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sábado, 17 de novembro de 2018

Fim do mundo: Tomem cuidado



No texto de Mc 13.1-13 Jesus começa a dar as dicas sobre coisas que acontecerão antes do fim do mundo.
Jesus e os discípulos estão nas proximidades do Templo. Então, diante da grandiosidade do templo em Jerusalém, os discípulos se admiram, como quem se admira de si mesmo e de sua capacidade de construir grandes coisas.
Jesus parte daí para começar a explicar o que aconteceria antes do fim dos tempos. O texto bíblico, nos dois primeiros versículos diz:
1Quando Jesus estava saindo do pátio do Templo, um discípulo disse:
— Mestre, veja que pedras e edifícios impressionantes!
2Jesus respondeu:
— Você está vendo estes enormes edifícios? Pois aqui não ficará uma pedra em cima da outra; tudo será destruído!

Jesus inicia sua fala sobre a queda de Jerusalém e do fim do mundo prevendo a destruição do templo. E com isso nós lembramos que o que torna digno o templo não é a sua beleza ou aparência, mas a Palavra de Deus ali pregada.
Por mais bonito que seja o templo, se ali não é pregada a Palavra de Deus, aquilo não passa de uma construção humana. Nada mais. E como tal, será destruída algum dia.
É bom lembrar também que o Templo era uma espécie de “embaixada” do céu na terra. O que o torna obsoleto com o nascimento de Jesus, que veio ser nosso templo definitivo.
Em Jesus Cristo, a plenitude da divindade habita corporalmente entre nós. Como lembra Cl 2.9: Pois em Cristo, como ser humano, está presente toda a natureza de Deus.
Não precisamos mais recorrer a um único templo, pois onde a Palavra de Deus é pregada clara e puramente, ali é, de fato, um lugar onde Deus habita.

Depois disso, Jesus e os discípulos seguem para o Monte das Oliveiras. E Jesus continua explicando sobre as coisas do fim.
Este texto também foi registrado por Mateus (24.3-14) e Lucas (21.7-19).
3Jesus estava sentado no monte das Oliveiras, olhando para o Templo, quando Pedro, Tiago, João e André lhe perguntaram em particular:
4— Conte para nós quando é que isso vai acontecer. Que sinal haverá para mostrar quando é que todas essas coisas vão começar?
5Então Jesus começou a ensiná-los. Ele disse:
— Tomem cuidado para que ninguém engane vocês. 6Porque muitos vão aparecer fingindo ser eu e dizendo: “Eu sou o Messias!” E enganarão muitas pessoas. 7Não tenham medo quando ouvirem o barulho de batalhas ou notícias de guerras. Tudo isso vai acontecer, mas ainda não será o fim. 8Uma nação vai guerrear contra outra, e um país atacará outro. Em vários lugares haverá tremores de terra e falta de alimentos. Essas coisas serão como as primeiras dores de parto.
9 — Vocês precisam ter cuidado porque serão presos e levados aos tribunais e serão chicoteados nas sinagogas. Por serem meus seguidores, vocês serão levados aos governadores e reis para serem julgados e falarão a eles sobre o evangelho. 10Pois, antes de chegar o fim, o evangelho precisa ser anunciado a todos os povos. 11Quando prenderem e entregarem vocês às autoridades, não fiquem preocupados, antes da hora, com o que irão dizer. Quando chegar o momento, digam o que Deus lhes der para dizer. Porque as palavras que disserem não serão de vocês mesmos, mas virão do Espírito Santo. 12Muitos entregarão os seus próprios irmãos para serem mortos, e os pais entregarão os filhos. E os filhos ficarão contra os pais e os matarão. 13Todos odiarão vocês por serem meus seguidores, mas quem ficar firme até o fim será salvo.

