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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Ódio

As notícias sobre o ódio se multiplicam. A França parece ter se tornado num território preferido para os atentados de todos os tipos. Esforçam-se em dizer que não é culpa de nenhuma religião… Mas não consigo pensar assim. Especialmente porque o cristianismo extremo também já causou muitas mortes. Então, líderes raivosos manipulam os ensinamentos da religião, para conseguirem — pela espada — impor sua vontade particular. Não é uma missão amorosa… É uma guerra religiosa.
Recentemente o Papa Francisco lembrou que “o mundo está em guerra”. Ressaltando não ser uma guerra religiosa, mas sim uma guerra entre pessoas que se julgam religiosos. Guerras assim já aconteceram muito a fora.
Desde o século 12, na região da Irlanda do Norte, católicos e protestantes estiveram em guerra e apenas parte do motivo era religioso. Havia motivos políticos, econômicos… O Exército Republicano Irlandês (o IRA, católico, era pró-independência — ou seja, um movimento que queria separar-se da Inglaterra) enquanto os protestantes integravam o movimento pró-Inglaterra… A guerrilha e o terrorismo foi terrível e foi muito forte até os anos 80 ainda… Certamente muita gente ainda se lembra de ter visto pela TV os atos de terrorismo de católicos contra protestantes e vice-versa… Foi terrível.
Nas cruzadas, os cristãos, contra os muçulmanos, com a desculpa de recuperar Jerusalém, mataram muitas pessoas, inclusive, criando um “exército de crianças”, que se supunha, não seriam derrotados… Foram. Morreram ou foram escravizadas aquelas crianças. Em homenagem àqueles inocentes, a Igreja comemora ainda hoje o “Dia das Crianças Inocentes, Mártires”. A Igreja, quando se afastou da Palavra de Deus, ou a usou de forma errada, sempre fez bobagem.
O Professor Leandro Karnal, em seu perfil no facebook, publicou:
“Um padre, Jacques Hamel, numa solitária igreja na Normandia, reza sua missa matial. Dois jovens perturbados encontram no discurso fundamentalista uma enseada generosa para acolher a frustração e o fracasso de ambos. O padre Hamel completaria 86 anos em novembro. Foi degolado em plena igreja. Daqui de São Paulo sofro e presto minha solidariedade aos franceses e aos católicos. Tem dias nos quais acho que o ódio vai vencer Tanta gente trocando insultos com pessoas que nunca encontrou, tanta raiva com desconhecidos fluindo por esta internet que, às vezes, acho que Hobbes tinha razão: o estado do homem é a guerra de todos contra todos. Depois, vejo o olhar atento de um aluno descobrindo um texto e fazendo uma pergunta inteligente e… volto a ter esperança. Hoje estou de luto. Meu luto não é pelo padre Hamel, mas por todos nós que ainda vivemos.”

Eu, por outro lado, estou de luto pelo Padre e por todos os cristãos que dedicam sua vida salvando vidas… Falando de sua fé com amor, com dedicação e ainda são assassinados covardemente por causa de sua fé. E não se espantem, em nosso país há sempre movimentos revoltosos contra cristãos… Ainda anda no âmbito do projeto de lei, mas há muita coisa querendo cercear a liberdade religiosa cristã, enquanto outras religiões não são incomodadas… Como cristãos, vamos dar a outra face.
Voltando ao que o professor Karnal atribuiu a Hobes, a Palavra de Deus já versava bem antes:
“De fato, teho sido mau desde que nasci; tenho sido pecador desde o dia em que fui concebido.” (Salmo 51.5)

