sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Ainda dá pra confiar

Antigamente, quando um homem empenhava sua palavra, isso valia. Um fio de bigode era como uma garantia. Hoje em dia, porém, nada mais é absolutamente garantido. Não se pode confiar cegamente em ninguém. Confiança é artigo escasso entre nós. O motivo é simples: as pessoas não cumprem o que prometem.
Precisamos marcar compromisso com “hora de relógio”; alguns prometem nunca mais fazer determinada coisa, mais parecem palavras ao vento. Uma lista interminável caberia aqui, para mostrar o quanto a palavra vale pouco.
Em tempo de eleições, muito se perguntam: ainda dá para confiar? Em tempos de solidariedade, outros se questionam: Vale a pena ajudar, doar? A maioria das pessoas odeia desonestidade e corrupção, quer na política quer em relacionamentos interpessoais, ou mesmo em casa. Contudo, muitos acham que um pouco de desonestidade, não fará mal a ninguém, porque nunca virá à tona.
política - honestidadeDe acordo com uma pesquisa da Futura/Fecomércio, 84,9% das pessoas acham que o eleitor vota visando tirar alguma vantagem pessoal, o que é considerado crime eleitoral. Só 13,5% dos entrevistados mantêm a fé na honestidade do eleitorado. A virtude da confiança parece cada vez mais se basear na fatídica e infeliz frase afinal: “se todo mundo faz, porque eu não posso também?” Cito um fato recente: Quem mais perdeu na lamentável atitude de desvios das doações enviadas ao nosso Estado? Os desabrigados pelas enchentes? Os alagoanos como povo? Os bombeiros como entidade confiável? Ou os apontados pela deslavada cara de pau? Ora, todos perderam! Porque quando a base que sustenta qualquer tipo de relação e consequentemente toda sociedade, se torna meretriz, nos tornamos cada vez mais pobres e vazios.
Desde o tempo do bigode e da barba grande, alguém com nome limpo e digno de confiança já alertara: “Quem é fiel nas coisas pequenas também será nas grandes; e quem é desonesto nas coisas pequenas também será nas grandes. Pois, se vocês não forem honestos com as riquezas deste mundo, quem vai pôr vocês para tomar conta das riquezas verdadeiras?” (Lucas 16.10-11).
Honestidade é essencial na ação de todo indivíduo, porque ela está sempre voltada para fora, para pessoas, para o mundo e por fim não acaba em morte (Provérbios 21.6), seja ela escandalosa ou mínima. Por isso que Jesus não deu só os fios de bigode pela tua causa, mas a própria vida, para que haja vida. Suas palavras e atitudes provam de que ainda dá para confiar, porque continuamente baseia-se na verdade, e a verdade liberta (João 8.32). Confie: “Você terá um novo nome, um nome que o Senhor lhe dará” (Isaías 62.2). Eu ganho, tu ganhas... todos ganham!
Márlon Hüther Antunes
Teólogo e Pastor da Igreja Luterana de Maceió