segunda-feira, 30 de outubro de 2017

História de Lutero - 7 - Últimos dias

Os últimos dias de Lutero

No dia 23 de janeiro de 1546, a pedido insistente dos príncipes de Mansfeld, Lutero viajou para Eisleben. Como não se sentisse bem de saúde para empreender sozinho a viagem, levou consigo seus filhos Martinho e Paulo, pois o tempo estava mau e as estradas quase intransitáveis. Foram necessários cinco dias para vencer a distância de 120 quilômetros. Lutero decidiu-se a fazer esta viagem, somente por se tratar de uma missão de amor. Havia sido convidado para restabelecer a paz em uma família desunida por uma grande briga. Depois de vinte dias de pacientes admoestações, Lutero conseguiu reconciliar a família. Mas estava completamente exausto. Tinha sido esforço demasiado para sua saúde precária. Na noite do dia 17 de fevereiro, foi levado para seu quarto, a fim de descansar. Junto a sua cama permaneceram seus dois filhos e três amigos íntimos. Lutero sabia que seu fim se aproximava. Em fervorosa oração encomendou sua alma ao Pai celestial. Um dos amigos perguntou-lhe se estava preparado para morrer em nome do Senhor Jesus Cristo, cuja doutrina havia pregado. Lutero respondeu com voz clara: Sim. Em seguida cerrou seus olhos para seu derradeiro sono aqui na terra.
Lutero morreu no dia 18 de fevereiro de 1546. Seu corpo foi levado para Wittenberg. No dia 22 de fevereiro foi sepultado na Igreja do Castelo, bem defronte do púlpito, onde permanece até hoje.
Lutero está morto, mas sua obra permanece. A Reforma da igreja, por ele iniciada, espalhou-se por todas as partes do mundo. Jesus, o Rei da Graça, proclamado por Lutero, vive nos corações de milhões de cristãos. Passados 500 anos, Lutero continua a ser honrado como o grande mestre da Igreja Luterana e de todo Protestantismo.
E hoje, mais do que nunca, precisamos de Lutero e suas palavras para trazer seus herdeiros de volta à pura e clara Palavra de Deus, que não precisa de novos profetas, apóstolos, milagreiros e vendedores de bênçãos e prosperidade. Essa igreja precisa ser, de novo Reformada. E nós luteranos da IELB, queremos continuar trilhando o caminho que já caminhamos faz 500 anos.

Não vou desligar a globo

Você leu direitinho. Eu não posso parar de assistir à globo, porque já faz anos que não assisto. Até ano passado ainda assistia a jornais e, esporadicamente, quando na casa de alguém, via também o que “estava passando”. Normalmente eram programas de música, tipo BBB de música, em que a pessoa que ganha, só faz sucesso ali, depois costuma sumir. Mas quando colocaram a ideologia de gênero e a pornografia (diluída) em tudo...

Bem, por que eu parei de ver o dito canal de tv (e outros todos, diga-se de passagem)?

Porque não precisamos mais (se é que alguma vez foi necessário) para ter entretenimento. Pode-se buscar no YouTube ou outras formas, vídeos mais engraçados ou mais “edificantes”, que não visem um único objetivo, que é, “a desconstrução” da ideia de certo e errado. E é isso que a maior parte da TV brasileira e a mídia de uma forma em geral, está tentando. Querem que a gente “entenda” que TODOS somos imbecis que não sabem criar os seus próprios filhos, por isso, quem precisa dizer como cria-los, é uma militância barulhenta... Que não tem argumentos maiores do que o “eu acho”! E eu grito!

Lamentável, ainda é que numa onda contra essa miséria intelectual que assola o país, surge uma “contra-onda” com outros extremos, que prometem nos “salvar”.

Particularmente, duvido de todo mundo que quer resolver no grito, na canetada e na briga. Já vi isso desde 1988 várias vezes.

Talvez por ser luterano e prezar tanto pela educação, queira um caminho que passe pela boa escola. Com professores valorizados e ganhando bem. Que falem de suas matérias e não de sua escolha política, qualquer que seja. Sou contra ensino religioso na escola. Isso se aprende na Igreja e em casa.

Podia-se usar tudo que é gasto bancando a regalia de nossos gordos “Vossas Excelências”, em todos os poderes, para dar salários mais justos e dignos a heróis do quadro negro (quando há quadro).

Porque as “autoridades” precisam de auxílios até pra roupa? Se todo brasileiro precisa, com seu salário, bancar suas próprias despesas, por que criamos uma “casta superior” que pode viver como se fosse a monarquia, à base do dinheiro do povo e sempre querendo mais por meio da corrupção?

Veja: nossos problemas vão muito além da globo...

Mas passam por ela. Claro que você é adulto e sabe (ou deveria saber) discernir o certo do errado. Mas nunca deixe seus filhos escolherem sozinhos, pois eles podem não ter as mesmas “ferramentas” que você para saber o que é certo e o que é errado.

Paulo disse para “provar tudo e ficar com o que é bom, ou com o que presta”. Mas eu não preciso chutar uma pedra descalço, para saber que dói. Então, se quer, veja a tv. Mas cuide do que sua família está aprendendo por meio de todas as mídias. Não só da tv.

Pastor Jarbas Hoffimann
@pastorjarbas

domingo, 29 de outubro de 2017

História de Lutero - 6 - No lar e escritos importantes

Lutero no Lar

A 13 de junho de 1525, Lutero casou com Catarina de Bora, uma antiga freira que abandonara o convento por reconhecer o erro da vida enclausurada. A cerimonia de casamento realizou-se no Mosteiro Negro de Wittenberg, há pouco transformado em residência para Lutero.
Deus abençoou este matrimônio com três meninos e três meninas. Lutero amava o lar, e sempre encontrava tempo para brincar com os filhos, tocar música e cantar com eles, e para lhes escrever bonitas cartas quando estava viajando. Interessava-se também pelo jardim e pelos demais problemas do lar.
Lutero recebia muitas visitas. Mesmo não sendo rico, era muito generoso. Sua bondade e liberalidade para com os outros, muitas vezes preocupava sua mulher, especialmente porque Lutero era extremamente hospitaleiro, dando, de bom grado, casa, comida, e até dinheiro aos necessitados.

