Muitos dizem que a tecnologia é a grande vilã da falta de diálogo entre pais e filhos. E de que as crianças ficam “enfurnadas” em seus quartos com seus celulares etc.
Mas será mesmo que a “culpa” é da tecnologia? Aliás, por que
sempre queremos achar um culpado? Será que há sempre culpa a ser resolvida? Já
afirmo que nem sempre. Talvez tenhamos que aprender a lidar mais com a “responsabilidade”
em vez d “culpa”.
A verdade é que as dificuldades na comunicação familiar não
começaram com os smartphones. Elas sempre existiram, porque comunicar-se
exige tempo, atenção e disposição. Para citar alguns entraves na comunicação:
já houve tempo em que distância física e isolamento geográfico eram problema.
Imigrações, guerras, ou simplesmente a busca de um futuro melhor em local
distante, faziam as pessoas dependerem exclusivamente das cartas (quando
havia), que demoravam meses para chegar. Algumas pessoas que partiram para
outros países em imigrações, nunca mais tiveram notícias de seus queridos
deixados para trás.
Pode ser que barreiras linguísticas não atrapalhem a
comunicação dentro do lar, mas vocês já perceberam que os adolescentes parecem
falar uma língua própria? Aquilo que o “velho” entende de uma forma, o
adolescente pode entender de outra e aí já nasce a dificuldade, assim como
pessoas com sotaques diferentes dentro do mesmo país. Seria hilário ver uma
conversar entre um mineiro do interior, um gaúcho dos pampas, um manezinho de Floripa,
um paulistano na Mooca e por aí vai. Essa “barreira linguística” também ocorre
dentro de casa, com ou sem o celular.
Um limitador dentro do lar pode ser o autoritarismo. Pai e mãe
ou um dos dois querem ser apenas “obedecidos” e isso não funciona bem. Nunca
funcionou, o que acontecia é que a geração passada (várias gerações passadas,
aliás) simplesmente calava. E resmungava no seu íntimo, porque se falassem
algo, poderiam ser castigados, daí o medo impera e o diálogo emperra.
Falta de alfabetização não parece ser mais uma barreira,
embora dê vergonha alheia de ler textos até de professores e jornalistas. Que
saudade da época em que as pessoas sabiam o que é uma vírgula e um a
craseado... Mas neste momento meu cérebro está me aconselhando: “seje menas”...
Então serei menos rigoroso. Não dá para cobrar da geração atual o que não
receberam: educação. Porque de 40 anos para cá a educação só piorou, prova
disto é que 33% dos médicos de uma pesquisa recente não sabem a diferença da “veia”
pra “aveia”... Então a falta de educação básica precisa de paciência. É sempre
preciso perguntar de novo e explicar novamente para ver se todos se entenderam.
As mudanças sociais e tecnológicas podem atrapalhar sim, mas
não costumam ser a causa e sim o sintoma. Igual uma pessoa que está com
pneumonia, mas o médico só se preocupa com a febre (certamente um dos 33%)...
Primeiro se trata do problema, a pneumonia, e os sintomas desaparecerão.
Se não é da tecnologia a responsabilidade pela falta de
diálogo, de quem é? Essa é fácil: dos pais. E eu sou pai de duas lindas moças.
Já falhei muito nesse diálogo. Sempre preciso me readaptar e procurar melhorar.
Procurar fomentar atividades que levem ao diálogo e conversa. Promover um ambiente
seguro em que possa haver diálogo, mesmo que seja por smartphone (isso mesmo,
para quem não sabe, dá pra conversar com os filhos, com o marido ou a esposa,
pelo celular).
A tecnologia não cria distâncias por si só; ela apenas
revela ou amplia hábitos que já estavam presentes. Se antes os pais ou os filhos
se refugiavam no trabalho, na leitura, nos estudos, no lazer ou na televisão,
hoje podem se perder nas redes sociais e em muito mais coisas. O problema não é
o meio, e sim a prioridade. A sociedade está mudando, e com ela mudam as formas
de interação. Porém, princípios não mudam: filhos continuam precisando de
presença, escuta e amor. Precisam de segurança e não somente de críticas: “você
fez, isso, não fez aquilo”; “você não estuda”, “seus amigos são ruins”, “você
nunca faz o que te peço”, “você precisa crescer”... Isso nunca resolveu nada e
não o fará.
Não culpe a tecnologia pelo que é responsabilidade sua. Use
a tecnologia como ponte, não como barreira. Envie mensagens, faça chamadas,
compartilhe momentos. Mas, acima de tudo, esteja presente de verdade. Dizem por
aqui que na falta de “tempo em quantidade” é preciso ter “tempo de qualidade”.
Mentira. Tempo de “qualidade” é o que vem em “quantidade”. Se a família e Deus
são prioridades pra você, você vai dar um jeito de estar presente. E não se
arrependerá de estar presente. Nunca.
Likes inflam egos e têm criado uma geração vazia, mas likes não
substituem abraços, e emojis não substituem palavras ditas com carinho. Assuma
a culpa (ou responsabilidade) que é sua. Este é o primeiro passo para a busca
do perdão, do entendimento e do diálogo. Não terceirize a culpa, não adianta.
Busque a solução. Busque orientação em Cristo. Busque aconchego e acolhimento
no seu lar e na sua igreja.
Oração:
Senhor, ajuda-me a ser presente na vida dos meus queridos. Não
me permita transferir minha responsabilidade para a tecnologia, mas use cada
recurso para aproximar, nunca para afastar. Dá-me sabedoria para equilibrar meu
tempo e coragem para priorizar o que realmente importa: relacionamentos que
refletem o teu amor, a leitura e o estudo da tua Palavra e a presença em tua casa.
Amém.
Jarbas Hoffimann
Leia em sua Bíblia Provérbios 2.26
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