segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Livre ou preso

Está passando no cinema “Mandela — luta pela liberdade", filme baseado no livro de memórias do carcereiro James Gregory que conviveu com Mandela por 20 anos. Conforme sinopse, o filme transcorre sob o ponto de vista do sargento James Gregory, que assume a direção da penitenciária onde se encontra o famoso detento. No começo, Gregory é extremamente racista, e está disposto a qualquer preço para que os brancos não percam o controle político do país. Aos poucos, porém, quanto mais ele tem contato com Mandela, mais começa a rever seus conceitos.
Não vi o filme, até porque foi lançado há duas semanas. Falo desta obra cinematográfica por três motivos. O carcereiro é o ator Joseph Fiennes, o mesmo que interpretou Martinho Lutero no filme “Lutero”. Amanhã é 31 de outubro — dia em que Lutero em 1517 condenou publicamente o comércio do perdão dos pecados e deu início a luta contra o “apartheid” da igreja. E há um paralelo entre o carcereiro Gregory e o teólogo Lutero. Quem conhece a história de Lutero, percebe a semelhança. Só que o preconceito deste monge agostiniano era contra ele mesmo. Tornou-se carcereiro de Deus ao ingressar no mosteiro para conseguir perdão dos pecados e paz de espírito. Confinado numa sela sob os votos da pobreza, castidade e obediência, confessou mais tarde que sentia ódio de Deus. Mas foi ali mesmo no convento, em contato íntimo com as Escrituras Sagradas, que conheceu o Deus misericordioso revelado na face de Cristo.
O termo “apartheid” significa "separação", nome dado a este regime político sul africano que durante décadas impôs a dominação dos brancos sobre os negros. A Bíblia diz que os nossos pecados nos separam de Deus (Isaías 59.2). Um “apartheid” espiritual que, graças a Deus, não existe mais. Ou como escreve Paulo:
“Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor” (Romanos 8.39).
Com o fim deste regime diabólico, o único carcereiro agora sou eu mesmo — na ignorância e na descrença. É o que lembra Jesus:
“Quem não crer será condenado” (Marcos 16.16).
Vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Mandela disse que
"não há caminho fácil para a liberdade”.
O apóstolo Paulo escreveu algo parecido — ele que também esteve na prisão. Disse que Cristo nos libertou para sermos realmente livres, e que assim devemos permanecer sem voltar à escravidão (Gálatas 5.1). Pensando em tudo isto, que a liberdade não vem de mão beijada, que o carcereiro sou eu mesmo, cabe agora decidir o que fazer com as chaves.
“Eu lhe dou as chaves do Reino dos Céus”,
lembra Jesus,
“o que você fechar na terra será fechado no céu, e o que você abrir na terra será aberto no céu” (Mateus 16.19).
No final, dependendo da decisão, estarei livre ou preso.

Marcos Schmidt
Pastor luterano
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS
30 de outubro de 2008

domingo, 30 de outubro de 2011

Não mais escravos

Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

Queridos irmãos em Cristo.

A Paz do Senhor esteja com todos vocês.

Nos livros de história e nas reportagens de TV e jornais vemos falar sobre escravidão. Sempre vemos o quanto é ruim ser escravo.

Anualmente vemos muitas reportagens sobre trabalhadores que viviam em regimes de escravidão ou semiescravidão, especialmente no centro e norte do Brasil. No interior de estados como São Paulo. Mas pode acontecer em qualquer lugar.

E ninguém gostaria de ser escravo. Porque o escravo não tem nenhum poder de escolha. Ele não tem salário. Ele apenas trabalha, em condições muito precárias. Muitas vezes não tem alojamento, não tem a comida necessária. Mas mesmo assim deve continuar trabalhando para poder continuar vivo. Ele não é dono de sua vida.

No texto do Evangelho de João, Jesus está falando sobre a escravidão. Ele diz aos seus ouvintes para eles crerem nele, pois só assim eles seriam realmente livres e não mais escravos.

Os judeus que ouviam Jesus disseram:

“Nós somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como é que você diz que ficaremos livres?” | Jo 8.33.

O que aqueles judeus não sabiam é que apesar de livres neste mundo, eles estavam presos a seus pecados. Eram escravos dos desejos da carne. Eram escravos do egoísmo... Da mentira... Da fofoca... Do desamor a Deus e ao próximo. Eram escravos da falta de compromisso com a fé. E Jesus não está falando a qualquer um. Jesus fala para aqueles judeus que creram nele, mas ainda confiavam em suas obras para ter a libertação do pecado.

Aquelas pessoas eram escravas porque, mesmo sabendo que o pecado desagrada a Deus, não conseguiam se livrar do pecado. E, muitas vezes, não queriam se livrar. Tava bom do jeito que tava.

Situações, como esta que Jesus aponta, vêm se repetindo com o povo cristão no decorrer dos séculos.

Quantos hoje são escravos de sua luxúria?

Quantos são escravos da desonestidade?

Quantos são escravos das bebedeiras e brigas? Do desamor a Deus e ao próximo?

E você? É escravo de coisas parecidas com estas?

Quem for escravo de seus pecados não terá salvação. Mas se você é escravo do pecado e quer se livrar dele, existe solução: Jesus Cristo, nosso único Salvador. Aquele que, com sua morte na cruz liberta todos do pecado e da morte eterna.

Jesus diz:

“Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem peca é escravo do pecado. O escravo não fica sempre com a família, mas o filho sempre faz parte da família. Se o Filho os libertar, vocês serão de fato livres.” | Jo 8.34-36.

Pode ser que pareça não fazer diferença entre o escravo e o verdadeiro filho de Deus. Afinal de contas, as portas da casa do Pai estão sempre abertas para todos que vêm aqui. E nem sempre é possível saber se uma pessoa realmente crê ou não crê em Deus...

As duas pessoas podem vir à igreja, mas aquele que escuta a Palavra do Pai celeste e não corrige sua vida, ainda continua sendo escravo. E o escravo será separado da família no devido momento. Quando apenas os filhos de Deus terão a vida eterna.

Aqueles que vêm à igreja, mas continuaram escravos do seu pecado, morrerão e ainda passarão pela segunda morte, que é o lago de fogo e enxofre, como nos diz Apocalipse. Lá no lago de fogo e enxofre, que representa os piores sofrimentos, os escravos do pecado ficarão para sempre. E terão todo o tempo da eternidade para se arrependerem. Infelizmente aquele arrependimento não servirá para mais nada.

É hora de pensar nas coisas que são lá do céu. Deixar de lado os pecados que nos cercam e buscar no Espírito Santo a fortaleza para resistir às tentações.

Viva sua fé de forma completa. Não apenas no fim de semana ou em uma ocasião ou outra. Não naquilo que você quer, mas naquilo que Deus quer. Seja cristão 100% do tempo.

