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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Quarto mandamento e outros

      Algumas igrejas dizem que é o 5º mandamento, mas a divisão clássica, mais antiga e mais usada no mundo cristão é chamar de 4º Mandamento. Enfim, o importante é o que está no mandamento. Que leio na Bíblia na Linguagem de Hoje:
“Respeite o seu pai e a sua mãe, para que você viva muito tempo na terra que estou lhe dando.” (Êx 20.12)
      Este mandamento é repetido muitas e muitas vezes na Bíblia. Mas um dos que eu mais gosto está em Efésios 6.2:
“Como dizem as Escrituras: “Respeite o seu pai e a sua mãe.” E esse é o primeiro mandamento que tem uma promessa”.
      O apóstolo Paulo lembra que para Deus, respeitar e obedecer pai e mãe é tão importante, que ele não deu simplesmente a lei, mas ainda fez uma promessa para todos que cumprirem o mandamento.
      E como isso funciona na prática.
      Outro dia um pastor contou a seguinte história: ele mora em um local de bastante montanhas e curvas nas estradas.
      Um dos moradores da cidade transportava verduras para outra cidade.
      Acontece que o caminhão estava com problemas nos freios. O pai do rapaz disse:
      — Não vá meu filho, é perigoso! Vamos perder a venda da semana, mas vamos consertar o carro.
      — Pode deixar pai, eu vou devagar. Sei o que estou fazendo.
      O rapaz foi. Sofreu um acidente. Ficou preso nas ferragens. O carro incendiou e ele acabou morrendo.

      Na prática, podemos afirmar que ele morreu porque não obedeceu o seu pai.
Se tivesse obedecido, não teria ido e estaria vivo sobre a terra que o Senhor deu para ele viver...

      Vocês, crianças, não vêm para a escola aprender a respeitar os pais... Isso vocês devem aprender em casa, com o apoio de suas igrejas. Os professores devem falar disso também, mas não é função deles.
      Vocês também não vêm para a escola aprender coisas que seus pais não querem que aprendam.
      Vocês vêm para cá para aprender matemática, português, geografia, ...
      Vocês vêm para crescer e se desenvolver e os que estão se formando hoje, com o apoio de dedicados professores e demais profissionais da escola, estão saindo muito mais preparados para a vida do que entraram. Estão mais corajosos. Mais independentes. Ganharam conhecimento. Ganharam amizades.
      Levarão no coração alguns dos professores que estão aqui. Eu seu porque até hoje trago a lembrança da Tia Terezinha (1ª série no Renato Araújo Maia), Tia Zezé (na mesma Escola), Tio Ocarlino (matemática, no Polivalente)...
      Interessante é que o Tio Ocarlino era negro... Isso nunca foi nem bom nem ruim. Era nosso Tio Ocarlino. Meu Tio Ocarlino... Eu, um alemãozinho... e também Tio do meu melhor amiguinho, um negro que hoje é padrinho da minha filha menor.
      Bons tempos em que não éramos divididos por cores. Só depende de nós que seja assim novamente.
      E sim, eu chamava de Tia e Tio. E gosto muito disso. Tem uma ramo da educação que não gosta. Tem até um livro: “professora sim, tia não” (aliás, as ideias desse autor estão por trás do empobrecimento da educação nos últimos 20 anos).
      Bobagem.
      Quem não acaba se afeiçoando por aqueles olhinhos curiosos? Quem não quer ver seu sucesso? E mais: os tios, aprendemos a respeitar como respeitamos aos pais... Ensinar (e não educar) é mais do que uma operação de trabalho, onde um tem o conhecimento e o outro precisa aprender. É uma relação de companheirismo que muitas vezes dura anos...
      Então, queridos Tios e Tias de nossos filhos. Muito obrigado por seu esforço. Vocês sempre terão nosso respeito, admiração e apoio quando precisarem. Mais do que isso, contem sempre com nossa oração por suas vidas.

      E nós pais, nesse empreendimento?
      Muitos pais terceirizaram a educação de seus filhos. Esperam que a escola, além de ensinar, dê a educação. Se a gente, em casa, com 1, 2 ou três já tem dificuldade de educar, imagina se tivéssemos 30... Por turno.
      Os professores fazem a parte deles: matemática, português, informática (lembram?!)... Desafiar a inteligência e as capacidades... Criar ocasião para surgirem amizades e para que aprendam a cooperar.
      Mas o fardo (o bom fardo) da educação é nosso. A nós cabe guiar no caminho que almejamos.
      Exemplo: se discute se deveria ter aula de religião nas escolas.
      Eu particularmente, não sei se a escola é o lugar para se "ensinar" religião. Aliás, pode ser que se decida ensinar uma religião que não é a sua, e daí?
      Religião se aprende em casa e na sua igreja.
      Se for a escola de uma igreja, tudo bem, ali faz sentido. Uma "escola confessional", como há tantas. Mas se quisermos que se ensine religião em nossas escolas, todas deverão ser ensinadas... É um princípio da democracia.
      Eu prefiro, como pai, ensinar eu mesmo os valores que trago desde meus antepassados. Valores que, no meu caso, são cristãos. Eu ensino sobre a minha fé. Aliás, minha esposa e eu.
      Eu ensino levando a cada domingo na igreja. Eu ensino falando de Jesus.
E ainda, uma última lembrança, muito importante, que trago em forma de um texto que circula a anos na internet:

Só uma vez seu filho terá 3 anos e estará doido para sentar-se no seu colo.
Só uma vez ele terá 5 anos e desejará brincando com você.
Só uma vez ele terá 10 anos e desejara estar com você em seu trabalho.
Só uma vez ele será adolescente e vera em você um amigo com quem conversar.
Só uma vez ele estará na universidade e vai querer trocar ideias com você.
Se você perder essas oportunidades, você perdera o seu filho e ele não terá tipo um PAI!!!
      Deus abençoe a todos:
         - Professores e demais profissionais da educação;
         - Pais e demais responsáveis pelas crianças;
         - Crianças. Presente e futuro de nosso país.

