domingo, 24 de outubro de 2010

Eu fiz o meu melhor

2Tm 4.6-8,16-18
22º Domingo após Pentecostes


Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

Sl 50.1-15 / Gn 4.1-15 / 2Tm 4.6-8,16-18 / Lc 18.9-17

Irmãos no Salvador, que a paz do Senhor esteja com vocês.

Quero propor duas situações:

Na primeira, um aluno muito inteligente, aproveita sua inteligência para não estudar. Ele é capaz e se contenta em tirar um 9,0, mesmo sem estudar.

Seus professores gostam de suas notas. Seus pais gostam de suas notas, mas as notas refletem a sua preguiça. Ele poderia facilmente, com um pouquinho de esforço chegar ao 10.

Outro aluno, com muitas dificuldades, estuda de madrugada, porque trabalha o dia todo para ajudar a família. Esse, com todo o esforço, tirou um 6,5. Também dá pra passar, mas ele está no limite...

O que estas histórias têm a ver com o texto de Paulo a Timóteo?

Vejamos:

MOMENTO-DE-REFLEXAO-SOBRE-VELHICE “6Quanto a mim, a hora já chegou de eu ser sacrificado, e já é tempo de deixar esta vida. 7Fiz o melhor que pude na corrida, cheguei até o fim, conservei a fé. 8E agora está me esperando o prêmio da vitória, que é dado para quem vive uma vida correta, o prêmio que o Senhor, o justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos os que esperam, com amor, a sua vinda.”

Paulo diz a Timóteo: fiz o melhor que pude. Assim como aquele segundo aluno. Mesmo assim, ele está esperando seu martírio, por causa do evangelho.

E em nossa vida? Quantas vezes nós nos contentamos com o bom, quando poderíamos ter alcançado o ótimo?

Aquele primeiro aluno estava contente com o bom que, de fato, aos olhos dos outros, já era ótimo, mas pra ele não era. Aquele 9 expressava não o seu esforço, mas a sua preguiça e seu contentamento com o que já está bom as olhos dos outros.

Paulo nunca se contentou com o “está bom” e por isso, no fim de sua vida, alegremente ele pode esperar sua morte, olhar para traz e dizer: “fiz o melhor que pude”.

Se você olhar para trás agora, poderá dizer: eu fiz o meu melhor...? Tomara que sim!

É óbvio que Paulo está falando da vida cristã e para nós não podia ser diferente. Então, se você olhar para trás agora, poderá dizer: desde que Jesus me salvou, eu fiz o meu melhor...? De novo, tomara que sim!

Fazer o melhor não é não pecar. Mas, ao pecar, buscar abrigo no perdão do Senhor.

Fazer o melhor é usar os dons para a honra e glória do Senhor, sem ficar cobrando por isso. Fazer o melhor é viver na Palavra de Deus e ensinar a Palavra às pessoas que eu tenha oportunidade. Como disse o próprio apóstolo Paulo: “pregue a mensagem e insista em anunciá-la, seja no tempo certo ou não. Procure convencer, repreenda, anime e ensine com toda a paciência” (2Tm 4.2).

Em nossas vidas, fazendo o melhor, muitas vezes não seremos capazes de alcançar o objetivo. Outros vão olhar pra gente e desdenhar de nós. Nos olharão como incapazes, mesmo que empenhemos todo o nosso esforço. Mesmo que passemos noites acordados. Mesmo que nos desgastemos em sofrimentos e angústia... Muitas vezes, nos olharão como aquele menino esforçado que apenas conseguiu tirar o 6,5 para passar. Olharão e dirão: coitado. Esse aí nunca será ninguém. É preguiçoso. Olha só as notas dele.

Felizmente o Senhor nos olha com outros olhos. Ele olha por meio de Jesus Cristo. E por Cristo, a nossa vitória é completa, porque é a vitória de Jesus sobre mundo, morte e inferno.

Ou, como diz o apóstolo Paulo: “Em todas essas situações temos a vitória completa por meio daquele que nos amou.” (Rm 8.37).

Não apenas vitória financeira.

Não apenas vitória sobre os inimigos ou os problemas. Mas vitória completa.

Este texto de Romanos traz uma palavra que nunca foi suficientemente bem traduzida. Pois nada que temos em português pode expressar o que diz Paulo aos Romanos. A versão Revista e Atualizada da Bíblia de Almeida fala em “mais que vencedores”, mas também é mais do que isso.

A palavra é u`pernikw/men. É a composição e duas palavras: u`per que é a palavra que dá origem ao nosso “hiper”, ou o “super” do inglês. E nikw/men, que vem de nika,w, e que significa “vencer, conquistar, prevalecer”.

Um sentido aproximado seria: “prevalecer completamente”, ou ter a “mais gloriosa das vitórias”.

Então...

Mesmo que não consigamos ser suficientemente bons aos olhos os outros, o Senhor Jesus é bom por nós. É nele que confiamos e é ele que nos confere a vitória plena.

É por causa dele que podemos olhar para traz e, apesar de nossos pecados, dizer: eu fiz o melhor que pude.

Mas nãos e enganem. A atitude é de procurar viver da melhor forma possível. É procurar viver uma vida de testemunho. É procurar andar no Senhor todos os dias. É procurar testemunhar. Orar, ser bons filhos, bons pais, e tudo mais...