Ser cristão é crer em Jesus Cristo. E uma vez que temos a fé que nos foi dada pelo Espírito Santo, temos Deus ao nosso lado para nos ajudar a resistir às tentações de Satanás.

Ser cristão é crer em Jesus.

Ser cristão é estar livre dos pecados.

Mas enquanto estamos no mundo continuamos pecadores, mesmo não sendo mais escravos do pecado. Porque o pecado não nos domina mais. Assim como diz Jesus:

“Se você continuarem a obedecer aos meus ensinamentos, serão, de fato, meus discípulos e conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.” | Jo 8.31.

Você é escravo do pecado?

Em Jesus há liberdade pra você. E para todos que crerem.

Creia em Jesus Cristo e ouça o que ele tem a te ensinar na Bíblia. Confie nele até o fim e lembre-se que ele estará sempre junto de você para te proteger nos momentos de provação e tentação.

Venha à casa de Deus e leia a Bíblia para conhecer a verdade e ficar livre. Participe da Santa Ceia sempre que tiver oportunidade, pois a Ceia liberta do pecado também. E fortalece a sua fé no Salvador Maravilhoso que Martinho Lutero encontrou em seus estudos.

Seja filho de Deus e não escravo do pecado. Pois os filhos sempre farão parte da família. E têm a herança da vida eterna.

Que Deus te abençoe e te guarde, em nome de Jesus Cristo.

Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Venécia-ES

Glórias Somente a Deus

Simbologia Cristã – A Rosa de Lutero

200910 - A Rosa de Lutero - Cópia

sábado, 29 de outubro de 2011

Últimas Coisas – Escatologia – Juízo Final

4-cavalos-do-apocalipse Cremos, ensinamos e confessamos que Deus determinou um dia, no qual julgará o mundo com justiça. Ninguém sabe quando será este dia. Naquele dia, Jesus voltará visível e glorioso. Céu e terra se desfarão. Todos serão julgados por Jesus. Aos incrédulos, Jesus dirá:
Apartai-vos de mim, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus seguidores.
Aos fiéis, que terão um corpo glorioso, dirá:
Vinde, benditos de meu Pai e entrai no gozo de vosso Senhor que vos está preparado desde a fundação do mundo.
Então serão criados os novos céus e a nova terra, nos quais habitará justiça.
Referências bíblicas: Jo 5.28-29; At 10.42; 1Co 15.51-52; Rm 8.18; Mt 10.28; Is 66.24; Jo 19.25-27; Mt 26.31-46; 2Pe 3.10-13; Ap 21.1-8.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Dia das crianças

No último fim de semana, nós comemoramos o Dia das Crianças da Congregação Casteolo Forte.

Veja a notícia no site da IELB:

http://www.ielb.teo.br/site/index.php?pagina=noticias&id=821

Batismo - Sacramentos

Batizado Cremos, ensinamos e confessamos que o sacramento do santo Batismo foi ordenado por Jesus como meio da graça pelo qual o Espírito Santo "opera a remissão dos pecados, livra da morte e dá a vida eterna a quantos crêem." Pelo Batismo, as crianças recebem a fé e se tornam filhos de Deus e, aos adultos, o Batismo sela o perdão dos pecados. Enquanto alguém permanece na fé, desfruta as bênçãos do Batismo. O Batismo deve ser administrado uma vez só, em nome do Deus triúno: Pai, Filho e Espírito Santo.
Referências: Mt 28.19; Tt 3.5; Mc 10.14; Mc 7.4; 16.16; At 22.16.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O que é a Igreja? Por quem ela é formada?

família na igreja Os luteranos ensinam que há uma Igreja invisível, que consiste de todos aqueles que em seus corações, verdadeira e sinceramente, crêem em Jesus Cristo como seu Salvador;
Que essa Igreja é única;
Que Jesus Cristo é o seu único cabeça e Senhor;
Que todos os seus membros possuem direitos iguais;
Que ela pode ser encontrada onde quer que o Evangelho de Cristo seja conhecido, e que durará para sempre.
Os luteranos ensinam também que há uma Igreja cristã visível, que se compõe de todos aqueles que professam a fé cristã e se reúnem em torno da Palavra de Deus. Triste, porém, é que, por causa da inerente inclinação do ser humano para o mal, sempre há, na igreja como um todo, os hipócritas, os defensores de falsas doutrinas e práticas não cristãs. Diante disso, é dever de todo cristão sincero buscar e unir-se com aquela parte da igreja visível que retém o puro Evangelho e a correta prática. Deve ser evitada a comunhão religiosa com todos aqueles que se afastam da Palavra de Deus.
Referências: Jo 18.36; Lc 17.20-21; Jo 8.31-32; 1Co 12.13; Ef 1.22-23; 2.19-22; Is 55.10-11; Mt 16.18; 13.47-48; 22.2-14; 15.9; Rm 16.17; 2Ts 3.6,14; 2Co 6.14-18.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Santificação

conversao Os luteranos ensinam que a santificação é a vida que o cristão levará depois da conversão; este viver produzirá bons frotos (boas obras) como consequência da fé em Jesus Cristo;
Que todos os cristãos autênticos produzem boas obras em louvor e gratidão pelo perdão recebido de Deus;
Que, embora a santificação seja um processo gradual, nós só alcançaremos a perfeição na eternidade.
Referências: Jo 3.3; 2Co 7.1; Gl 5.6,25; 1Ts 4.3; Ef 2.10; 1Pe 1.15; Rm 7.15-25; Fp 3.12.

Jesus “Frankenstein”

