sábado, 27 de fevereiro de 2016

Como é que Deus nos aceita?

Como é que Deus nos aceita?
Como é possível ter paz com Deus?
Vamos tentar responder a estas duas perguntas hoje. Aliás, elas já estão respondidas no primeiro versículo do texto de Romanos 5.
Agora que fomos aceitos por Deus pela nossa fé nele, temos paz com ele por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.”
Nossa paz com Deus depende de estarmos em Cristo.
Estar em Cristo é crer nele e viver pra ele.
Mas por que, neste tempo em que tanta gente fala de Jesus, ao mesmo tempo, tanta gente ainda busca incansavelmente a paz com Deus e consigo mesmo?
Porque, de fato, não estão em Cristo.
Creem em palavras humanas, como se fossem palavras de Deus. E a própria Bíblia já adverte: “maldito o que confia no ser humano...”.

Lutero, sobre este texto, nos diz: Não conheço instrução ou orientação melhor e mais simples na fé cristã do que aquela que foi estabelecida desde o início da cristandade e que até agora assim permaneceu, qual seja, os três pontos: Os Dez Mandamentos, o Credo e o Pai-Nosso. Nesses três pontos consta, de forma simples e breve, quase tudo que um cristão precisa saber. Não basta que as crianças decorem ou recitem as palavras como de praxe até agora, mas é preciso que sejam questionadas ponto por ponto e que respondam o que cada um significa e como o entendem. É necessário aprendê-los até que se tenha guardado no coração toda a síntese da verdade cristã em dois artigos, como em duas bolsinhas, quais são, fé e amor. A bolsinha da fé deve ter dois bolsinhos; num deles, coloque-se o seguinte artigo: cremos que pelo pecado de Adão estamos todos corrompidos, somos pecadores e condenados, conforme Rm 5 e Sl 51.5. No outro bolsinho coloque-se o artigo de que todos somos redimidos por meio de Jesus Cristo dessa natureza corrompida, pecaminosa e condenada, conforme Rm 5.18s e Jo 3.16ss. A bolsinha do amor também deve ter dois bolsinhos. Num deles, ponha-se o artigo de que devemos servir e fazer o bem a todos, como no-lo fez Cristo (Rm 13.8/10). No outro, encontre-se o artigo de que devemos tolerar e sofrer de bom grado toda espécie de mal.”


Quer dizer:
1. Precisamos crer que somos pecadores e crer que Cristo nos redimiu.
2. Precisamos servir e fazer o bem a todos e precisamos suportar o mal que nos fazem.

Deus nos aceita pela fé em Jesus Cristo e o apóstolo Paulo nos lembra isso de maneira muito clara, quando diz: “Foi Cristo quem nos deu, por meio da nossa fé, esta vida na graça de Deus. E agora continuamos firmes nessa graça e nos alegramos na esperança de participar da glória de Deus.”

Como Deus nos aceita?
Aceita se cremos em Jesus Cristo e estamos dispostos a viver a vida cristã com todas as suas alegrias. Mas o próprio Cristo alertou que haveriam perseguições. Por isso Paulo também diz: “E também nos alegramos nos sofrimentos”.
Paulo vê utilidade nos sofrimentos. Não que ele gostasse de sofrer, mas ele aprendeu, com os sofrimentos, que Deus usa até os momentos difíceis para nos aproximar dele.
E Paulo diz: “sabemos que os sofrimentos produzem a paciência, a paciência traz a aprovação de Deus, e essa aprovação cria a esperança. Essa esperança não nos deixa decepcionados.”
Os seres humanos com suas promessas vazias podem nos decepcionar. Deus jamais nos decepcionará. Jamais.

Pra resumir, de forma magnífica, Paulo conclui o pensamento:
De fato, quando não tínhamos força espiritual, Cristo morreu pelos maus, no tempo escolhido por Deus. Dificilmente alguém aceitaria morrer por uma pessoa que obedece às leis. Pode ser que alguém tenha coragem para morrer por uma pessoa boa. Mas Deus mostrou o quanto nos ama: Cristo morreu por nós quando ainda vivíamos no pecado.”

Como é que Deus nos aceita?
Como é possível ter paz com Deus?

A resposta é:
Deus nos aceita pela fé em Cristo. E quando somos incluídos nesta fé, assumimos o compromisso de viver na fé até o fim, procurando servir a Deus e ao próximo. Pois o cristão, libertado de todo o pecado, se torna servo de Deus e do próximo, por amor.
A coisa mais importante que podemos fazer pelo próximo é apresentar Jesus Cristo. Claro que se ele está passando fome, também precisamos alimentá-lo, mas muito mais importante é o alimento para a vida eterna…
Pois só é possível ter paz. Paz de verdade, com Deus e com o próximo, por meio de Jesus Cristo, o salvador que nos perdoa todos os pecados.
Creia em Jesus. Viva pra Jesus. Proclame a Salvação em Jesus.
Assim, além de você ser salvo, ajudará a salvar a muitos.


Amém.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Desafio: ser mãe de verdade.

