quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Qualidade de morte

Se há um assunto que chamou a atenção e figurou quase que diariamente na mídia neste ultimo mês, certamente é o caso do desaparecimento de Elisa Samúdio e o possível envolvimento do goleiro Bruno (ex-Flamengo) no caso. Talvez pela fama do Goleiro; talvez pela brutalidade e sangue frio que a polícia relata e acredita ter ocorrido o crime. Ao acompanhar os noticiários e as cenas de reconstituição das versões apresentadas ficamos chocamos.
Vivemos na capital brasileira com melhor qualidade de vida. Motivo de orgulho e de publicidade. Mas ainda assim, problemas nos cercam e aqui, todos os dias, pessoas também morrem. Seja de forma cruel, seja de forma natural.
Sempre pensei que as pessoas apenas se preocupavam em medir a qualidade de vida. Qual não foi minha surpresa ao saber pela BBC que agora também se mede a qualidade de morte. Uma pesquisa feita por uma empresa da Grã-Bretânia ouviu 40 países, dentre os quais, o Brasil figura em 38º lugar no ranking ao que diz respeito à qualidade na hora de morrer.
Mas afinal, o que é morrer com qualidade? Será possível morrer com qualidade? A pesquisa leva em conta o morrer sem dor e o acesso a tratamentos paliativos que, se não estimulam à vida, ao menos “facilitam” ou diminuem a dor no restinho de sobrevida. Dentro desta ideia, morreu sem qualidade aquele que vegetou sobre um leito e sentiu muita dor. Morreu com qualidade quem sofreu um ataque cardíaco fulminante, um acidente fatal ou algo parecido. Será? As perguntas que faço são: será possível morrer com qualidade sem ter vivido com qualidade? Será possível se preparar em vida para morrer com qualidade?
agonia - doença - morte Existe um ditado que diz: tudo o que começa errado tem grande chance de terminar errado. Longe de mim julgar as pessoas. Meu papel é outro: alertar as pessoas sobre a vontade de Deus e a oportunidade da salvação gratuita, pela fé em Cristo. Mas pensemos um instante sobre a confusão do relacionamento e a vida de Eliza Samúdio, o goleiro Bruno e outras pessoas envolvidas no caso. É até difícil entender. Mas se nota que haviam muitos interesses estranhos e atitudes pouco louváveis perante Deus e os homens. Ao acompanhar o caso, que culminou com uma morte horrível (ao que tudo indica) lembrei-me das palavras do Apóstolo Paulo aos Gálatas: Mas, se vocês agem como animais selvagens, ferindo e prejudicando uns aos outros, então cuidado para não acabarem se matando (Gálatas 5.15).
Portanto, prestem atenção na sua maneira de viver. Não vivam como os ignorantes, mas como sábios. Os dias em que vivemos são maus; por isso aproveitem bem todas as oportunidades que vocês têm. Não ajam como pessoas sem juízo, mas procurem entender o que o Senhor (Deus) quer que vocês façam (Efésios 5.15,16). É difícil? Não. Está ao alcance dos olhos e ouvidos: na Bíblia. Nela, além de Palavras que orientam a vida, consolam e confortam na hora da morte, encontramos mais que morte com qualidade. Encontramos de presente a vida eterna conquistada por Cristo, o qual de forma horrível, por nós morreu sobre a cruz.
Ernani Kufeld
Teólogo e pastor da Igreja Luterana em Aracaju