frankensteinEstou lendo o livro “Evangelhos perdidos” de Bart D. Ehrman, escritor norte-americano especialista sobre os primórdios do cristianismo. Ele fala sobre as várias cartas e evangelhos apócrifos – obras supostamente escritas por Pedro, Tomé, Paulo e outros apóstolos. Há umas quatro dezenas d este tipo de literatura que desapareceram ou que restam apenas fragmentos – a maioria do segundo século e que forjaram um documento usando o nome dos apóstolos. Bart explica que a razão na época para este tipo de falsificação era para “atrair mentes para uma opinião”. O que acontece ainda hoje pela internet, quando artigos e poemas são enganosamente atribuídos a Luis Fernando Verissimo, Charles Chaplin, e outros famosos, tudo para garantir atenção.
Além do mais, a maioria destas “bíblias” apócrifas, ou secretas, dizia coisas diferentes às doutrinas cristãs expostas nos 27 livros canônicos do Novo Testamento. Declaravam, por exemplo, que não havia somente um Deus, mas dois, doze, ou trinta. Outros diziam que o mundo não tinha sido criado por Deus, mas por uma divindade menor e ignorante. Todos eles com influência do gnosticismo – uma filosofia da Grécia antiga que anunciava a “salvação” por meio da “gnosis” (conhecimento). O resultado deste cristianismo místico foi um “Jesus Frankenstein”, isto é, um Cristo apenas humano e não divino, ou apenas divino e não humano, e assim cortava a cabeça da igreja – o próprio Salvador.
O apóstolo já alertava:
“Ponham à prova essas pessoas para saber se o espírito que elas têm vem mesmo de Deus; pois muitos falsos profetas já se espalharam por toda parte. É assim que vocês poderão saber se, de fato, o espírito é de Deus: quem afirma que Jesus Cristo veio como um ser humano tem o Espírito que vem de Deus” (1 João 4.1,2).
E se agora chega o Natal, nada mais oportuno para os cristãos fortalecerem a fé no Jesus
“Luz de Luz, verdadeiro Deus do verdadeiro Deus, gerado, não criado, de uma só substância com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas; o qual por nós homens e pela nossa salvação desceu do céu e se encarnou pelo Espírito Santo na virgem Maria e foi feito homem” (Credo Niceno).
Ainda preciso terminar o livro “Evangelhos perdidos”. Enquanto isto, assisto perplexo os políticos perdidos, escondendo dinheiro nas meias e nos bolsos. É a política apócrifa, secreta, falsa, que usa o nome do povo e até invoca Deus em oração, para enganar e roubar. Mas então lembro o Natal, tempo da justiça, e ouço o cântico de Maria com o Salvador no ventre:
“Deus derruba dos seus tronos reis poderosos”.
É a primeira e a última esperança.
Marcos Schmidt
pastor luterano
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo
Novo Hamburgo- RS

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Conversão

conversão de paulo - michelangelo Cremos, ensinamos e confessamos que a conversão de um pecador compreende contrição e fé. A conversão não é mera reforma moral ou a resolução solene de corrigir a vida, mas é completa mudança de toda a vida do homem. É o renascimento espiritual do pecador. É uma transformação milagrosa, efetuada pelo poder do Espírito Santo, operada pelos meios da graça: palavra de Deus e sacramentos. Sendo espiritualmente cego, morto e inimigo de Deus, o homem não se inclina a Deus nem pode dispor-se à graça ou aceitá-la. Por isso, a conversão é um ato exclusivo de Deus, no qual o homem é passivo. A essa graça, porém, o homem pode resistir. A Bíblia lembra que o homem é salvo unicamente pela graça de Deus mediante a fé em Cristo e que Deus quer a salvação de todos. O que é salvo, é salvo pela graça. O que se perde, perde-se por culpa própria.
Referências: Jr 31.18; Jo 1.12-13; Rm 10.17; At 11.21; Ef 2.1,5.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

terra do nunca


O maior legado de Michael Jackson não é o reinado da música pop. É a placa sinalizadora: "Não siga por este caminho". É o exemplo da busca por um reino que não vale a pena. Mas histórias assim se repetem porque a dança segue a música. Um ritmo parecido com o "Thriller" – isto é, um mundo de zumbis que apresenta uma sociedade de "reis e rainhas do pop" que emergem das sepulturas, gente que vive, mas está morta. Gente que nunca cresce, mas segue no mundo da fantasia construindo ranchos Neverland para fugir da realidade.
No entanto, Michael é uma vítima da obsessão paterna que projeta os próprios sonhos no sacrifício do filho. Ele mesmo confessa que via as crianças brincando no parque e chorava porque tinha de gravar dez horas por dia. Perdeu a infância e a auto-estima, vítima das agressões físicas e psicológicas de um pai que debocha do filho e lhe diz que é feio. Por isto as inúmeras plásticas e o clareamento da pele. Tentou ser o que nunca foi e possuir o que nunca alcançou.

"Pais, não tratem os seus filhos de um jeito que faça com que eles fiquem irritados" (Efésios 6.4). O ensinamento é bíblico e antigo, mas serve para crentes e descrentes de todos os tempos. E se a guerra aqui na vida real é contra o crack, penso que esta droga que estala simboliza a mente doentia de uma sociedade que vive o mundo irreal do "pop star", do estrelismo, do sucesso, da fama, dos modismos, do consumismo, das plásticas, do corpo sarado, dos big-brothers e fazendas, do voyeurismo, do exibicionismo, do hedonismo, enfim, destes vícios por "drogas e remédios" que curam e matam num estalar de dedos.

Diz o Sábio que "Tudo neste mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião. Há tempo de nascer e tempo de morrer" (Eclesiastes 3.1,2). Depois de citar um monte de coisa que precisa da hora certa, conclui: "O que é que a pessoa ganha com todo o seu trabalho?" (v.9) Esta pergunta o rei do pop não pode mais fazer: O que eu ganhei com todo o meu trabalho? O Sábio tem a resposta: "Entendi que nesta vida tudo o que a pessoa pode fazer é procurar ser feliz e viver o melhor que puder" (v. 12). Não foi o caso de Jackson que certa vez disse: "A fama me deixa triste e só". Na verdade, a obsessão pela imagem, a vontade de ser uma eterna criança, o medo de ficar doente, o vício nos remédios, ou seja, a "Terra do Nunca" transformou-o prisioneiro de um tempo que nunca chegou.

"Tudo é ilusão. A gente gasta a vida trabalhando, se esforçando e afinal que vantagem leva em tudo isso?" (Eclesiastes 1.2-3). O Rei dos reis fez pergunta parecida: "O que adianta alguém ganhar o mundo inteiro, mas perder a vida verdadeira?" (Marcos 8.36). Pois a resposta nesta terra do nunca aparece na terra do sempre – o reino de Deus. E se o rei do pop sempre foi criança para fazer parte do Neverland, esta é a condição para entrar no Everland, conforme palavras do Salvador: "Quem não receber o Reino de Deus como uma criança nunca entrará nele" (Marcos 10.15).