Lutero escreve o Catecismo Menor e o Hinário

Reconhecendo que a fé cristã se baseia no conhecimento cristão, Lutero fundou e organizou escolas cristãs. Para facilitar aos pastores e professores a instrução cristã das crianças, Lutero escreveu o Catecismo Menor, em l529. Depois da Bíblia, o Catecismo é o livro mais usado na igreja. Lutero escreveu também um bom número de hinos maravilhosos. Em 1524 publicou o primeiro hinário evangélico, e animou outros escritores e compositores hábeis a escreverem bons hinos com bonitas melodias. Ajudou a escrever a Confissão de Augsburgo, publicada em 1530. Completou a tradução do Antigo Testamento em 1534. Embora não gozasse de boa saúde, estava sempre ativo, trabalhando, quer entre o povo, quer em seu gabinete de trabalho. Suas obras ocupam mais de 100 volumes. Continuou a trabalhar incansavelmente até a véspera de sua morte.

sábado, 28 de outubro de 2017

História de Lutero - 5 - Em Worms e no Cstelo de Wartburg

Lutero em Worms

Quando o papa Leão X, em Roma, ouviu falar do que acontecia na Alemanha, ficou furioso e ameaçou Lutero com a excomunhão, caso ele não se retratasse dentro de 60 dias. Lutero, porém, ficou firme em seu ponto de vista, pois tinha a certeza de que havia agido certo, para a glória de Deus. Em 1521 Lutero recebeu a comunicação de que devia comparecer à Dieta (assembleia) de Worms, para ser julgado. Estavam presentes à reunião as mais altas autoridades da Igreja e do país. Novamente Lutero foi intimado a se retratar. Lutero pediu que lhe provassem da Bíblia que ele estava errado. Ninguém pôde provar. Por isso Lutero se recusou a desmentir qualquer cousa do que havia dito ou escrito.

Lutero no Castelo de Wartburg

Lutero foi, então, declarado pessoa fora da lei. Quem o encontrasse, o podia matar, sem medo de sofrer castigo. Embora sua vida corresse grande perigo, Lutero não se intimidou e iniciou sua viagem de volta para Wittenberg. Ao atravessar uma floresta, um bando de homens mascarados o atacou. Fizeram-no prisioneiro e o levaram para um castelo, chamado Wartburg. À meia-noite, a pesada ponte foi baixada, e Lutero desapareceu atrás das enormes muralhas do castelo. Bem poucas pessoas sabiam onde Lutero se encontrava, mas eles souberem guardar segredo. Muitos pensavam que Lutero havia sido morto. O que o povo não sabia, era que seus amigos haviam simulado o rapto para o guardar em segurança contra seus inimigos.
Lutero, disfarçado de cavaleiro, permaneceu durante longo tempo no castelo de Wartburg. Aproveitou essa oportunidade para traduzir o Novo Testamento para a língua alemã, a fim de que todo o povo pudesse ler a palavra de Deus em sua própria língua, e assim compreender a vontade de Deus.
Poucos anos antes, Gutenberg havia aperfeiçoado a imprensa, descobrindo o sistema de letras móveis. Isso possibilitou que se imprimisse o Novo Testamento em muitos milhares de exemplares, podendo assim ser vendido ao povo por preço mais acessível. Antes desse tempo os livros eram escritos a mão. Uma Bíblia, assim escrita, custava uma pequena fortuna, e só os mais ricos a podiam comprar.
Após um ano de retiro forçado no castelo de Wartburg, Lutero voltou para Wittenberg e continuou a pregar na sua igreja. Realizou uma série de oito pregações vigorosas, mostrando os erros em que muitos haviam caído e explicando ao povo de que maneira convém viver para agradar a Deus. Advertiu-os a não fazerem uso da força em sua luta contra o papa e a igreja católica. Deviam combater o erro da igreja apenas com a palavra de Deus.
De Wittenberg Lutero viajou para muitas outras cidades, visitando comunidades e aconselhando o povo a usar a liberdade dada por Deus contra a tirania papal para um único fim: para se tornarem melhores cristãos.
Lutero vivia em constante perigo de ser preso e morto. E ainda que seus amigos temessem por sua vida, nada lhe aconteceu. O fato de Lutero ter ficado vivo naqueles dias, parece ser um verdadeiro milagre. Deus jamais o abandonou.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

História de Lutero - 4 - Do nascimento à Universidade e as 95 teses

As 95 teses

Naqueles dias a igreja entregou-se ao nefasto comércio das indulgências (recibos de perdão dos pecados, comprados com dinheiro). João Tetzel, vendedor dessas indulgências na Alemanha, chegou a Wittenberg. Ali insistia junto ao povo que comprasse perdão para todos os pecados, passados, presentes e futuros. Alguns membros da igreja de Lutero compraram-nas e não se importaram mais em se arrepender dos pecados. Lutero, em consequência disso, lhes negou a Santa Ceia. Disse-lhes que, se não se arrependessem, Deus não lhes perdoaria os pecados, pois as indulgências não tinham nenhum valor diante de Deus.
Muito entristecido com o que estava acontecendo, Lutero pregou nos domingos seguintes com veemência, chamando o povo ao arrependimento. Por fim escreveu 95 teses (proposições) para serem discutidas em público, em que condenava a venda de indulgência.
No dia 31 de outubro de 1517, pregou essas teses na porta da catedral, para que todos as pudessem ler. Numa delas ele afirmava:
Cada cristão que se arrepende de seus pecados, tem perdão dos mesmos, não necessitando das indulgências.
Milhares de pessoas, ricas e pobres, vibraram de alegria, vendo a coragem com que Lutero combatia os erros da Igreja.

Conheça as 95 teses - com breves comentários

1. Ao dizer: "Fazei penitência", etc. [Mt 4.17], o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência.

2. Esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental (isto é, da confissão e satisfação celebrada pelo ministério dos sacerdotes).

3. No entanto, ela não se refere apenas a uma penitência interior; sim, a penitência interior seria nula, se, externamente, não produzisse toda sorte de mortificação da carne.

4. Por consequência, a pena perdura enquanto persiste o ódio de si mesmo (isto é a verdadeira penitência interior), ou seja, até a entrada do reino dos céus.
[Lutero nega que as indulgências possam livrar alguém das penas terrestres.]

5. O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas que impôs por decisão própria ou dos cânones.
6. O papa não pode remitir culpa alguma senão declarando e confirmando que ela foi perdoada por Deus, ou, sem dúvida, remitindo-a nos casos reservados para si; se estes forem desprezados, a culpa permanecerá por inteiro.
[5-6: Lutero mostra que o papa não tem nenhuma autoridade além daquela dada por Jesus. É, no mínimo, uma atitude de esclarecer à autoridade (da igreja).]

7. Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao mesmo tempo, sujeitá-la, em tudo humilhada, ao sacerdote, seu vigário.
[7: Deus perdoa por graça. Qualquer coisa. A qualquer pessoa. Assim as indulgências erram a ignorar esta graça. Já se pode perceber diferença do pensamento romano.]

8. Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos; segundo os mesmos cânones, nada deve ser imposto aos moribundos.
9. Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em seus decretos, sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade.
10. Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles sacerdotes que reservam aos moribundos penitências canônicas para o purgatório.
(“O purgatório, um estado de penitência e purificação entre a morte e o juízo final, é, para a doutrina católico-romana, o local para o pagamento das penas decorrentes dos pecados. Estas penas podem ser parcial ou totalmente eliminadas pelas indulgências. No mundo cristão, a doutrina do purgatório surge primeiro em Orígenes, no século II. Em 1517 Lutero ainda aceita a doutrina do purgatório. Mais tarde irá abandoná-la completamente.)