Esses desafios nas redes sociais já tiveram de tudo. Tinha aqueles que jogavam baldes de água gelada na cabeça… Tem desafio da comida… Desafio de compartilhar um versículo bíblico… Desafio de tudo quanto é jeito. Particularmente, não costumo aceitar nenhum, por acreditar que uma postagem no “face” não vá mudar nem a minha, nem a vida de ninguém… Mas não me desagrado daqueles que aceitam, usam e até se divertem com os desafios. Assim como muitos fazem aquele questionário pra saber que bicho você seria, que personagem da “Marvel”, etc… São bobagens pra entretenimento e as redes sociais deveriam ser basicamente isto: entretenimento. E cada um se diverte com o que, de fato, o diverte. E cada um é diferente.
O desafio mais recente era sobre a maternidade. Vi muitas pessoas publicando textos favoráveis sobre a maternidade. E como vivemos numa cultura idiota do politicamente correto, onde você tem que dizer as coisas para agradar os outros, mesmo que não concorde, todo mundo trouxe apenas as belas coisas da maternidade. Sem dúvida, é muito mais bela do que dolorida. Se é que se pode contrapor bela a dolorida. É uma dádiva de Deus. O Salmo 128 fala de que é “feliz” o homem que tem muitos filhos, mas poderia ser também aplicado às mulheres. Assim como Deus se compara às mães, quando quer dizer que jamais esqueceria de um de seus filhos: “Será que uma mãe pode esquecer o seu bebê? Será que pode deixar de amar o seu próprio filho? Mesmo que isso acontecesse, eu nunca esqueceria vocês.” (Isaías 49.15).
Mas e se alguém quisesse usar o desafio para desabafar… Não são raros os relatos de mães que sofrem muito... E este é até um dos “motes” que se usa no Dia das Mães, para homenagear àquela que sofreu para que seus filhos vivessem melhor. Já ouvi pessoas dizendo, às vésperas do parto: “aproveite a última noite de sono tranquilo da sua vida.” E é mesmo assim: pais (pai e mãe) que amam seus filhos, jamais deixarão de se preocupar com eles e isso vai lhes tirar noites de sono…
O desafio foi aceito por uma jovem mãe, chamada Juliana Reis, 25, de São Paulo. Antes de comentar alguma coisa, veja o que ela escreveu no “face” (E também partes de um relato que ela fez para o jornal “O Dia”):
"Eu via as postagens de 'desafio de maternidade', as mães postando fotos felizes e pensei: 'Isso não é desafio, isso é moleza, parar meia hora para sorrir para foto'. Quis retratar que não é assim comigo".
Ela relata o que passou. Sua gravidez não foi planejada (aliás, aqui está o problema de muitas mães hoje)... “Muito pelo contrário, não estava nem em um relacionamento estável com o pai do meu filho”. E ela ainda tentou usar a “pílula do dia seguinte” que alguns consideram abortivo (eu mesmo não tenho opinião, preciso estudar mais para entender…), mas a pílula não funcionou. No dia das mães de 2015 ela recebeu o resultado positivo de gravidez. E assim reagiu: “Aquela Juliana morreu quando recebeu o teste positivo. Morri naquele dia. Não sou mais eu, olho para o espelho e vejo outra pessoa”. Segundo relatos dela mesma, até descobrir a gravidez, vivia uma vida inconsequente e sem responsabilidades, mas com a gravidez “comecei a ter uma urgência em relação à vida, comecei a ter arrependimentos e medos”. Parece que “caiu a ficha”. E eu diria: ainda bem, pois já conheci pessoas que tiveram filho depois de filho, com diversos pais deferentes, mas como sempre tinha os avós para cuidar, continuavam procriando irresponsavelmente, como animais soltos no pasto. Aliás, animais selvagens costumam procriar apenas quando já acabaram de cuidar da prole anterior…
A moça se incomodou com a própria gestação, pois muitas pessoas começaram a dar palpita da vida dela. E como pai, posso dizer: “como as pessoas dão palpite na sua vida!” Mesmo desconhecidos. A gente tá andando com a criança e sempre tem um pra criticar a roupa, postura, alimento… Sempre tem a receita de um chazinho, de um remedinho… E aí a gente sorri e diz, muito obrigado. E tem gente que parece saber melhor do que você o nome que você deve dar para os seus filhos. Essa também é uma reclamação da moça.
Quanto ao parto, há um movimento que parece querer dizer que mães que não têm o parto normal, não são mães de verdade. Isso é coisa de quem não tem o que dizer… Então mãe de crianças adotivas também não são mães? São Sim. Assim como aquela que teve seus filhos por cesariana, seja opcional, ou necessária, pois muitas são, pasmem, necessárias e não problema de agenda… Mas com essa “pressão” na cabeça, a moça queria o parto normal e se decepcionou por não conseguir: “Tudo o que eu precisava para me sentir um lixo de mulher que não conseguiu fazer o tão raçudo parto normal”. Não mulher. Você que não quis ou não conseguiu ter o parto normal, não é pior que as outras mães. Aliás, ser mãe é mais do que parir… E isso vai se provar nos dias subsequentes.
Hoje Juliana mora com sua mãe e o marido -- pai da criança -- e admite até reclamar de barriga cheia, por ter muita ajuda dentro de casa. Mas convenhamos que não seja a situação adequada. Já dizia o ditado: Quem casa, quer casa. E quantos problemas surgem porque as pessoas simplesmente vão se amontoando todas juntas, quando deveriam ter seu próprio “lugarzinho”.
E, por fim, a Juliana, trazendo a sua realidade de mãe desabafa: “ser mãe é isso e eu não gosto”. Reportagem na internet, de “O Dia”, ainda lembra que: “Além da intromissão de todos na vida dela e de seu bebê, ela sofreu muito com as dores da cesárea e com a falta de tempo. Apesar de conseguir amamentar ‘com um pouco menos de dor, isso não torna as coisas mais fáceis’, ela explica, porque seu filho mama toda hora e, às vezes, por uma hora inteira. A aceitação se fragilizava ainda mais quando ela se via descabelada, sem escovar os dentes ou mesmo tomar banho.”
O bebê ainda chorava muito… Alguns pais sabem bem o que é isso e como dói sentir-se impotente diante da aparente dor da criança que chora.
“Na hora que ele parava, eu pensava: ‘Vou tomar banho, dormir ou comer?’ Tem que ponderar o que é mais importante. São coisas como essas que me fazem não gostar. Então, se ser mãe é isso, não gosto."
Por fim, como não poderia ser diferente, ela afirma: “Amo meu filho e quero o melhor para ele. Então, é exatamente por me dedicar 100%, por querer o bem dele, que ele tenha estabilidade emocional e uma estrutura familiar boa que vou fazer tudo, mesmo que eu não goste, por ele”.
Nesse nosso mundo “politicamente correto” o que acontece quando alguém tem coragem de falar a verdade e não florear as coisas? O obvio. Censura. Muitos reclamaram da página dela e a página foi suspensa, mas já voltou ao ar.
Eu consigo compreender o que essa moça passou e passa. E todas vocês, mães que viram seus filhos doentes, ou em más companhias, sabem bem o que aquela moça vive. Talvez até já tenham pensado como ela, mas muitas, sem ter para quem falar e preferindo sofrer sozinhas do que “causar estresse”, acabam calando. Algumas vezes deveriam causar estresse, para que as pessoas vejam como é, de fato, ser pai e mãe (de verdade). E entrem, com toda alegria nessa tarefa, mas também com toda a responsabilidade.
Sou um pai que acompanha a vida da minhas filhas. Desde antes de nascerem. Acompanhei cada consulta de pré-natal. Estive presente nas noites em claro (que foram poucas, mas é uma bênção que nem todos recebem), estive presente no primeiro dia de aula e estou presente, junto com a minha esposa. Eu já a vi cansada. Já a vi a mulher de verdade que ela é, não essas "photoshopadas" movidas a silicone. Sei o que passa uma mãe de verdade e oro por todas as mães, para que seus filhos tragam alegrias infinitas, que compensem todo o esforço para que se tornassem pessoas de bem.


Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas, @pastorjarbas)


Estes e outros artigos são publicados no Jornal Correio 9, de Nova Venécia (curta para ser avisado das edições diárias, leitura completa online):

Muito obrigado. Ai que susto!!!

Estamos ficando desacostumados com a educação. Estamos nos acostumando com os mal-educados. Estamos nos tornando mal-educados… Não que nossos pais não nos tenham educado. Nós é que estamos deixando pra lá tudo o que eles nos ensinaram.
Já vai longe o tempo em que os mais jovens se levantavam quando entrava o diretor na sala de aula. Ou quando alguém mais velho chegava (especialmente da família) se pedia a bênção. Aliás, nem ao padre se pede mais a bênção (não sou católico, mas este é um gesto bonito, de respeito ao sacerdote). E assim, muitos outros exemplos de nossa crescente falta de educação e respeito, que se reflete em desrespeito à autoridade nos diversos níveis. Não tenho que “gostar” da autoridade para respeitar a pessoa que ocupa o cargo. Afinal, se sou cristão, sigo o princípio de que: “nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus, e as que existem foram colocadas nos seus lugares por ele. Assim quem se revolta contra as autoridades está se revoltando contra o que Deus ordenou, e os que agem desse modo serão condenados.” (Romanos 13.1-2)
Antes de voltar ao foco: este texto não diz que devemos aceitar autoridades ruins corruptas, etc… Só porque são “autoridade”. A tal da carteirada que é algo típico por aqui... Também não é isso. Está dizendo, antes, que tratemos com respeito quem exerce a autoridade. E é pra agir com respeito, mesmo quando as vamos contestar. E, sendo o caso, extirpar do cargo como se tira um câncer que nos estava condenando à morte. Mas com respeito e educação.
Voltando: estamos mais mal-educados, desrespeitosos, impacientes. E não é falta de surra, como alguém pode pensar… E a surra, pela surra, nunca adiantou.
Relato duas situações:
Outro dia, na Feirarte, onde muitas crianças vão para correr com seus patins, patinetes e bicicletas, um menino acertou com muita força a sua bicicleta em mim… Se quer fez menção de parar e pedir desculpas. Simplesmente seguiu seu caminho. Alguém poderia dizer: É apenas uma criança. E é. Mas uma criança mal-educada, desrespeitosa e que, se continuar assim, vai, um dia, bater o carro e fugir.
Outra situação: dentro de uma agência bancária, passei por duas senhoras que desciam as escadas. Uma delas, mais jovem (suponho ser a filha) e a outra com mais idade (suponho ser sua mãe). Quando eu ia passando, a mais jovem, que descia na frente, olhou para trás, já fazendo menção em voltar e disse:
-- Será que eu disse obrigado?
Ao que a senhora respondeu:
-- Sim, você disse obrigado.
-- Tem certeza?
-- Tenho.
Pronto, foram embora.
A atitude delas me leva a ainda ter esperança na humanidade. Mas confesso que levei um susto com a reação da moça. Pois percebo que a maioria das pessoas simplesmente iria embora. Talvez eu mesmo não voltasse.
Não só a mais jovem, apressada talvez por seus afazeres, disse o obrigado tão automaticamente que nem percebeu, como a outra senhora percebeu que o agradecimento tinha sido feito. Ambas estavam preocupadas com a gratidão. E muitas vezes vamos ao banco, ao mercado, à farmácia, à delegacia… E pensamos que não precisamos agradecer, pois os “funcionários não estão fazendo mais do que sua obrigação”.
Bem! Já vi filhos dizendo que os pais não fazem mais do que sua obrigação em sustentá-los… E discordo. Os pais fazem muito mais do que a obrigação, assim como a maioria das vezes os funcionários citados fazem além de suas obrigações.
Me dirijo especialmente a você que é pai e mãe (não que colocou no mundo apenas, isso é reprodutor, não é pai ou mãe): eduque seu filho. A escola não vai educar, vai ensinar matemática, português, etc… A vida não vai educar, muito pelo contrário. A você o criador deu a sublime tarefa de encaminhar as crianças: “Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele.” (Provérbios 22.6). Quer seu filho “do bem”? Ensine o caminho, porque se perder, qualquer um faz sozinho… Pra “se achar” quase sempre precisamos de um guia. Pra servir ao Senhor, SEMPRE precisamos do guia Jesus.

Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas, @pastorjarbas)


Estes e outros artigos são publicados no Jornal Correio 9, de Nova Venécia (curta para ser avisado das edições diárias, leitura completa online):

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Faça o que eu falo e faço.

Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

A paz do Senhor esteja com todos vocês.

Faça o que eu falo e faço.

Em Filipenses, o Apóstolo Paulo traz um dos versículos que eu, particularmente, mais gosto da Bíblia. O versículo 17:
Meus irmãos, continuem a ser meus imitadores. E olhem com atenção também os que vivem de acordo com o exemplo que temos dado a vocês.”

Esta frase de Paulo sempre me chamou a atenção.
Porque ele mesmo se oferece como exemplo.
Na nossa sociedade hipócrita parece que não podemos nos citar como exemplo. O exemplo sempre tem que ser de alguém outro.

Hoje, parece que se você disser algo semelhante ao que disse Paulo, está se vangloriando. Está sendo presunçoso.
Mas você só estaria sendo hipócrita se fosse como o fariseu no templo, que só falava bem de si mesmo, mas por dentro era uma criatura podre. Ele se orgulhava de ser a criatura mais especial naquele ambiente, quando na verdade estava contaminado por sua arrogância e seu pecado.

Aquela pessoa que age de acordo com a vontade de Deus pode sim, usar a sua vida como exemplo para outros. Assim como Paulo usa.
Este texto contraria o ditado: “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”. Porque Paulo está dizendo exatamente: “façam o que eu faço”.
E que bom quando alguém pode, com toda humildade, simplicidade e verdade dizer: “continuem a ser meus imitadores”. Façam como eu.

Mas Paulo quer que nós imitemos o quê?

Vamos pensar, o que as pessoas imitam?
Imitam aqueles a quem admiram ou com os quais convivem.
Imitam os cantores da moda, pessoas famosas. Imitam seus amigos (sejam eles bons ou maus exemplos...)
Nas redes sociais, repetem frases de pessoas que julgam inteligentes.
As crianças aprendem nos imitando, por isso, nas casas onde se grita muito, as crianças estão sempre gritando… Onde se diz muitos palavrões, as crianças aprendem a xingar. E, também, onde se faz oração antes do almoço, as crianças sempre vão esperar que se faça as orações onde estiverem, mesmo que seja num restaurante ou numa festa. E isso é bom.

Paulo, que imitava Jesus Cristo em sua forma de amar ao próximo, diz: “Meus irmãos, continuem a ser meus imitadores. E olhem com atenção também os que vivem de acordo com o exemplo que temos dado a vocês.”
Quer dizer: não apenas imitem a mim, mas imitem todos os cristãos que vivem de acordo com a vontade de Deus. Pois assim, cada um vai procurar também viver de acordo com esta vontade.
Imitadores de Paulo e de Jesus estão cada vez mais raros.
Até mesmo líderes religiosos mudam as palavras de Jesus, para que a bíblia fale o que eles querem dizer e não imitem a Cristo. Hoje, a grande maioria dos que se dizem cristãos, está longe de Jesus, tanto na pregação, quanto na música e no comportamento. E isto é muito triste.
As músicas e as pregações colocam o ser humano no centro e Jesus passou a ser um mero servição, que traz a bênção, a vitória, etc…

Ainda hoje, vi um vídeo de Leandro Karnal, historiador brilhante, que é ateu…

Como historiador ele precisa, obviamente, conhecer a história.
E como ateu…
Ateu de verdade, não esses estúpidos que acham que toda religião faz mal e por isso precisa ser apagada do mapa. O verdadeiro ateu compreende até o valor social das religiões, mesmo que ele não siga nenhuma.