Marcos Scmidt
Pastor luterano
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo-RS
2 de julho de 2009.

domingo, 23 de outubro de 2011

O que é a oração a Deus?

mãos em oração Os luteranos ensinam que a oração é uma comunhão dos cristãos com Deus;
que, embora não seja um ato pelo qual se obtenha méritos ou recompensas, ela é divinamente ordenada;
que deveria ser regularmente praticada por todo cristão para proveito próprio e para benefício de outros;
que, se feita com fé, conforme a vontade de Deus, tem a clara e segura promessa de graciosa aceitação e resposta divinas.
Referências: Sl 19.14; Mt 7.7-8; Sl 50.15; 1Tm 2.1,8; 1Jo 5.14; Is 65.24; Mt 21.22

sábado, 22 de outubro de 2011

fe-e-compromisso2 Cremos, ensinamos e confessamos que a fé salvadora não é simples assentimento aos ensinos da Escritura, mas a confiança de um pecador arrependido no perdão de Cristo. Tal fé não é um ato de obediência ou decisão da vontade humana, mas é um ato da graça divina como um presente. Mesmo sendo um ato divino, não é o Espírito Santo que crê em nós. Nós cremos. A pessoa que não tiver essa confiança em Cristo, não pode ser salva; permanece sob a escravidão de Satanás, sob a ira divina e caminha para a condenação infernal. Aquele que está em Cristo, é nova criatura e busca, sob a ação do Espírito Santo, estreita comunhão com o Salvador. Por contrição e arrependimento diários, afoga as inclinações pecaminosas de sua carne e, pela graça de Cristo, ergue-se diariamente para uma nova vida com Jesus. Luta diariamente com muitas fraquezas, mas busca a perfeição em Cristo, a qual gozará na eternidade em toda a sua plenitude.
Referências: Tg 2.19; Is 55.6-7; Mc 1.15; Jo 1.12; 1Co 12.3; Rm 10.7; At 16.31; Jo 3.36; Fp 3.14; Ef 4.15-16; Rm 12.1-3.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Arrependimento

image027 Os luteranos ensinam que o arrependimento, no sentido bíblico do termo, é o reconhecimento do pecado e o sincero lamentar por causa dele — juntamente com o confiante pedido de perdão a Deus, em nome de Cristo;
Que ele é uma condição do coração sem o qual ser humano nenhum pode ter a esperança de ser salvo;
Que a todo pecador verdadeiramente arrependido é assegurado o perdão gratuito e completo de Deus.
Referências: Is 55.6-7; Mt 4.17; Mc 1.15; Lc 18.13; At 2.38; 2Co 7.10.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Como somos reconciliados com Deus

CR007Os luteranos ensinam que tudo quanto era necessário para que houvesse reconciliação do mundo com Deus foi feito quando Jesus Cristo deu a vida sobre a cruz;
Que Deus, por causa de Jesus Cristo, declarou a humanidade livre da dívida e da culpa do pecado, celarou-a justa;
Que essa justificação (salvação) de toda a humanidade torna-se propriedade individual por meio da recepção pessoal da mesma;
Que todos que assim, pela fé, aplicam para si mesmos a graciosa declaração divina de reconciliação, são justificados diante de Deus – não por qualquer mérito ou dignidade, mas somente pelo amor imerecido que Cristo dá, por meio da fé.
Referência: 2Co 5.19; Rm 5.18-19; At 10.43; Rm 3.22-24,28; Ef 2.8 .

É tempo de não esquecer

relogio_dali Histórias de pais que esquecem filhos dentro do carro já viraram rotina. Agora foi na cidade de São Paulo. No último dia 18 de novembro uma menina de cinco meses morreu depois de permanecer cinco horas dentro de um veículo estacionado no sol. A mãe contou na delegacia que normalmente deixava a criança numa creche e depois seguia para a escola onde largava a outra filha de 6 anos. No dia da tragédia, ela inverteu a rotina e deixou a mais velha antes, e por isso não lembrou que a outra ainda permanecia no carro. A mãe de 40 anos, gerente financeira de uma empresa, só se deu conta quando deixou o trabalho e foi para o carro. Os vidros do veículo eram escuros e ninguém na rua movimentada enxergou o bebê que agonizava.
A Bíblia pergunta:
“Será que uma mãe pode esquecer o seu bebê? (...) Mesmo que isso acontecesse, eu nunca esqueceria vocês” (Isaías 49.15).
Pois este “será” não é mais uma possibilidade. Este “será” já é. Vivemos o tempo do relógio sem ponteiros, que não faz barulho e assim não avisa que os dias são iguais, com a mesma duração de antigamente. Queremos tudo em pouco tempo e não conseguimos nada. E assim – neste silêncio digital, moderno, de vida corrida e barulhenta, contraditória, de pais que esquecem filhos porque precisam trabalhar para sustentá-los – perdemos o que é mais precioso. Pois ainda há chance para acordar, sair do pesadelo, levantar. E refletir sobre as consequências deste jeito louco de viver.
No próximo domingo entra o Advento, dias que preparam para o Natal. Deveria ser um período mais tranquilo, no entanto, é a época mais conturbada do ano. E quando chega o Natal, lá está o bebê na manjedoura, esquecido no meio de gente apressada nas calçadas de vitrines decoradas, escondido atrás de “vidros escuros” dos enfeites natalinos, do papai-noel, das compras e das festas. E ele morre, pois
“as preocupações deste mundo sufocam a mensagem” (Mateus 13.22).
Mas a gente só esquece o que tem. Uma mulher não pode esquecer um bebê que não tem. Se hoje deixamos Deus de lado, é porque nós temos um Deus.
“Eles se esqueceram de Deus, o seu Salvador” (Salmo 106.21),
diz a Bíblia sobre um povo que tinha tempo e tinha salvação. E mesmo quando somos tentados a acreditar que Ele se esqueceu de nós, ou de pensar que a história do Natal é uma fábula, que a Salvação depende do esforço de cada um, mesmo assim, Ele permanece lá em cima e continua aqui em baixo. E quando esquecemos os filhos – e os “matamos” com coisas que os sufocam e que lhes negam a respiração da alma – a promessa fica:
“Eu nunca esquecerei vocês”.
É o Salvador do Advento. É o tempo que ainda corre. É a chance de lembrar, a hora de não esquecer.
Marcos Schmidt
pastor luterano
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo-RS
26 de novembro de 2009

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Evangelho

farol mãos de Deus Cremos, ensinamos e confessamos que Deus, em seu infinito amor, não abandonou os homens em sua ruína, mas resolveu salvá-los pela obediência, paixão e morte de seu Filho unigênito Jesus Cristo. O evangelho é a boa notícia dessa salvação. No evangelho, Deus oferece perdão dos pecados, vida e salvação a todos os homens. Todo o pecador arrependido, que confia nas promessas do Evangelho, tem o que estas palavras lhe dizem e prometem: perdão dos pecados, vida e eterna salvação.
Referências: Jo 3.16; Rm 1.16; Gl 3.5; 2Co 5.19.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Pecado

oração de perdão
Cremos, ensinamos e confessamos que toda e qualquer transgressão da santa lei de Deus é pecado. Cada pensamento, palavra ou ato contrário à vontade de Deus é pecado. Cada pecado é rebelião contra Deus. O pecado é a causa de toda a miséria neste mundo. O homem é responsável diante de Deus e terá que prestar contas de sua vida. E Deus julgará todos.
Referências: Ez 18.20,30; Rm 8.7; 1Jo 3.4; Gn 8.4; Hb 9.27; Rm 6.23.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sofrimento é castigo?


