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Brasil da Ansiedade e do Rivotril

      Você já deve ter se deparado diversas vezes com a expressão de que o povo brasileiro é um povo alegre, cheio de felicidade e alegria n...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 013

A proclamação do evangelho não é para a moralização, mas então para que? Não para a moralização, mas para justificação.

Pelos meios da proclamação, a pregação luterana justifica! O ato da justificação é historicamente fundamentado na cruz e ressurreição de Cristo, proposicionalmente articulado no texto inspirado, e relacionamento conectado aos fiéis pelo santo Batismo e a Santa Ceia. Este mesmo ato da justificação é dado ao ouvinte na proclamação do evangelho. Isto acontece na proclamação. A perspectiva do justificado é reforçada e sustentada na proclamação. Isto é o que o sermão faz, quando coloca o povo de Deus sob a palavra de Deus. É muito importante e necessário para o bem estar espiritual dos fiéis, e este era o papel que Dr. M. Lutero empreendia quando entrava no púlpito para pregar.

39. Segundo, Lutero usou a proclamação para levar o povo para dentro da igreja histórica. Isto é claramente uma função de perspectiva. Para Martinho Lutero não era suficiente para o povo ouvir a Palavra de Deus. Eles deveriam ver que isto não era um novo fenômeno; isto não era uma saída radical da igreja histórica. Antes, o povo deveria ver, deveria perceber, que eles estavam ouvindo o que era a única verdade, a única fé ortodoxa e histórica, a única fé, santa, católica, e apostólica. Em resumo, eles necessitam perceber a si mesmos como membros deste corpo histórica de Cristo, como participantes da corrente humana que Deus ajuntou a partir da cruz, através dos séculos, neste tardio momento da história. Assim, o povo seria preparado melhor para lidar com teólogos e mensagens rivais, e poderiam empregar não somente as palavras e conselhos de Lutero, mas também dos pais da igreja.

40. Hoje, nosso povo necessita desesperadamente dessa visão da igreja, para compreenderem nosso lugar na história. Eles são o povo contemporâneo, sem pátria e sem cultura, pois sua pátria e suas culturas evidenciam o eterno – ampliando o abismo entre raízes familiares e sociais de um lado e a família e cidade de Deus do outro lado. O fenômeno desta proclamação muda esta perspectiva, para serem pertencentes à igreja histórica.

41.Peter Berger e Thomas Luckmann, em seu livro The Social Construction of Reality, tem apresentado uma análise sociológica sobre o que acontece com o povo numa cultura, na verdade como uma cultura é comunicada a uma geração nova.[1] Existem fortes paralelos entre os objetivos culturais do seu trabalho e o fenômeno da igreja histórica como cultura. Berger e Luckmann argumentam que tal cultura é mantida e transmitida em três níveis da experiência. Primeiro, há o campo da linguagem comum, e como o povo é trazido para dentro desta cultura, eles começam a absorvê-lo ao ponto em que são absorvidos no campo da linguagem (ambos, linguagem pensada e falada). Segundo, há o campo das afirmações da realidade, no qual as verdades pelo qual a cultura vive e é continuamente afirmada e declarada. Terceiro, há o campo do conhecimento especializado, no qual o contato com aqueles que são especialistas em conhecimentos podem explicar as razões para as afirmações da realidade, e isto reforça e intensifica a experiência cultural.


[1] Peter L. Berger e Thomas Luckmann, The Social Construction of Reality: A rediscovered the Gospel but also the Law of God, in Chemnitz on Law and Gospel. Concordia Journal 15 de outubro de 1989, p. 413.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 012

O papel da proclamação luterana

35. Ulrich Asendorf identifica um papel triplo de Lutero como pregador, que serve como estrutura para o trabalho na proclamação: a) levar o evangelho bíblico ao povo; b) trazer o povo para dentro da igreja histórica; e c) confrontar os erros que machucam o povo de Deus.[1] Vamos considerar os três aspectos.

36. a) O propósito da proclamação da Palavra de Deus a cada luterano é proclamar Cristo e seu sacrifício aos ouvintes, o que é levar o Espírito Santo aos seus corações para julgar, confortar e alegrá-los, bem como defendê-los contra os ataques do diabo, e do poder do pecado.[2] Sermões proclamam, eles dão, eles agem, eles julgam, eles matam, eles reavivem, eles perdoam, eles sustentam, e tudo isso pelo colocar os ouvintes sob a Palavra de Deus.

37. Tudo isso soa bem, e eu penso que isto é adequado, reto e próprio. No entanto, a cultura, o mundo, e nossa própria carne pecaminosa unidos requerem uma coisa diferente do sermão. O sermão para muitos é uma mensagem behaviorista. É como um guarda-roupas de onde o líder tira um programa pronto e o entrega a um grupo, para que vá e ganha alguns para Cristo. Além disso, para muitos um sermão deve ser moralista, tipo: faça ou não faça. De fato, um dicionário padrão definiu o sermão como moralista duro, normalmente não apreciada pelo ouvinte. Esta característica do sermão, junto com a visão da religião de ambos os lados de dentro como de fora da igreja, e suportado pela direção entre nós luteranos chamamos de “opinio legis”, a propensão ou legalismo, tudo combina para prover uma constante tentação ao pregador de usar o sermão como moralizador.

38. Mas o sermão não é para moralização, muito menos para ser usado assim por um pregador luterano. Chemnitz observou isso assim:

Se isto está estabelecido que o ensino próprio do evangelho não é somente matéria de fé na graciosa promessa do benefício de Cristo, mas trata também com renovação ou boas obras, então seguem imediatamente que boas obras entram na matéria da justificação como causa parcial...[3]


[1] Asendorf, p. 15-17

[2] AC III, 5

[3] Chemnitz, Loci Theologica (St. Louis: Concórdia, 1985, p.24.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 011

30. O modelo de comunicação é agora oferecido como um caminho melhor para transmitir informações e mover os ouvinte à ação, especialmente à luz desta nova era da vida pastoral em nosso Sínodo, era na qual o pastor é forçado a dizer, agora como já o falecido Frank Borman afirmou: nós temos que colher nossas folhas cada dia. O modelo de comunicação de fato é uma concessão para minimizar o ofício pastoral, e legitimar o processo do sinergismo de compartilhar a verdade.

31. Isto, no entanto, é uma solução errada para a pregação luterana. Proclamação, não comunicação, é a solução para a crise em nossos púlpitos. Proclamação requer um maneira diferente do que a aproximação proposicional do modelo de informação ou a aproximação racional do modelo da comunicação. O modelo da proclamação é de natureza perspectiva, resgatando a perspectiva de Deus da revelação.

32.Vamos notar aqui que estes termos proposicional, relacional e perceptível são todos familiares na teoria do conhecimento, da epistomologia. Afirmam que a verdade é relativa,[1] o que condenamos. A mensagem não é relativa, mas absoluta, baseada na revelação de Deus, proclamada nos evangelho e aceita em fé. Mas ao usar o termo perspectivo neste contexto da proclamação, não é no sentido epistomológico, mas algo mais radical, a saber, um uso ontológico. É o próprio ser, o que é perspectivo, e esta perspectiva não é relativa, mas absoluta, baseada na revelação de Deus, proclamada à fé no Evangelho.

33. O modelo proclamação abraça ambos, a objetividade da graça e o trabalho de Deus, e a subjetividade de nossa identificação nas necessidades como pecadores e nossos benefícios em Cristo. O modelo da proclamação fala a verdade sem racionalismo e fala ao povo em relação a Cristo sem pietismo. Sobretudo, na igreja de Cristo, todos os relacionamentos são proposicionalmente firmados, e todas as proposições são firmadas no relacionamento; é uma proclamação que abraça tudo em tudo.

34. O conteúdo da proclamação na pregação luterana é a identificação de quem você é. Proclamação é a identificação do ouvinte como pecador, em sua totalidade, em virtude da natureza pecadora. Proclamação é a identificação do ouvinte como santo, de ponta a ponta, pela virtude da justiça de Cristo. Esta proclamação envolve a aplicação do texto atual ao ouvinte atual, pelos meios da pedra angular da hermenêutica da justificação do pecador diante de Deus através de Cristo, é colocado sobre o ouvinte pela aplicação de Lei e Evangelho. Neste caminho, o pregador entrega aquilo que recebeu, a saber, os meios da graça, pelos quais Deus mata e vivifica, como o ouvinte é morto pela lei e ressuscitado pelo evangelho. Todo este status e atividade, na brevidade do seu ser, é invisível a nossos olhos e independente da cooperação do ouvinte. Tudo isso é visto pela perspectiva da fé em cada proclamação que a transmite. Vivifica, abre os olhos, gera vida. Esta é a natureza da proclamação. É proclamação, não comunicação, nem mais informação, que nosso povo precisa ouvir e nossos pastores pregar.


[1] Para o propósito de introdução, cf. Basil Mitchell, The Justiication of Religious Belief Knowledge (New York: Herder and Herder, 1972). Para uma mudança mais séria para esta suposição do ponto de vista dofundamentalismo, cf. the Reformation not only rediscovered the Gospel but also the Law of God, in Chemnitz on Law and Gospel, Concordia Journal 15 de outubro de 1989, p. 413.

Sermão 29/01/2012

Autoridade, segurança, convicção e firmeza

Texto Base: Dt 18.15-20
Salmo do Dia:        Salmo 111
Antigo Testamento:    Deuteronômio 18.15-20
Epístola        1º Coríntios 8.1-13
Evangelho do Dia    Marcos 1.21-28

Autoridade, importância!
Quem não gostaria de ser distinguido por uma dessas qualidades? Nós procuramos não só estar perto de pessoas importantes, que tem autoridade, mas queremos nós próprios sermos assim. Quem hoje é a pessoa mais importante no mundo? Será que é o mais rico? Ou o mais influente? Quem sabe o mais bonito?
Muitos nomes famosos podem fazer parte dessa lista: O Líder mundial Barak Obama, O premio Nobel da paz, outros...
Todos os seres humanos buscam a quem seguir... buscam autoridade, segurança, convicção e  firmeza... o problema é onde encontrar e aonde buscam muitos...
No texto de Dt 18.15-20 vemos Deus prometendo um profeta muito importante, o mais importante. Um profeta que viria do meio deles, ou seja, um israelita (15), que falaria em nome de Deus, com Palavras de Deus (18) teria conhecimento sobrenatural do futuro (22), sua mensagem seria conforme o que já tinha sido revelado por Deus (Dt.13)  Está escrito: “Do meio deles escolherei para eles um profeta que será parecido com você. Darei a esse profeta a minha mensagem, e ele dirá ao povo tudo que eu ordenar”. (18)
De acordo com Lutero: Essa é uma passagem principal em todo o livro e uma expressa profecia de Cristo com o novo mestre.
A promessa messiânica se cumpriu em Jesus.
Estamos no Quarto Domingo da Epifania, época em que vemos o importante profeta prometido por Deus, Cristo sendo anunciado a todo o mundo.
“A autoridade do recém nascido abrange toda humanidade. Jesus é apresentado ao mundo pagão para mostrar que o Menino veio para a salvação não só dos judeus, mas de todas as pessoas. Os magos, estes homens experimentados e sábios se prostram diante daquele Menino e, num ato de fé, reconhecem seu senhorio e sua autoridade. Expressaram tal reconhecimento no simbolismo dos presentes dados ao Salvador: Com a mirra, reconheceram nele homem sofredor; sua realeza, manifestada no ouro e a sua Divindade, manifestada pelo incenso.”
P. Ervino Schmidt

