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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 28 de janeiro de 2019
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
segunda-feira, 17 de dezembro de 2018
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
domingo, 21 de outubro de 2018
Deixar tudo para trás - Marcos 10.23-31
Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).
Queridos irmãos em Cristo.
A Paz do Senhor esteja com todos vocês.
Vocês conhecem o jovem rico. Ele é aquele rapaz que preferiu as riquezas a seguir o Salvador Jesus.
É muito fácil atirar pedras no jovem rico, mas quem seria capaz de fazer o que Jesus pediu? Eu faria! — Responde alguém entusiasmado. E daí alguém outro diz: eu também...
Então chega a hora da prática:
Poucos fariam isso. Aliás, poucos fizeram. Temos 12 apóstolos que deixaram tudo: suas famílias, suas redes e tudo mais, para seguir Jesus. Há também outros que deixaram tudo para trás. E estes logo entenderam que o ponto crucial não está em ficar pobre, ou deixar o emprego. E nem mesmo o fato de dar tudo aos necessitados.
O deixar tudo para trás é colocar Jesus em primeiro lugar.
Alguns apóstolos, Pedro, por exemplo, tendo deixado tudo para trás, vez por outra voltava à sua casa, para estar com sua família. Nu-ma dessas voltas, Jesus estava com ele e curou sua sogra. Como registrado em Mateus 8.14-15: “Jesus foi à casa de Pedro e viu a sogra dele de cama, com febre. Jesus tocou na mão dela, e a febre saiu dela. Então ela se levantou e começou a cuidar dele.”
E Pedro já tinha deixado tudo para seguir Jesus, como ele mesmo afirma: “Veja! Nós deixamos tudo e seguimos o senhor.” (v. 28) Será que Pedro deixou ou não deixou tudo para trás?
Novamente aqui é preciso estar seguro do que Jesus quer ressaltar no texto do evangelho de hoje. E o que ele quer apontar é a importância do Reino. Que é mais importante do que tudo.
Deixar algo para trás não é desprezar aquilo que se deixa. Mas é saber que por mais importante que algo possa ser, Jesus é o principal.
Por mais importante que seja a nossa vida, é melhor morrer testemunhando do que negar o Senhor e queimar no inferno. Por mais i-portante que seja o dinheiro, é melhor passar fome, do que usar o dinheiro para afastar-se de Deus. É por isso que um camelo passa fácil pelo buraco de uma agulha enquanto o rico ficará preso.
Porque muitos (se não quase todos) que têm dinheiro, se deixam controlar pelo dinheiro. Vivem para e pelo dinheiro, para ganhar e para gastar. Não têm tempo para nada. E o pior, não têm tempo para Deus.
Têm tempo para suas viagens. Têm tempo para negócios e estudos, mas nunca têm tempo para a oração.
Um exemplo rápido. O tempo para as orações em nossas vidas. Se você orar por 10 minutos, todos os dias, terá orado 70 minutos por semana. Totalizando 60 horas por ano.
Quanto tempo você gasta com a TV? E lendo jornais? E ouvindo rádio? Em filas de banco e tantas outras filas? Passeando? 60 horas são apenas 2 dias e meio em um ano. E muitas vezes achamos muito difícil, em 365 dias, tirar 3 dias de tempo pra falar com Deus.
E quantos rejeitam o culto, quando vir ao culto é a maior oportunidade da semana. Deveríamos esperar pelo culto, como uma criança espera pelos presentes de Natal.
O culto é nosso momento máximo de comunhão, adoração, ensino, compromisso e muito mais.
Este é só um exemplo de que às vezes deixamos para trás aquilo que deveria estar em primeiro plano. Assim, se sobrar tempo, vamos ao culto, vamos orar, vamos ofertar...
Aqui outro ponto:
O apego aos bens materiais atrapalha a obra de Deus. Muitos não ofertam porque não confiam no Senhor. Ou porque acham que os outros têm mais dinheiro e deveriam ofertar mais.
Quem é infiel na oferta, está sendo um bom e útil instrumento de Satanás, para atrapalhar a obra do Senhor. Porque sem oferta, não se abre igrejas. Sem oferta, não se compra material evangelístico. Sem oferta, muitas igrejas ficam sem pastor. Sem oferta, muitas pessoas passam fome, porque não temos como comprar mantimentos para levar a elas. E muito mais deixa de ser feito.
Nenhuma obra que fazemos no serviço do Senhor é em vão. Deus multiplica o trabalho de nossas mãos às centenas e aos milhares. As-sim, a minha oferta, por menor que eu ache, fará toda a diferença na obra do Senhor.
E a Palavra de Deus lembra que o apegar-se ao dinheiro é a raiz de todos os males. Notem bem, não é o dinheiro que é ruim. Mas é o não conseguir deixar para trás. Isso sim é ruim. E isso não é só pra quem tem muito dinheiro, é também para quem vive em função de ganhar a qualquer custo. E às custas de quem quer que seja.
É claro que Deus quer sustentar dignamente aos seus filhos e se um passarinho não cai sem Deus permitir, também é impossível que algum filho de Deus passe fome. Parafraseando Lutero: “antes que um filho de Deus passe fome, os próprios anjos desceriam dos céus com comida”.
E se alguém ainda tem alguma dúvida sobre o que é importante e o que deve ser deixado para trás, o versículo escolhido para hoje é: “Para os seres humanos isso não é possível; mas, para Deus, é. Pois, para Deus, tudo é possível.” (v. 27).
O que é impossível para os seres humanos?
É impossível conseguir a Salvação.
Não adianta deixar nada para trás, pois a salvação não é por obras. A Salvação é por graça de Deus que nos dá seu Espírito Santo e nos faz crer em Jesus Cristo. A estes o Senhor capacita a deixar tudo para trás. A estes o Senhor fortalecerá dia após dia. Por meio da sua Santa Palavra e dos Santos Sacramentos. E uma pergunta que não poderia faltar hoje: para que servem as bênçãos materiais?