Pois bem, o professor Karnal diz, em um de seus vídeos que está na internet:

É possível que nós estejamos em um dos momentos mais religiosos da história humana. Haja vista a grande quantidade de manifestações, associações, instituições, congressos, etc… É possível…
E é possível que uma parte desta nova religiosidade tenha a ver com a imersão de um homem líquido, que da muito pouca importância a algo que não lhe favoreça.
E eu diria, não sendo religioso, que o maior desafios dos religiosos hoje é cristianizar os cristãos. Esse é o grande desafio.
O desafio do século 15 era cristianizar indígenas… No 19 eram os asiáticos, os africanos, idólatras, liberais, ateus… Hoje o desafio é cristianizar os cristãos e parar de dizer: “Senhor, Senhor!” E começar a entender o desafio que significa uma opção. Uma opção de entrega. Então é este o grande desafio.
O campo é bom. Nós temos hoje um prestígio religioso maior do que nunca.
A influência política das religiões em 2015 no congresso é maior do que em 1950.
Como enfrentar um ambiente que formalmente é religioso e na prática é completamente egoísta, voltado pra si e totalmente alheio a quaisquer desafios religiosos possíveis?
Como falar de Deus pra quem tem Deus no carro, na casa, na camiseta, mas só não tem no coração e na atitude. Esse é um desafio e tanto… É o mesmo desafio de sempre: como falar da lei para os doutores da lei pra escribas e pra fariseus, aqueles que pagam o dízimo sobre o cominho e não entenderam o básico. Este é o desafio contemporâneo...”

Notem…
Estas palavras foram ditas por um ateu. Especialista em história.
Não são cristãos tristes com os rumos que a igreja está tomando.
É alguém de fora que olha e percebe que no discurso os cristãos de hoje são uma coisa, mas na prática, estão distantes de tudo que o Senhor Jesus ensinou.

Por isso as palavras de Paulo são tão importantes: “sejam meus imitadores”.
Você, pai, pode olhar seus filhos e dizer: “imitem minhas atitudes”?
Você, mãe, pode olhar pra sua família e dizer: “façam como eu faço”?
Você, filho, pode dizer aos seus amigos : “imitem a minha vida”?
Tomara que sim.
Paulo nos diz: “Já disse isto muitas vezes e agora repito, chorando: existem muitos que, pela sua maneira de viver, se tornaram inimigos da mensagem da morte de Cristo na cruz.” (18)
Existem muitos que se chamam de cristãos hoje em dia, mas que “vão para a destruição no inferno porque o deus deles são os desejos do corpo. Eles têm orgulho daquilo que devia ser uma vergonha para eles e pensam somente nas coisas que são deste mundo.” (19)

Jesus deu a vida dele por nós.
Ele é mais do que nosso simples exemplo, apesar de também ser nosso exemplo.
A Palavra de Deus nos ensina o caminho a seguir. Conhecendo a Palavra de Deus, não há erro daquilo que o Pai espera de nós e daquilo que Jesus Cristo fez por nós.
Deus quer que vivamos em sua Palavra. Amando a Deus e ao próximo.
Sem mentiras ou meias verdades, sem desamor, sem rancor, sem brigas…
Ele quer que o sirvamos aqui na igreja, com as nossas vidas e nossas ofertas, com nosso trabalho e dedicação…
Ele quer que o sirvamos fora da igreja, ajudando nas tarefas da casa, por amor aos familiares…
Ajudando no trabalho, mesmo que não seja tarefa minha, para facilitar pra todo mundo…
Demonstrando amor nas pequenas e nas grandes atitudes. Consolando os que choram e orando por aqueles que nos perseguem.
Imitar Paulo é viver em Cristo.

E Cristo, que perdoa multidão de pecados, perdoará cada vez que falharmos e voltarmos arrependidos. Portanto, não tenham medo de amar sem medida…
Não tenham medo de falar da fé em Jesus Cristo. Muitas pessoas estão por aí, mesmo achando que são cristãs, desesperadas em igrejas que oferecem um deus falso, um salvador de mentira e um espírito que não existe.
Enquanto isso, nós temos servido ao verdadeiro Deus Pai, Filho e Espírito Santo e ele, por sua vez, nos protege neste mundo, enquanto caminhamos para a vida eterna.
Imitem os cristãos que foram exemplo.
Sejam exemplo cristão para o outro.
Acima de tudo, creia em Jesus Cristo, assim você terá a salvação e ajudará a salvar a muitos. Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Será que a farda é ruim?