No evangelho de hoje vemos mais uma vez o cumprimento da promessa feita em Deuteronomio 18. Jesus ensinando com autoridade. Ele não se apoiou em outros profetas para ensinar, como faziam os mestres da lei, ele ensinou com sua própria autoridade. Ainda a confirmou com seus atos, fazendo calar-se o Demônio e o expulsando.
As pessoas se admiraram com a novidade da pregação de Cristo. Mas será que realmente era algo novo pregado pro Jesus? Na realidade não. Era algo tão antigo quanto a queda do homem em pecado, mas tinha se deixado de lado ou esquecido, por isso parecia ser algo novo, quando na realidade não era. Jesus pregou a salvação pela graça de Deus mediante a fé em Cristo.
Jesus é a autoridade a quem devemos seguir e, seguindo sua pregação chegaremos a autoridade, segurança, convicção e a firmeza que tanto procuramos.
Onde você tem procurado a liderança para sua vida?
“em nossos dias, por desejo de obter saúde, alcançar felicidade, ou por simples curiosidade não poucos cristãos se entregam práticas de astrologia, espiritismo, umbanda e outras mistificações. Este texto de deuteronômio (18) ganha uma renovada atualidade. Deus já fez conhecer a sua vontade nos mandamentos. Por meio de Jesus Cristo, que ensinava com autoridade (Mc 1.27) traçou o caminho da felicidade nas bem aventuranças do Evangelho. A mensagem de Cristo é sempre de novo atualizada pelos legítimos pastores e pregadores de sua igreja. É na vontade de Deus assim expressa que o cristão deverá buscar as orientações para sua vida, e não nos falsos tipos de profetismo.”
L. Garmus, O.F.M (Petrópolis, RJ)

Amados irmãos, o Salmo de hoje diz: “Na reunião do povo eu louvarei a Deus, o Senhor, como todo o meu coração, junto com os que lhe obedecem!” (Sl 111.1)
Hoje, em nossas reuniões de Povo de Deus (cultos, noites de oração, estudos bíblicos, etc.) queremos, com todo nosso coração, louvar a Jesus nosso Deus. Deus que tem autoridade tanto para condenar aos que não crêem e cumprem seus mandamentos quanto para dar a salvação a todos quantos crêem nele.
Vamos, acompanhados pelo amor de Deus e, tendo a certeza que Cristo tem autoridade para nos dar força (Fp 4.13) realizar nossa missão como igreja e como cristãos individualmente. A nossa maior missão enquanto estamos neste mundo é essa: fazer Jesus ser famoso, e ser seguido por muitos, para que muitos sejam salvos.
Amém.

Rev. Igor Marcelo Schreiber — Uruguaiana-RS, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil..

sábado, 28 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 010

26. O trabalho da comunicação é gerar e desencadear motivação, enquanto que a obra da proclamação é engendrar identificação. O modelo de comunicação é encorajar alguém a consentir, o modelo da proclamação encoraja a ponderar. A comunicação leva o ouvinte a aprender; a proclamação a desaprender. Por isso, o modelo da comunicação trabalha bem quando é dado ao ouvinte a oportunidade de memorizar o que é dito; o modelo da proclamação trabalha bem quando é dado ao ouvinte perceber o que ouviu.

O modelo de comunicação na pregação oferece um texto narrativo para que o ouvinte estude as ações no texto; o modelo da proclamação na pregação oferece o mesmo texto para que o ouvinte venha a ser identificado com as ações no texto.

27. Aidem Kavanaugh capta esta distinção em sua comparação de quadros e ícones. Pinturas, ele observa, são sobre significados. Ícones são sobre o ser.[1] Neste sentido pregação é mais do que ícones, do que um quadro no seu impacto. Pregação, quando verdadeira na liturgia na qual ocorre, trata mais do ser de que de opiniões. Seres são recebidos, enquanto que opiniões são desenvolvidas pelo acerto do coração e do consentimento dos ouvintes. A comunicação distribui opiniões (no pleno sentido popular), a proclamação concede ser.

28. O chamado para que a pregação luterana adote a solução da comunicação é o verdadeiro problema no púlpito luterano. Após anos, um modelo muito familiar tornou-se evidente na igreja luterana. O modelo pode ser encontrado na história da Reforma Luterana, onde o método teológico de Lutero da coerência, inerface, e correlação foi substituída pela abordagem geral da ortodoxia da pós-reforma que o reverteu para o método teológico da escolástica de correspondência, particularidade causativa.[2] Na pregação histórica do Sínodo de Missouri, é fácil discernir uma mudança semelhante no sermão da proclamação para a informação. Esta mudança veio muito cedo, e se instalou no corpo da igreja, onde ambos, pastores e leigos foram criados a esperaram este tipo de pregação.

29. O modelo de pregação informação vê o sermão como um exercício que apresenta proposições aos ouvintes. Criados, como na era da ortodoxia luterana, na objetividade da graça de Deus. O modelo de informação estendeu tal objetividade a cada questão de informação, tanto que ele carregava dentro de si as sementes perigosas de um racionalismo belicista. Mesmo sendo um modelo insuficiente, especialmente na perspectiva do sermão como meio da graça, ele ainda foi aceito por muitos anos por causa de um respeito geral para com o cargo do pregador, e um reconhecimento geral da natureza objetiva da fé cristã, os quais trouxeram ambos grande escala de consentimento ao que foi pregado. O problema surgiu, como a história novamente nos ensinou em relação ao pietismo, que este modo informacional e proporcional de comunicar a fé gerou uma reação na forma no modo de relacionamento no comunicar a fé, que é precisamente isto o que está por trás do modo de comunicação na área da pregação. Esta abordagem relacional eleva o subjetivo sobre o objetivo, o pessoal sobre o proposital, para a alegria de uma incrível coleção de protestantes evangelicais, católicos romanos carismáticos contemporais e ecumênicos liberais. Tal coleção não é tão surpreendente quando se compreende as implicações desse modelo de comunicação.


[1] Aiden Kavanagh, On Liturgical Theology (New York: Pueblo Publishing Company, 1984), p.4.

[2] Entre outros, esta tese é encontrada em Ulrich Asendorf, Die Theologie Martim Luthers nach seinem Predigten (Göttlingen: Vandenhoeck & Ruprecht; 1988). 13-24.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 009

23. Qual é, então, precisamente a diferença entre comunicação e proclamação? Ambas as atividades lidam com pessoas; ambas envolvem uma conexão entre o que fala e o que ouve; ambas anunciam uma mensagem, sim, mas a diferença entre as duas atividades é grande. Ambas, comunicação e proclamação envolvem motivação; mas o processo empregado é muito diferente entre os dois.

24. A comunicação trabalha com aquilo que pode ser chamado de estrutura do sinergismo. A comunicação requer a cooperação do ouvinte; sem esta cooperação, não há comunicação. Comunicação apela à razão de forma reflexiva para o consentimento. Aqueles, que lutam pela comunicação, colocam o dualismo, que procura influenciar poderosamente o ouvinte, concedendo-lhe o direito de decisão. O ouvinte vem a ser parte do processo, que a comunicação tem como fim. O ouvinte vem a ser juiz no modelo da comunicação. O ouvinte recebe o direito para dizer: O que sei e vejo como verdade, isso afirmo; o que não conheço ou o que não reconheço como verdade, eu nego. Na comunicação, o ouvinte é movido a querer, se o ouvinte não chega a esta ação, a comunicação falhou.[1]

25. A proclamação trabalha com o que pode ser chamado de estrutura monergística. A proclamação requer a presença (obviamente), mas não necessariamente a cooperação do ouvinte; mesmo sem esta cooperação, a proclamação ocorre (assumido que o evangelho tenha sido pronunciado). A proclamação não apela à reflexão da razão para consentimento. Proclamação é revelação, e como Löwenich claramente nota, “revelação adereça-se a si mesma à fé, não ao ver, não à reflexão da razão.”[2] Porque proclamação não apela à reflexão racional, ela não opera num nível dualista, e não capacita o ouvinte a ser o árbitro final da verdade comunicada. O ouvinte pode dizer: Isto eu não aceito, mesmo assim, a proclamação ocorreu, onde o evangelho foi pregado, e ali, como nos o confessamos publicamente: “O Espírito Santo é dado, que opera a fé, onde e quando lhe apraz, naqueles que ouvem o evangelho.”[3]


[1] Esta implicação sinergistas é claramente pretendida e inevitável no contexto atual do debate acima, sobre a direção adequada da pregação luterana; é possível usar o termo “comunicação” de uma forma para evitar esta implicação sinergistas, como por exemplo Richard Klann o faz, quando ele usa “comunicação na forma como sinônimo de “proclamação” neste artigo: “ Se o Evangelho pode ser efetivamente resistido e rejeitado, como podemos falar de uma comunicação efetiva do evangelho? Conforme a Escritura, podemos responder de forma série e simples: Deus o Espírito, que Cristo envia para este propósito, autentica o evangelho quando a pessoa comunica o mesmo de forma pura. Seu poder nunca é diminuído pela incredulidade daqueles que rejeitam seu convite de serem seus; em “Writing Dogmatic Theology, Concórdia Journal, 13 de abril de 1987, p. 148.

[2] Walther Von Löwenich, Luther`s Theology of the Cross, trans. Herbert J. A. Bouman (Minneapolis: Augsburg, 1976) p.37-38.

[3] AC V.2

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 008

Comunicação ou Proclamação

18. Olhando para a lista do que se requer da pregação luterana, com um olhar popular, torna-se evidente: “boa comunicação.” Constantemente os pregadores ouvem a admoestação: vocês precisam aprender a se comunicar com o povo.

19. Bem, se por comunicação alguém se refere ao que tecnicamente pode ser chamado de micro-comunicação, na qual alguém se refere a certas práticas tais como enunciação, pronunciação, uso da voz, técnicas da retórica pública e costumes, então a recomendação é bem vinda. Ninguém pode negar os benefícios em usá-los e no usar a linguagem do povo (não a gíria).

20. Mas este não é o escopo da demanda da pregação luterana na comunicação. A grande acusação contra a pregação luterana é de que ela falha na comunicação. A razão articulada para este julgamento contra o púlpito luterano é esta, para comunicar é preciso estabelecer um contacto com os ouvintes. A pregação típica luterana, como é ensinada, falha em estabelecer este contacto, porque esta pregação não diz o que a pessoa na verdade deseja ouvir. Por isso ela não comunica e precisa ser mudada.

21. Logo no início deste trabalho, eu coloquei a afirmação de que a pregação luterana está com problemas, problemas sérios, não estou preparado para analisar o problema do nosso tempo desse ângulo. A natureza de minha posição, no entanto, é muito diferente. Se nós estamos em condições de compreender o que precisa ser corrigido no púlpito luterano, então precisamos em primeiro lugar inverter o julgamento contra a pregação luterana contido no chamado para “comunicar” do púlpito”[1] (Obs.: do tradutor) O que implica também no Lema da IELB de “Comunicar a vida”).

22. Na verdade, a pregação luterana necessita conhecer algo a respeito dos ouvintes, mas não é isto que é questionado pelos advogados da comunicação. Os ouvintes não necessitam o som da cultura, mas o som de Cristo; não a discussão a respeito do que o povo entende por necessidades, mas a necessidade interior; não necessidades, problemas e sintomas exteriores, mas a profunda razão deles que é o pecado, só conhecível à luz da Palavra de Deus. Não uma voz popular e persuasiva, mas a destemida voz profética. Não o pensamento corrente da mente moderna, mas a intenção original do texto sagrado. Em resumo, o que a pregação luterana necessita não é comunicação, mas proclamação.


[1] E.g., “Contato com a audiência começa com a atitude com respeito à comunicação, e comunicação pode tornar-se mais infecciosa quando líderes tentam conseguir respostas de vários públicos ao mesmo tempo.” (David Luecke, Evangelica Style and Lutheran Substance: Facing América`s Mission Challenge (St. Louis: Concordia, 1988), p. 107.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Construção do Templo

Mais algumas fotos do templo que está sendo construído com o Braço Forte dos Leigos Luteranos do Distrito Espírito Santo Norte, da Igreja Evangélica Luterana do Brasil.

Proclamação Luterana - 007

II - A designação ou o do papel da pregação luterana

17. O que o pregador luterana deve fazer? Aqui, eu acredito, chegamos ao ponto mais concreto do estudo da homilética de nosso Sínodo e da Igreja Luterana em geral. Até aqui tocamos em alguns pontos perniciosos na pregação, embora as reivindicações permaneçam feitas aos pregadores em nossas congregações, tais como a exigência por relevância, medida no “sentir as necessidades”. A isto se soma a necessidade de entretenimento, a exigência por “libertação dinâmica”, e a necessidade de promover programas do púlpito, para mover as pessoas. Na segunda parte deste estudo, abordaremos o papel apropriado da pregação.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Construindo Igrejas

Novas fotos do projeto Neemias.

