, permanece no seu ser pecaminoso anterior, esse deve ter outro Cristo, o dos antinomistas. O verdadeiro Cristo não está ali, e mesmo se todos os anjos gritassem nada mais do que Cristo, Cristo! – nós teríamos que condená-los com o seu novo Cristo” (Sobre o Concílio das Igrejas, 1539; Walch XVI, 2741 s.).

Se alguém quer aprender como descrever verdadeiramente a vida cristã conforme sua base interna e sua manifestação externa, essa pessoa tem então, ao lado da Escritura Sagrada, o glorioso modelo na Kirchenpostille de Lutero sobre as epístolas...

O pregador que economiza o consolo do evangelho e o oferece pouco, deixando a lei predominar, pretendendo promover dessa forma fé viva e verdadeira vida cristã, está enganado. Ele na verdade está impedindo o desenvolvimento da verdadeira fé e vida cristã.

Um verdadeiro pregador cristão deve poder repetir as palavras de Lutero: “No meu coração reina este único artigo, a saber, a fé em Cristo, pela qual e na qual todas as minhas reflexões teológicas fluem e refluem dia e noite” (Erlangen, Latin, vol I, p. 3; Prefácio da carta aos Gálatas. WA VIII, 1524).

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Proclamação Luterana - 018

53. Mas deixe a lei fazer o seu trabalho, e deixe o evangelho seguir; então nos defrontaremos com outra questão estratégica – o que seguirá? A resposta popular, oferecida por muitos nomes importantes na história da LCMS, é de volta à lei. A santificação, como alguns a chamam. “A admoestação evangélica”, dizem outros. Outros preferem falar em “imperativos evangélicos”, ou o “terceiro uso da lei.” E todos os mencionados acima estão prontos a rotular de “antinomistas”, aqueles que dirão um “não” a esta resposta. Tenha, no entanto, certeza de que eu creio no terceiro uso da lei, especialmente no sentido em que é discutido na FC VI, a saber, que o terceiro uso é um dos caminhos nos quais Deus usa a lei.

Depois o Espírito Santo emprega a lei, a fim de por ela instruir os renascidos e lhes mostrar e indicar, nos Dez Mandamentos, qual seja “a boa e agradável vontade de Deus” Rm 12.2 em que boas obras, nas quais “Deus de antemão preparou, devem andar.” Ef 2.10 Ele os exorta a isso, e quando, em razão da carne, são remissos, negligentes e rebeldes, repreende-os por isso pela lei. Assim exerce ambos os ofícios simultaneamente: “tira a vida, e a dá; faz descer ao inferno, e faz subir. (1 Sm 2.6: faz descer à sepultura (inferno) Sei ofício não é apenas confortar, senão também repreender, como está escrito. (Jo 16.8) Quando o Espírito santo vier, “convencerá o mundo (que também inclui o velho homem) do pecado, da justiça e do juízo.” Ora, pecado é tudo quanto é contrário à lei de Deus. E São Paulo diz: Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, etc (2 Tm 3.16) E repreender é o ofício próprio da lei. Por isso, quantas vezes os crentes claudicam, tantas são repreendidos pelo Espírito de Deus da lei, e pelo mesmo Espírito são reerguidos e consolados com a pregação do santo evangelho.[1]

Duas coisas precisam ser notadas, quando pensamos no que deverá vir após o evangelho. Primeiro, o que muitos querem, e o que muitos pastores dizem, não é o terceiro uso da lei, que é puramente informativo em sua natureza e não imperativo. Antes, muitos pessoas desejam e muitos pastores afirmam é o primeiro uso da lei. O que eles desejam é que a lei modifique o comportamento, pelo controlar tudo o que não cabe na vida cristã. Isto é o primeiro uso, não o terceiro.[2]

54. E mais, o que quer que a lei faça, ela sempre acusa. Lex semper accusat! Por causa disto a Fórmula diz, ao discutir o terceiro uso da lei, “reprovar é a verdadeira função da lei”. Agora, se proclamação é o que a pregação luterana é, e se identificação do meu novo ser como filho de Deus é o que o Evangelho me dá, e se “boas obras fluem da fé, como nossa confissão afirma, porque queremos colocar nossos ouvintes de volta sob a acusação da lei e os terrores de consciência no fim do sermão?