É como se estivéssemos no meio do mar, sozinhos, tentando não afundar. Nós continuaríamos nadando e nadando, fazendo o nosso melhor, até que, por fim, afundaríamos.

Muitas vezes afundaremos em nossos pecados, mesmo querendo fazer o melhor. Isso também nos lembra Paulo em Rm 7.19: “não faço o bem que quero, mas justamente o mal que não quero fazer é que eu faço.”

Mas quando afundamos no pecado, temos a quem recorrer e dizer: Senhor, eu pequei, mesmo querendo fazer o meu melhor. Me perdoa e me salva...

apostolo_paulo_escrevendo Aí, no fim de nossas vidas, confiando no Senhor e não em nossas forças, poderemos olhar para trás e dizer com o apóstolo: “Fiz o melhor que pude na corrida, cheguei até o fim, conservei a fé. E agora está me esperando o prêmio da vitória, que é dado para quem vive uma vida correta, o prêmio que o Senhor, o justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos os que esperam, com amor, a sua vinda.”

Por causa de Jesus, herdamos a vida eterna. Pois o Senhor olha nossa fé e, mesmo que o mundo nos veja como um derrotado, o Senhor nos vê como aquele que tem a vitória mais que completa, por causa de Jesus. Aquele que não simplesmente fez o melhor, mas fez tudo o que era necessário para a nossa salvação.

Que o Senhor nos conserve na fé em Jesus até o fim.

Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Iguaçu-RJ

Soli Deo Gloria

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Salmo 139 - Ponto Cristão


Há pessoas que buscam por opções para decorar suas casas e igrejas, fazendo bordados. Entre os mais populares, está o Ponto-Cruz.
Aqui vamos oferecer vários recursos inéditos para você que queira bordar, juntar grupos na sua igreja, enfeitar estandartes e tudo que sua imaginação criar.
No primeiro, bordado, os 5 primeiros versículos do Salmo 139, na Bíblia Nova Tradução na Linguagem de Hoje.

domingo, 12 de setembro de 2010

Deus não olha o seu passado

1Tm 1.5-17
16º Domingo após Pentecostes


Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

Sl 119.169-176; Ez 34.11-24; 1Tm 1.5-17; Lc 5.1-10


A Paz do Senhor esteja com todos vocês. Amém.

Querido irmão em Cristo...

O que é que vocês estavam fazendo ontem às 11 horas e 3 minutos da manhã? O que foi que vocês comeram anteontem? Quais as pessoas que vocês viram na última terça-feira? Como foi sua vida no passado?

Pode ser que vocês não se lembrem de muitas coisas. Mas também certamente há outras que vocês não conseguem esquecer. Talvez uma grande alegria... Talvez uma grande tristeza... Talvez um pecado que os atormenta ou uma briga que ficou mal resolvida. E ficou na linha do tempo de nossa vida.

Cada um de nós sabe que para Deus o tempo não existe. Ele é eterno. E sobre Deus, o apóstolo Pedro diz: “Meus queridos amigos, não esqueçam isto: para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia.” (2Pe 3.8)

olhar para trás Para Deus não existe passado, nem futuro, pois em sua eternidade tudo é sempre presente. Ele conhece nosso ontem melhor do que nós conhecemos nosso hoje. Sabe antes de nascermos o que faremos amanhã. Ele sabe se seremos salvos ou condenados ao inferno. Por isso ele chama todos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo. Porque ele quer salvar a todos.
Mas será que Deus quer a nós também?
Será que, por aquilo que fizemos no passado, merecemos ser salvos?
Muitas pessoas se deparam com estas perguntas e começam a pensar em seu passado:
— Eu fiz isso ou aquilo e Deus não me aceitará por causa do pecado!
— Será que Deus me quer mesmo eu tendo sido um ladrão?

— Será que Deus me quer, mesmo eu tendo traído minha esposa?

Notem que estes exemplos não tratam de pessoas que ainda roubam ou que ainda são infiéis. Mas sim pessoas que cometeram pecados e se arrependeram.

Será que Deus aceita estas pessoas, apesar de sua vida passada?

É claro que sim!

E isso porque “Deus não olha para o passado de ninguém, mas ele olha pro presente.”

Ele não quer saber se você pecou. Quer saber se você está arrependido e não vai pecar mais.

Ele não quer saber se você não tinha fé em Cristo. Quer saber se você agora crê.

Deus não conta os pecados de quem se arrepende. “Ele apaga o pecado do pecador que se arrepende.” Como diz o Sl 51.1: “Por causa da tua grande compaixão apaga os meus pecados.”

Deus apaga os pecados do pecador arrependido, assim como apagou os pecados de Paulo. O apóstolo era um perseguidor de cristãos. Ele queria acabar com todos.

Deus não olhou para o passado de Paulo.

Deus ofereceu perdão a Paulo e ele arrependeu-se e creu em Jesus Cristo. Deus não olhou pro passado de Paulo, mas para o presente e o futuro que ele teria como grande missionário da fé em Jesus Cristo.

Na própria opinião de Paulo ele não se achava digno de sequer crer em Jesus, muito menos de ser sua testemunha e apóstolo.

Realmente Paulo não era digno, mas ninguém é digno de ser chamado filho de Deus. Assim nos lembra Ec 7.20: “Não existe no mundo ninguém que faça sempre o que é direito e que não erre.”