Proclamação Luterana - 006

O contexto teológico na pregação luterana

14. A teologia no cenário luterano norma a pregação que é feita no seu contexto. Não somos somente compromissados a dizer do púlpito luterano: Assim diz o Senhor, em vez de “me parece”. Somos compromissados também a não termos nossa própria opinião sobre o que o Senhor diz ao momento atual; antes estamos compromissados a proclamar Palavra de Deus como ela é expressa em nossas Confissões Luteranas. A pregação luterano é uma atividade normada pelo contexto das Escrituras e das Confissões Luteranas.

15. Isto todos nós conhecemos bem. Mas as implicações desse conhecimento muitas vezes são esquecidas. Visto que a pregação luterana é normada pelas Confissões Luteranas, segue que a pregação luterana é teologia. Ela não pode ser normada condicionalmente e por outra coisa tal como a sociológica, o aconselhamento de grupos, ou advertência pastoral, etc. A pregação luterana é teologia, e, da mesma forma teologia num contexto luterano é pregação. Luteranos são, por último, aqueles sermões que permanecem no contexto luterano, que são teologia. Esta é a parte contextual da natureza do trabalho do pregador. Esta teologia é teologia evangélica luterana, não contemporânea protestante, esta teologia é ortodoxa no sentido luterano, esta teologia é católica, no sentido histórico, não no sentido do termo romano.

16. Novamente, tudo isto pode parecer evidente em si mesmo, mas esta evidencia é contestada hoje por uma série de pensamentos a respeito da atividade da pregação. Dizem-nos que sermões devem satisfazer (suprir) as necessidades dos ouvintes. Somos encorajados a estar espiritualmente elevados em nossa apresentação. Isto demanda, no entanto, muitas vezes conflitos com o texto, com a teologia da cruz sob a qual vivemos, e com a verdadeira necessidade de nossos ouvintes, muitas vezes não sentida no início do sermão, a saber, por contrição, arrependimento e a necessidade de confiar em Cristo. Sermões que são teologicamente evangélicos, ortodoxos e católicos não vão, ao mesmo tempo, aos grandes temas atuais: Como posso estar contente no meu trabalho. Tenha a certeza, o texto escriturístico pode ser relacionado à doutrina cristã das vocações, e tal doutrina pode trazer os frutos da fé ao contexto do trabalho, mas a pregação luterana não é um recipiente metodológico, e por isso não centralizado na pessoa, como perguntas: Como fazer? A centralização na pessoa não é compatível com a teologia luterana, nem para o pregador ou o ouvintes. Lutero lembra:

Não são os feitos humanos ou suas habilidades que fazem de alguém um pastor, e não são os feitos humanos que tornam alguém um cristão, nem o ouvir a palavra ou um sermão agradável, mas é um feito divino e nada mais do que um dom, um presente, do além, contra a natureza, como somente Deus o efetua em nós, sem ajuda ou idéias nossas[1].

A pregação luterana por isso não é aquela que é atrativa à Comunidade, nem deve ser um barômetro daquilo que foi registrado como as últimas necessidades do povo. Novamente, a razão é simples: Tal característica não é característica confessional, ela não flui da compreensão confessional, por isso ela não pode ser identificada com a verdadeira pregação luterana.

Assim, a pregação luterana é uma atividade nos contorno do contexto, linguagem, liturgia e teologia. A pregação luterana é a palavra falada pela qual o cristão é guiado com a voz atual de Deus; é teologia confessional da palavra de Deus que aplica Lei e Evangelho no contexto litúrgico da vida da igreja. Como isto deve ser feito, veremos no próximo capítulo.


[1] Luther`s Works, Am. Ed., vol. 28, p.89

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Grandes pregadores, pequenos resultados

Este artigo foi publicado pela primeira vez em 2009. Mas resolvi republicá-lo com alguns acréscimos, haja vista alguns acontecimentos recentes.

Há duas décadas, fui convidado pela primeira vez para participar de uma agência nacional de pregadores. Um companheiro de púlpito me ofereceu um cartão e disse: “Seria um prazer tê-lo em nossa agência”. Então, lhe perguntei: “Como funciona essa agência?” E a sua resposta me deixou estarrecido: “As igrejas ligam para nós, especificam que tipo de pregador desejam ter em seu evento, e nós cuidamos de tudo. Negociamos um bom cachê”.

É impressionante como o pregador, de uns tempos para cá, se transformou em um produto. Há alguns anos, depois de eu ter pregado em uma igreja (não me pergunte onde), certo pastor me disse: “Gostei da sua pregação, mas o irmão conhece algum pregador de vigília?” Achei curiosa essa pergunta, pois eu gosto de oração, já preguei várias vezes em vigílias, porém, segundo aquele irmão, eu não serviria para pregar em uma vigília!

Em nossos dias — para tristeza do Espírito Santo — pertencer a uma agência de pregadores tornou-se comum e corriqueiro. E os convites para ingressar nessas agências chegam principalmente pela Internet. Nos sites de relacionamento encontramos comunidades pelas quais os internautas mencionam quem é o seu pregador preferido e por quê. Certa jovem, num tópico denominado “O melhor pregador”, declarou: “Não existe ninguém melhor que ninguém; cada um tem a sua maneira de pregar, e cada pessoa avalia segundo o seu gosto”.

Ela tem razão. Ser pregador, hoje em dia, não basta. Você tem de atender às preferências do povo. Já ouvi irmãos conversando e dizendo: “Fulano é um ótimo pregador, mas não é pregador de congresso” ou “Fulano tem muito conhecimento, mas não gosta do reteté”.

Conheçamos alguns tipos de pregador e seus públicos-alvo:

Pregador humorista. Diverte muito o seu público-alvo. Tem habilidade para contar fatos anedóticos (ou piadas mesmo) e fazer imitações. Ele é como famosos humoristas do gênero stand-up comedy. De vez em quando cita versículos. Mas os seus admiradores não estão interessados em ouvir citações bíblicas. Isso, para eles, é secundário.

Pregador “de vigília”. Também é conhecido como pregador do reteté. Aparenta ter muita espiritualidade, mas em geral não gosta da Bíblia, principalmente por causa de 1 Coríntios 14, especialmente os versículos 37 e 40: “Se alguém cuida ser espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor... faça-se tudo decentemente e com ordem”. Quando ele vê alguém manejando bem a Palavra da verdade (2 Tm 2.15), considera-o frio e sem unção. Ignora que o expoente que agrada a Deus precisa crescer na graça e no conhecimento (2 Pe 3.18; Jo 1.14; Mt 22.29). Seu público parece embriagado e é capaz de fazer tudo o que ele mandar.

Pregador “de congresso”. Entre aspas porque existe o pregador de congresso que faz jus ao título. Mas o pregador “de congresso” anda de mãos dadas com o pregador “de vigília”, mas é mais famoso. Segundo os admiradores dessa modalidade de pregação, trata-se do pregador que tem presença de palco e muita “unção”. Também conhecido como pregador malabarista ou animador de auditórios, fica o tempo todo mandando o seu público repetir isso e aquilo, apertar a mão do irmão ao lado, beliscá-lo... Se for preciso, gira o paletó sobre a cabeça, joga-o no chão, esgoela-se, sopra o microfone, emite sons de metralhadora, faz gestos que lembram golpes de artes marciais... Exposição bíblica, mesmo, quase nada!

Pregador “de congresso” agressivo. É aquele que tem as mesmas características do pregador acima, mas com uma “qualidade” a mais. Quando percebe que há no púlpito alguém que não repete os seus bordões, passa a atacá-lo indiretamente. Suas principais provocações são: “Tem obreiro com cara de delegado”, “Hoje a sua máscara vai cair, fariseu”, “Você tem cara amarrada, mas você é minoria”. Estas frases levam o seu fanático público ao delírio, e ele se satisfaz em atacar as pessoas que não concordam com a sua postura espalhafatosa.

Pregador popstar. Seu pregador-modelo é o show-man Benny Hinn, e não o Senhor Jesus. É um tipo de pregador admirado por milhares de pessoas. Já superou o pregador de congresso. É um verdadeiro artista. Veste-se como um astro; sua roupa é reluzente. Ele, em si, chama mais a atenção que a sua pregação. É hábil em fazer o seu público abrir a carteira. Seus admiradores, verdadeiros fãs, são capazes de dar a vida pelo seu pregador-ídolo. Eles não se importam com as heresias e modismos dele. Trata-se de um público que supervaloriza o carisma, em detrimento do caráter.

Pregador “ungido”. Para impressionar o seu público, derrama óleo sobre a própria cabeça ou pede para seus auxiliares fazerem isso. Um desses pregadores pediu, recentemente, para sua equipe derramar doze jarras de azeite em sua cabeça! E o terno? Ah, isso não importa. Somente os fariseus se preocupam com desperdício. Para os fãs desse tipo de pregador tudo atos pretensamente proféticos valem muito mais que uma simples exposição bíblica...

Pregador milagreiro. Também tem como paradigma Benny Hinn, mas consegue superar o seu ídolo. Sua exegese é sofrível. Baseia-se, por exemplo, em 1 Coríntios 1.25, para pregar sobre “a unção da loucura de Deus”. Cativa e domina o seu público, que, aliás, não está interessado em ouvir uma exposição bíblica. O que mais deseja é ver sinais, como pessoas lançadas ao chão supostamente pelo poder de Deus e fenômenos controversos. Em geral, o pregador milagreiro, além de ilusionista e “poderoso” (Dt 13.1-4), é aético e sem educação. Mesmo assim, ainda que xingue ou ameace os que se opõem às suas sandices e invencionices, o seu público é fiel e sempre diz “aleluia”.

Pregador mercantilista. Todas as suas mensagens têm como meta induzir o seu público e dar dinheiro. Esse tipo de pregador existe desde os tempos dos apóstolos (2 Co 2.17; 2 Pe 2.1-3) e, na atualidade, aparece bastante na televisão. Alguns pregadores mercantilistas pertencem também à categoria popstar. Qualquer passagem bíblica pode ser usada a bel-prazer, a fim de atender aos seus propósitos. Isaque é a “melhor oferta financeira”, jumentinho que Jesus montou é “BMW”. E assim por diante.

Pregador contador de histórias. Conta histórias como ninguém, mas não respeita as narrativas bíblicas, acrescentando-lhes pormenores que comprometem a sã doutrina. Costuma contextualizar o texto sagrado ao extremo. Ouvi certa vez um famoso pregador dizendo: “Absalão, com os seus longos cabelos, montou na sua motoca e vruuum...” Seu público — diferentemente dos bereanos, que examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17.11) — recebe de bom grado histórias extrabíblicas e antibíblicas.

Pregador cantante. Indeciso quanto à sua chamada. Costuma cantar dois ou três hinos (hinos?) antes da pregação e outro no meio dela. Ao final, canta mais um. Seu público gosta dessa “versatilidade” e comemora: “Esse irmão é uma bênção! Prega e canta”. Na verdade, ele não faz nenhuma das duas coisas bem.

Pregador “massagista”. É hábil em dizer palavras que massageiam os egos e agradam os ouvidos (2 Tm 4.1-5). Procura agradar a todos porque a sua principal motivação é o dinheiro. Ele não tem outra mensagem, a não ser “vitória”, principalmente a financeira. Talvez seja o tipo de pregador com maior público, ao lado dos pregadores humorista, popstar, mercantilista e milagreiro.

Pregador sem graça. É aquele que não tem a graça de Deus (At 4.33). É um pregador bem suado, e não necessariamente abençoado. Sua pregação, literalmente sem graça, é como uma espada: comprida e chata (maçante, enfadonha). Mas até esse tipo de pregador tem o seu público, formado pelos irmãos que gostam de dormir ou conversar durante a pregação.

