terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 006

O contexto teológico na pregação luterana

14. A teologia no cenário luterano norma a pregação que é feita no seu contexto. Não somos somente compromissados a dizer do púlpito luterano: Assim diz o Senhor, em vez de “me parece”. Somos compromissados também a não termos nossa própria opinião sobre o que o Senhor diz ao momento atual; antes estamos compromissados a proclamar Palavra de Deus como ela é expressa em nossas Confissões Luteranas. A pregação luterano é uma atividade normada pelo contexto das Escrituras e das Confissões Luteranas.

15. Isto todos nós conhecemos bem. Mas as implicações desse conhecimento muitas vezes são esquecidas. Visto que a pregação luterana é normada pelas Confissões Luteranas, segue que a pregação luterana é teologia. Ela não pode ser normada condicionalmente e por outra coisa tal como a sociológica, o aconselhamento de grupos, ou advertência pastoral, etc. A pregação luterana é teologia, e, da mesma forma teologia num contexto luterano é pregação. Luteranos são, por último, aqueles sermões que permanecem no contexto luterano, que são teologia. Esta é a parte contextual da natureza do trabalho do pregador. Esta teologia é teologia evangélica luterana, não contemporânea protestante, esta teologia é ortodoxa no sentido luterano, esta teologia é católica, no sentido histórico, não no sentido do termo romano.

16. Novamente, tudo isto pode parecer evidente em si mesmo, mas esta evidencia é contestada hoje por uma série de pensamentos a respeito da atividade da pregação. Dizem-nos que sermões devem satisfazer (suprir) as necessidades dos ouvintes. Somos encorajados a estar espiritualmente elevados em nossa apresentação. Isto demanda, no entanto, muitas vezes conflitos com o texto, com a teologia da cruz sob a qual vivemos, e com a verdadeira necessidade de nossos ouvintes, muitas vezes não sentida no início do sermão, a saber, por contrição, arrependimento e a necessidade de confiar em Cristo. Sermões que são teologicamente evangélicos, ortodoxos e católicos não vão, ao mesmo tempo, aos grandes temas atuais: Como posso estar contente no meu trabalho. Tenha a certeza, o texto escriturístico pode ser relacionado à doutrina cristã das vocações, e tal doutrina pode trazer os frutos da fé ao contexto do trabalho, mas a pregação luterana não é um recipiente metodológico, e por isso não centralizado na pessoa, como perguntas: Como fazer? A centralização na pessoa não é compatível com a teologia luterana, nem para o pregador ou o ouvintes. Lutero lembra:

Não são os feitos humanos ou suas habilidades que fazem de alguém um pastor, e não são os feitos humanos que tornam alguém um cristão, nem o ouvir a palavra ou um sermão agradável, mas é um feito divino e nada mais do que um dom, um presente, do além, contra a natureza, como somente Deus o efetua em nós, sem ajuda ou idéias nossas[1].

A pregação luterana por isso não é aquela que é atrativa à Comunidade, nem deve ser um barômetro daquilo que foi registrado como as últimas necessidades do povo. Novamente, a razão é simples: Tal característica não é característica confessional, ela não flui da compreensão confessional, por isso ela não pode ser identificada com a verdadeira pregação luterana.

Assim, a pregação luterana é uma atividade nos contorno do contexto, linguagem, liturgia e teologia. A pregação luterana é a palavra falada pela qual o cristão é guiado com a voz atual de Deus; é teologia confessional da palavra de Deus que aplica Lei e Evangelho no contexto litúrgico da vida da igreja. Como isto deve ser feito, veremos no próximo capítulo.


[1] Luther`s Works, Am. Ed., vol. 28, p.89