segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Proclamação Luterana - 019

Nota do tradutor. Não posso deixar de acrescentar aqui a preciosa página da Teologia Pastoral de C.F.W.Walhter sobre como pregar a santificação:

Uma terceira carência é quando um pregador fala sempre de novo e de novo sobre arrependimento e fé, mas não prega sobre a necessidade das boas obras e da santificação, ou sobre boas obras, virtudes cristãs e santificação, não dando uma instrução profunda sobre isso. Uma descrição explícita, clara e calma sobre uma verdadeira vida cristã e comportamento, alcança mais do que a constante ameaça e o repisar a necessidade da mesma.

A respeito disso, Lutero escreve o seguinte: “Meus antinomistas pregam muito bem e (como não posso pensar de outra maneira) com verdadeira sinceridade a respeito da graça de Cristo, o perdão dos pecados, e o que mais é dito sobre a redenção. Mas, da conclusão eles fogem como o diabo da luz. Eles temem falar da terceira parte, da santificação, isto é, da nova vida em Cristo. Eles pensam que a gente não deve assustar ou entristecer as pessoas. Pregam, no entanto, sempre de forma consoladora da graça e do perdão dos pecados em Cristo e ao mesmo tempo evitam palavras similares como: Estas ouvindo? Tu queres ser cristão e ao mesmo tempo és um adúltero e vives no meretrício, como um porco, arrogante, ganancioso, avarento, invejoso, irascível, e queres permanecer perverso, etc.? Ao contrário eles dizem: Estás ouvindo: Se és um adúltero, prostituto, avarento, ou outro tipo de pecador – mas se tu crês somente, tu estás salvo e não precisas mais temer a lei. Cristo a cumpriu em teu lugar”.

“Amigo, diga-me, isto não é admitir a premissa e negar a conclusão que segue? (Antecedens concedirt e Consequens negirt) Na verdade, isto significa tirar Cristo de alguém, no momento em que Cristo é pregado da forma mais sublime, e reduzi-lo ao nada. Isto é o sim e o não na mesma coisa. Tal Cristo é ninguém e nada, que morreu por tais pecadores que, após o perdão dos pecados, não abandonam o pecado para viverem em novidade de vida. Assim eles pregam bem no fio dialético nestoriano e eutichiano, que Cristo é e não é. Eles são puros pregadores da Páscoa, mas nefastos pregadores de Pentecostes. Pois eles nada pregam sobre a santificação e vivificação do Espírito Santo (sanctificatione et vivificatione Spiritus Sancti), mas somente a salvação de Cristo. Em suas pregações, eles exaltam Cristo com convém, que Cristo nos salvou do pecado e da morte, para que o Espírito Santo faça de nós novas criaturas. Mas, então param e não falam do afogar o velho Adão, para que mortos aos pecados, vivamos para a justiça (Rm 6.2), como o apóstolo Paulo ensina aos romanos, que iniciemos aqui a nova vida em Cristo e cresçamos e sejamos perfeitos nos céus”.

“Cristo não nos conquistou somente a graça (gratiam), mas também o dom (donum) do Espírito Santo, assim que não temos somente o perdão dos pecados, mas também o cessar de pecar (Jo 1.16-17). Quem, no entanto, conitnua a pecar, permanece no seu ser pecaminoso anterior, esse deve ter outro Cristo, o dos antinomistas. O verdadeiro Cristo não está ali, e mesmo se todos os anjos gritassem nada mais do que Cristo, Cristo! – nós teríamos que condená-los com o seu novo Cristo” (Sobre o Concílio das Igrejas, 1539; Walch XVI, 2741 s.).

Se alguém quer aprender como descrever verdadeiramente a vida cristã conforme sua base interna e sua manifestação externa, essa pessoa tem então, ao lado da Escritura Sagrada, o glorioso modelo na Kirchenpostille de Lutero sobre as epístolas...

O pregador que economiza o consolo do evangelho e o oferece pouco, deixando a lei predominar, pretendendo promover dessa forma fé viva e verdadeira vida cristã, está enganado. Ele na verdade está impedindo o desenvolvimento da verdadeira fé e vida cristã.

Um verdadeiro pregador cristão deve poder repetir as palavras de Lutero: “No meu coração reina este único artigo, a saber, a fé em Cristo, pela qual e na qual todas as minhas reflexões teológicas fluem e refluem dia e noite” (Erlangen, Latin, vol I, p. 3; Prefácio da carta aos Gálatas. WA VIII, 1524).