Pregador chamado por Deus (1 Tm 2.7). Prega a Palavra de Deus com verdade. Estuda a Bíblia diariamente. Ora. Jejua. É verdadeiramente espiritual. Tem compromisso com o Deus da Palavra e com a Palavra de Deus. Seu paradigma é o Senhor Jesus Cristo, o maior pregador que já andou na terra. Ele não prega para agradar ou agredir pessoas, e sim para cumprir o seu chamado. Seu público — que não é a maioria, posto que são poucos os fiéis (Sl 12.1; 101.6) — sabe que ele é um profeta de Deus. Sua mensagem é Cristo (1 Co 1.22,23; 2.1-5). Esse tipo de pregador está em falta em nossos dias, mas não chama muito a atenção das agências de pregadores. A bem da verdade, estas sabem que nunca poderão contar com ele...

Qual é a sua modalidade preferida, prezado leitor? Você pertence a qual público? E você, pregador, qual dos perfis apresentados mais lhe agrada? Qual é a sua motivação? Você prega para agradar a Deus, verdadeiramente, ou tem outros interesses?

Artigo originalmente publicado por Ciro Sanches Zibordi em seu blog pessoal.

Proclamação Luterana - 005

13. Este destaque congregacional, no entanto, não pode perturbar ou distorcer o próprio contexto da pregação. Não podemos desenvolvendo a doutrina do sacerdócio universal de todos os crentes de Walther, sem falar do contexto bíblico. Instruímos os pastores luteranos sobre o que deve ser pregado, dando à pregação o seu lugar na congregação. O sermão de certa forma é a voz dos fiéis, mas não de todos os fiéis. Não no sentido de que cada um dará sua opinião, dizendo o que gostaria de ouvir. Todas as diferenças próprias da pregação luterana fiel podem ser resumidas na frase do famoso G. K. Chesterton: “A Igreja é a única verdadeira democracia, a única organização que não tira o voto de seus membros simplesmente porque já faleceram”. A pregação luterana é a voz confessional de seus fiéis, na totalidade desta sua voz, a riqueza com a qual falamos na liturgia, por isso, “com anjos e arcanjos e toda a companhia celeste”. Na verdade, uma das muitas bênçãos da liturgia, um benefício notado pelas confissões[1], é este, de aqui somos lembrados desta ampla voz do coro do qual somos parte, aqui somos os membros mais jovens da família de Deus e ainda os mais novos e menos informados, os miúdos no bloco eclesiástico.


[1] Ap XV; XXIV, XXVI, Ap XV

domingo, 22 de janeiro de 2012

Sermão 22/01/2012

3º Domingo após Epifania - B
22 de Janeiro de 2012

Deus nos chama a pescar gente

Texto Base: Mc 1.14-20

Salmo do Dia:        Salmo 62
Antigo Testamento:    Jonas 3.1-5, 10
Epístola        1º Coríntios 7.29-31(32-35)
Evangelho do Dia    Marcos 1.14-20

Queridos
Estimados irmãos e irmãs no Salvador Jesus.
Neste mês de janeiro nossa presidente Dilma convidou várias pessoas para recompor seu ministério de governo. No fim deste ano teremos eleições municipais e muita gente será chamada para trabalhar nas campanhas, e os vencedores vão depois chamar e convidar pessoas a fazer parte de suas equipes de trabalho.
Nós também já fomos convidados ou chamados em vários momentos de nossa vida, às vezes para coisas boas, como um casamento, aniversário ou batizado, ou para um cargo ou função melhor em nosso trabalho, e às vezes para coisas não tão agradáveis, como um enterro, um trabalho na hora de folga, para um hospital ver alguém acidentado ou doente, etc.
A Bíblia também tem várias situações de convites e chamados. Não de políticos, mas de Deus, o Criador e Rei supremo. Deus chamou líderes como Abraão, Noé, Moisés, Samuel; chamou profetas como Isaías, Jeremias, Oséias e Jonas; chamou discípulos e apóstolos como Pedro, João, Mateus, Paulo e outros.
Deus chamou todos eles para uma missão, que ao final tinha sempre o mesmo objetivo, tanto no AT como no NT: pescar gente, isto é, salvar pessoas da condenação eterna. Hoje Deus ainda chama pessoas para pescar gente — Deus nos chama para pescar gente.
E qual a nossa resposta? Nos textos de hoje temos dois chamados de Deus que nos ajudam a avaliar como estamos respondendo ao chamado do Senhor em nossas vidas.
Na leitura do AT Deus chama Jonas para pregar sua Palavra em Nínive, uma cidade inimiga do povo de Deus. Jonas vai, prega e o povo se arrepende. Só que isso só aconteceu na 2ª vez que Deus chamou Jonas.
Na 1ª vez o profeta não apenas recusou o chamado de Deus, como ainda fugiu num navio que ia na direção oposta de Nínive. Só depois de ser jogado no mar e engolido por um grande peixe é que Jonas lembrou-se de Deus e, chamado pelo 2ª vez, aceitou sua missão.
No evangelho Jesus está iniciando sua missão, pregando o arrependimento e fé no Evangelho do Reino de Deus. Andando na praia do lago da Galiléia, Jesus viu e chamou 4 homens: Simão, André, Tiago e João. Vemos que a resposta deles foi imediata: Simão e André largaram logo as redes e foram com Jesus; Tiago e João deixaram Zebedeu, seu pai, e os empregados no barco e foram com ele.
Hoje, Deus nos chama a pescar gente. Qual a nossa resposta? Assim como chamou Jonas e os discípulos, Deus também nos chama. Ele chamou cada um de nós em nosso batismo, quando fomos chamados da escuridão para sua maravilhosa luz, da morte para a vida que temos em união com Cristo, como dizem Pedro e Paulo.
E desde o batismo até hoje, Deus nos chama a viver diariamente essa nova vida, dizendo a cada um de nós: “Venham comigo e eu ensinarei vocês a pescar gente”. E qual é a nossa resposta ao chamado de Deus?
Se cada um de nós examinar a fundo sua vida, com sinceridade e humildade, vamos descobrir que muitas vezes a nossa resposta ao chamado de Deus pode ter sido assim:
—Eu não vou. Afinal, de que adianta levar a Palavra de Deus para essa gente ruim e cabeça dura de hoje em dia, que não querem saber de nada? — Foi assim que pensou Jonas quando Deus o chamou — ele não queria assumir compromisso!
—Eu até posso aceitar, mas tenho algumas condições que quero colocar primeiro. — Esta resposta é como a de muitos políticos, que não querem deixar de lado certas coisas para aceitar um cargo.
Não é assim que fazemos muitas vezes — dizemos que aceitamos o chamado de Deus, mas nos enchemos de condições e desculpas: “não tenho tempo, não posso assumir compromissos, não tenho dinheiro ou recursos, vou ver se os outros vão fazer primeiro, estou muito cansado para me envolver com coisas da igreja, não sei fazer nada”, ou, “aceito, mas não misturo igreja e fé com meus negócios, meu trabalho, minhas amizades, minhas escolhas de diversões e vida particular...”
Ou quantas vezes dizemos “sim” para Deus com a boca (por ex., na confissão de pecados e antes da Santa Ceia), mas na prática dizemos “não” com nossas atitudes, comportamento e maus exemplos; enfim, nossa vida muitas vezes não mostra aos outros que somos seguidores de Jesus, pessoas diferentes e pescadores de gente!
Às vezes em vez de atrair os peixes — as pessoas — a Jesus, nós os espantamos e afastamos com nossas palavras e atitudes...
Deus nos chama a pescar gente. Que resposta damos? A resposta dos discípulos foi radical e corajosa — eles deixaram tudo para seguir Jesus: as redes, o barco e a família! Ele não ficaram em cima do muro, não foram superficiais em sua resposta e atitudes, não fugiram ao chamado de Jesus. E nós, meus irmãos?
Nossa resposta ao chamado de Deus também pode ser radical e profunda. E isto não quer dizer que Deus exige que nós abandonemos nosso trabalho e família e nos tornemos todos pastores, diaconisas ou freiras ou missionários ambulantes!
Você pode ser um bom pescador de gente. E na verdade é para isso que Cristo chama a cada um de nós através da fé que recebemos no batismo e que é fundamentada em nós na Palavra e Santa Ceia. O segredo está em duas coisas que os discípulos fizeram: largar as redes e seguir Jesus.
Responda ao chamado de Deus largando as redes, isto é, não ficando de longe ou apenas observando Jesus, mas bem de perto, andando ao seu lado dia a dia, através do estudo da Palavra, da comunhão com Ele e da oração. Responda ao chamado no lugar e na situação em que você está — como pai ou mãe, filho ou filha, patrão ou empregado, pobre, rico ou classe média, com diploma ou sem muito estudo, como jovem, velho ou criança, enfim, onde e como Deus colocou você.
Responda ao chamado de Deus seguindo Jesus como fizeram os discípulos: com total confiança de que aquele que os chamou e os guiava sabia o que era melhor, conhecia o melhor caminho e tinha o melhor objetivo para as suas vidas.
Deus nos chama a pescar gente. Qual a nossa resposta? A nossa resposta radical, profunda, comprometida e que agrada a Deus não depende, e ainda bem!, das nossas próprias forças. Lembrem-se de que é Jesus quem diz: venham comigo, que eu ensinarei vocês a pescar gente!
É Ele mesmo que nos leva ao arrependimento e nos faz crer no Evangelho e também é Ele, que nos dá a missão, quem também nos dá as forças, a capacidade, os dons, os recursos e a vontade de segui-lo, de aprender dele e assim pescar gente para a salvação eterna, como nos diz Paulo em Fp 2.13: Deus está sempre agindo em vocês para que obedeçam à vontade dele, tanto no pensamento como nas ações.
Que a nossa resposta ao chamado de Deus seja verdadeira, alegre e profunda, motivada pelo amor de Jesus a nós, para que, fundamentados na fé, possamos dizer com o salmista de hoje:
Somente em Deus eu encontro paz; é dele que vem a minha salvação. A minha salvação e a minha honra dependem de Deus; ele é a minha rocha poderosa e o meu abrigo (Sl 62.1,7). Amém.

Rev. Leandro Daniel Hübner — Rio Branco-AC, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil.

Proclamanão Luterana - 004

O contexto litúrgico da pregação luterana

10. Anos atrás, na era da televisão preto e branco, existia um herói pistoleiro, chamado Paladin. Ele tinha uma arma e queria viajar. Tal não é a natureza do pregador luterano. Nosso o assunto não é: Tu tens um sermão? Queres viajar? A pregação luterana usualmente ocorre num contexto litúrgico no meio de uma congregação subordinada ao artigo 14 da Confissão de Augsburgo: Da ordem eclesiástica se ensina que sem chamado regular ninguém deve publicamente ensinar ou pregar, ou administrar os sacramentos na Igreja. Aqui nós nos comprometemos a limitar a pregação luterana aos que possuem um chamado regular de uma congregação. Onde este chamado falta, tal como em convocações ou convenções, ali o pregador, normalmente, dispensa vestimentas e estolas litúrgicas para visualizar que esta não é a situação normal, mas um momento especial. Assim, a atividade da pregação luterana é contextualizada pela liturgia e a vida congregacional.

11. Dizer que a pregação luterana é moldada pelo contexto litúrgico não deve ser

entendido como um convidar ara a etiqueta do sacerdotalismo, embora nestes dias cinzentos e posteriores aos epitáfios dos romanistas, chauvinistas e neo-donatistas. Eu de bom grado me conformo com o sacerdotalismo. Não obstante, até para neo-sacerdotalismo entre nós, é claro que para o luterano a adoração ocorre, para a maior parte de nós, no contexto do culto. Por isso estamos conformados que o sermão ocorre no contexto litúrgico histórico da igreja[1]. No entanto, coisas inapropriadas para um contexto geral de adoração não acontecem em um sermão regular sem graves conseqüências. Você pode ir ao púlpito uma vez vestido de anjos, ou com o telefone celular como auxílio, ou mesmo com um gráfico, mas nem todos os domingos. O ambiente de culto na igreja não permite esse tipo de pregação como algo regular.