Recentemente criou-se uma polêmica a respeito de crianças usando fardas da Polícia Militar, em São Paulo. Muito do que se falou não é verdade, como quase tudo que circula nas redes sociais. E como tem gente que acredita!!! Mas tem gente compartilhando foto de smartphone e caminhonete de luxo acreditando que vai ganhar uma. Ou as bananas envenenadas com vírus da AIDS… Parece que há gente para acreditar em tudo, como diria P. T. Barnum: “Nasce um otário a cada minuto”.
Mas a polêmica da farda aconteceu de fato. Envolveu a foto de uma criança bem pequena, que trajava roupas militares e segurava algemas e cassetete. Na verdade nem segurava, mais se apoiava no aparato de defesa. Os Direitos Humanos se pronunciaram, mostrando-se indignados pelo fato de a criança estar usando arma, mesmo que não letal. Estariam colocando a criança numa “situação constrangedora, vexatória”, porque estava com o cassetete.
Por esta razão voltou ao foco a capa de uma revista, que trazia um menino, vestido de princesa, e não escondia o rosto (talvez porque isso não seja vexatório, não seja “bullying”, pelo menos enquanto a criança não crescer e tenha que ver aquela foto pro resto da vida na internet). Mas a capa da revista que trata de escola é claramente uma apologia ao homossexualismo, concorde você com o comportamento homossexual ou não, a revista o defendeu. E é direito dela fazer. Vivemos (pouco a pouco perco esta esperança) em um país livre.
Quanto à primeira foto, discordo dos direitos humanos e é meu direito constitucional discordar. Assim como você tem o direito de concordar. E tem ainda o direito de discordar de mim. Não precisamos concordar para conversar. Apesar de que, grupos políticos hoje querem nos convencer de que se você não é do partido deles, você é contra, como se não pudesse existir um caminho alternativo. Mas há. E se pode aproveitar ideias boas, venham de onde vierem. Igualmente rejeitando as ruins.
Creio firmemente na frase “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo.” (Frase cunhada pela biógrafa de Voltaire, Evelyn Hall, que resumiria o pensamento do filósofo, embora muitos estudiosos de Voltaire discordem desse resumo). Esta frase é falsamente atribuída a Voltare até em livros sobre o tema filosofia.
Então, voltando… Discordo de que a criança de farda esteja sendo “vexada”, humilhada. Pois se assim é, temos que concluir que é humilhante ser policial, ou usar qualquer farda.
Contudo, em parte deve mesmo ser humilhante trabalhar por um salário que muitas vezes não compensa, enquanto vereadores pelo Brasil todo estão se movimentando para subir em até 60% seus salários para a próxima legislatura, na certeza de que serão reeleitos ou, pelo menos, terão amigos seus ali no cargo...
Mas nossos policiais, apesar de salários nem sempre ideais e condições também pouco atrativas de trabalho, fazem com a honra que a farda merece. Eu teria orgulho de ver filhos fardados e trabalhando pelo bem da comunidade e do país. Assim como tenho orgulho de cada amigo policial que tenho. Oro por eles, para que Deus os proteja em seus deveres de NOS protegerem. E peço a Deus que eles não sejam corrompidos, como tantos já foram.
Sim, claro que no meio dos bons policiais há aqueles que não deveriam trajar as fardas. Assim como em igrejas há “lobos em pele de cordeiro”. Assim como havia um judas, que permanecerá eternamente na condenação.
Não quero polarizar, escolhendo um lado da discussão, mesmo porque, tendo a ouvir os lados e, como Paulo diz: “reter o melhor” (1º Tessalonicenses 5.21). Quero apenas refletir sobre o que estamos fazendo com as nossas crianças. É melhor que elas aprendam a respeitar a autoridade ou ter vergonha da farda?
Para aquelas crianças, que certamente têm em seus pais, seus heróis -- não aquela turma de alienados do BBB -- é claro que devem ter orgulho de vestir-se como seus pais. E uso outro exemplo:
Circulou recentemente na internet e ninguém falou muita coisa. Aliás, não deu polêmica. Foi o caso do menino Gustavo Carvalhaes Nascimento, que para sua festa de aniversário de 4 anos, não quis superheróis famosos, mas um desconhecido (não pra ele), gari em Belo Horizonte, como noticiou a imprensa: “A mãe do Gustavo, Junia Carvalhaes Nascimento, e o pai, Eustáquio Francisco do Nascimento, além da irmã de 20 anos, Bárbara Carvalhaes, apoiaram a ideia e realizaram o sonho do menino... Balões e tapete na cor laranja, lixeirinhas e até um minicaminhão coletor fizeram parte da decoração. Foram utilizados materiais recicláveis em quase todos os enfeites. O convite trouxe estampado um super-herói gari, chamando as pessoas para a festa. … Junia conta que não foi fácil compor as peças do cenário. Ela confessa que percebeu a expressão de surpresa dos que trabalham nesse ramo (festas infantis), ao contar o que precisava para a comemoração. E disse ainda: É mais fácil conseguir arranjos de personagens mais comuns, além de palhaços e ídolos de TV. Mas os heróis do meu filho são outros, os garis, e fizemos de tudo para que eles comparecessem”.
Dessa farda laranja, homenageando um herói anônimo, ninguém falou. Aliás, apenas uns poucos falaram e a foto não ficou semanas repercutindo em redes sociais.
Parece-me um problema cultural: não vemos mais os policiais como nossos heróis (se é que um dia vimos, nesse país dos “jeitinhos”). Assim como nunca vimos os garis, que deixam a cidade limpa, os enfermeiros que, tão delicadamente cuidam de nós, entre outros tantos “fardados” por aí.
E a culpa é de quem?
Na verdade não interessa de quem é a culpa. Se de alguns policiais que se tornam bandidos; se de setores da imprensa que só mostram quando policiais viram criminosos e não mostram os milhares que dão sua vida pela sociedade em silêncio; se de setores políticos que tentam desarticular a autoridade, minando recursos de operações, para impedir suas próprias prisões…
Eu prefiro a farda: de enfermeiro, de policial, de gari, de pai (e esta farda última tem cada vez menos gente sabendo usar)...
A este exemplo, na cidade de Jaguaribe, no Ceará (investiguei na internet e, até onde pude chegar, concluo que seja real, mas… Mesmo que não seja, expressa uma ideia latente.), foi posto um outdoor também pela Polícia Militar. Neste não há foto de crianças, mas de dois policiais, um é homem e outro mulher. E com os dizeres: “Você pode não gostar da Polícia; É UM DIREITO SEU. Você pode não acreditar em Deus; É UMA ESCOLHA SUA. Mas quando os bandidos invadirem a sua casa, as duas primeiras coisas que você fará é: 1º Chamar a polícia; 2º Orar a Deus para que cheguem a tempo.” E conclui com: “CONTE CONOSCO!” Acho que expressa bem muitas verdades silenciadas que temos vivido.
Ensinem as suas crianças a respeitarem a autoridade: pai, mãe e outros parentes, professores e todos que trabalham na escola, seu líder religioso… Não a abaixarem a cabeça e aceitarem passivas criminalidade, desrespeito, de quem quer que seja, mas a respeitar aqueles que honram a “farda”. Ensine a respeitar. Se você não ensinar, a vida vai ensinar a duras penas. E talvez aí seja tarde.

Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia.
twitter: @pastorjarbas

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O Diabo não tem poder suficiente

Eu lhes dou a vida eterna, e por isso elas nunca morrerão. Ninguém poderá arrancá-las da minha mão. O poder que o Pai me deu é maior do que tudo, e ninguém pode arrancá-las da mão dele. Eu e o Pai somos um. (Jo 10.28-30)

Ninguém é tirado à força de Jesus e todo aquele que diz o contrário é mentiroso. O Diabo, inimigo feroz, não tem poder nenhum sw a própria pessoa não permitir. O Senhor é quem diz isto.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Talvez...

Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

A paz do Senhor esteja com todos vocês.

Talvez...

Queridos irmãos em Cristo.
A paz do Senhor seja com todos vocês.

Em Is 6.1-13, que é um dos textos lidos no período de Quaresma, Deus chama o profeta para sua missão. Junto com o chamado, Deus dá a mensagem a ser pregada.
Se vocês bem lembram, a mensagem era dura: “‘Vocês podem escutar o quanto quiserem, mas não enxergarão nada.’ Isaías, faça com que esse povo fique com a mente fechada, com os ouvidos surdos e com os olhos cegos, a fim de que não possam ver, nem ouvir, nem entender.” (Is 6.9-10).
A função de Isaías era ser o profeta anunciando o castigo. Não um castigo do qual ainda houvesse escapatória, mas o castigo iminente.
Essa mensagem foi dada cerca de 750 anos a.C. E depois dessa mensagem, Israel caiu. O país foi destruído.
Primeiro o Reino do Norte, caiu diante dos Assírios, em 721 a.C. E Isaías viu a queda.
130 anos depois, caiu também o reino do sul. Judá foi conquistada pela Babilônia.
Cumpriam-se assim as profecias de que o povo perderia sua terra. Pois esse povo tinha quebrado a aliança com Deus. E mesmo Deus enviando profeta após profeta, o povo resistiu e não voltou para Deus.

E hoje, queremos estudar o texto de Joel, capítulo 2, versículos 12 a 19. Um texto que se passa em outro período. Cerca de 400 anos a.C. Mais ou menos 300 anos depois de Isaías.
Judá voltava do exílio e muitos trabalhavam na reconstrução to Templo, e de tudo mais que tinha sido destruído. Pouco a pouco as pessoas voltaram. Reconstruíram o país e suas vidas.
A mensagem de Joel vem quando o povo já estava há um bom tempo de volta. E pelas palavras do profeta se pode perceber que o povo já estava se afastando de Deus novamente.
Parece que já tinham esquecido o tempo de exílio. O tempo em que tinham saudades do templo e de andar pela sua própria terra. Agora, de volta, pelo poder de Deus, o povo esquece do passado e, em meio à alegria de estar em casa, se afasta do Senhor novamente.
Então a missão de Joel é anunciar que o povo se arrependa. Pois se eles voltarem para o Senhor, o castigo, que já começou, será terminado.
Notem a diferença entre Joel e Isaías.
Isaías anunciou um castigo iminente, enquanto Joel diz que ainda há salvação. Pois se o povo voltar à aliança com o Senhor, o Senhor o abençoará novamente.
E Joel traz uma mensagem de chamado ao arrependimento e ao compromisso com Deus: “voltem para mim com todo o coração” (v. 12).
E o profeta ainda lembra: “Voltem para o Senhor, nosso Deus, pois ele é bondoso e misericordioso; é paciente e muito amoroso e está sempre pronto a mudar de ideia e não castigar.” (v. 13).