Mas graças a Deus ele não olha nossa vida no passado. E também não é nossa vida que nos torna dignos da salvação. A fé em Jesus é que faz isso: Quem crê em Jesus Cristo tem a vida eterna. (Jo 3.36; 6.47).

Por pior que você pense ter sido seu pecado. Em Cristo há perdão, vida e salvação. Pois Deus, pela fé em Jesus Cristo, perdoa seu pecado. Seja ele qual for. E te dá novas forças para seguir sem pecado. Assim como ele disse à mulher adúltera em Jo 8.11: “Vá e não peque mais.” Disse também ao paralítico curado em Jo 5.14: “Escute! Você agora está curado. Não peque mais, para que não aconteça com você coisa ainda pior.”

Se Cristo perdoou Paulo que o perseguiu. Perdoou Pedro que o negou. Perdoou a mulher adúltera e muitos outros de má fama... Porque este Senhor tão maravilhoso não perdoaria também o nosso pecado? Seja ele qual for...

Deus não olha para o seu passado. Ele olha para o seu presente. Vê se você tem fé em Cristo e se está arrependido de seus pecados. Vendo isso, ele te dá a salvação eterna.

Mas porque ele faz isso de graça?

Porque é um Deus de amor e misericórdia. É um Deus justo e compassivo. Esse é o nosso Deus Pai, nosso Deus Filho Salvador e nosso Deus Espírito Santo. Um único e verdadeiro Deus que vem a nós na sua Palavra, na Santa Ceia e no Batismo. O Deus de Abraão, Isaque e Jacó. O meu Deus e o Deus de todo que nele crê.

a-mulher-de-lo2-300x300 É o Deus que quer operar a salvação em cada um de nós e também por meio de nós chegar a outros.
Assim como Deus não olha nosso passado, ele também não olha o passado de ninguém para dar a Salvação. Por isso ele quer que nós falemos de nossa fé.
Tantos falsos profetas estão falando por aí. Vendendo suas porcarias ditas milagrosas e protetoras. E nós que temos a fé que salva, muitas vezes ficamos calados.
Esqueça seu passado. O pecado está perdoado. Levanta, segue o seu caminho e não peque mais. E Jesus te convida para essa tarefa maravilhosa de salvar almas.
Venha à igreja, faça sua oferta, cante a Deus e depois, vá ao mundo e conte tudo o que Deus tem feito por você. Como ele tem te dado fé, saúde, comida, trabalho. Paciência no sofrimento e tantas outras coisas.

Assim, mais e mais pessoas serão salvas. E nós todos juntos receberemos a herança eterna, garantida pelo Sangue de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Que Deus nos abençoe. Amém!

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus.” (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Iguaçu-RJ

Soli Deo Gloria

sábado, 4 de setembro de 2010

Que o amor de Cristo nos torne irmãos na fé

Fm 1-21
15º Domingo após Pentecostes


Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

Sl 1; Dt 30.15-20; Fm 1-21; Lc 14.25-35


A Paz do Senhor esteja com todos vocês. Amém.

Queridos irmãos no Senhor Jesus.

Temos diante de nós o texto de Paulo a Filemom.

Paulo está preso, talvez em Roma ou em Cesareia. E nesse tempo ele conheceu Onésimo.

Onésimo era um escravo de Filemom que, provavelmente tinha fugido do seu senhor. E ao ouvir a mensagem do evangelho, esse escravo fugido começa a crer no Senhor Jesus.

O apóstolo não acha correta a fuga e resolve mandar o escravo de volta. Mas como resolver a situação?

Lembremos que era uma época em que se permitia ter escravos, mesmo que muitos pensassem que era errado.

crianca-que-ora O apóstolo, com a sabedoria do Senhor, resolve a situação de uma maneira maravilhosa. Ele não entra em critérios das leis do país. Paulo não discute os direitos que as leis daquele tempo, davam para um dono de escravos fugidos. Paulo aplica a maior de todas as leis, a Lei do Amor. E por esta lei, Paulo se sente à vontade para pedir a Filemom: “receba Onésimo de volta como se você estivesse recebendo a mim mesmo.” (v. 17).
Paulo, como irmão na fé, pede que Onésimo, agora não seja mais recebido como escravo, mas que seja recebido como irmão na fé. E assume até mesmo prejuízos que Onésimo possa ter dado a Filemom.
O que este texto tem a ver conosco?

Se falarmos da questão escravo e senhor, tem muito pouco. Mas considerando a situação apresentada, o texto tem muito a nos ensinar sobre o amor ao próximo. Na prática e não na teoria.

1. Amor independente da situação que se está vivendo. Paulo estava preso e, por amor, intercede por Onésimo.

2. Amor independente da situação da outra pessoa. Onésimo era um escravo fugido. E como escravo, desprezado por muitos.

3. Amor independente do que os outros poderiam alegar. Paulo intercede por um escravo fugido, mesmo que a lei estivesse a favor dos castigos que o escravo poderia sofrer.

4. Amor que leva a tentar resolver uma situação difícil. E Paulo faz isso com todo o carinho. Não procura impor nada. Mesmo podendo exigir, como afirma “eu sei que tenho o direito de exigir o que você deve fazer.”

