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quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Consciências Mortas Pela Corrupção

      Algo que chama a atenção nas eleições do primeiro turno é a população rejeitando diversos candidatos envolvidos em processos de corrupção. Quem sabe estes procuravam em um novo cargo a imunidade parlamentar. Porém parece-me que, na era pós Operação Lava-Jato, boa parte da população está tirando a venda dos olhos quando o quesito é corrupção. Corrupção é crime grave, que afeta a vida de todos os cidadãos, e que precisa ser punida. Não é mesmo?
      No inverno deste ano em Gramado, na serra gaúcha, aconteceu uma conferência sobre os mecanismos cerebrais da corrupção. E, nas palavras de um dos palestrantes, o psiquiatra Pedro Schmidt, o cérebro se adapta à desonestidade. Diante de um ato corrupto, o cérebro avisa que a ação não está correta. Porém, com a repetição da desonestidade, o cérebro acaba aceitando a conduta corrupta. Quem sabe aí esteja uma explicação para tantos candidatos corruptos que agem como se nada tivesse acontecido.
      A Palavra de Deus tem um termo interessante que expressa esta dormência cerebral: “pessoas cuja consciência está morta como se tivesse sido queimada com ferro em brasa”. O texto é de 1Timóteo 4.2, onde o contexto do versículo fala sobre pessoas que ensinavam coisas profundamente erradas, repletos de ensinamentos demoníacos.
      E aí eu lhe pergunto: o que tudo isto tem a ver com a nossa fé cristã? Consciências mortas pela corrupção precisam de arrependimento e perdão. E não falo apenas dos candidatos, mas de nós mesmos. Quantas e quantas vezes agimos contra a própria consciência cristã, até mesmo no atual cenário político, tão acalorado e tenso? O perdão de Jesus dá vida e sentido às consciências arrependidas de estarem adormecidas em suas imoralidades. Esta é a garantia da Palavra de Deus, conforme 1 João 1.9: “Se confessarmos os nossos pecados a Deus, ele cumprirá a sua promessa e fará o que é correto: ele perdoará os nossos pecados e nos limpará de toda a maldade”. Sim, consciências arrependidas de suas ações imorais têm perdão! Consciências mortas são vivificadas pela fé em Jesus!
      Então fica a dica: que o Espírito Santo nos abençoe com uma consciência viva, na qual ele nos acusa de nossas corrupções diárias e, arrependidos, nos torna sedentos do que Jesus tem a oferecer: perdão, vida e salvação! Em Jesus há vida para consciências mortas! Em Jesus, há vida para toda a eternidade!

Pastor Bruno A. K. Serves
Candelária-RS

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Cristãos, Eleições e Oração!

Resultado de imagem para eleições      Sabe, às vezes me questiono qual é o nosso papel como cristãos diante de mais uma eleição. Aliás, eleição esta que tem despertado os mais diversos sentimentos Brasil à fora e potencializados nas redes sociais. Qual é o papel do cristão neste cenário repleto de extremos de ideias, propostas e ideologias? Ou será que devemos nos silenciar, fazendo de conta que uma eleição em nada influenciará nossas vidas e, quem sabe, até mesmo nossa liberdade de fé?
      A Igreja Evangélica Luterana do Brasil posiciona-se oficialmente e corretamente a respeito do assunto dizendo que não é papel da Igreja fazer partidarismo político ou erguer a bandeia de um determinado candidato. Entretanto ela recomenda a orientação a respeito das qualificações de quem almeja assumir tamanha responsabilidade de cuidar de uma nação e de um estado. E, por conta disto, como pastor luterano, quero exercer esta função de orientação e reflexão, sem manifestar-me a respeito de partido ou candidato.
      Quero partir de um convite bíblico para orarmos pelos que têm autoridade:
“Orem pelos reis e por todos os outros que têm autoridade, para que possamos viver uma vida calma e pacífica, com dedicação a Deus e respeito aos outros” (1Timóteo 2.2).
      O objetivo da oração é pedir a Deus que, por meio de nossas autoridades, tenhamos uma vida tranquila. Ora, esta vida pacífica passa por assuntos como educação, saúde e economia. E, como notamos, o objetivo também é de que tenhamos condições plenas de se viver a fé cristã, dedicando-nos a Deus e ao próximo. Você já analisou as propostas dos seus candidatos sobre isto?
      A Palavra de Deus fala que a autoridade também tem a função de combater os diversos males na sociedade e promover o bem:
“Porque as autoridades estão a serviço de Deus para o bem de você. Mas, se você faz o mal, então tenha medo, pois as autoridades, de fato, têm poder para castigar. Elas estão a serviço de Deus e trazem o castigo dele sobre os que fazem o mal” (Romanos 13.4).
      Quais são as ideias dos seus candidatos a respeito deste assunto?

