segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Amor e fidelidade

Vi uma matéria interessante, outro dia, sobre um evento ocorrido no Japão.
Japão é uma terra de cultura bastante diferente da ocidental, para dar um exemplo, basta saber que eles têm dois “alfabetos”. Um é usado para escrever palavras de origem japonesa e outro para palavras de origem estrangeira. Cada alfabeto tem 46 “letras”, mas como estas “letras” não contemplam todas as pronúncias, são acrescentados sinais às letras, transformando-as em outras. O “ha”, por exemplo, acrescido destes sinais, vira “ba”... E a gente complica até pra saber se “ele” ainda tem acento na língua portuguesa...
Mas o “alfabeto” só represeta 50% da escrita. Os outros 50% são representados com os “kanji”. Hoje existem cerca de 40 mil kanji. Estes símbolos expressão letras, ideias, e frases inteiras. E pra ser considerado alfabetizado você precisa conhecer os dois “alfabetos” e cerca de 2 mil “kanji”. E nosso povo não sabe nem se “k”, “w” e “y” fazem parte do alfabeto português...
Bem, isto foi apenas um dos detalhes para mostrar com este povo é diferente. Nem melhor, nem pior... Diferente.
Algo que sempre admirei nos japoneses é o respeito que eles demonstram por seus idosos, pelo relacionamento familiar e coisas semelhantes. Certamente têm problemas também, pois todas famílias os têm, mas demonstram muitas vezes que prezam tanto à família, a ponto de submeter a vontade própria ao bem coletivo.
Este submeter minha egoísta vontade ao bem dos outros é algo muito contraditório para nossa cultura e nosso momento político. Temos atualmente grupos políticos que querem fazer a sua vontade, mesmo que não seja para o bem do povo. Temos grupos políticos defendendo que o Estado sabe educar melhor do que os pais, por isso se limita os poderes dos pais em detrimento a um Estado com educação falida, que acha que sabe fazer alguma coisa. Mas a verdade é que o que acontece de bom na educação, onde acontece, é por esforço de nossos professores e diretores de escola, que muitas vezes são heróis nesta “pátriaeducadorafalida”.
Nós, como povo, esquecemos os valores básicos e o resultado está nas ruas... Nos menores abandonados... Nos drogados (o álcool ainda é a maior droga, mas temos jovens cantando que o legal é beber até cair... Que o legal é a garota beber e subir na mesa “piradinha”)...
Esta falta de educação e respeito ainda se reflete nos homens e mulheres que ignoram “aquilo que o padre falou” (como diria Raul) e fingem-se solteiros, pois na balada “ninguém viu ninguém” e o que “acontece na balada, fica na balada” (importação pobre e malfeita do jargão criado para “Las Vegas”).
Essa é a nossa “cultura”... Mas como disse, certa vez, Miguel Falabela: “Feliz dia da cultura, se é que podemos comemorar isso ainda neste país.”. E olha que ele disse isso uns 10 anos atrás, no dia da cultura.
E os japoneses? Bem, como disse acima, vi uma matéria interessante: “Japoneses gritam em público para declarar amor às mulheres em festival”. O título da matéria é errado. Não é o dia em que os “homens” dizem que amam as “mulheres”. É bem mais específico: é o dia de declarar amor à esposa. Pelo nono ano consecutivo o evento acontece.
Enquanto por aqui se diz que o legal é trair no escurinho, atrás do banheiro... Enquanto em rede nacional se idiotiza a população com programas que exaltam a bebedeira e a promiscuidade... Lá, em rede nacional, se declara amor à esposa. Diga-se de passagem, eu nem sei se teria coragem de gritar isso numa TV, sou tímido para isso, mas aqui escrevo, com orgulho: nem mereço a esposa que tenho e a amo mais do que sou capaz de explicar em palavras... Tenho orgulho deste sentimento. Um sentimento que vai além a paixão. Paixão costuma ser inconsequente (e precisamos dela também, de vez em quando), mas o amor é mais que isso. É mais do que a sensação erótica (que também é necessária num casamento). Amor é algo inexplicável e independe da atividade sexual e dos arroubos da paixão. Só quem desfruta do amor verdadeiro vai entender como um casal consegue discutir, ter visões diferentes e, ainda assim, se respeitar profundamente. Não foi à toa que o amor foi chamado de o “dom supremo” em 1º Coríntios 13, estando acima de todos os outros dons. E Renato Russo, inspirado neste texto bíblico, cantou: “sem amor, eu nada seria.”
Não esperem ver este amor na TV, ele não “dá ibope”. O que as pessoas querem ver são casais se destruindo. Parece que destruir a felicidade do outro, torna as pessoas menos infelizes com sua incapacidade de ser feliz. Na mídia é todo mundo pegando todo mundo, porque “ninguém é de ninguém”. Bobagem... Apesar de negarmos, queremos pertencer a alguém, assim como eu sou da minha esposa e ela é MINHA esposa. Pertencemos um ao outro e isso é ótimo. Sentir-se pertencente a algo ou alguém é muito importante. É como uma criança, que sempre sabe de quem ela é filha e sabe pra onde correr nos momentos de insegurança. Pertencer a algo ou alguém nos dá segurança. Sempre teremos a “minha casa” para voltar. Mas neste mundo em que todos parecem estar em festas… A ressaca vai ser grande e, talvez, dessa vez não tenha mais cura. Cuidado. Não esqueça de sua esposa, família, namorada por causa de “uma noite de carnaval”...
Os cristãos pertencem ao Senhor Jesus e suas vidas serão dedicadas a ele. Pertencemos ao ministério de amar profundamente o próximo, assim como fomos amados por Deus. Que tenhamos cada vez mais orgulho do amor verdadeiro e cada vez mais vergonha das letras desses arroxas e funks que se canta cada vez mais em alto volume...


Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas, @pastorjarbas)