Por amor a Onésimo e Filemom, Paulo espera que os dois irmãos se entendam. E o que une os dois é o mesmo que une a nós como Comunidade Cristã: é o amor a Jesus Cristo e o amor de Deus por nós, como nos lembra o apóstolo: “Peço a Deus que a fé que une você a nós faça com que compreendamos mais profundamente todas as bênçãos que temos recebido na nossa vida, por estarmos unidos com Cristo.”.

Acima dos problemas que possam aparecer, a vida cristã é união permanente do povo de Deus com Cristo Jesus. Esta união com o Salvador também nos une como irmãos numa mesma fé.

É nessa união e nesse amor que o apóstolo Paulo se sente no direito e na obrigação de tentar resolver uma situação ruim entre Onésimo e Filemom.

Queridos irmãos em Cristo.

Em nosso meio também aparecem discórdias. Mas será que elas valem perder um irmão em Cristo?

Em nosso meio também aparecem ideias divergentes, mas será que elas são maiores do que o amor que nos une ao mesmo Salvador e Senhor?

Será que nós vemos no outro um irmão na fé, ou alguém a ser superado e suplantado?

A semente da discórdia é plantada pelo inimigo. Às vezes por uma palavra mal compreendida. Às vezes por uma reação desmedida. Às vezes por ignorar o irmão que passa do nosso lado. E por tantas outras situações que nos machucam tanto.

uma rosa com amor É muito fácil destruir amizades e destruir aquilo que nos une. Não que Cristo seja fraco, mas é que nós fraquejamos. Nós, em vez de procurarmos resolver as situações, como foi o caso de Paulo, Onésimo e Filemom, procuramos nos livrar da situação difícil, passando de longe. Mas isso não resolve.

Porque onde há ofensa, precisa aparecer o perdão. Onde há rancor, precisa aparecer a suavidade do Senhor, para limpar nosso coração. Não é possível que dois irmãos na fé não se cumprimentem. Porque são irmãos e precisam, em amor, aprender a lidar com as diferenças.

Essa foi a atitude de Paulo, Filemom e Onésimo.

E o texto bíblico de hoje nos ensina que precisamos aprender agir com amor por todos. Sejam eles do nosso círculo de amizades ou sejam conhecidos por causa da igreja.

Paulo podia simplesmente esbravejar sua autoridade pra cima de Filemom, mas ele não o faz. Muito ao contrário o apóstolo é humilde e pede que Filemom leve em consideração o amor mútuo e o amor de Cristo por todas as pessoas.

Paulo age com brandura. Ele não busca mostrar razão, mas apresenta o amor de Jesus.

Que bom se nós sempre pudéssemos agir assim! Que bom se sempre víssemos no outro um alvo de nosso amor! Naquele que está sentado do nosso lado. Naquele que trabalha conosco. Naquele que encontramos na escola.

Quero encerrar esta mensagem com a oração de São Francisco. Um texto escrito também demonstrando muito amor ao próximo.

A oração diz:

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz;
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Que possamos ser assim. Amando porque Deus nos amou. Perdoando porque Deus nos perdoou, e na certeza que, mesmo morrendo, viveremos para a vida eterna. Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus.” (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Iguaçu-RJ

Soli Deo Gloria

sábado, 21 de agosto de 2010

O pai que ama, corrige

Hb 12.4-24
13º Domingo após Pentecostes


Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

Sl 50.1-15; Is 66.18-23; Hb 12.4-24; Lc 13.22-30


A Paz do Senhor esteja com todos vocês. Amém.

Queridos irmãos em Cristo.

Está em tramitação, em nosso congresso, uma lei que vai novamente afetar as relações familiares. Estamos caminhando para uma estatização dos filhos. Parece que os pais não devem mais ter responsabilidade sobre os filhos. O governo está tomando, à força de leis, o direito sobre as crianças.

Ainda esta semana li um comentário sobre a lei das palmadas, que afirma:


 “A lei contra as palmadas introduz dentro de casa um ‘olhar soturno do governo’ que ficará perpetuamente entre os pais e as crianças como um protetor dela (da criança) contra eles (os pais). Criará a impressão de que, no fundo, os pais são maus e o Estado é bom. Salta aos olhos que o verdadeiro dono dos filhos será o Estado. Pasmo ao imaginar que o Estado, que é favorável ao aborto, vira protetor dos filhos contra os pais! Aliás, já existem leis preconizando a permanência dos filhos doze horas na escola logo a partir dos 3 ou 4 anos de idade. É a formação estatal, comunitária, igualitária, que torna a família desnecessária e a transforma em mera ‘chocadeira’ para novos cidadãos.”

Não quero defender espancamentos. Isso é crime. Todo pai e mãe verdadeiro sabe. Mas é muito simplista afirmar que toda palmada é agressão. Que a pessoa ficará marcada para o resto da vida e que isso gerará um comportamento violento.