      Ainda lhe convido a apreciar o capítulo 29 de Provérbios, especialmente alguns trechos adequados ao momento de eleições:
“Quando os honestos governam, o povo se alegra; mas, quando os maus dominam, o povo reclama. Quando o governo é justo, o país tem segurança; mas, quando o governo cobra impostos de mais, a nação acaba na desgraça. Um país sem a orientação de Deus é um país sem ordem. Quem guarda a lei de Deus é feliz”.
      Então #ficaadica: reflita sobre a importância do seu voto. Vote de acordo com a sua consciência, orientada pelos diversos conselhos bíblicos a respeito do assunto. Viva o amor do Salvador Jesus com aqueles que pensam diferente de você. E, depois da eleição, ore. Ore pelo presidente, pelo governador, pelos senadores e deputados eleitos. Deus abençoe o seu voto!

Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Congregação Cristo
Candelária-RS

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Voto consciente

Imagem relacionada      O voto consciente é uma tarefa difícil. Encontrar os melhores candidatos exige grande esforço. Porque não basta escolher os honestos, verdadeiros, ficha limpa. Nem é suficiente optar pelos capacitados, inteligentes, preparados. É preciso, acima de tudo, eleger os que têm ideias adequadas para a vida dos brasileiros. E daí as opiniões divergem e as dificuldades aumentam. Afinal, certas propostas são bem diferentes. Não só em questões que mexem com o nosso bolso, saúde, segurança, educação, com coisas materiais. Também em assuntos morais e religiosos. Por exemplo, o presidente escolhe os ministros para o Supremo Tribunal Federal. São estes juízes que decidem sobre aborto, questão de gênero e outros assuntos polêmicos. Tem a Lava Jato que está julgando e condenando muita gente. Alguns concordam e outros discordam destas ações comandadas pelo juiz Sérgio Moro. Com meu voto, estarei optando para lá ou para cá, para frente ou para traz. Assim, o que é melhor, justo, coerente? É preciso refletir, calcular e ter convicção. A decisão é minha, ninguém pode me obrigar, coagir, forçar.
      Este jeito consciente e livre da democracia é parecido com a maneira do Deus bíblico se relacionar com as pessoas. Ele nos dá liberdade para seguir a vida. Claro, depois vem as consequências. A diferença é que na política quem entra em ação é o cérebro. Na religião quem trabalha é o espírito humano, a alma – coisa que a ciência não explica. Mesmo separados, política e religião estão juntos assim como corpo e alma. No pensamento de Lutero, política é o esforço constante e paciente para estabelecer e manter uma ordem social compatível com os valores do cristianismo. Neste propósito, a Bíblia lembra: “Vivam de acordo com o evangelho de Cristo” (Filipenses 1.27). “Vivam” é “politeuste” no original grego, termo que aponta para uma cidadania cristã responsável e consciente.

