segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 012

O papel da proclamação luterana

35. Ulrich Asendorf identifica um papel triplo de Lutero como pregador, que serve como estrutura para o trabalho na proclamação: a) levar o evangelho bíblico ao povo; b) trazer o povo para dentro da igreja histórica; e c) confrontar os erros que machucam o povo de Deus.[1] Vamos considerar os três aspectos.

36. a) O propósito da proclamação da Palavra de Deus a cada luterano é proclamar Cristo e seu sacrifício aos ouvintes, o que é levar o Espírito Santo aos seus corações para julgar, confortar e alegrá-los, bem como defendê-los contra os ataques do diabo, e do poder do pecado.[2] Sermões proclamam, eles dão, eles agem, eles julgam, eles matam, eles reavivem, eles perdoam, eles sustentam, e tudo isso pelo colocar os ouvintes sob a Palavra de Deus.

37. Tudo isso soa bem, e eu penso que isto é adequado, reto e próprio. No entanto, a cultura, o mundo, e nossa própria carne pecaminosa unidos requerem uma coisa diferente do sermão. O sermão para muitos é uma mensagem behaviorista. É como um guarda-roupas de onde o líder tira um programa pronto e o entrega a um grupo, para que vá e ganha alguns para Cristo. Além disso, para muitos um sermão deve ser moralista, tipo: faça ou não faça. De fato, um dicionário padrão definiu o sermão como moralista duro, normalmente não apreciada pelo ouvinte. Esta característica do sermão, junto com a visão da religião de ambos os lados de dentro como de fora da igreja, e suportado pela direção entre nós luteranos chamamos de “opinio legis”, a propensão ou legalismo, tudo combina para prover uma constante tentação ao pregador de usar o sermão como moralizador.

38. Mas o sermão não é para moralização, muito menos para ser usado assim por um pregador luterano. Chemnitz observou isso assim:

Se isto está estabelecido que o ensino próprio do evangelho não é somente matéria de fé na graciosa promessa do benefício de Cristo, mas trata também com renovação ou boas obras, então seguem imediatamente que boas obras entram na matéria da justificação como causa parcial...[3]


[1] Asendorf, p. 15-17

[2] AC III, 5

[3] Chemnitz, Loci Theologica (St. Louis: Concórdia, 1985, p.24.