11. Essa erva daninha de transformar a pena canônicaem pena do purgatório parece ter sido semeada enquanto os bispos certamente dormiam.
[11: Lutero parece não acreditar que as indulgências tenham entrado à igreja com a permissão dos bispos.]

12. Antigamente se impunham as penas canônicas não depois, mas antes da absolvição, como verificação da verdadeira contrição.
[Lutero está rebatendo a venda de indulgências para livrar do purgatório até mesmo aos que já morreram. Segundo sua concepção (aqui ainda não contra o purgatório) só se pode fazer alguma coisa para livrar-se da condenação aqui na terra.]

13. Através da morte, os moribundos pagam tudo e já estão mortos para as leis canônicas, tendo, por direito, isenção das mesmas.
[Lutero reafirma que só aos vivos é dada a oportunidade da salvação.]

14. Saúde ou amor imperfeito no moribundo necessariamente traz consigo grande temor, e tanto mais, quanto menor for o amor.
15. Este temor e horror por si sós já bastam (para não falar de outras coisas) para produzir a pena do purgatório, uma vez que estão próximos do horror do desespero.

16. Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o semidesespero e a segurança.
[Claramente se vê que Lutero ainda aceita o purgatório, afinal, esta era uma doutrina oficial da igreja que ele ainda não tinha aprofundado o conhecimento. Mais tarde, por causa da Escritura, Lutero rejeita a existência do purgatório.]

17. Parece necessário, para as almas no purgatório, que o horror diminua na medida em que cresce o amor.
18. Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem da Escritura, que elas se encontram fora do estado de mérito ou de crescimento no amor.
19. Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam certas de sua bem-aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de nossa parte, tenhamos plena certeza.
[17-19: Lutero começa com “Parece”, ele não afirma. Demonstrando um caráter pacífico.]

20. Portanto, sob remissão plena de todas as penas, o papa não entende simplesmente todas, mas somente aquelas que ele mesmo impôs.
[Lutero não entra no mérito da autoridade do papa, mas diz claramente que ele só pode entender sobre as penas que ele mesmo impôs, ou seja, não pode ministrar sobre as penas do purgatório.]

Depois de uma introdução de 20 teses, Lutero bate de frente com os vendedores de indulgências.

21. Erram, portanto, os pregadores de indulgências que afirmam que a pessoa é absolvida de toda pena e salva pelas indulgências do papa.

22. Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena que, segundo os cânones, elas deveriam ter pago nesta vida.
[Para afirmar sua tese Lutero, acreditando no purgatório, usa este como argumento. O que não for pago em vida será ali pago.]

23. Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele, certamente, só é dado aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos.
[Lutero parece aceitar que existam perfeitos. Isso pode ser classificado como uma clara leitura de sua educação romana. Lutero ainda não entende o homem como completamente corrompido e completamente justificado.]

24. Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena.
[Acusa as indulgências de serem enganação.]

25. O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório de modo geral, qualquer bispo e cura tem em sua diocese e paróquia em particular.
[O papa não detém o poder das chaves, poder que é usado para assegurar a validade das indulgências. O poder do papa é o mesmo que qualquer cristão: interceder pelos outros. Neste caso, até mesmo pelos mortos que estão no purgatório. Parece contestar a autoridade superior do papa, mas considerando o caráter destes escritos não nos atreveríamos a afirmar isso a essa época. Mas poderíamos argumentar que essa tese leva a entender que cada bispo e cura é um papa em seu território de domínio. A tese não é clara quanto à autoridade do papa e nem é isso que se está discutindo neste documento.]

26. O papa faz muito bem ao dar remissão às almas não pelo poder das chaves (que ele não tem), mas por meio de intercessão.

27. Pregam doutrina humana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando [do purgatório para o céu].
[Segundo o pesquisador católico Nicolau Paulus, o pregador dominicano João Tetzel realmente anunciou em suas pregações a frase: “Antes que o dinheiro tilinte na caixa, a alma salta do purgatório.”]

28. Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, podem aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.
[Lutero contrapõe a vontade de Deus à cobiça da Igreja.]

29. E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser resgatadas? Dizem que este não foi o caso com S. Severino e S. Pascoal.

30. Ninguém tem certeza da veracidade de sua contrição, muito menos de haver conseguido plena remissão.
[Aqui está implícita a luta pela remissão dos pecados que cada um deveria ter na fé católica.]

31. Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire autenticamente as indulgências, ou seja, é raríssimo.
[Lutero não diz que as indulgências não sejam possíveis, mas que são quase. Uma vez mais não é polêmico e sim pacífico.]

32. Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência.
[Demonstração de que não aceita de forma alguma as indulgências e ainda condena que as espalha, atrapalhando as consciências.]

33. Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem serem as indulgências do papa aquela inestimável dádiva de Deus através da qual a pessoa é reconciliada com Deus.
34. Pois aquelas graças das indulgências se referem somente às penas de satisfação sacramental, determinadas por seres humanos.

35. Não pregam cristãmente os que ensinam não ser necessária a contrição àqueles que querem resgatar ou adquirir breves confessionais.
[As confessionalia, “breves confessionais”, eram parte importante das graças relacionadas com a proclamação das indulgências jubilares. Quem comprasse tal privilégio adquiria o direito de escolher um confessor, ao qual haviam sido concedidas autorizações ( faculdades) especiais para a absolvição. Além disso, adquiria uma indulgência plenária para ser usada uma vez na vida e para a hora da morte. Os confessores indicados, quando da venda de uma tal bula extraordinária, tinham a autoridade de conceder dispensa também nos casos reservados ao papa e de transformar promessas especialmente severas em outras de menor peso. Além disso, podiam autorizar a retenção de bens ilegitimamente adquiridos, de matrimônios entre pessoas inabilitadas devido a certos graus de parentesco, etc. - As breves confessionais davam à pessoa a segurança de que na hora da morte poderiam se livrar do castigo eterno ou do purgatório. Ainda poderiam escolher a quem melhor lhes parecia para confessar.]

36. Qualquer cristão verdadeiramente arrependido tem direito à remissão pela de pena e culpa, mesmo sem carta de indulgência.
[Qualquer cristão pode ser salvo, não apenas os que compram indulgências.]

37. Qualquer cristão verdadeiro, seja vivo, seja morto, tem participação em todos os bens de Cristo e da Igreja, por dádiva de Deus, mesmo sem carta de indulgência.
[A graça é dada por Deus mediante Cristo.]

38. Mesmo assim, a remissão e participação do papa de forma alguma devem ser desprezadas, porque (como disse) constituem declaração do perdão divino.
[O papa não deve ser ignorado, mas somente porque declara o que Deus já deu.]

39. Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo exaltar perante o povo ao mesmo tempo, a liberdade das indulgências e a verdadeira contrição.
[A indulgência dificulta a interpretação de pecado. As consciências podem sentir-se tranquilas apesar de quaisquer pecados. Não há contrição. Há suborno.]

40. A verdadeira contrição procura e ama as penas, ao passo que a abundância das indulgências as afrouxa e faz odiá-las, pelo menos dando ocasião para tanto.
[Os que procuram indulgências estão tentando escapar da culpa através de meios não lícitos. Está implícito o pensamento de que se pode pagar pelos pecados cometidos.]

41. Deve-se pregar com muita cautela sobre as indulgências apostólicas, para que o povo não as julgue erroneamente como preferíveis às demais boas obras do amor.
[Lutero contrapõe as boas obras às indulgências. São preferíveis as obras. Lutero ainda está no pensamento romano de que as obras são necessárias para a salvação.]

42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de misericórdia.
[Lutero afirma que o papa não corrobora com as indulgências. Lutero pensa ter o apoio papal ao discutir estas questões. Na época julga poder usar a opinião papal contra seus adversários. Somente alguns anos mais tarde é que verá que estava enganado.]

43. Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências.
[Uma vez mais Lutero afirma que é melhor fazer  boas obras do que comprar indulgências.]

44. Ocorre que através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna melhor, ao passo que com as indulgências ela não se torna melhor, mas apenas mais livre da pena.
[As indulgências são fuga da pena.]

45. Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de Deus.
[Comprar indulgências traz a ira de Deus, pois é preferível usar o dinheiro para ajudar ao necessitado. Lutero afirma claramente que (segundo o pensamento romano) para livrar-se do purgatório e inferno é necessário que se faça obras, ao invés de tentar fugir do castigo buscando as indulgências.]

46. Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgência.
[Lutero entende que Deus dá bens às pessoas para que elas possam viver e cuidar dos seus. Não se deveria gastar com indulgências se vai faltar em casa. Isso vai contra o princípio de se comprar a indulgência para livrar-se do castigo eterno.]

47. Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é livre e não constitui obrigação.
[Lutero aceita as indulgências (devemos lembrar que Lutero aceita a autoridade do papa), mas afirma que não devem ser forçadas e sim oferecidas.]

48. Deve-se ensinar aos cristãos que, ao conceder indulgências, o papa, assim como mais necessita, da mesma forma mais deseja uma oração devota a seu favor do que o dinheiro que se está pronto a pagar.

49. Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não depositam sua confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o temor de Deus por causa delas.
[Lutero é confuso neste argumento. Não define como as indulgências poderiam ser úteis. Mas ele está seguro de que as indulgências representam a tentativa de fuga da ira de Deus.]

50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto — como é seu dever — a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extraem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro.
[50-51: Nas duas teses acima, mais uma vez Lutero defende o papa. Sugere que este não sabe do que se passa na venda das indulgências. E que se soubesse não permitiria.]

52. Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgências, mesmo que o comissário ou até mesmo o próprio papa desse sua alma como garantia pelas mesmas.

53. São inimigos de Cristo e do papa aqueles que, por causa da pregação de indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas. O comissário era uma pessoa comissionada pela Igreja com a venda de indulgências.
(Durante o período de sua permanência em uma localidade, o comissário era senhor absoluto sobre a igreja e sobre os sacerdotes. Determinava quando e onde poderia ser pregado. Podia, além disso, suspender as indulgências especiais, proibir a confissão, sob pena de excomunhão, designar confessores de indulgências.)
54. Ofende-se a palavra de Deus quando, em um mesmo sermão, se dedica tanto ou mais tempo às indulgências do que a ela.
55. A atitude do papa é necessariamente esta: se as indulgências (que são o menos importante) são celebradas com um toque de sino, uma procissão e uma cerimônia, o Evangelho (que é o mais importante) deve ser anunciado com uma centena de sinos, procissões e cerimônias.
[53-55: Nas teses acima Lutero defende o valor da Palavra de Deus ante as indulgências. Estava se dando muito mais valor às indulgências do que à Palavra de Deus. Já não era a graça de Deus que salvava e livrava do castigo eterno, mas simplesmente a indulgência papal.]

56. Os tesouros da Igreja, dos quais o papa concede as indulgências, não são suficientemente mencionados nem conhecidos entre o povo de Cristo.
(O tesouro da Igreja é formado pelas obras excedentes de Cristo e dos santos. Estas obras excedentes estão confiadas à administração papal como thesaurus bonorum operum. Cabe ao papa distribuí-las a quem delas necessita. Lutero nega essa concepção na tese 58.)

57. É evidente que eles, certamente, não são de natureza temporal, visto que muitos pregadores não os distribuem tão facilmente, mas apenas os ajuntam.

58. Eles tampouco são os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre operam, sem o papa, a graça do ser humano interior e a cruz, a morte e o inferno do ser humano exterior.
[Lutero ainda acredita (como a igreja romana) que os santos tenham méritos e que os possam compartilhar.]

59. S. Lourenço disse que os pobres da Igreja são os tesouros da mesma, empregando, no entanto, a palavra como era usada em sua época.
60. É sem temeridade que dizemos que as chaves da Igreja, que lhe foram proporcionadas pelo mérito de Cristo, constituem este tesouro.
61. Pois está claro que, para a remissão das penas e dos casos, o poder do papa por si só é suficiente.

62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.
[Aqui se sente que Lutero valoriza o Evangelho acima de todas as coisas que a Igreja possa oferecer.]

63. Este tesouro, entretanto, é o mais odiado, e com razão, porque faz com que os primeiros sejam os últimos.

64. Em contrapartida, o tesouro das indulgências é o mais benquisto, e com razão, pois faz dos últimos os primeiros.
[As indulgências servem como fuga da ira divina.]

65. Por esta razão, os tesouros do Evangelho são as redes com que outrora se pescavam homens possuidores de riquezas.
66. Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que hoje se pesca a riqueza dos homens.
67. As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como as maiores graças realmente podem ser entendidas como tal, na medida em que dão boa renda.
[65-67: Nas teses acima Lutero afirma que as indulgências servem apenas para arrancar dinheiro das pessoas.]

68. Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfimas em comparação com a graça de Deus e a piedade na cruz.
[Indulgências não são nada quando comparadas à graça de Deus em Cristo.]

69. Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda a reverência os comissários de indulgências apostólicas.
[Lutero enfatiza a hierarquia à essa época. Talvez por isso ele tenha escrito a tese seguinte.]

70. Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios sonhos em lugar do que lhes foi incumbido pelo papa.
[Lutero volta a defender o papa. Admitindo que os comissários é que estariam desvirtuando aquilo que o papa lhes tinha ordenado.]

71. Seja excomungado e maldito quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas.
72. Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a devassidão e licenciosidade das palavras de um pregador de indulgências.
73. Assim como o papa, com razão, fulmina aqueles que, de qualquer forma, procuram defraudar o comércio de indulgências,
74. muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências, procuram defraudar a santa caridade e verdade.
75. A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes ao ponto de poderem absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura.

76. Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados veniais no que se refere à sua culpa.
(A teologia católica distingue entre pecados veniais e pecados mortais. Os primeiros não são pecados no sentido lato do termo. Os segundos referem-se aos sete pecados capitais. Estes, enquanto não forem perdoados, têm como consequência a morte eterna, devendo, por isso, ser confessados.)
[Lutero aponta para a inutilidade das indulgências.]

77. A afirmação de que nem mesmo S. Pedro, caso fosse o papa atualmente, poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o papa.
78. Afirmamos, ao contrário, que também este, assim como qualquer papa, tem graças maiores, quais sejam, o Evangelho, os poderes, os dons de curar, etc., como está escrito em 1Co 12.

79. É blasfêmia dizer que a cruz com as armas do papa, insignemente erguida, equivale à cruz de Cristo.
[Nada é maior do que a cruz de Cristo, nem mesmo a cruz do papa.]

80. Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos que permitem que semelhantes conversas sejam difundidas entre o povo.
[Lutero lembra da responsabilidade de cada bispo frente ao seu rebanho.]

81. Essa licenciosa pregação de indulgências faz com que não seja fácil, nem para os homens doutos, defender a dignidade do papa contra calúnias ou perguntas, sem dúvida argutas, dos leigos.
82. Por exemplo: por que o papa não evacua o purgatório por causa do santíssimo amor e da extrema necessidade das almas — o que seria a mais justa de todas as causas —, se redime um número infinito de almas por causa do funestíssimo dinheiro para a construção da basílica — que é uma causa tão insignificante?
83. Do mesmo modo: por que se mantêm as exéquias e os aniversários dos falecidos e por que ele não restitui ou permite que se recebam de volta as doações efetuadas em favor deles, visto que já não é justo orar pelos redimidos?
84. Do mesmo modo: que nova piedade de Deus e do papa é essa: por causa do dinheiro, permitem ao ímpio e inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de Deus, porém não a redimem por causa da necessidade da mesma alma piedosa e dileta, por amor gratuito?
85. Do mesmo modo: por que os cânones penitenciais — de fato e por desuso já há muito revogados e mortos — ainda assim são redimidos com dinheiro, pela concessão de indulgências, como se ainda estivessem em pleno vigor?
86. Do mesmo modo: por que o papa, cuja fortuna hoje é maior do que a dos mais ricos Crassos, não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta uma basílica de São Pedro, ao invés de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?
87. Do mesmo modo: o que é que o papa perdoa e concede àqueles que, pela contrição perfeita, têm direito à remissão e participação plenária?
88. Do mesmo modo: que benefício maior se poderia proporcionar à Igreja do que se o papa, assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse essas remissões e participações 100 vezes ao dia a qualquer dos fiéis?
89. Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do o dinheiro, por que suspende as cartas e indulgências outrora já concedidas, se são igualmente eficazes?
[81-89: Nas teses que acima Lutero usa de sarcasmo para contra argumentar às indulgências. Ele é muito perspicaz e não parece temer o papa. Segundo ele pensava não havia o que temer, pois o papa estaria do seu lado. Lutero põe nas teses as perguntas que provavelmente estariam circulando entre as pessoas de sua época. Como na tese 82: se o papa pode tirar as pessoas do purgatório por dinheiro, por que não faz isso por bondade? Com perguntas assim ele mostra que é totalmente contra tais indulgências.]

90. Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela força, sem refutá-los apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.
[Lutero chama a atenção ao fato de que as pessoas merecem ao menos uma explicação dos abusos que estão acontecendo. Eles não deveriam ser tratados à força.]

91. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido.
92. Fora, pois, com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo: "Paz, paz!" sem que haja paz!
93. Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: "Cruz! Cruz!" sem que haja cruz!

94. Devem-se exortar os cristãos a que se esforcem por seguir a Cristo, seu cabeça, através das penas, da morte e do inferno;
[Os cristãos deveriam confiar que pelas penas estariam nos céus (se percebe a teologia romana) e não por comprarem as indulgências. Estas, ao contrário, geram uma esperança falsa e levam que leva ao inferno.]

95. e, assim, a que confiem que entrarão no céu antes através de muitas tribulações do que pela segurança da paz.

[O caminho do céu passa pelas tribulações da terra. O cristão sofre aqui, antes de estar na perfeição com Deus. Isto é claro para Lutero.]

História de Lutero - 3 - Sacerdote, professor e pregador

Lutero se torna sacerdote, professor e pregador

Na primavera de 1507, Lutero, com 23 anos de idade, tornou-se sacerdote. Era tão bem visto por seus superiores que o enviaram como professor para a Universidade de Erfurt e depois para a nova Universidade de Wittenberg. Dentro em pouco tornou-se famoso mestre da Bíblia. Os estudantes não perdiam suas aulas de religião.
Contudo teve de interromper suas preleções porque o seu superior, Dr. Staupitz, lhe pediu que fosse a Roma, onde vivia o papa. Lutero ficou muito contente. Partiu com um companheiro, viajando a pé. Foi uma longa e perigosa viagem. Quando finalmente avistaram Roma, Lutero se ajoelhou e exclamou:
Salve, santa cidade de Roma!
Ficou, porém, muito desapontado quando viu que o povo de Roma levava uma vida pecaminosa, incluindo também os padres.
Depois de cinco meses Lutero estava de volta, continuando a lecionar na Universidade de Wittenberg. Em 1512 recebeu o titulo de Doutor em Teologia, passando também a pregar na bonita catedral de Wittenberg. O povo nunca havia ouvido pregações tão belas e eloquentes. Era cada vez maior o número de pessoas que iam à igreja ouvir Lutero falar. Lutero advertia seus ouvintes a não procurarem se salvar pelas obras, mas somente pela fé em Jesus.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

História de Lutero - 2 - Lutero no Convento

Lutero no Convento

Certa ocasião um grande amigo de Lutero morreu subitamente. Lutero ficou tão abalado que disse a si mesmo:
Que será de mim na eternidade, quando eu morrer?
Noutra ocasião, ao voltar para Erfurt, de uma visita à casa paterna, foi colhido no caminho por uma tempestade. Atemorizado, fez uma promessa a Santa Ana, de que se saísse dali vivo, se tornaria um monge, e foi o que aconteceu. Retornando à Universidade, vendeu seus livros, despediu-se dos amigos e, não dando ouvidos a seus pedidos insistentes, entrou para o convento Agostiniano de Erfurt.
Então dizia:
Agora poderei viver de maneira mais agradável a Deus.
Seu quarto era uma cela pequena de dois ou três metros, em que havia uma mesa, uma cadeira, um colchão de palha e uma janela. Lutero continuou a estudar a Bíblia. Vestindo uma batina preta, cumpria todas as penitências religiosas que lhe eram impostas. Andava também pelas ruas da cidade com um saco às costas, como era costume na época, mendigando pão, manteiga, ovos e tudo que era necessário para o sustento do convento. Além disso tinha que cuidar da limpeza da capela e dos quartos, e bater o sino. No quarto, estudava religião e filosofia e orava aos santos, querendo merecer o céu por meio de suas boas obras. Mais do que nunca buscava a paz de espírito, mas não a podia encontrar. Pensava sempre:
Sou pecador, e Deus está zangado comigo.
Um dia descobriu uma coisa maravilhosa na Bíblia: Que a salvação é dom gratuito de Deus por intermédio de seu Filho Jesus Cristo, nosso Salvador.