55. Em vez disso, deixem me propor o que pregadores luteranos consideram como “aplicação do evangelho”. Aplicação do evangelho está onde é quando alguém vai além das afirmações dos fatos do evangelho, tal como “Jesus que morreu por ti” ou “no santo batismo, o povo renasce para dento do reino de Deus”. Aplicação do evangelho ocorre quando, à base dos fatos do evangelho, o pregador, “realmente perdoa os pecados, quando ele declara: “Teus pecados estão perdoados”. “Tu és filhos de Deus”. “Ninguém te tirará de minhas mãos.” Tal aplicação do evangelho é simplesmente um aliviar o raciocínio reflexivo, um papel necessário na proclamação.[3] Nós não deveríamos deixar o ouvinte imaginar a aplicação imediata baseada num princípio conhecido, mas aplicar do Evangelho a ele, diretamente no sermão[4].


[1] FC VI,12-14.

[2] Mais evidências de que estamos lidando aqui com o primeiro uso da lei, mais do que com o terceiro uso, vemos no pseudo-evangelho da gratidão, que é tão popular na Igreja. Tudo Jesus fez por ti, que farás tu por ele? Tal caminho contém a assim chamada admoestação evangélica, e não é diferente do que uma mãe gentílica que diz a seu filho que vem para casa com um belo sanduíche dado pelo vizinho, quando a mãe pergunta: Você disse obrigado. Mas, este é o primeiro uso da lei.

[3] Lembre, apelar à razão, estabelece o dualismo que muda a proclamação em comunicação, na verdade em um caminho de ida e volta. (interprice).

[4] Um conforto para aqueles que querem ser pregadores confessionais luteranos é que esta nossa herança é constante e continuamente a carga de uma mensagem incompleta, de não pregarmos o bastante sobre boas obras. Amostra dessa carga reunida numa extensa pesquisa encontramos no teólogo reformado Harold ºJ. Brown: The Image of Christ in the Mirror of Heresy and Orthodoxy fromthe Apostels to he Presente (Grand Rapids: Baker, 1984), especialy p. 298-394.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Proclamação Luterana - 017

51. Primeiro, eles gostam de ouvir o que os outros devem fazer, especialmente se a aplicação da lei pelo pregador for tal que não afrontou as pessoas com a lei na primeira pessoa. Isto é um testemunho de que nossa congregação chegou a amar a lei, não na forma como o salmista o diz, mas de certa forma pervertido! Alguém pode crescer em amar a culpa. Há certo conforto nisso! Isto é um amor perverso que infecta os adolescentes e sádicos, outros, que dizem a si mesmos como todo o mundo os odeiam e como eles se odeiam a si mesmos! O que eles pensam não é o “eu me odeio”, mas eu odeio o que acontece ao meu amor próprio em mim! Há um conforto nisso, o que tu odeias não é digno desse ódio. Da mesma forma, nosso povo pode achar um conforto variado em ouvir a lei que os condena, enquanto não se sentem condenados, enquanto não sentem “terrores de consciência”.