Deste texto quero destacar apenas alguns aspectos hoje:
3. “Pedro, Tiago, João e André” perguntam a Jesus em particular. Os discípulos tinham dúvidas e se não perguntassem, ficariam em dúvida. Você tem dúvidas? Quem não tem? Pergunte: o pastor está aí para isso. A Palavra de Deus (se você a lê) te dará muitas respostas. Cristãos fiéis de nossa igreja também podem te orientar na fé.
Não fique na dúvida. Pergunte. Às vezes a resposta pode não ser a que você quer. Mas é a melhor resposta que você pode ter. Pois é melhor ser bem orientado, do que te passarem a mão na cabeça e te deixarem ir para o Inferno, simplesmente pra não discordar de você.
4. Que sinal haverá para mostrar quando é que todas essas coisas vão começar? Jesus mesmo tinha alertado que muitas vezes as pessoas pedem sinais (milagres) para crer em algo. Neste caso, os discípulos querem aprender a reconhecer quando o tempo se aproximasse. Interessante que Jesus começa dizendo:
5. Tomem cuidado para que ninguém engane vocês. Jesus sabia a quantidade de charlatões que apareceriam se dizendo seus discípulos. Gente fazendo milagre de tudo que é jeito. Revelando tudo que as pessoas querem ouvir... Dizendo ter uma linha direta com Deus e dizendo que falam em nome de Deus. Quanta gente é enganada nos dias de hoje, por pilantras se fazendo passar por pastores, bispos, diáconos e todos os nomes que quiserem chamar. O aviso de Jesus é “Tomem cuidado para que ninguém engane vocês.” Provem pela Bíblia. Provem pela Palavra de Deus. Mas para isso é preciso conhecer a Palavra. Leia. Reflita. Medite. Questione.
A fé não se baseia naquilo que se vê, mas “A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.” (Hb 11.1). A fé é dom (presente) do Espírito Santo em nossa vida e vem pela Pregação da Palavra de Deus. Mas muitos têm usado a Palavra de Deus para enganar... Com sinais externos. Com coisas que só têm valor neste mundo...
Então Jesus fala dos sinais:
6. muitos vão aparecer fingindo ser eu (enganarão muitos)
7. barulho de batalhas ou notícias de guerras.
8. tremores de terra e falta de alimentos.
9. Vocês precisam ter cuidado porque serão presos e levados aos tribunais e serão chicoteados nas sinagogas.
10. antes de chegar o fim, o evangelho precisa ser anunciado a todos os povos.

Destes sinais, que são constantes na história da humanidade, o único ainda não cumprido é o Evangelho pregado a todos. Notem que não é preciso que todos creiam. É preciso que o Evangelho seja anunciado.
Vejam o que Jesus disse quando enviou seus 72 discípulos: “10Porém, quando entrarem numa cidade e não forem bem-recebidos, vão pelas ruas, dizendo: 11“Até a poeira desta cidade que grudou nos nossos pés nós sacudimos contra vocês! Mas lembrem disto: o Reino de Deus chegou até vocês.” (Lc 10.10-11)

Quero apenas relembrar: “Tomem cuidado para que ninguém engane vocês.” (5).
Muitas são as promessas de tudo. Mas poucas igrejas têm falado em Jesus e na salvação eterna. Fujam de tudo que não aponta para a Salvação em Jesus Cristo.
Coisas deste mundo... Todas elas passarão. A fé em Jesus vai conosco até o Céu. Ele é o único caminho. Ele vem a nós em sua Palavra, na Santa Ceia, no Batismo.
O mundo vai acabar sim. Acredite você ou não. Vai acabar.
E nesse dia, aqueles que ainda estiverem vivos, se juntarão com todos que já tiverem partido, para juntos, por toda a eternidade, estarmos com Deus no céu.
Independente dos sinais que vejamos ou não...
Independente de tudo que possamos ver neste mundo...
O importante é, pela fé, estar com Jesus Cristo no nosso último dia.
Que o Senhor nos abençoe.
Creia em Cristo. Amém.

20181117CF-NV
JarbasHOFFIMANN

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Grandes pregadores, pequenos resultados

Este artigo foi publicado pela primeira vez em 2009. Mas resolvi republicá-lo com alguns acréscimos, haja vista alguns acontecimentos recentes.

Há duas décadas, fui convidado pela primeira vez para participar de uma agência nacional de pregadores. Um companheiro de púlpito me ofereceu um cartão e disse: “Seria um prazer tê-lo em nossa agência”. Então, lhe perguntei: “Como funciona essa agência?” E a sua resposta me deixou estarrecido: “As igrejas ligam para nós, especificam que tipo de pregador desejam ter em seu evento, e nós cuidamos de tudo. Negociamos um bom cachê”.

É impressionante como o pregador, de uns tempos para cá, se transformou em um produto. Há alguns anos, depois de eu ter pregado em uma igreja (não me pergunte onde), certo pastor me disse: “Gostei da sua pregação, mas o irmão conhece algum pregador de vigília?” Achei curiosa essa pergunta, pois eu gosto de oração, já preguei várias vezes em vigílias, porém, segundo aquele irmão, eu não serviria para pregar em uma vigília!