– Por que Deus permite que isto aconteça comigo? O que eu fiz de errado? É castigo?
Perguntas deste tipo são colocadas diante de mim em muitas situações do aconselhamento pastoral. E nestas horas o grande perigo é dizer bobagens. "Sofrimento" é tema das passagens bíblicas na liturgia do culto cristão para este fim de semana. São histórias de tragédias com perguntas e com respostas, como a de Jó que perdeu os dez filhos, toda a riqueza e a saúde (Jó 38.1-11). Dos discípulos aterrorizados dentro de um barco no meio de uma terrível tempestade (Marcos 4.35-41). Do apóstolo Paulo e suas aflições (2 Coríntios 6.1-13). E do testemunho que o "socorro vem do Senhor Deus, que fez o céu e a terra" (Salmo 124).

Mas se as perguntas são normais e compreensíveis, as respostas são estranhas. Jó perdeu tudo e Deus chega para ele e questiona: "Quem é você para pôr em dúvida a minha sabedoria?". Quanto aos discípulos, alguns eram pescadores e por isto, cientes das poucas chances de escaparem com vida – mesmo assim recebem, de Jesus, um puxão de orelhas: – "Por que é que vocês são assim tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?" Sobre Paulo, que parece um masoquista – ele já tinha dito em outra ocasião que se alegrava nos sofrimentos (Romanos 5.3). No entanto, é preciso ir mais fundo nos textos antes que se diga: "Isto é injusto".

Boa parte das heresias nasce e cresce no ninho do sofrimento. Por exemplo, a conversa de que a tragédia é castigo de Deus. Se fosse verdade, a vida da gente seria um medo sem fim. Por causa desta invenção do inferno muita gente vive com o coração na mão, sempre com medo de passar debaixo de uma escada, carregando amuletos, fazendo o sinal da cruz para qualquer situação de perigo, enfim, sob os terríveis efeitos da superstição. Nunca me esqueço da história de um amigo meu que perdeu o dedo da mão na serra elétrica numa Sexta-Feira Santa. Ele achava que era castigo pelo fato de trabalhar naquele dia. Consegui arrancar do coração dele o dedo acusador com a verdadeira mensagem deste dia cristão. Como fez o próprio Salvador quando os discípulos lhe perguntaram: "Mestre, por que este homem nasceu cego? Foi porque ele pecou ou porque os pais dele pecaram?" Jesus respondeu: "Ele não é cego por causa dos pecados dele nem por causa dos pecados dos seus pais. É cego para que o poder de Deus se mostre nele" (João 9.2,3).

Creio que assim como é impossível explicar a origem do Universo e da própria vida, é racionalmente incompreensível os motivos do sofrimento humano quando existe um Deus todo-poderoso e ao mesmo tempo cheio de amor. "Onde é que você estava quando criei o mundo?" pergunta Deus para Jó – alguém que já tinha se flagrado: "Não podemos compreender o Todo-Poderoso, o Deus de grande poder. A sua justiça é infinita, e ele não persegue ninguém" (Jó 37.23). Mas se a gente quer mesmo uma resposta, é só olhar para o imensurável sofrimento do Pai celeste que entrega o seu único e amado Filho na cruz – uma loucura para os que estão se perdendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, o poder de Deus (1 Coríntios 1.18).

Marcos Scmidt
Pastor luterano
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo-RS

18 de junho de 2009.

domingo, 16 de outubro de 2011

Diabo e Inferno existem?

morte_inferno Os luteranos ensinam que há uma grande hoste de espíritos (chamados de “demônios” na Bíblia), dotados de poder, que são inimigos implacáveis de Deus e de sua igreja;
que estes foram lançados no inferno;
que no dia derradeiro todos os seres humanos que morreram sem fé em Cristo serão destinados ao mesmo inferno de tormento e condenação eternos.
Referências: Ef 6.12; 1Pe 5.8-9; Jd 6; Mt 25.41; Is 66.24.

sábado, 15 de outubro de 2011

Pecado

pecado_pessoal Os luteranos ensinam que cada pensamento, palavra e ato contrário à Lei de Deus é pecado;
Que cada ser humano é pecador por nascimento;
Que todo mal no mundo é consequência do pecado do ser humano;
Que o pecado leva à condenação.
Referências: 1Jo 3.4; Jo 3.6; Rm 5.12; Sl 5.4; Sl 51.5.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A Lei de Deus – sua função

biblia_029Os luteranos enbsinam que a Lei de Deus exige corações, pensamentos, palavras e ações perfeitos;
Que ela condena inteiramente a todos aqueles que a transgridem;
Que ela não pode salvar pecadores;
Que a sua função principal desde a queda em pecado é a de levar o homem ao conhecimento de sua depravada condição e mostrar que todo ser humano necessita da ajuda de Deus.
Referências: Mt 5.48; Lv 19.2; Dt 27.26; Rm 3.20 .

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O que é a Bíblia?

biblia_002Os luteranos ensinam que a Bíblia é, em todos os seus termos, a Palavra de Deus;
Que, consequentemente, todos os fatos nela relatados são absolutamente verdadeiros;
Que ela não contém erro; que ela interpreta-se a si mesma;
Que ela é a única verdade divina conhecida sobre a terra;
Que ela deveria ser diligentemente ouvida e estudada;
Que ela anuncia a salvação pela fé em Jesus Cristo.
Referências: 2Pe 1.21; 1Co 2.13; Jo 5.39; Lc 11.28 .

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Ser Humano

4 crianças à beira do lago Cremos, ensinamos e confessamos que o ser humano foi criado por Deus conforme a imagem divina, a qual consistia em bem-aventurado conhecimento de Deus, perfeita justiça e santidade. Essa imagem se perdeu com a queda em pecado. Agora, o ser humano nasce com o pecado original, isto é, o pecado que herdamos de Adão, a completa corrupção de toda a natureza humana, agora privada da justiça original, inclinada para todo o mal e sujeita à condenação.
Referências bíblicas: Gn 1.27; 2.7; 3.1-16; Sl 51.5-15; Rm 5.12; Sl 143.3; Is 64.6.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Espírito Santo

espirito-santo-imagemO Espírito Santo esteve presente no batismo de Jesus em forma de uma pomba (Mc 1.5-11). No Pentecostes, o Espírito Santo marcou sua presença por meio de sinais: um som como de um forte vento e línguas como de fofo (At 2.1-4). O Espírito Santo também inspirou a Bíblia (2Tm 3.16).
O únic o Deus verdadeiro é a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Geralmente o Espírito Santo é citado em terceiro lugar (Mt 28.19), por isso dizemos que ele é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Mas isso não significa que ele é de menor importância que o Pai e o Filho.
O Espírito Santo é verdadeiro Deus assim como o Pai e o Filho.
O Espírito é santo, sem pecado. Ele é chamado santo porque ele mesmo é santo e porque santifica a nós também. Além de santo, o Espírito tem todas as demais qualidades que o Pai e o Filho têm: é justo, todo-poderoso, onisciente, amor, etc.
O Espírito Santo cria e dá a fé pelo ouvir do Evangelho.
O Espírito Santo santifica as pessoas que chegam á fé.
O Espírito Santo ilumina na fé verdadeira com os seus dons.
O Espírito Santo conserva na fé os crentes.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Turbulência na alma