Elas servem basicamente para duas coisas:
Para sustentar a obra de Deus (oferta).
Para sustentar ao próximo necessitado (diaconia).
É claro que Deus quer que sejamos responsáveis com os bens que ele nos dá. Que não esbanjemos, que usemos para nosso bem também, mas se nossos bens não estão servindo para a obra do Senhor e o socorro ao próximo, eles não estão no serviço do Senhor. E estamos fazendo como o jovem rico, que preferiu seus bens a seguir ao Senhor.
Mas se deixamos tudo para trás, para estar com Jesus, nunca nada nos faltará, pois ele é o nosso Bom Pastor. É ele que garante que nós não podemos conseguir a salvação sozinhos. Que nós não conseguimos deixar as coisas para trás para segui-lo, apesar disso, ele nos chamou, nos deu a fé e diariamente fortalece a fé, à medida que nos aproxima de sua Palavra.
Deixar o mundo para trás e estar de frente para Deus. E de frente para Deus seremos recebidos naquele glorioso e eterno dia, quando o Senhor dirá: entrem na vida eterna, pois tudo que é ruim já ficou para trás. As coisas velhas já passaram, agora tudo é novo. Amém.
Queridos irmãos em Cristo.
A Paz do Senhor esteja com todos vocês.
Vocês conhecem o jovem rico. Ele é aquele rapaz que preferiu as riquezas a seguir o Salvador Jesus.
É muito fácil atirar pedras no jovem rico, mas quem seria capaz de fazer o que Jesus pediu? Eu faria! — Responde alguém entusiasmado. E daí alguém outro diz: eu também...
Então chega a hora da prática:
- Deixar família (não pra arrumar outra), mas para seguir o Mestre.
- Desfazer-se de todos os bens e dar o dinheiro aos pobres.
- Esquecer emprego e sustento.
- Esquecer roupas e luxo e sair andando pelos desertos atrás de Jesus, junto com outros discípulos.
Poucos fariam isso. Aliás, poucos fizeram. Temos 12 apóstolos que deixaram tudo: suas famílias, suas redes e tudo mais, para seguir Jesus. Há também outros que deixaram tudo para trás. E estes logo entenderam que o ponto crucial não está em ficar pobre, ou deixar o emprego. E nem mesmo o fato de dar tudo aos necessitados.
O deixar tudo para trás é colocar Jesus em primeiro lugar.
Alguns apóstolos, Pedro, por exemplo, tendo deixado tudo para trás, vez por outra voltava à sua casa, para estar com sua família. Nu-ma dessas voltas, Jesus estava com ele e curou sua sogra. Como registrado em Mateus 8.14-15: “Jesus foi à casa de Pedro e viu a sogra dele de cama, com febre. Jesus tocou na mão dela, e a febre saiu dela. Então ela se levantou e começou a cuidar dele.”
E Pedro já tinha deixado tudo para seguir Jesus, como ele mesmo afirma: “Veja! Nós deixamos tudo e seguimos o senhor.” (v. 28) Será que Pedro deixou ou não deixou tudo para trás?
Novamente aqui é preciso estar seguro do que Jesus quer ressaltar no texto do evangelho de hoje. E o que ele quer apontar é a importância do Reino. Que é mais importante do que tudo.
Deixar algo para trás não é desprezar aquilo que se deixa. Mas é saber que por mais importante que algo possa ser, Jesus é o principal.
Por mais importante que seja a nossa vida, é melhor morrer testemunhando do que negar o Senhor e queimar no inferno. Por mais i-portante que seja o dinheiro, é melhor passar fome, do que usar o dinheiro para afastar-se de Deus. É por isso que um camelo passa fácil pelo buraco de uma agulha enquanto o rico ficará preso.
Porque muitos (se não quase todos) que têm dinheiro, se deixam controlar pelo dinheiro. Vivem para e pelo dinheiro, para ganhar e para gastar. Não têm tempo para nada. E o pior, não têm tempo para Deus.
Têm tempo para suas viagens. Têm tempo para negócios e estudos, mas nunca têm tempo para a oração.
Um exemplo rápido. O tempo para as orações em nossas vidas. Se você orar por 10 minutos, todos os dias, terá orado 70 minutos por semana. Totalizando 60 horas por ano.
Quanto tempo você gasta com a TV? E lendo jornais? E ouvindo rádio? Em filas de banco e tantas outras filas? Passeando? 60 horas são apenas 2 dias e meio em um ano. E muitas vezes achamos muito difícil, em 365 dias, tirar 3 dias de tempo pra falar com Deus.
E quantos rejeitam o culto, quando vir ao culto é a maior oportunidade da semana. Deveríamos esperar pelo culto, como uma criança espera pelos presentes de Natal.
O culto é nosso momento máximo de comunhão, adoração, ensino, compromisso e muito mais.
Este é só um exemplo de que às vezes deixamos para trás aquilo que deveria estar em primeiro plano. Assim, se sobrar tempo, vamos ao culto, vamos orar, vamos ofertar...
Aqui outro ponto:
O apego aos bens materiais atrapalha a obra de Deus. Muitos não ofertam porque não confiam no Senhor. Ou porque acham que os outros têm mais dinheiro e deveriam ofertar mais.
Quem é infiel na oferta, está sendo um bom e útil instrumento de Satanás, para atrapalhar a obra do Senhor. Porque sem oferta, não se abre igrejas. Sem oferta, não se compra material evangelístico. Sem oferta, muitas igrejas ficam sem pastor. Sem oferta, muitas pessoas passam fome, porque não temos como comprar mantimentos para levar a elas. E muito mais deixa de ser feito.
Nenhuma obra que fazemos no serviço do Senhor é em vão. Deus multiplica o trabalho de nossas mãos às centenas e aos milhares. As-sim, a minha oferta, por menor que eu ache, fará toda a diferença na obra do Senhor.