PMDCG031O comportamento violento que estamos vivendo vem exatamente da ineficácia de nossos governos em sanar problemas como educação e segurança. Ou na impressão que as autoridades passam de que ninguém será condenado, faça o que fizer.
Mas o tema da disciplina responsável de pais para com os filhos me saltou aos olhos quando li novamente Hebreus 12.(5-6):
“Preste atenção, meu filho, quando o Senhor o castiga, e não se desanime quando ele o repreende. Pois o Senhor corrige quem ele ama e castiga quem ele aceita como filho.”
O pai corrige porque ama. Porque corrigir é difícil e dá trabalho. É muito mais fácil deixar a pessoa fazer o que quiser e arcar com as consequências. Mas corrigir é necessário.
O pai, mostra o caminho certo. Esta é a função de nós pais e mães. Não é função estatal. Não é função da Igreja. Nós Pais é que precisamos cuidar e cuidar bem dos nossos filhos. E fazendo o melhor, pode ser que ainda não fique como esperávamos. O que não significa que foi falha do pai ou da mãe. O ser humano tem a infeliz capacidade de buscar o erro sozinho, mesmo que seja orientado para o bem.
De maneira semelhante, o Senhor nos exorta, pois fomos chamados, em Cristo, para ser seus filhos. O Pai nos repreende e aponta o caminho certo a seguir. E quando preferimos seguir longe dele, a culpa não é do Pai. Ele faz todo o necessário para nos ter perto de si:
Ele no deu a vida e sustenta. Enviou Jesus Cristo, que morreu para nos dar perdão dos pecados. Enviou o Espírito Santo, que nos dá a fé e conserva na fé. Nos orienta por meio de sua Santa Palavra e nos alimenta e preserva diariamente.
Queridos irmãos em Cristo.
Ninguém gosta de ser corrigido, mas a correção é necessária. Outro dia li a seguinte frase: “o pai que leva seu filho à Igreja, não terá que busca-lo na cadeia.” Embora não se possa concordar com a totalidade desta afirmação, ela traz algo de verdade: se educando no caminho de Deus, as pessoas ainda podem escolher o lado mau, imaginem se elas nunca tiverem a orientação certa!
Diz a palavra do Senhor (Hb 12.8): “Se vocês não são corrigidos como acontece com todos os filhos de Deus, então não são filhos de verdade, mas filhos ilegítimos.”

Julgamento de salomão - dividir a criança ao meioLembram das duas mulheres que brigavam pela mesma criança, diante de Salomão? Quando Salomão mandou cortar a criança no meio a ladra disse: “Podem cortá-lo em dois pedaços! Assim ele não será nem meu nem seu.” (1Rs 3.26).
O verdadeiro pai jamais fica tranquilo com a ruína de seus filhos. Por isso Salomão entregou a criança para a verdadeira mãe. E precisamos lembrar que ser pai e mãe é algo maior do que os laços consanguíneos.
Com amor maior do que qualquer laço de sangue, o nosso Pai do céu olha para nós e lembra: “Se me chamarem no dia da aflição, eu os livrarei, e vocês me louvarão.” (Sl 50.15).
O filho, com a bênção do Senhor, vai crescer. O filho de Deus também precisa crescer. O filho vai estudar, casar, sair de casa e viver sua própria vida, constituindo nova família. O filho de Deus, alimentado pela Palavra e pelos sacramentos, também vai crescer na fé. Mas pode ser que enfrente problemas. Pode ser que venham as provações. Pode ser que venham as angústias...

Nesse momento, quando parece que Deus nos abandonou, precisamos ter diante de nossos olhos as palavras do Senhor (Hb 12.10-11: “Os nossos pais humanos nos corrigiam durante pouco tempo, pois achavam que isso era certo; mas Deus nos corrige para o nosso próprio bem, para que participemos da sua santidade. Quando somos corrigidos, isso no momento nos parece motivo de tristeza e não de alegria. Porém, mais tarde, os que foram corrigidos recebem como recompensa uma vida correta e de paz.”

E logo a em seguida a Palavra dá conselhos práticos que também são para nós:

(14) “Procurem ter paz com todos”. (14) “Se esforcem para viver uma vida dedicada ao Senhor”. (15) “Cuidado para não abandonar a graça de Deus”. (16) “Cuidado para não perderem o respeito pelas coisas sagradas”.

É o Pai chamando os filhos para o bom caminho. São orientações que servem muito bem para nós. Pois o Senhor, como um pai, está nos chamando de volta. Para entrar enquanto é tempo.

Depois que for fechada a porta, não adianta ficar batendo do lado de fora (Lc 13.25-26): “Senhor, nos deixe entrar!” ... Pois “Nós comemos e bebemos com o senhor. O senhor ensinou na nossa cidade.”

Na hora que a porta for fechada, o tempo da salvação terá passado. Mas enquanto estamos neste mundo, ainda há tempo para ouvir o Senhor que nos orienta; nos chama; nos exorta e repreende para não ficarmos no erro.

Mesmo que por vezes a orientação pareça dura. É a orientação daquele que nos ama, como um pai que corrige seus filhos. É a orientação que nos trará de volta, como o Filho Pródigo que, arrependido, voltou e foi recebido por um pai amoroso.

Com um amor ainda maior, o nosso Pai do céu nos quer receber hoje e sempre. Para que nós estejamos seguros nessa família da fé. E a Santa Palavra nos diz: creia em Jesus e você será salvo. Creia no filho e seja tornado filho também. Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus.” (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Iguaçu-RJ

Soli Deo Gloria

domingo, 15 de agosto de 2010

Fé em quem?

Hb 11.17-31, 12.1-3
12º Domingo após Pentecostes

 

Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

Sl 119.81-88; Jr 23.16-29; Hb 11.17-31, 12.1-3; Lc 12.49-56

 

A Paz do Senhor esteja com todos vocês. Amém.

