sábado, 1 de maio de 2010

Precisamos do Senhor para chegar ao irmão

At 11.1-18
5º Domingo de Páscoa

Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).


A Paz do Senhor Jesus esteja com todos vocês. Amém!

Queridos irmãos em Cristo, ao ler o texto de Atos, me veio à mente situação pela qual passam os pais. Eles querem fazer seus filhos comer coisas saudáveis. Então insistem na beterraba, nos legumes, nas carnes, feijão e arroz. Mas os filhos insistem em não comer.

Obviamente para Pedro era algo mais complicado que simplesmente não gostar de abóbora. Ele tinha aprendido e vivido toda a sua vida sabendo o que poderia comer ou não. Quais animais eram puros e quais eram impuros. Qual era a forma correta de matar um boi para poder comer e quais partes não poderiam ser comidas. Tudo isto está registrado em regras no Antigo Testamento. Regras que previam também com quais pessoas os judeus poderiam sentar-se para comer.

Ainda hoje tais costumes persistem entre judeus. E até mesmo entre aqueles que aceitaram  Jesus como o Messias. Por exemplo, a Igreja Cristã Messiânica, se apresenta assim:

acts5bhb4“O Ministério Ensinando de Sião é uma associação, sem fins lucrativos, composta por não-judeus, descendentes de judeus e judeus que crêem ser Yeshua HaMashiach (Jesus, o Cristo) o Messias de Israel e Salvador da humanidade que foi enviado por D´us há 2000 anos como “Ben Yosef” (Filho de José ou Filho do Homem) e que em breve voltará com seus santos em Jerusalém como “Ben David” (Filho de David) ou Rei dos reis, o Sar Shalom (O Príncipe da Paz) trazendo redenção e paz para os da Casa de Israel e para todas as nações.

Esta igreja ensina a viver de modo semelhante à vida que Pedro levava, conforme descrito no texto de Atos.

Quanto aos costumes das comidas vejam o que escrevem:

Nós judeus messiânicos procuramos seguir o cardápio bíblico (do Antigo Testamento). ... Fazemos por fé e D-us nos abençoa...

...se um gentio crente, quiser comer a comida de Levítico 11, eu pergunto: Quem sai ganhando? A saúde dele, claro! Ele como gentio não tem obrigação de guardar a comida kasher, mas se ele, por fé, quiser guardar, a saúde dele ganha. Costumamos fazer uma brincadeira dizendo: Se o gentio não judeu, quiser comer todos os “bichos” e coisas que não podem comer de acordo com a bíblia, ele pode? Sim, pode, respondemos. Só que irá para o céu mais cedo! ... Tudo é uma questão de fé; O Pensamento judaico diz: D-us falou? Então, faça e não discuta!

Perceberam a diferença da recomendação Bíblica?

Os apóstolos disseram que não precisávamos mais seguir regras quanto à alimentação. Nenhum de nós. Nem judeus nem gentios. Nós estamos livres. Embora nem tudo convenha comer. Ninguém vai comer peixe estragado, por exemplo...

E nós, que somos livres, às vezes queremos fazer os outros seguirem nossas tradições cristãs. E quais seriam estas?

Vestimentas litúrgicas, disposição dos bancos, quantas velas vão sobre o altar, calendário litúrgico, etc... E muitas vezes nos apegamos ao que realmente nem seria necessário. Muitas das disputas da igreja foram em torno dos adiáforos.

Adiáforos são aquelas coisas que Deus nem ordena, nem proíbe. Como, por exemplo, a forma de batizar.

O Senhor só mandou batizar. “vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Deus não deu a forma, deu a ordem: batizem. Agora se vamos fazer isso com um pouquinho de água, numa piscina ou no rio, aí vai do bom-senso e da oportunidade.

Para reforçar este exemplo, lembro o primeiro catecismo da história da Igreja, o Didaqué. Nele, sobre o batismo, há a seguinte afirmação (Capítulo 7.1-3):

“Quanto ao batismo, faça assim: ... batize em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Se você não tiver água corrente, batize em outra água. Se não puder batizar com água fria, faça com água quente. Na falta de uma ou outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.”

Este texto reflete a prática dos primeiros cristãos e não podia ser mais claro quanto ao que é importante. O importante é batizar conforme o Senhor mandou e com água.

Mas por aí se ouve que batismo tem que ser no rio (nas águas). Batismo tem que ter isso ou aquilo e assim, vamos criando regras onde o próprio Deus não as criou.

Aquela roupa serve... Aquela outra não... O templo tem que ser assim... As caixas de som têm que estar daquele jeito. E assim vamos criando regras para nós mesmos, quando o Senhor não nos deu regras.

Vamos entender muito bem tudo isso: A tradição é muito boa, desde que compreendida. Nossos costumes litúrgicos nos ajudam a entender e acompanhar todo o plano da Salvação, começando com as promessas do Salvador viria e terminando com as promessas do Salvador que voltará. Os hinos do Hinário Luterano, que estamos usando hoje, expressam a fé daqueles cristãos que os escreveram. Em momentos alegres ou tristes e assim nos ensinam a perseverar na fé também. Em alguns hinos parece que falta só o amém.

É preciso, como todos sabemos, que tudo seja feito com “decência e ordem”, segundo a Palavra de Deus. E a palavra de Deus nos manda buscar o descrente. Assim como o Senhor mandou Pedro buscar aqueles que eram considerados impuros pelos judeus.

Não foi fácil para Pedro. Ele precisou livrar-se de todas as tradições, que agora eram inúteis. De tudo aquilo que ele tinha aprendido a vida inteira. Para poder sentar-se e comer com os não judeus, como irmãos na fé.

Superar a velha natureza humana com suas teimosias e egoísmos nunca é fácil. Mas é necessário.

É necessário sabermos o que é o mais importante. E Pedro aprendeu. Não resistiu à orientação do Senhor e pode ver o Espírito Santo trazendo outros para a fé.

Como aqueles foram trazidos, nós também fomos. E o Senhor nos reenvia para levar a Palavra a todos os lugares. Sempre com os olhos na mensagem que é a mais importante:

O Senhor Jesus morreu por você e te dá a salvação. Creia no Senhor Jesus e você será salvo. Quando testemunhamos é importante saber: não estamos levando a Igreja Luterana, embora ela vá conosco, pois faz parte de nós.

Quando testemunhamos, levamos Jesus Cristo e então nos faremos fracos com os fracos e fortes com os fortes. Faremos tudo, para de todas as formas ganhar o maior número possível para o Senhor.

Pois quando o Senhor revelou a Pedro que tinha purificado todas as coisas, revelou também que a fé em Cristo nos torna puros diante de Deus. Sendo nós judeus, gregos, brasileiros, africanos, ricos, mendigos, velhos ou novos.

Somos um em Cristo. E esta fé nos salva.

O Senhor quer dar esta fé a muitos.

Que o Senhor nos abençoe e nos faça ver cada um como um irmão que precisa do Senhor, assim como nós também precisamos. Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Iguaçu-RJ

Soli Deo Glória