52. Isto, eu acredito, é precisamente o problema com nossas pregações do evangelho! O problema, muitas vezes não é com o evangelho como tal, mas com a lei.[1] A coexistência pacífica com a lei como ela fala a mim, leva ao desinteresse no evangelho. Quando na próxima vez ouvires alguém dizer: “Sim, pastor, eu creio no evangelho, mas quando você nos dará algo diferente?” Então é melhor começares a te questionar a ti mesmo sobre a aplicação não do evangelho, mas da lei! Dr. Walther nos lembra corretamente, que a lei precisa ser proclamada de tal forma, que ela causa em nós certa identificação, que ele chama de: “Terror de consciência”.[2] Isto é o que a pregação da lei deve executar! Mas quantos estão prontos a fazê-lo? Para muitos, tal lei é imprópria, e assim nós nos contentamos com frases de “tu e eu”, combinado com o que eu denomino de “aplicação espingarda,” na qual o pregador elabora a pregação e dispara contra alguns pecados e cita alguns exemplos, julgando que acertará um ou outro. Na verdade, o verdadeiro culpado que necessita ser identificado contigo e seus ouvintes, a saber, a natureza pecaminosa, escapa sem ser atingida; somente para dizer que tu mesmo estas enjoado do Evangelho. Mas, note isso: a não ser que tu te identificas como pecador abominável que és, do contrário és um cristão somente de fachada. A não ser que sintas os terrores de consciência e descubras teu interior totalmente corrupto, não amarás o evangelho, nem estarás disposto a morrer por Cristo. Deixe o pregador aplicar isso a seus ouvintes e ouça sua resposta do evangelho. Este é o trabalho duro da proclamação luterana.


[1] Este é o ponto de J.A.O. Preus quando ele atesta: A reforma não só descobriu o Evangelho, mas também a lei de Deus, em Chemnitz on Law and Gospel, Concórdia Journal, 15 de outubro de 1989, p. 413.

[2] E Walther tomou sua sugestão diretamente das Confissões; cf. AC XII, 3,6; Ap IV, 20, 38, 142, 270-271; XII 32,64; XXIV, 73.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Proclamação Luterana - 016

III - A Prática da Proclamação

48. Muitas vezes, (experimentei) ao ouvir outros desenvolverem uma base teológica para alguns aspectos da vida na igreja, quando terminaram de colocar a base, eu fiquei me perguntando o que será de tudo isso na vida eterna? Com esta frustração na mente, me pergunto: O que posso fazer com isto na vida real. Com esta frustração em mente, eu gostaria de fazer algumas observações relativas à prática da proclamação luterana. Estas observações são de dois tipos. Primeiro, as observações sobre as estratégicas, na medida em que lidam com os métodos. Segundo, de cunho mais particular, especificamente usados na pregação, que chamo de observações táticas.

Observações sobre estratégias com respeito ao manejo do Evangelho no sermão

1)Primeiro, quero abordar a questão de lei e evangelho no próprio sermão. Nos todos conhecemos a expressão: Lei e Evangelho, tão bem que isto veio a ser o mantra luterano, o nosso pequeno “som luterano”. Às vezes parece que transmitimos lei e evangelho, ou a lei ou o Evangelho, simplesmente porque lidamos em nosso sermão com estas palavras, mas não as entendemos bem. Penso que seremos todos beneficiados com uma pequena prática que uso. – Faço isso no meu trabalho a todo o tempo. Procuro tirar do meu sermão toda a palavra luterana, colocando em seu lugar uma palavra parecida. Penso em palavras como: lei, evangelho, fé, crer, etc. Não estou falando dos conceitos teológicos, algumas vezes elas podem ser traduzidas, outras vezes precisamos usá-las e defini-las cuidadosamente. Estou falando a respeito das palavras que não podemos trazer à realidade na qual são pronunciadas. Risque em seu manuscrito todas essas palavras luteranas e veja o que vai acontecer se não poderes usar as palavras como: lei, evangelho, crer, etc. Em vez de usar a palavra “lei”, pregue assim que ela aja. Em vez de dizer a palavra “fé”, retrabalhe o sermão de tal forma que a que estejas pregando fé em seus ouvintes. Pregue e faça a obra sem usar tais palavras.

50. Isto nos levará a outro problema estratégico com respeito de lei e evangelho. Como pregar a lei e o evangelho? Uma das reclamações que recebi de um leigo abençoado por Deus para me manter humilde, foi: Pastor! acho que deverias pregam demais o evangelho! O que esta comunidade precisa é mais lei! O que está acontecendo aqui?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Proclamação Luterana - 015

45. Veja como Lutero trata estes aspectos como pregador. Ele identifica os erros e sua gravidade. Ele lida com erros e errantes. Ele faz isto por amor ao evangelho. Seu propósito não é difamar ou culpar por associação. Em vez disso, ele diz a seus ouvintes: Tu também estás errado! Tu não te opuseste a esses erros. Tu acreditaste nessas coisas. Tu desonraste a Cristo. A partir desta perspectiva Lutero volta os corações de seus ouvintes novamente ao Evangelho.