Queridos irmãos em Cristo, semana passada, eu comecei a mensagem com uma frase dita pelo jornalista Joelmir Beting, que afirmava:

“Para quem não tem fé, prova nenhuma é suficiente e para quem tem fé, prova nenhuma é necessária.”

Semana passada, também tratamos do tema fé, da perspectiva atual. Em que muitas vezes se tem uma fé sem objetivo. A pessoa diz que tem fé, mas não sabe em quê. Falamos de uma fé desorientada ou mal orientada por pessoas inescrupulosas. E lembramos que muitos têm fé em pessoas e seus poderes e não em Deus.

Mas a pergunta que sempre de novo aparece é: afinal, o que é fé? E a resposta está no início do texto de Hb 11:

“A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.” (Hb 11.1).

Semana passada perguntamos “Fé em que?” E concluímos que a fé só pode ser em Deus e não nos seus discípulos.

E os exemplos disso, são claros, como o acontecido a Paulo e Barnabé, em sua viagem a Listra e Derbe. Eles tinham realizado muitas coisas boas para as pessoas daquelas cidades, então, as pessoas daquele lugar, que adoravam a outros deuses, acharam que seus deuses tinham descido até eles e começaram a festejar Paulo e Barnabé, como deuses.

Os discípulos poderiam ter aproveitado a festa, mas em vez disso disseram: “Amigos, por que vocês estão fazendo isso? Nós somos apenas seres humanos, como vocês. Estamos aqui anunciando o evangelho a vocês para que abandonem essas coisas que não servem para nada. Convertam-se ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que existe neles.” (At 14.15).

Os verdadeiros discípulos do Senhor, sempre vão apontar apenas para Deus e jamais vão ficar se vangloriando de ter feito milagres. Assim como aconteceu com Paulo e Barnabé.

A fé verdadeira é apenas no Deus verdadeiro, que se revelou na Bíblia.

Foi pela fé em Deus que Abraão saiu de sua terra e confiou que seria pai de muitas pessoas, mesmo não tendo filhos perto dos 100 anos.

Ele foi pai de Isaque e foi provado por Deus em sua fé. Pois logo depois do nascimento de Isaque, com o menino já bonito e crescendo, o Senhor pede que Abraão lhe ofereça o próprio filho em sacrifício. E ele vai!

Mas o Senhor lhe diz que não queria o filho, queria provar a sua fé. E Abraão hoje é reconhecido como um dos pais da fé, por confiar que Deus sempre lhe faria o melhor. Como nos diz Rm 8.28: “todas as coisas trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus.”

É fácil ter fé nestas palavras quando tudo vai bem, mas quando o senhor prova nossa fé, quantas vezes vacilamos!

Fé é algo que também se aprende, com os exemplos que outros nos dão. Assim como Isaque seguiu os passos de seu pai e continuou confiando em Deus.

Fé se aprende ao ler a Bíblia, ou ao vir ao culto. Fé se aprende ao ouvir os cristãos mais velhos e às vezes às crianças, com sua fé sem questionamentos.

fe-e-compromisso2Ainda esta semana, uma serva que completava aniversário, fez uma oração na qual dizia: “Deus não prometeu dias sem dor; risos sem sofrimentos; sol sem chuva. Ele prometeu força para o dia; conforto nas lágrimas e luz para o caminho.” E estas palavras tão bonitas, de um autor desconhecido, ganham um sentido profundo nas palavras de um crente experiente. Porque este pode afirmar com toda a confiança, que o Senhor fez mesmo o que prometeu e nunca deixou faltar a força nos dias de fraqueza, o conforto no sofrer e a luz do caminho. Isto é fé.

Isto é fé em Deus que é a única fé que realmente importa.

Vocês já notaram como as pessoas gostam de falar em fé!?

Há muitas músicas populares sobre fé:

“Andar com fé eu vou, a fé não costuma faiá.” Canta Gilberto Gil. E afirma que “Mesmo a quem não tem fé a fé costuma acompanhar. Pelo sim... Pelo não.”

A lógica desta música é a mesma lógica que muita têm. Muitas pessoas se agarram a tudo, pensando poder crer em Buda, Maomé e Jesus Cristo. Buscar ajuda na cartomante, no horóscopo e jogar uns presentinhos pra Iemanjá. Carregam a cruz, ou crucifixo e uma figa para dar sorte.

Quer dizer, se seguram em tudo que aparece, pois ainda não estão seguras na Rocha firme que é Jesus Cristo. Então, “pelo sim, pelo não” colocam sua fé em tudo.

Outra música popular dos anos 90 “Alagados” do Paralamas do Sucesso, também dizia que as pessoas sabem “A arte de viver da fé, só não se sabe fé em quê”.

Ou melhor: fé em quem?

Em quem você crê? Esta é uma pergunta que você precisa se fazer. A fé do seu pai ou da sua mãe não vai salvar você. A fé dos seus filhos também não te salvará. Cada um é responsável pela fé que o Senhor lhe deu.

Abraão creu nas promessas de Deus e foi salvo. Isaque também. Assim como Jacó, pai das 12 tribos de Israel.

