quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Pedalar, correr, ou ir de carro?

Vivemos numa época em que as pessoas estão gastando pequenas fortunas para comprar uma “bike”. Sobre o preço, a política de impostos tem muita culpa. Há 44,5% de impostos, que elevam o preço da bicicleta em 80,3% (segundo dados de “oglobo.com”). Ou seja, se uma “bike” sai da fábrica a R$ 1.000,00, pode chegar às suas mãos por R$ 1.803,00, fora o frete.
Apesar disso, expressões como “vou fazer um pedal” têm se tornado comum. Eventos que juntam ciclistas, como aconteceu em alguns anos, por ocasião da celebração de “Nossa Senhora Aparecida” estão juntando centenas de ciclistas “profissionais” e amadores, adultos e crianças, jovens e idosos... Há todo um incentivo para que se faça exercícios. Aí também tem gente que prefere a caminhada, ou a corrida.
No meio disso, aparece também a discussão da mobilidade urbana. Dizem que é melhor abandonar o carro e ir de bicicleta ou à pé. As montadoras de veículo já começam a se preocupar, porque os jovens já não sonham com sua moto ou carro. Estão preferindo “ir de bike”. E olha que nem temos estrutura para as bicicletas circularem. Não há bicicletários em prédios públicos. Não há lugar para você deixar sua bicicleta em segurança, enquanto faz suas tarefas. Ciclovias ou ciclo faixas, então, são sonhos distantes. Pior ainda, Nova Venécia tem pelo menos dois bairros onde o acesso seguro só pode ser feito de carro, moto, ônibus. Não se pode ir à pé ou de bicicleta, sem correr algum risco. Falo do bairro Bela Vista e o São Cristóvão e todos os novos bairros nessa região. Há outros, mas me parece que estes estão em maior risco.
Você já percebeu que para esses bairros não há acesso à pé ou de bicicleta que não passe pelo meio da rua? Ou por beiras de estrada espinhosas, acidentadas e arriscadas? E alunos que estudam no São Cristóvão se arriscam entre carros e poeira para ir de casa para a escola e voltar.
Acredito que devamos ter mais acesso para bicicleta. É “o futuro”. Entretanto, querer uma ciclovia no centro, quando os trabalhadores ainda não conseguem nem chegar em casa em segurança, parece um contrassenso. Mas se queremos melhorar não precisamos esperar pelo poder público. Será que nós mesmos não podemos fazer algo? Há tantos ciclistas. Quem sabe juntam pessoas que saibam como fazer, fazem um projeto, apresentam para a prefeitura e, sendo liberado, partem para a execução, com apoio da própria sociedade. Aí, além da boa saúde, ainda ajudaríamos mais nossa população. Não precisa ser “autoridade” para trabalhar para o povo. É uma ideia.
Caminhos adequados são muito importantes.
Pode parecer meio bobo, mas as estradas tiveram que ser inventadas. Uma das causas da grande e rápida propagação do evangelho de Jesus Cristo, foi que quando todo aquele evento aconteceu, os romanos tinham acabado de inventar as estradas pavimentadas, que ligavam Roma ao resto do mundo. Daí o ditado: “todos os caminhos levam à Roma”. Ter estradas adequadas é importante e conhecer a estrada, também é importante.
Jesus é chamado de “o” caminho. Ele mesmo contou a história de que em um caminho perigoso, um bom samaritano ajudou um homem que foi assaltado e espancado. O caminho que seguimos é também o lugar de fazer o bem. A todos. Isso é seguir Jesus: ajudar o próximo a ter melhores caminhos e não ser uma “pedra de tropeço”.
  

Jarbas Hoffimann

é formado em Teologia
e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil,
em Nova Venécia.
www.facebook.com/pastorjarbas