46. Nossos dias são dias difíceis e muito perigosos para a igreja. Aqui também a proclamação da palavra de Deus através da aplicação de lei e evangelho é tarefa da pregação luterana. É uma tarefa muitas vezes negligenciada, ou quando não deixada de lado, muitas vezes distorcida sob meras palavras de juízo sobre outros e outros povos. Esta não é a pregação de Lutero no confrontar erros. Antes tal pregação simplesmente reverte ao antigo modelo de informação, mais interessante pela maneira em que nós pregadores podemos transgride o oitavo mandamento.

47. Por isso, a tarefa da pregação luterana é como Lutero a descreve, colocar as pessoas sob a palavra de Deus; levar as pessoas para dentro da igreja histórica; e confrontar as pessoas com os erros que os machucam, especialmente, no meio da igreja. Estas atribuições podem ser alcançadas quando nós levamos mais uma vez a sério a pregação luterana, sabendo que ela não é uma questão de informação, muitos menos o estar atualizado com as implicações da comunicação, mas sim, que ela é a proclamação do evangelho de Jesus Cristo, pelo qual Deus cria em nossos ouvintes uma identificação um sentido de ser, a saber, vida em Cristo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Proclamação Luterana - 014

42.Parece claro que a realidade da fé cristã e a comunidade desta fé é transmitido pelo mesmo dinamismos. O nível da linguagem comum é a liturgia, a vida litúrgica corporativa da igreja. Aqui, os novos na fé são introduzidos não tanto pela instrução da igreja, mas mais pela introdução na linguagem sacramental e ações na vida da igreja. Assim como as crianças pequenas apreendem os caminhos da família por tal associação, assim o neófito, de qualquer idade, aprende esta cultura evangélica, católica pela associação da linguagem comum e a vida da igreja. O segundo campo é este kerygma (proclamação), a proclamação da palavra de Deus na constante afirmação da verdade de nossa vida em Cristo, que não é outra do que o evangelho em todos os seus artigos. Isto é pregação. O terceiro campo é a didachê (didática), o ensino normativo e instrução com respeito aos fatos bíblicos que estão por base e reforçam a proclamação do evangelho. Isto é a catequese! Em tal esquema, o papel do pregador inclui a ação de continuamente atuar da perspectiva histórica na proclamação do evangelho. Lutero considerou isto essencial para o púlpito. Isto é correto.

43. A terceira consideração de Lutero na pregação é combater o erro, especialmente o erro que é a cilada fácil para enganar o povo, a saber, o erro dentro das paredes da igreja. Hoje, somos levados a pensar que os grandes erros que afrontam nosso povo os erros comportamentais: da ética e da escolha moral na comunidade na qual vivemos. Na verdade, estes perigos estão ali. Mas os verdadeiros e grandes erros são aqueles que se escondem na igreja de Cristo, erros que enganam e distorcem seu ser, sua vida, seu ministério, sua tarefa. Estes erros – nos os chamamos de heresias – outros grandes erros que pisam nosso povo é o jogo legalizado, os cinemas pornográficos. A grande necessidade que temos em face de tais erros dentro da igreja é que deve ser compreendida pela visão da realidade da uma, santa, católica igreja na história. Daqui entendemos que a igreja sempre lutou com tais erros. Se julgarmos que eles não existem hoje, tal julgamento testifica de nossa cegueira, não das condições dentro das igrejas.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 013

A proclamação do evangelho não é para a moralização, mas então para que? Não para a moralização, mas para justificação.