Marcos Schmidt
pastor luterano

sábado, 29 de setembro de 2018

A corrupção nossa de cada dia



      Quem lê apenas o versículo 1 de Tiago 5, pode achar que a falida Teologia da Libertação fosse verdadeira. Aquela mistura de política e religião, dizia que Deus tem preferência pelos pobres e odeia os ricos. Bobagem. Deus quer salvar a todos.
      O problema não são as riquezas, mas a forma como elas são adquiridas... E a Bíblia nos ajuda a entender mais um pouco. Vejam alguns versículos que falam da riqueza mal adquirida:
1Tm 6.9: “Porém os que querem ficar ricos caem em pecado, ao serem tentados, e ficam presos na armadilha de muitos desejos tolos, que fazem mal e levam as pessoas a se afundarem na desgraça e na destruição.”
Pv 11.28: “Aquele que confia nas suas riquezas cairá, porém os honestos prosperarão como as folhagens.”
      Não tem nenhum mal em querer progredir na vida. Querer enriquecer. O problema é confiar nas riquezas, pois como tudo neste mundo, elas passarão. E, sendo pobre ou rico, viver a gradecido a Deus por tudo que tem... E ofertando honesta e generosamente para que a obra do Senhor sempre continue.
      Mas nesta questão da riqueza, quando a pessoa honesta vê que o desonesto está indo bem, o que acontece?
      O salmista nos responde: (Sl 73.3) “Porém, quando vi que tudo ia bem para os orgulhosos e os maus, quase perdi a confiança em Deus porque fiquei com inveja deles.”
      Satanás usa a prosperidade dos maus para fazer com que os bons se percam. Lembrem-se que a inveja também surge no coração daquele que não confia plenamente em Deus.
      As riquezas acumuladas com a corrupção, são a maldade mais presente em nosso país, neste momento.
      A corrupção mata. Pois quando alguém desvia dinheiro de um hospital, pessoas deixam de ser atendidas... Quando alguém desvia dinheiro de obras de saneamento, pessoas adoecem com esgoto a céu aberto e falta da higiene mais básica.
      Se engana aquele que pensa que governo corrupto não quer fazer obras. É muito pelo contrário, quanto mais obras, mais oportunidade de desviar dinheiro. A gente conhece bem essa história... Deixe isso para o seu voto, no próximo domingo.
      O que quero lembrar é que apontar o dedo e dizer que “eles são corruptos”, ignorando nossas pequenas corrupções do dia-a-dia, também é errado. É hipocrisia e afasta de Deus.
      Me entendam bem. O fato de todo ser humano ser corrupto, não dá direito aos governantes de roubarem. Roubou, tem que ir pra cadeia mesmo. E cumprir a pena até o final.
      O que estou dizendo é que não podemos apontar para um lado e esquecer que nós mesmos temos que lutar diariamente contra a nossa própria corrupção. E esta luta não é fácil. Muitas vezes perderemos a luta contra a fofoca, a soberba, a luxúria... Se tentamos esconder nossas corrupções, quem sabe, apontando o dedo para outros corruptos, não teremos a oportunidade de receber o perdão. Pois onde não há arrependimento, não há perdão.
      Também não dá pra misturar lei civil e o evangelho.
      Vejo pessoas falando de perdão, quando aconteceu um crime. Se aconteceu um crime, o criminoso tem que ser punido.
      Por exemplo: Certa vez vi uma senhora que teve seu filho assassinado, mas que visitava o assassino mensalmente na cadeia. Levava presentes, orava com ele...
      Ao ser perguntada sobre isso, ela respondeu:
      — Meu filho eu já entreguei para o Senhor, mas com sua morte, ele me deu a oportunidade de salvar a vida deste rapaz também... (espero ter uma fé assim...)
      Porém, o rapaz, mesmo perdoado pela mãe de que ele assassinou, continuava preso, porque a pena civil precisa ser cumprida. Assim como o bandido na cruz, ao lado de Jesus, que está no céu, mas morreu naquela cruz, pagando sua pena.

      Deus governa este mundo...
      Não se desespere, seja qual for o resultado das próximas eleições. Deus continuará governando. Faça o seu melhor. Escolha conscientemente e vote. Respeite a decisão do seu irmão na fé... Mas acima de tudo, confie em Deus.
      Tiago pede, nos versículo 7 e 8: “Por isso, irmãos, tenham paciência até que o Senhor venha. Vejam como o lavrador espera com paciência que a sua terra dê colheitas preciosas. Ele espera pacientemente pelas chuvas do outono e da primavera. Vocês também precisam ter paciência. Não desanimem, pois o Senhor virá logo.” O Salmo de hoje fala algo semelhante...

      Paciência.
      Seu irmão pecou contra você e nem quer mais falar com você? Paciência e continue orando por ele.
      Você pecou contra seu irmão e ele está tão magoado que não quer te ouvir? Paciência. Se você se arrependeu, Deus já te perdoou... E continue orando para restabelecer a amizade.