E a Palavra de Deus lembra que o apegar-se ao dinheiro é a raiz de todos os males. Notem bem, não é o dinheiro que é ruim. Mas é o não conseguir deixar para trás. Isso sim é ruim. E isso não é só pra quem tem muito dinheiro, é também para quem vive em função de ganhar a qualquer custo. E às custas de quem quer que seja.
É claro que Deus quer sustentar dignamente aos seus filhos e se um passarinho não cai sem Deus permitir, também é impossível que algum filho de Deus passe fome. Parafraseando Lutero: “antes que um filho de Deus passe fome, os próprios anjos desceriam dos céus com comida”.
E se alguém ainda tem alguma dúvida sobre o que é importante e o que deve ser deixado para trás, o versículo escolhido para hoje é: “Para os seres humanos isso não é possível; mas, para Deus, é. Pois, para Deus, tudo é possível.” (v. 27).
O que é impossível para os seres humanos?
É impossível conseguir a Salvação.
Não adianta deixar nada para trás, pois a salvação não é por obras. A Salvação é por graça de Deus que nos dá seu Espírito Santo e nos faz crer em Jesus Cristo. A estes o Senhor capacita a deixar tudo para trás. A estes o Senhor fortalecerá dia após dia. Por meio da sua Santa Palavra e dos Santos Sacramentos. E uma pergunta que não poderia faltar hoje: para que servem as bênçãos materiais?
Elas servem basicamente para duas coisas:
Para sustentar a obra de Deus (oferta).
Para sustentar ao próximo necessitado (diaconia).
É claro que Deus quer que sejamos responsáveis com os bens que ele nos dá. Que não esbanjemos, que usemos para nosso bem também, mas se nossos bens não estão servindo para a obra do Senhor e o socorro ao próximo, eles não estão no serviço do Senhor. E estamos fazendo como o jovem rico, que preferiu seus bens a seguir ao Senhor.
Mas se deixamos tudo para trás, para estar com Jesus, nunca nada nos faltará, pois ele é o nosso Bom Pastor. É ele que garante que nós não podemos conseguir a salvação sozinhos. Que nós não conseguimos deixar as coisas para trás para segui-lo, apesar disso, ele nos chamou, nos deu a fé e diariamente fortalece a fé, à medida que nos aproxima de sua Palavra.
Deixar o mundo para trás e estar de frente para Deus. E de frente para Deus seremos recebidos naquele glorioso e eterno dia, quando o Senhor dirá: entrem na vida eterna, pois tudo que é ruim já ficou para trás. As coisas velhas já passaram, agora tudo é novo. Amém.
E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7)
| Pastor Jarbas Hoffimann |
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
Culto Doméstico 08/2008 - Da IELB
Culto Doméstico – nº 08/2018 – Setembro/2018
1. Saudação e acolhimento (Pelo dirigente)
2. Invocação
Iniciamos este Culto Doméstico em nome do Pai, do Filho e do EspíritoSanto, um só Deus em três Pessoas. Amém.
3. Oração
Amado Deus Pai, Filho e Espírito Santo.Deste a todos nós a vida e as condições necessários para vivermos. Agradecemos muito por estas maravilhosas dádivas. Lembramos também, de modo especial, a graciosa salvação em Jesus Cristo. Sem Jesus nós estaríamos perdidos e condenados eternamente. Mas, Ele sacrificou a sua vida por nós, garantindo o perdão, vida e salvação aos que creem nele. É a graça não merecida por nós. Reconciliados contigo por Jesus, estamos felizes e muito agradecidos. Te louvamos por esta obra de misericórdia e amor!
Pedimos que nos fortaleças sempre com os meios da graça, Palavra e Sacramentos. Queremos continuar firmes e batalhadores no teu Reino. Dá-nos sempre a assistência do teu Espírito Santo.
Abençoa o Culto Doméstico de hoje, por Jesus Cristo. Amém.
4. Hino: 513 (HL) – Estrofes 1-3
1. Divino Salvador, / contempla com favor / nosso país. /Dá-nos justiça e paz, /governo bom, capaz, / pátria em que nos apraz / viver feliz.2. Olhamos para ti; / oh! Vem reinar / aqui, tu, Rei dos reis. / Dirige o pátrio lar, ensina a governar, / conforme o teu mandar, por justas leis.
3. A quem governa, ó Deus, / inspira desde os céus / o teu temor. / Ao povo vem unir, / disposto a te servir, e em nome teu agir / com fé e amor.
Reflexão:
Ler Salmo 133
(Nota: Estamos próximos às eleições públicas, estaduais e nacionais. Na mídia circulam muitas manifestações relacionadas às eleições. Algumas são muito agressivas, desrespeitosas e falsas. Os cristãos correm o risco de também se manifestarem de modo inconveniente e de desrespeito à opinião de irmãos de fé. Devido a isso, reedito uma reflexão que publiquei em 2016. Vamos refletir sobre este assunto. Esta reflexão é para a vida dos cristãos. Não apenas referente às eleições, mas para todo o relacionamento com os irmãos).
A Palavra de Deus fornece orientações aos seus filhos, visando a salvação e o bem-estar deles. Entre estas orientações encontramos o texto de hoje. Ele é uma exclamação afirmativa da importância da união e convívio fraterno e harmonioso dos filhos de Deus.
Surge uma pergunta preocupante: Como conviver com pessoas que têm opiniões e gostos muito diferentes da gente? Encrencar com eles, criar conflitos e afastar-se deles? Desprezá-los? Não e não! “Ah, mas eu não suporto as ideias, as posições, e as ... do fulano”, poderia alguém alegar.
O que dizer a uma pessoa que assim se manifesta?
