sábado, 7 de novembro de 2015

Nós e a corrupção dos outros(?)

“Vocês têm ódio daqueles que defendem a justiça e detestam as testemunhas que falam a verdade; vocês exploram os pobres e cobram impostos injustos das suas colheitas. Por isso, vocês não vão viver nas casas luxuosas que construíram, nem chegarão a beber o vinho das belas parreiras que plantaram. Eu sei das muitas maldades e dos graves pecados que vocês cometem. Vocês maltratam as pessoas honestas, aceitam dinheiro para torcer a justiça e não respeitam os direitos dos pobres. Não admira que num tempo mau como este as pessoas que têm juízo fiquem de boca fechada!”
Este texto não é de um jornal qualquer da semana passada, ou de vinte anos atrás. Ele está registrado no livro do profeta Amós, no capítulo 5, versículos 10 a 13 da Bíblia Sagrada. Por isso, antes de prosseguir, é preciso que saibamos um pouco mais desse tal Amós: ele viveu cerca de 2.800 anos atrás e foi um dos grandes profetas do povo de Israel. Definia a si mesmo como um homem simples. Hoje diríamos: um homem do povo, trabalhava na roça.
Mas ele precisou sair da roça e falar para seu povo. Não só aos líderes, mas todos. A corrupção havia tomado conta e até mesmo as pessoas boas, preferiam ficar caladas, pois não havia ninguém que as defendia. Os responsáveis pelo direito do povo cometiam injustiças e já não se tinha mais a quem recorrer. Todo o sistema estava corrupto. Imagino a sensação de impunidade...
Outro dia ouvi um especialista em polícia e justiça dizendo: “o que faz o crime prosperar não são as leis falhas, pois temos boas leis. Eles fazem o que fazem, porque têm certeza da impunidade para quem pode pagar o preço da corrupção”.
Algo muito parecido com o que acontecia com Amós, parece acontecer hoje no Brasil. Mas o que fazer? Adianta um lado gritar contra o outro? Aliás, em questões políticas, parece que hoje só temos dois lados e cada um se acha certo, enquanto o outro estaria errado. Mas parece que quanto à corrupção, há apenas um lado e pessoas “dos dois lados” parecem estar de lama até os pescoços. Triste. O que fazer?
Amós vê uma luz no fim do túnel: “eu construirei de novo o reino de Davi, que é como uma casa que caiu.” (Amós 9.11). Todos os profetas do Antigo Testamento apontavam para o Cristo que viria. Reino de Davi era o símbolo do reinado de Jesus. Não político, econômico, terreno, religioso ou qualquer coisa do tipo, pois ele mesmo disse: “o meu reino não é deste mundo” (João 18.36). Quem tenta envolver o Salvador em discussões políticas, querendo construir um sistema de governo baseado em seus ensinamentos, está, no mínimo, equivocado. Jesus não era comunista, presidencialista, parlamentarista, monarquista... Ele era Jesus e o reino dele transcende o terreno.
Por causa desse reino futuro, que ainda aguardemos em plenitude, vamos também ver a luz no fim do túnel. Precisamos ser cidadãos mais conscientes de nossas realidades quanto à seca, à limpeza pública, à eleição de candidatos melhores... Precisamos deixar de lado os favores em troca de votos. Só assim, melhoraremos este mundo, enquanto aguardamos a chegada daquele futuro reino. O mundo aqui nunca será perfeito. Perfeição só no reino de Cristo. Mas como bons cidadãos podemos melhorar, e muito este reino onde vivemos hoje. Então, mãos à obra.
Jarbas Hoffimann

é formado em Teologia
e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil,
em Nova Venécia.
(http://www.
facebook.com/pastorjarbas)