É muito importante meditarmos com este texto. Uma vez que acabamos de passar pelo Carnaval e agora estamos no período de Quaresma.
Para muitos o Carnaval é a oportunidade de colocar máscaras e se esconder na multidão. Não é aquele Carnaval do sambódromo, onde as pessoas fazem de tudo para aparecer e conseguir alguma fama.
Para muitos o Carnaval é oportunidade de colocar uma máscara e se entregar ao pecado. Mesmo que a máscara seja apenas uma viagem para onde ninguém nos conhece.
A máscara tem o intuito de esconder a pessoa. Bandidos usam máscaras. Ou agem no escuro, para não serem vistos. Muitos cristãos, mascaram o coração, pensando poder se esconder de Jesus. Assim como fez Jonas, que para fugir da tarefa de Deus, escondeu-se num navio que ia justamente para o lado contrário, de onde Deus o mandou ir pregar arrependimento.
Quantas vezes queremos fugir de Deus para não ouvir que somos pecadores! Quantas vezes queremos mascarar nossos corações! Quantas vezes, em silêncio, deixamos o pecado nos dominar!...
Muitas.
E se persistimos no pecado, estamos quebrando a aliança com Deus. Não a Antiga Aliança, firmada na promessa do Messias, mas a Nova Aliança, firmada no Sangue do Messias.
O chamado de Joel não é apenas para os Judeus. É especialmente para nós. E nada é mais importante que o chamado a Deus.
Vejam quanta ênfase o Senhor apresenta a Joel, para que ele diga ao povo:
“rasguem o coração”, não apenas as roupas. É uma mudança interna, não apenas externa, como fazem muitos, fingindo arrepender-se.
“Toquem as trombetas no monte Sião” ... “convoquem o povo para se reunir no Templo!” (v. 15) É pra todo mundo saber e todo mundo está convocado, não simplesmente convidado. Não é hora de falso arrependimento. Aliás, aquele onde habita o Espírito Santo, não pode ter falso arrependimento.
O chamado é tão importante, que todos devem vir:
“Reúnam todo o povo... Que venham todos, velhos e crianças e até criancinhas de peito! Que os recém-casados saiam de casa.” (v. 16) Ninguém deve ficar de fora, nem mesmo quem tenha alguma dificuldade, seja ela velhice, casamento, ou pouca idade. Todos devem se apresentar.
E o chamado mais duro é aos sacerdotes. Eles intercederão em favor de todo o povo. Assim, o Senhor, “talvez” (v. 14) mude de ideia e não mande mais o castigo.

Num primeiro momento a palavra “talvez” pode causar estranheza. Afinal pra que Deus pede arrependimento se ele, só “talvez” vai mudar de ideia?
É que o povo estava tão contaminado, que esta pode ser a última mensagem antes do castigo pior. Pois já havia castigo nas colheitas e na vida cotidiana. Se o povo se arrepender e voltar ao Senhor, “talvez” ele desista do castigo.

Se pode parecer duro este “talvez”, por outro lado, vemos quão grande é a misericórdia do Senhor. Pois o povo tinha voltado do Exílio. Tinha reconstruído o país, e, em vez de fidelidade, eles dão as costas para Deus, indo atrás de outros deuses.
O que esse povo merece? Castigo.
Mas não...
Deus ainda manda os profetas e diz o que fazer para que o castigo pare. E, ouvindo o chamado de Joel, o povo volta ao Senhor.
Então entendemos a grande misericórdia do Senhor, pois nosso texto, lido hoje, termina assim: “Então o Senhor mostrou o seu grande amor para com a sua terra e teve pena do seu povo. E respondeu: ‘Agora, vou lhes dar cereais, vinho e azeite; assim vocês comerão e ficarão satisfeitos. Nunca mais deixarei que os outros povos caçoem de vocês.” (vv. 18-19)
E quanto a nós!
O que é preciso acontecer para que andemos sempre com o Senhor?
Ele está chamando: voltem do seu pecado, corrijam a vida e andem no meu caminho.
Creiam em Jesus Cristo, que se sacrificou para que vocês tenham a salvação e ressuscitou para que tenham a vida eterna.
E para isso ele enviou o Espírito Santo, como prometido pelo próprio profeta Joel:
“eu derramarei o meu Espírito sobre todas as pessoas: os filhos e as filhas de vocês anunciarão a minha mensagem; os velhos sonharão, e os moços terão visões. Até sobre os escravos e as escravas eu derramarei o meu Espírito naqueles dias.” (vv. 28-29).
E isso tudo se cumpriu quando o Senhor Jesus veio ao mundo.
Portanto, queridos irmãos, não se afastem do Senhor, pois todos que creem em Cristo receberam o Espírito Santo. E as obras de arrependimento que o Senhor espera de nós, são guiadas pelo Espírito.
Rasguem o coração e voltem para Deus.
Pois assim o Senhor, não apenas “talvez” lhe dará a salvação, mas a salvação já é de todo aquele que crê em Jesus Cristo, nosso salvador. Amém.



E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7)