sábado, 29 de setembro de 2018

A corrupção nossa de cada dia



      Quem lê apenas o versículo 1 de Tiago 5, pode achar que a falida Teologia da Libertação fosse verdadeira. Aquela mistura de política e religião, dizia que Deus tem preferência pelos pobres e odeia os ricos. Bobagem. Deus quer salvar a todos.
      O problema não são as riquezas, mas a forma como elas são adquiridas... E a Bíblia nos ajuda a entender mais um pouco. Vejam alguns versículos que falam da riqueza mal adquirida:
1Tm 6.9: “Porém os que querem ficar ricos caem em pecado, ao serem tentados, e ficam presos na armadilha de muitos desejos tolos, que fazem mal e levam as pessoas a se afundarem na desgraça e na destruição.”
Pv 11.28: “Aquele que confia nas suas riquezas cairá, porém os honestos prosperarão como as folhagens.”
      Não tem nenhum mal em querer progredir na vida. Querer enriquecer. O problema é confiar nas riquezas, pois como tudo neste mundo, elas passarão. E, sendo pobre ou rico, viver a gradecido a Deus por tudo que tem... E ofertando honesta e generosamente para que a obra do Senhor sempre continue.
      Mas nesta questão da riqueza, quando a pessoa honesta vê que o desonesto está indo bem, o que acontece?
      O salmista nos responde: (Sl 73.3) “Porém, quando vi que tudo ia bem para os orgulhosos e os maus, quase perdi a confiança em Deus porque fiquei com inveja deles.”
      Satanás usa a prosperidade dos maus para fazer com que os bons se percam. Lembrem-se que a inveja também surge no coração daquele que não confia plenamente em Deus.
      As riquezas acumuladas com a corrupção, são a maldade mais presente em nosso país, neste momento.
      A corrupção mata. Pois quando alguém desvia dinheiro de um hospital, pessoas deixam de ser atendidas... Quando alguém desvia dinheiro de obras de saneamento, pessoas adoecem com esgoto a céu aberto e falta da higiene mais básica.
      Se engana aquele que pensa que governo corrupto não quer fazer obras. É muito pelo contrário, quanto mais obras, mais oportunidade de desviar dinheiro. A gente conhece bem essa história... Deixe isso para o seu voto, no próximo domingo.
      O que quero lembrar é que apontar o dedo e dizer que “eles são corruptos”, ignorando nossas pequenas corrupções do dia-a-dia, também é errado. É hipocrisia e afasta de Deus.
      Me entendam bem. O fato de todo ser humano ser corrupto, não dá direito aos governantes de roubarem. Roubou, tem que ir pra cadeia mesmo. E cumprir a pena até o final.
      O que estou dizendo é que não podemos apontar para um lado e esquecer que nós mesmos temos que lutar diariamente contra a nossa própria corrupção. E esta luta não é fácil. Muitas vezes perderemos a luta contra a fofoca, a soberba, a luxúria... Se tentamos esconder nossas corrupções, quem sabe, apontando o dedo para outros corruptos, não teremos a oportunidade de receber o perdão. Pois onde não há arrependimento, não há perdão.
      Também não dá pra misturar lei civil e o evangelho.
      Vejo pessoas falando de perdão, quando aconteceu um crime. Se aconteceu um crime, o criminoso tem que ser punido.
      Por exemplo: Certa vez vi uma senhora que teve seu filho assassinado, mas que visitava o assassino mensalmente na cadeia. Levava presentes, orava com ele...
      Ao ser perguntada sobre isso, ela respondeu:
      — Meu filho eu já entreguei para o Senhor, mas com sua morte, ele me deu a oportunidade de salvar a vida deste rapaz também... (espero ter uma fé assim...)
      Porém, o rapaz, mesmo perdoado pela mãe de que ele assassinou, continuava preso, porque a pena civil precisa ser cumprida. Assim como o bandido na cruz, ao lado de Jesus, que está no céu, mas morreu naquela cruz, pagando sua pena.

      Deus governa este mundo...
      Não se desespere, seja qual for o resultado das próximas eleições. Deus continuará governando. Faça o seu melhor. Escolha conscientemente e vote. Respeite a decisão do seu irmão na fé... Mas acima de tudo, confie em Deus.
      Tiago pede, nos versículo 7 e 8: “Por isso, irmãos, tenham paciência até que o Senhor venha. Vejam como o lavrador espera com paciência que a sua terra dê colheitas preciosas. Ele espera pacientemente pelas chuvas do outono e da primavera. Vocês também precisam ter paciência. Não desanimem, pois o Senhor virá logo.” O Salmo de hoje fala algo semelhante...

      Paciência.
      Seu irmão pecou contra você e nem quer mais falar com você? Paciência e continue orando por ele.
      Você pecou contra seu irmão e ele está tão magoado que não quer te ouvir? Paciência. Se você se arrependeu, Deus já te perdoou... E continue orando para restabelecer a amizade.

      Uma coisa que deveria ser dita a nossos políticos e a nós todos é Tg 5.12: “Acima de tudo, meus irmãos, quando vocês prometerem alguma coisa, não jurem pelo céu, nem pela terra, nem por nada mais. Digam somente “sim”, quando for sim, e “não”, quando for não, para que Deus não os condene.”
      E é claro que Tiago está lembrando que as pessoas fazem promessas que nem sempre conseguem cumprir, por isso não jurar. Mas deveríamos fazer promessas e tentar cumprir. Pois prometer algo, já sabendo que não vai cumprir, também é parte da corrupção.
      Por fim, um lembrete de que juntos, o Senhor usa uns e outros, dentro da igreja, para nos proteger a todos (Tg 5.19-20): “Meus irmãos, se algum de vocês se desviar da verdade, e outro o fizer voltar para o bom caminho, lembrem disto: quem fizer um pecador voltar do seu mau caminho salvará da morte esse pecador e fará com que muitos pecados sejam perdoados.”
      Resumindo:

  • Riquezas não são más. A forma de adquirir é que pode ser.
  • Todos somos corruptos, mas precisamos sempre, com o auxílio do Senhor, ser melhores.
  • No sofrimento: paciência. O Senhor está conosco.
  • Prometeu (e prometam), cumpra! Seja de uma palavra só, honesto, verdadeiro...
  • Ajudemos uns aos outros a permanecer no caminho do Senhor. Vindo à igreja e ajudando o irmão a vir. Orando. Lendo a Palavra de Deus.

      Jesus Cristo, que deu a sua vida por nós, nos dá a certeza de que até mesmo a corrupção tem jeito. Porque tirou de nós a nossa corrupção e substituiu pela fé. Em Cristo, somos novas criaturas lutando diariamente contra a corrupção. Deus seja louvado e que nós ganhemos esta luta afinal e retenhamos a fé até o dia da vida eterna, quando Jesus vem nos buscar. Amém.

