sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 002

I - O Conteúdo da Pregação Luterana

3. A pregação luterana é uma atividade que não é feita num vácuo. Antes, ela acontece dentro de um contexto, sim de vários contextos. Como uma atividade da linguagem, a pregação luterana vive no contexto lingüístico, e se defronta com uma exigência da gramática local. Como uma atividade na Igreja, a pregação luterana vive no contexto litúrgico e suas implicações locais. E como uma atividade da proclamação da Palavra de Deus, a pregação luterana vive no contexto da teologia luterana. Estes contextos juntos formam o meio ambiente no qual a atividade da pregação luterana acontece. Vamos considerar cada contexto.

 

O contexto linguístico da pregação luterana

4. Pode parecer que a respeito do contexto lingüístico da pregação luterana há pouco a dizer, a não ser algo sobre a necessidade de um som claro e distinto, de frases claras e distintas. Mas tal simplicidade ilude quanto a tarefa. Primeiro, o mundo lingüístico não é monolítico (bloco único). Há nela diferenças consideráveis, por exemplo, entre a palavra escrita e falada.

5. A primeira palavra no mundo foi falada: E disse Deus: Haja... A primeira palavra desenvolvida na sociedade foi falada. A primeira palavra pronunciada por vossos filhos são palavras faladas. Há algo básico com a palavra falada. A respeito disto, Richard Lischer escreve:

A voz viva com sua capacidade, variações e entonação, gritos e força, torna possível um nível de clareza não conhecida pela forma escrita da comunicação. A leitura e a televisão fazem de nós espectadores externos, mas o som é a chave para o interior. A classe pode examinar-me, o novo professo, quanto tempo quiserem, mas nada do que eu sou será revelado, exceto quando abro minha boca para falar. O que é mais revelador do que a linguagem?

6. Num nível mais profundo, a fala cria um tipo de comunicação que não somente transmite informações, mas requer respostas.[1]


[1] Richard Lischer, A theology of Preaching: The Dynamics of the Gospel. (Nashville: Abingdon, 1981), p. 69.