12. Além disso, dando ênfase à forma do “culto histórico”, (como nossa Comissão de Culto e liturgia o chama) a pregação luterana é formada pela expectativa de prover alimento para a fé. A liturgia coloca o sermão com o ofício da palavra de Deus, que a congregação escuta como a “voz de Cristo.” A pregação luterana é a expressão da Palavra de Deus, na qual o cristão fiel espera ouvir, na perspectiva de Lei e Evangelho tirados da palavra de Deus, o que seja dito a eles. O sermão luterano não é um estudo bíblico, nem é uma lição da história da igreja, dos quais os fiéis, sem dúvida alguma, podem ter proveito. A pregação luterana é a proclamação da Palavra, mais kerygmática do que didática[2], assim é dado ao evangelho uma predominância maior, como o Dr Walther apropriadamente admoesta. Como o confessamos publicamente de que o principal culto a Deus é a pregação do Evangelho.[3]


[1] Horace Hummel underscores the unqueness of Lutheranism over against fundamentalism on the basis of this very contexdtual issue; cf. Lutheranismo and the Inerrance of Scripture” Concordia Journal, 14 Abril de 1988, p. 107

[2] Recentemente um convertido, adulto, me disse: Pastor, sou meio encabulado para lhe dizer isto, mas eu penso que tenho mais proveito do Estudo Bíblico para adultos, do que do seu sermão. Minha resposta foi: Este é o caminho normal. Nós queremos aprender e aprendemos pelo estudo. Isto é assim na vida. Como crianças, quando queremos aprender, nós perguntamos, nós estudamos. Isto nos dá conhecimentos. Mas na vida da família absorvemos muitos conhecimentos úteis para a vida, aprendemos a viver, nem sempre estamos conscientes disso. O estudo nos dá conhecimento, a liturgia cultiva vida em nós. A escola Dominical nos dá conhecimentos bíblicos, a liturgia cultiva a vida espiritual. Mais tarde ele me disse que achou a resposta verdadeira e isso lhe ajudou muito.

[3] AC XV, 42

Invasão da privacidade no céu e na nossa vida–de forma agradável e salutar

2º  Domingo após Epifania (B) 

Sl 139.1-10
1Sm 3.1-10
1Co 6.12-20
Jo  1.43-51

Está aí outra vez o Big-Brother passando na televisão – onde pessoas permitem ficar expostas, e a sua privacidade é invadida por milhões de telespectadores.

É muito estranho este tipo de comportamento humano – de gostar em se expor, e de gostar em ver a vida íntima dos outros. Isto tem nome: exibicionismo e voyerismo.

Em todo o caso – o normal mesmo é o desejo da privacidade, de não ficar exposto.

Até existe lei para proteger a privacidade das pessoas. Hoje, com a internet, as leis estão sendo adaptadas, a fim de que a vida de cada um não fique desvendada. Aliás, precisamos tomar todo o cuidado, porque quanto mais souberem de detalhes de nossa vida, mais podem usar isto contra nós e até fazerem alguma maldade à nossa integridade física, moral e econômica.

Falo disto, porque o Evangelho de hoje fala de uma agradável e benéfica invasão de privacidade. Jesus invadiu a vida pessoal de Filipe e Natanael. E isto trouxe uma grande mudança na história destes dois personagens da Bíblia.

No culto passado, conforme a leitura do EVANGELHO, foi Deus quem invadiu a privacidade de Jesus. Jesus foi batizado, e no momento quando saiu da água, ele viu o céu se abrir – se rasgar. E assim o Salvador foi exposto (epifania). Ele inicia seu ministério, e daí por diante a sua vida, e a própria morte, tudo dele fica explícito.

O resultado desta invasão na vida pessoal de Jesus é a nossa própria salvação. Se Jesus ficasse escondido, no seu canto, sem ninguém saber quem ele é, e o que ele fez, todos nós estaríamos perdidos, sem chance de sermos descobertos por Deus.

No Evangelho de hoje é Jesus quem descobre, descoberta a vida de duas pessoas, e faz uma promessa. Ele promete a invasão da privacidade do céu. Ele promete que o céu será uma casa onde se poderá enxergar a privacidade do que acontece lá.

Foi isto que ele disse para Filipe e Natanael: “Eu afirmo a vocês que isto é verdade: vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (Jo 1.51).

         Somos obrigados a confessar que é uma promessa bem estranha.

         - O que será isto: - ver o céu aberto, e os anjos subindo e descendo sobre o Filho do Homem?

         Entendemos que Jesus não fala do céu das estrelas, do espaço, no qual se movem a terra e os planetas. Ou do céu de onde falta chuva, ou de onde vem muita chuva.

         Ele fala do céu invisível, do Reino de Deus, onde estão os anjos que obedecem a Deus – este lugar onde Jesus está assentado à direita de Deus Pai.

         “Vocês verão o céu aberto”.

Cremos que as promessas de Deus sempre se cumprem.

         Mas por natureza somos pessoas desconfiadas. Temos dificuldades em acreditar naquilo que está longe de nossos olhos, fora de nossa realidade.

Gostaria de ajudar a todos vocês, na mensagem de hoje, a terem a mesma experiência de fé que  tiveram Filipe e Natanael. E assim, convido para refletirem comigo em algumas particularidades do Evangelho de hoje.

          Penso que, o que mais se destaca na história destes dois discípulos de Jesus é o fato de que não foram eles que decidiram procurar o Senhor. Algo semelhante com a história de Samuel, quando foi Deus que apareceu a este menino que mais tarde virou profeta.

         Isto é muito importante saber e reconhecer. Jesus mais tarde, quando conta a parábola da Videira, lembra desta verdade a todos os seus discípulos: “Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, fui eu que os escolhi para que vão e dêem muito fruto” (João 15.16).

         Isto combate em nós a prepotência, o orgulho, a vaidade – frutos da natureza humana que tanto estragam os objetivos de Deus em nossa vida de chamado.

Querem um exemplo? No trabalho da igreja de vez em quando falamos: se não fosse eu, nada disto aconteceria.

Na verdade, se sou pastor, um líder na igreja, ou membro que oferta e participa, alguém que coopera no trabalho da igreja, isto acontece porque Deus fez isto. Caso não tivesse nos colocado nesta posição e tarefa, ele buscaria outros.

         O que podemos fazer – e isto realmente depende de nós – é dizer: “não, eu não aceito, eu não quero”. Mas isto já é outra história...

         Outro fato interessante no Evangelho é que Natanael ficou muito surpreso quando Jesus chegou para ele e disse: aí está um verdadeiro israelita, um homem realmente sincero.

- De onde o senhor me conhece? perguntou Natanael, muito espantado.

         Foi uma reação normal para alguém que não sabia com quem estava falando! Natanael ainda não sabia que aquele com quem conversava é aquele que sabe tudo, aquele que vê tudo.

         Este fato está bem explicito no Salmo 139: Ó SENHOR, tu me examinas e me conhecer. Sabes tudo o que eu faço, e, de longe, conheces todos os meus pensamentos. Tu me vês quando estou trabalhando ou quando estou descansando, tu sabe tudo o que eu faço.

         Isto pode ser uma coisa boa, mas também uma coisa ruim.

         Boa, quando queremos que Deus sempre esteja ao nosso lado, nos protegendo, abençoando.

         Ruim, quando fazemos coisas erradas, ou quando queremos seguir nossos próprios caminhos.

         Para Natanael, foi uma coisa boa, até porque veio um elogio da parte de Jesus: “um verdadeiro israelita, uma pessoa sincera”.

         Será que Jesus diria o mesmo de nós? Um verdadeiro cristão, uma pessoa sincera - sem cera, sem máscaras?

         Mas Natanael tinha os seus defeitos, e isto é outra coisa que o texto nos ensina.

         Quando Filipe disse para Natanael: “Achamos aquele de quem Moisés escreveu no livro da Lei e sobre quem os profetas também escreveram”,  ele duvidou achando que o Messias não poderia ser alguém de Nazaré, ou seja, de uma vila humilde e pobre.

         Este homem, além de cético, tinha preconceitos. Na cabeça e na cultura dele, gente boa só poderia ter ascendência boa – pedigree.

         Por mais que a gente diga que não – mas sempre torcemos o nariz para as pessoas simples, para lugares simples – para a pobreza, especialmente quando estas pessoas estão numa posição de autoridade, de liderança.

         Os espertos sabem disto, e por isto, quando querem enganar, se vestem com a melhor roupa, e se fazem de importantes.

         É preciso tomar cuidado, porque atrás de coisas grandiosas, pode estar a falsidade, e atrás de coisas simples, pode estar a verdade.

         Natanael, ao pensar que Jesus era um chinelão, um João ninguém, desprezou o Filho de Deus.

         Mas, ainda bem que Jesus não desprezou este homem. E esta a parte mais interessante da história.

         Jesus chegou para Natanael, e amorosamente lhe disse: “Antes de Filipe o chamar, eu já tinha visto você sentado debaixo da figueira”.

         Natanael veio para ver Jesus, e descobre que ele já tinha sido visto por Jesus. 

          Nós não sabemos o que este homem fazia sentado debaixo de uma figueira. Mas ele estava sentado, parado, inerte, sem fazer nada. Quem sabe pensando na vida, nos problemas, deprimido, sem perspectiva.

         Sentado debaixo de uma figueira pode ser até uma coisa muito boa, especialmente nestes dias extremamente quentes de verão. Ou até mesmo nas férias, descansando de um ano agitado e estressante.

         Mas a vida não pode ficar assim quando Deus tem planos relevantes para nós.

         Quando Deus nos chama para mostrar  aos outros de que existe um céu aberto,  a primeira coisa que ela faz acontecer, é nos tirar de uma vida estática, vazia, sem frutos para o seu reino. No caso de Samuel, Deus o acordou do sono e o chamou.

Deus nos acorda, no tira da sombra, e nos oferece uma missão.   

         Natanael ficou surpreso que a sua vida era um livro aberto para Jesus. Sua surpresa foi acompanhada pelas palavras: “Mestre, o senhor é o Filho de Deus! O senhor é o Rei de Israel”

E foi neste momento de fé e de confissão que Jesus lhe diz: “Você crê em mim só porque eu disse que o tinha visto debaixo da figueira? Pois você verá coisas maiores do que esta. Eu afirmo que vocês que isto é verdade: vocês  verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.

         Os comentaristas bíblicos explicam que Jesus está buscando a imagem daquele sonho de Jacó, que viu uma escada entre o céu e a terra, e anjos subindo e descendo por esta escada (Gênesis 28).

         Tudo indica que Jesus estava neste mesmo local onde Jacó teve este sonho.

         Um comentarista explica este texto com as seguintes palavras:      “Essas palavras se referem claramente à escada de Jacó, e deixam entendido que aquilo que ele viu, agora teria o seu cumprimento: ou seja, que ele, o Filho do homem, é a habitação de Deus e o portão do céu; e que, por intermédio dele, e nele em primeiro lugar, haveria de descer toda a comunicação de ajuda e de graça, vindas do alto”.

         Nesta compreensão, o que Jacó viu em sonho, Jesus promete a Natanael que ele verá na realidade.

         Estimados irmãos, vivemos tempos na história da humanidade nunca vistos antes. É a modernidade tecnológica nos trazendo uma mudança muito grande, especialmente no aspecto da comunicação. Podemos hoje falar com todo mundo, a qualquer hora. E não só falar, mas ver esta pessoa com quem estamos conversando.

         Mas, uma coisa ainda permanece a mesma, igual como no tempo de Natanael, Filipe e Samuel.

         Não podemos falar com Deus, ao menos que ele fale conosco. Não podemos enxergar a Deus, ao menos que ele nos enxergue primeiro.

         E aqui está a descoberta mais fantástica, que não pode ser comparada com a internet ou qualquer outro instrumento tecnológico, feito por mãos humanas.

         Esta descoberta fantástica foi revelada na vida destes personagens bíblicos, e também na tua vida, meu irmão, minha irmã.