História de Lutero - 1 - Do nascimento à Universidade

Nesta semana que se comemora os 500 anos da Reforma Luterana, veja algumas informações históricas sobre o Reformador que reconduziu a Igreja à verdade bíblica de que a "salvação é somente pela fé em Cristo Jesus".

Nascimento

Martinho Lutero nasceu na cidade de Eisleben, na Alemanha, no dia 10 de novembro de 1483. E foi batizado no dia seguinte, que era o Dia de São Martinho, por isso recebeu seu nome em homenagem ao santo do dia. Seu pai era camponês e, mais tarde tornou-se mineiro. Trabalhava da manhã à noite nas sombrias minas de carvão. Chamava-se João Lutero. Sua mãe chamava-se Margarida Lutero. Os pais de Martinho oravam com todo fervor aos santos, ensinando a seus filhos a fazer o mesmo. Amavam muito a seus filhos, mas eram também muito severos quando estes lhes desobedeciam.

Lutero na Escola

Com a idade de 5 anos, Martinho começou a frequentar a escola na cidade de Mansfeld, para onde seus pais se haviam mudado. Nessa escola Lutero aprendeu os Dez Mandamentos, o Credo, o Pai Nosso, música sacra e também um pouco de Latim e Aritmética. Entretanto muito pouco aprendeu do amor de Deus. Ensinavam-lhe que Jesus era um Juiz severo e não um Amigo dos pecadores. E, assim, em vez de ele amar a Jesus, tinha-lhe medo. Martinho aprendeu depressa, pois era um bom aluno, muito aplicado e inteligente. Aos 14 anos matriculou-se na Escola Superior de Latim, em Magdeburgo, distante uns 90 quilômetros de onde morava. Foi aí que Lutero encontrou pela primeira vez uma Bíblia. No ano seguinte seu pai o transferiu para uma escola em Eisenach. Para se sustentar, Lutero e seus colegas tinham de cantar pelas ruas, angariando dessa forma o suficiente para viver. Numa dessas ocasiões, cantando em frente à casa de uma senhora de nome Úrsula Cotta, esta se interessou por ele e o recebeu em sua casa, dando-lhe desde então casa e comida de graça. Lutero aceitou com alegria e gratidão a oferta. Agora tinha mais tempo para se dedicar aos estudos. A família Cotta era muito culta e apreciava as artes, principalmente a música. Foi assim que Lutero passou a se dedicar à música. Mais tarde fez uso desse dom, compondo muitos hinos, que hoje são cantados na Igreja Luterana em todo o mundo. O principal desses hinos é Castelo Forte.

Lutero na Universidade

Afinal Lutero ingressou na Universidade. Nessa época seu pai já prosperara o suficiente para poder custear seus estudos universitários. Reconhecendo os dons de seu filho, desejava que se formasse advogado. Foi por isso que o mandou para a Universidade, em Erfurt. Lutero continuou a estudar com afinco, e principalmente era diligente nas orações a Deus. Aos 21 anos recebeu o título de Bacharel em Artes, estando habilitado a lecionar. Para agradar a seu pai, Lutero continuou a estudar Direito, mas logo perdeu o interesse pela matéria. Cada vez mais se dedicava ao estudo de religião, sentindo o peso dos seus pecados. Mas, por mais que quisesse agradar a Deus com a sua vida, não pôde achar a desejada paz de espírito.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Dicas Úteis - informática 001

Contatos no Celular


A primeira útil (muito pra mim) é:
- Faça o seu celular armazenar os contatos, app, e tudo mais na conta do gmail.
- Não sei como é iPhone, pq nunca gostei do “bixo”, sempre preferi com sistema android. Mas se tem conta gmail, tem conta google.
- Se vc sincroniza os contatos, toda vez que trocar de celular, basta colocar a conta do gmail que volta tudo para a memória do celular.
- Voltam também as senhas de wifi, os aplicativos, etc...

Essa foi a de hoje.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Culto Luterano - Absolvição

3. A Absolvição
Novamente encontramos uma variedade de nomes para a Absolvição. Ela é chamada de Confissão, Santa Absolvição, Poder das Chaves, as Chaves, Sacramento da Penitência.[1] Ao usar qualquer dessas designações, as Confissões Luteranas ou Livros Simbólicos, referem-se à confissão e absolvição privada, e não a um grupo de pessoas muitas vezes não identificáveis como no culto público.[2]
Nessa situação privativa, a efetiva confissão dos pecados perde a sua força legalista e a importância que ela tinha no período da pré-Reforma. A confissão pode ser breve, sem necessidade de distinguir pecados veniais e mortais. O penitente deveria confessar aqueles pecados que de forma especial oprimiam a sua consciência. Teologicamente, as Confissões Luteranas, ao enaltecerem os benefícios e a importância da confissão privada, focalizam especialmente a absolvição pronunciada pelo ministro: “eu perdôo os teus pecados...”.[3]
Assim como no Batismo e na Santa Ceia, este é o perdão dos pecados aplicado ao indivíduo, o qual é apropriado pela fé deste indivíduo no perdão dos pecados em Jesus Cristo. Esta é a forma de absolvição que dá especial conforto e consolação às consciências atribuladas pelo pecado. A certeza e o poder desta absolvição direta está baseada no poder das chaves (Mt 16.19; 18.18 e Jo 20.22-23), o poder que Deus exerce por meio de seus ministros da Palavra chamados, ou seja, pelo ministério público.
Várias influências, práticas e teológicas, gradativamente levaram a Confissão e Absolvição privada ao declínio. Derivada de práticas da pré-Reforma (o Confiteor do rito romano e as formas cúlticas de orações confessionais públicas [Offene Schuld] na Alemanha), confissões grupais no culto público tornaram-se comuns. Nestas situações, as formas de “absolvição” eram expressas por meio de orações de perdão, afirmações declaratórias (“eu vos declaro o perdão de todos os vossos pecados, etc.”), e por meio de declarações simples da graça, utilizando passagens genéricas da Escritura que falam do amor salvador de Deus em Cristo pela humanidade em pecado.
As formas de Confissão e Absolvição que se encontram nas Ordens I e II do Hinário Luterano, são adaptações de formas que apareceram em várias ordens do século XVI. Enquanto uma tem suas raízes na Confissão Privada e em situações confessionais envolvendo grupos menores e, portanto, mais direta e individualizada, a outra forma tem a intenção de ser mais geral ou uma Confissão de grupo preparatória para o culto público. Neste caso, seguida por uma declaração simples da graça na qual o pastor se inclui. Não é uma situação de pastor versus penitente, como em situações de confissão privada ou de pequenos grupos. Fica a critério do pastor a decisão pela conveniência de usar uma ou outra.[4]



