sábado, 4 de fevereiro de 2012

Proclamação Luterana - 017

51. Primeiro, eles gostam de ouvir o que os outros devem fazer, especialmente se a aplicação da lei pelo pregador for tal que não afrontou as pessoas com a lei na primeira pessoa. Isto é um testemunho de que nossa congregação chegou a amar a lei, não na forma como o salmista o diz, mas de certa forma pervertido! Alguém pode crescer em amar a culpa. Há certo conforto nisso! Isto é um amor perverso que infecta os adolescentes e sádicos, outros, que dizem a si mesmos como todo o mundo os odeiam e como eles se odeiam a si mesmos! O que eles pensam não é o “eu me odeio”, mas eu odeio o que acontece ao meu amor próprio em mim! Há um conforto nisso, o que tu odeias não é digno desse ódio. Da mesma forma, nosso povo pode achar um conforto variado em ouvir a lei que os condena, enquanto não se sentem condenados, enquanto não sentem “terrores de consciência”.

52. Isto, eu acredito, é precisamente o problema com nossas pregações do evangelho! O problema, muitas vezes não é com o evangelho como tal, mas com a lei.[1] A coexistência pacífica com a lei como ela fala a mim, leva ao desinteresse no evangelho. Quando na próxima vez ouvires alguém dizer: “Sim, pastor, eu creio no evangelho, mas quando você nos dará algo diferente?” Então é melhor começares a te questionar a ti mesmo sobre a aplicação não do evangelho, mas da lei! Dr. Walther nos lembra corretamente, que a lei precisa ser proclamada de tal forma, que ela causa em nós certa identificação, que ele chama de: “Terror de consciência”.[2] Isto é o que a pregação da lei deve executar! Mas quantos estão prontos a fazê-lo? Para muitos, tal lei é imprópria, e assim nós nos contentamos com frases de “tu e eu”, combinado com o que eu denomino de “aplicação espingarda,” na qual o pregador elabora a pregação e dispara contra alguns pecados e cita alguns exemplos, julgando que acertará um ou outro. Na verdade, o verdadeiro culpado que necessita ser identificado contigo e seus ouvintes, a saber, a natureza pecaminosa, escapa sem ser atingida; somente para dizer que tu mesmo estas enjoado do Evangelho. Mas, note isso: a não ser que tu te identificas como pecador abominável que és, do contrário és um cristão somente de fachada. A não ser que sintas os terrores de consciência e descubras teu interior totalmente corrupto, não amarás o evangelho, nem estarás disposto a morrer por Cristo. Deixe o pregador aplicar isso a seus ouvintes e ouça sua resposta do evangelho. Este é o trabalho duro da proclamação luterana.


[1] Este é o ponto de J.A.O. Preus quando ele atesta: A reforma não só descobriu o Evangelho, mas também a lei de Deus, em Chemnitz on Law and Gospel, Concórdia Journal, 15 de outubro de 1989, p. 413.

[2] E Walther tomou sua sugestão diretamente das Confissões; cf. AC XII, 3,6; Ap IV, 20, 38, 142, 270-271; XII 32,64; XXIV, 73.