1º - É claro que nunca devemos concordar com os pecados e os erros dos outros. Devemos condenar o pecado, mas amar o pecador. Devemos saber perdoar. É assim que Jesus Cristo age conosco. Ainda: Qual deve ser a nossa atitude se nos acharmos mais fortes e mais cristãos do que os outros? A resposta encontramos em Rm 15.1: “Nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos, e não agradar-nos a nós mesmos”. Que versículo! Pensemos sobre isto. É bom, reconhecer os próprios defeitos e pecados e não se achar melhor do que os outros. Lembremos a história do fariseu e do publicano, registrada em Lc 18.9-14 (Ler).
Vamos ler também o que está em 1 Co 9.22 (NTLH): “Quando estou entre os fracos na fé, eu me torno fraco também a fim de ganha-los para Cristo. Assim, eu me torno tudo para todos a fim de poder, de qualquer maneira possível, salvar alguns”.
A frase “me torno fraco” significa que não vou me exibir ou vangloriar diante dos fracos, mas vou deixar claro que eu também sou fraco e que dependo do amor, da misericórdia e do poder de Deus. Indo assim ao encontro dos outros, serei melhor aceito e com mais facilidade posso ajudá-los.
Há também um prejuízo pessoal em guardar rancor e desprezo pelos outros e não perdoá-los. Em Mt 18 encontramos a parábola do credor incompassivo (que não teve compaixão). Este homem havia sido perdoado numa enorme dívida, mas não perdoou o seu companheiro que tinha uma pequeníssima dívida com ele. Então o senhor, que o havia perdoado, o chama de volta, retira o perdão e o condena. A parábola é concluída com este versículo (NTLH): “É isto que meu Pai, que está no céu, vai fazer com vocês se cada um não perdoar sinceramente o seu irmão”.
Busquemos de Deus a capacidade para cumprir o que está escrito nos seguintes versículos:
Ef 4.32 (NTLH): “Sejam bons e atenciosos uns para os outros, e perdoem uns aos outros, assim como Deus, por meio de Cristo, perdoou vocês”. Estamos felizes com o perdão gratuito que Cristo nos dá? Sim! Então, assim como Cristo nos perdoa, perdoemos nós também.
Cl 3.12-13 (NTLH): “Vocês são o povo de Deus. Ele os amou e os escolheu para serem dele. Portanto, vistam-se de misericórdia, de bondade, de humildade, de delicadeza e de paciência. Não fiquem irritados uns com os outros e perdoem uns aos outros, caso alguém tenha alguma queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem uns aos outros”.
2º - Quando se lida com ideias, gostos, estratégias diferentes (que nada tem a ver com assuntos doutrinários, vitais e éticos), devemos saber tolerar e conviver. Até, às vezes, abdicar de nosso gosto e opiniões para que haja paz, boa vontade e harmonia. Pois, os cristãos que amam de fato são aqueles que sabem ceder em favor dos outros irmãos. É isto que o apóstolo Paulo ensina em 1 Co 9.22.
3º - Também precisamos entender que muitas vezes nós somos os intransigentes e provocadores de desunião, e não sempre os outros. (Será que os “fracos” são sempre os outros?). Cada um precisa olhar para si mesmo e verificar a sua situação, os seus pecados, suas teimosias, suas intransigências e, então, em verdadeiro arrependimento buscar junto ao trono gracioso de Deus o perdão em Jesus Cristo e a força do Espírito Santo para aperfeiçoar a sua vida, tonando-se mais humilde, amoroso, compreensivo e fraterno.
O arrependimento e a fé são condição necessária para que Deus nos perdoe. Ele acolhe a cada um de nós porque nos ama muito. Lembremo-nos sempre do texto áureo: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).
Queira Deus guardar-nos em sua graça e não permitir em nós um espírito farisaico e faccioso que só vê defeitos nos outros e os condena e se auto exalta como “o bom e perfeito”.
Somos muito felizes com o perdão que Deus já nos deu gratuitamente. Vivamos, então, sempre em arrependimento e fé, e amemos os nossos irmãos, sejam eles considerados por nós fracos ou fortes.
Vivendo assim estaremos alcançando e promovendo o que o Salmo 133 propõem: a VIDA BONITA em UNIÃO COM OS IRMÃOS DE FÉ.
Os cristãos têm direito de ter opiniões diferentes sobre os assuntos políticos. Que estas diferenças de opiniões e posicionamentos políticos não perturbem a paz entre os irmãos e prejudiquem o trabalho harmonioso e produtivo no Reino de Deus.
Martinho Sonntag
6. Hino: “Eu só confio no Senhor” (189 – LS)
1. Eu só confio no Senhor que não vai falhar. Eu só confio no Senhor, sigo a cantar. Se o sol chegar a escurecer e o céu toldar, eu só confio no Senhor que não vai falhar. Posso confiar, posso confiar que um lar no céu Cristo vai me dar, Se o sol chegar a escurecer e o céu toldar, eu só confio no senhor que não vai falhar.
2. Confiando no meu Senhor, eu não temo o mal. Confiando no meu Senhor, tenho paz real. Se o mal me vier tanto faz, nele confiarei. Pois a Jesus me entreguei, ele é meu Rei. Agora sou feliz, agora sou feliz. Como sou feliz, como sou feliz. Se o mal me vier tanto faz, nele confiarei. Pois a Jesus me entreguei, ele é meu Rei.
7. Oração livre
8. Pai Nosso – em conjunto.
9. Hino: 513 (HL) – Estrofes 4 e 5
4. À amada pátria vem / sustento e todo o bem / de ti, Senhor. / Aos pobres dá comer, / e a todos faz saber / de como é bom viver / em mútuo amor.
5. Sublime bênçãos dás, / amor, perdão e paz / e a salvação. / Que a Nova de tua cruz / rebrilhe em clara luz, e guiando a ti, Jesus, / toda a nação.
10. Bênção – conjunto.
O Senhor nos abençoe e nos guarde.
O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre nós e tenha misericórdia de nós.
O Senhor, sobre nós, levante o seu rosto e nos dê a paz.
O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre nós e tenha misericórdia de nós.
O Senhor, sobre nós, levante o seu rosto e nos dê a paz.