[1] Livro de Concórdia, Ap XII, p.197.39, 41; XIII p.223.4.
[2] Id. Ibid., Ap XII, p.208.99-103; Ap XXIV, p.266.1.
[3] Id. Ibid., AE III-VIII, p.335.1 e 2.
[4] Nelson KIRST alerta para o fato de que “Lutero não incluiu um ato penitencial nas duas grandes liturgias que elaborou (1523 e 1526). Algumas tradições protestantes “democratizaram” a antiga oração preparatória dos oficiantes. Essa oração preparatória “democratizada” passou a ser entendida como confissão de pecados e, como tal, entrou no culto regular de muitas tradições depois da Reforma.” Op. cit., p.125.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Culto Luterano - Santa Ceia

2. A Santa Ceia
As Confissões chamam o Sacramento do Altar por uma variedade de nomes. Ela é conhecida como a Ceia, Ceia do Senhor, Santa Ceia, o Sacramento, o mui venerável Sacramento, o Santo Sacramento, o Sacramento do Altar, a Missa. Com menor frequência é também chamada de Comunhão, o Corpo do Senhor, Eucaristia,[1] Liturgia, Synaxis e Agape.[2] Surpreendentemente, a construção “Santa Comunhão”, o termo mais corrente e preferido nos EUA, nunca ocorre nesta forma nas Confissões. Quer parecer que tenha sido importado para dentro da Igreja da Confissão Augsburgo a partir da Igreja da Inglaterra. É com boa razão que o Lutheran Worship preferiu o nome Culto Divino (Gottestdienst) para o culto principal da igreja.
Os elementos terrenos no Sacramento do Altar são pão e vinho.[3] As Confissões não especificam o tipo de pão ou vinho. Historicamente, todavia, os Luteranos desejaram depreciar a simbólica associação do pão e o vinho, a qual poderia dar a impressão que o corpo e sangue de Cristo estavam sendo meramente simbolizados com pão e vinho. Por esta razão se manteve a hóstia e se deu preferência ao vinho branco ou âmbar, ao invés do vinho sacramental vermelho na Igreja Luterana.
Espera-se que os comungantes recebam ambos, pão e vinho. Esses elementos visíveis do pão e vinho não devem ser adorados no Santo Sacramento.[4]
À base de nossa doutrina, com respeito ao Sacramento do Altar, são as Palavras da Instituição. Essas palavras são a Palavra de Deus no Santo Sacramento. É quando esta Palavra de Deus vem aos elementos que ele se torna um sacramento. Nossas confissões citam com aprovação essa máxima teológica de Santo Agostinho.[5] As Palavras da Instituição devem ser entendidas em seu sentido pleno e não de forma simbólica ou sentido metafórico.[6]
Para ser uma celebração válida do Sacramento do Altar, as Palavras da Instituição devem ser usadas para consagrar os elementos. Essas palavras de Cristo são eficazes mesmo em face de uma descrença ou imoralidade tanto por parte do celebrante como do comungante. O corpo e o sangue estão verdadeiramente presentes no Sacramento do Altar, e os comungantes recebem o corpo e o sangue do Senhor oralmente, não meramente de forma espiritual. Alguns recebem o Sacramento para salvação, fielmente crendo na palavra e promessa de Cristo. Outros, recebem o corpo e o sangue para seu próprio juízo, não discernindo ou reconhecendo o corpo e o sangue do Senhor, já que não têm fé.[7]
Se Cristo está presente no Sacramento, qual tipo de presença é essa? Esse problema foi uma preocupação para os teólogos na Idade Média. As Confissões definem, de forma mais ampla, o modo da presença do Senhor em termos negativos. As Confissões negam a teoria da transubstanciação. Elas negam a mudança de essência, tanto dos elementos terrenos ou celestes. Elas condenam um confinamento local para o corpo e o sangue de Cristo nos elementos terrenos. Elas condenam qualquer tipo de interpretação que sugira uma “ausência real” do corpo e o sangue de Cristo.[8]
Afirmamos a Presença Real. A pergunta, então, passa a ser como essa presença é possível? Aqui mantemos o nosso intelecto cativo em obediência a Cristo, assim como o fazemos em outros artigos de fé, aceitando esse mistério unicamente pela fé, assim como está revelado na Palavra.
Quando essa Presença Real ou união sacramental acontece? Os Livros Simbólicos não discutem o momento quando essa união sacramental inicia ou termina, com exceção da afirmação que se encontra na Fórmula de Concórdia, artigo VII, de que ela não acontece à parte do uso do Sacramento, conforme divinamente instituído. Ou seja, a consagração, a distribuição e a recepção oral. O fato simples é que, no Sacramento do Altar, o pão e o vinho são o corpo e o sangue de Cristo.
O propósito do Sacramento é conferir o perdão dos pecados no sentido mais pleno do termo. Mas o efeito do Sacramento é descrito de muitas outras maneiras: nossa fé é fortalecida em nós; lembramos os benefícios de Cristo e os recebemos por fé, de modo que somos renovados por meio deles; recebemos a garantia de que somos incorporados em Cristo, unidos a Ele e lavados pelo Seu sangue. O Sacramento do Altar é um remédio contra o pecado, a carne, o diabo, o mundo, a morte, o perigo e o inferno, e uma aplicação da graça, da vida, do paraíso, do céu, de Cristo, de Deus, e de todo o bem; um salva-guarda contra a morte e todos os males, um alimento para a alma, um nutrimento e um fortalecimento do novo homem, um pasto e um sustento diário, uma renovação da nossa fé nas lutas da vida, e um precioso antídoto contra o veneno da fraqueza.[9]
Uma das controvérsias cruciais da Reforma girou em torno do sacrifício. As Confissões afirmam que a Ceia do Senhor não é um sacrifício expiatório a ser aplicado em favor dos vivos e dos mortos. Entretanto, as Confissões também afirmam de que a Ceia do Senhor é um sacrifício de louvor e gratidão. No artigo XXIV da Apologia, Melanchthon claramente propõe o termo “sacrifício”. A cerimônia sacramental, como se afirma, é um sacrifício de louvor e ação de graças a Deus por todos os seus benefícios: “assim como entre os sacrifícios de louvor, isto é, entre os louvores de Deus, incluímos a pregação da palavra, assim pode ser louvor ou ação de graças o próprio recebimento da Ceia do Senhor.”[10]
O Sacramento é para ser celebrado na Igreja com grande reverência e obediência, até o fim do mundo. Os Confessores estavam convencidos de que eles celebravam a missa com maior dignidade e devoção, do que fizeram seus oponentes.
As Confissões enfatizam os aspectos corporativos da celebração sacramental. Sacerdotes, por exemplo, foram advertidos contra a celebração exclusiva de missas privadas, com a finalidade de celebrarem a sua própria Comunhão. O ideal, de acordo com os Livros Simbólicos, é a missa comum ou pública, na presença de toda a congregação no culto principal, pelo menos todos os Domingos e Dias Santos.[11] Com a restauração do Sacramento do Altar ao seu lugar histórico na vida da igreja, celebrações diárias privativas da Santa Ceia, realizadas à parte do culto corporativo, sem a presença do povo, ficam difíceis de ser sustentadas. Considerando que a celebração dominical tornou-se a norma, as Confissões indicam que o mesmo deve ser celebrado tão frequentemente quanto os comungantes o desejarem. A partir desta concepção, as Confissões contemplam a possibilidade de celebrá-lo diariamente.[12]
Entretanto, nenhuma regra pode ser estabelecida quanto à frequência da participação. Não há exceção quanto a esse princípio. As Confissões levemente tocam na questão da pessoa que permanece longe do Sacramento por um ano ou mais. Para assegurar que isto não aconteça, os ministros devem exortar os leigos à Comunhão frequente.[13] E, contrariamente à prática contemporânea, o celebrante pode receber o Sacramento de suas próprias mãos durante o culto.[14]