         Mas, pode ser que tu não estejas interessado que Deus faça uma invasão na tua vida. Pode ser que tu estejas com certas dúvidas, se vale a pena permitir que Jesus te exponha, te chame - para fazeres parte da Epifania do reino de Deus.

         Creio que o melhor então é seguir o exemplo de Natanael (nome que significa dom de Deus). Ele foi tirar as suas dúvidas com o próprio Salvador.

         Oração: Senhor e Salvador. Agradecemos-te por tua palavra. Reconhecemos que sobre nós o céu permanece fechado, a não ser que tu venhas até nós com teu perdão e amor. Louvado seja porque abriste o céu para nós. Deixa-nos ser como Natanael, a fim de que possamos vencer nossas dúvidas.  Deixa-nos ser como Filipe e Samuel que ouviram a tua voz e entregaram a vida para o serviço e o testemunho. Que tenhamos coragem, alegria e vontade no testemunho e no trabalho no teu reino. Dá-nos sempre a visão do céu aberto e da sua glória, para não esquecermos neste mundo agitado e cheio de tentações, de que as maravilhas da vida está em ti e vem de ti. E permita, enfim que um dia estejamos contigo neste céu aberto com todos aqueles a quem testemunhamos. Por Jesus Cristo. Amém.

Marcos Schmidt

sábado, 21 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 003

7. Ali está a palavra falada, e ela está intimamente unida à palavra de Deus. Como já indiquei, Richard Lischer, escreve: Ali está a palavra escrita! Nós ouvimos a palavra falada de Deus. Nós lemos a palavra escrita de Deus. A palavra escrita e a palavra falada têm uma dinâmica diferente. Eles são na verdade uma linguagem diferente, têm um impacto diferente sobre nós. É característica da palavra escrita, mover-nos a pensar e contemplar. A palavra escrita pode fazer isto, por causa de suas propriedades. A palavra escrita “permanece firme” onde ela está e permite a todos, mesmo ao mais grosseiro dos leitores a tomá-la ou deixá-la onde ela está, pensar ou não pensar algo. É uma característica da palavra falada de mover-nos a percepções e intenções. Obviamente estas características sobressaem. A palavra falada pode convidar à contemplação, mas, pela virtude de sua propriedade, quando ela o faz, ela leva o ouvinte além. A palavra falada não permanece quieta. Quando ela deixa de pensar, core seu próprio risco, e perde por cada pausinha que faz. E quando que, pela virtude de suas propriedades, a palavra escrita move alguém à ação, esta ação faz a pessoa abandonar a palavra escrita e ir além por si mesma. Enquanto a palavra escrita fica ali onde foi jogada.

8. Pregar é palavra falada, com os benefícios e possibilidades que provém destas propriedades. Mas isto não é o fim da história. A pregação luterana nunca é um mero exercício da palavra escrita. A pregação luterana é normada pela Escritura, como veremos a seguir. Mas esta observação também tem significado aqui, pois a Bíblia é a palavra escrita, com todas as propriedades da palavra escrita. E novamente, esta não é toda a história, para estas palavras escritas. Primeiramente, por um fato especial: Esta palavra escrita deve ser falada e ouvida! Birger Gerhardson atesta: “a maior parte da literatura antiga é destinada mais para os ouvintes, e nem tanto para os olhos. Palavras eram entendidas como sons, os autores escreviam, trabalhavam o que pensavam para serem lidas em voz alto.”[1] Claramente, esta observação é verdadeira, com respeito à Escritura pela virtude de como nós achamos os textos sagrados devem ser manejados, na narrativa da Escritura, e por instrução explicita na leitura dos textos, como tais.

9. O fato de a palavra escrita ser escrita para ser falada, nos faz esperar ainda mais do sermão como palavra falada, baseada na palavra escrito para prover isto que característica da palavra falada, a saber, criar vivas percepções e formar intenções nos ouvintes. O sermão é bem apropriado para a proclamação de ambos, da culpa e do perdão. Sermões são bons veículos para admoestações e exortações. Sobre tudo, podemos falar de ambos os benefícios e das variações destas propriedades da palavra falada relacionados à pregação luterana. Mas, neste ponto, é suficiente dizer que a pregação luterana necessita conscientemente ser conduzida como uma visão às propriedades de uma atividade lingüística oral.


[1] Birger Gerhardsson, Memory and Manuscript, trans. Eric J. Sharpe, Acta Sminarii Neotestamentici Upsaleinsis, XXVII (Upsala, Sweden: Gleerup, 1961), p.163; cited in Lischer, p. 68.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 002

I - O Conteúdo da Pregação Luterana

3. A pregação luterana é uma atividade que não é feita num vácuo. Antes, ela acontece dentro de um contexto, sim de vários contextos. Como uma atividade da linguagem, a pregação luterana vive no contexto lingüístico, e se defronta com uma exigência da gramática local. Como uma atividade na Igreja, a pregação luterana vive no contexto litúrgico e suas implicações locais. E como uma atividade da proclamação da Palavra de Deus, a pregação luterana vive no contexto da teologia luterana. Estes contextos juntos formam o meio ambiente no qual a atividade da pregação luterana acontece. Vamos considerar cada contexto.

 

O contexto linguístico da pregação luterana

4. Pode parecer que a respeito do contexto lingüístico da pregação luterana há pouco a dizer, a não ser algo sobre a necessidade de um som claro e distinto, de frases claras e distintas. Mas tal simplicidade ilude quanto a tarefa. Primeiro, o mundo lingüístico não é monolítico (bloco único). Há nela diferenças consideráveis, por exemplo, entre a palavra escrita e falada.

5. A primeira palavra no mundo foi falada: E disse Deus: Haja... A primeira palavra desenvolvida na sociedade foi falada. A primeira palavra pronunciada por vossos filhos são palavras faladas. Há algo básico com a palavra falada. A respeito disto, Richard Lischer escreve:

A voz viva com sua capacidade, variações e entonação, gritos e força, torna possível um nível de clareza não conhecida pela forma escrita da comunicação. A leitura e a televisão fazem de nós espectadores externos, mas o som é a chave para o interior. A classe pode examinar-me, o novo professo, quanto tempo quiserem, mas nada do que eu sou será revelado, exceto quando abro minha boca para falar. O que é mais revelador do que a linguagem?

6. Num nível mais profundo, a fala cria um tipo de comunicação que não somente transmite informações, mas requer respostas.[1]


[1] Richard Lischer, A theology of Preaching: The Dynamics of the Gospel. (Nashville: Abingdon, 1981), p. 69.

Projeto Neemias

No Distrito Espírito Santo Norte (DIESNORTE) da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB), há um projeto chamado Neemias. Que pretende construir igrejas, utilizando ofertas dos leigos.

No Assentamento Boa Vista, em Ecoporanga este projeto está sendo contemplado com recursos para a construção de uma singela capela, para que as pessoas possam prestar seu culto em local adequado.

Segundo informações do Rev. Adevilson Kreitlow, a construção teve início no dia 26 de Dezembro de 2011, e na primeira semana de 2012 foi impossível trabalhar no local pela quantidade de chuva, mas nesta semana a construção está a todo vapor. Como se verifica nas fotos.

Se você é Leigo do DIESNORTE e ainda não ofertou para o projeto, não perca a oportunidade. Fale com a liderança de sua igreja e colabore também, para que mais e mais igrejas sejam “plantadas”.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 001

A Proclamação Luterana: Proclamação, não comunicação

Robert W. Schaibly[1]

Trad.: Horst Kuchenbecker

1. A respeito da pregação luterana, já foi dito e escrito muita coisa. Escrevo isto na convicção de que nosso Sínodo, em particular e o luteranismo em geral, está enfrentando um grave problema nesta área. Minha convicção cresce pela noção de que, mais cedo ou mais tarde, vou precisar voltar-me a todos os meus paroquianos e todos os meus queridos colegas, que me empurram para, de tempos em tempos, fazer uma investigação sobre o que está acontecendo nos púlpitos luteranos, e o que esperam que aconteça. Ofereço aqui alguma coisa dessas investigações.

2. Dito isso, desejo ser compreendido ao oferecer a meus leitores uma perspectiva e uma atitude sobre a pregação luterana. Não posso fazer mais do que oferecer. Não tenho mecanismos pelo quais pudesse pesquisar. Na verdade, despertei para esse tema ao ler o sermão de Lutero sobre o cego de nascença em João 9, pregado na quarta-feira, após Laetare, dia 17 de março de 1518.

Vocês sabem, meus amigos em Cristo, que eu não entendo muito sobre pregação, e por isso prego um sermão louco; por ser um louco eu agradeço a Deus. Por isso, preciso ter ouvintes loucos. Todo aquele que não deseja ser louco, pode fechar seus ouvidos. Este evangelho me impulsiona a tomar esta atitude. Como vocês ouviram, este evangelho de Cristo é lido somente por cegos. E Cristo conclui que todos os que vêem são cegos e todos os sábios e prudentes são tolos. Estas são suas palavras. Se eu tivesse dito isso, seria tido como um novo profeta. Mas Cristo não mente. Pois, todos nós somos cegos, nossa luz e iluminação vem somente de Cristo, nosso bom e gracioso Deus.[2]


[1] Lutheran Preaching: Proclamation, Not Communication Concordia Journal, January, 1992. Vol 18, nº 1, p.6.
[2] Luther`s Works, Am. ed., vol. 51, pp. 35-36.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Melhor previnir

O problema da seca não é a falta de chuva, mas a de juízo. Não é preciso um José com dons divinos para interpretar sonhos, basta um meteorologista com dotes científicos – que, aliás, também são dádivas do céu. Mas a célebre história das vacas gordas e magras tem um importante aviso que não depende de fé, e que nossos “faraós” deveriam prestar atenção. Refiro-me ao conselho de José: “Será bom que o senhor, ó rei, escolha um homem inteligente e sábio e o ponha para dirigir o país” (Gênesis 41.33). Infelizmente, o método nas escolhas de nossos administradores é norteado por questões políticas e não técnicas – interesses de poder e ganância que transformam sonhos em pesadelos.

A vida nos ensina que é melhor prevenir que remediar. A prevenção tem custos, mas é menos dispendiosa que as soluções emergenciais. A saúde física, por exemplo, se houver os devidos cuidados na mocidade, na velhice a pessoa estará preparada para as inevitáveis secas. Há exceções, como em toda regra, mas o sábio Salomão já disse: “Preguiçoso, aprenda uma lição com as formigas! Elas não têm líder, nem chefe, nem governador, mas guardam comida no verão, preparando-se para o inverno” (Provérbios 6.6-8).

A lição é a mesma no campo espiritual. Diz a Bíblia que aquele que tem fé em Deus “é como árvore plantada perto da água, que espalha as suas raízes até o ribeirão (...) Quando não chove, ele não se preocupa, continua dando frutas” (Jeremias 17.8). Ao contrário da “planta do deserto” que cresce com a chuva, mas logo desaparece. Por isto a invariável sequidão de certos “crentes” – para quem Deus é bom enquanto chove prosperidade, mas injusto quando surgem os infortúnios. Onde estão as raízes desta fé? Se estivessem até a profundidade onde corre a “água da vida” (João 4.14) seriam raízes de “árvores que dão frutas no tempo certo, e as suas folhas não murcham” (Salmo 1.3). Tomara que estes tempos de pouca chuva nos façam refletir em tudo isto.

Marcos Schmidt
pastor luterano
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Lições do naufrágio

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O desastre com o Costa Concordia assusta também os que estão em terra firme. A imagem do “Titanic” italiano, rendido nas rochas, com seu colossal tamanho, luxo e tecnologia, choca e aterroriza a todos que têm consciência das incertezas no mar da vida. Por isto as lições desta tragédia. E a primeira que sobressai é a atitude irresponsável e covarde do comandante. Saiu da rota por motivos fúteis, abandonou o navio quando deveria ser o último, e ainda mentiu para a capitania dos portos. Insensatez, desatinos, e falsidade, no entanto, são marcas que caracterizam a sociedade moderna. O mundo está carente de bons navegadores na família, na política, na economia, nos meios de comunicação, nas escolas, nas polícias, e pior, nas religiões. Todas as instituições estão afundando. Deveriam estar “vento em popa”  pela ciência. Mas, quanto mais a humanidade avança na tecnologia, mais regride nos valores éticos e morais.