Rev. Jarbas Hoffimann
Pastor Luterano
Congregação Castelo Forte
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Morangos, agulhas e culpas

Resultado de imagem para morangos agulhas      Quando pensamos que é só no Brasil que certas coisas acontecem, nos deparamos com uma notícia lá da Austrália. A polícia está investigando a sabotagem de uma determinada marca de morangos, dentro dos quais foram encontradas algumas agulhas, prontas para machucar quem fosse deliciar-se com aqueles morangos avermelhados e apetitosos. O que era para ser um momento de prazer e saciedade tornou-se susto, dor e até mesmo de internação hospitalar, como foi o caso de dois australianos que precisaram de cuidados médicos depois das agulhadas na boca.
      Quem sabe nem nos damos conta, mas estamos cercados de situações parecidas com a dos morangos australianos, onde algo aparentemente apetitoso e belo termina em dor. Lembro do Rei Davi, encantado com a bela esposa de Urias, chamada de Bate-Seba. Davi foi dominado pelo desejo do adultério e, como conhecemos a história, tudo terminou com uma agulhada dolorosa de culpa e dor. E como não falar de Pedro, naquela triste noite em que Jesus foi preso, quando pareceu-lhe mais confortável negar a Cristo quando interrogado se o conhecia, porém a agulhada no seu coração o fez chorar amargamente pela culpa.
      Ainda hoje cristãos têm diante de si diversos morangos repletos de agulhas, ou seja, diversas situações que aos olhos até são tentadoras e apetitosas, mas que terminam em terríveis agulhadas de dor e culpa. Diante destas tentações que afrontam a vontade de Deus, o conselho é do próprio Senhor: “As tentações que vocês têm de enfrentar são as mesmas que os outros enfrentam; mas Deus cumpre a sua promessa e não deixará que vocês sofram tentações que vocês não têm forças para suportar. Quando uma tentação vier, Deus dará forças a vocês para suportá-la, e assim vocês poderão sair dela” (1Coríntios 10.13).
      Então fica a dica: cuidado com o que parece belo e apetitoso e que, na verdade, termina em sofrimento. Há um grande conforto aos que sofrem pelas agulhadas das tantas culpas juntadas ao longo da vida: Jesus. Sim, Deus feriu ele com nossas agulhas de culpa e sofrimento. Deus o ressuscitou dos mortos para nosso perdão e salvação. E é este perdão que cura e restaura das agulhadas de nossas próprias culpas.

Pastor Bruno A. K. Serves
Candelária-RS

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Mudam apenas as moscas

Resultado de imagem para largado às moscas      Vale tudo no disputado jogo da campanha eleitoral. Até a mentira. Seria apenas “coisas da política”, mas é coisa oficial. O engodo é tolerado pela própria Lei Eleitoral. Regras aprovadas por gente que não fica mais de cara vermelha. Segundo um jurista brasileiro, toda mentira será tolerada na propaganda, pois ela “não é criminalizada e não existe nenhum tipo de punição para candidatos que mintam durante a campanha”.
      Um jogo sujo que é conhecido por todos. E, por isto, a descrença generalizada. Mas, quando a mentira é sacramentada, a sociedade fica atolada até o pescoço na corrupção. O que falta para chegar no nariz? Se mentem na campanha amparados pela lei, com a mesma proteção se apropriam de seus cargos públicos e trilham no mesmo caminho da enganação. E daí é o fim. Porque, quando a mentira não tem mais perna curta, a sociedade não vai muito longe. Fica a pergunta: de onde vem esta politicagem?
      Salomão foi um político que pediu a Deus sabedoria para governar com justiça e integridade. Foi ele quem escreveu as sete coisas que Deus não tolera:

  1. o olhar orgulhoso,
  2. a língua mentirosa,
  3. mãos que matam gente inocente,
  4. a mente que faz planos perversos,
  5. pés que se apressam para fazer o mal,
  6. a testemunha falsa que diz mentiras e
  7. a pessoa que provoca brigas entre amigos

(Provérbios 6.16-19).

      Interessante dizer que a mentira é mencionada duas vezes e tem relação com os outros pecados. Por que Deus tanto detesta a falsidade? A resposta está aí, nos dias de hoje.
      A água onde Pilatos lavou as mãos continua podre e contaminada. Vendeu a alma ao pai da mentira porque não queria perder vantagens, regalias, propinas. E perdeu a grande chance de lavar o coração em água limpa, na fonte daquele que disse: “Eu sou a Verdade”. Assim, a solução não está em tirar uns e colocar outros, mas expurgar a podridão da alma. Senão, mudam apenas as moscas.

Rev. Marcos Schmidt
pastor luterano

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Religião e Política (e a Igreja Luterana)

Resultado de imagem para o cristão e a política

Este texto é referente à Igreja Evangélica Luterana do Brasil, mas pode servir de orientação para as igrejas cristãs de uma forma geral.

A Igreja em relação à Política e Eleições

I. Introdução

      Nestas últimas semanas, recebemos várias manifestações em que membros de nossa igreja reclamam ou se queixam a respeito de certas manifestações de membros e pastores de nossa igreja em relação às disputas eleitorais em andamento em nosso país. Assim, a Diretoria Nacional da IELB decidiu enviar uma orientação aos pastores e congregações, a fim de que nossa participação nestas disputas se oriente pelas nossas convicções, baseadas nas Escrituras Sagradas e Confissões Luteranas.

II. Os cristãos e as eleições

      O que um cristão é chamado a fazer, especialmente num ano de eleições em nosso país? Muitos dos assuntos políticos que enfrentamos no Brasil têm forte implicação moral. Diante disso, precisamos firmar-nos nas Escrituras Sagradas e em nossas Confissões, posicionando-nos claramente neste período de eleições.
      A base do posicionamento de nossa igreja está no ensinamento bíblico da doutrina dos dois reinos, ou seja, o reino espiritual de Cristo e o governo terreno. Passagens bíblicas chaves para este ensinamento são as seguintes: 1Pedro 2.9-10, 13-17; Hebreus 11.13-16; 13.14; Mateus 16.18; Lucas 12.14; 2Coríntios 10.4-5; Romanos 1.16; e 13.1-7.
      Reconhecendo os dois reinos, vemos claramente, em Romanos 13.1-7 e 1Pedro 2.13-17, que o Criador instituiu o governo político como meio pelo qual Ele procura preservar e guiar a vida na comunidade entre os seres humanos caídos. Esta é uma estrutura passageira, ou provisória, designada
para dirigir e regular o relacionamento político entre as pessoas durante o intervalo entre a queda em pecado e o retorno do Senhor Jesus Cristo.
      Portanto, é importante a participação dos cristãos nesta estrutura política. Pois, sem a participação ativa dos cristãos, esta estrutura só pode ser destrutiva não só para os cristãos, mas para todos os cidadãos. Por isso, a Confissão de Augsburgo resume bem os ensinamentos bíblicos de como os cristãos podem participar ativamente, quando diz:
Das coisas civis (os nossos) ensinam que ordenações civis legítimas são boas obras de Deus e que é lícito aos cristãos exercer ofícios civis, ser juízes, julgar segundo as leis imperiais e outras leis vigentes, impor pena segundo o direito, fazer, segundo o direito, guerra, prestar serviço militar, ...” (Art. XVI,1-2).
      Embora não se mencione os cargos políticos de hoje, pois estes não existiam na época em que a Confissão de Augsburgo foi escrita, mesmo assim eles estão incluídos na expressão “ofícios civis”. Portanto, temos aqui clara orientação para nós nestes tempos difíceis em que passamos em nosso país. E podemos resumir esta orientação nos seguintes pontos:

  1. Os cristãos devem resistir à tentação de tornar o governo terreno em um meio para promover o reino espiritual de Cristo.
  2. Os cristãos também precisam reconhecer que não haverá governo terreno perfeito, pois todo governo terreno, sendo parte da criação caída em pecado, está sujeito a errar. Desta forma, o cristão deveria se abster de fanatismo, pois sempre estará defendendo uma estrutura humana de governo e, por isso, imperfeita.
  3. O governo terreno apenas funciona para restringir o mal e encorajar o bem, mas isso é feito de modo limitado. Todavia, assim mesmo este governo permanece sob o controle de Deus.
  4. Portanto, os cristãos precisam engajar-se em orar pelo governo e todos os que ocupam ofícios no governo (cf. 1Timóteo 2.1-2), para que possam realizar o que Deus espera deles.
  5. Além disso, os cristãos também devem buscar “ofícios civis”, seja nos Municípios, seja nos Estados, ou no Governo Federal, para serem vereadores, prefeitos, deputados estatuais ou federais, senadores, e mesmo presidente da República. Pois, quanto mais cristãos verdadeiros participam ativamente do governo terreno, tanto mais justo ele será em seu desempenho.
  6. Assim, os pastores, que atuam no Reino Espiritual de Cristo, precisam, sim, passar aos cristãos as qualificações necessárias de candidatos a qualquer uma das posições governamentais. No entanto, eles devem evitar totalmente posicionar-se publicamente em favor de qualquer um dos candidatos, seja no relacionamento pessoal com membros da igreja, seja em reunião de membros, seja em cultos, ou através de meios de comunicação, inclusive os meios digitais, pois tais posicionamentos trarão divisão para dentro da igreja.
  7. Isso, porque cada cristão, analisando as qualificações dos candidatos, é livre para se posicionar e votar no candidato que, na sua visão, poderá melhor servir na posição que vier a ocupar. Como resultado, em cada congregação não haverá unanimidade em favor de candidatos. Portanto, o pastor, caso se posicione em favor de um ou de outro, causará divisão e prejudicará o trabalho na congregação e o avanço da missão.

III. Conclusão

     Sem dúvida, o momento que o Brasil está passando é complicado. Isto está ocorrendo não só por ser um período de eleições, mas pela corrupção que se tem estabelecida e espalhada. Diante disso, temos observado que há diferentes igrejas que estão se posicionando politicamente em favor de um ou outro candidato.
      Assim, julgamos importante encaminhar-lhes a orientação acima, para que a Igreja Evangélica Luterana do Brasil se mantenha equilibrada, de acordo com o que ensinam as Escrituras Sagradas. Que Deus conceda a todos a sabedoria e a confiança de que Deus jamais deixará de estar no controle do que ocorre neste mundo, inclusive em nosso Brasil.
      Saudações em Cristo,

21 de setembro de 2018

Rev. Dr. Rudi Zimmer
Presidente da IELB

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Quem será o piloto?




      O próximo Presidente terá nas mãos o comando de um enorme avião sucateado. Por isto o receio, tanto dos passageiros nas poltronas do lado esquerdo, do meio e do lado direito. Afinal, todos querem chegar sãos e salvos. A pergunta deve ser bem ponderada: Quem é a pessoa mais qualificada para pilotar este Boeing cheio de botões, com graves problemas técnicos, passageiros temerosos, e com terroristas à bordo? Tem os copilotos – os parlamentares (que também vamos escolher) e os juízes. Mas, o Presidente é o comandante deste avião que funciona pelos mecanismos da Constituição Brasileira, e, dependendo da cabeça e do coração dele, chegaremos tranquilos ao destino final. Se a comparação é válida, cabe lembrar que o tumulto numa aeronave piora a situação. É essencial seguir as ordens dos comissários, caso contrário, a confusão pode derrubar o avião.
      Mas, em qualquer situação, “nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus” (Romanos 13.1). Nesta regra divina num mundo com tendência do avião cair, devemos pagar impostos e respeitar as autoridades (v.7). Um respeito de duas vias, pois a Bíblia também lembra que "quando o governo é justo, o País tem segurança; mas, quando o governo cobra impostos demais, a nação acaba na desgraça" (Provérbios 29.4). E sobre as relações entre o céu e terra, as palavra de Jesus são referência: “A Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”. Por isto o Código de Ética da igreja em que eu atuo: “Mesmo que deva estar atento aos problemas da sociedade, não quero, enquanto pastor, exercer política partidária”. Uma atitude sabia quando a função da igreja é acalmar o ânimo dos passageiros.
      Por isto a Bíblia orienta: "Orem por aqueles que têm autoridade para que possamos viver uma vida calma e pacífica, com dedicação a Deus e respeito aos outros" (1Timóteo 2.2). Neste momento, a intercessão tem outro destino: “Orem pelos eleitores”. E boa viagem!

Marcos Schmidt
pastor luterano

sábado, 15 de setembro de 2018

Como nós temos usado a língua?

Resultado de imagem para usar a língua para o bemÁudio da pregação

Tiago 3.1-12

      No livro de Tiago, capítulo 3, v. 9 está escrito:
“Usamos a língua tanto para agradecer ao Senhor e Pai como para amaldiçoar as pessoas, que foram criadas parecidas com Deus.”
      Da mesma boca saem bênção e maldição...
      Como pode isso?
      Está certo isso?
      Esta é a vontade do Senhor para seus filhos?

      Também o Salmo 116 fala assim:
1. Eu amo a Deus, o Senhor, porque ele me ouve; ele escuta as minhas orações.
2. Ele me ouve sempre que eu clamo pedindo socorro.
4. Então clamei ao Senhor, pedindo: “Ó Senhor Deus, eu te peço: Salva-me da morte!” 
      Notem que nesses versículos aparece a interação entre “falar” e “ouvir”, entre “clamar” e “ser ouvido”.

      E depois, como gratidão, o salmista termina dizendo:
17-19. Eu te darei uma oferta de gratidão e a ti farei as minhas orações. Na reunião de todo o teu povo, nos pátios do teu Templo, em Jerusalém, eu te darei o que prometi. Aleluia!
      Temos aqui a dinâmica do falar e do ouvir. Podemos falar coisas boas a Deus, podemos pedir coisas boas... Mas muitas vezes o povo de Israel amaldiçoou a Deus com suas palavras... Usou a língua para adorar falsos deuses.
      Igualmente nossas palavras podem ser bênção ou maldição a Deus e contra as pessoas ao nosso redor. O que queremos ser: “bênção ou maldição”?

      O Profeta Isaías nos dá outra luz nesse relacionamento entre o ouvir e o falar.
Is 50.4:
“O Senhor Deus me ensina o que devo dizer a fim de animar os que estão cansados. Todas as manhãs, ele faz com que eu tenha vontade de ouvir com atenção o que ele vai dizer.”
      Isaías nos lembra que mais importante do que ter algo a dizer é ouvir antes de falar. Sabe aqueles programas de pergunta e resposta, que, no meio da pergunta alguém aperta o botão? Daí, quando a pergunta termina, o sujeito não sabe responder, porque não ouviu a pergunta inteira...
      Antes de falar e emitir opiniões precisamos ouvir (ou ler, já que muitas coisas hoje nos chegam por escrito)... E muitas vezes quando falamos, também falamos por escrito.