Pelos meios da proclamação, a pregação luterana justifica! O ato da justificação é historicamente fundamentado na cruz e ressurreição de Cristo, proposicionalmente articulado no texto inspirado, e relacionamento conectado aos fiéis pelo santo Batismo e a Santa Ceia. Este mesmo ato da justificação é dado ao ouvinte na proclamação do evangelho. Isto acontece na proclamação. A perspectiva do justificado é reforçada e sustentada na proclamação. Isto é o que o sermão faz, quando coloca o povo de Deus sob a palavra de Deus. É muito importante e necessário para o bem estar espiritual dos fiéis, e este era o papel que Dr. M. Lutero empreendia quando entrava no púlpito para pregar.

39. Segundo, Lutero usou a proclamação para levar o povo para dentro da igreja histórica. Isto é claramente uma função de perspectiva. Para Martinho Lutero não era suficiente para o povo ouvir a Palavra de Deus. Eles deveriam ver que isto não era um novo fenômeno; isto não era uma saída radical da igreja histórica. Antes, o povo deveria ver, deveria perceber, que eles estavam ouvindo o que era a única verdade, a única fé ortodoxa e histórica, a única fé, santa, católica, e apostólica. Em resumo, eles necessitam perceber a si mesmos como membros deste corpo histórica de Cristo, como participantes da corrente humana que Deus ajuntou a partir da cruz, através dos séculos, neste tardio momento da história. Assim, o povo seria preparado melhor para lidar com teólogos e mensagens rivais, e poderiam empregar não somente as palavras e conselhos de Lutero, mas também dos pais da igreja.

40. Hoje, nosso povo necessita desesperadamente dessa visão da igreja, para compreenderem nosso lugar na história. Eles são o povo contemporâneo, sem pátria e sem cultura, pois sua pátria e suas culturas evidenciam o eterno – ampliando o abismo entre raízes familiares e sociais de um lado e a família e cidade de Deus do outro lado. O fenômeno desta proclamação muda esta perspectiva, para serem pertencentes à igreja histórica.

41.Peter Berger e Thomas Luckmann, em seu livro The Social Construction of Reality, tem apresentado uma análise sociológica sobre o que acontece com o povo numa cultura, na verdade como uma cultura é comunicada a uma geração nova.[1] Existem fortes paralelos entre os objetivos culturais do seu trabalho e o fenômeno da igreja histórica como cultura. Berger e Luckmann argumentam que tal cultura é mantida e transmitida em três níveis da experiência. Primeiro, há o campo da linguagem comum, e como o povo é trazido para dentro desta cultura, eles começam a absorvê-lo ao ponto em que são absorvidos no campo da linguagem (ambos, linguagem pensada e falada). Segundo, há o campo das afirmações da realidade, no qual as verdades pelo qual a cultura vive e é continuamente afirmada e declarada. Terceiro, há o campo do conhecimento especializado, no qual o contato com aqueles que são especialistas em conhecimentos podem explicar as razões para as afirmações da realidade, e isto reforça e intensifica a experiência cultural.


[1] Peter L. Berger e Thomas Luckmann, The Social Construction of Reality: A rediscovered the Gospel but also the Law of God, in Chemnitz on Law and Gospel. Concordia Journal 15 de outubro de 1989, p. 413.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 012

O papel da proclamação luterana

35. Ulrich Asendorf identifica um papel triplo de Lutero como pregador, que serve como estrutura para o trabalho na proclamação: a) levar o evangelho bíblico ao povo; b) trazer o povo para dentro da igreja histórica; e c) confrontar os erros que machucam o povo de Deus.[1] Vamos considerar os três aspectos.

36. a) O propósito da proclamação da Palavra de Deus a cada luterano é proclamar Cristo e seu sacrifício aos ouvintes, o que é levar o Espírito Santo aos seus corações para julgar, confortar e alegrá-los, bem como defendê-los contra os ataques do diabo, e do poder do pecado.[2] Sermões proclamam, eles dão, eles agem, eles julgam, eles matam, eles reavivem, eles perdoam, eles sustentam, e tudo isso pelo colocar os ouvintes sob a Palavra de Deus.