E assim a atitude deselegante das pessoas na hora de abandonar o navio. A frase “mulheres e crianças primeiro” não foi respeitada. Passageiros relatam que muitos desacataram este regulamento na hora de entrar nos botes salva-vidas. Cavalheirismo, respeito e consideração naufragaram faz tempo. Creio que estamos presenciando aquilo que diz o texto sagrado, que as pessoas serão egoístas, desobedientes, sem amor, incapazes de se controlar e atrevidas (2 Timóteo 3.1-4). Percebe-se isto no trânsito, nas filas, ou em qualquer situação que exige renúncia. A teoria evolucionista da seleção natural, dos mais fortes que abatem os mais fracos, pode ser a explicação, mas não justifica. A sociedade precisa urgentemente da fé na criação e recriação divina, que tem outra teoria: “Quem ama é paciente e bondoso... Quem ama não é grosseiro nem egoísta” (1 Coríntios 13.4,5).

Mas o mundo tem saída. Igual ao navio que requer uma operação dispendiosa, mas capaz para chegar ao estaleiro e ser refeito. Intervenção que já começou quando a Bíblia afirma: “Um dia o próprio Universo ficará livre do poder destruidor” (Romanos 8.21). Até porque não tem como pular fora... 

Marcos Schmidt
pastor luterano

O que perdemos ou ganhamos por espiar

Ganhar ou perder por espiar depende da motivação, do propósito e do alvo da espiadela. Existem momentos (ou razões) que justificam o observar secreto da vida de alguém e outros não. Os pais, por exemplo, precisam saber o que os filhos fazem e que lugares frequentam. Espionar a vida dos outros para ter o que falar, não é recomendável.

Está de volta o “reality show mais amado-odiado do país”. Trata-se do BBB – 2012. Os organizadores precisam de pessoas que liguem o televisor ou outros meios de comunicação. A audiência fará com que o programa continue ou não. Como ele está de volta e continua no ar é porque milhões de pessoas estão “espiando”.

Espiar significa “observar secretamente”, lançar um olhar sem maiores intenções. Mas, havendo interesse, o passo seguinte é não mais tirar a atenção. É aí que está o perigo. O que acontece com o reality show é uma chamada coletiva para prender a atenção por muito tempo. Os patrocinadores é que agradecem e faturam. Por outro lado, crianças, adolescentes e jovens são induzidos à prática de atitudes que ferem os bons princípios. É neste sentido que temos muito a perder olhando uma programação como esta.

Existem alternativas melhores para uma boa espiada. Um bom livro, o exemplo de alguém que é justo, honesto e sincero. Temos muito a ganhar espiando as Sagradas Escrituras. Deus quer ser conhecido, especialmente quando nos convida a contemplarmos o seu amor revelado em Cristo.

Uma boa sugestão para desviar o foco da “casa mais vigiada do país” é exercitar o poder de desligar o aparelho que transmite o programa. Outra dica é pedir o que o salmista pede: “Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo.” (Salmo 27.4). Ganhamos muito contemplando (espiando) a beleza do amor de Deus por nós.

Pastor Fernando E. Graffunder

Três Vendas – Pelotas, RS.

Proclamação Luterana

Nos próximos dias vamos publicar um estudo traduzido pelo Pastor Horst Kuchenbecker.

Serão 20 postagens diárias, que, no fim, darão um documento completo, também postado aqui para leitura on-line.

É um estudo muito apropriado da diferença entre Proclamação e Comunicação. Agradeço ao Rev. Horst por sua disponibilidade e peço a Deus que dê a ele sempre mais tempo e capacidade para poder continuar com esses serviços tão importantes para a igreja. E que, ao seu exemplo, muitos outros, pastores e leigos da igreja, possam oferecer seus dons ao serviço do Senhor.

Confira, a partir de amanhã.

Rev. Jarbas Hoffimann
Congregação Castelo Forte
Nova Venécia-ES.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Tempo acelerado

A sensação de que a cada ano o tempo passa mais depressa é por culpa da tecnologia, explica o autor do livro Acelerado: “Uma coisa acelera a outra e nos vemos num círculo vicioso aparentemente inquebrável: a tecnologia gera demanda por velocidade, que empurra o desenvolvimento de novas tecnologias que precisam ser mais rápidas”. Pensando bem, uma grande incoerência. A máquina que deveria nos dar tempo tira o nosso tempo. E daí a aflição de nunca conseguir fazer tudo, de sentir que a vida está passando rápido demais, de olhar para trás e descobrir que muitas coisas ficaram só nas promessas. E quando chega o final do ano, tudo se junta. Uma pesquisa diz que nesta época do ano o nível de estresse aumenta consideravelmente devido o desconforto emocional com a correria, compromissos, resoluções, filas, festas, compras, projetos diversos, encontros familiares, e muitos recorrem aos remédios para combater a ansiedade.

Estavam certos os nossos avós, eles que se locomoviam no ritmo das carroças e enviavam mensagens via charrete. “O apressado queima a língua”, diziam eles. É claro que não dá para voltar àqueles tempos. Precisamos, sim, de equilíbrio no uso das ferramentas modernas. E se a sensação é de que o ano passou correndo, bem normal. Pois foram as oportunidades que todos desperdiçamos, chances para amar, ajudar, oferecer, repartir. Algo que o apóstolo reconheceu ao afirmar que “os dias em que vivemos são maus; por isso aproveitem bem todas as oportunidades que vocês têm.  Não ajam como pessoas sem juízo, mas procurem entender o que o Senhor quer que vocês façam” (Efésios 5.16, 17). Todo o livro contém uma lista bem interessante neste “procurem”, sobretudo ao dizer: “Trabalhem com prazer, como se estivessem trabalhando para o Senhor e não para pessoas” (6.7). Noutra carta ele também desejou: Que Deus, que é quem dá paciência e coragem, ajude vocês a viverem bem uns com os outros, seguindo o exemplo de Cristo Jesus!” (Romanos 15.5). É tudo o que precisamos para 2012.

Marcos Schmidt
pastor luterano
marsch@terra.com.br
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS
29 de dezembro de 2011

Sermão–01/01/2012


1º Domingo após o Natal (Ano Novo) - 1º de Janeiro de 2012

A sabedoria vem de Deus

Texto Base: Sl 111

Salmo do Dia: Salmo 111
Antigo Testamento: Isaías 61.10-62.3
Epístola: Gálatas 4.4-7
Evangelho do Dia: Lucas 2.22-40
Queridos Irmãos, o Salmo 111, no seu último versículo, fala de Sabedoria. E muita gente confunde sabedoria com inteligência...
Certo Dia o Rei Salomão teve que resolver um caso muito difícil. Duas prostitutas tinham tido cada uma um filho, mas uma delas rolou para cima do seu filho durante a noite e o matou. Então ela pegou seu filho morto e o trocou pelo filho vivo de sua companheira de quarto. Como as duas discutiam pelo filho, foram até Salomão para que ele resolvesse a questão.
Salomão mandou cortar a criança viva em duas partes e dar metade para cada uma. A mãe verdadeira disse que não o cortasse, porque ela entregava seu filho à outra mulher. Já a outra disse:
— Cortem mesmo, se eu não vou ter um filho, ela também não terá.
Salomão não deixou cortar a criança e a entregou àquela que não deixou matar o menino, porque aquela era a mãe verdadeira. Esta história de sabedoria está registrada em 1Rs 3. É uma mostra de Sabedoria.
Sabedoria não é a mesma coisa que inteligência. Tem muita gente muito inteligente que não sabe aplicar seu conhecimento. Salomão não era só inteligente, mas era mais do que isso. Salomão era Sábio. Sua sabedoria veio do próprio Deus.
Um dia, quando Deus ofereceu o que Salomão quisesse ele pediu: “dá-me sabedoria para que eu possa governar o teu povo com justiça e saber a diferença entre o bem e o mal.” (1Rs 3.9).
Todos nós podemos ser extremamente inteligentes ou não. Podemos estudar dia após dia e acumular cultura e conhecimento. Podemos chegar a ter todos os diplomas possíveis, mas sabedoria poucos têm. Na maioria das vezes a sabedoria só vem com a experiência de passar por várias coisas.
Mas a verdadeira sabedoria só pode vir de um lugar: de Deus. Só Deus pode nos tornar sábios.
Por exemplo, depois que somos livrados de momentos difíceis nós podemos ficar mais sábios, se nestes momentos confiamos em Deus. Nós aprendemos a ter paciência nos momentos de sofrimento. Pois sabemos que Deus nunca nos abandona.
A sabedoria vem de Deus.
Deus nos torna sábios para vivermos melhor nossa vida terrena.
O cumprimento dos mandamentos de Deus traz sabedoria. Porque no cumprimento deles está cumprida a vontade de Deus. O Sl 25.8-10 diz: “O Senhor é justo e bom e por isso mostra aos pecadores o caminho que Devem seguir. Deus guia os humildes no caminho certo e lhes ensina a sua vontade. Ele é fiel e com amor guia todos os que são fiéis à sua aliança e que obedecem aos seus mandamentos.”
O Senhor nos ensina a viver melhor nesta terra. A levar uma vida melhor com nosso próximo e com Deus.
Mas é bom não esquecer: nós não estamos mais sob o jugo da Lei. Nós somos livres por causa de Jesus Cristo e por causa do amor ao próximo nós nos fazemos servos uns dos outros, em amor ao próximo e a Deus. Por causa de Jesus Cristo nós somos livres de tudo. E por causa do amor ao próximo nós cumpriremos os mandamentos de Deus. Até mesmo como exemplo de fidelidade ao Senhor.
Em nossa vida terrena virão as tempestades e os momentos de desespero, mas com Deus nunca seremos abalados porque “o Senhor é o meu pastor, nada me faltará.” (Sl 23.1) E “ainda que eu ande por um vale escuro como a morte, não terei medo de nada. Pois tu, ó Senhor Deus, estás comigo, tu me proteges e me diriges.” (Sl 23.4).
Nesta vida nós podemos até ser feridos, mas jamais seremos destruídos, como diz Paulo: “Muitas vezes ficamos aflitos, mas não somos derrotados. Algumas vezes ficamos em dúvida, mas nunca ficamos desesperados. Temos muitos inimigos, mas nunca nos falta um amigo. Às vezes somos gravemente feridos, mas não somos destruídos. Levamos sempre no nosso corpo mortal a morte de Jesus para que também a vida dele seja vista no nosso corpo.” (2Co 4.8-10).
Essa é a Sabedoria que Deus dá. Aquela sabedoria de viver segundo a vontade de Deus e assim ter uma boa vida terrena.
Mas a Sabedoria de Deus não é importante apenas para nossa vida terrena, ela vai além. Porque é a Palavra de Deus que pode nos tornar sábios para a vida eterna.
Deus não fica só nas palavras. Ele vem a nós pelo Batismo.
O Sacramento do Batismo nos lava do pecado. O Sacramento do Batismo nos entrega todas as conquistas de Cristo na cruz. Mediante o Batismo nós morremos com Jesus e “Se já morremos com Cristo, também viveremos com ele.” (2Tm 2.11). E o Batismo é uma vez por todas. Não há necessidade de um segundo batismo.
Para dar perdão e fortalecer a fé frequentemente, Deus nos dá o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo. Participar da Ceia é um testemunho de que nós cremos em Deus, como diz o apóstolo Paulo: “cada vez que vocês comem deste pão e bebem deste cálice, estão anunciando a morte do Senhor, até que ele venha.” (1Co 11.26). Participando da Ceia nós estamos também testemunhando nosso Salvador Jesus Cristo.
Viver segundo a vontade de Deus é uma atitude sábia. Mesmo que o mundo diga o contrário. Para nosso mundo, ser sábio, ou ser esperto, é passar os outros para trás. É dar o jeitinho brasileiro. É ser desonesto. Mas para Deus ser sábio é outra coisa. Segundo nosso Deus, ser sábio é ouvir sua Palavra e praticá-la. “Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver.” (2Tm 3.16).
Isso é sabedoria. A Sabedoria que Deus dá para nós vivermos melhor neste mundo e a sabedoria que dá a vida eterna. Ser sábio é ter fé em Jesus Cristo. Porque Cristo morreu por nós e perdoou nossos pecados. A Sabedoria de Deus vem pelo Batismo, Santa Ceia e sua Palavra. E ele oferece isso a nós todos os dias de nossa vida.
Que Deus nos dê sabedoria para vivermos bem aqui na terra, neste ano que começa e em todos os outros. Para nos prepararmos para o mundo que há de vir. Assim como fala o último versículo do Salmo 111: “Para ser sábio, é preciso primeiro temer a Deus, o Senhor. Ele dá compreensão aos que obedecem aos seus mandamentos. Que o Senhor seja louvado para sempre!”
E neste ano que começa daqui a 4 dias, possamos saber que Deus trabalha em nós e por meio de nós, para nos trazer sua sabedoria e levá-la a todos. Deus é o que mais precisamos no próximo ano. Porque Deus nos ama acima de todas as coisas e nos quer com ele aqui na terra e na vida eterna.
Amém.
Rev. Jarbas Hoffimann — Nova Venécia-ES, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, da qual é membro da Comissão de Culto da IELB, diagramador e co-editor desta Revista.