      Você ouve bem? Quando você ouve, está, de fato, ouvindo?
      Não é sem motivo que Jesus muitas vezes repete: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mt 11.15; 13.9,43; Mc 4.9; Lc 8.8; 14.35; Ap 2.7,11,17,29; 3.6,13,22)...
      É uma frase importante. Que nos chama atenção ao “ouvir”.
      Não é só ouvir...
É internar as palavras ouvidas. Meditar nelas, como a Bíblia diz que Maria fazia e guardava tudo em seu coração. (Lc 2.19 – depois da visita dos pastores; 2.51 – Jesus entre os doutores). Nos dois momentos Maria “ouve e medita nestas coisas em seu coração.”
      Estes dois momentos de Maria, distantes 11 anos, nos fazem entender quanto tempo ela guardava e meditava em seu coração as palavras que, sobre Jesus, ouvia. 11 anos...

      Precisamos aprender a ouvir. Refreando a língua.
      Tiago 3.2 diz: “Quem não comete nenhum erro no que diz é uma pessoa madura, capaz de controlar todo o seu corpo.”

      Quando ouvimos (ou lemos) algo sobre alguém, precisamos ler uma segunda vez. Precisamos tempo... Paciência... Informações corretas.
      Quando apuramos a notícia real, se ainda desejamos emitir opinião, ao falar, precisamos ver no outro um irmão em Cristo ou, se ainda não é nosso irmão em Cristo, precisamos ver alguém que Deus também ama e quer salvar. Se nossas palavras não forem boas, podemos afastar a pessoa de Jesus...
      Queremos trazer as pessoas para Jesus ou afastar dele?

      Todos querem dar opinião em tudo hoje. Todos querem falar, até do que não sabem. Todos são especialistas... Todos parece que precisam dar opinião em tudo. Nunca foi tão difícil ouvir um “não sei”. E dizer “não sei” quando você não sabe, não é fraqueza. É humildade. É autoconhecimento.
      É reconhecer que você não sabe ou ainda não sabe, pois pode aprender... Mas quando você acha que sabe, pode acabar estragando tudo.

      Algum tempo atrás eu vi um vídeo de um sujeito criticando as versões bíblicas e afirmando que a bíblia que ele prefere é a Almeida Corrigida Fiel...
      Bem, gosto ele pode ter... To dos têm sua versão bíblica de preferência, mas daí para dizer qual é melhor, qual é pior, precisa de um conhecimento mais específico.
      Esse senhor afirmava no vídeo que a Versão Nova Almeida (de 2017) não é uma versão boa da Bíblia. Como conheço a equipe de tradutores e sei da responsabilidade da Sociedade Bíblica, dei atenção ao vídeo e fui conferir...
      Que surpresa! O “especialista” é, na verdade, palestrante, autor, estrategista, storyteller (parece que tem vergonha de falar em português: “contador de estórias”) e ele é um bom contador de histórias. Faz os outros acreditarem em suas “opiniões”, como se fossem verdade. Mas o que ele sabe de Bíblia. Nad a além de seu gosto pessoal.
      Ele não estudou grego e hebraico, não estudou hermenêutica, nem exegese... Não leu livros de arqueologia e nunca fez teologia. Simplesmente decidiu que sabe mais de bíblia do que os especialistas, formados e capacitados da Sociedade Bíblica.
      Aquele sujeito poderia ter dito: “eu li as diversas versões bíblicas e gosto mais desta ou daquela...” Em vez disso ele passou a difamar não só a versão da bíblia, como a própria sociedade bíblica e as pessoas honestas e dedicadas que trabalham ali.
      O mundo tá cheio de gente assim. Gente que acha que sabe de tudo e sai falando. E essa é uma doença que contamina especialmente os mais jovens. Como disse Umberto Eco: “As redes sociais deram voz a legião de imbecis.”

      Aí fica difícil de refrear a língua e acabamos emitindo opiniões, como se fossem verdades e acabando com amizades e pessoas.
      Você não precisa e nem pode ter opinião sobre tudo. Você não conhece tudo. Você não conhece todas as pessoas. Você não entende tudo de Bíblia. É cansativo até tentar entender e saber tudo de tudo... Dizer não sei é bem melhor do que falar uma bobagem...

      Lembrem-se de Lutero na Dieta de Worms (reunião que durou de 28 de janeiro a 26 de maio de 1521).
      Lutero foi convocado a esta reunião, onde supostamente poderia se defender e falar do que estava errado na igreja, mas não era bem isso que os dirigentes da reunião queriam.
      Logo na sua chegada à reunião, apresentaram 25 de seus livros para que ele os renegasse como heresia. Lutero disse não poder responder e pediu mais tempo para pensar.
      No dia seguinte (18 de abril de 1521), refizeram as perguntas a Lutero:
      1. Estes Livros são de sua autoria?
      2. Você renega como heresia?

“São todos meus, mas, no caso da segunda pergunta, não são todos do mesmo tipo”... 
      E respondeu com a consciência  tranquilo e bem preparado. Depois de pensar e meditar.

      Tiago fala ainda:
“A língua é um fogo. Ela é um mundo de maldade, ocupa o seu lugar no nosso corpo e espalha o mal em todo o nosso ser. Com o fogo que vem do próprio inferno, ela põe toda a nossa vida em chamas.” (6) E: “Usamos a língua tanto para agradecer ao Senhor e Pai como para amaldiçoar as pessoas, que foram criadas parecidas com Deus.” (9)
      Pra quê você tem usado sua língua? Para abençoar ou maldizer?
      Quando você se despede, que tal um “vá com Deus” ou “fique com Deus”, ou ainda “Deus te abençoe e acompanhe”?
      Quando vai fazer suas refeições, que tal um “obrigado Senhor”?
      Quando vai trazer suas ofertas ao altar, em vez de pe nsar no dinheiro, porque não pensar: “obrigado Senhor, pois se tenho para ofertar, da tua mão o recebi”?

      Se todos tivermos esta atitude de usar a língua para o bem, o mundo se tornará um lugar melhor.
      Jesus usou para o bem. Inclusive, no seu último momento, bradou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. E orou por nós, para nossa Salvação.
      Vamos usar nossa língua para falar bem do próximo, para testemunhar da Salvação em Jesus, para abençoar nossas crianças. Jesus nos torna bênçãos ao mundo, nos enviando para proclamar a Salvação a todos.
      Deus os abençoe.
      Amém.

Rev. Jarbas Hoffimann
pastor luterano
www.ielb.org.br

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Culto Doméstico 08/2008 - Da IELB

Culto Doméstico – nº 08/2018 – Setembro/2018

1. Saudação e acolhimento (Pelo dirigente)

2. Invocação

Iniciamos este Culto Doméstico em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo, um só Deus em três Pessoas. Amém.

3. Oração 

Amado Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
Deste a todos nós a vida e as condições necessários para vivermos. Agradecemos muito por estas maravilhosas dádivas. Lembramos também, de modo especial, a graciosa salvação em Jesus Cristo. Sem Jesus nós estaríamos perdidos e condenados eternamente. Mas, Ele sacrificou a sua vida por nós, garantindo o perdão, vida e salvação aos que creem nele. É a graça não merecida por nós. Reconciliados contigo por Jesus, estamos felizes e muito agradecidos. Te louvamos por esta obra de misericórdia e amor!
Pedimos que nos fortaleças sempre com os meios da graça, Palavra e Sacramentos. Queremos continuar firmes e batalhadores no teu Reino. Dá-nos sempre a assistência do teu Espírito Santo.
Abençoa o Culto Doméstico de hoje, por Jesus Cristo. Amém.

4. Hino: 513 (HL) – Estrofes 1-3

1. Divino Salvador, / contempla com favor / nosso país. /Dá-nos justiça e paz, /governo bom, capaz, / pátria em que nos apraz / viver feliz.