Amém.
sexta-feira, 17 de agosto de 2018
sexta-feira, 8 de setembro de 2017
Culto Luterano - Absolvição
3. A Absolvição
Novamente
encontramos uma variedade de nomes para a Absolvição. Ela é chamada de
Confissão, Santa Absolvição, Poder das Chaves, as Chaves, Sacramento da
Penitência.[1]
Ao usar qualquer dessas designações, as Confissões Luteranas ou Livros
Simbólicos, referem-se à confissão e absolvição privada, e não a um grupo de
pessoas muitas vezes não identificáveis como no culto público.[2]
Nessa
situação privativa, a efetiva confissão dos pecados perde a sua força legalista
e a importância que ela tinha no período da pré-Reforma. A confissão pode ser breve,
sem necessidade de distinguir pecados veniais e mortais. O penitente deveria
confessar aqueles pecados que de forma especial oprimiam a sua consciência.
Teologicamente, as Confissões Luteranas, ao enaltecerem os benefícios e a
importância da confissão privada, focalizam especialmente a absolvição
pronunciada pelo ministro: “eu perdôo os
teus pecados...”.[3]
Assim
como no Batismo e na Santa Ceia, este é o perdão dos pecados aplicado ao
indivíduo, o qual é apropriado pela fé deste indivíduo no perdão dos pecados em
Jesus Cristo. Esta é a forma de absolvição que dá especial conforto e
consolação às consciências atribuladas pelo pecado. A certeza e o poder desta
absolvição direta está baseada no poder das chaves (Mt 16.19; 18.18 e Jo
20.22-23), o poder que Deus exerce por meio de seus ministros da Palavra
chamados, ou seja, pelo ministério público.
Várias
influências, práticas e teológicas, gradativamente levaram a Confissão e
Absolvição privada ao declínio. Derivada de práticas da pré-Reforma (o Confiteor do rito romano e as formas
cúlticas de orações confessionais públicas [Offene
Schuld] na Alemanha), confissões grupais no culto público tornaram-se
comuns. Nestas situações, as formas de “absolvição” eram expressas por meio de
orações de perdão, afirmações declaratórias (“eu vos declaro o perdão de todos
os vossos pecados, etc.”), e por meio de declarações simples da graça,
utilizando passagens genéricas da Escritura que falam do amor salvador de Deus
em Cristo pela humanidade em pecado.
As
formas de Confissão e Absolvição que se encontram nas Ordens I e II do Hinário
Luterano, são adaptações de formas que apareceram em várias ordens do século
XVI. Enquanto uma tem suas raízes na Confissão Privada e em situações
confessionais envolvendo grupos menores e, portanto, mais direta e
individualizada, a outra forma tem a intenção de ser mais geral ou uma
Confissão de grupo preparatória para o culto público. Neste caso, seguida por
uma declaração simples da graça na qual o pastor se inclui. Não é uma situação
de pastor versus penitente, como em
situações de confissão privada ou de pequenos grupos. Fica a critério do pastor
a decisão pela conveniência de usar uma ou outra.[4]
[1] Livro de Concórdia, Ap XII, p.197.39,
41; XIII p.223.4.
[2] Id. Ibid., Ap XII, p.208.99-103; Ap XXIV, p.266.1.
[3] Id. Ibid., AE III-VIII, p.335.1 e 2.
[4] Nelson KIRST
alerta para o fato de que “Lutero não incluiu um ato penitencial nas duas
grandes liturgias que elaborou (1523 e 1526). Algumas tradições protestantes
“democratizaram” a antiga oração preparatória dos oficiantes. Essa oração
preparatória “democratizada” passou a ser entendida como confissão de pecados
e, como tal, entrou no culto regular de muitas tradições depois da Reforma.” Op. cit., p.125.
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Culto Luterano - Santa Ceia
2. A Santa Ceia
As
Confissões chamam o Sacramento do Altar por uma variedade de nomes. Ela é
conhecida como a Ceia, Ceia do Senhor, Santa Ceia, o Sacramento, o mui
venerável Sacramento, o Santo Sacramento, o Sacramento do Altar, a Missa. Com
menor frequência é também chamada de Comunhão, o Corpo do Senhor, Eucaristia,[1]
Liturgia, Synaxis e Agape.[2]
Surpreendentemente, a construção “Santa Comunhão”, o termo mais corrente e
preferido nos EUA, nunca ocorre nesta forma nas Confissões. Quer parecer que
tenha sido importado para dentro da Igreja da Confissão Augsburgo a partir da Igreja
da Inglaterra. É com boa razão que o Lutheran
Worship preferiu o nome Culto Divino (Gottestdienst)
para o culto principal da igreja.
Os
elementos terrenos no Sacramento do Altar são pão e vinho.[3]
As Confissões não especificam o tipo de pão ou vinho. Historicamente, todavia,
os Luteranos desejaram depreciar a simbólica associação do pão e o vinho, a
qual poderia dar a impressão que o corpo e sangue de Cristo estavam sendo
meramente simbolizados com pão e vinho. Por esta razão se manteve a hóstia e se
deu preferência ao vinho branco ou âmbar, ao invés do vinho sacramental
vermelho na Igreja Luterana.
Espera-se
que os comungantes recebam ambos, pão e vinho. Esses elementos visíveis do pão
e vinho não devem ser adorados no Santo Sacramento.[4]
À
base de nossa doutrina, com respeito ao Sacramento do Altar, são as Palavras da
Instituição. Essas palavras são a Palavra de Deus no Santo Sacramento. É quando
esta Palavra de Deus vem aos elementos que ele se torna um sacramento. Nossas
confissões citam com aprovação essa máxima teológica de Santo Agostinho.[5]
As Palavras da Instituição devem ser entendidas em seu sentido pleno e não de
forma simbólica ou sentido metafórico.[6]
Para
ser uma celebração válida do Sacramento do Altar, as Palavras da Instituição
devem ser usadas para consagrar os elementos. Essas palavras de Cristo são
eficazes mesmo em face de uma descrença ou imoralidade tanto por parte do
celebrante como do comungante. O corpo e o sangue estão verdadeiramente
presentes no Sacramento do Altar, e os comungantes recebem o corpo e o sangue
do Senhor oralmente, não meramente de forma espiritual. Alguns recebem o
Sacramento para salvação, fielmente crendo na palavra e promessa de Cristo.