      Uma coisa que deveria ser dita a nossos políticos e a nós todos é Tg 5.12: “Acima de tudo, meus irmãos, quando vocês prometerem alguma coisa, não jurem pelo céu, nem pela terra, nem por nada mais. Digam somente “sim”, quando for sim, e “não”, quando for não, para que Deus não os condene.”
      E é claro que Tiago está lembrando que as pessoas fazem promessas que nem sempre conseguem cumprir, por isso não jurar. Mas deveríamos fazer promessas e tentar cumprir. Pois prometer algo, já sabendo que não vai cumprir, também é parte da corrupção.
      Por fim, um lembrete de que juntos, o Senhor usa uns e outros, dentro da igreja, para nos proteger a todos (Tg 5.19-20): “Meus irmãos, se algum de vocês se desviar da verdade, e outro o fizer voltar para o bom caminho, lembrem disto: quem fizer um pecador voltar do seu mau caminho salvará da morte esse pecador e fará com que muitos pecados sejam perdoados.”
      Resumindo:

  • Riquezas não são más. A forma de adquirir é que pode ser.
  • Todos somos corruptos, mas precisamos sempre, com o auxílio do Senhor, ser melhores.
  • No sofrimento: paciência. O Senhor está conosco.
  • Prometeu (e prometam), cumpra! Seja de uma palavra só, honesto, verdadeiro...
  • Ajudemos uns aos outros a permanecer no caminho do Senhor. Vindo à igreja e ajudando o irmão a vir. Orando. Lendo a Palavra de Deus.

      Jesus Cristo, que deu a sua vida por nós, nos dá a certeza de que até mesmo a corrupção tem jeito. Porque tirou de nós a nossa corrupção e substituiu pela fé. Em Cristo, somos novas criaturas lutando diariamente contra a corrupção. Deus seja louvado e que nós ganhemos esta luta afinal e retenhamos a fé até o dia da vida eterna, quando Jesus vem nos buscar. Amém.

Rev. Jarbas Hoffimann
Pastor Luterano
Congregação Castelo Forte
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Mudam apenas as moscas

Resultado de imagem para largado às moscas      Vale tudo no disputado jogo da campanha eleitoral. Até a mentira. Seria apenas “coisas da política”, mas é coisa oficial. O engodo é tolerado pela própria Lei Eleitoral. Regras aprovadas por gente que não fica mais de cara vermelha. Segundo um jurista brasileiro, toda mentira será tolerada na propaganda, pois ela “não é criminalizada e não existe nenhum tipo de punição para candidatos que mintam durante a campanha”.
      Um jogo sujo que é conhecido por todos. E, por isto, a descrença generalizada. Mas, quando a mentira é sacramentada, a sociedade fica atolada até o pescoço na corrupção. O que falta para chegar no nariz? Se mentem na campanha amparados pela lei, com a mesma proteção se apropriam de seus cargos públicos e trilham no mesmo caminho da enganação. E daí é o fim. Porque, quando a mentira não tem mais perna curta, a sociedade não vai muito longe. Fica a pergunta: de onde vem esta politicagem?
      Salomão foi um político que pediu a Deus sabedoria para governar com justiça e integridade. Foi ele quem escreveu as sete coisas que Deus não tolera:

  1. o olhar orgulhoso,
  2. a língua mentirosa,
  3. mãos que matam gente inocente,
  4. a mente que faz planos perversos,
  5. pés que se apressam para fazer o mal,
  6. a testemunha falsa que diz mentiras e
  7. a pessoa que provoca brigas entre amigos

(Provérbios 6.16-19).

      Interessante dizer que a mentira é mencionada duas vezes e tem relação com os outros pecados. Por que Deus tanto detesta a falsidade? A resposta está aí, nos dias de hoje.
      A água onde Pilatos lavou as mãos continua podre e contaminada. Vendeu a alma ao pai da mentira porque não queria perder vantagens, regalias, propinas. E perdeu a grande chance de lavar o coração em água limpa, na fonte daquele que disse: “Eu sou a Verdade”. Assim, a solução não está em tirar uns e colocar outros, mas expurgar a podridão da alma. Senão, mudam apenas as moscas.

Rev. Marcos Schmidt
pastor luterano

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Religião e Política (e a Igreja Luterana)

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Este texto é referente à Igreja Evangélica Luterana do Brasil, mas pode servir de orientação para as igrejas cristãs de uma forma geral.

A Igreja em relação à Política e Eleições

I. Introdução

      Nestas últimas semanas, recebemos várias manifestações em que membros de nossa igreja reclamam ou se queixam a respeito de certas manifestações de membros e pastores de nossa igreja em relação às disputas eleitorais em andamento em nosso país. Assim, a Diretoria Nacional da IELB decidiu enviar uma orientação aos pastores e congregações, a fim de que nossa participação nestas disputas se oriente pelas nossas convicções, baseadas nas Escrituras Sagradas e Confissões Luteranas.