2. Olhamos para ti; / oh! Vem reinar / aqui, tu, Rei dos reis. / Dirige o pátrio lar, ensina a governar, / conforme o teu mandar, por justas leis.

3. A quem governa, ó Deus, / inspira desde os céus / o teu temor. / Ao povo vem unir, / disposto a te servir, e em nome teu agir / com fé e amor.

Reflexão:

Ler Salmo 133

(Nota: Estamos próximos às eleições públicas, estaduais e nacionais. Na mídia circulam muitas manifestações relacionadas às eleições. Algumas são muito agressivas, desrespeitosas e falsas. Os cristãos correm o risco de também se manifestarem de modo inconveniente e de desrespeito à opinião de irmãos de fé. Devido a isso, reedito uma reflexão que publiquei em 2016. Vamos refletir sobre este assunto. Esta reflexão é para a vida dos cristãos. Não apenas referente às eleições, mas para todo o relacionamento com os irmãos).

A Palavra de Deus fornece orientações aos seus filhos, visando a salvação e o bem-estar deles. Entre estas orientações encontramos o texto de hoje. Ele é uma exclamação afirmativa da importância da união e convívio fraterno e harmonioso dos filhos de Deus.

Surge uma pergunta preocupante: Como conviver com pessoas que têm opiniões e gostos muito diferentes da gente? Encrencar com eles, criar conflitos e afastar-se deles? Desprezá-los? Não e não! “Ah, mas eu não suporto as ideias, as posições, e as ... do fulano”, poderia alguém alegar.

O que dizer a uma pessoa que assim se manifesta?

1º - É claro que nunca devemos concordar com os pecados e os erros dos outros. Devemos condenar o pecado, mas amar o pecador. Devemos saber perdoar. É assim que Jesus Cristo age conosco. Ainda: Qual deve ser a nossa atitude se nos acharmos mais fortes e mais cristãos do que os outros? A resposta encontramos em Rm 15.1: “Nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos, e não agradar-nos a nós mesmos”. Que versículo! Pensemos sobre isto. É bom, reconhecer os próprios defeitos e pecados e não se achar melhor do que os outros. Lembremos a história do fariseu e do publicano, registrada em Lc 18.9-14 (Ler).

Vamos ler também o que está em 1 Co 9.22 (NTLH): “Quando estou entre os fracos na fé, eu me torno fraco também a fim de ganha-los para Cristo. Assim, eu me torno tudo para todos a fim de poder, de qualquer maneira possível, salvar alguns”.

A frase “me torno fraco” significa que não vou me exibir ou vangloriar diante dos fracos, mas vou deixar claro que eu também sou fraco e que dependo do amor, da misericórdia e do poder de Deus. Indo assim ao encontro dos outros, serei melhor aceito e com mais facilidade posso ajudá-los.

Há também um prejuízo pessoal em guardar rancor e desprezo pelos outros e não perdoá-los. Em Mt 18 encontramos a parábola do credor incompassivo (que não teve compaixão). Este homem havia sido perdoado numa enorme dívida, mas não perdoou o seu companheiro que tinha uma pequeníssima dívida com ele. Então o senhor, que o havia perdoado, o chama de volta, retira o perdão e o condena. A parábola é concluída com este versículo (NTLH): “É isto que meu Pai, que está no céu, vai fazer com vocês se cada um não perdoar sinceramente o seu irmão”. 

Busquemos de Deus a capacidade para cumprir o que está escrito nos seguintes versículos:

Ef 4.32 (NTLH): “Sejam bons e atenciosos uns para os outros, e perdoem uns aos outros, assim como Deus, por meio de Cristo, perdoou vocês”.  Estamos felizes com o perdão gratuito que Cristo nos dá? Sim! Então, assim como Cristo nos perdoa, perdoemos nós também.
Cl 3.12-13 (NTLH): “Vocês são o povo de Deus. Ele os amou e os escolheu para serem dele. Portanto, vistam-se de misericórdia, de bondade, de humildade, de delicadeza e de paciência. Não fiquem irritados uns com os outros e perdoem uns aos outros, caso alguém tenha alguma queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem uns aos outros”. 

2º - Quando se lida com ideias, gostos, estratégias diferentes (que nada tem a ver com assuntos doutrinários, vitais e éticos), devemos saber tolerar e conviver. Até, às vezes, abdicar de nosso gosto e opiniões para que haja paz, boa vontade e harmonia. Pois, os cristãos que amam de fato são aqueles que sabem ceder em favor dos outros irmãos. É isto que o apóstolo Paulo ensina em 1 Co 9.22.

3º - Também precisamos entender que muitas vezes nós somos os intransigentes e provocadores de desunião, e não sempre os outros. (Será que os “fracos” são sempre os outros?). Cada um precisa olhar para si mesmo e verificar a sua situação, os seus pecados, suas teimosias, suas intransigências e, então, em verdadeiro arrependimento buscar junto ao trono gracioso de Deus o perdão em Jesus Cristo e a força do Espírito Santo para aperfeiçoar a sua vida, tonando-se mais humilde, amoroso, compreensivo e fraterno. 

O arrependimento e a fé são condição necessária para que Deus nos perdoe. Ele acolhe a cada um de nós porque nos ama muito. Lembremo-nos sempre do texto áureo: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

Queira Deus guardar-nos em sua graça e não permitir em nós um espírito farisaico e faccioso que só vê defeitos nos outros e os condena e se auto exalta como “o bom e perfeito”. 

Somos muito felizes com o perdão que Deus já nos deu gratuitamente. Vivamos, então, sempre em arrependimento e fé, e amemos os nossos irmãos, sejam eles considerados por nós fracos ou fortes.

Vivendo assim estaremos alcançando e promovendo o que o Salmo 133 propõem: a VIDA BONITA em UNIÃO COM OS IRMÃOS DE FÉ.

Os cristãos têm direito de ter opiniões diferentes sobre os assuntos políticos. Que estas diferenças de opiniões e posicionamentos políticos não perturbem a paz entre os irmãos e prejudiquem o trabalho harmonioso e produtivo no Reino de Deus.

                                                                                                    Martinho Sonntag

6. Hino: “Eu só confio no Senhor” (189 – LS)

1. Eu só confio no Senhor que não vai falhar. Eu só confio no Senhor, sigo a cantar. Se o sol chegar a escurecer e o céu toldar, eu só confio no Senhor que não vai falhar. Posso confiar, posso confiar que um lar no céu Cristo vai me dar, Se o sol chegar a escurecer e o céu toldar, eu só confio no senhor que não vai falhar.

2. Confiando no meu Senhor, eu não temo o mal. Confiando no meu Senhor, tenho paz real. Se o mal me vier tanto faz, nele confiarei. Pois a Jesus me entreguei, ele é meu Rei.  Agora sou feliz, agora sou feliz. Como sou feliz, como sou feliz. Se o mal me vier tanto faz, nele confiarei. Pois a Jesus me entreguei, ele é meu Rei.

7. Oração livre 

8. Pai Nosso – em conjunto.

9. Hino: 513 (HL) – Estrofes 4 e 5

4. À amada pátria vem / sustento e todo o bem / de ti, Senhor. / Aos pobres dá comer, / e a todos faz saber / de como é bom viver / em mútuo amor.