O pastor luterano Genivaldo Agner que trabalha em Portugal, após ler meu artigo da semana passada, mandou um e-mail: "Marcos, quinze dias atrás, eu, minha esposa e o nosso filho de cinco meses fizemos o mesmo trajeto do avião que caiu, no mesmo horário. As nossas idas e vindas para o Brasil não serão mais as mesmas. E querendo ou não, quando passarmos por aquela zona de grande turbulência (elas sempre acontecem por ali), lembraremos do voo 447. Um dos comissários de bordo deste voo, brasileiro, conversou conosco e cuidou para que nosso filho pudesse ter o seu berço bem colocado. Coisas que agora nos emocionam".
–Sempre tive medo de avião e não consigo dormir quando viajo. — confessou o presidente Lula nesta semana. Pensando bem, a poltrona do avião é um lugarzinho incômodo que revira coisas que estão lá no bagageiro de nossa vida. Quanta coisa passa pela cabeça nestas horas quando se está lá nas alturas:

–Será que chego ao destino são e salvo? E se morrer, sentirão a minha falta? E as coisas erradas que fiz? Para onde vou depois da morte?"

Aliás, foi assim que no ano passado um pastor confessou ter assassinado a esposa. Apavorado com os balanços do jatinho, o homem começou a chorar e contou tudo aos policiais que o conduziam ao tribunal. Isto aconteceu num voo de Santos à Brasília, e foi a prova para a condenação dele. Não é preciso ser um criminoso, mas são nestes momentos que a consciência de qualquer um de nós acende a luz vermelha e toca o alarme. É a chance de confessar...

No entanto, será que este tipo de turbulência não deveria nos sacudir também na poltrona da nossa casa? Afinal, morre mais gente dentro de casa que dentro de avião. "Ninguém pode evitar a morte, nem deixá-la para outro dia. Nós temos de enfrentar esta batalha, e não há jeito de escapar", avisa a Bíblia em Eclesiastes 8.8. Enfrentar a batalha da morte? Mas de que jeito? Com seguro de vida, testamento, cemitério? Aliás, algumas vítimas do avião francês nem precisarão de túmulos. O que aumenta ainda mais a agonia dos familiares. Li que a localização dos corpos e a confirmação da morte podem ajudar os parentes a superar a perda. É o inevitável enfrentamento dos que permanecem no vale da sombra e da morte. Mas o "dia D" desta batalha é pessoal – igual a uma carteira de identidade. E dependendo das armas, ou a morte morre e a vida vive, ou a morte vive e a vida morre.

O maestro Silvio Barbato, uma das vítimas do vôo 447, só voava com um crucifixo, conforme disse a mãe dele numa homenagem em Porto Alegre. Quando atravessava uma zona de turbulência, apertava-o com tanta força que ficava com marca nas mãos. Creio que para afastar o pavor de qualquer coisa nesta vida turbulenta, melhor mesmo é apertar a própria consciência com a cruz. E só existe um jeito: "Nada pode nos separar do amor de Deus, nem a morte, nem a vida (...) nem o presente, nem o futuro; nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo. Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor" (Romanos 8.38-39).



Marcos Scmidt
Pastor luterano
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo-RS

11 de junho de 2009

domingo, 9 de outubro de 2011

Qual a consequência da morte?

anjo da morte 1Os luteranos ensinam que o corpo, que na morte foi separado da alma, será ressuscitado no dia derradeiro e tornará a unir-se à alma;
que todos os seres humanos serão julgados por Jesus Cristo;
que a todos os crentes em Cristo será dada a vida eterna no céu, enquanto que os descrentes serão lançados à condenação eterna.
Referências: Jo 5.28-29; Mt 25.31,46.

sábado, 8 de outubro de 2011

Jesus Cristo

jesus_cristo-na-cruz Cremos, ensinamos e confessamos que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Como Filho de Deus, gerado do Pai desde a eternidade, é, em todos os sentidos, igual ao Pai e ao Espírito Santo. Como verdadeiro homem, nasceu da virgem Maria. Nasceu sem pecados e é, em todos os sentidos, verdadeiro homem. Como nosso substituto, cumpriu a lei de Deus, padeceu por nossos pecados e, por seu sacrifício e morte, consumou a obra de reconciliação. Desceu ao inferno para mostrar sua vitória sobre todos os nossos inimigos e ressuscitou para nos dar a certeza que nós também viveremos. Jesus Cristo é o único Salvador da humanidade. Fora dele não há salvação. Jesus voltará ao mundo para julgar os vivos e os mortos.
Referências bíblicas: Jo 1.1; Mt 1.18-25; 1Pe 2.22; 2Co 5.19; 1Jo 2.2; Cl 2.15; Rm 1.14; At 10.42.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Deus

deus
Cremos, ensinamos e confessamos que o conhecimento natural que o ser humano possui a respeito de Deus é imperfeito e insuficiente para a salvação. Conhecimento correto e salvífico o ser humano adquire somente pela Escritura Sagrada, na qual o Deus verdadeiro: Pai, Filho e Espírito Santo assim se revelou e quer ser adorado. Qualquer outro culto é idolatria e abominação ao Senhor.
Referências bíblicas: Rm 1.19-20; 2.14-15; Dt 6.4; Mt 28.19; Jo 5.23; 1Co 8.4-8.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Credos – Confissões de Fé

   feA  natureza confessional da IELB está baseada nos livros que formam o livro sagrado do Cristianismo, a Bíblia. Como exposição correta da Bíblia, a IELB subscreve uma série de documentos confessionais, reunidos no Livro de Concórdia de 1580.
A IELB adota os três símbolos ou credos ecumênicos do Cristianismo:
Credo Apostólico
Credo Niceno
Credo Atanasiano.