Em nossos dias — para tristeza do Espírito Santo — pertencer a uma agência de pregadores tornou-se comum e corriqueiro. E os convites para ingressar nessas agências chegam principalmente pela Internet. Nos sites de relacionamento encontramos comunidades pelas quais os internautas mencionam quem é o seu pregador preferido e por quê. Certa jovem, num tópico denominado “O melhor pregador”, declarou: “Não existe ninguém melhor que ninguém; cada um tem a sua maneira de pregar, e cada pessoa avalia segundo o seu gosto”.

Ela tem razão. Ser pregador, hoje em dia, não basta. Você tem de atender às preferências do povo. Já ouvi irmãos conversando e dizendo: “Fulano é um ótimo pregador, mas não é pregador de congresso” ou “Fulano tem muito conhecimento, mas não gosta do reteté”.

Conheçamos alguns tipos de pregador e seus públicos-alvo:

Pregador humorista. Diverte muito o seu público-alvo. Tem habilidade para contar fatos anedóticos (ou piadas mesmo) e fazer imitações. Ele é como famosos humoristas do gênero stand-up comedy. De vez em quando cita versículos. Mas os seus admiradores não estão interessados em ouvir citações bíblicas. Isso, para eles, é secundário.

Pregador “de vigília”. Também é conhecido como pregador do reteté. Aparenta ter muita espiritualidade, mas em geral não gosta da Bíblia, principalmente por causa de 1 Coríntios 14, especialmente os versículos 37 e 40: “Se alguém cuida ser espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor... faça-se tudo decentemente e com ordem”. Quando ele vê alguém manejando bem a Palavra da verdade (2 Tm 2.15), considera-o frio e sem unção. Ignora que o expoente que agrada a Deus precisa crescer na graça e no conhecimento (2 Pe 3.18; Jo 1.14; Mt 22.29). Seu público parece embriagado e é capaz de fazer tudo o que ele mandar.

Pregador “de congresso”. Entre aspas porque existe o pregador de congresso que faz jus ao título. Mas o pregador “de congresso” anda de mãos dadas com o pregador “de vigília”, mas é mais famoso. Segundo os admiradores dessa modalidade de pregação, trata-se do pregador que tem presença de palco e muita “unção”. Também conhecido como pregador malabarista ou animador de auditórios, fica o tempo todo mandando o seu público repetir isso e aquilo, apertar a mão do irmão ao lado, beliscá-lo... Se for preciso, gira o paletó sobre a cabeça, joga-o no chão, esgoela-se, sopra o microfone, emite sons de metralhadora, faz gestos que lembram golpes de artes marciais... Exposição bíblica, mesmo, quase nada!

Pregador “de congresso” agressivo. É aquele que tem as mesmas características do pregador acima, mas com uma “qualidade” a mais. Quando percebe que há no púlpito alguém que não repete os seus bordões, passa a atacá-lo indiretamente. Suas principais provocações são: “Tem obreiro com cara de delegado”, “Hoje a sua máscara vai cair, fariseu”, “Você tem cara amarrada, mas você é minoria”. Estas frases levam o seu fanático público ao delírio, e ele se satisfaz em atacar as pessoas que não concordam com a sua postura espalhafatosa.

Pregador popstar. Seu pregador-modelo é o show-man Benny Hinn, e não o Senhor Jesus. É um tipo de pregador admirado por milhares de pessoas. Já superou o pregador de congresso. É um verdadeiro artista. Veste-se como um astro; sua roupa é reluzente. Ele, em si, chama mais a atenção que a sua pregação. É hábil em fazer o seu público abrir a carteira. Seus admiradores, verdadeiros fãs, são capazes de dar a vida pelo seu pregador-ídolo. Eles não se importam com as heresias e modismos dele. Trata-se de um público que supervaloriza o carisma, em detrimento do caráter.

Pregador “ungido”. Para impressionar o seu público, derrama óleo sobre a própria cabeça ou pede para seus auxiliares fazerem isso. Um desses pregadores pediu, recentemente, para sua equipe derramar doze jarras de azeite em sua cabeça! E o terno? Ah, isso não importa. Somente os fariseus se preocupam com desperdício. Para os fãs desse tipo de pregador tudo atos pretensamente proféticos valem muito mais que uma simples exposição bíblica...

