sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel morreu, não fique feliz

Neste título apenas citei um fato. Ponto. Fidel Castro morreu. Você também vai morrer. E, pasmem, eu também. Mas hoje em dia as pessoas só leem e escutam o que querem.
Lembrem-se quando Jesus foi chamado para dar opinião sobre algumas pessoas que morreram num incidente. Está registrado em Lucas 13.1-5: “Naquela mesma ocasião algumas pessoas chegaram e começaram a comentar com Jesus como Pilatos havia mandado matar vários galileus, no momento em que eles ofereciam sacrifícios a Deus. Então Jesus disse: — Vocês pensam que, se aqueles galileus foram mortos desse jeito, isso quer dizer que eles pecaram mais do que os outros galileus? De modo nenhum! Eu afirmo a vocês que, se não se arrependerem dos seus pecados, todos vocês vão morrer como eles morreram. E lembrem daqueles dezoito, do bairro de Siloé, que foram mortos quando a torre caiu em cima deles. Vocês pensam que eles eram piores do que os outros que moravam em Jerusalém? De modo nenhum! Eu afirmo a vocês que, se não se arrependerem dos seus pecados, todos vocês vão morrer como eles morreram.”
Quero me ater a este versículo: “Vocês pensam que, se aqueles galileus foram mortos desse jeito, isso quer dizer que eles pecaram mais do que os outros galileus?”
Notem que Jesus não está se referindo à forma da morte, mas sim ao fato de que todos vão morrer. E todos vamos. Veja: “todos vocês vão morrer como eles morreram”. O “como eles morreram” não é a forma da morte, mas que a morte virá para todos. Até para os que criticavam os mortos daquele momento.
As pessoas que estavam falando com Jesus estavam se achando superiores em sua fé, àqueles que morreram. Estavam querendo dizer que aquelas mortes tão notórias eram mostra de que eles, os mortos, seriam mais pecadores do que eles, que interpelam Jesus.
Me parece que na morte de pessoas proeminentes, das quais discordamos, há muita gente que se acha superior aos que morrem. Hoje foi o Fidel… Amanhã será quem? E se o Trump morrer, quantos festejariam? Infelizmente muitos destes que comemoram a morte de alguém tido como ímpio são ou somos nós cristãos… Ou acham que são cristãos… Pois cristão nenhum, consciente de sua missão, comemoraria a morte de quem quer que seja… Aliás, o cristão comemora sim a morte… Comemoramos a morte de outros cristãos fiéis. Comemoramos porque eles venceram. É normalmente um momento triste, de despedida, mas estamos dando graças por aquele que venceu o mundo e agora está com Cristo, esperando pela ressurreição.
Mas hoje parece que cristãos têm prazer na morte de pessoas que são consideradas “inimigas” de princípios cristãos. Parece que se alegram quando coisas ruins acontecem a pessoas que são julgadas como más. Aliás, muitos pedem a “justiça de Deus” contra os outros. Mas nessas palavras, não querem justiça, querem vingança.
Veja o que diz Ezequiel 18.23: “Vocês pensam que eu gosto de ver um homem mau morrer? — pergunta o Senhor Deus. — Não! Eu gostaria mais de vê-lo arrepender-se e viver."
Não há muito o que dizer… Além do versículo 21 e 22 do mesmo texto: “Se um homem mau parar de pecar, se guardar as minhas leis e se fizer o que é certo e bom, não morrerá; é certo que viverá. Todos os seus pecados serão perdoados serão perdoados, e ele viverá porque fez o que é certo.” E o “não morrerá” remete à condenação eterna. Ou seja, mesmo que morra temporalmente, se foi convertido e voltou-se para Deus, não será condenado.
Deixe Deus ser Deus. Deixe ele perdoar, pois ele quer perdoar. Deixe ele condenar, se for necessário condenar.
O Senhor dá o tempo de uma vida para a pessoa se arrepender: “O Senhor não demora a fazer o que prometeu, como alguns pensam. Pelo contrário, ele tem paciència com vocês porque não quer que ninguém seja destruído, mas deseja que todos se arrependam dos seus pecados.” (2º Pedro 3.9) E, ao contrário de Deus, nós não somos muito “pacientes”. Queremos nos vingar com as próprias mãos. Ficamos felizes com a morte de pessoas tidas como más. E esquecemos que diante da Lei de Deus todos somos maus e todos somos condenados. Se não fosse a misericórdia de Jesus, o que seria de nós.
Ao contrário de se alegrar com a perda de alguém como se supõe Fidel Castro ter sido perdido, deveríamos orar para que o Senhor dê mais e mais tempo para os ímpios serem alcançados por nosso testemunho.
O tempo urge. Se você é cristão, se concentre em falar do amor de Jesus. Pois ele perdoou até o bandido na cruz. E perdoa você também.

Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)