37. Tudo isso soa bem, e eu penso que isto é adequado, reto e próprio. No entanto, a cultura, o mundo, e nossa própria carne pecaminosa unidos requerem uma coisa diferente do sermão. O sermão para muitos é uma mensagem behaviorista. É como um guarda-roupas de onde o líder tira um programa pronto e o entrega a um grupo, para que vá e ganha alguns para Cristo. Além disso, para muitos um sermão deve ser moralista, tipo: faça ou não faça. De fato, um dicionário padrão definiu o sermão como moralista duro, normalmente não apreciada pelo ouvinte. Esta característica do sermão, junto com a visão da religião de ambos os lados de dentro como de fora da igreja, e suportado pela direção entre nós luteranos chamamos de “opinio legis”, a propensão ou legalismo, tudo combina para prover uma constante tentação ao pregador de usar o sermão como moralizador.

38. Mas o sermão não é para moralização, muito menos para ser usado assim por um pregador luterano. Chemnitz observou isso assim:

Se isto está estabelecido que o ensino próprio do evangelho não é somente matéria de fé na graciosa promessa do benefício de Cristo, mas trata também com renovação ou boas obras, então seguem imediatamente que boas obras entram na matéria da justificação como causa parcial...[3]


[1] Asendorf, p. 15-17

[2] AC III, 5

[3] Chemnitz, Loci Theologica (St. Louis: Concórdia, 1985, p.24.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 011

30. O modelo de comunicação é agora oferecido como um caminho melhor para transmitir informações e mover os ouvinte à ação, especialmente à luz desta nova era da vida pastoral em nosso Sínodo, era na qual o pastor é forçado a dizer, agora como já o falecido Frank Borman afirmou: nós temos que colher nossas folhas cada dia. O modelo de comunicação de fato é uma concessão para minimizar o ofício pastoral, e legitimar o processo do sinergismo de compartilhar a verdade.

31. Isto, no entanto, é uma solução errada para a pregação luterana. Proclamação, não comunicação, é a solução para a crise em nossos púlpitos. Proclamação requer um maneira diferente do que a aproximação proposicional do modelo de informação ou a aproximação racional do modelo da comunicação. O modelo da proclamação é de natureza perspectiva, resgatando a perspectiva de Deus da revelação.

32.Vamos notar aqui que estes termos proposicional, relacional e perceptível são todos familiares na teoria do conhecimento, da epistomologia. Afirmam que a verdade é relativa,[1] o que condenamos. A mensagem não é relativa, mas absoluta, baseada na revelação de Deus, proclamada nos evangelho e aceita em fé. Mas ao usar o termo perspectivo neste contexto da proclamação, não é no sentido epistomológico, mas algo mais radical, a saber, um uso ontológico. É o próprio ser, o que é perspectivo, e esta perspectiva não é relativa, mas absoluta, baseada na revelação de Deus, proclamada à fé no Evangelho.

33. O modelo proclamação abraça ambos, a objetividade da graça e o trabalho de Deus, e a subjetividade de nossa identificação nas necessidades como pecadores e nossos benefícios em Cristo. O modelo da proclamação fala a verdade sem racionalismo e fala ao povo em relação a Cristo sem pietismo. Sobretudo, na igreja de Cristo, todos os relacionamentos são proposicionalmente firmados, e todas as proposições são firmadas no relacionamento; é uma proclamação que abraça tudo em tudo.

34. O conteúdo da proclamação na pregação luterana é a identificação de quem você é. Proclamação é a identificação do ouvinte como pecador, em sua totalidade, em virtude da natureza pecadora. Proclamação é a identificação do ouvinte como santo, de ponta a ponta, pela virtude da justiça de Cristo. Esta proclamação envolve a aplicação do texto atual ao ouvinte atual, pelos meios da pedra angular da hermenêutica da justificação do pecador diante de Deus através de Cristo, é colocado sobre o ouvinte pela aplicação de Lei e Evangelho. Neste caminho, o pregador entrega aquilo que recebeu, a saber, os meios da graça, pelos quais Deus mata e vivifica, como o ouvinte é morto pela lei e ressuscitado pelo evangelho. Todo este status e atividade, na brevidade do seu ser, é invisível a nossos olhos e independente da cooperação do ouvinte. Tudo isso é visto pela perspectiva da fé em cada proclamação que a transmite. Vivifica, abre os olhos, gera vida. Esta é a natureza da proclamação. É proclamação, não comunicação, nem mais informação, que nosso povo precisa ouvir e nossos pastores pregar.


