quinta-feira, 3 de março de 2016

Assédio moral

A nossa perturbação com os serviços públicos é parecida com o meu problema com a Sky. Em agosto do ano passado consegui cancelar a assinatura da TV e desfiz o débito em conta corrente. Mas logo vieram as cobranças de fatura vencida. Várias ligações, todos os dias. Diante do eficiente assédio, em dezembro paguei o que exigiam e o que não devia. Logo retiraram os equipamentos e, finalmente, me senti livre da encrenca. Puro engano. Em janeiro voltaram a cobrar uma fatura vencida com ligações e mais ligações diárias por um serviço que eles já nem me oferecem. Enquanto escrevo este artigo, o assédio continua. Quem vai pagar pelo meu tempo e sossego perdidos? A Gisele Bündchen?
É assim com os serviços públicos. O Governo cobra por serviços que não oferece. E se não pagamos, nos assedia sem dó e sem piedade. Exemplo é a (in)segurança pública. Fizeram o desarmamento da população e depois tiraram a polícia das ruas. Uma piada se não fosse o horror com a bandidagem solta que mata mesmo quando não reagimos. Um desgoverno em tudo. Quem vai nos ressarcir pela qualidade da vida que não volta mais? A Dilma, os deputados, os juízes? O Chapolin Colorado?
Precisamos de um Brasil legítimo. Caso contrário, nossa situação será igual ao que expôs o escritor bíblico sobre os deuses inventados: “Eles têm boca, mas não falam, têm olhos, mas não veem. Têm ouvidos, mas não ouvem, têm nariz, mas não cheiram. Têm mãos, mas não podem pegar, têm pés, mas não andam” (Salmo 115). Aliás, a Bíblia lembra que, quando as autoridades cumprem os seus deveres, elas estão a serviço do Deus que não foi inventado (Romanos 13.6). Mas, e quando elas não cumprem? Estão a serviço de quem?
Apesar dos cercos, ainda há esperanças, aqui e mais adiante. Por isto a Quaresma, época cristã de reflexão no sofrimento do próprio Deus que veio em carne e osso para suportar o pior de todos os assédios. Em nosso lugar.
 
Artigo do pastor Marcos Schmidt
marcos.ielb@gmail.com
Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Novo Hamburgo, 5 de março de 2016