Ou seja, nascemos sim, todos contra todos… Uns buscando o mau dos outros. Pois “Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus.” (Romanos 3.23).
E a carta de Paulo aos Romanos, que falava para judeus, que achavam, que por seguir certas leis e certas cerimônias, estavam agradando a Deus, nos alerta:
“Não há uma só pessoa que faça o que é certo; não há ninguém que tenha juízo; não há ninguém que adore a Deus. Todos se desviaram do caminho certo, todos se perderam. Não há mais ninguém que faça o bem, não há ninguém mesmo. Todos mentem e enganam sem parar.
Da língua deles saem mentiras perversas, e dos seus lábios saem palavras de morte, como se fossem veneno de cobra. A boca deles está cheia de terríveis maldições. Eles se apressam para matar. Por onde passam, deixam a destruição e a desgraça. Não conhecem o caminho da paz e não aprenderam a temer a Deus.” (Romanos 3.10-18).
Enquanto os extremistas islâmicos (e quaisquer outros) buscam apenas apagar o contraditório e extirpar da terra os diferentes... O Salvador Jesus nos ensina a tolerância.
Não é pela força que se “converte”, mas por ação do Espírito Santo. Não é pela espada, mas sim pela pena da Palavra.
Lucas 6.27-36 (Não se esqueçam o que diz Jesus):
— Mas eu digo a vocês que estão me ouvindo: amem os seus inimigos e façam o bem para os que odeiam vocês. Desejem o bem para aqueles que os amaldiçoam e orem em favor daqueles que maltratam vocês. Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também. Se alguém tomar a sua capa, deixe que leve a túnica também. Dê sempre a qualquer um que lhe pedir alguma coisa; e, quando alguém tirar o que é seu, não peça de volta. Façam aos outros a mesma coisa que querem que eles façam a vocês.
— Se vocês amam somente aqueles que os amam, o que é que estão fazendo de mais? Até as pessoas de má fama amam as pessoas que as amam. E, se vocês fazem o bem somente para aqueles que lhes fazem o bem, o que é que estão fazendo de mais? Até as pessoas de má fama fazem isso. E, se vocês emprestam somente para aqueles que vocês acham que vão lhes pagar, o que é que estão fazendo de mais? Até as pessoas de má fama emprestam aos que têm má fama, para receber de volta o que emprestaram. Façam o contrário: amem os seus inimigos e façam o bem para eles. Emprestem e não esperem receber de volta o que emprestaram e assim vocês terão uma grande recompensa e serão filhos do Deus Altíssimo. Façam isso porque ele é bom também para os ingratos e maus. Tenham misericórdia dos outros, assim como o Pai de vocês tem misericórdia de vocês.
Oremos (ou rezemos) pelos católicos e tantos outros cristãos que são mortos diariamente confessando sua fé. Orem por seus Padres e seus Pastores, pois nesse tempo de tantos falsos profetas, a tentação de criar um “mine exército a meu favor” é muito grande e muitos, em nome de Jesus, estão promovendo o ódio.
Orem. Testemunhem da Paz e Orem pela Paz.

Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)


Estes e outros artigos são publicados no Jornal Correio 9, de Nova Venécia (curta para ser avisado das edições diárias, leitura completa online): https://www.facebook.com/correio9

terça-feira, 14 de junho de 2016

Intolerância (mais uma vez)

