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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Black Friday, Ação de Graças e Advento

      Mais um mês está caminhando para o seu final. E, quando desaceleramos nossas rotinas, percebemos que é mais um ano que está indo para o seu fim. O final do mês de novembro tem a peculiaridade de misturar diferentes sensações. Ao mesmo tempo em que somos bombardeados pelas promoções e apelos consumistas em ritmo de Black Friday, também somos convidados a ter um momento de paz e reflexão com o Dia de Ação de Graças. Enquanto continuamos nas correrias contra o relógio, o calendário e as tarefas, vamos percebendo que as ruas, vitrines e casas começam a receber enfeites de Advento e Natal. De novo! Mais uma vez!
      Permitam-me misturar ainda mais estas datas e sensações. Podemos fazer uma bela mistura de Black Friday, Dia de Ação de Graças e tempo de Advento. A Black Friday, ou “sexta-feira escura”, carrega consigo a ideia de grandes descontos e bons negócios. Porém é possível voltar para uma determinada sexta-feira escura, aliás, a mais escura e sombria de toda a história: a Sexta-Feira Santa. Foi naquela Black Friday que o sangue de Deus escorreu na cruz, sangue inocente derramado para o perdão dos pecadores. Em vez de descontos, aquela sexta-feira escura e sombria garantiu a quitação de toda a dívida, como diz a Palavra do Senhor:
“Ele acabou com essa conta, pregando-a na cruz” (Colossenses 2.14).
      Está consumado, está pago – gritou o salvador em sua cruz.

      A Palavra de Deus também dá a certeza de que “Deus ressuscitou Jesus, e todos nós somos testemunhas disto” (Atos 2.32). Jesus vive! Nosso Deus é Deus vivo, ressuscitado, presente, cuidador. O Dia de Ação de Graças nos faz louvar pela Black Friday da salvação, pela morte e ressurreição de Jesus. Demos graças ao Senhor pela sua mão presente em nossos dias, inclusive nos dias mais sombrios e escuros. Louvemos porque ele resgatou nossas histórias, nossos dias, nossa eternidade.
      E, por fim, marcados pela Black Friday da cruz e pelo Dia de Ação de Graças, podemos preparar um belo tempo de Advento para nossas famílias. Sim, mesmo que no coração ainda pesem preocupações, enfermidades, lutos e sofrimentos diversos. Afinal, os enfeites de Advento são uma doce lembrança para os olhos e o coração de que Deus veio a nós, em Jesus, para nos redimir e garantir a vida que nunca termina.
      Então fica a dica: Black Friday, Dia de Ação de Graças e o tempo de Advento. Eis aí uma bela mistura que pode nos apontar para a misericórdia de Deus. Desfrute de tudo o que Jesus conquistou por você.

Pastor Bruno A. Krüger Serves
Congregação Cristo, Candelária-RS
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Por onde andar?


      A foto acima foi tirada anteontem, perto do Santo Antônio, em Nova Venécia. Tinha chovido bastante nos dias anteriores. Meu tênis nunca tinha visto lama, pois só o usava para asfalto... Tava com a sola ainda bem branquinha...
      Daí eu pergunto, olhando para a foto, onde você pisaria? Ou voltaria para o asfalto, para não pisar na lama?
      Olhando para a foto, vemos uma parte mais molhada, que dá mais a impressão de que ali vai sujar mais. Daí nossa reação seria pisar na parte mais alta e menos úmida da estrada. Se você cresceu em locais onde nunca tem lama, talvez não perceba que um dos dois lugares é mais seguro do que o outro para se pisar...
      Se você for por seus olhos e imaginar que a parte mais seca é a melhor, acabará com o risco de afundar o pé inteiro na lama. É isso mesmo, a parte aparentemente mais seca é justamente a parte onde carros e motos não passam, então a terra se acumula e, nela, mesmo que não na superfície, a água está. Se você pisar na parte que diz para seus olhos: "estou mais seca", possivelmente terá uma resposta desagradável...
      Já a parte que está mais úmida, chegando a ter água, é "batida" e por isso pode pisar ali que nem lama agarra direito na sola dos sapatos. Há o perigo de escorregar, mas é menor do que na parte aparentemente mais seca.
      Olhando para os caminhos de sua vida, quantas vezes você já imaginou estar indo pelo caminho certo, quando viu, estava num atoleiro? Pra se livrar de um aparente problema, pra tentar (visualmente) resolver mais rápido, acabou indo pelo caminho mais sujo...
      Nem sempre, nos caminhos da vida, a gente vai perceber onde está mais perigoso e onde está mais seguro. Assim como caminhar nas estradas enlameadas requer experiência, viver também requer. Podemos e devemos aprender com nossos erros passados, para ter um futuro melhor. Insistir no erro é burrice. Simples assim. Segundo Einsten "insanidade é continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes".
      Olhe os caminhos de sua vida. O que não tá funcionando bem, mude a forma de fazer. Às vezes é preciso derrubar para construir de novo.
      E nunca se esqueça que existe UM CAMINHO que é sempre seguro. Se você tem por objetivo alcançar a Vida Eterna, só há um caminho: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim." (João 14.6).
      Então, pise na lama... Suje seus pés... Brinque com sua família... Seja feliz... Mas nunca se afaste DO CAMINHO.
Rev. Jarbas Hoffimann

Congregação Castelo Forte
Nova Venécia, ES
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

sábado, 16 de julho de 2016

Queriam fazê-lo rei... Hoje querem ser reis

As notícias do mundo sempre falam da briga para ser “rei”... Parece que cada nova etapa das operações da Polícia Federal apontam para esse desejo… Alguém queria “ser rei”... Aliás, muitos “alguéns” querendo ser rei. Alguns se contentando em ser reis menores, mas ainda assim, rei sobre alguém…
Há ainda a busca pelo posto de “rei do tráfico”, “rei do crime” (não aquele que persegue o Homem Aranha, e do Demolidor, mas o real). Quantos esquemas de corrupção para “ser rei”...
Na Europa, plebiscito para sair de uma União Europeia hoje contestada, para “ser rei” (opa, lá não pode, porque já tem a rainha, que é mais uma figura decorativa, por isso a luta é para ser primeiro ministro, ou seja, o rei da vez). E quando passada a eleição, decidiu-se sair… Os candidatos a “futuro rei” pulam um a um do barco. Porque o ser rei, também implica em tomar decisões. E como a Inglaterra e o Reino Unido como um todo, parece ser um lugar de gente séria, se não fazem o que prometem…
Mas nas terras da banana e do Carnaval (nada contra a fruta, nem às festas) parece que se pode prometer de tudo… Tipo quando a companhia telefônica liga pra você e diz que tem uma forma de você pagar menos. Já fui tolo várias vezes (ou inocente, acreditei). Comigo, nunca, jamais, em hipótese alguma (nunquinha mesmo) foi vantajoso para mim. E gastei outras infinitas horas para cancelar o tal “benefício” que nunca me beneficiou, mas você certamente sabe como é isso…
Resumo da avalanche de ideias acima: aqui você vota num vereador (ou qualquer outro candidato) que pode prometer o que quiser, pois ninguém vai cobrar dele mesmo e, se cobrar, ele se torna tão inatingível, que você não consegue falar com ele. Por isso, nas próximas eleições, faça vídeos das promessas do seu candidato a prefeito e a vereador. Afinal, suas promessas não serão particulares, serão públicas. E, no decorrer dos anos, caso ele seja eleito, cobre a partir daqueles vídeos. Não vai dar pra dizer: “eu não falei isso”... E, ainda bem, ainda há bons políticos (pode acreditar… Basta procarar).
Quanto à igreja, faça vídeos do que te prometem também… Se quiser vir à minha igreja, pode vir gravar nossos cultos. Não prometeremos nada que o Senhor mesmo não prometeu em sua Palavra. E lá, ele só prometeu uma coisa neste mundo: “eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos”. (Mateus 28.20). Mas isso não livrou nem  os apóstolos de serem martirizados, ou João de ser exilado em Patmos, onde escreveu Apocalipse… O Senhor prometeu estar conosco. Não prometeu um Lamborghini… Prometeu nos amparar nos sofrimentos… Não nos prometeu vida eterna aqui neste mundo…
Sempre me pergunto porque esses “prometedores” de saúde, não vão aos hospitais, em vez de fazer com que os supostos “doentes” vão até seus templos pra pegar um paninho… Ou por que os “prometedores” de casamento feliz não se assentam em frente às varas de família para resolver os problemas… Ou ainda, aqueles “prometedores” de sucesso financeiro não vão nas filas de desempregados que se multiplicam… Porque em seus “templos” podem ser os reis…
Não caia no “conto do vigário”... O Senhor Jesus (o verdadeiro) nunca te prometeu “vitória” NO mundo. Ele venceu O mundo… Isso é bem diferente.
Nem quando o quiseram transformar em rei, ele permitiu: “Jesus ficou sabendo que queriam levá-lo à força para o fazerem rei; então voltou sozinho para o monte.” (João 6.15).
O que tinha acontecido para que quisessem transformar Jesus em rei? Ele tinha alimentado uma multidão… Daí o povo que ganhou comida, logo queria transformá-lo em rei. Algo como ganhar uns sacos de cimento durante a campanha (nããããooo!!!! isso não acontece, nosso povo não se deixa vender #sqn…).
Então: Jesus tinha alimentado muita gente e esse povo logo acha que é a solução para seus problemas… Bastava seguir o “milagreiro” que fome não passariam mais.
Mas Jesus faz o contrário dos milagreiros de hoje: “vocês estão me procurando porque comeram os pães e ficaram satisfeitos e não porque entenderam os meus milagres” (João 6.26) Ou seja: Jesus deixa bem claro: estou aqui para proclamar minha Palavra e não para fazer milagres (Jesus só realizou milagres, quando estes serviam para anunciar sua Palavra, não para encher os bolsos).
Assim, aquela numerosa multidão, não desiste dos favores: “Eles disseram: Que milagre o senhor vai fazer para a gente crer no senhor?” (João 6.30) “Pelamor!!!…” Jesus já tinha alimentado mais de 5 mil pessoas, que milagre ainda precisava fazer? Eles queriam as benesses de estar perto da “nobreza” (e que Jesus fosse rei logo), assim como ainda hoje se quer.
Jesus não quer ser um rei nesse mundo. Ele quer ser o rei da sua vida. Ele não te oferece vida fácil… Mas te oferece vida eterna. Se você quer vida fácil, tem alguém que oferece: “Depois o Diabo levou Jesus para um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e as suas grandezas e disse: Eu lhe darei tudo isso se você se ajoelhar e me adorar.” (Mateus 4.8)... E muita gente ainda continua querendo “todos os reinos do mundo”. Então, se te oferecerem vida fácil neste mundo, tenha certeza: NÃO FOI JESUS QUE PROMETEU.

Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)


Estes e outros artigos são publicados no Jornal Correio 9, de Nova Venécia (curta para ser avisado das edições diárias, leitura completa online):

sábado, 7 de novembro de 2015

Estatisticamente falando...

Estatística está presente em tudo atualmente. Política, implantação de planos, esportes... Embora faça parte das “exatas” não parece muito “exato” você apontar para estatísticas prováveis.
A estatística, depende, na sua maior parte, não só da coleta adequada e honesta dos dados, com um método correto para interpretação dos dados coletados.
Quanto à coleta dos dados, vai influenciar até o horário em que você fizer a pesquisa. Um exemplo para entender: se você for ao mercado com fome, certamente comprará muito mais por impulso. Por isso, especialistas em economia do lar, indicam que você deve ir descansado e bem alimentado ao mercado. Assim terá mais paciência de ver o melhor preço e sua tendência para comprar supérfluos é menor.
Assim, se você quer saber sobre a real implicação da pobreza, não pode pesquisar somente entre os bairros ricos. Ali, certamente eles terão uma noção mais “filosófica” da pobreza. Nos bairros pobres, nos locais de trabalhadores braçais, você terá uma noção “prática” dessa realidade. Então é preciso que se tenha honestidade e imparcialidade na interpretação dos dados. Para clarear esta ideia: certa vez conversei com um amigo padre, que tinha uma missão em uma favela em São Paulo. Lá a paróquia tinha construído uma sede, tinha casa, templo, etc. Mas não conseguiam que o povo se integrasse à igreja. O padre resolveu fazer uma pesquisa:
— Por que vocês não vêm à Igreja, nós estamos aqui com vocês. Somos parte da comunidade. (Perguntava o padre)
— Vocês não são daqui, padre (respondeu um morador da favela).
— Como não, estamos aqui todos os dias, trabalhamos e comemos juntos.
— É! Mas se começar uma guerra entre os traficantes, vocês têm pra onde fugir, mas nós vamos ficar aqui.
Foi aí que o padre entendeu que, mesmo morando ali, ele não era dali. Ele sempre tinha outros lugares para onde “fugir”. Naquele momento ele entendeu que estavam interpretando equivocadamente os dados apresentados.
A Bíblia é cheia de estatísticas. Jesus nasceu quando se fazia um censo, que nada mais é do que a contagem de pessoas para decisões posteriores. O livro de Números traz uma contagem do povo de Israel: “Você e Arão devem fazer a contagem do povo de Israel por grupos de famílias e por famílias. Façam a lista de todos os homens de vinte anos para cima, isto é, todos os que já têm idade para o serviço militar.” (Números 1.2-3). Fora essa, ainda tem a estatística dos filhos de Jacó que entraram no Egito (Gênesis 46.27, Êxodo 1.5) e dos que saíram (Êxodo 12.37); a estatística de quantos comeram pães e peixes (Mateus 14.21); a pregação de Pedro e o número de convertidos (Atos 2.41)...
Estatisticamente falando, muita gente vai ouvir a pregação do puro evangelho, de que Jesus Cristo salva, mas vai preferir ignorar. Vai preferir “viver do seu jeito”, vai dizer que “não precisa de uma igreja”... Estatisticamente falando, há muita gente que se diz cristão e nem vai à sua Igreja. Estatisticamente falando, muitos vão viver a vida dentro da Igreja, sem nunca ter feito parte dela.
Então lembre-se da estatística que mais interessa: Jesus cumpriu 100% de sua promessa de salvação. Jesus quer 100% das pessoas na vida eterna. Jesus ama você 100%. E lembrem: até números estatísticos humanos podem falhar, mas a Palavra de Deus não falha. Estatisticamente falando ela acerta 100%.
  