5. Sublime bênçãos dás, / amor, perdão e paz / e a salvação. / Que a Nova de tua cruz / rebrilhe em clara luz, e guiando a ti, Jesus, / toda a nação.

10. Bênção – conjunto.

O Senhor nos abençoe e nos guarde.
O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre nós e tenha misericórdia de nós.
O Senhor, sobre nós, levante o seu rosto e nos dê a paz.
Amém.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Triste e Dolorosa Guerra Brasileira

Resultado de imagem para senhor andante     Estamos evolvidos em uma guerra sangrenta, bem diante de nossos olhos. Centenas de vidas brasileiras são colhidas todos os dias, não em campos de batalhas, mas em nosso trânsito. Dados estatísticos trazem a cruel média de que, ao terminar mais um dia, 107 famílias estarão chorando a morte de um ente querido e que, pasmem, outros 641 brasileiros estarão inválidos para o resto da vida. Eis aí números de uma guerra sangrenta no Brasil, que é o 5º país nos recordes de acidentes de trânsito no mundo.
      Lembro-me de um desenho da Disney que contava a história de um senhor chamado Walker. Ele era um cidadão pacato, de bem com a vida, apreciador da natureza e cheio de amor. Porém, ao entrar em seu carro transformava-se em um monstro, passando por cima de tudo e de todos, dirigindo acima de qualquer lei. Lembrei desta história ao observar os dados da Polícia Rodoviária Federal, com base no ano de 2016, a respeito das principais causas de acidentes com morte no trânsito brasileiro que são, na sequência: falta de atenção, excesso de velocidade, dirigir alcoolizado, desobedecer à sinalização, ultrapassagens proibidas e dirigir com sono. Infelizmente todas as causas centradas no ser humano, na falha humana e na imprudência humana.
      Diante deste cenário de guerra, qual é o nosso papel, como cristãos? O conselho bíblico é: “recomende aos irmãos que respeitem as ordens dos que governam e das autoridades, que sejam obedientes e estejam prontos a fazer tudo o que é bom” (Tito 3.5). Como qualquer outro cidadão brasileiro, nós cristãos estamos sujeitos às leis de trânsito e devemos obedecer a elas. E, acima de tudo, temos no trânsito a oportunidade de testemunhar a fé no Salvador Jesus. Em vez de nos transformarmos em monstros acima da lei, como naquele desenho da Disney, podemos semear o amor, a gentileza e a paciência sobre quatro rodas, em nossa cidade ou em rodovias. Precisamos ter a consciência de que muitas vidas, inclusive a nossa e de nossa família, dependem do nosso comportamento no trânsito.
      Então fica a dica: sabendo que estamos expostos a diversos riscos no trânsito brasileiro, pedimos a Deus que ele nos abençoe com as palavras finais do Salmo 121: “Ele o guardará quando você for e quando voltar, agora e sempre”. E não há como não falar que, como cristãos, precisamos cuidar dos feridos, sequelados e enlutados desta triste e dolorosa guerra brasileira.

Pastor Bruno A. K. Serves
Congregação Evangélica Luterana
Candelária, RS

terça-feira, 11 de setembro de 2018

É preciso calcular

      Cada candidato à Presidência tem 25 policiais para sua proteção. É questão de “segurança nacional” num País tão violento. É o sonho de consumo de cada brasileiro que só tem polícia quando liga para o 190. Se queremos segurança pessoal, precisamos pagar além do que já é descontado direto do nosso bolso. E daí, então, a explicação do radicalismo por mudanças. É oito ou oitenta, é agora ou nunca, é tudo ou nada. É o grito “Independência ou Morte” quando a opressão portuguesa mudou de endereço nos palácios das regalias, da corrupção, da incompetência.
     Como conseguir as mudanças? Porque, no final das contas, todos da direita e da esquerda querem a mesma coisa. Aí surgem as diferenças nas propostas para que os “25 policiais” estejam presentes na nossa rua, mesa, escola, hospital, empresa, na vida de todos. Por exemplo, é melhor todo mundo ter arma ou deixar só na mão da polícia? O caminho é privatizar ou estatizar? Fazer a reforma da previdência ou deixar como está? E por aí vai, um monte de coisas complicadas, assuntos dos “politizados” que a grande maioria só vai entender na hora quando estiver na fila do hospital, for assaltado, desempregado, desiludido.
      Ao tratar dos custos por mudanças na vida cristã, Jesus lembra que ninguém constrói uma torre sem primeiro calcular o preço. Será uma grande vergonha não concluir a obra (Lucas 14.29). Este é o nosso problema na religião e na política. Queremos uma vida melhor, felicidade, prosperidade — o céu. Mas não olhamos o projeto nem calculamos os custos. E daí surgem os espertalhões que aproveitam o sofrimento e a ignorância com falsas promessas. Se na vida cristã é preciso estar atento, calcular e deixar de lado interesses pessoais e desleixo, na vida política não tem outro jeito. Tragicamente, quando “cruz” virou sinal de “quanto vou ganhar?”, torres nunca chegarão até o final e outras vão cair.

Marcos Schmidt
pastor luterano

domingo, 9 de setembro de 2018

Tolerância

Imagem relacionada      A polarização entre direita e esquerda em âmbito nacional, registrada nas pesquisas eleitorais, se acentuou na medida em que se aproxima o dia do primeiro turno das eleições.
      Bolsonaro em um extremo e Haddad em outro devem decidir no segundo turno quem ocupará o cargo máximo de nosso País. Essa possibilidade encandeceu os ânimos dos candidatos e dos eleitores a ponto de não haver qualquer tolerância de ambos os lados. As mídias sociais estão repletas de “fake news” e de ofensas aos oponentes a ponto de não se esperar coisa boa num país tão dividido. Uma boa dose de tolerância não nos faria mal num contexto desses.
      Os discípulos de Jesus perderam a paciência com um concorrente religioso que estava operando sinais em nome de Jesus e proibiram-no de fazer isso porque não era do grupo deles. Então Jesus lhes ensinou a serem tolerantes:
“Não o proíbam, pois não há ninguém que faça milagres pelo poder do meu nome e logo depois seja capaz de falar mal de mim. Porque quem não é contra nós e por nós” (Mc 9.39,40).
      A conclusão de Jesus em matéria de cristianismo é muito clara. Há duas possibilidades: a favor ou contra Jesus. Não há uma “terceira via” nesse assunto.  Por sinal, este é o sentido profundo da mensagem das Escrituras. Ela fala da existência de dois reinos distintos, o reino de Deus e o reino de Satanás. Não faz referência a um território neutro, uma espécie de terra de ninguém, uma situação em que não se é nem de Deus e nem do diabo. Ou vivemos em comunhão com Deus em Cristo ou somos prisioneiros do reino das trevas.
      Mesmo havendo somente essas duas possibilidades, Jesus ensinou a tolerância em relação ao não pertencente ao grupo. Se em matéria de fé este foi o ensino de Jesus, abre-se espaço para revermos nossas posições nas questões políticas também. Um pouco mais adiante Jesus comparou seus seguidores ao sal, como uma coisa útil para temperar e purificar a sociedade.  E concluiu:
“Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os outros.” (Mc 9.50). 
Edgar Lemke

Sossega, servas castelo Forte

sábado, 8 de setembro de 2018

Estamos divididos? A Quem isso interessa?