Outros, recebem o corpo e o sangue para seu próprio juízo, não discernindo ou
reconhecendo o corpo e o sangue do Senhor, já que não têm fé.[7]
Se
Cristo está presente no Sacramento, qual tipo de presença é essa? Esse problema
foi uma preocupação para os teólogos na Idade Média. As Confissões definem, de
forma mais ampla, o modo da presença do Senhor em termos negativos. As
Confissões negam a teoria da transubstanciação. Elas negam a mudança de
essência, tanto dos elementos terrenos ou celestes. Elas condenam um
confinamento local para o corpo e o sangue de Cristo nos elementos terrenos.
Elas condenam qualquer tipo de interpretação que sugira uma “ausência real” do
corpo e o sangue de Cristo.[8]
Afirmamos
a Presença Real. A pergunta, então, passa a ser como essa presença é possível?
Aqui mantemos o nosso intelecto cativo em obediência a Cristo, assim como o
fazemos em outros artigos de fé, aceitando esse mistério unicamente pela fé,
assim como está revelado na Palavra.
Quando
essa Presença Real ou união sacramental acontece? Os Livros Simbólicos não
discutem o momento quando essa união sacramental inicia ou termina, com exceção
da afirmação que se encontra na Fórmula de Concórdia, artigo VII, de que ela
não acontece à parte do uso do Sacramento, conforme divinamente instituído. Ou
seja, a consagração, a distribuição e a recepção oral. O fato simples é que, no
Sacramento do Altar, o pão e o vinho são o corpo e o sangue de Cristo.
O
propósito do Sacramento é conferir o perdão dos pecados no sentido mais pleno
do termo. Mas o efeito do Sacramento é descrito de muitas outras maneiras:
nossa fé é fortalecida em nós; lembramos os benefícios de Cristo e os recebemos
por fé, de modo que somos renovados por meio deles; recebemos a garantia de que
somos incorporados em Cristo, unidos a Ele e lavados pelo Seu sangue. O
Sacramento do Altar é um remédio contra o pecado, a carne, o diabo, o mundo, a
morte, o perigo e o inferno, e uma aplicação da graça, da vida, do paraíso, do
céu, de Cristo, de Deus, e de todo o bem; um salva-guarda contra a morte e
todos os males, um alimento para a alma, um nutrimento e um fortalecimento do
novo homem, um pasto e um sustento diário, uma renovação da nossa fé nas lutas
da vida, e um precioso antídoto contra o veneno da fraqueza.[9]
Uma
das controvérsias cruciais da Reforma girou em torno do sacrifício. As
Confissões afirmam que a Ceia do Senhor não é um sacrifício expiatório a ser
aplicado em favor dos vivos e dos mortos. Entretanto, as Confissões também
afirmam de que a Ceia do Senhor é um sacrifício de louvor e gratidão. No artigo
XXIV da Apologia, Melanchthon claramente propõe o termo “sacrifício”. A
cerimônia sacramental, como se afirma, é um sacrifício de louvor e ação de
graças a Deus por todos os seus benefícios:
“assim como entre os sacrifícios de louvor, isto é, entre os louvores de Deus,
incluímos a pregação da palavra, assim pode ser louvor ou ação de graças o
próprio recebimento da Ceia do Senhor.”[10]
O
Sacramento é para ser celebrado na Igreja com grande reverência e obediência,
até o fim do mundo. Os Confessores estavam convencidos de que eles celebravam a
missa com maior dignidade e devoção, do que fizeram seus oponentes.
As
Confissões enfatizam os aspectos corporativos da celebração sacramental.
Sacerdotes, por exemplo, foram advertidos contra a celebração exclusiva de
missas privadas, com a finalidade de celebrarem a sua própria Comunhão. O
ideal, de acordo com os Livros Simbólicos, é a missa comum ou pública, na
presença de toda a congregação no culto principal, pelo menos todos os Domingos
e Dias Santos.[11]
Com a restauração do Sacramento do Altar ao seu lugar histórico na vida da
igreja, celebrações diárias privativas da Santa Ceia, realizadas à parte do
culto corporativo, sem a presença do povo, ficam difíceis de ser sustentadas.
Considerando que a celebração dominical tornou-se a norma, as Confissões
indicam que o mesmo deve ser celebrado tão frequentemente quanto os comungantes
o desejarem. A partir desta concepção, as Confissões contemplam a possibilidade
de celebrá-lo diariamente.[12]
Entretanto,
nenhuma regra pode ser estabelecida quanto à frequência da participação. Não há
exceção quanto a esse princípio. As Confissões levemente tocam na questão da
pessoa que permanece longe do Sacramento por um ano ou mais. Para assegurar que
isto não aconteça, os ministros devem exortar os leigos à Comunhão frequente.[13]
E, contrariamente à prática contemporânea, o celebrante pode receber o
Sacramento de suas próprias mãos durante o culto.[14]
[1] Segundo WHITE, o
termo eucaristia tem sido usado desde o final do século 1., op. cit., p.175.
[2] Livro de Concórdia, Ap XXIV, p.282.78 -
p.284.88; CM IV, p.490.39.
[3] Id. Ibid., Ap X, p.188.1; Cm VI, p.378.1 e 2; FC DS VII, p.611.9.
[4] Id. Ibid., FC Epítome, p.523.40; FC DS VII, p.633.126.
[5] Conferir acima a
nota de no 37.
[6] Livro de Concórdia., FC Epítome VII,
p.519.7; FC DS VII, p.617.38 e 39.