CREDO APOSTÓLICO
Por ser uma das primeiras partes da literatura confessional que se aprende, o Credo Apostólico é o credo mais usado em nossa igreja. E, exceto a oração do Senhor (dominical), não há conjunto de palavras na Igreja Cristã que os cristãos mais pronunciem. Ele é o primeiro dos credos ecumênicos (ecumênico significa universal, geral, do mundo inteiro).
A Igreja Cristã antiga adotou o nome ecumênico para mostrar que ela, como um todo, aceitava esses credos. Em 1580, a Igreja Luterana, para demonstrar que não era uma seita ou movimento, incorporou três credos em suas confissões, reunidas no Livro de Concórdia.
bibliaApesar de receber o nome de Apostólico, não temos nenhuma evidência de que foi escrito pelos apóstolos ou por alguns deles. O título "Credo Apostólico" foi usado pela primeira vez em 390, no Sínodo de Milão. Em 404, Tirano Rufino escreveu um comentário do credo, contando a história de sua provável origem (de que no dia de Pentecostes os apóstolos, antes de cumprir a ordem de ir aos confins da terra, teriam se reunido e cada um contribuído com uma parte do credo). Há evidências, porém, de que um credo muito semelhante a este já era usado no ano 150. A verdade, talvez, nunca se saberá. Entretanto, ninguém de sã consciência negará que esse credo reproduz autenticamente o ensino dos apóstolos, fundamentado nas verdades das Escrituras (1 Co 8.6; 12.13; Fp 2.5-11; 1Tm 2.4-6; 1Tm 3.16).

CREDO NICENO
evangelho1Enquanto a Igreja Cristã se desenvolvia, passou a sofrer oposição de Roma e dos judeus em forma de perseguições e morte aos que professavam a fé cristã. Mas este não foi o único tipo de perseguição sofrida. Apesar da igreja primitiva ter recebido aceitação social e respeitabilidade durante o governo do Imperador Diocleciano (284-305), um outro tipo de perseguição começou a se infiltrar na Igreja – o da oposição à fé como revelação direta da verdade por parte de Deus.
A origem do Credo Niceno se encontra na necessidade de defender a doutrina apostólica da divindade de Cristo contra Ário, e da divindade do Espírito Santo contra os seguidores de Macedônio. Convocou-se um Concílio na cidade de Nicéia para maio e junho de 325. Duzentos e vinte bispos estavam presentes. O propósito do Concílio era formular, sem possibilidade de falsas interpretações, o que as Escrituras ensinavam a respeito do Senhor Jesus Cristo. A pergunta era: Jesus é ou não é o verdadeiro Deus do verdadeiro Deus? Estaria Ario certo ao dizer que Jesus não é verdadeiramente Deus? Apesar do brilhantismo dos teólogos arianos, os ortodoxos (que mantinham o ensino bíblico) não estavam ausentes e sem os seus heróis da fé. Conta a história que Atanásio era um homem de pouca estatura. Mas como um estudioso da Bíblia, era um gigante. Desde o Concílio de Nicéia, por causa da sua defesa sólida da fé cristã, o dito que passou a acompanhá-lo foi "Atanásio contra o mundo".
Além, de Ario, apenas cinco outros se recusaram a assinar o documento de Nicéia. O Imperador os baniu, mas sem grande interesse político. O mesmo credo foi reafirmado no Concílio de Constantinopla, em 381, e foi oficialmente adotado com alguns acréscimos em 451, no Concílio de Calcedônia.
O Credo Niceno não procura apresentar todos os artigos da fé cristã, mas confessa e defende as verdades fundamentais da doutrina escriturística acerca de Deus.

CREDO ATANASIANO
crucifixoO Credo Atanasiano é uma confissão magnífica sobre o Deus Triúno. Lutero o considerou “a maior produção da igreja desde os tempos dos apóstolos”. A origem do credo é obscura. Desde o século IX alguns o atribuíram a Atanásio, o heróico defensor da doutrina da divindade de Cristo contra Ario. Entretanto, não há razões muito fortes para que se possa atribuí-lo a Atanásio:
1. Não há evidências de que Atanásio e seus contemporâneos tivessem tomado conhecimento desse credo (também chamado “Quicunque” – pois ele inicia com estas palavras: “Todo aquele...”.
2. Ele ataca heresias que surgiram depois da morte de Atanásio, quando Nestório e Êutico introduziram heresias sobre a Trindade e a pessoa de Cristo.
3. É bem provável que o autor desse credo era versado nos escritos de Agostinho, que viveu entre 354 e 430. Mas se Atanásio não foi o autor, quem foi? A questão tem intrigado estudiosos da história cristã ao longo dos anos. O mais próximo que chegaram, foi de que se conhecia um credo semelhante a esse na Galícia (hoje França) na metade do 5° século. Entretanto, só se tornou popular para fins de instrução após Carlos Magno (742-814) ter decretado que todos os clérigos tinham que aprendê-lo.
O Credo Atanasiano nunca teve um uso generalizado como os outros credos. Mas se há um momento no Ano Eclesiástico que ele deveria receber atenção, este é o Domingo da Santíssima Trindade (1º Domingo após Pentecostes), pois essa doutrina, e especialmente a da divindade de Cristo e de sua obra redentora, é o fundamento sobre o qual está edificada a igreja (Ef. 2.20).

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Credo Niceno

O texto litúrgico atualmente em uso para o Credo Niceno é:

credo nicenoCreio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, tanto das cousas visíveis como das invisíveis.
E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os mundos, Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus do verdadeiro Deus, gerado, não criado, de uma só substância com o Pai, por quem todas as cousas foram feitas; o qual por nós homens e pela nossa salvação desceu do céu e se encarnou pelo Espírito Santo da Virgem Maria e foi feito homem; foi também crucificado por nós sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado; e ao terceiro dia credo niceno - textoressuscitou segundo as Escrituras, e subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai e virá novamente em glória a julgar os vivos e os mortos, cujo Reino não terá fim.
E no Espírito Santo, Senhor e Doador da vida, o qual procede do Pai e do Filho, que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; que falou pelos profetas. E numa única santa Igreja Cristã e Apostólica. Confesso um só Batismo para remissão dos pecados, e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo vindouro. Amém.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Credo Apostólico

O texto litúrgico atualmente em uso para o Credo Apostólico é:

credo apostolicoCreio em Deus Pai, todo-poderoso, Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo. Seu único Filho nosso Senhor. O qual foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao inferno, no terceiro dia ressuscitou dos mortos, subiu ao céu e está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir julgar os vivos e mortos.
Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Cristã – a comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Se as águas do mar da vida...


O avião que caiu em alto mar era um dos mais sofisticados do mundo. Por incrível que pareça, a moderna tecnologia pode ter sido a causa do acidente. Estes aviões da Air France têm um sistema para impedir que falhas humanas coloquem em risco a segurança do voo. Mas o computador pode errar. E nestes casos, a máquina tem o comando e os pilotos não conseguem desligar o sistema e corrigir as manobras equivocadas. Isto já tinha acontecido em duas situações com este tipo de aeronave, mas os pilotos conseguiram evitar um desastre.
Até parece aqueles filmes de ficção dos robôs contra os humanos. Se a gente pensar mais a fundo, a coisa é real, pois a máquina tem o domínio. E se alguns acreditam que a salvação está na tecnologia, o contrário pode ser a verdade. Afinal, existe a possibilidade de nosso planeta ser destruído em segundos pela bomba atômica, ou em alguns anos pela fumaça das indústrias e dos carros que provoca o efeito estufa. Mas fazer o quê? Não viajar de avião? Jogar fora o computador? Voltar aos tempos de nossos avós? Ou fugir como fez Santos Dumont, que em profunda depressão suicidou-se ao ver seu invento nos céus da Primeira Guerra Mundial?