Sermão–08/01/2012–opção

Batismo do Senhor / 1º Domingo após Epifania - C
8 de Janeiro de 2012

Você vale muito para Deus

Texto Base: Is 43.1-7

Salmo do Dia:        Salmo 29
Antigo Testamento:    Isaías 43.1-7
Epístola        Romanos 6.1-11
Evangelho do Dia    Lucas 3.15-22
Destaque:
“Para libertar você, entrego nações inteiras como o preço do resgate, pois para mim você vale muito. Você é o povo que eu amo, um povo que merece muita honra.” (Isaías 43:4)
1. Introdução:
Querido irmão e irmã na fé em Jesus, quanto você vale para Deus? Aos olhos do Senhor, qual é o seu valor?
A grande maioria de vocês deve ter vivido a experiência de um amor não correspondido. Quem ama faz tudo por amor à pessoa amada, tudo! Dizem que por amor, fazemos loucuras.
2. Desenvolvimento:
Deus revela o pecado do povo
No texto de Isaías, vemos Deus demonstrando seu amor pelo povo de Israel. Na verdade, um amor não correspondido, pois Israel estava afastado de Deus, mergulhado em pecados. E agora? Israel quebrou a aliança, desobedeceu, traiu... e agora? Deus poderia dizer a Israel: “Já que você quis assim, arque com as consequências.” Seria algo lógico a se fazer. Mas não para quem ama. Deus diz: Para mim, você vale muito!
2.1. Deus possibilita um novo início
a) Essa é a mensagem da Epifania que agora vivemos como Igreja Cristã: Deus manifesta seu amor eterno e incondicional pela humanidade. Mesmo que o amor de Deus não seja correspondido, Ele não desiste e continua afirmando: Para mim, você vale muito!
O povo de Israel havia sido levado preso, longe da sua terra natal. Aquelas pessoas perderam não somente sua casa, sua terra, mas a relação, o vínculo com Deus. Toda a situação de intenso sofrimento e dor ajudou aquelas pessoas a esquecerem de Deus.
Por incrível que pareça, esse é o “amor” que o povo de Israel prometeu a Deus. Na verdade, um amor não correspondido, pouco duradouro, um amor meramente humano e instável. Quando alguém se afasta da pessoa amada, o amor cai no esquecimento, esfria e a pessoa antes amada já não é tão importante.
No âmbito espiritual, em nossa relação com Deus, isso tudo gera surdez e cegueira espiritual. Esse é o amor inconsequente e não correspondido do povo de Deus.
b) Epifania é a manifestação do amor de Deus, especialmente àqueles que não correspondem ao amor divino. Por isso, vemos no texto, Deus intervindo para que esse amor não se acabasse de uma vez. Deus teve que agir para que seu povo, a quem tanto amava, não fosse destruído em seus pecados. Nosso texto começa com Deus dizendo: Mas agora... essas palavras indicam uma mudança no rumo da conversa.
O povo atravessa a profundidade do pecado e o afastamento de Deus e literalmente se afogava no pecado. Mas Deus disse: Quando você atravessar águas profundas, eu estarei ao seu lado, e você não se afogará. (Is 43.2a) As pessoas sentiam as chamas do inferno queimando, consumindo sua esperança, alegria e toda sua vida. Mas Deus disse: Quando passar pelo meio do fogo, as chamas não o queimarão. (Is 43.2b) Deus disse: Não tenha medo, pois eu o salvarei; eu o chamei pelo seu nome, e você é meu. (v.1) Deus disse: Eu estarei ao seu lado! Não tenha medo, pois eu estou com você. (v.2a,5) Para mim, você vale muito!
c) A leitura da epístola nos traz uma palavra muito importante. Uma palavra que seria muito útil para aquele povo de Israel. Palavra que vale a pena refletirmos: Portanto, o que vamos dizer? Será que devemos continuar vivendo no pecado para que a graça de Deus aumente ainda mais? (Rm 6.1)
Como responder ao amor de Deus? Ele manifestou seu amor por toda a humanidade em Jesus Cristo. Por amor, Deus fez a loucura de dar a vida do seu Filho, seu único e amado Filho Jesus. Ele chama a cada um de nós no evangelho e nos trouxe para dentro da sua família no Batismo. As mesmas palavras ditas a Jesus são para nós quando o Espírito Santo nos vem no Batismo: Tu és o meu Filho querido e me dás muita alegria. (Lc 3.22)
Amado irmão e irmã na fé, para Deus você vale muito!
2.2. Um recomeço precioso
a) Vemos no texto de Isaías que Deus oferece nações inteiras como preço do resgate. Ação semelhante Deus fez ao entregar Jesus Cristo para nos resgatar do pecado no qual nos afogávamos. Éramos prisioneiros do pecado e satanás nos mantinha no fogo do inferno até que Deus pagou o nosso resgate.
Esse amor de Deus por nós não permanece em segredo. Amor secreto não é amor, mas o sentimento de dois amantes que traem a pessoa amada. Deus manifesta, dá provas, comprova e vive imensamente seu amor por cada um de nós. Por que? Porque para Deus, cada um de nós vale muito!
Como responder a esse amor de Deus?
b) O Batismo é um novo e precioso recomeço para nós. No Batismo fomos unidos novamente com esse Deus que nos conhece e chama pelo nome – somos preciosos para Ele.
Só chamava pelo nome quem exercia autoridade, quem era senhor. Deus nos chama pelo nome desde o Batismo porque Ele pagou o preço do nosso resgate e exerce amorosa autoridade sobre nós, é o nosso Senhor e Salvador. Como nos diz em Romanos: Pois sabemos que a nossa velha natureza pecadora já foi morta com Cristo na cruz a fim de que o nosso eu pecador fosse morto, e assim não sejamos mais escravos do pecado. (6.6) Pertencemos a Deus e Ele não esconde seu amor, pois para Ele, somos muito valiosos.
Você se sente amado por Deus? Você se sente envolvido nesse amor eterno?
O amor de Deus não se baseia na reciprocidade. Sim, para nos amar Deus não espera pelo nosso amor, Ele simplesmente nos ama e comete loucuras por nós.
c) No Batismo, nós fomos enxertados no coração de Deus. Recebemos dele a vida por meio da sua Palavra que vivifica e alimenta. Jesus nos acompanha e nos convida a cear com Ele na Santa Ceia, porque somos valiosos para Deus e Ele não quer nos ver passando necessidades, fome e sede espirituais.
Não tenha medo, disse Deus! Não tenha medo do castigo, porque nEle há perdão. Passamos do medo para a confiança; da morte para a vida nos braços do Deus que tanto nos ama e nos valoriza.
3. Conclusão:
Vida preciosa com Deus
Com tantas notícias de enchentes, deslizamentos, tragédias, mortes, assaltos... o que vamos compartilhar nesse período de Epifania? O que temos para contar? Que experiências temos para compartilhar com as outras pessoas?
Vamos compartilhar as experiências da vida com Deus. Por que? Porque para Ele, nós valemos muito! Você é valioso para Deus. Você é digno de honra e glória. Deus derrama sobre a sua Igreja a honra e a glória de Cristo nos meios da graça. Por meio da fé que recebemos, que professamos e compartilhamos, tomamos posse dessas bênçãos que Deus nos oferece.
Na caminhada para a salvação eterna ou para a Terra Prometida, muitos desafios e dificuldades existirão. Tentações e momentos de desânimos. Talvez até queiramos desistir de tudo e voltar para trás, para o pecado que nos aprisionava. Isso faz parte, são as águas profundas que teremos de atravessar, é o fogo por meio do qual teremos que passar. Mas a promessa é: Não tenha medo, pois eu estou com você. (v.5)
Pois para mim, você vale muito.
E Deus nos acompanha na Palavra que nos orienta como andar ou agir, para onde ir. Ele nos prepara e fortalece na Santa Ceia para que nos momentos de aflição, saibamos que somos acompanhados por Ele. Não precisamos ter medo porque fazemos parte da família de Deus a partir do Batismo. Fomos enxertados nEle e agora, somos muito valiosos.
Não esqueça disso: Para Deus, você vale muito. Não deixe de responder ao amor de Deus. Não deixe de compartilhar as experiências da sua preciosa vida com Deus. Como tarefa de casa, especialmente nesse tempo de Epifania, seja um instrumento nas mãos de Deus. Fale e manifeste o amor verdadeiro que Deus tem para com todos nós. Pois para Ele, somos muito valiosos. Amém.

Comentários sobre Is 43.1-7
v.1: O texto começa dizendo: Mas agora... indicando que a conversa muda. Antes, Deus falava de sua ira e furor por causa do pecado.
Assim como o pastor conhece suas ovelhas, elas o conhecem ou reconhecem. Deus se identifica... assim diz o Senhor... para quem? Para o povo que Ele conhece e que a Ele conhecem.
Mas agora... Deus fala ao povo que Ele criou (bará – do pó da terra - CRIADOR), que deus forma (moldou), remiu (do Egito e do pecado), chamou pelo nome (dar identidade, conhecer intimamente), dono e Senhor de Israel: tu és meu! É uma palavra de intimidade, de conhecimento, de amor e de segurança. Pois diante de tudo o que foi revelado até então (ira...) Deus diz: Não tenha medo! Lembramos aqui do Salmo 23 onde o pastor leva suas ovelhas para um lugar calmo, seguro e tranqüilo.
v.2: Deus não isenta seu povo das dificuldades, mas diz: Eu serei contigo! Realmente, somos acompanhados por Deus em todos os momentos, por isso, o “Não tenham medo” tem crédito, pode ser aceito e podemos sim não te medo. Nem mesmo os eventos da natureza nos afastarão de Deus: O sol não lhe fará mal de dia, nem a lua, de noite. (Sl 121.6)
v.3: Mas, porque tudo isso? Porque eu sou o SENHOR, seu Deus, o Santo Deus de Israel, o seu Salvador.
v.4: Talvez, para alguns, Israel não era digno de honra, mas aos olhos de Deus, preciosidade, digno de honra. Deus revela que o seu amor por Israel não é de hoje, mas um amor continuado e que agora é completo. Deus não mede esforços em favor de Israel, nem outros povos e nações serão poupados, por amor a Israel.
v.5,6: Porque tudo isso? Porque esse Deus diz: Serei contigo! Deus promete ajuntar toda a descendência de Israel, o que nos dá idéia do feliz encontro com todos os santos na Jerusalém Celestial.
v.7: Para quem Deus fala isso? Todos eles são o meu próprio povo; eu os criei e lhes dei vida a fim de que mostrem a minha grandeza.

Rev. Jacson Junior Ollmann — Florianópolis-SC, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil.