domingo, 25 de janeiro de 2026

Sigam-me

Graça e paz da parte de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

Amados em Cristo,
o texto do evangelho para este terceiro domingo após a Epifania nos coloca diante de um movimento muito claro do ministério de Jesus.
Mateus nos diz que Jesus começa sua pregação com uma frase curta e direta: “Arrependam-se dos seus pecados porque o Reino do Céu está perto!” (Mt 4.17). E logo em seguida, ele chama pessoas comuns — pescadores — para segui-lo.
Esse texto nos mostra duas coisas fundamentais: quem nós somos diante de Deus e quem Cristo é e o que ele faz por nós. Aqui precisamos ouvir bem a distinção entre lei e evangelho.
Primeiro, a lei.
O chamado ao arrependimento não é um convite leve ou simbólico. Não é uma simples tentativa ou vontade de mudar.
Jesus diz: “Arrependam-se”. Isso significa reconhecer que algo está profundamente errado.
A lei revela que nós, por natureza, preferimos as trevas à luz. Vivemos como quem está ocupado demais com as próprias redes, com os próprios barcos, com os próprios planos. Mesmo quando ouvimos a palavra de Deus, muitas vezes pensamos: “Depois. Agora não. Ainda não”.
O texto diz que o povo “vive nas trevas” (Mt 4.16). Essa não é apenas uma descrição do mundo antigo. É um retrato honesto do nosso coração hoje.
Trevas não são apenas grandes pecados visíveis, mas também a autoconfiança, a indiferença espiritual, a tentativa de conduzir a própria vida sem depender de Deus.
A lei nos mostra que, se dependesse de nós, não seguiríamos Jesus. Continuaríamos lançando as redes como se nada estivesse acontecendo.
E isso tudo nos leva a perceber que sem Deus e sem a salvação em Cristo Jesus, estamos perdidos em nossos pecados. Não há saída em nós mesmos e nem em nossos esforços. Sem Jesus só há condenação quando esta vida terminar. Sem segundas chances. Sem purgatório. Sem salvação eterna.
Então vem o evangelho — e ele vem com força.
Jesus não espera que as pessoas saiam das trevas por conta própria.
Mateus é muito claro: a luz aparece primeiro. Cristo vai para a Galileia, para a região desprezada, para o lugar esquecido. Ele caminha até onde as pessoas estão. Ele não diz: “Melhorem e depois venham”. Ele diz: “Sigam-me”.
Quando você sentir-se inferior, lembre-se: Jesus não chama pessoas capazes, mas pessoas que precisam ser chamadas.
Ele não escolhe os discípulos porque eles têm algo a oferecer, mas porque ele mesmo, nosso Salvador, tem algo a dar. Ele chama e, no próprio chamado, cria fé, cria um novo caminho, cria uma nova identidade. “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”.
O reino dos céus está próximo não porque nós nos aproximamos de Deus, mas porque Deus se aproximou de nós em Cristo. Esse reino chega em palavras e chega em ações: Jesus ensina, anuncia e cura. Ele carrega sobre si o pecado, a culpa e a morte que pertenciam a nós. A luz que brilha na Galileia é a mesma luz que brilha na cruz, onde Cristo entra nas trevas mais profundas para nos resgatar.
E isso muda tudo.
Agora, seguir Jesus (ser discípulo) não é uma condição para ser aceitos por Deus, mas o resultado de já termos sido alcançados por sua graça.
As redes ficam para trás não para comprar salvação, mas porque já fomos libertos. Nesta liberdade, viveremos nossa vida cristã dedicada ao Senhor, sem culpa, pois ele nos libertou.
Por isso, quando hoje ouvimos novamente o chamado de Jesus, ouvimos também sua promessa. Ele continua vindo até nós por meio da Palavra e dos Sacramentos. Na santa ceia, ele mesmo nos serve com seu corpo e sangue, dizendo: “Por vocês”. Ali, o reino dos céus está realmente próximo — tão próximo quanto o pão e o vinho que recebemos.
Assim, vivemos como discípulos não por força própria, mas sustentados pela graça. Caímos, sim. Vacilamos, sim. Mas seguimos confiantes naquele que nos chamou e que é fiel. A luz continua brilhando. O reino continua vindo. E Cristo continua dizendo a cada um de nós: “Sigam-me”.
Amém.

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