[7] Id. Ibid., CM IV, p.493.61 e 69; FC
Epítome VII, p.521.18; FC DS VII, p.621.60 e p. 623.68.
[8] Id. Ibid., AE III - VI, p.334.5; FC DS VII, p. 612.14, p.616.35.
[9] Id. Ibid., Ap XXIV, p.285.90; CM IV, p.488.23 e 24, p.493.68; FC DS VIII,
p.650.76.
[10] Id. Ibid., Ap XXIV, p.273.33.
[11] Id. Ibid., Ap XXIV, p.266.6; AE II.II, p.314.8.
[12] James F. WHITE
observa que: “a tentativa da maioria dos reformadores de restaurar a comunhão
freqüente para os leigos teria sido um ganho formidável para os leigos, não
fosse essa uma mudança demasiadamente radical em relação à prática medieval
tardia de recepção pouco freqüente do sacramento...Porém alcançaram ganhos
claros no culto sacramental por meio de ritos vernaculares simplificados, maior
participação da congregação, canto comunitário, leigos bem catequizados e uma
nova ênfase na pregação da palavra.” Op. cit.,
p.144.
[13] Id. Ibid., Cm Prefácio,p.365.21 e 22.
[14] Segundo Luther
D. REED, Lutero não só aprovava a auto-comunhão, como repetidamente a defendeu
(deinde communicet tum sese, tum populum)
[Formula Missae]. E, por quase duas gerações este ato litúrgico era comum nos
cultos luteranos. Mais tarde, com o declínio da percepção e do conhecimento
litúrgico, o biblicismo dogmático e o subjetivismo pietista provocaram seu
abandono. Contudo, os dogmáticos, permitem seu uso quando não há um outro
ministro presente na celebração. E os Artigos de Esmalcalde [parte II, artigo
2] proíbem a auto-comunhão apenas quando envolve a recepção à parte da
congregação. Ainda, segundo Reed, Chemnitz afirma que assim como o ministro se inclui
na Confissão e Absolvição, ele também pode se incluir na Comunhão. O ministro
não deveria ser exigido a participar de todas as celebrações, nem deveria ser impedido
de comungar sempre que desejasse. (The Lutheran Liturgy, p.372).
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
Culto Luterano - o batismo
1. O Batismo
O
Batismo é a combinação do uso de água e a ordem e promessa batismal. A ordem e
a promessa batismal é a Palavra de Deus. É por virtude desta divina Palavra que
a água do Batismo é apropriadamente descrita como uma água celeste, água
divina, água santa, água abençoada, água fértil, água graciosa, e um lavar
regenerador.[1]
Quanto ao modo de batizar, as Confissões não estão tão preocupadas em defender
imersão ou aspersão, mas sim a ordem divina.[2]
O
Batismo não é um mero sinal vazio. O Batismo de fato salva (1Pe 3.20-21). É
devido à promessa que o Batismo transmite (comunica) poder. O Catecismo Maior
afirma: “devemos ser batizados sob pena
de não sermos salvos”[3]. Além disso, o Batismo é descrito como
perdão dos pecados, oferecimento da graça de Deus, novo nascimento,
oferecimento da vida e recepção na Igreja, sendo vitorioso sobre a morte, e
como aquele que nos livra das garras da morte.[4]
Porque
o Batismo opera o perdão dos pecados, ele remove a culpa do pecado original, mas
não o pecado original em si. Continuamos ainda infectados com o desejo de
pecar. A concupiscência permanece. O velho Adão é ainda uma realidade na vida
do cristão.[5]
Apesar
da retenção da concupiscência, o efeito do Batismo é para a vida toda.
Portanto, a repetição do Santo Batismo não é necessária e nem correta. A
repetição de um Batismo “válido” poderia significar blasfemar e profanar o
sacramento em alto grau.[6]
As
crianças devem ser batizadas. Não podemos tolerar na igreja a crença de que
crianças, não batizadas, não são ainda pecadoras diante de Deus, mas sim,
justas e inocentes. É incorreto crer que todos aqueles que ainda não atingiram
a idade da razão são salvos sem o Batismo.[7]
[1] Id. Ibid., CM IV, p.476.14 e 17; Cm
IV-III, p.376.10.
[2] Id. Ibid., CM IV, p.476.15; p.479.36;
p.483.65 e p.484.68.
[3] Id. Ibid., CM IV. p.475.6.
[4] Id. Ibid., CM IV, p.484.75; Cm IV-II, p.375.6; CM IV, p.479.41, p.485.83.
[5] Id. Ibid., Ap II, p.106.35; FC DS II, p.573.69; Cm IV-IV, p.376.12; CM IV,
p.483.65.
[6] Id. Ibid., CM IV, p.485.77-78.
[7] Id. Ibid., Ap IX, p.187.1ss; AE V, p.333.4; FC Epítome, p.536.6.
terça-feira, 5 de setembro de 2017
Culto Luterano - Sacramentos
B. Sacramentos
Por
bem mais de mil anos não havia consenso sobre quantos sacramentos existiam
precisamente na igreja cristã. Na verdade, o número permaneceu indeterminado ao
longo da maior parte da história do cristianismo.[1]
Surpreendentemente,
as Confissões não se atêm a um número específico de sacramentos. O número de
sacramentos variou com os diferentes teólogos até o fim da Idade Média.
Provindos desse contexto teológico, os confessores não se sentiam obrigados a
especificar o número.[2]
As Confissões, no entanto, reconhecem dois sacramentos como essenciais, e que
se enquadram na definição de Agostinho: “Acresça o verbo ao elemento, e assim
se torna sacramento.”[3]
O
Catecismo Maior, por exemplo, fala de: “nossos dois sacramentos, instituídos
por Cristo.”[4]
Apesar da posição comumente mantida de que dois e, exclusivamente dois, podem
ser considerados sacramentos, as Confissões parecem mais inclinadas a
estabelecer o número de três, incluindo a absolvição entre os sacramentos.[5]
Outros ritos, como ordenação e casamento, às vezes, também recebem o nome de sacramento.[6]
A confirmação, no entanto, é explicitamente excluída como sacramento.[7]
As
Confissões enfatizam que Palavra e Sacramentos são meios da graça e constituem
os sinais da igreja.[8]
É com base na Palavra e nos Sacramentos que se estabelece a verdadeira unidade
da igreja. Sem Palavra e Sacramento, não há igreja, não há povo de Deus.