Rev. Jarbas Hoffimann

Congregação Castelo Forte
Nova Venécia, ES
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Veja algumas fotos do evento. Muitas outras em sara.h.fotos






















quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Se souber olhar, só verá a beleza da criação

De férias, na praia (depois de muito tempo)...
Fiz o que gosto de fazer na praia: nada. Aliás, é o que eu gosto de fazer nas férias (preferencialmente com a família). Na verdade, gosto de “fazer nada”, estudar e escrever...
E enquanto fazia nada, na praia, sentado à sobra (porque só na sombra) de um guarda-sol, observava. Não estava espiando ou espionando, ou “stalqueando”, apenas contemplando.
O que se vê na praia?
O mais obvio: o mar. Coisa mais linda da criação de nosso Deus. Daí tem areia e vento (que em alguns dias chega a incomodar, mas refresca)...
Além disso, vê-se pessoas. Muitos vendedores... Animais na areia, não vi.
Há crianças, que correm pra água, seguidas por seus pais (ou outros responsáveis) meio desesperados... Há adolescentes, poucos, porque parece que a maioria prefere dormir até meio-dia e eu fui pela manhã. Jovens também têm certa preferência por dormir pela manhã, então são poucos. Há adultos (aqueles que estavam correndo atrás das crianças, lembra?) e outros ouvindo música (pois é... inventaram essas caixinhas de bateria recarregável e o sossego acabou até na praia), há idosos...
Entre estas pessoas todas, há negros (ou pretos, ou afrodescendentes — já não sei como chamar pra não ofender, então escolha o de sua preferência e se tiver outra palavra ainda, me avise para que agregar ao meu vocabulário politicamente correto)... Alguns destes, bem negros (mesma observação do parêntese anterior) e há brancos (acho que branco dá pra chamar só de branco ainda, se não, me ajude) e alguns bem brancos. No restante, a grande maioria das pessoas tem tons de pele que passeiam entre estes dois tons mencionados (se pensamos em cor e não em etnias). E há famílias onde um é negro o outro branco e os filhos lindamente misturam isso. Nesse dia foi o que vi.
Há também musculosos (poucos... Devem estar dormindo pra sair de noite, ou devem estar na academia), há “saradas” (também poucas, acho que pelo mesmo motivo dos musculosos)...
Há pessoas muito magras outras que estão acima do peso (sem preconceito pra um ou outro, só observando).
Enfim, há pessoas diversas de corpos em formatos diversos e de idades diversas.
Toda esta diversidade me fez pensar na criação de Deus. Perfeita.
Se não tivermos preconceito, achando que nós somos melhores que alguém, veremos a beleza da criação. Beleza de negros e brancos convivendo, juntos, numa mesma praia. Beleza de idosos e crianças convivendo... Beleza de homens e mulheres, também esquecendo um pouco o “machismo” e o “feminismo” e convivendo pacificamente perante a beleza do mar que encantava Tom Jobim e Caymmi... Este último cantava ser “doce morrer no mar”, embora eu discorde (e posso discordar). Doce é saber que quem criou o mar, continua a cuidar de nós: Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Nenhum outro. E, quando eu morrer, pela fé em Jesus, o Pai me receberá. A mim e a todos quantos creem em Jesus.
Deus criou tudo e a cada momento da criação ele disse: “eis que tudo é perfeito”. Eu não sou melhor (nem pior) porque tenho olhos claros e nem mesmo porque estes meus olhos, já um pouco gastos pela idade, ainda enxergam... Não sou melhor que aquele que não enxerga. Talvez eu tenha algumas facilidade de fazer algumas coisas vendo, quando meu irmão que não enxerga precisaria lidar com essa dificuldade de forma diferente. Mas acredito que ele teria facilidades que eu não tenho, simplesmente por ter outros sentidos treinados para viver sem a visão. Mas esse é o ponto de vista de quem enxerga... Posso estar enganado. E essa é a beleza também: não somos os donos da razão e, estando abertos ao diálogo, podemos aprender muito.
Você viu negros (veja a observação acima) e achou feios (ou bonitos)? E brancos? Lembre que nossos padrões são normalmente definidos pela nossa cultura histórica, geográfica, familiar, etc... E que nem tudo que é bonito pra mim, será pra você e vice-versa... Gostos não se forçam, embora sejam minimamente ensinados. Então, não tenha preconceito, apesar de que você terá gostos e padrões diferentes... Ter gostos é gostar de jiló, quando outros o detestam... Mesmo assim, amamos a pessoa que gosta de jiló e não vamos exterminar o jiló do planeta por “jilófobia”.
Não ensine a seus filhos piadas que denigrem as outras pessoas, sejam elas brancas, negras, portugueses, japoneses, ou brasileiros (aliás, o termo brasileiro surgiu pejorativo, você sabia?)...
Ria de si mesmo e consigo mesmo. Faça amigos aonde for. Experimente a comida que te oferecerem. Você será muito mais feliz se rodeado de tudo e de todos que Deus criou. E que, na criação, era perfeito.

Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)


Estes e outros artigos são publicados no Jornal Correio 9, de Nova Venécia (curta para ser avisado das edições diárias, leitura completa online): https://www.facebook.com/correio9

Leitura Bíblica para a Quaresma 2026

Você sabe o que é a Quaresma? Muita gente acha que é o tempo de sofrimento e privação (jejum etc...) que começa depois do carnaval. Infelizm...