"Estamos sempre em perigo de morte" (2 Coríntios 4.11), escreveu o apóstolo numa época quando as máquinas eram de paus e pedras. Creio que a penosa lição nestas inevitáveis tragédias, e que tentamos deletar dos pensamentos, é bem direta: a vida passa logo. Se para as 228 pessoas deste voo trágico a vida desintegrou-se em um minuto, qual a diferença para uma pessoa que caminha naturalmente para o fim desta jornada terrena? É só perguntar para alguém enrugado e de cabelos brancos, e ele vai responder que tudo passou rapidamente. Moisés já tinha experimentado: "Mil anos são como um dia, como o dia de ontem, que já passou; são como uma hora noturna que passa depressa (...) A vida passa logo e nós desaparecemos" (Salmo 90.4,10).

No entanto, é nesta hora de perplexidade em meio aos destroços da vida em alto mar que aparece no horizonte o Sol da esperança. Pois neste mundo onde uma "falha elétrica" mudou a trajetória da vida, o Criador resolveu assumir o comando do voo. O próprio Salvador testifica: "Ninguém subiu ao céu a não ser o Filho do Homem que desceu do céu (...) Pois Deus mandou o seu Filho para salvar o mundo e não para julgá-lo" (João 3.13,17).

São várias causas possíveis para este acidente com o voo 447 da Air France, inclusive um atentado terrorista. E difíceis as chances para localizar a caixa preta e ter as respostas. Mas a ausência destas questões e de tantas outras não tem o poder de encobrir o que já foi revelado. Como diz a Bíblia: "Pois o salário do pecado é a morte, mas o presente gratuito de Deus é a vida eterna, que temos em união com Cristo Jesus, o nosso Salvador". Por isto os cristãos entoam: "Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai (...) Não temas, segue adiante e não olhes para trás. Segura na mão de Deus e vai".



Marcos Scmidt
Pastor luterano
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo-RS
4 de junho de 20009.

domingo, 2 de outubro de 2011

Santa Ceia - Sacramentos

copa Cremos, ensinamos e confessamos que, na Santa Ceia, o Senhor Jesus Cristo, de acordo com sua palavra, nos dá o seu corpo e sangue para remissão dos pecados. Os elementos materiais, pão e vinho, não se transformam em corpo e sangue. Mas por ordem e promessa de Deus, recebemos na Santa Ceia em, com e sob o pão e o vinho, o verdadeiro corpo e sangue de Cristo. Os que crêem, recebem-no para fortalecimento da fé. Os que participam sem arrependimento e fé, recebem igualmente o verdadeiro corpo e sangue de Cristo, mas para juízo. A Santa Ceia é a mesa do Senhor onde recebemos conforto e consolo. Ela nos dá o perdão dos pecados e nos fortalece na esperança da ressurreição.
Referências: Mt 26.26-28; Mc 14.24; 1Co 11.24-29.

sábado, 1 de outubro de 2011

Credo Atanasiano

Este texto encontra-se no Livro de Concórdia:

credo atanasianoTodo aquele que quer ser salvo, antes de tudo deve professar a fé católica. Quem quer que não a conservar íntegra e inviolada, sem dúvida perecerá eternamente.
E a fé católica consiste em venerar um só Deus na Trindade e a Trindade na unidade, sem confundir as pessoas e sem dividir a substância. Pois uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; Mas uma só é a divindade do Pai e do Filho e do Espírito Santo, igual a glória, coeterna a majestade. Qual o Pai, tal o Filho, tal também o Espírito Santo. Incriado é o Pai, incriado o Filho, incriado o Espírito Santo. Imenso é o Pai, imenso o Filho, imenso o Espírito Santo. Eterno o Pai, eterno o Filho, eterno o Espírito Santo; Contudo, não são três eternos, mas um único eterno; Como não há três incriados, nem três imensos, porém um só incriado e um só imenso.
Da mesma forma, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente; Contudo, não há três onipotentes, mas um só onipotente. Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus; E todavia não há três Deuses, porém um único Deus. Como o Pai é Senhor, assim o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor; Entretanto, não são três Senhores, porém um só Senhor.
Porque, assim como pela verdade cristã somos obrigados a confessar que cada pessoa, tomada pela verdade cristã somos obrigados a confessar que cada pessoa, tomada em separado, é Deus e Senhor, assim também estamos proibidos pela religião católica de dizer que são três Deuses ou três Senhores. O Pai por ninguém foi feito, nem criado, nem negado. O Filho é só do Pai; não feito, nem criado, mas gerado. O Espírito Santo é do Pai e do Filho; não feito, nem criado, nem gerado, mas procedente. Há, portanto, um único Pai, não três Pais; um único Filho, não três Filhos; um único Espírito Santo, não três Espíritos Santos. E nesta Trindade nada é anterior ou posterior, nada maior ou menor; porém todas as três pessoas são coeternas e iguais entre si; de modo que em tudo, conforme já ficou dito acima, deve ser venerada a Trindade na unidade e a unidade na Trindade. Portanto, quem quer salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade.
Mas para a salvação eterna também é necessário crer fielmente na encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo. A fé verdadeira, por conseguinte, é crermos e confessarmos que nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem. É Deus, gerado da substância do Pai antes dos séculos, e é homem, nascido, no mundo, da substância da mãe. Deus perfeito, homem perfeito, subsistindo de alma racional e carne humana. Igual ao Pai segundo a divindade, menor que o Pai segundo a humanidade. Ainda que é Deus e homem, todavia não há dois, porém um só Cristo. Um só, entretanto, não por conversão da divindade em carne, mas pela assunção da humanidade em Deus. De todo um só, não por confusão de substância, mas por unidade de pessoa. Pois, assim como a alma racional e a carne é um só homem, assim Deus e homem é um só Cristo; O qual padeceu pela nossa salvação, desceu aos infernos, ressuscitou dos mortos, subiu aos céus, está sentado à destra do Pai, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. À sua chegada todos os homens devem ressuscitar com os seus corpos e vão prestar contas de seus próprios atos; E aqueles que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna; aqueles que tiverem praticado o mal irão para o fogo eterno. Esta é a fé católica. Quem não a crer com fidelidade e firmeza, não poderá salvar-se.