domingo, 22 de janeiro de 2012

Proclamanão Luterana - 004

O contexto litúrgico da pregação luterana

10. Anos atrás, na era da televisão preto e branco, existia um herói pistoleiro, chamado Paladin. Ele tinha uma arma e queria viajar. Tal não é a natureza do pregador luterano. Nosso o assunto não é: Tu tens um sermão? Queres viajar? A pregação luterana usualmente ocorre num contexto litúrgico no meio de uma congregação subordinada ao artigo 14 da Confissão de Augsburgo: Da ordem eclesiástica se ensina que sem chamado regular ninguém deve publicamente ensinar ou pregar, ou administrar os sacramentos na Igreja. Aqui nós nos comprometemos a limitar a pregação luterana aos que possuem um chamado regular de uma congregação. Onde este chamado falta, tal como em convocações ou convenções, ali o pregador, normalmente, dispensa vestimentas e estolas litúrgicas para visualizar que esta não é a situação normal, mas um momento especial. Assim, a atividade da pregação luterana é contextualizada pela liturgia e a vida congregacional.

11. Dizer que a pregação luterana é moldada pelo contexto litúrgico não deve ser

entendido como um convidar ara a etiqueta do sacerdotalismo, embora nestes dias cinzentos e posteriores aos epitáfios dos romanistas, chauvinistas e neo-donatistas. Eu de bom grado me conformo com o sacerdotalismo. Não obstante, até para neo-sacerdotalismo entre nós, é claro que para o luterano a adoração ocorre, para a maior parte de nós, no contexto do culto. Por isso estamos conformados que o sermão ocorre no contexto litúrgico histórico da igreja[1]. No entanto, coisas inapropriadas para um contexto geral de adoração não acontecem em um sermão regular sem graves conseqüências. Você pode ir ao púlpito uma vez vestido de anjos, ou com o telefone celular como auxílio, ou mesmo com um gráfico, mas nem todos os domingos. O ambiente de culto na igreja não permite esse tipo de pregação como algo regular.

12. Além disso, dando ênfase à forma do “culto histórico”, (como nossa Comissão de Culto e liturgia o chama) a pregação luterana é formada pela expectativa de prover alimento para a fé. A liturgia coloca o sermão com o ofício da palavra de Deus, que a congregação escuta como a “voz de Cristo.” A pregação luterana é a expressão da Palavra de Deus, na qual o cristão fiel espera ouvir, na perspectiva de Lei e Evangelho tirados da palavra de Deus, o que seja dito a eles. O sermão luterano não é um estudo bíblico, nem é uma lição da história da igreja, dos quais os fiéis, sem dúvida alguma, podem ter proveito. A pregação luterana é a proclamação da Palavra, mais kerygmática do que didática[2], assim é dado ao evangelho uma predominância maior, como o Dr Walther apropriadamente admoesta. Como o confessamos publicamente de que o principal culto a Deus é a pregação do Evangelho.[3]


[1] Horace Hummel underscores the unqueness of Lutheranism over against fundamentalism on the basis of this very contexdtual issue; cf. Lutheranismo and the Inerrance of Scripture” Concordia Journal, 14 Abril de 1988, p. 107

[2] Recentemente um convertido, adulto, me disse: Pastor, sou meio encabulado para lhe dizer isto, mas eu penso que tenho mais proveito do Estudo Bíblico para adultos, do que do seu sermão. Minha resposta foi: Este é o caminho normal. Nós queremos aprender e aprendemos pelo estudo. Isto é assim na vida. Como crianças, quando queremos aprender, nós perguntamos, nós estudamos. Isto nos dá conhecimentos. Mas na vida da família absorvemos muitos conhecimentos úteis para a vida, aprendemos a viver, nem sempre estamos conscientes disso. O estudo nos dá conhecimento, a liturgia cultiva vida em nós. A escola Dominical nos dá conhecimentos bíblicos, a liturgia cultiva a vida espiritual. Mais tarde ele me disse que achou a resposta verdadeira e isso lhe ajudou muito.

[3] AC XV, 42