E os outros exemplos do livro de Hebreus lembram que Moisés não quis permanecer como príncipe do Egito, mas pela fé, aceitou a tarefa que Deus tinha dado a ele. Pela fé, todo o povo de Israel atravessou o Mar Vermelho. E depois de caminhar pelo deserto, chegou à terra prometida.

É verdade que aquele povo vacilou em sua fé, mas o Senhor sempre o acolheu, quando estava arrependido.

Assim também o Senhor faz conosco, mesmo que tenhamos andado longe dele. Ele nos procura e nos chama de volta. E assim podemos voltar.

Voltar àquele que é o Caminho, a verdade e a vida e permanecer nele. E hoje é o dia da nossa salvação, pois o amanhã pode não existir...

Hebreus simplesmente lembra os nomes de muitos heróis da fé. Mas nós poderíamos colocar muitos outros. Certamente muitos de nossos conhecidos demonstraram ou demonstram uma fé verdadeira em Deus.

E Hebreus termina dizendo: “1Assim nós temos essa grande multidão de testemunhas ao nosso redor. Portanto, deixemos de lado tudo o que nos atrapalha e o pecado que se agarra firmemente em nós e continuemos a correr, sem desanimar, a corrida marcada para nós. 2Conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele quem a aperfeiçoa. Ele não deixou que a cruz fizesse com que ele desistisse. Pelo contrário, por causa da alegria que lhe foi prometida, ele não se importou com a humilhação de morrer na cruz e agora está sentado do lado direito do trono de Deus. 3Pensem no sofrimento dele e como suportou com paciência o ódio dos pecadores. Assim, vocês, não desanimem, nem desistam.”

Nós temos ainda uma multidão muito maior. Mas o nosso grande exemplo e nosso  Salvador é Jesus Cristo. É nele que precisamos crer, para nossa Salvação. É por causa dele que todos os heróis da fé foram salvos.

Eu não posso crer por ninguém e ninguém pode crer por mim. A fé é pessoal e intransferível. Mas ela é compartilhável. Compartilhamos a fé, quando testemunhamos o Salvador Jesus às pessoas ao nosso redor. Assim, a fé que é intransferível, cresce no outro, por meio da ação do Espírito Santo, enquanto crescemos na Palavra do Senhor.

Que o Bondoso Deus, por meio da Palavra, nos aumente dia após dia a fé. E que as dificuldades da vida sejam todas superadas, porque o Senhor anda com os seus. É nele que nossa fé começa e é ele quem nos mantém na fé. É nele que cremos e todo aquele que crê, mesmo que morra, viverá para sempre com Deus. Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus.” (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Iguaçu-RJ

Soli Deo Gloria

domingo, 8 de agosto de 2010

Fé em quê?

Hb 11.1-16
11º Domingo após Pentecostes

Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

Sl 33.12-22; Gn 15.1-6; Hb 11.1-16; Lc 12.22-34

A Paz do Senhor esteja com todos vocês. Amém.

Queridos irmãos em Cristo, hoje quero começar com uma frase dita pelo jornalista Joelmir Beting, no programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes de Televisão.

O Programa passa no fim de domingo e não costuma ser muito assistido, porque as pessoas normalmente não querem discutir assuntos no domingo à noite, preferem o Fantástico, o Gugu e o Sílvio Santos, ou mesmo dormir para acordar cedo na segunda.

Pois bem, num destes programas, no qual se falava sobre fé, o jornalista, lembrando as paixões que o tema fé desperta, antes de chamar o intervalo, disse:

“Para quem não tem fé, prova nenhuma é suficiente e para quem tem fé, prova nenhuma é necessária.”

Muito bem. Falemos então de fé.

“A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.” (Hb 11.1).

Mas a fé tem sido alvo também de muitos ensinos errados:

Coloque sua fé para trabalhar. Exercite sua fé. Faça sua fé crescer. Tenha uma fé poderosa.

Estas são algumas das exortações que ouvimos atualmente.

Notem como a fé vem sendo distorcida. Porque tudo passa para a capacidade humana, como se a fé fosse algo em nós, que nos tornaria capazes de fazer algo, por nós mesmos.

Coloque sua fé para trabalhar. Exercite sua fé. Faça sua fé crescer. E a última: “Tenha uma fé poderosa” é ainda mais estranha.

E quase tudo que se ouve falar de fé, está falando errado.

Fora isso, as pessoas parecem ter hoje uma fé sem objetivo.

Alguns dizem: “tenho fé que vou vencer!” – mas fé em que ou em quem?

Outros apenas dizem ter fé. Mas em que, ou em quem?

A fé que salva... Aquela que Deus nos dá... Aquela fé que salva e poderia mover montanha, caso fosse do tamanho de um grão de mostarda (Mt 17.20)... Esta fé é objetiva. Não é algo que fica pairando no ar, como uma nuvem.

A fé que salva é gerada pelo Espírito Santo, por meio da Palavra e do Batismo. A fé que salva, é sustentada pelo viver na Palavra, no Batismo e pelo participar da Santa Ceia. A fé que salva aponta para Jesus Cristo é diz: “creia em Jesus e você será Salvo” (At 16.31 e mais 23 passagens do Novo Testamento que afirmam a mesma coisa).

É a fé no Senhor Jesus que nos torna justos diante de Deus (v. 2). É pela fé, sem maiores explicações, que compreendemos que tudo que existe (v. 3), existe porque Deus disse: “haja” (Gn 1.3).