Jarbas Hoffimanné formado em Teologia
 e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil,
 em Nova Venécia.
www.
facebook.com/pastorjarbas

Você é rico? E a sua salvação?

“Falta mais uma coisa para você fazer. Venda tudo o que você tem, e dê o dinheiro aos pobres, e assim você terá riquezas no céu. Depois venha e me siga. Quando o homem ouviu isso, ficou muito triste, pois era riquíssimo.” (Lucas 17.22-23)
O texto bíblico acima é de Lucas 17 e conta do encontro que Jesus teve com um jovem líder judeu, que era rico. Não é um texto sobre a administração. Jesus não está ensinando o comunismo (afinal: “meu reino não é deste mundo”).
Alguns entendem que este texto indicaria que Jesus tem “preferência” pelos pobres. Há teologias inteiras construídas sobre esse argumento da “preferência” de Jesus pelos pobres. Lembra-se: “É mais difícil um rico entrar no Reino de Deus do que um camelo passar pelo fundo de uma agulha.”  (Lucas 17.25). Então se criaram hipóteses do que Jesus estaria querendo dizer com isso...
Por exemplo: Há a afirmação de que este “buraco da agulha” seria uma pequena porta em Jerusalém que, um camelo, ajoelhado (então com muito esforço) passaria. Mas não é esta a interpretação deste texto, se você acha que é isso, te ensinaram equivocadamente.
A explicação é bem mais simples: Jesus está usando uma hipérbole (lembram do português na escola?) para dizer que para um rico é impossível (não só difícil) entrar no reino do céu. Mas não para qualquer rico...
Se fosse qualquer rico, teríamos que aceitar que o rei Davi não foi salvo e até parar de ler seus Salmos... Abraão era tão rico, que não havia pasto suficiente para todo seu rebanho e de seu sobrinho Ló e, por isso, precisaram se separar. Houve mulheres ricas que ajudaram no ministério do apóstolo Paulo. Há muitos outros exemplos de ricos fiéis a Cristo.
O texto lembra é que nenhum rico entrará, por suas forças (ou pela força de suas riquezas) no céu. Mas o pobre também não. Lembre-se: “o amor ao dinheiro é uma fonte de todos os tipos de males”. (1º Timóteo 6.10). Não é o dinheiro e sim “o amor ao dinheiro” que é mau. Os recursos financeiros são bons, pois com eles podemos ajudar o próximo. Podemos fazer o bem, por exemplo, investindo na Apae, ou a AASERDEQ que vai ajudar dependentes químicos de nossa cidade.
Mas quem preza suas riquezas, mais do que a Jesus, está perdendo a salvação. Esse não vai entrar no reino do céu, seja rico ou seja pobre. Tentar conquistar a salvação pelas próprias forças afasta de Jesus. Pois a salvação é “por graça” (Efésios 2.5)
E, por fim, quem disse que Jesus “prefere” alguém? De onde surgiu isto? Jesus não “prefere” alguém. Quem acha que Deus tem preferência, desconhece textos como este: “Mas agora Deus já mostrou que o meio pelo qual ele aceita as pessoas não tem nada a ver com lei. A Lei de Moisés e os Profetas dão testemunho do seguinte: Deus aceita as pessoas por meio da fé que elas têm em Jesus Cristo. É assim que ele trata todos os que creem, pois não existe nenhuma diferença entre as pessoas.” (Romanos 3.21-22).
Jesus prefere você. Seja rico ou pobre. Lembre-se que é pela força do sacrifício de Jesus que se é salvo e não pelo poder das riquezas. Use o que você tem com sabedoria.

Jarbas Hoffimann
é formado em Teologia
e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil,
em Nova Venécia.
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Nós e a corrupção dos outros(?)

“Vocês têm ódio daqueles que defendem a justiça e detestam as testemunhas que falam a verdade; vocês exploram os pobres e cobram impostos injustos das suas colheitas. Por isso, vocês não vão viver nas casas luxuosas que construíram, nem chegarão a beber o vinho das belas parreiras que plantaram. Eu sei das muitas maldades e dos graves pecados que vocês cometem. Vocês maltratam as pessoas honestas, aceitam dinheiro para torcer a justiça e não respeitam os direitos dos pobres. Não admira que num tempo mau como este as pessoas que têm juízo fiquem de boca fechada!”
Este texto não é de um jornal qualquer da semana passada, ou de vinte anos atrás. Ele está registrado no livro do profeta Amós, no capítulo 5, versículos 10 a 13 da Bíblia Sagrada. Por isso, antes de prosseguir, é preciso que saibamos um pouco mais desse tal Amós: ele viveu cerca de 2.800 anos atrás e foi um dos grandes profetas do povo de Israel. Definia a si mesmo como um homem simples. Hoje diríamos: um homem do povo, trabalhava na roça.
Mas ele precisou sair da roça e falar para seu povo. Não só aos líderes, mas todos. A corrupção havia tomado conta e até mesmo as pessoas boas, preferiam ficar caladas, pois não havia ninguém que as defendia. Os responsáveis pelo direito do povo cometiam injustiças e já não se tinha mais a quem recorrer. Todo o sistema estava corrupto. Imagino a sensação de impunidade...
Outro dia ouvi um especialista em polícia e justiça dizendo: “o que faz o crime prosperar não são as leis falhas, pois temos boas leis. Eles fazem o que fazem, porque têm certeza da impunidade para quem pode pagar o preço da corrupção”.
Algo muito parecido com o que acontecia com Amós, parece acontecer hoje no Brasil. Mas o que fazer? Adianta um lado gritar contra o outro? Aliás, em questões políticas, parece que hoje só temos dois lados e cada um se acha certo, enquanto o outro estaria errado. Mas parece que quanto à corrupção, há apenas um lado e pessoas “dos dois lados” parecem estar de lama até os pescoços. Triste. O que fazer?
Amós vê uma luz no fim do túnel: “eu construirei de novo o reino de Davi, que é como uma casa que caiu.” (Amós 9.11). Todos os profetas do Antigo Testamento apontavam para o Cristo que viria. Reino de Davi era o símbolo do reinado de Jesus. Não político, econômico, terreno, religioso ou qualquer coisa do tipo, pois ele mesmo disse: “o meu reino não é deste mundo” (João 18.36). Quem tenta envolver o Salvador em discussões políticas, querendo construir um sistema de governo baseado em seus ensinamentos, está, no mínimo, equivocado. Jesus não era comunista, presidencialista, parlamentarista, monarquista... Ele era Jesus e o reino dele transcende o terreno.
Por causa desse reino futuro, que ainda aguardemos em plenitude, vamos também ver a luz no fim do túnel. Precisamos ser cidadãos mais conscientes de nossas realidades quanto à seca, à limpeza pública, à eleição de candidatos melhores... Precisamos deixar de lado os favores em troca de votos. Só assim, melhoraremos este mundo, enquanto aguardamos a chegada daquele futuro reino. O mundo aqui nunca será perfeito. Perfeição só no reino de Cristo. Mas como bons cidadãos podemos melhorar, e muito este reino onde vivemos hoje. Então, mãos à obra.
Jarbas Hoffimann

é formado em Teologia
e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil,
em Nova Venécia.
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Leitura Bíblica para a Quaresma 2026

Você sabe o que é a Quaresma? Muita gente acha que é o tempo de sofrimento e privação (jejum etc...) que começa depois do carnaval. Infelizm...