domingo, 11 de março de 2012

O que Jesus faria?

Jo 2.13-25

Terceiro Domingo na Quaresma

 

Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

Queridos irmãos em Jesus Cristo.

Semana passada o texto do evangelho nos levou a perguntar: Quem é Jesus Cristo?

O texto desta semana, João 2.13-25, nos leva a fazer outra pergunta: O que Jesus faria?

Vejamos:

O Evangelho registra uma visita de Jesus ao templo em Jerusalém. Segundo a maioria dos estudiosos, esta visita aconteceu na segunda-feira da Semana Santa. Ou seja, pra nós seria logo após o domingo de ramos, daqui a algumas semanas.

E um dia antes Jesus tinha entrado de forma triunfal em Jerusalém, mas no fim daquela semana Jesus estaria morto e sepultado.

O acontecimento no templo é tão importante, que os quatro evangelistas o registraram. Ali vemos um Jesus nervoso, não aquele mestre carinhoso. Ele está vendo o templo que deveria ser a casa de Deus, sendo transformada num lar de picaretas e gente desonesta.

O Templo, naquela época, tinha se tornado um empreendimento muito lucrativo. Flávio Josefo, um historiador judeu, não cristão, nos diz que o Templo era o maior empreendimento comercial de toda a palestina daquela época. E aquele negócio lucrativo estava nas mãos de uma família poderosa.

Segundo o livro: “Jesus, verdade ou mito?” – de Paul Maier, era mais ou menos assim:

“Anás, feito sumo-sacerdote, cinco de seus filhos feitos sumo-sacerdotes, e o titular no momento era José Caifás, seu genro. Ou seja, o homem casou-se com a filha do chefe. ... Assim, era um negócio de família. ... os peregrinos da Páscoa estavam cansados e doentes pela maneira com que eram explorados no templo. Josefo diz que aquela administração do templo era a principal indústria da Palestina, e toda ela controlada por Anás, Caifás e companhia. Se você trouxesse denários gregos ou estáteres romanos, estes precisavam ser trocados pelo sagrado shekel, exigido no templo, com um grande desconto para os banqueiros e uma boa comissão para Anás, Caifás e companhia. Trazia-se um cordeirinho da Galileia para ser sacrificado, e os sacerdotes eram obrigados a encontra nele algum defeito para que a pessoa tivesse de comprar outro de Anás, Caifás e companhia, naturalmente por um preço inflacionado.”

A história registra muito mais desmandos daquela gente que deveria ser fiel ao Deus Todo-Poderoso.

E Jesus, na Páscoa, vê o templo lotado de vendedores. Saqueando os pobres peregrinos que ali vinham para fazer suas ofertas.

Jesus então “fez um chicote de cordas e expulsou toda aquela gente dali e também as ovelhas e os bois. Virou as mesas dos que trocavam dinheiro, e as moedas se espalharam pelo chão. E disse aos que vendiam pombas: Tirem tudo isso daqui! Parem de fazer da casa do meu Pai um mercado!” (2.15-16).

Notem que as pessoas pegaram aquilo que se fazia no templo, as ofertas de animais e outras espécies e transformaram tudo num comércio.

Se fosse hoje: O que Jesus faria?

Ah! Mas isso não acontece mais. Será que não?

Ainda no tempo da reforma, 500 anos atrás, se vendia o perdão dos pecados, porque as pessoas estavam interessadas em não queimar no inferno.

O grande negócio circulava de cidade em cidade e as pessoas compravam.

Na época antes da Páscoa, todos eram obrigados a ter dias de jejum, mas as pessoas que tinham dinheiro podiam comprar uma carta, chamada “breve de manteiga” que lhes dava direito a comer derivados de leite, mesmo em dias de jejum. Quer dizer, se você tinha dinheiro, não precisava fazer o jejuam que a Igreja obrigava.

O que Jesus faria naquela época?

E hoje, será que se vende a Palavra de Deus?

Na verdade o negócio mudou muito nestes últimos tempos. E ninguém mais lucra com a condenação ou salvação eterna. É um produto que não atrai a clientela.

Por outro lado, vida fácil atrai muita gente. E muitos têm ido a lugares que se dizem templos do Deus verdadeiro, do Deus maior, do Deus do impossível, para comprar felicidade imediata.

Na verdade não vão comprar, porque as pessoas ali pedem ofertas. E oferta você faz se quiser. Não é verdade?

É claro que não. O que se faz ali não é oferta. É coação. Você recebe um monte de promessas mentirosas e pressões do tipo:

A parte de Deus ele tira de qualquer jeito. Se você não ofertar, Deus vai fazer com que esse dinheiro você não tenha. Pode, por exemplo, seu filho ficar doente. O que você prefere, dar esse dinheiro pra Deus, ou ver seu filho doente?

Até eu daria tudo pra não ver minhas filhas doentes.

Mas felizmente Deus não é assim. E o que se adora nesses lugares são homens que querem se fazer deuses.

E o que Jesus faria hoje?

Vejam alguns exemplos de bugigangas vendidas:

• A cruz com água e terra do Jordão.

• A caneta pra você assinar contratos.

• Você vai e leva o celular que vai ser abençoado e naquele celular você vai receber boas notícias.

• Você vai receber a água consagrada no monte, no meio da madrugada.

• Naquele culto terá o túnel da bênção.

• Você receberá uma oração forte.

• Você receberá a rosa que vai salvar seu casamento.

Tudo isso mediante uma oferta espontânea que chega a ser extorquida 4 vezes num culto. Ou você se torna sócio, pagando mensalmente uma duplicata que pode ser retirada junto aos presbíteros e outros servos do ministérios.

O que Jesus faria?

Jesus viraria as mesas, quebraria as câmeras e expulsaria esses vendedores de mentiras.

E nós também não podemos tolerar isso. Não digo para irem quebrar tudo. Vocês seriam presos. Mas não contribuam. Não concordem. Se virem alguém vendendo ou comprando algo assim, avisem que não é coisa de Deus, mas de Satanás.

Aquela vez Jesus limpou o templo. Assim ele mostra o respeito que se deve ter pela Casa de Deus. Esta nossa casa de Deus e tudo aquilo que pretenda ser Casa de Deus.

Aqui não se tolera vendedores, porque o amor de Deus não se vende. O amor de Deus é gratuito. E foi revelado em sua forma plena, com a presença de Jesus entre nós. Com sua morte e ressurreição.

Por causa de Jesus Cristo. Todos podem ter a vida eterna. Todos aqueles que crerem no Salvador Jesus, serão Salvos.

Que o Pai nos guie para permanecermos firmes e inabaláveis na fé verdadeira até o fim dos Tempos, quando, de Cristo, receberemos vida eterna. Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Venécia-ES

Soli Deo Gloria