terça-feira, 22 de março de 2011

O peso do pecado

Rm 5.12-19

 

Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

 

jesus morto

A Paz do Senhor esteja com vocês. Amém.

Queridos irmãos e irmãs em Cristo.

Certa vez um pastor estava falando sobre o pecado e suas consequências. Disse ele:

— O pecado é um fardo pesado para o ser humano. O pecado incomoda e angustia. O pecado nos deixa tristes e cansados. O pecado é pesado e, por isso, necessitamos que o Salvador Jesus remova o peso de nossas costas. E assim ele falou sobre o peso do pecado...

Depois do culto, conversando com um rapaz, aquele pastor voltou a falar do peso do pecado, mas o rapaz interrompeu:

— O pecado não tem peso. Eu não sinto o peso do pecado em minha vida como o senhor disse que o cristão sente.

Então o pastor perguntou:

— Se você colocasse uma pedra de 500 kg sobre o peito de um homem morto ele sentiria o peso?

— É claro que não — respondeu o jovem.

— Pois assim é — disse o pastor —, quem não sente o peso de seu pecado é porque está espiritualmente morto e caminha para a condenação eterna.

Mas o pecado existe e pesa sobre cada um dos seres humanos. Mas os espiritualmente mortos não sentem seu peso. Apenas o cristão sente o peso do pecado e por isso deseja livrar-se dele. Quem não sente o pecado, mesmo que pareça vivo, de fato já está eternamente morto.

O texto de Romanos, escolhido para hoje, nos fala do pecado e suas consequências e também do ato salvador de Jesus e o seu resultado. Mas você sabe o que é pecado?

O que é pecado?

Pecado é toda e qualquer transgressão da Lei de Deus (10 Mandamentos). Ou seja, tudo o que fazemos ou deixamos de fazer que vai contra a vontade de Deus é pecado.

Como o pecado entrou no mundo?

Quando Adão e Eva desobedecera a Deus. A ordem de Deus era: “Você pode comer as frutas de qualquer árvore do jardim, menos da árvore que dá o conhecimento do bem e do mal. Não coma a fruta dessa árvore; pois, no dia em que você a comer, certamente morrerá.” (Gn 2.16-17).

Esta era a ordem de Deus e o ser humano a desobedeceu. Quis ser igual a Deus e caiu na tentação de Satanás. Assim o pecado entrou no mundo e com o pecado veio a morte neste mundo e a morte eterna e o afastamento de Deus. Era o início de tudo que existe de mal no mundo. Não havia esperança para o ser humano nem para a terra.

Se foram Adão e Eva que pecaram, porque todos os seres humanos morrem?

“O pecado entrou no mundo por meio de um só homem, e o seu pecado trouxe consigo a morte. Como resultado, a morte se espalhou por toda a raça humana porque todos pecaram.” (Rm 5.12).

Deus não quis exterminar a coroa de sua criação: o ser humano. Então ele não exterminou Adão e Eva, mas providenciou uma maneira de eles voltarem a serem agradáveis a Deus: a fé em Cristo, que no tempo de Adão e Eva era apenas uma promessa.

Mas por causa do pecado de Adão e Eva, nossos primeiros pais, o castigo do pecado passou a todos os seres humanos. E todos aqueles que vivem afastados de Deus estão condenados à morte eterna.

Quais as consequências do pecado?

Gn 3.16: Para a mulher Deus disse: — Vou aumentar o sofrimento na gravidez, e com muita dor você dará à luz filhos.

Gn 3.17-19: Para Adão Deus disse o seguinte: Por causa do que você fez, a terra será maldita. Você terá de trabalhar duramente a vida inteira a fim de que a terra produza alimento suficiente para você. Ela lhe dará mato e espinhos, e você terá de comer ervas do campo. Terá de trabalhar no pesado e suar para fazer com que a terra produza algum alimento; isto até que você volte para a terra, pois dela você foi formado. Você foi feito de terra e vai virar terra outra vez.

Por causa do pecado veio a morte. Tudo que leva à morte é consequência do primeiro pecado. Ou pecado original.

O cansaço, as doenças, as dores e todos os sofrimentos físicos estão à serviço da morte, como consequência do primeiro pecado.

Estamos debaixo da ira de Deus. Todos somos condenados ao inferno. Mas será que existe um meio de escapar da condenação? Existe solução para o pecado?

“É verdade que, por causa de um só homem e por meio do seu pecado, a morte começou a dominar a raça humana. Mas o resultado do que foi feito por um só homem, Jesus Cristo, é muito maior! E todos aqueles que Deus aceita e que recebem como presente a sua imensa graça reinarão na nova vida, por meio de Cristo. Portanto, assim como um só pecado condenou todos os seres humanos, assim também um só ato de salvação liberta todos e lhes dá vida. E assim como muitos seres humanos se tornaram pecadores por causa da desobediência de um só homem, assim também muitos serão aceitos por Deus por causa da obediência de um só homem.” (Rm 5.17-19).

A solução para o pecado é Cristo.

O que fez Cristo?

Veio ao mundo, sofreu inocentemente, foi sacrificado lavando os pecados do mundo inteiro. Morreu e ressuscitou. Cristo morreu para dar a vida eterna a todos os cristãos. Pela morte de Cristo Deus novamente nos inclui, através do batismo, na família de Deus.

O que Deus espera de nós, como membros de sua família?

Deus espera que, agradecidos, o sirvamos neste mundo, enquanto esperamos a vida eterna. Que sejamos fiéis e fujamos das tentações vindo à igreja, lendo a Bíblia e orando.

E assim, no fim de nosso caminho por esta terra Deus nos espera para nos dar a Salvação eterna que Jesus conquistou. O pecado existe e vai continuar a existir enquanto Cristo não voltar.

O pecado não domina a vida do cristão, porque ele (eu e você) somos dominados pelo Espírito Santo de Deus e pelo amor do pai a todos nós. Neste amor, Deus nos aguarda na vida eterna e enquanto aquele dia não chega Deus nos guarda aqui neste mundo.

Qual é o peso do pecado? Ele é muito pesado, mas temos do Senhor o convite de amor: “Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso.” (Mt 11.28)

Que Deus nos abençoe hoje e sempre. Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Venécia-ES

Soli Deo Gloria

domingo, 6 de março de 2011

Boicote às Olimpíadas

Por ser um espetáculo dedicado aos deuses da Grécia antiga, o imperador cristão Teodósio I, no ano 393, proibiu os Jogos Olímpicos. Conta a história que os atletas sacrificavam porcos aos deuses e participavam nus nas provas para cultuar a estética do corpo. Em parte, os jogos modernos permanecem enaltecendo o “espírito de porco” da humanidade, coroados no altar da soberba humana. Todos sabem da opressão que enfrenta o povo chinês para erguer o seu império e agora a estrutura extravagante da Olimpíada. Truculência que é comprovada no choro dos chinesinhos confiscados de suas famílias para centros de treinamento esportivo – tudo na obsessão de ganhar medalhas. Na verdade, a festa esportiva que simboliza a harmonia entre as nações está comprometida por uma cínica guerra de poder e vaidade, algo parecido com o jogo de interesses econômicos que derrubou o acordo na Rodada de Doha.
Muitos estão rejeitando a Olimpíada de Pequim por causa da opressão no Tibete. O canetaço de Teodósio que acabou com os jogos da antiguidade, seguido por todo o imperialismo da igreja na guerra santa contra o paganismo, no entanto, trouxe mais prejuízo que benefícios. Os números negativos estão no vermelho do próprio sangue, registrados na história das Cruzadas. Já no início do cristianismo o apóstolo Paulo foi contra o boicote, e por isto criticado por conviver junto aos gregos. Ficou incomodado ao ver a cidade de Atenas tão cheia de ídolos, mas foi isto mesmo que motivou a entrar no Areópago (a colina de Ares – deus da guerra) e pregar o Evangelho:

- Atenienses, este altar onde está escrito “Ao deus desconhecido” é justamente aquele que eu estou anunciando. Não devemos pensar que Deus é parecido com um ídolo de ouro, de prata ou de pedra, feito pela arte ou habilidade das pessoas. (Atos 17.23, 29).

O resultado final foi a conversão de vários gregos e o surgimento de muitas igrejas locais.
E para deixar a hipocrisia de lado, o boicote precisa ser de tolerância zero.
Porque é do coração que vêm o orgulho e todas as maldades (Marcos 7.20-23).

Mas aí a coisa complica. E pensando nesta mania de querer competir e vencer, coisa que existe até na própria igreja, vejo que é um sentimento oriundo do Criador. Se não fosse a perversa natureza humana, seria útil para o serviço do bem e não para o prejuízo do próximo. Referindo-se à nova natureza criada pelo Espírito Santo, o apóstolo Paulo faz comparação:
“O atleta que toma parte numa corrida não recebe o prêmio se não obedecer às regras da competição”.

E no final recomenda:
“Faça todo o possível para conseguir a completa aprovação de Deus” (2 Timóteo 2.5,15).

Num mundo competitivo como o nosso, onde vencer significa derrubar e passar por cima, o único boicote deve ser à prepotência. Ou como diz a Bíblia:
Não procurem dominar as pessoas, mas prestem serviços e sejam humildes. Assim receberão a coroa gloriosa que nunca perde o seu brilho. (1 Pedro 5.3-7).



Marcos Schmidt
Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo - Novo Hamburgo, RS
31 de julho de 2008