Na
teologia luterana a proclamação da Palavra tem significado sacramental. A
proclamação da palavra do perdão nos sermões não é pensada como sendo uma aula
de religião. Não é mera instrução moral. A proclamação da Palavra é viva vox evangelii. Pela Palavra o
perdão é veiculado. Pela Palavra a vida eterna é concedida mediante o Espírito
atuante na Palavra. De certa forma, a Palavra é um Sacramento último, pois o
Santo Batismo, o Sacramento do Altar e a Absolvição, estão na dependência dessa
Palavra de Deus. Ouvir a Palavra falada e proclamada é ouvir o próprio Cristo,
que diz: “quem vos der ouvidos, ouve-me a
mim; e, quem me ouvir, ouve aquele que me enviou.”(Lc 10.16).[9]
Esta
visão sacramental da Palavra não elimina a necessidade dos Sacramentos. Eles
foram instituídos por Cristo e atendem uma profunda necessidade na vida das
pessoas. No Catecismo Maior, Lutero diz: “assim
a fé se apega à água, crendo que é o batismo, em que há pura salvação e vida.
Não pela água... mas porque está unida a Palavra e a ordem de Deus. Aquilo a
que a fé adere e com a qual está ligada... tem de ser natureza externa, para
que se possa captá-la e compreendê-la com os sentidos e a fim de que mediante
isso se possa levá-la ao coração. Pois que o evangelho todo é pregação externa,
oral.”[10]
Os
confessores tinham a convicção de que se o povo fosse instruído apropriadamente
quanto ao valor e aos frutos dos Sacramentos, seriam movidos a usá-los frequentemente.
Melanchthon afirmou com absoluta certeza na Apologia: “em nossas igrejas muitos certamente usam muitas vezes por ano dos
sacramentos, da absolvição e da ceia do Senhor.”[11]
As
Confissões tinham como pressuposto de que, ordinariamente, o celebrante da Santa
Ceia fosse um ministro ordenado. A autoridade de administrar os Sacramentos faz
parte da autoridade com o qual o ministro foi investido por ocasião de sua
ordenação. Como um servo da Palavra, chamado e ordenado, o ministro celebrante
dos Sacramentos está atuando como agente de Deus. Entretanto, o Tractatus
concede que, em caso de emergência, um leigo possa absolver e tornar-se
ministro e pastor para o seu semelhante.[12]
Quais
são os propósitos dos Sacramentos? Um dos seus propósitos é identificar a igreja.
Onde os Sacramentos estão sendo celebrados e administrados, aí o cristão sabe
que a igreja existe.[13]
Mas, eles fazem mais do que isso: os Sacramentos operam remissão dos pecados,
vida e salvação.[14]
Os
Sacramentos não são uma invenção da igreja. São uma instituição de Cristo. Pela
instituição de Cristo, eles se tornam válidos e eficazes, independente da fé ou
da descrença. A santidade ou imoralidade, tanto do ministro quanto do
participante do sacramento, não afetam a sua validade.[15]
Os Sacramentos, porém, não alcançam seu fim próprio, ou seja, a justificação,
pela mera execução do rito. Para alcançarem o seu fim, a justificação, os
Sacramentos requerem fé por parte de quem os usa. Os Sacramentos foram
instituídos para despertar e confirmar a fé daqueles que fazem uso dos mesmos.[16]
[1] James F. WHITE, op. cit., pp.133 e137. Em seu livro,
WHITE aborda o assunto amplamente, cf. pp.133-152.
[2] Livro de Concórdia, Ap XIII, p.223.2.
[4] Id. Ibid., CM IV, p.474.1.
[5] Id. Ibid., Ap XIII, p.223.4.
[6] Id. Ibid., Ap XIII, p.224.11 e
p.225.14-15.
[7] Id. Ibid., Ap XIII, p.224.6.
[8] Id. Ibid., Ap XXIV, p.280.69; VII e
VIII, p.177.3 e 5.
[9] Id. Ibid., Ap VII e VIII, p.182.28.
[10] Id. Ibid., CM IV, p.478.29-30.
[11] Id. Ibid., Ap XI, p.190.3
[12] Id. Ibid., Tractatus, p.356.67. “A
Reforma trouxe a percepção de que todos os cristãos poderiam exercer um papel
sacerdotal confessando e perdoando-se uns aos outros. Porém muitas vezes onde o
poder está à disposição de todos, ele não é exercido por ninguém. Todas as
tradições protestantes julgaram necessários padrões de disciplina e julgamento,
embora os meios de execução variassem. Calvino vinculou à eucaristia a ação
disciplinar de excluir da comunhão (i.e, excluir pecadores notórios 1 Co
11.27), sendo que Wesley exigia tíquetes de comunhão dos membros de suas
classes. Ambas as práticas sobrecarregavam a eucaristia com um indevido fardo
disciplinar.” J.F. WHITE, op. cit., p.209.
[13] Livro de Concórdia., CA, p.34.1.
[14] Id. Ibid., Ap XII, p.197.42; XIII, p.225.14; XXIV, p.276.49.
[15] Id. Ibid., Ap VII e VIII, p.177.3,
p.180.19; CM IV, p.487.16 - p.488.17.
[16] Id. Ibid., Ap XIII, p.225.18; XXIV, p.280.68; CA XIII, p.34.1-2; XXIV,
p.46.30; Ap XII, p.194.12, p. 195.25.
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