II. Os cristãos e as eleições

      O que um cristão é chamado a fazer, especialmente num ano de eleições em nosso país? Muitos dos assuntos políticos que enfrentamos no Brasil têm forte implicação moral. Diante disso, precisamos firmar-nos nas Escrituras Sagradas e em nossas Confissões, posicionando-nos claramente neste período de eleições.
      A base do posicionamento de nossa igreja está no ensinamento bíblico da doutrina dos dois reinos, ou seja, o reino espiritual de Cristo e o governo terreno. Passagens bíblicas chaves para este ensinamento são as seguintes: 1Pedro 2.9-10, 13-17; Hebreus 11.13-16; 13.14; Mateus 16.18; Lucas 12.14; 2Coríntios 10.4-5; Romanos 1.16; e 13.1-7.
      Reconhecendo os dois reinos, vemos claramente, em Romanos 13.1-7 e 1Pedro 2.13-17, que o Criador instituiu o governo político como meio pelo qual Ele procura preservar e guiar a vida na comunidade entre os seres humanos caídos. Esta é uma estrutura passageira, ou provisória, designada
para dirigir e regular o relacionamento político entre as pessoas durante o intervalo entre a queda em pecado e o retorno do Senhor Jesus Cristo.
      Portanto, é importante a participação dos cristãos nesta estrutura política. Pois, sem a participação ativa dos cristãos, esta estrutura só pode ser destrutiva não só para os cristãos, mas para todos os cidadãos. Por isso, a Confissão de Augsburgo resume bem os ensinamentos bíblicos de como os cristãos podem participar ativamente, quando diz:
Das coisas civis (os nossos) ensinam que ordenações civis legítimas são boas obras de Deus e que é lícito aos cristãos exercer ofícios civis, ser juízes, julgar segundo as leis imperiais e outras leis vigentes, impor pena segundo o direito, fazer, segundo o direito, guerra, prestar serviço militar, ...” (Art. XVI,1-2).
      Embora não se mencione os cargos políticos de hoje, pois estes não existiam na época em que a Confissão de Augsburgo foi escrita, mesmo assim eles estão incluídos na expressão “ofícios civis”. Portanto, temos aqui clara orientação para nós nestes tempos difíceis em que passamos em nosso país. E podemos resumir esta orientação nos seguintes pontos:

  1. Os cristãos devem resistir à tentação de tornar o governo terreno em um meio para promover o reino espiritual de Cristo.
  2. Os cristãos também precisam reconhecer que não haverá governo terreno perfeito, pois todo governo terreno, sendo parte da criação caída em pecado, está sujeito a errar. Desta forma, o cristão deveria se abster de fanatismo, pois sempre estará defendendo uma estrutura humana de governo e, por isso, imperfeita.
  3. O governo terreno apenas funciona para restringir o mal e encorajar o bem, mas isso é feito de modo limitado. Todavia, assim mesmo este governo permanece sob o controle de Deus.
  4. Portanto, os cristãos precisam engajar-se em orar pelo governo e todos os que ocupam ofícios no governo (cf. 1Timóteo 2.1-2), para que possam realizar o que Deus espera deles.
  5. Além disso, os cristãos também devem buscar “ofícios civis”, seja nos Municípios, seja nos Estados, ou no Governo Federal, para serem vereadores, prefeitos, deputados estatuais ou federais, senadores, e mesmo presidente da República. Pois, quanto mais cristãos verdadeiros participam ativamente do governo terreno, tanto mais justo ele será em seu desempenho.
  6. Assim, os pastores, que atuam no Reino Espiritual de Cristo, precisam, sim, passar aos cristãos as qualificações necessárias de candidatos a qualquer uma das posições governamentais. No entanto, eles devem evitar totalmente posicionar-se publicamente em favor de qualquer um dos candidatos, seja no relacionamento pessoal com membros da igreja, seja em reunião de membros, seja em cultos, ou através de meios de comunicação, inclusive os meios digitais, pois tais posicionamentos trarão divisão para dentro da igreja.
  7. Isso, porque cada cristão, analisando as qualificações dos candidatos, é livre para se posicionar e votar no candidato que, na sua visão, poderá melhor servir na posição que vier a ocupar. Como resultado, em cada congregação não haverá unanimidade em favor de candidatos. Portanto, o pastor, caso se posicione em favor de um ou de outro, causará divisão e prejudicará o trabalho na congregação e o avanço da missão.