Resultado de imagem para nós contra eles

Áudio do texto abaixo


Tiago 2.1-10,14-18      Não é de hoje que estamos divididos entre nós e eles. Não é coisa da política atual. Na verdade, a primeira divisão aconteceu na queda em pecado e nós mesmo, os seres humanos, nos lançamos nela. Vivia-se na perfeição e na presença do Senhor, mas... O inimigo soprou “novidades” nos ouvidos. Prometeu coisas grandiosas... Disse que o Senhor era mau e que ele era bom. Isso nunca mudou. Aquele que quer dividir, sempre diz que será melhor. E, nem diz que quer dividir, quer que “você tome as rédeas de sua vida”... Quer que “você ganhe melhor”... Quer que “você seja mais valorizado”. Quer “te dar um futuro melhor”. A gente sabe onde essa primeira divisão terminou: foram todos expulsos do paraíso. E hoje padecem em pecado.
      Dessa divisão procedem todas as outras entre “nós” e “eles”. E é claro, como os grandes ditadores psicopatas desta terra, “nós” sempre é melhor que “eles. Mas não é. Nunca é. A verdade, nesta situação, nunca é simples. Nunca é “preto no branco”... Tem milhares de tons entremeio e nem são tons de cinza. São milhões de tons de todas as cores.
      O problema é que atualmente o “nós” contra “eles” tomou proporções alarmantes que estão fazendo com que paremos de nos ver como seres humanos. Talvez, protegidos na distância de um celular... De uma tela de computador...
      Ninguém mais sabe o nome do vizinho. Temo a hora que nos esqueceremos de quem são nosso filhos e nossos pais.
      Dividir, parece ser certo, apenas naquela célebre frase sobre a guerra: “é preciso dividir para conquistar”. E o diabo conseguiu dividir e conquistar boa parte da humanidade para si. Há outros inimigos usando as mesmas técnicas. Quem quer dividir você das pessoas que te amam, nunca quer o seu bem. Mas sempre vem com uma conversa bonita a seus ouvidos.

      Vejam estes diálogos:

      — Que isso cara! Seus pais não sabem o que é bom pra você. Eles são velhos.
      — Mas sempre parecerem querer o melhor pra mim, mesmo quando me castigavam.
      — Se te amassem de verdade, não te castigariam.  (Diz seu amigo adolescente, te oferecendo drogas, prostituição, violência...).

      — Que isso! Perdoar sue marido por quê? Tem tanto homem por aí...
      — Mas a coisa nem foi tão grave, ele mentiu em algo pequeno e já resolvemos.
      — É. Mas começa assim, agora foi uma mentirinha, daqui a pouco aparece com uma amante. Ou começa a te bater. (Diz sua amiga que, amargurada, não consegue ser feliz e quer ver os outros assim também).

      — Se eu fosse você, processava seu patrão.
      — Mas ele não me fez nada.
      — Não importa, processa que alguma coisa você arranca. (Diz seu amigo que quer se vingar por você, mesmo que você não tenha motivos para vingança, aliás, nunca há motivos justificáveis de vingança, por isso ela pertence a Deus).

      Essa “divisão” já era combatida, na igreja, por Tiago, que em sua carta, capítulo 2, escreve sobre a “acepção de pessoas”. Fazer diferença entre uma pessoa e outra.
      E quase 2 mil anos após esta carta, continuamos a nos dividir entre nós e eles. Entre homens e mulheres, entre negros e brancos, entre velhos e jovens, entre pobres e ricos e entre tantas outras divisões que temos inventado...
      Deus não nos quer divididos. O diabo quer e vai usar de tudo para isso.
      Vai usar a sexualidade... Luta de classes... Times de futebol... Campanha política... Gostos musicais e tudo mais que estiver ao seu alcance.
      O que precisamos perguntar: vale a pena eu perder um irmão na fé porque ele torce para outro time? Ou porque come só vegetais enquanto eu prefiro churrasco?
      E o que ainda mais me preocupa é a quantidade de ira que está sendo justificável neste momento. Como se aprende nos filmes: o inimigo você pode matar. Quem disse que alguém que pense diferente de nós é nosso inimigo? Quem disse que alguém que diz que você está errado está querendo o seu mal?
      Deus, por exemplo, toda hora diz que somos maus. Mas o que ele quer que, reconhecendo isso, nos arrependamos e tenhamos dele a vida eterna, pelo perdão conquistado em Cristo.

      Quero fazer alguns destaques do texto de Tiago, então:
“Meus irmãos, vocês que creem no nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, nunca tratem as pessoas de modo diferente por causa da aparência delas.” (Tiago 2.1)
      Ou, como na versão clássica: “não fazer acepção de pessoas”: tratar alguém injustamente baseado em critérios do mundo. Porque como diz o versículo 1.27:
“A religião pura e verdadeira é esta: ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo.”
      Ou seja, não tem nada a ver com idade ou posição social.
      Deus não faz diferença entre uma pessoa e outra.
“Haverá sofrimentos e aflições para todos os que fazem o mal, primeiro para os judeus e também para os não judeus. Mas Deus dará glória, honra e paz a todos os que fazem o bem, primeiro aos judeus e também aos não judeus. Pois ele trata a todos com igualdade.” (Romanos 2.9-11)
      E Deus quer que seu povo faça o mesmo. Trate todos com igualdade, mesmo com opiniões divergentes. Podemos e precisamos divergir, mas que seja feito com ordem e decência e com amor acima de tudo.
      Nos versículos 2 a 4, há o exemplo da vestimenta. Uma coisa simples, mas que é muito discutida hoje em dia. E eu me atentei para ela cerca de 28 anos atrás e sempre tenho testado esta teoria na prática.

Exemplo 1:

      Certa vez fui ao banco, com uns 18 anos, queria abrir uma conta... Estava de camiseta regata, bermuda e chinelo. Bem vestido para um lugar onde pode entrar com qualquer roupa e num lugar tão quente como Nova Venécia, no verão. Fui mal atendido.
      Mais tarde, já com o uniforme da empresa, de calça, sapato e camisa gola polo, quando me viram de pé na porta, o gerente veio pergunta se eu precisava de algo...

Exemplo 2:

      Outra vez, já no ministério, uma ex-presidente das servas nacional olhou pra mim (que estava de colarinho clerical) e me disse: você parece pastor. Me intriguei e perguntei: “como assim?” Olha em volta, se você não conhecesse quem são os pastores, saberia dizer quem são, olhando roupa e comportamento?

Exemplo 3:

      Durante a greve dos caminhoneiros, tivemos que ir para o Sul, para a reunião dos departamentos. Eu já fui de colarinho pastoral desde aqui de Nova Venécia. Em todos os locais as pessoas me tratavam com cordialidade e respeito. Imagino quantos lembraram de sua fé cristã só porque ali tinha alguém que se podia identificar como um sacerdote.

      Sabemos que a roupa não “é” a pessoa. Mas sabendo que as roupas (a aparência) e o comportamento comunicam e podem dividir, Tiago faz um alerta.
      Claro, nos casos que citei acima, as vestimentas estavam comunicando coisas boas. Mas nossas atitudes e vestimentas estão comunicando o que sobre nós?
      Quando lançamos mão do ódio e da intolerância ao semelhante, o que comunicamos? Que somos de Jesus, ou do inimigo?
      O inimigo é que quer dividir para conquistar.
Jesus quer nos unir em torno de si e nos dar a vida eterna.

