quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Meu corpo. Minhas regras. (?)

Ainda causa alvoroço nas redes sociais, um vídeo pró-aborto, feito por atores da Globo. Logo que vi o vídeo pensei: “vão ter problema com a igreja e as famílias católicas por todo o país”, e não deu outra. O vídeo conseguiu ofender não somente os católicos, porque ofende um princípio fundamental da fé cristã: o nascimento virginal de Cristo. Comparando, é como se, no Islamismo, se ofendesse Maomé.
Como curiosidade, Lutero, um dos personagens centrais da Reforma Protestante, não só acreditava no nascimento virginal, como acreditava no “Semper Virgo”, até hoje dogma católico. Se Maria permaneceu ou não, virgem, para os protestantes não faz muita diferença, mas o nascimento virginal é importante para toda a cristandade porque é uma promessa bíblica. Isaías 7.14: “eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel”. Pra quem não sabe: “Emanuel” é igual “Deus-conosco”, o Deus encarnado: Jesus Cristo, segundo à fé cristã.
Parece que os atores fizeram uma pequena pesquisa antes de difamar a fé cristã. Mas uma pesquisa muito rasa e certamente por pessoas completamente incapazes para tal pesquisa. Usam uma argumentação incorreta sobre a tradução do termo “virgem”. Debocham para dar a entender que a bíblia está errada quando usa o termo virgem. Argumentam ser um erro de tradução. Ainda bem que são atores e não teólogos ou historiadores...
O termo “almah”, no hebraico, pode ter dois significados: “virgem” e “moça jovem”. Hoje em dia pode ser que a sexualidade esteja de uma forma que não se sabe mais até que idade as “moças” continuarão sendo “moças” (os mais antigos vão lembrar que moça, até pouco tempo, em português, era sinônimo de “virgem”). Enfim: naquela época, não fazia diferença se era “moça”, “jovem”, ou “virgem”... Em todos estes casos, naquela idade, a menina ainda não tinha tido relacionamento sexual, ou seja: é virgem.
Como o texto de Isaías é repetido no Novo Testamento (Mateus 1.23), ainda podemos ver a palavra no original grego: “partênos”, que tem o significado de: uma moça jovem, ainda não casada, ou simplesmente “virgem”. Para definir um pouquinho mais, a Septuaginta (LXX), ou a Bíblia dos 70, que foi uma tradução do Antigo Testamento ao grego, para ser colocada na Biblioteca de Alexandria (Alexandre, o Grande queria uma cópia de cada livro do mundo, por isso ele criou a biblioteca), também traz o mesmo termo, usado mais tarde no Novo Testamento. Não há dúvidas, o significado é “virgem” no sentido de alguém que não teve relacionamento sexual.
Fora isso, os atores usam uma lógica burra: afinal: “meu corpo, minhas regras” esquece que o corpo que cresce dentro do outro corpo, também terá suas regras. O aborto não é uma amputação. A mulher (o seu corpo) permanece completa. Não quero emitir julgamento sobre alguém que tenha feito o aborto. Eu sou, por questões de fé e posicionamento pessoal, contra. Mas não tenho capacidade de julgar por outros, aliás, esta nem é tarefa minha.
O vídeo é um fracasso: apesar de mais de 1 milhão de visualizações, já tem mais de 200 mil “não gostei”. Está caminhando para ser o vídeo mais odiado do YouTube brasileiro. E os atores têm sido taxados de hipócritas, por ir à TV pedir dinheiro para crianças carentes, enquanto argumentam que não se deve trazer ao mundo, crianças que serão carentes... Eles estão sendo hostilizados. Pois é! O país que vivemos ainda é uma democracia, ou seja, fala-se o que quer e, muitas vezes, ouve-se o que não se quer.
Peço, apenas, para pensarmos bem e não respondermos com ódio. O amor sempre a melhor resposta. Tomara que os bebês em gestação também sejam sempre alvo do amor. E não do hedonismo egoísta reinante.


Jarbas Hoffimann

é formado em Teologia
e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil,
em Nova Venécia.