Pregador milagreiro. Também tem como paradigma Benny Hinn, mas consegue superar o seu ídolo. Sua exegese é sofrível. Baseia-se, por exemplo, em 1 Coríntios 1.25, para pregar sobre “a unção da loucura de Deus”. Cativa e domina o seu público, que, aliás, não está interessado em ouvir uma exposição bíblica. O que mais deseja é ver sinais, como pessoas lançadas ao chão supostamente pelo poder de Deus e fenômenos controversos. Em geral, o pregador milagreiro, além de ilusionista e “poderoso” (Dt 13.1-4), é aético e sem educação. Mesmo assim, ainda que xingue ou ameace os que se opõem às suas sandices e invencionices, o seu público é fiel e sempre diz “aleluia”.

Pregador mercantilista. Todas as suas mensagens têm como meta induzir o seu público e dar dinheiro. Esse tipo de pregador existe desde os tempos dos apóstolos (2 Co 2.17; 2 Pe 2.1-3) e, na atualidade, aparece bastante na televisão. Alguns pregadores mercantilistas pertencem também à categoria popstar. Qualquer passagem bíblica pode ser usada a bel-prazer, a fim de atender aos seus propósitos. Isaque é a “melhor oferta financeira”, jumentinho que Jesus montou é “BMW”. E assim por diante.

Pregador contador de histórias. Conta histórias como ninguém, mas não respeita as narrativas bíblicas, acrescentando-lhes pormenores que comprometem a sã doutrina. Costuma contextualizar o texto sagrado ao extremo. Ouvi certa vez um famoso pregador dizendo: “Absalão, com os seus longos cabelos, montou na sua motoca e vruuum...” Seu público — diferentemente dos bereanos, que examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17.11) — recebe de bom grado histórias extrabíblicas e antibíblicas.

Pregador cantante. Indeciso quanto à sua chamada. Costuma cantar dois ou três hinos (hinos?) antes da pregação e outro no meio dela. Ao final, canta mais um. Seu público gosta dessa “versatilidade” e comemora: “Esse irmão é uma bênção! Prega e canta”. Na verdade, ele não faz nenhuma das duas coisas bem.

Pregador “massagista”. É hábil em dizer palavras que massageiam os egos e agradam os ouvidos (2 Tm 4.1-5). Procura agradar a todos porque a sua principal motivação é o dinheiro. Ele não tem outra mensagem, a não ser “vitória”, principalmente a financeira. Talvez seja o tipo de pregador com maior público, ao lado dos pregadores humorista, popstar, mercantilista e milagreiro.

Pregador sem graça. É aquele que não tem a graça de Deus (At 4.33). É um pregador bem suado, e não necessariamente abençoado. Sua pregação, literalmente sem graça, é como uma espada: comprida e chata (maçante, enfadonha). Mas até esse tipo de pregador tem o seu público, formado pelos irmãos que gostam de dormir ou conversar durante a pregação.

Pregador chamado por Deus (1 Tm 2.7). Prega a Palavra de Deus com verdade. Estuda a Bíblia diariamente. Ora. Jejua. É verdadeiramente espiritual. Tem compromisso com o Deus da Palavra e com a Palavra de Deus. Seu paradigma é o Senhor Jesus Cristo, o maior pregador que já andou na terra. Ele não prega para agradar ou agredir pessoas, e sim para cumprir o seu chamado. Seu público — que não é a maioria, posto que são poucos os fiéis (Sl 12.1; 101.6) — sabe que ele é um profeta de Deus. Sua mensagem é Cristo (1 Co 1.22,23; 2.1-5). Esse tipo de pregador está em falta em nossos dias, mas não chama muito a atenção das agências de pregadores. A bem da verdade, estas sabem que nunca poderão contar com ele...

Qual é a sua modalidade preferida, prezado leitor? Você pertence a qual público? E você, pregador, qual dos perfis apresentados mais lhe agrada? Qual é a sua motivação? Você prega para agradar a Deus, verdadeiramente, ou tem outros interesses?

Artigo originalmente publicado por Ciro Sanches Zibordi em seu blog pessoal.

Leitura Bíblica para a Quaresma 2026

Você sabe o que é a Quaresma? Muita gente acha que é o tempo de sofrimento e privação (jejum etc...) que começa depois do carnaval. Infelizm...