[1] Para o propósito de introdução, cf. Basil Mitchell, The Justiication of Religious Belief Knowledge (New York: Herder and Herder, 1972). Para uma mudança mais séria para esta suposição do ponto de vista dofundamentalismo, cf. the Reformation not only rediscovered the Gospel but also the Law of God, in Chemnitz on Law and Gospel, Concordia Journal 15 de outubro de 1989, p. 413.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 010

26. O trabalho da comunicação é gerar e desencadear motivação, enquanto que a obra da proclamação é engendrar identificação. O modelo de comunicação é encorajar alguém a consentir, o modelo da proclamação encoraja a ponderar. A comunicação leva o ouvinte a aprender; a proclamação a desaprender. Por isso, o modelo da comunicação trabalha bem quando é dado ao ouvinte a oportunidade de memorizar o que é dito; o modelo da proclamação trabalha bem quando é dado ao ouvinte perceber o que ouviu.

O modelo de comunicação na pregação oferece um texto narrativo para que o ouvinte estude as ações no texto; o modelo da proclamação na pregação oferece o mesmo texto para que o ouvinte venha a ser identificado com as ações no texto.

27. Aidem Kavanaugh capta esta distinção em sua comparação de quadros e ícones. Pinturas, ele observa, são sobre significados. Ícones são sobre o ser.[1] Neste sentido pregação é mais do que ícones, do que um quadro no seu impacto. Pregação, quando verdadeira na liturgia na qual ocorre, trata mais do ser de que de opiniões. Seres são recebidos, enquanto que opiniões são desenvolvidas pelo acerto do coração e do consentimento dos ouvintes. A comunicação distribui opiniões (no pleno sentido popular), a proclamação concede ser.

28. O chamado para que a pregação luterana adote a solução da comunicação é o verdadeiro problema no púlpito luterano. Após anos, um modelo muito familiar tornou-se evidente na igreja luterana. O modelo pode ser encontrado na história da Reforma Luterana, onde o método teológico de Lutero da coerência, inerface, e correlação foi substituída pela abordagem geral da ortodoxia da pós-reforma que o reverteu para o método teológico da escolástica de correspondência, particularidade causativa.[2] Na pregação histórica do Sínodo de Missouri, é fácil discernir uma mudança semelhante no sermão da proclamação para a informação. Esta mudança veio muito cedo, e se instalou no corpo da igreja, onde ambos, pastores e leigos foram criados a esperaram este tipo de pregação.

29. O modelo de pregação informação vê o sermão como um exercício que apresenta proposições aos ouvintes. Criados, como na era da ortodoxia luterana, na objetividade da graça de Deus. O modelo de informação estendeu tal objetividade a cada questão de informação, tanto que ele carregava dentro de si as sementes perigosas de um racionalismo belicista. Mesmo sendo um modelo insuficiente, especialmente na perspectiva do sermão como meio da graça, ele ainda foi aceito por muitos anos por causa de um respeito geral para com o cargo do pregador, e um reconhecimento geral da natureza objetiva da fé cristã, os quais trouxeram ambos grande escala de consentimento ao que foi pregado. O problema surgiu, como a história novamente nos ensinou em relação ao pietismo, que este modo informacional e proporcional de comunicar a fé gerou uma reação na forma no modo de relacionamento no comunicar a fé, que é precisamente isto o que está por trás do modo de comunicação na área da pregação. Esta abordagem relacional eleva o subjetivo sobre o objetivo, o pessoal sobre o proposital, para a alegria de uma incrível coleção de protestantes evangelicais, católicos romanos carismáticos contemporais e ecumênicos liberais. Tal coleção não é tão surpreendente quando se compreende as implicações desse modelo de comunicação.