Hoje fala-se também de colocar a fé para trabalhar. E isso nada mais é do que os exemplos que nos são dados em Hebreus:

Abel ofereceu um sacrifício melhor (v. 4), pois pela fé, procurou oferecer com sinceridade o melhor que tinha.

Um descendente da sexta geração de Adão, Enoque (v. 5) serviu fielmente a Deus e foi poupado da morte, levado aos céus pelo Senhor, por volta do ano 1000 depois da saída do Jardim.

Foi também por fé que Noé, acreditou que ia chover muito e, mesmo sendo ridicularizado pelos seus contemporâneos, construiu um barco enorme no deserto. E por fé, ele e sua família foram poupados na maior catástrofe natural da história da humanidade.

O que é colocar a fé para trabalhar?

Resposta de Hebreus: “cheguemos perto de Deus com um coração sincero e uma fé firme, com a consciência limpa das nossas culpas e com o corpo lavado com água pura. Guardemos firmemente a esperança da fé que professamos, pois podemos confiar que Deus cumprirá as suas promessas. Pensemos uns nos outros a fim de ajudarmos todos a terem mais amor e a fazerem o bem. Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir às nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros...” (Hb 10.22-25).

Isso é colocar a fé para trabalhar. Isto é exercitar a fé.

Descoberta Espiritual É viver em Cristo e com Cristo diariamente. Crescendo na comunhão e no estudo da Palavra. Como Tiago também sempre é lembrado: “... alguém pode dizer: ‘Você tem fé, e eu tenho ações.’ E eu respondo: ‘Então me mostre como é possível ter fé sem que ela seja acompanhada de ações. Eu vou lhe mostrar a minha fé por meio das minhas ações.” (Tg 2.17-18).
Há uma parábola que fala de fé e que conta:
Um alpinista sempre buscava superar seus desafios.
Depois de muito preparo, resolveu escalar o Aconcágua. E como queria a fama apenas para si, resolveu fazer a escalada sozinho.
Então ele foi subindo. Porém o dia foi passando sem ele perceber e foi ficando escuro. E ele não achou que fosse demorar tanto, por isso nem se preocupou em local pra acampar. E nos apetrechos.
Por isso segui subindo.
Escureceu e não era possível enxergar um palmo à frente do nariz.

Não via absolutamente nada, não havia lua, tempo nublado, sem estrelas. Toda civilização e suas luzes muito distantes para iluminar.

Então, de repente, ele escorregou e caiu vertiginosamente. A sua corda de segurança ia se soltando grampo após grampo e parecia que não ia mais parar.

Nesses momentos angustiantes, passaram por sua mente todos os momentos felizes e tristes que ele havia vivido em sua vida. De repente, ele sentiu um puxão forte que quase o partiu pela metade. Finalmente a corda de segurança, tinha ficado fixa.

Naquele silêncio, suspenso pelos ares e na escuridão completa, não sobrou nada a fazer, se não gritar. E clamou por Deus:

— Ó meu DEUS, ajude-me!!!

De repente uma voz grave e profunda vindo do céu respondeu:

— O que você quer de mim, meu filho?

– Me salve meu DEUS, por favor!!

E DEUS respondeu:

— Você realmente acredita que possa te salvar?

E o alpinista respondeu:

— Eu tenho certeza meu DEUS!

E DEUS respondeu:

Vida — Então corte a corda que te mantém pendurado...
Houve um momento de silêncio e reflexão. O homem se agarrou mais ainda à corda e refletiu que se fizesse isso morreria...
O pessoal de resgate conta que no outro dia encontrou o alpinista congelado, morto, agarrado com força, com as duas mãos a uma corda... tão somente, a dois metros do chão...

Queridos irmãos.
Alguns dizem que esse seria o “salto da fé”. Alguns de nós concordaríamos que isso sim é fé. É largar a corda e saltar no escuro.

Mas notem que se fosse assim, a atitude estaria novamente na ação da pessoa.

Apesar dessa estorinha refletir alguma verdade sobre a fé. Ela mostra um Deus que não reflete nosso Deus de amor. Ela não mostra o Deus no qual cremos.

Nosso Deus não teria mandado cortar a corda. Ele teria pego pela mão e colocado no chão. Não ficaria testando na hora de maior desespero, mas teria dito: “Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso.” (Mt 11.28)

A fé verdadeira, é aquela que se apega a Jesus Cristo. Ela é gerada em nós pelo poder do Espírito Santo. Ela é mantida e aumentada, pela ação do Espírito Santo, enquanto estudamos a Palavra do Senhor, seja nos cultos, nos estudos bíblicos, ou particularmente.

Lembrem-se: “Pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus.” (Ef 2.8).

Sem fé é impossível agradar a Deus. (v. 6) Porém todo aquele que, com fé chegar diante de Deus, será recebido pelo Pai. Pois o Senhor Jesus afirma: “Todos aqueles que o Pai me dá virão a mim; e de modo nenhum jogarei fora aqueles que vierem a mim.”. Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus.” (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Iguaçu-RJ

Soli Deo Gloria

Leitura Bíblica para a Quaresma 2026

Você sabe o que é a Quaresma? Muita gente acha que é o tempo de sofrimento e privação (jejum etc...) que começa depois do carnaval. Infelizm...