      E Tiago dá a ênfase no que quero ainda ressaltar hoje:
“Ame os outros como você ama a você mesmo. Mas, se vocês tratam as pessoas pela aparência, estão pecando, e a lei os condena como culpados.” (Tiago 2.8-9)
      Se entrasse alguém pela porta, agora, com a camisa #lulalivre, ou #bolsonaropresidente... Que é a guerra que vivemos agora. Você que simpatiza com uma ou outra ideia, conseguiria falar de Jesus ao outro? Espero que sim.
      Precisamos superar o que nos divide, porque o que nos une é muito maior.
      E para concluir é impossível não destacar:
“Meus irmãos, que adianta alguém dizer que tem fé se ela não vier acompanhada de ações? Será que essa fé pode salvá-lo? Por exemplo, pode haver irmãos ou irmãs que precisam de roupa e que não têm nada para comer. Se vocês não lhes dão o que eles precisam para viver, não adianta nada dizer: “Que Deus os abençoe! Vistam agasalhos e comam bem.” Portanto, a fé é assim: se não vier acompanhada de ações, é coisa morta. Mas alguém poderá dizer: “Você tem fé, e eu tenho ações.” E eu respondo: “Então me mostre como é possível ter fé sem que ela seja acompanhada de ações. Eu vou lhe mostrar a minha fé por meio das minhas ações.” (Tg 2.14-18)
      Temos fé em Jesus?
      Temos fé nesse Salvador que nos une “assim como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das suas asas” (Mateus 23.27)?
      Ele quer nos unir, porque ele, acima de todos nós, sabe o que é bom para nos.

      É hora de orar por uma vida melhor de cada cristão. Mais dedicado a buscar a união em Jesus Cristo. Porque quem hoje está vivo, amanhã não estará... Quem é criança, será velho... Quem hoje é rei, amanhã será mendigo e vice-versa... Tudo passa debaixo do sol.
      A única coisa que permanece é a fé em Jesus Cristo.
      Esta nos une, nos perdoando por todos os nossos pecados.
      O mundo passará, mas aqueles que permanecerem unidos com Cristo, viverão eternamente com ele, perdoados de seus pecados. Busquem a união. Amém.

Rev. Jarbas Hoffimann
Congregação Castelo Forte
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Nova Venécia
8/set/2018

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Os Três Pedros

Resultado de imagem para independência     Aproveitando a Semana da Pátria, onde somos convidados a apreciar o civismo e cultivar o amor pelo Brasil, quero lhes convidar a apreciar três personalidades bem distintas, separadas pelo tempo. São três Pedros que deixaram seus nomes gravados nas páginas de nossa história.
     Comecemos pelo grande proclamador da República, Dom Pedro I, o qual fico a imaginar a certidão quilométrica de Batismo com seu nome completo: Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Mais fácil chamá-lo de Dom Pedro I, não é mesmo? Conta-nos a história de que no dia 7 de setembro de 1822, o nosso Dom Pedro I anunciou independência ou morte. E cá estamos nós, vivendo no Brasil livre de Portugal e ao mesmo tempo refém de si mesmo, ou melhor, refém de um sistema corrupto que arrecada fortunas e repassa para a população migalhas.
     E como não falar de outro Pedro, bem mais velho que o Dom Pedro I, mas que vinha do mesmo continente europeu. Estou falando de Pedro Álvares Cabral, grande navegador. Assim nos é ensinado oficialmente de que Pedro Álvares Cabral e toda a sua comitiva gostaria de ir para a Índia, mas que no dia 22 de Abril de 1500 acabaram chegando em um local diferente, o qual foi chamado por eles de Ilha de Vera Cruz – que hoje é a nossa pátria amada. E imagino que Pedro Álvares Cabral também tenha participado da primeira celebração cristã em solo brasileiro, em 26 de Abril de 1500, em pleno domingo de Páscoa, ali mesmo, na terra recém descoberta.
     E agora, dando um salto bem maior em direção ao passado, lhes convido a apreciar o terceiro Pedro. À exemplo do Pedro descobridor do Brasil, este Pedro também conhecia muito bem o barco e a água. Estou falando do apóstolo Pedro, o pescador que foi chamado por Jesus para ser pescador de gente. É da boca deste Pedro que surge uma das mais belas e convictas confissões a respeito de Jesus: “O senhor é o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16.16). Esta confissão de fé é tão verdadeira que Jesus mesmo mostra que esta confissão foi revelada a Pedro pelo próprio Deus e que, sobre esta confissão (e não sobre Pedro), Jesus construiria a sua igreja cristã pelos quatro cantos do mundo.
     Juntando os três Pedros, juntando a fé cristã em solo brasileiro, é importante lembrar das palavras do Pedro que foi discípulo do Salvador Jesus: “Por causa do Senhor, sejam obedientes a toda autoridade humana: ao Imperador, que é a mais alta autoridade; e aos governantes, que são escolhidos por ele para castigar os criminosos e elogiar os que fazem o bem. Pois Deus quer que vocês façam o bem para que os ignorantes e tolos não tenham nada que dizer contra vocês. Vivam como pessoas livres. Não usem a liberdade para encobrir o mal, mas vivam como escravos de Deus. Respeitem todas as pessoas, amem os seus irmãos na fé, temam a Deus e respeitem o Imperador (1Pedro 2.13-17).
     Então fica a dica: ore pelo Brasil. Viva no Brasil a sua fé cristã. Ore e viva para que mais brasileiros confessem, como Pedro, de que Jesus é o Salvador, o Filho do Deus vivo!

Pastor Bruno A. Krüger Serves
Candelária-RS

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Passado em chamas

Resultado de imagem para incendio museu      O incêndio que destruiu o Museu Nacional no Rio de Janeiro é um triste exemplo da irresponsabilidade no cuidado com as coisas do passado. Aprendemos nas aulas de história: quem não conhece o ontem não está preparado para o amanhã. Tudo hoje no Brasil está em perigo por falta de preservação. No caso do museu criado por D. João VI, ele precisava de cuidados, algo normal para um prédio de 200 anos. Podemos imaginar o que vai acontecer daqui há 200 anos com edifícios, estradas, pontes, se não houver constante manutenção. Mas, isto já acontece hoje quando tanta coisa “pega fogo”. Não em prédios, mas no que é primordial para a preservação da vida. Coisas que agora prometem na campanha quando falam de segurança, educação, saúde etc. Aliás, dizem que somos um povo sem memória quando o assunto é política.
      A nossa vida depende das memórias. É por isto que cada um de nós tem o seu pequeno museu. Fotos, relíquias, objetos pessoais que nos remetem à boas e más lembranças. Coisas importantes aos filhos e netos para valorizar as origens e aprender nos acertos e erros. Filhos que colocam “fogo nos museus” dos pais, jogam fora valiosa experiência de vida, e terão quase nada para ensinar aos seus descendentes. É o que acontece com a atual geração, sobretudo no assunto “objetos da fé cristã”. Dizem que estas coisas da igreja estão ultrapassadas, não têm sentido, que os tempos são outros. Mas, as consequências estão aí, numa sociedade que mais parece um prédio em ruínas.
      Preservar os antigos, mas atuais ensinamentos da Bíblia, é uma tarefa cada vez mais complicada nestes tempos de grandes incêndios nas tradições que recebemos dos antepassados. A própria Bíblia, no entanto, se defende: “Toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver” (2 Timóteo 3.16).

Marcos Schmidt
pastor luterano