Antes de começar, preciso definir algo: sou cristão, pastor, teólogo luterano, pai de família, cidadão… Tento ser o melhor nisso tudo aí… Nem sempre consigo. É a triste realidade de ser “justo” e “pecador” ao mesmo tempo. Pois é feliz ser declarado justo por causa da justiça de Cristo… Entretanto, enquanto estamos no mundo, o pecado continua a insistir em nós, para nos afastar da justiça. Reconheço que, diante da Bíblia, muitas coisas, segundo a fé cristã bíblica, são pecado, como, por exemplo, o homossexualismo. Entenda bem, não se trata de uma questão ética, mas sim, religiosa. Minha fé. Talvez não a sua. Ninguém é pessoa pior porque é homossexual.
Definindo acima, apenas para lembrar que tenho meus princípios morais e religiosos, fruto da fé que o Senhor me deu em Cristo, meu Salvador. Você não precisa nem concordar comigo, nem ter a mesma fé para que eu o ame. Afinal, o Senhor Jesus ensina justamente isto: amar a todos. E todos não se classifica, ou são “TODOS”, ou não é o que Jesus ensinou… Né!?
Voltando do culto neste domingo, liguei a TV para ver um pouco do vôlei… Um dos poucos esportes que ainda alegra o brasileiro, junto com o basquete do Flamengo(!), porque a seleção já faz tempo que parece fazer mais politicagem para vender e comprar jogadores, do que jogar mesmo… Não é mais a seleção do povo, mas uma seleção espúria de uma CBF cheia de acusações de conchavos para enriquecer seus diretores…
Liguei a TV e lá estava uma informação de que uma “Boate Gay” tinha sido atacada na madrugada, matando 20 pessoas e ferindo outras 40… Não sei porque tanta ênfase em “Boate Gay”, mas vamos lá… Demorei para digerir a notícia (embora isso pareça ser normal nos Estados Unidos, assim como está normal a criminalidade e a corrupção aqui no Brasil).
Naquele primeiro momento, postei, ainda estupefato, em minha página no facebook: “Mais uma vez a ignorância, o desamor, o ódio se sobrepõem ao amor, perdão, e todo o ensino de Jesus. Num atentado a uma boate nos EUA. Antes de serem "gays" (ou não) são pessoas. E são alvos do amor e do perdão de Deus. Oremos por todos aqueles que são vítimas de intolerância. Assim como oramos pelos cristãos perseguidos.”
Mais tarde, não eram apenas 20 as pessoas mortas, mas 50 seres humanos que tinham sido mortos. E outros 53 feridos (ainda pode morrer mais alguém).
É bom que se ressalte: antes de se definir aquelas pessoas como “gays” se deveria falar das pessoas que ali foram mortas ou feridas. São pessoas com pais, mães, tios, amigos, vizinhos… São pessoas com sonhos (mesmo que não concordem com os seus e meus), são pessoas com vida (mesmo que você e eu discordemos de como a vivem)... São pessoas, acima de tudo, amadas também por Jesus. E fico triste em pensar que possa haver pessoas que se digam cristãs e que estejam felizes com essa grande catástrofe.
Se alguém está feliz com isso, não entendeu o que Jesus ensinou. É como os “cristãos” que durante as cruzadas montaram um exército de crianças para retomar Jerusalém. Queriam, pela força, impor a palavra de Jesus. E mataram suas crianças, numa guerra insana (se é que há alguma que não seja).
Jesus, ao contrário, agiu assim: “Aí Simão Pedro tirou a espada, atacou um empregado do Grande Sacerdote e cortou a orelha direita dele. O nome do empregado era Malco. Mas Jesus disse a Pedro: Guarda a sua espada! Por acaso você pensa que eu não vou beber o cálice de sofrimento que o Pai me deu?” (João 18.10-11) e diante de Pilatos, instigado a revidar: “O meu Reino não é deste mundo! Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus seguidores lutariam para não deixar que eu fosse entregue aos líderes judeus Mas o fato é que o meu Reino não é deste mundo! (João 18.36)
É um reino que transcende este mundo. Um reino que não vai querer matar o outro, porque o outro quer viver diferente. É claro que nós cristãos não podemos fugir do que a Bíblia trata como pecado. Isso não pode acontecer. Mas não é pela força que Jesus é testemunhado.
Não sem motivo, quando perguntado sobre qual o maior mandamento Jesus respondeu: ame a Deus e ame ao próximo. E quando diante de um líder judeu, foi a vez de Jesus perguntar qual era o maior mandamento: “O homem respondeu: Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças e com toda a mente. E ame o seu próximo como você ama a você mesmo.” (Lucas 10.27).
O problema é que, como aquele homem, os cristãos querem escolher quem é o seu próximo. Aquele homem perguntou: “mas quem seria o meu próximo?” Então Jesus conta a linda parábola do Bom Samaritano (leia em: http://pt.bibles.org/por-NTLH/Luke/10).
Você é cristão, quem é seu próximo? A teologia luterana define o próximo: “é aquele que precisa do seu amor”.
E quem precisa do seu amor? Cada pessoa à sua volta. Você não concorda com a vida que outras pessoas estão levando? Ore por elas. Fale de Jesus a elas. Mas não torne o pecado delas maiores do que os seus. Somos todos pecadores. Não podemos e nem devemos tolerar o pecado, mas, a exemplo de Jesus, precisamos ser mais tolerantes com os outros pecadores. Falando do perdão que só Jesus pode dar.
A você que é homossexual ou ama alguém que seja, não me odeie. Eu não te odeio. Te amo em Cristo, embora não concorde com a vida que você escolheu levar. Assim como talvez você não concorde com a vida que eu levo...
Por fim, um convite aos cristãos: oremos pelos entes queridos daqueles mortos nos Estados Unidos, no massacre do dia dos namorados. Oremos para que os que ficaram vivos se recuperem. Oremos para que os cristãos sejam amorosos e ajudadores nesse momento difícil. Oremos para que os ódios no Brasil também sejam sobrepujados pelo amor. Ódio só produz mais ódio. Amor produz diálogo. E para falar de Jesus, precisamos dialogar.


Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas, @pastorjarbas)


Estes e outros artigos são publicados no Jornal Correio 9, de Nova Venécia (curta para ser avisado das edições diárias, leitura completa online): https://www.facebook.com/correio9

Leitura Bíblica para a Quaresma 2026

Você sabe o que é a Quaresma? Muita gente acha que é o tempo de sofrimento e privação (jejum etc...) que começa depois do carnaval. Infelizm...