[1] Aiden Kavanagh, On Liturgical Theology (New York: Pueblo Publishing Company, 1984), p.4.

[2] Entre outros, esta tese é encontrada em Ulrich Asendorf, Die Theologie Martim Luthers nach seinem Predigten (Göttlingen: Vandenhoeck & Ruprecht; 1988). 13-24.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 009

23. Qual é, então, precisamente a diferença entre comunicação e proclamação? Ambas as atividades lidam com pessoas; ambas envolvem uma conexão entre o que fala e o que ouve; ambas anunciam uma mensagem, sim, mas a diferença entre as duas atividades é grande. Ambas, comunicação e proclamação envolvem motivação; mas o processo empregado é muito diferente entre os dois.

24. A comunicação trabalha com aquilo que pode ser chamado de estrutura do sinergismo. A comunicação requer a cooperação do ouvinte; sem esta cooperação, não há comunicação. Comunicação apela à razão de forma reflexiva para o consentimento. Aqueles, que lutam pela comunicação, colocam o dualismo, que procura influenciar poderosamente o ouvinte, concedendo-lhe o direito de decisão. O ouvinte vem a ser parte do processo, que a comunicação tem como fim. O ouvinte vem a ser juiz no modelo da comunicação. O ouvinte recebe o direito para dizer: O que sei e vejo como verdade, isso afirmo; o que não conheço ou o que não reconheço como verdade, eu nego. Na comunicação, o ouvinte é movido a querer, se o ouvinte não chega a esta ação, a comunicação falhou.[1]

25. A proclamação trabalha com o que pode ser chamado de estrutura monergística. A proclamação requer a presença (obviamente), mas não necessariamente a cooperação do ouvinte; mesmo sem esta cooperação, a proclamação ocorre (assumido que o evangelho tenha sido pronunciado). A proclamação não apela à reflexão da razão para consentimento. Proclamação é revelação, e como Löwenich claramente nota, “revelação adereça-se a si mesma à fé, não ao ver, não à reflexão da razão.”[2] Porque proclamação não apela à reflexão racional, ela não opera num nível dualista, e não capacita o ouvinte a ser o árbitro final da verdade comunicada. O ouvinte pode dizer: Isto eu não aceito, mesmo assim, a proclamação ocorreu, onde o evangelho foi pregado, e ali, como nos o confessamos publicamente: “O Espírito Santo é dado, que opera a fé, onde e quando lhe apraz, naqueles que ouvem o evangelho.”[3]


[1] Esta implicação sinergistas é claramente pretendida e inevitável no contexto atual do debate acima, sobre a direção adequada da pregação luterana; é possível usar o termo “comunicação” de uma forma para evitar esta implicação sinergistas, como por exemplo Richard Klann o faz, quando ele usa “comunicação na forma como sinônimo de “proclamação” neste artigo: “ Se o Evangelho pode ser efetivamente resistido e rejeitado, como podemos falar de uma comunicação efetiva do evangelho? Conforme a Escritura, podemos responder de forma série e simples: Deus o Espírito, que Cristo envia para este propósito, autentica o evangelho quando a pessoa comunica o mesmo de forma pura. Seu poder nunca é diminuído pela incredulidade daqueles que rejeitam seu convite de serem seus; em “Writing Dogmatic Theology, Concórdia Journal, 13 de abril de 1987, p. 148.

[2] Walther Von Löwenich, Luther`s Theology of the Cross, trans. Herbert J. A. Bouman (Minneapolis: Augsburg, 1976) p.37-38.

[3] AC V.2

Leitura Bíblica para a Quaresma 2026

Você sabe o que é a Quaresma? Muita gente acha que é o tempo de sofrimento e privação (jejum etc...) que começa depois do carnaval. Infelizm...