III. Conclusão

     Sem dúvida, o momento que o Brasil está passando é complicado. Isto está ocorrendo não só por ser um período de eleições, mas pela corrupção que se tem estabelecida e espalhada. Diante disso, temos observado que há diferentes igrejas que estão se posicionando politicamente em favor de um ou outro candidato.
      Assim, julgamos importante encaminhar-lhes a orientação acima, para que a Igreja Evangélica Luterana do Brasil se mantenha equilibrada, de acordo com o que ensinam as Escrituras Sagradas. Que Deus conceda a todos a sabedoria e a confiança de que Deus jamais deixará de estar no controle do que ocorre neste mundo, inclusive em nosso Brasil.
      Saudações em Cristo,

21 de setembro de 2018

Rev. Dr. Rudi Zimmer
Presidente da IELB

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Quem será o piloto?




      O próximo Presidente terá nas mãos o comando de um enorme avião sucateado. Por isto o receio, tanto dos passageiros nas poltronas do lado esquerdo, do meio e do lado direito. Afinal, todos querem chegar sãos e salvos. A pergunta deve ser bem ponderada: Quem é a pessoa mais qualificada para pilotar este Boeing cheio de botões, com graves problemas técnicos, passageiros temerosos, e com terroristas à bordo? Tem os copilotos – os parlamentares (que também vamos escolher) e os juízes. Mas, o Presidente é o comandante deste avião que funciona pelos mecanismos da Constituição Brasileira, e, dependendo da cabeça e do coração dele, chegaremos tranquilos ao destino final. Se a comparação é válida, cabe lembrar que o tumulto numa aeronave piora a situação. É essencial seguir as ordens dos comissários, caso contrário, a confusão pode derrubar o avião.
      Mas, em qualquer situação, “nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus” (Romanos 13.1). Nesta regra divina num mundo com tendência do avião cair, devemos pagar impostos e respeitar as autoridades (v.7). Um respeito de duas vias, pois a Bíblia também lembra que "quando o governo é justo, o País tem segurança; mas, quando o governo cobra impostos demais, a nação acaba na desgraça" (Provérbios 29.4). E sobre as relações entre o céu e terra, as palavra de Jesus são referência: “A Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”. Por isto o Código de Ética da igreja em que eu atuo: “Mesmo que deva estar atento aos problemas da sociedade, não quero, enquanto pastor, exercer política partidária”. Uma atitude sabia quando a função da igreja é acalmar o ânimo dos passageiros.
      Por isto a Bíblia orienta: "Orem por aqueles que têm autoridade para que possamos viver uma vida calma e pacífica, com dedicação a Deus e respeito aos outros" (1Timóteo 2.2). Neste momento, a intercessão tem outro destino: “Orem pelos eleitores”. E boa viagem!

Marcos Schmidt
pastor luterano

terça-feira, 11 de setembro de 2018

É preciso calcular

      Cada candidato à Presidência tem 25 policiais para sua proteção. É questão de “segurança nacional” num País tão violento. É o sonho de consumo de cada brasileiro que só tem polícia quando liga para o 190. Se queremos segurança pessoal, precisamos pagar além do que já é descontado direto do nosso bolso. E daí, então, a explicação do radicalismo por mudanças. É oito ou oitenta, é agora ou nunca, é tudo ou nada. É o grito “Independência ou Morte” quando a opressão portuguesa mudou de endereço nos palácios das regalias, da corrupção, da incompetência.
     Como conseguir as mudanças? Porque, no final das contas, todos da direita e da esquerda querem a mesma coisa. Aí surgem as diferenças nas propostas para que os “25 policiais” estejam presentes na nossa rua, mesa, escola, hospital, empresa, na vida de todos. Por exemplo, é melhor todo mundo ter arma ou deixar só na mão da polícia? O caminho é privatizar ou estatizar? Fazer a reforma da previdência ou deixar como está? E por aí vai, um monte de coisas complicadas, assuntos dos “politizados” que a grande maioria só vai entender na hora quando estiver na fila do hospital, for assaltado, desempregado, desiludido.
      Ao tratar dos custos por mudanças na vida cristã, Jesus lembra que ninguém constrói uma torre sem primeiro calcular o preço. Será uma grande vergonha não concluir a obra (Lucas 14.29). Este é o nosso problema na religião e na política. Queremos uma vida melhor, felicidade, prosperidade — o céu. Mas não olhamos o projeto nem calculamos os custos. E daí surgem os espertalhões que aproveitam o sofrimento e a ignorância com falsas promessas. Se na vida cristã é preciso estar atento, calcular e deixar de lado interesses pessoais e desleixo, na vida política não tem outro jeito. Tragicamente, quando “cruz” virou sinal de “quanto vou ganhar?”, torres nunca chegarão até o final e outras vão cair.

