Pular para o conteúdo principal

Queriam fazê-lo rei... Hoje querem ser reis

As notícias do mundo sempre falam da briga para ser “rei”... Parece que cada nova etapa das operações da Polícia Federal apontam para esse desejo… Alguém queria “ser rei”... Aliás, muitos “alguéns” querendo ser rei. Alguns se contentando em ser reis menores, mas ainda assim, rei sobre alguém…
Há ainda a busca pelo posto de “rei do tráfico”, “rei do crime” (não aquele que persegue o Homem Aranha, e do Demolidor, mas o real). Quantos esquemas de corrupção para “ser rei”...
Na Europa, plebiscito para sair de uma União Europeia hoje contestada, para “ser rei” (opa, lá não pode, porque já tem a rainha, que é mais uma figura decorativa, por isso a luta é para ser primeiro ministro, ou seja, o rei da vez). E quando passada a eleição, decidiu-se sair… Os candidatos a “futuro rei” pulam um a um do barco. Porque o ser rei, também implica em tomar decisões. E como a Inglaterra e o Reino Unido como um todo, parece ser um lugar de gente séria, se não fazem o que prometem…
Mas nas terras da banana e do Carnaval (nada contra a fruta, nem às festas) parece que se pode prometer de tudo… Tipo quando a companhia telefônica liga pra você e diz que tem uma forma de você pagar menos. Já fui tolo várias vezes (ou inocente, acreditei). Comigo, nunca, jamais, em hipótese alguma (nunquinha mesmo) foi vantajoso para mim. E gastei outras infinitas horas para cancelar o tal “benefício” que nunca me beneficiou, mas você certamente sabe como é isso…
Resumo da avalanche de ideias acima: aqui você vota num vereador (ou qualquer outro candidato) que pode prometer o que quiser, pois ninguém vai cobrar dele mesmo e, se cobrar, ele se torna tão inatingível, que você não consegue falar com ele. Por isso, nas próximas eleições, faça vídeos das promessas do seu candidato a prefeito e a vereador. Afinal, suas promessas não serão particulares, serão públicas. E, no decorrer dos anos, caso ele seja eleito, cobre a partir daqueles vídeos. Não vai dar pra dizer: “eu não falei isso”... E, ainda bem, ainda há bons políticos (pode acreditar… Basta procarar).
Quanto à igreja, faça vídeos do que te prometem também… Se quiser vir à minha igreja, pode vir gravar nossos cultos. Não prometeremos nada que o Senhor mesmo não prometeu em sua Palavra. E lá, ele só prometeu uma coisa neste mundo: “eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos”. (Mateus 28.20). Mas isso não livrou nem  os apóstolos de serem martirizados, ou João de ser exilado em Patmos, onde escreveu Apocalipse… O Senhor prometeu estar conosco. Não prometeu um Lamborghini… Prometeu nos amparar nos sofrimentos… Não nos prometeu vida eterna aqui neste mundo…
Sempre me pergunto porque esses “prometedores” de saúde, não vão aos hospitais, em vez de fazer com que os supostos “doentes” vão até seus templos pra pegar um paninho… Ou por que os “prometedores” de casamento feliz não se assentam em frente às varas de família para resolver os problemas… Ou ainda, aqueles “prometedores” de sucesso financeiro não vão nas filas de desempregados que se multiplicam… Porque em seus “templos” podem ser os reis…
Não caia no “conto do vigário”... O Senhor Jesus (o verdadeiro) nunca te prometeu “vitória” NO mundo. Ele venceu O mundo… Isso é bem diferente.
Nem quando o quiseram transformar em rei, ele permitiu: “Jesus ficou sabendo que queriam levá-lo à força para o fazerem rei; então voltou sozinho para o monte.” (João 6.15).
O que tinha acontecido para que quisessem transformar Jesus em rei? Ele tinha alimentado uma multidão… Daí o povo que ganhou comida, logo queria transformá-lo em rei. Algo como ganhar uns sacos de cimento durante a campanha (nããããooo!!!! isso não acontece, nosso povo não se deixa vender #sqn…).
Então: Jesus tinha alimentado muita gente e esse povo logo acha que é a solução para seus problemas… Bastava seguir o “milagreiro” que fome não passariam mais.
Mas Jesus faz o contrário dos milagreiros de hoje: “vocês estão me procurando porque comeram os pães e ficaram satisfeitos e não porque entenderam os meus milagres” (João 6.26) Ou seja: Jesus deixa bem claro: estou aqui para proclamar minha Palavra e não para fazer milagres (Jesus só realizou milagres, quando estes serviam para anunciar sua Palavra, não para encher os bolsos).
Assim, aquela numerosa multidão, não desiste dos favores: “Eles disseram: Que milagre o senhor vai fazer para a gente crer no senhor?” (João 6.30) “Pelamor!!!…” Jesus já tinha alimentado mais de 5 mil pessoas, que milagre ainda precisava fazer? Eles queriam as benesses de estar perto da “nobreza” (e que Jesus fosse rei logo), assim como ainda hoje se quer.
Jesus não quer ser um rei nesse mundo. Ele quer ser o rei da sua vida. Ele não te oferece vida fácil… Mas te oferece vida eterna. Se você quer vida fácil, tem alguém que oferece: “Depois o Diabo levou Jesus para um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e as suas grandezas e disse: Eu lhe darei tudo isso se você se ajoelhar e me adorar.” (Mateus 4.8)... E muita gente ainda continua querendo “todos os reinos do mundo”. Então, se te oferecerem vida fácil neste mundo, tenha certeza: NÃO FOI JESUS QUE PROMETEU.

Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)


Estes e outros artigos são publicados no Jornal Correio 9, de Nova Venécia (curta para ser avisado das edições diárias, leitura completa online):

Postagens mais visitadas deste blog

Culto Luterano - O culto litúrgico 1

II - O Culto Litúrgico - História e Teologia A. Definindo Termos Não é fácil falar e definir um assunto que é tão amplo como a história do próprio homem. Mas, precisamos fazê-lo de alguma forma, pois é importante entender o que estamos fazendo quando nos reunimos. James F. White nos serve de auxílio nessa grandiosa empreitada, mostrando como diferentes pensadores protestantes, católicos e luteranos usam o termo. Escrevendo a partir da tradição metodista, o professor Paul W. Hoon define a vida cristã como sendo uma vida litúrgica. O culto para ele está vinculado diretamente aos eventos da história da salvação. Para ele, o núcleo do culto é “Deus agindo para dar a sua vida ao ser humano e para levar o ser humano a participar dessa vida”. As palavras-chave na compreensão de Hoon sobre culto parecem ser “revelação” e “resposta”. Trata-se, portanto, de uma relação recíproca em que Deus toma a iniciativa em relação ao homem por meio de Jesus Cristo e nós, por meio de Jesus Cristo, respondemo…

A pedra de moinho

Leia aqui o texto bíblico de Marcos 9.38-50

17º Domingo após Pentecostes 6.622
Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

Queridos irmãos em Cristo.
A Paz do Senhor esteja com todos vocês.
O versículo escolhido para nortear nossa meditação é o 42, de Marcos 9, que diz: "Quanto a estes pequeninos que creem em mim, se alguém for culpado de um deles me abandonar, seria melhor para essa pessoa que ela fosse jogada no mar, com uma pedra grande amarrada no pescoço."
Vocês têm noção do tipo de pedra que Jesus está falando? É uma pedra de moinho. E existem muitos tipos de pedra de moinho. Por exemplo, existe o moinho manual, que pode ser girado facilmente com uma alavanca. Esta pedra pesa poucos quilos.
Se fosse essa pedra, de poucos quilos, presa ao pescoço com uma corrente, alguém conseguiria se livrar do afogamento? Não. Esta pedra, de poucos quilos já acabaria com a vida da pessoa que pulasse na água.
Mas a …

Culto Luterano - O culto litúrgico 2

B. Conhecendo a História É praticamente impossível compreender o culto luterano sem conhecer a história do culto litúrgico. A Igreja Luterana, por natureza, é conservadora teológica e liturgicamente. As igrejas reformadas do século XVI sustentavam que somente práticas ordenadas pelas Escrituras deveriam ser mantidas no culto público. Os reformadores luteranos adotaram um princípio mais conservador. Os luteranos estavam convencidos de que somente o que fosse proibido pela Escritura deveria ser abolido. Dessa forma, a Igreja Luterana não promoveu uma ruptura radical com a Igreja da pré-reforma, e sim, uma continuidade com tudo que aconteceu nos primeiros 1500 anos. Mais, os reformadores luteranos entenderam-se como herdeiros das práticas de culto do AT. As igrejas reformadas acreditavam ser possível retornar aos dias da simplicidade primitiva dos apóstolos. Os luteranos entendiam que isto era impossível, pois havia uma interveniência de 1500 anos de história. Os luteranos se reconheciam …