quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Lições do naufrágio

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O desastre com o Costa Concordia assusta também os que estão em terra firme. A imagem do “Titanic” italiano, rendido nas rochas, com seu colossal tamanho, luxo e tecnologia, choca e aterroriza a todos que têm consciência das incertezas no mar da vida. Por isto as lições desta tragédia. E a primeira que sobressai é a atitude irresponsável e covarde do comandante. Saiu da rota por motivos fúteis, abandonou o navio quando deveria ser o último, e ainda mentiu para a capitania dos portos. Insensatez, desatinos, e falsidade, no entanto, são marcas que caracterizam a sociedade moderna. O mundo está carente de bons navegadores na família, na política, na economia, nos meios de comunicação, nas escolas, nas polícias, e pior, nas religiões. Todas as instituições estão afundando. Deveriam estar “vento em popa”  pela ciência. Mas, quanto mais a humanidade avança na tecnologia, mais regride nos valores éticos e morais.

E assim a atitude deselegante das pessoas na hora de abandonar o navio. A frase “mulheres e crianças primeiro” não foi respeitada. Passageiros relatam que muitos desacataram este regulamento na hora de entrar nos botes salva-vidas. Cavalheirismo, respeito e consideração naufragaram faz tempo. Creio que estamos presenciando aquilo que diz o texto sagrado, que as pessoas serão egoístas, desobedientes, sem amor, incapazes de se controlar e atrevidas (2 Timóteo 3.1-4). Percebe-se isto no trânsito, nas filas, ou em qualquer situação que exige renúncia. A teoria evolucionista da seleção natural, dos mais fortes que abatem os mais fracos, pode ser a explicação, mas não justifica. A sociedade precisa urgentemente da fé na criação e recriação divina, que tem outra teoria: “Quem ama é paciente e bondoso... Quem ama não é grosseiro nem egoísta” (1 Coríntios 13.4,5).

Mas o mundo tem saída. Igual ao navio que requer uma operação dispendiosa, mas capaz para chegar ao estaleiro e ser refeito. Intervenção que já começou quando a Bíblia afirma: “Um dia o próprio Universo ficará livre do poder destruidor” (Romanos 8.21). Até porque não tem como pular fora... 

Marcos Schmidt
pastor luterano