[1] Segundo WHITE, o termo eucaristia tem sido usado desde o final do século 1., op. cit., p.175.
[2] Livro de Concórdia, Ap XXIV, p.282.78 - p.284.88; CM IV, p.490.39.
[3] Id. Ibid., Ap X, p.188.1; Cm VI, p.378.1 e 2; FC DS VII, p.611.9.
[4] Id. Ibid., FC Epítome, p.523.40; FC DS VII, p.633.126.
[5] Conferir acima a nota de no 37.
[6] Livro de Concórdia., FC Epítome VII, p.519.7; FC DS VII, p.617.38 e 39.
[7] Id. Ibid., CM IV, p.493.61 e 69; FC Epítome VII, p.521.18; FC DS VII, p.621.60 e p. 623.68.
[8] Id. Ibid., AE III - VI, p.334.5; FC DS VII, p. 612.14, p.616.35.
[9] Id. Ibid., Ap XXIV, p.285.90; CM IV, p.488.23 e 24, p.493.68; FC DS VIII, p.650.76.
[10] Id. Ibid., Ap XXIV, p.273.33.
[11] Id. Ibid., Ap XXIV, p.266.6; AE II.II, p.314.8.
[12] James F. WHITE observa que: “a tentativa da maioria dos reformadores de restaurar a comunhão freqüente para os leigos teria sido um ganho formidável para os leigos, não fosse essa uma mudança demasiadamente radical em relação à prática medieval tardia de recepção pouco freqüente do sacramento...Porém alcançaram ganhos claros no culto sacramental por meio de ritos vernaculares simplificados, maior participação da congregação, canto comunitário, leigos bem catequizados e uma nova ênfase na pregação da palavra.” Op. cit., p.144.
[13] Id. Ibid., Cm Prefácio,p.365.21 e 22.
[14] Segundo Luther D. REED, Lutero não só aprovava a auto-comunhão, como repetidamente a defendeu (deinde communicet tum sese, tum populum) [Formula Missae]. E, por quase duas gerações este ato litúrgico era comum nos cultos luteranos. Mais tarde, com o declínio da percepção e do conhecimento litúrgico, o biblicismo dogmático e o subjetivismo pietista provocaram seu abandono. Contudo, os dogmáticos, permitem seu uso quando não há um outro ministro presente na celebração. E os Artigos de Esmalcalde [parte II, artigo 2] proíbem a auto-comunhão apenas quando envolve a recepção à parte da congregação. Ainda, segundo Reed, Chemnitz afirma que assim como o ministro se inclui na Confissão e Absolvição, ele também pode se incluir na Comunhão. O ministro não deveria ser exigido a participar de todas as celebrações, nem deveria ser impedido de comungar sempre que desejasse. (The Lutheran Liturgy, p.372).

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Culto Luterano - o batismo

1. O Batismo
O Batismo é a combinação do uso de água e a ordem e promessa batismal. A ordem e a promessa batismal é a Palavra de Deus. É por virtude desta divina Palavra que a água do Batismo é apropriadamente descrita como uma água celeste, água divina, água santa, água abençoada, água fértil, água graciosa, e um lavar regenerador.[1] Quanto ao modo de batizar, as Confissões não estão tão preocupadas em defender imersão ou aspersão, mas sim a ordem divina.[2]
O Batismo não é um mero sinal vazio. O Batismo de fato salva (1Pe 3.20-21). É devido à promessa que o Batismo transmite (comunica) poder. O Catecismo Maior afirma: “devemos ser batizados sob pena de não sermos salvos”[3]. Além disso, o Batismo é descrito como perdão dos pecados, oferecimento da graça de Deus, novo nascimento, oferecimento da vida e recepção na Igreja, sendo vitorioso sobre a morte, e como aquele que nos livra das garras da morte.[4]
Porque o Batismo opera o perdão dos pecados, ele remove a culpa do pecado original, mas não o pecado original em si. Continuamos ainda infectados com o desejo de pecar. A concupiscência permanece. O velho Adão é ainda uma realidade na vida do cristão.[5]
Apesar da retenção da concupiscência, o efeito do Batismo é para a vida toda. Portanto, a repetição do Santo Batismo não é necessária e nem correta. A repetição de um Batismo “válido” poderia significar blasfemar e profanar o sacramento em alto grau.[6]
As crianças devem ser batizadas. Não podemos tolerar na igreja a crença de que crianças, não batizadas, não são ainda pecadoras diante de Deus, mas sim, justas e inocentes. É incorreto crer que todos aqueles que ainda não atingiram a idade da razão são salvos sem o Batismo.[7]



[1] Id. Ibid., CM IV, p.476.14 e 17; Cm IV-III, p.376.10.
[2] Id. Ibid., CM IV, p.476.15; p.479.36; p.483.65 e p.484.68.
[3] Id. Ibid., CM IV. p.475.6.
[4] Id. Ibid., CM IV, p.484.75; Cm IV-II, p.375.6; CM IV, p.479.41, p.485.83.
[5] Id. Ibid., Ap II, p.106.35; FC DS II, p.573.69; Cm IV-IV, p.376.12; CM IV, p.483.65.
[6] Id. Ibid., CM IV, p.485.77-78.
[7] Id. Ibid., Ap IX, p.187.1ss; AE V, p.333.4; FC Epítome, p.536.6.