Marcos Schmidt
pastor luterano

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Bandidos e mocinhos

Resultado de imagem para carro roubado     Depois de um conhecido meu ter o carro roubado, o telefone chamou: “Ou paga pelo resgate ou nunca mais...”. Sem seguro, mas com os impostos do veículo em dia, pagou também o IPVA do crime. E teve o carro de volta. A polícia orienta para nunca fazer isto, mas os bandidos mandam mais que os mocinhos. Dados confirmam que famílias e empresas brasileiras gastam mais em segurança do que o governo. Gastam mais também na saúde, na educação, nos transportes... Seria tranquilo se não fossem os altos tributos públicos que consomem a metade da renda dos brasileiros. E seria mais tranquilo ainda se o poder público não fosse corrupto e incompetente.
     Eu também já tive o carro roubado quando trabalhava em outra cidade, e foi o delegado quem pediu dinheiro. Não dei e nunca mais vi a cor do carro. Mais tarde, o homem da lei foi preso, mas logo solto. Não tinha seguro e o carro era financiado. Aprendi na carne o recado de Jesus: “Não ajuntem riquezas aqui na terra onde os ladrões arrombam e roubam”. O problema é que os ladrões não levam apenas nossos bens, mas também nossa vida. Por isto, a oração: “Ó meu Deus, protege-me daqueles que me atacam. Salva-me dos homens maus, livra-me desses assassinos” (Salmo 59).
     Mas, não basta orar. Faltam dois meses para escolher nossos governantes e não sabemos quem é bandido e quem é mocinho. Resultado: 59% dos brasileiros ainda não sabem em quem votar. Eu estou fazendo por eliminação. Não vou votar no radical, populista e que promete salvar o Brasil. Estou procurando aquele mencionado em Provérbios 28: “Quando a nação tem líderes inteligentes e sensatos, ela se torna forte e firme (...) O governador sem juízo será um ditador cruel; aquele que odeia a desonestidade governará por muito tempo”. Este é o caminho: governantes honestos, inteligentes, sensatos, com juízo. Ou então, vamos continuar pagando impostos aos bandidos.  Na rua e nas repartições públicas.

Marcos Schmidt
pastor luterano da IELB

sábado, 21 de julho de 2018

O melhor antídoto contra corrupção

      A melhor forma de combater a corrupção é democratizar o país. Sem dúvida muitos vão reagir afirmando que somos um país democrático. Infelizmente o Brasil não tem nenhuma tradição democrática e por isso nossa democracia é precária. Existem muitos vícios em nossas instituições.
      Para começar os partidos não são democráticos e precisam democratizar suas ações. As decisões não podem ser tomadas por uma cúpula do partido. As indicações dos candidatos precisam ser feitas por todos os filhados e não apenas pela direção do partido sem consultar as bases.
      O poder legislativo do país também está cheio de vícios permitindo que certos “caciques” possam manipular a ações e decisões da casa. A mesa da casa está muito acima do plenário. Os presidentes destes órgãos têm até poderes para engavetar pedidos de impeachment de presidente da República e ministros do STF sem consultar ninguém. Este tipo de ação não é nada democrático, mas um ranço forte de autoritarismo.
      O executivo é um poder, onde se governa para as elites e não para o povo. A governabilidade é com a caneta distribuindo valores com verbas públicas e nomeações de cargos em empresas públicas.
      No judiciário temos o STF, cujas indicações são políticas e estes ministros tomam suas decisões defendo os interesses daqueles que os indicaram, sem qualquer compromisso com as leis do país.
      Para um Brasil melhor é preciso lutar por mais democracia e fazer com os ocupantes públicos prestem contas à população que os elegeu.
Elmer Teodoro Jagnow
Pastor
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O que devo fazer além de votar obrigatoriamente?

Estamos nos aproximando de mais uma eleição municipal. Processo muito importante em que somos chamados a participar da decisão de eleger nossos representantes.

Diante deste fato histórico e decisivo, precisamos nos perguntar:

O que devo fazer além de votar obrigatoriamente?

  • Você precisa saber que o direito de votar em seu candidato é uma conquista histórica que seus antepassados lhe deixaram.
  • Nossos candidatos não nasceram hoje, conheça suas histórias e suas lutas em defesa da sociedade.
  • Uma política responsável é formada de bons candidatos e boas propostas, conheçam sem falta os dois.
  • Seu voto não é moeda de troca. Não vote em quem lhe promete favores que não poderá cumprir.
  • Como cidadão você não pode abrir mão de exercer seu direito de escolha. Se você não escolher, outros escolherão por você e provavelmente suas reivindicações serão deixadas de lado.
  • Não anule seu voto, anule, com o seu voto, a política irresponsável e despreocupada com as reais necessidades do povo.
  • Ética e dignidade na política devem ser cobrados pelo povo sempre, não só nas eleições.
  • A sua vida política não se limita aos dias da eleição. Veja se as promessas de campanha estão sendo cumpridas. Caso isso não aconteça, questione seu candidato.
  • Não se limite a ser apenas um eleitor por obrigação, mas sim, um cidadão responsável por convicção.
  • Ore por todos que têm autoridade, para que possamos viver uma vida calma e pacífica, com dedicação a Deus e respeito aos outros. (1 Timóteo 2.2).

Núcleo Ecumênico de Blumenau-SC
Igreja Católica Apostólica Romana,
Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil,
Congregação Evangélica Luterana “Bom Pastor” de Blumenau – IELB
E Jarbas Hoffimann (Pastor Luterano)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Ainda dá pra confiar

Antigamente, quando um homem empenhava sua palavra, isso valia. Um fio de bigode era como uma garantia. Hoje em dia, porém, nada mais é absolutamente garantido. Não se pode confiar cegamente em ninguém. Confiança é artigo escasso entre nós. O motivo é simples: as pessoas não cumprem o que prometem.
Precisamos marcar compromisso com “hora de relógio”; alguns prometem nunca mais fazer determinada coisa, mais parecem palavras ao vento. Uma lista interminável caberia aqui, para mostrar o quanto a palavra vale pouco.
Em tempo de eleições, muito se perguntam: ainda dá para confiar? Em tempos de solidariedade, outros se questionam: Vale a pena ajudar, doar? A maioria das pessoas odeia desonestidade e corrupção, quer na política quer em relacionamentos interpessoais, ou mesmo em casa. Contudo, muitos acham que um pouco de desonestidade, não fará mal a ninguém, porque nunca virá à tona.
política - honestidadeDe acordo com uma pesquisa da Futura/Fecomércio, 84,9% das pessoas acham que o eleitor vota visando tirar alguma vantagem pessoal, o que é considerado crime eleitoral. Só 13,5% dos entrevistados mantêm a fé na honestidade do eleitorado. A virtude da confiança parece cada vez mais se basear na fatídica e infeliz frase afinal: “se todo mundo faz, porque eu não posso também?” Cito um fato recente: Quem mais perdeu na lamentável atitude de desvios das doações enviadas ao nosso Estado? Os desabrigados pelas enchentes? Os alagoanos como povo? Os bombeiros como entidade confiável? Ou os apontados pela deslavada cara de pau? Ora, todos perderam! Porque quando a base que sustenta qualquer tipo de relação e consequentemente toda sociedade, se torna meretriz, nos tornamos cada vez mais pobres e vazios.
Desde o tempo do bigode e da barba grande, alguém com nome limpo e digno de confiança já alertara: “Quem é fiel nas coisas pequenas também será nas grandes; e quem é desonesto nas coisas pequenas também será nas grandes. Pois, se vocês não forem honestos com as riquezas deste mundo, quem vai pôr vocês para tomar conta das riquezas verdadeiras?” (Lucas 16.10-11).
Honestidade é essencial na ação de todo indivíduo, porque ela está sempre voltada para fora, para pessoas, para o mundo e por fim não acaba em morte (Provérbios 21.6), seja ela escandalosa ou mínima. Por isso que Jesus não deu só os fios de bigode pela tua causa, mas a própria vida, para que haja vida. Suas palavras e atitudes provam de que ainda dá para confiar, porque continuamente baseia-se na verdade, e a verdade liberta (João 8.32). Confie: “Você terá um novo nome, um nome que o Senhor lhe dará” (Isaías 62.2). Eu ganho, tu ganhas... todos ganham!
Márlon Hüther Antunes
Teólogo e Pastor da Igreja Luterana de Maceió

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